Título: Every you & Every Me
Autor: Rebeca Maria
Categoria: spoilers até a 3ª temporada e alusão da 4ª.
Advertências: Futuro smut, Angst.
Classificação: M/MA - Nc17
Capítulos: E este é o segundo
Completa: Não
Sinopse: "É sempre tudo sobre você e tudo sobre mim, Temperance! Sempre. Eu quero fazer com que seja tudo sobre nós!"


Every You & Every Me
T. Brennan & S. Booth
Bones FanFiction
Por Rebeca Maria

Capítulo DOIS

Mesmo de olhos fechados ela podia perceber a pouca claridade no quarto. Ela sabia que ainda era cedo, muito cedo, e por isso se recusou, por alguns instantes, abrir os olhos e se desfazer daquela sensação confortável na cama.
Suas mãos espalmadas no peito dele, suas pernas entrelaçadas às dele. Era quente e agradável e confortável.

Tum Tum

A palma de sua mão sentia claramente aquela batida. Ela abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi o olhar dele sobre si. Ela não conteve o fino sorriso que surgiu em seus lábios.

Tum Tum Tum

Ele piscou algumas vezes pra ela. E ela percebeu que ele fechava os olhos e fazia um esforço enorme para abri-los novamente.

"Booth, olhe pra mim." – ela pediu. Ele abriu os olhos mais uma vez.

O coração dela falhou uma batida. De repente os olhos dele estavam tão escuros e tão vazios como ela nunca tinha visto.
Ela sentiu a mão dele se entrelaçar à sua. Ele estava tão gelado agora.

Tum

"Booth, por favor, não..."

A palma de sua mão, no peito de Booth, estava manchada de sangue. E então ela estava desesperada, em pânico.

"Por favor... não..."

Ele fechava os olhos lentamente e, quando os abria, sempre encontrava os olhos dela focados nele.
E de repente, ela não conseguiu mais olhar para ele. De repente não havia para onde olhar. De repente ele não abriu mais os olhos. E então ela fechou os dela, na tentativa de acreditar que aquilo não era real.

"Booth, por favor. NÃO!"

Sua voz saíra embargada, quase em pânico, chorosa. Seu peito arfava e ela sentia como se não conseguisse ar suficiente para respirar. Alguns segundos depois ela abriu os olhos.
Havia pouca claridade no quarto, denunciando que a manhã estava chegando. Estava frio e ela puxou o edredom contra o corpo, olhando rapidamente a palma de sua mão. Não havia sangue. Também não havia nenhum Seeley Booth deitado ao seu lado.
E então ela sentiu seu coração acelerar rapidamente. Sua respiração voltou a arfar. E ela sentiu novamente aquele pânico.

"Seeley..." – ela sussurrou, quase tão baixo que ela mal pôde ouvir a própria voz. Ela repetiu o nome dele mais algumas vezes, até se dar conta que tudo não passara de um pesadelo. De novo.

E quando ela conseguiu se acalmar e relaxar na cama, ela apenas se deu ao luxo de ficar ali mais algum tempo. Tentando não pensar em nada e em tudo ao mesmo tempo. Depois de um tempo, apenas deixou os pensamentos fluírem e então se levantou. Decidida.

x.x.x

Booth olhou mais uma vez para o relógio. E então, pela terceira vez a voz digital ecoou pelo aeroporto chamando pelos passageiros do vôo para a Inglaterra.

"Temperance Brennan já fez o check-in?" – o funcionário da empresa olhou-o desconfiado.
"Nós não podemos liberar essa informação, senhor." – Booth deslizou a mão até seu distintivo e mostrou-o ao funcionário.
"E agora vocês podem?" – Booth balançou o distintivo na frente do funcionário e sorriu.
"Oras, Booth, pare de usar seu distintivo para benefício próprio." – ele ouviu a voz dela logo atrás de si e congelou por alguns segundos. E quando conseguiu olhar para trás e confirmar que era mesmo Temperance que estava ali, sorriu – "E não use esse seu sorriso charmoso comigo."

Ele não falou nada. Continuou sorrindo e olhando para ela enquanto ela fazia o check-in. E quando ela terminou, virou-se para ele, olhando-o séria.

"Nunca mais me chame de covarde!" – ela disse, batendo com a ponta do dedo no peito dele – "Eu não sou covarde." – Booth pegou as passagens e o bilhete dela e guardou-os junto com os seus, em seguida ofereceu-se para levar a nécessaire dela, o que ela prontamente deixou.
"Se eu soubesse que te chamar de covarde te faria ser minha parceira novamente, eu teria feito isso há quatro meses." – ele comentou, e ela apenas olhou-o de esguelha.
"A janela é minha." – ela disse, assim que entraram no avião e encontraram seus assentos na 1ª Classe. Ela agradeceu profundamente por serem apenas duas poltronas uma do lado da outra, ao invés de três ou quatro.
"E o que mais você quiser, Bones." – ele colocou a nécessaire dela no bagageiro acima das poltronas e deu espaço para ela ficar na janela – "Você quer alguma coisa? Você sabe... 1ª Classe, nós temos de tudo." – ela acomodou-se e ele sentou-se do lado dela.

As poltronas eram grandes e confortáveis. E tinham até descanso para os pés. Booth pensou que ele próprio não teria problema nenhum em dormir a viagem inteira. No entanto, imediatamente soube, ao olhar para Bones, que ela não estava realmente confortável.

"Você..." – ele começou.
"Jose Cuervo." – ela deixou de olhar para a janela e olhou para ele.
"Ahn?"
"Jose Cuervo." – ela repetiu – "Eu daria tudo por uma Jose Cuervo neste exato momento." – ele riu e imediatamente apertou o botão que chamava a aeromoça – "O que você está fazendo, Booth?" – ela perguntou, assim que o viu retirar o distintivo do FBI, deixando-o à mostra para quem quisesse ver, mas sem mostrá-lo diretamente.
"Usando o distintivo para benefício próprio." – ele sorriu para ela. Novamente o sorriso charmoso.

A aeromoça chegou até Booth e ele falou algo no ouvido dela, fazendo-a rir levemente. Temperance olhava intrigada. Depois de quase um minuto, a mulher ergueu-se, acenou afirmativamente, e saiu logo depois de ouvir o Obrigado de Booth. Menos de cinco minutos depois, a mesma aeromoça retornou, trazendo, discretamente, uma bandeja com dois copinhos com duas doses de tequila, sal e limão.

"Normalmente não se pode beber no avião, Booth." – ela afirmou, recebendo o copo de tequila que ele lhe estendeu.
"Você disse que faria tudo por uma tequila. Aí está ela."
"Mas eu não fiz nada por ela, Booth. Você fez."
"Acredite, Bones, quando chegar o momento, você fará." – Booth ergueu seu copo enquanto Brennan colocava um punhado de sal em sua própria mão e na mão dele – "A que vamos brindar? A nós?" – ela franziu o cenho.
"A mim e a você." – ela falou.
"De novo."

Eles bateram levemente os copinhos e depois viraram a tequila. Lamberam o sal de suas mãos e chuparam o limão. Depois se olharam. Ambos sorridentes. Um olhar profundo, que dizia bem mais do que os dois era capaz de falar naquele momento. Olhares que falavam tudo sobre ele e tudo sobre ela. Absolutamente.

"Então..." – ele começou, baixinho, sem desviar o olhar. Ela apertou os lábios, num daqueles sorrisos dela de confirmação e então passou a olhar para o copinho vazio em suas mãos.
"Obrigada, Booth." – ele franziu o cenho.
"Pelo quê?"
"Por você não ter desistido de nós..." – ela voltou a olhar para ele e depois de mais uma troca de olhares, completou – "...da nossa parceria, da nossa amizade. Por todo esse tempo em que eu... estava lidando com a situação."
"Eu nunca desistiria de você, Temperance." – ele falou e tocou o ombro dela, ao que ela tremeu involuntariamente.

Booth voltou a sua mão ao seu próprio colo, mas não deixou de olhar para ela. Ficaram em silêncio por algum tempo. Um silêncio cômodo, em que ambos ficavam presos aos seus próprios pensamentos. Um silêncio em que não era preciso falar nada e mesmo assim eles continuavam se entendendo. Como sempre.

x.x.x