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EU NÃO MORRI… Mas foi o que pareceu, já que eu não publico nada há duas semanas. Estou recuperando minha inspiração pouco a pouco; logo volto à minha rotina de publicação (se é que eu já tive alguma XD).

A partir daqui a história se divide em duas partes: por um lado, Sally, Sakura e May na Torre Brotinho (lembram que a Sakura queria ir para lá?) e Tracey, Kevin e Aisha na Universidade Violeta.

Quanto à história da Torre Brotinho, eu adaptei; embora no jogo seja dito que o mastro é um Bellsprout gigante, preferi explicar o porquê de o local ser um ponto de treinamento à minha maneira. E sobre um treinamento de Sally, puxei aspectos do game e outros que eu mesma adaptei baseada nas ideias do animé. Espero que esteja ao gosto do freguês!

Parte II

São sete e quinze da manhã. Apressada, Sally termina o café da manhã oferecido pela enfermeira Joy e arruma suas coisas na mochila. Joy, terminando seus afazeres, lembra-se de algo.

-Oh, acontece que estamos procurando por nossos sobrinhos distantes, Sally e Tracey. Faz tempo que não os vemos, então quando soubemos que iriam até o Ginásio Violeta, viemos correndo!- responde a mulher com uma voz estranha, lembrando um pouco falsete.

"Espere aí! Como eu não notei nada estranho antes? Se aquele casal de ontem estava tão ansioso para encontrar Sally e Tracey, por que os garotos nem sequer mencionaram eles?

Um mau pressentimento invade Joy. Ela vai apressada até Sally e pede:

-Sally, preciso te falar uma coisa…

-Ih, enfermeira Joy, agora não vai dar. O Tracey e o Kevin já foram para a Universidade e a Sakura e a May já devem estar me esperando. Eu tenho que ir, depois você me fala. Tchau!

Sally põe sua mochila nas costas e, acompanhada por Eevee, sai ansiosa do Centro Pokémon. Joy suspira e lamenta:

-Tem alguma coisa errada. É melhor eu falar com Falkner.

Do lado de fora, Sally olha para os lados, à procura de suas amigas. A alguns metros, ela avista as duas e chama:

-Bom dia! Já tô pronta!

Ela se aproxima de Sakura e May. Sakura consulta as horas em seu Pokegear e diz:

-Tá cinco minutos adiantada. Ótimo! Trouxe seus pokémons?

-Estão todos aqui- responde Sally. -Mas qual é o plano para hoje, afinal?

-Acredite, Sally: eu também não sabia do que se tratava, mas achei a ideia ótima!-comenta May.

-Vem com a gente- pede Sakura.

****

-Sabe… Depois de andar tantas ruas, o meu ânimo pra esse treinamento parece diminuir…

-Deixe de reclamar, Sally. A ideia da Sakura é realmente muito boa!

Sakura anda na frente, seguida por May e Sally, que anda com os braços caídos e a cabeça abaixada de cansaço. Elas caminham por uma larga passarela, a caminho de uma estranha torre com aparência secular.

Ao chegarem na entrada da torre, encontram um senhor, provavelmente com uns setenta anos de idade, vestido em um quimono escuro, que as cumprimenta:

-Ah, meninas, vejo que voltaram! E estão com o jovem broto!

Sally começa a entender.

-Peraí, então vocês já estiveram aqui! E… Peraí de novo… "Jovem broto"?!- a treinadora fica nervosa, com uma veia saltada eu uma das têmporas, e aponta para o senhor: -PODE PARAR! EU SEI QUE ESSA É UMA GÍRIA ANTIGA, MAS PODE TER RESPEITO, MEU SENHOR! EU TENHO ONZE ANOS!

O homem fica intimidado, sem entender o motivo da acusação. Sakura acerta a mão na testa, encabulada, e May avança na frente de Sally para explicar:

-Sally, vai com calma! "Broto" é uma expressão carinhosa usada para treinadores novatos que vem treinar aqui na Torre Brotinho!

-Ah, é? Puxa… Então, me desculpe, senhor…- Sally fica vermelha, como um farol de trânsito, de vergonha.

O senhor dá uma leve risada e comenta:

-Vocês três têm muito espírito! Mas por que a aspirante a mestra pokémon não se apresenta?

Sally se toca.

-Ah, é claro, deixa esse incidente pra lá! Eu sou Sally Kinson da cidade New Bark. E o senhor é…

Sakura apresenta:

-Este é Lang, o sacerdote-mestre da Torre Brotinho. Ele estava esperando você chegar, Sally, para explicar melhor a história da torre a todas nós.

-Então vamos! O que estamos esperando? Ops, senhor…- a voz da treinadora se torna mais branda. -Quero dizer, estamos prontas para a excursão, ensinamento ou… Bom tanto se faz como se chama…

Lang consente.

-Certo! Venham comigo.

As três garotas acompanham o senhor até a torre. E embora saiba que a construção é secular, Sakura sente como se fosse uma das primeiras pessoas a entrar nela; a Torre Brotinho exibe uma atmosfera renovada e pacífica.

O grupo entra, e Sally fica estupefata com o local: mesmo sendo aparentemente uma construção tradicional semelhante a muitas outras, um mastro enorme de madeira no centro do térreo traz o diferencial, principalmente por balançar de um lado para o outro em um pequeno espaço, como se estivesse vivo! A treinadora não resiste ao comentário:

-Minha nossa! Como esse mastro balança? É algum mecanismo?

-Não se trata de uma força mecânica, senhorita- responde Lang, apreciando a vista com a qual está acostumado há anos -Acredita-se que esse mastro abriga o espírito de um Bellsprout.

-Um Bellsprout? Não é um pokémon tipo planta?- pergunta May, enquanto checa os registros de sua Pokedex:

-Bellsprout, o pokémon Flor. O corpo fino e flexível do Bellsprout o permite que se dobre e balance para evitar ataques, não importa quão forte seja. De sua boca, ele lança um fluido capaz de dissolver ate mesmo aço.

O sacerdote olha sério para o mastro e responde:

-Sim, um Bellsprout sem forças e experiência que não vencia uma luta sequer. Porém, um treinador experiente, ao ver aquele pokémon, decidiu provar que com amor e esforço aquele pokémon planta se tornaria poderoso. E conseguiu: sem evoluir, Bellsprout venceu incríveis oponentes, e dizem alguns que se manteve invicto até o fim de sua vida.

-Então a Torre Brotinho é uma homenagem a esse Bellsprout?- pergunta Sakura.

-Exatamente, senhorita: uma homenagem a Bellsprout e seu treinador, um verdadeiro mestre pokémon, que ensinaram a lição de que tudo que é grande começa pequeno, como um pequeno broto que cresce ao tamanho de uma árvore colossal. Mas…- Lang abre um sorriso. -É também um local que permite que treinadores de todos os níveis de experiência venham treinar, pois a atmosfera espiritual é própria para isso.

As meninas fazem silêncio, para absorver melhor o que entenderam. De repente Sally, que estava pensativa, estala os dedos e exclama:

-Atmosfera espiritual, entendi! É tipo o ar que nossos espíritos respiram, certo?

Lang e May ficam sem graça, com uma gota na testa, enquanto Sakura acerta a mão na testa e diz:

-Deixa pra lá, Sally…

-Hum… Acho que Sally não respondeu algo tão errado assim…- reflete Lang. -De qualquer forma, vou deixá-las à vontade para que façam seu treino.

Lang se despede com uma reverência, que é respondida pelas garotas da mesma forma, e se afasta pela escada da torre. Depois disso, Sakura tira um papel da bolsa, abre para Sally e pergunta:

-Muito bem, Sally, sabe o que é isso?

Sally capta algumas palavras destacadas na folha para responder:

-Hum… "Método de evolução", "Treinamento de novos ataques", um monte de setas, diagramas e rabiscos… Por acaso é o meu plano de treinamento?

-Exatamente. Eu e a May organizamos isto aqui enquanto eu explicava minhas ideias ontem à noite. Agora acompanhe:- Sakura passa o papel para as mãos de Sally, que o lê atentamente enquanto a amiga continua a explicar: -O primeiro passo do treino é evoluir seu Kakuna para Beedrill. Depois vamos praticar algumas estratégias aéreas com ele e, acima de tudo, ensinar alguns novos ataques para todos os seus pokémons.

-Entendi. Mas acham que o Beedrill seria melhor que a Chikorita para combater os pokémons voadores do Falkner?

-Já que a ideia foi minha, deixa que eu explico- adianta-se May. -Olha só: numa batalha três contra três contra o Falkner, você é obrigada a lutar ou com a Chikorita ou com o Kakuna. Por isso eu pensei que, se evoluí-lo para Beedrill, terá um pokémon capaz de lutar no ar. Com uma estratégia, é claro, senão seria burrice, já que campo aéreo é a especialidade do campo voador.

"Cara, como dei sorte", pensa Sally. "Sakura e May têm experiência suficiente pra me ajudar nessa tarefa. Bom, a May já esteve em dois Grandes Festivais… E pelo que o Tracey me contou durante suas viagens, a Sakura foi bem em algumas competições de grande porte. Se elas vão me orientar agora, não tenho tempo a perder!"

-Por mim, tudo bem. Mas o que estamos esperando?- Sally lança a pokébola de Kakuna. -Como vamos começar o treino?

Sakura recua alguns passos. May fica de frente para Sally e Kakuna e lança uma pokébola:

-Vai, Bulbasaur!

O pokémon azul com um bulbo verde nas costas sai da pokébola, na frente de May. Sally checa com seu Pokedex:

-Bulbasaur, o pokémon Semente. Bulbasaur pode ser visto descansando à luz do Sol. Ha uma semente em suas costas; absorvendo os raios do Sol, essa semente começa a crescer progressivamente.

-Já que Kakuna tem certa resistência a ataques tipo planta, achei que Bulbasaur seria a escolha perfeita para facilitar esse treino- explica May.

-Certo. Então vamos começar! Se prepara, Kakuna!

-Você também, Bulbasaur!

"Ainda bem que Sally não perdeu o pique!", pensa Sakura, sorrindo. "Hum… Como será que o Tracey, o Kevin e a Aisha estão indo?"

****

-Explica melhor, Tracey… Quem te indicou a Universidade?

Na sala de espera da Universidade Violeta, Tracey, Kevin e Aisha aguardam sentados em cadeiras. Ao ouvir a pergunta do amigo, Tracey, responde:

-Eu já havia ouvido falar deste local há algum tempo, mas um homem com panfletos me recomendou.

-Um cara com panfletos?- questiona Aisha.

-É… Foi mais ou menos assim…

Tracey conta o diálogo do dia anterior.

"Nós estávamos saindo do Ginásio, depois da derrota da Sally.

Enquanto voltávamos para o Centro Pokémon, recebi de um sujeito um panfleto comentando sobre um evento que iria ocorrer na Universidade Violeta. Percebendo que eu me interessei, o sujeito puxou conversa.

-Mas olhe só: é a primeira pessoa hoje a se interessar pela exposição da Universidade!

-Er… bem, eu gostaria de visitar, mas acho que não vou estar aqui na cidade no dia do evento.

-Entendo. Então, por que não vai lá amanhã? Dá pra ver que você adoraria conhecer o local!

-Já que é assim, vou dar uma passada lá.

-Excelente resposta! Quando chegar, lá, diga que foi o Collins quem indicou. Até mais!

Tracey termina a narração. E completa, duvidoso:

-Aquele homem parecia ansioso demais, talvez até um pouco familiar… Mas agora não sei…

Kevin e Aisha escutam atentamente, até a chegada de um homem moreno, aparentemente um professor, de ar intelectual e óculos finos.

-Com licença, posso ajudá… Aisha, é você!

A garota loira se levanta para cumprimentar o rapaz:

-Oi professor Benkins! Faz um bom tempo que a gente não se vê, né?- ela estende um pouco a mão para apresentar seus amigos: -Veja, estes são Tracey e Kevin, e vieram conhecer a Universidade hoje.

Benkins não compreende.

-Bom, eu não quero ser rude, mas se é a respeito da exposição, será só amanhã. A não ser que vieram por outro motivo, é claro…

-Acontece que não vamos estar mais em Violeta no dia da exposição- explica Tracey. -Então, um sujeito chamado Collins sugeriu que viéssemos hoje para conhecer aqui. Sabe, eu sou assistente do professor Carvalho em Kanto e queria saber se poderia recolher alguns dados para a minha pesquisa.

Ao ouvir o nome "Collins", Benkins percebe algo. Seu olhar fica sutilmente mais sério e, enquanto Tracey explica porque ele e os outros estão ali, pensa: "O 'Collins' indicou? Vai sobrar pra mim, com certeza…". Para não levantar suspeitas, ele responde:

-Bom, tenho certeza que não podemos recusar auxílio à pesquisadores, ainda mais um assistente do famoso professor Carvalho. E já que estou com uma brecha no meu horário de aulas agora, acho que posso ser o seu guia. Venham comigo!

-Ah, claro, professor! Só nos dá um minutinho?- pede Aisha, puxando Tracey para um canto pelo braço -Assistente do professor Carvalho? Que demais! Você não havia me dito isso.

-Bom, acho que me esqueci- explica Tracey, lisonjeado.

Kevin começa a ficar impaciente.

-Ei, vamos indo!

Aisha puxa Tracey de volta de novo pelo braço, com um sorriso apaixonado. Mas o observador, por mais irônico que isso pareça, não consegue perceber isso…

O grupo vai andando pelos corredores, com o professor Benkins na frente. Kevin fica curioso e pergunta:

-Professor Benkins, certo?

-Edson Benkins- confirma Aisha.

-Tá. Bom, eu queria perguntar, o que você leciona?

-Biologia pokémon- responde Edson. -Sou o substituto do sr. Manson, que se aposentou há três meses.

-Deixe-me tirar uma dúvida- desta vez é Tracey quem pergunta -A Universidade Violeta só lida com ensino superior para a área pokémon?

-No geral, sim- responde o professor. -Na verdade, esta instituição é a maior do mundo nesta área de ensino, e grande parte dos fundos aqui levantados são doados para outras instituições locais e internacionais, como a Organização Ranger, a Corporação Silph e até mesmo a Academia Pokémon de Violeta, voltada ao ensino de crianças.

O grupo para em frente a uma porta no meio do corredor, com janelas de vidro. Edson abre-a e Tracey, Kevin e Aisha entram.

Tracey fica impressionado com a visão do ambiente: contrastando com o modernismo da instituição, uma sala enorme e ampla, com arquitetura semelhante a grega, mesas, bancos e estantes talhadas em mármore branco e resistente; uma biblioteca, cujo altíssimo teto é uma cúpula.

-Nossa, nunca entrei aqui antes…- comenta Aisha, passando lentamente os olhos pelo enorme ambiente, em apreciação. -É a biblioteca da Universidade?

-Correto- confirma Edson. -Sabe, Tracey, você havia dito que estava trabalhando em uma pesquisa, não foi?

-Isso. É uma pesquisa sobre as imigrações e emigrações de pokémons aqui em Johto- responde Tracey.

-Imigrações… Ótimo! Estamos conseguindo aqui ótimos resultados sobre esse tema, que tem chamado a atenção do mundo todo para Johto. Podemos procurar alguns dados na biblioteca, mas antes tenho que fazer uma ligação, então vocês podem ficar à vontade para conhecer a biblioteca.

Edson se afasta, deixando os jovens livres para explorar o local enquanto esperam. Estranhamente apreensivo e suando frio, ele pega um celular e disca para um número. A discagem mal toca duas vezes e já é atendida.

-O que quer me dizer, Benkins?- pergunta a voz de mulher do outro lado da linha.

-Os jovens que vocês estavam esperando… Eles chegaram- a voz de Edson parece trêmula. -Pelo menos um deles.

­-Um? Não tem problema, damos um jeito de atrair as outras depois. Onde ele está?

-Na biblioteca…- Edson titubeia antes de completar. -Acompanhado de outro garoto e da prima do Falkner.

-Hum… Então eles conhecem a prima daquele mal-humorado. Que seja! Você já sabe o que fazer.

Edson treme ao ouvir a ordem da mulher. Sentindo que está para fazer algo errado, diz:

-Eu… Não posso fazer isso. São apenas jovens, que perigo podem oferecer?

Do outro lado da linha cria-se um silêncio, que dura em torno de cinco segundos. Quando a mulher volta a falar, sua voz parece mais sibilante, como uma ameaça:

-Ora, me desculpe, Edson… Mas você não está em condições de questionar nada. Sabe, a sua irmã trabalha para uma empresa secretamente filiada à Equipe Rocket, e não sabe disso. E ela ama tanto o emprego… Você não quer que ela seja demitida… Ou coisa pior, certo?

Edson treme mais uma vez, sem um meio de reagir à ameaça. Apenas responde:

-Não, senhora. Vou fazer o necessário.

-Ótimo! Eu e meu parceiro já estamos indo para aí

A mulher desliga a ligação. O professor limpa o suor do rosto, nervoso e sentindo-se culpado por cometer algo que compara a um crime. Guardando seu celular, ele percebe que um homem mal-encarado o observa, com os olhos por cima do livro à sua frente. Edson faz um sinal, que o homem imediatamente compreende.

Tracey, Kevin e Aisha estão entretidos em descobrir a biblioteca. Demoram a perceber que várias pessoas saem do local ao mesmo tempo, com suas faces transbordando arrependimento ou preocupação, restando apenas algumas quatro posicionadas em distintos cantos da biblioteca. Finalmente Aisha percebe a estranha movimentação e pergunta:

-O que está havendo? Não é hora de fechar, é? (Seria o horário mais estranho que já vi!)

Em silêncio, Edson se dirige até uma estante a passos lentos; Tracey observa uma estranha tensão em seu rosto, o que o deixa preocupado.O professor apenas tem uma palavra:

-Desculpem-me.

Ele pressiona um botão escondido no fundo de uma prateleira: as janelas trancam-se com o comando eletrônico e armas de tiro surgem de espaços ocultos nas paredes, teto e chão, apontando para os jovens.

-Ei!! Mas que zoeira é essa?!- espanta-se Kevin.

Um dos homens que ficou no local tira de sua enorme mochila uma bazuca com um grande arco metálico na ponta e o dispara contra os jovens, prendendo-os em um arco fechado.

Pressionada pelo aço, Aisha olha para Edson com o olhar desesperado de quem espera uma resposta. Infelizmente, o acadêmico não tem o que ela procura.