Disclaimer: Bleach e os personagens não me pertencem, mas sim a Tite Kubo.

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Cap. 2º - Por que eu?

Abriu os olhos lentamente. Algo estava a incomodando. Levantou-se, ficando sentada na cama e viu o que era. Não podia acreditar. Era ele mesmo? Esfregou os olhos para ver se era verdade. E era. Seu coração disparou de felicidade.

-Renji! – deu um sorriso e correu até o garoto, dando-lhe um abraço bem forte. – Que bom te ver! – tinha lágrima nos olhos.

-Rukia! – correspondeu o abraço – Também estou feliz em te ver, boba.

-O que faz aqui? – perguntou se afastando dele.

-Seu irmão me contou como você estava. – desfez o sorriso no rosto. Na mesma hora, o lindo e sincero sorriso de felicidade da garota também desaparecera. Não queria tocar NAQUELE assunto. Não agora. Percebendo que o que havia falado não tinha sido nada legal, resolveu mudar de assunto. – Mas, eu tenho uma novidade... E acho que você vai gostar.

-Sério? – forçou um sorriso.

-Eu vou me mudar para cá, e estudar na mesma escola que você! – disse alegremente.

-Você está brincando!?! – surpreendeu-se – Que bom! Agora vamos nos ver todos os dias, né?

-Pois é. – estava meio sem jeito – Nossa como você dorme hein?! Já são três horas da manhã!

-Já? – espantou-se – Estou com fome. – colocou a mão na barriga. –Vem. – puxou a mão do garoto e saiu andando pela casa até a cozinha. Renji ficou um pouco constrangido com aquilo, mas a sensação do toque da mão dela ali o confortava.

Chegando lá, a pequena preparou um café para os dois. Parecia animada, quer dizer, não parecia estar fazendo seu teatro. Pegou duas xícaras, uma era de coelho e a outra de ursinho, colocando aquele líquido escuro nas mesmas. Cada um pegou uma xícara e foram até aquele imenso jardim, sentando-se em um banco eu havia ali. Iriam esperar até o nascer do Sol.

-E então Renji... Até onde você está sabendo? – resolveu tocar naquele assunto incomodo. Não encarava o amigo, apenas olhava para o céu, que tinha várias tonalidades e algumas estrelas.

-Rukia... Eu sei de tudo. – olhou para a garota, que parecia não estar nada contente por ele saber. – Foi por isso que eu vim.

-Sabe... Eu não tenho medo do que vai acontecer. – olhou para o amigo ao lado. – De qualquer forma, eu tenho que agüentar não é? – deitou no colo do garoto. Seus imensos olhos azuis estavam marejados de lágrimas. – Mas, o que eu não entendo é... Por que eu? Por que eu fui escolhida por ELA? Essas coisas só acontecem comigo! – as lágrimas começaram a escorrer, uma por uma, pelos cantos dos olhos. – Será que eu fiz alguma coisa errada e estou pagando por isso?!

-Rukia... – murmurou. O que podia fazer agora, era apenas escutá-la e talvez, confortá-la, caso fosse possível.

-Cada vez que ELA se aproxima, meu coração aperta. E agora... Começaram a aparecer coisas boas na minha vida. Isso não é justo... E... Sinto que ela... Está se aproximando cada vez mais, e mais rápido! O que eu faço? Fico esperando até eu... Simplesmente morrer? – disse entre soluços, por causa do choro. Seus olhos já estavam inchados. Agora se sentia um pouco mais leve. Precisa conversar com alguém. Aquilo a estava matando-a por dentro, se ela não contasse a ninguém um pouco do que estava sofrendo.

-Não pense nisso agora, Rukia. – tentou alegra-la. – Ainda resta muito tempo... Aproveite-os o máximo que puder... Sem pensar, ou pelo menos tentar, não pensar no que irá acontecer... E se acontecer.

-Será? – Não, claro que não. Ela não teria mais chances. O que ia fazer? Ficar calada, e esperar até o momento em que ela chegar? Não. E também, como iria aproveitar o tempo? Não tem amigos, namorado, família – quer dizer, família tem, mas dá na mesma pensar em Byakuya como irmão – tudo o que ele estava dizendo, são simples ilusões. – Você está sendo otimista de verdade não? – deu um meio sorriso.

-Você que é pessimista demais, baka. – continuaram assim por um bom tempo. Finalmente, os primeiros raios de Sol já refletiam nas plantas. Os amigos se levantaram e foram para a escola. Ao chegarem lá, Rukia não sentiu nenhum aperto no coração nem medo de entrar na mesma. Agora, não iria importar o que as pessoas iriam dizer a respeito dela, pois Renji estaria lá para protege-la de qualquer coisa que acontecesse. Foram conversando sobre vários assuntos aleatórios até a sala de aula. Havia pouquíssimas pessoas na sala.

-Bom dia, Kuchiki-san! – gritou Keigo indo em direção a ela. – Está tão bonita hoje!

-Ah, - colocou a mão na boca, fingindo estar envergonhada. – Está sendo gentil, Asano-kun. – disse com aquela voz melosa e fingida.

-Bom dia Kuchiki-san! – falou Inoue do outro lado da sala animadamente.

-Bom dia Inoue-san. – respondeu da mesma forma para a colega. Aos poucos os alunos iam chegando e acomodando-se em seus lugares. Até uma figura estranha chegar.

-Bom dia Kurosaki-kun! – deu um enorme sorriso.

-Bom dia. – respondeu com seu mau humor habitual. Foi até seu lugar e se sentou. Olhou para o lado e viu Rukia conversando com aquele garoto... Estranho. Mas a final, quem diabos era aquele menino? E por que o incomodava tanto?

-Bom dia morango. – provocou com sua voz falsa e melosa só para irritá-lo.

-Ora, sua fingida... – murmurou irritado. Virou o rosto em direção à janela. Queria que o tempo passasse o mais rápido possível. Por quê? Não agüentava ver aquela garota conversando e sorrindo com aquele... Aquele... "Espera aí! Eu estou com ciúme?" riu sozinho só de pensar nessa hipótese. "Há-há-há... Eu, Kurosaki Ichigo, com ciúme dessa... Garota?" bufou indignado com os próprios pensamentos. "Só de pensar nela eu fico com vontade de... ARGH! Aliás, por que eu estou pensando nela? A gente se conheceu ontem!" Definitivamente, não estava nada bem. Eram seus hormônios novamente descontrolados. Realmente, era a influência demais de Keigo e Isshin.

-Alunos cretinos, fiquem quietos, pois tenho um comunicado importante. – disse a professora séria. Os alunos imediatamente calaram as bocas, do jeito que essa professora é maluca, vai saber o que ela poderia fazer com eles.

-Como ia dizendo, nós estamos no mês de junho e a escola está começando os preparativos para o festival, que será no último dia de aula, antes das férias. Por isso, hoje faremos a troca de representantes de classes por meio de um sorteio. Será escolhido um menino e uma menina que irão trabalhar e estudar juntos até o fim do ano. Assim, eles decidiram o que a sala irá apresentar. – falou a professora, que estava segurando uma caixa preta. Lá havia papeizinhos com nome de todos os alunos. Ela mexia e mexia, para a curiosidade dos ali presentes. Olhos de expectativas.

-O nosso representante menino será... – fez suspense. O ruivo era o único que estava sem o mínimo de interesse naquela baboseira toda. – Kurosaki Ichigo.

O que? Ele tinha escutado bem? Até desviou sua atenção da janela. – O... Que? – conseguiu murmurar, ainda surpreso.

-Deixe de ser lerdo, Kurosaki! – repreendeu o aluno – Você é o novo representante, venha aqui!

-Ah sim. – levantou-se ainda com uma expressão incrédula. Suas pernas estavam bambas. Todos os olhares estavam voltados para o ruivo, o que o deixou corado.

-Muito bem. – concluiu a professora colocando a mão na caixa novamente. – E a representante é... Kuchiki Rukia.

Ela assustou-se a princípio. Se levantou e começou a caminhar até a frente. No caminho, ouviu algumas pessoas sussurrarem entre si, coisas do tipo "Ela está sendo privilegiada por que é rica", "Mas essa daí acabou de chegar à escola" ou "Ela é só uma patricinha mimada". Quanto mais andava, parecia que a professora se distanciava.

-Então... A partir de agora, vocês vão ter que estudar e trabalhar juntos pela classe. – continuou – Mas, que fique claro que são só estudos! Não quero nenhuma aluna minha grávida antes do tempo! – olhou diretamente para Ichigo, que estava mais envergonhado do que nunca. Poderiam até confundir ele com um tomate. Depois disso, nada mais de interessante aconteceu o dia inteiro. Exceto os olhares que os dois trocavam o tempo todo, e como sempre, acabavam desviando logo em seguida.

-"Será que vai ser agora, que eu vou perdê-lo?" – Lumi olhava para os dois atentamente. Ficara incrédula. Como aquilo foi acontecer? Quando foi que começou a "perder" ele e nem percebeu? Não podia acreditar. Afinal, eles se conheceram ontem, não é? "Deve ser apenas impressão minha... Apenas impressão". E não perderia "seu" Ichigo tão facilmente. Tocou o sinal de saída, interrompendo seus pensamentos.

-Rukia, você vai fazer alguma coisa à tarde? Sei lá, podíamos ir ao cinema... – convidou a garota, um pouco corado.

-Ah, obrigada, mas... Hoje eu não vou voltar para casa. – disse um pouco mais animada do que de manhã – Vou tentar me distrair por aí... Sei lá, preciso esfriar a cabeça.

-Isso é bom. – sorriu – Então, vou indo. – se despediu da garota e foi embora. Ela pegou seu material e saiu da escola. Tinha que pensar em várias coisas.

Ichigo não estava nem um pouco apressado. Hoje seu ai, infelizmente, iria ficar de folga. Então ele iria ficar o mais longe possível da sua casa. Pegou seu material e saiu andando tranquilamente. Da escola fora para uma lanchonete, onde não demorou muito. Ele saiu de lá tomando um refrigerante e com uma barra de chocolate em mãos. Foi até uma praça onde adorava ir quando pequeno. Sentou-se no primeiro banco que viu. Quer dizer, deitou-se no banco. Pegou seu mp3 e colocou os fones no ouvido, fechando os olhos logo em seguida. Colocou uma das mãos em cima do tórax e a outra deixou caída. Subitamente a imagem de uma pequena garota com os mais belos olhos azuis, cabelos negros e a pele de porcelana lhe veio à mente. A idéia de pensar nela, já o deixou ruborizado. Não entendia o porquê de pensar nela agora. Lembrou-se de quando viu suas pernas. Elas pareciam tão... Convidativas... NÃO! No que ele estava pensando? Realmente, deveria ficar longe de Keigo. Mas... Rukia era tão... – seus pensamentos foram interrompidos por algo lambendo sua mão. Abriu os olhos e se sentou no banco. Olhou para baixo e viu um monte de pelos brancos.

-Um... Colho? – curvou-se para pegar o bichinho, mas este saiu correndo. – Que estranho. – suspirou, deitando-se no banco novamente.

Rukia estava andando pelos parques totalmente distraída. Será que estava mesmo preparada? No fundo, tinha medo do que iria acontecer, mas não queria preocupar ninguém com seus problemas, afinal, sempre os superou sozinha. Pensou um pouco na conversa que teve com seu amigo... Por que disse que começaram a aparecer coisas boas na sua vida? Resposta, uma imagem de Ichigo lhe veio à mente. "Hunf... Aquele morango" – bufou irritada. Viu uma lanchonete e entrou. Estava morrendo de sono, precisava de um café, afinal, já estava pensando naquele ruivo.

-Por favor, um cappucino. – pediu gentilmente. De novo, a imagem daquele garoto veio a sua mente. – Quer dizer, dois cappucinos. – "Preciso acordar e parar de pensar nessas coisas!".

-Pronto. – a moça entregou dois copos a ela. A garota pegou e saiu andando. De longe, viu algo peludinho e branco. Logo, definiu que era um...

-Coelho! – exclamou animada. Rapidamente, saiu correndo atrás dele que nem uma maluca. – Coelhinho... Espera aí! – já estava se cansando de correr. Até que parou de correr. Não acreditou quem estava ali. Seu coração começara a pulsar fortemente. Parecia que ele ia pular para fora de seu corpo. O pequenino coelho lambeu a mão de Ichigo, fazendo-o sentar-se e ver quem estava ali.

-Esse coelho é seu? – perguntaram em uníssemo.

-Não, pensei que fosse seu. – responderam juntos novamente. Olharam-se se estranhando.

-Será que dá para parar de me imitar? – falaram mais uma vez juntos, deixando-os nervosos. A pequena foi andando e sentou-se ao lado dele.

-Toma. – estendeu o braço com um café em mãos.

-Não quero obri-

-Eu não estou perguntando! - disse estressada.

-Calma. – assustou-se.

Ficaram em um silêncio intenso, o que já estava deixando-s encabulados. Rukia então, deixou o ruivo de lado e começou a se distrair com o coelho.

-Que nome vamos dar a ele? – decidiu ela puxar assunto.

-Hum... – ficou pensando durante um bom tempo. – Que tal... Rex?

-gota

-Rex é nome de cachorro! – pegou o coelho e colocou em seu colo, acariciando- gentilmente – Que tal... Letie?

-Ele não é mulher! – abriu a barra de chocolate e deu ao coelho um pequeno pedaço. – E... Wood?

-Não... – mordeu o lábio inferior – Que tal... Fluffy?

-Fluffy? – fez uma careta. – Não-

-Vai ser Fluffy! – deu um tapa na cabeça do garoto.

Ichigo ficou no canto resmungando algo do tipo "Fluffy é nome de gay".

Uma gota de chuva caiu na testa da pequena.

-Está começando a chover. – olhou para o céu.

-É mesmo... Acho melhor ir embora antes que comece a chover... – a chuva começou a engrossas – Mais forte. – pegaram o coelhinho e seus materiais e saíram correndo. A morena tirou sua jaqueta e cobriu o coelho, ficando apenas com a blusa da escola, que era branca. A chuva piorava a cada segundo, molhando o corpo dos dois. Ichigo olhou para a garota, para ver se ela estava bem. Instantaneamente sentiu suas bochechas queimarem. O uniforme dela estava transparente, deixando suas curvas a mostra. Por mais que queria desviar seu olhar, não conseguia. Eram seus hormônios falando mais alto novamente. "Eu não posso olhar, eu não posso olhar, eu não posso olhar!" – fechava os olhos, mas logo em seguida abria um e espiava. Ela não tinha muito busto e nem muitas curvas, mas sua beleza era diferente das outras garotas. Rukia era perfeita do jeito dela.

-Acho melhor nós ficarmos naquela casa abandonada enquanto a chuva não para. – disse a menina inocentemente com o coelhinho em mãos.

-Claro. – respondeu e virou o rosto corado. Foram correndo até lá. E a chuva não dava sinais de trégua. A pequena largou então o coelhinho no chão. Iria usar aquela blusa, mas estava encharcada. Olhou para o garoto e viu que ele estava vermelho. A princípio não entendeu o porquê e o deixou de lado. Foi andando pela casa, que tinha um cômodo, e achou um espelho. Quando viu sua imagem refletida neste, entendeu o porquê de Ichigo estar vermelho. Lembrou-se de que havia pegado uma blusa e colocado na bolsa. Mais do que depressa pegou a peça. Só que não havia como ela se trocar no banheiro, por que este não tinha li. Só teve uma idéia.

-Ichigo... Você pode se virar para o outro lado para eu trocar de roupa? – disse um pouco corada.

-S-sim. – virou-se de costas para a menina. Devagar, a pequena ia desabotoando botão por botão, até ficar apenas com sua peça íntima. Ichigo olhou para trás naquele exato momento e ficou boquiaberto com o que via. Rukia cuidadosamente colocou a blusa. Ela era verde de alcinhas, com um decote V na frente e justa, deixando um pouco de sua barriga a mostra.

-Já me troquei... – nem disse que ele podia virar-se, pois percebeu que ele já havia visto tudo. Ficou um pouco encabulada com aquela situação.

-Hum. – voltou a ficar de frente para ela. Ficou observando-a por um bom tempo. E percebeu que ela estava tremendo de frio. Sem dizer nenhuma palavra, caminhou até ela. Ajoelhou-se de frente para a garota e tirou sua blusa, ficando só com uma da escola. Colocou seus braços em volta a ela, e jogou sua blusa nos ombros dela. A pequena surpreendeu-se com o ato, mas gostou.

-O-obrigada. – deu um meio sorriso.

-Não foi nada. – após alguns segundos, um raio caiu ali perto. O estrondo fora tão alto, que a garota sentiu medo percorrer-lhe a espinha. Em um ato de medo, o abraçou, apertando sua camisa por entre seus dedos fortemente. O ruivo enrubesceu, mas pousou seus braços nas costas dela.

-Você tem medo de trovões? – perguntou olhando para ela.

-Eu... – um outro raio caiu, fazendo-a agarrar-se mais ao corpo dele. Apertou os olhos com medo. Ichigo, por alguns segundos, gostou de tê-la em seus braços. O perfume dela invadia seus pulmões, deixando-o enfeitiçado. Sua pele era tão macia. Dava até vontade de...

-Eu tinha medo quando eu era mais nova... – afastou-se dele por que aquilo já estava ficando estranho.

-Ah... – sentou-se ao lado dela. Já estava ficando de noite, e a chuva não passava. Rukia quase não conseguia manter os olhos abertos, até que não agüentou e se deitou no colo do garoto.

-Rukia? – estranhou.

-... - ninguém respondia. Abaixou a cabeça, para ver se estava tudo bem. Mas, arrependeu-se por fazê-lo. Seus rostos ficaram muito próximos, fazendo suas respirações ficarem unidas. A pequena, abrira os olhos naquele momento. Não sabiam o que fazer, e cada vez mais, ele ia se aproximando de seus lábios, atraído por seus imensos e intensos olhos azuis.

-Ichigo? – perguntou corada.

-Sim? – não cortou o contato visual.

-O que... Você está fazendo? – era quase um sussurro.

-Eu... Não sei. – respondeu da mesma forma. Quando estava prestes a beijá-la, ela desviou o rosto, fazendo-o tocar suas bochechas. Aquilo foi como um balde de água-fria em cima dele. O que iria fazer agora? Apenas se afastou, sem dizer exatamente nada. Pegou seu mp3 e começou a ouvi-lo. Rukia percebeu que o que havia feito não tinha sido nada legal. Mas, faz apenas dois dias que se conheceram. Murmurou um desculpe. Ele ainda não a encarava. Sentiu a pequena tocar seu braço. Olhou para baixo e a viu dando um sorriso. Ele desfez a cara feia e devolveu o sorriso. Logo, ela dormiu. Ichigo ficou a observá-la. Como uma garota delicada daquelas, podia ser tão brava? Afinal... O que ele pretendia fazer agora pouco? Desviou seus olhos castanhos para a janela. A chuva estava parando aos poucos. Fechou os olhos e encostou-se na parede.

-Ichigo! – Rukia o cutucou – Ichigo! – berrou.

-Hum... – abriu os olhos lentamente. – O que foi?

-Acho que já podemos ir embora... A chuva já passou. – disse contente com Fluffy em mãos.

-Que horas são? – perguntou com a voz meio sonolenta e consultou o relógio. – Nossa já são nove horas da noite! Está tarde. – assustou-se – Vamos embora. – se levantou e depois ajudou a pequena.

-Obrigada, moranguinho... – provocou.

-Anã! – retrucou pegando seu material.

-M-o-r-a-n-g-u-i-n-h-o! – soletrou a palavra – Acho que não entendeu. – olhou para o garoto que estava com vários pontos de interrogação e murmurando uma "maluca". A morena pegou o coelho e saíram da casa. Até a metade do caminho ficaram calados. Estavam bem envergonhados.

-Rukia... Eu... – suspirou e levou uma das mãos até os cabelos, os agitando agressivamente. – Me desculpe por hoje mais cedo.

-N-não foi nada. – surpreendeu-se por ele estar dizendo aquilo. Fora a primeira vez que viu um garoto tentar beijá-la (e para variar, dar um fora) e depois, pedir desculpas. Ele era realmente diferente dos outros garotos. Mas, sabia que mesmo que acabasse gostando dele futuramente, não iriam poder ficar juntos e... Não tinha o direito de interferir assim na vida dele. E cada vez mais, sentia que ELA estava se aproximando de um jeito que poderia acontecer a qualquer momento. Por isso, não poderia envolver-se com alguém e... "Melhor não pensar nisso agora" balançou a cabeça para evitar os maus pensamentos. – Eu até já tinha esquecido isso. – não, não havia esquecido aquilo, e com certeza, nunca esqueceria.

-Hum. – ele não sabia se ficava feliz ou triste com isso. Bom, no pensamento dele, estava feliz, afinal, nem se conhecem direito. Só que o que não sabia, era que havia ficado triste por ter sido rejeitado. Mas, não estava triste pelo simples fato de ter sido rejeitado. Havia ficado triste por que havia sido rejeitado por aquela garota.

-Chegamos à minha casa. – disse por fim, a pequena, um pouco triste. – Obrigada. – deu um pequeno, quase que imperceptível sorriso no canto de seus lábios.

-Não foi nada. – caminhou até ela, e acariciou o coelhinho – Até amanhã, baixinha. – virou-se e começou a caminhar.

-Até amanhã, Ichigo. – disse entrando dentro de casa e com uma das mãos em seus lábios. – Baka. - ao entrar em casa, encontrou todas as luzes apagadas, então subiu diretamente para seu quarto. Chegando lá, despiu-se e entrou no chuveiro. Deixou a água cair sobre seu corpo, levando com esta, seus pensamentos até o ralo. Não demorou muito e saiu de lá, com pijama do Chappie e com os cabelos penteados. Ao deitar-se na cama, sentiu algo a incomodando. Pegou e viu o que era. Era a blusa de Ichigo. Sem perceber, levou-a até seu rosto. O único pensamento que teve foi "Como ele é cheiroso... E quentinho". Soltou um pequeno sorriso e adormeceu imersa aos seus pensamentos e abraçando a blusa. Com certeza, iria ter bons sonhos essa noite.

Continua...