Hey, minna.

Personagens do Masashi Kishimoto, história de minha autoria.

Está fic contém: um pouco de palavreado chulo, provavelmente cenas de sexo. Envolve inferno, céu e questões até teológicas, quem sabe yaoi. Caso você não goste, não leia.


"I know what you want
I'm gonna take you to a midnight show tonight
If you can keep a secret
I got a blanket in the back seat of my mind
And a little place that sits beneath the sky
She turned her face to speak
But no-one heard her cry."
The Killers - Midnight Show

.x.

Chovia lá fora.

Odiava a chuva, mais do que qualquer coisa. Odiava aquele céu acinzentado e odiava e silêncio numa tarde chuvosa. Odiava quando, nesses dias, tinha que ficar casa.

Hinata estava de folga naquele dia e naquele dia também não teria aula. Apesar de reclamar sempre da vida corrida, adorava toda aquela agitação, pois não pensava em tristezas, não se sentia sozinha ou tinha vontade de chorar. Mentira, a vontade de chorar estava presente, sempre esteve, desde aquele dia, o único consolo é que Hinata era mais forte... Ou tentava ser.

Depois de tanto olhar a chuva lá fora, suspirou e decidiu, por fim, arranjar algo para fazer. Levantou-se do parapeito da janela e olhou em volta. Seu olhar parou numa sombra que não era sua. Por um minuto, sua respiração ficara descompassada, mas ao piscar, aquela sombra já tinha ido. Estava precisando ir à igreja, ou ao Templo. Bem, iria aos dois. Não tinha uma religião, mas sabia, algo estava em seu encalço há uma semana.

Desde que o professor aparecera, Hinata sentia-se estranha. Tinha sonhos sombrios sobre ele. A sensação, ao estar perto dele oscilava: por vezes era boa, por vezes era tão ruim quanto a própria morte. Como se, além dele, algo estivesse ali. Outra coisa. Mas a garota de olhos perolados não sabia o que.

Estava assustada. Caminhou, por todos os três cômodos e ligou todas as luzes, ligou também a TV e a luz do banheiro. Estava assustada, mas ao mesmo tempo não estava. Sentia-se tranqüila e ao mesmo tempo, curiosa, extremamente curiosa sobre o que estava atrás dela. Itachi. O que aquele nome queria dizer? Tantas perguntas que se acumularam ao longo daquela semana. O professor, às vezes, parecia ler sua mente. Às vezes, aparecia do nada. Como mágica. Conquistou a todos em um quinto do tempo que os outros professores demoraram a conquistar. Hinata estava tão intrigada. Queria ir até ele e fazer milhões de perguntas. Por que, toda vez que ela pensava sobre ele, ele olhava em sua direção? Como as pessoas fazem, para prestar mais atenção em uma conversa.

Vestia uma calça de moletom preta e uma bula regata branca. Os cabelos estavam soltos, como sempre. Suas mãos estavam pousadas sobre sua cintura e ela refletia sobre o que fazer naquela tarde chuvosa de quinta. O verão estava indo embora. O começo das chuvas e a baixa temperatura denunciavam. Não tinha nada para fazer na rua, não possuía amigos, não possuía parentes. Possuía apenas a si mesma, sua casa, sua vida. Sua vida... Uma pena que não sabia o que fazer com ela. Não poderia viver sozinha para sempre, mas também, não tinha com quem viver. Não sabia por onde começar. E não sentia entusiasmo na idéia de outras pessoas.

Sentou-se no sofá e mudou de canal. Parou em um canal religioso. Um homem pregava alguma coisa sobre os demônios estarem vindo para a Terra e sobre estarem entre nós. Uma multidão escutava, em silêncio, as palavras do homem que, na opinião de Hinata, deveria ter uns 70 anos ou mais. Seu cabelo era longo e branco. As rugas estavam visíveis em seu rosto, um rosto que transmitia paz e transbordava bondade. Um senhor simpático.

Quando ele parou de falar, a multidão explodiu em salva de palmas e sorrisos e suplicas a Deus. A câmera deu um close no rosto do senhor. Ele olhava para baixo, em um instante, porém, ao levantar os olhos, Hinata pode ver algo como chamas em seus olhos, mas não de uma forma bondosa, aquela chama não lhe transmitiu paz. Terror, essa era a palavra. Terror. A sombra não havia lhe assustado tanto quanto o os olhos daquele homem. Rapidamente, a garota desligou a TV e soltou um longo suspiro. Precisava mesmo encontrar uma religião. Ou, quem sabe, um bom psicólogo. Hinata não estava assustada. Uma outra pessoa, estaria apavorada e talvez já estaria correndo em direção a igreja mais próxima. Não, ela não estava apavorada, a palavra seria: curiosidade. E o medo que sentia era por estar curiosa. Passou as mãos pelos cabelos jogando-os para trás e como se esperasse ver a sombra de novo, olhou para onde ela havia aparecido. Adormeceu por fim.

Flashback

"A garota usava um vestido florido e as sapatilhas pretas. Corria pela casa procurando os pais. Olhou para o céu: estava cinza. E sinceramente não gostava muito daquela imensidão cinza. Parecia que iria engolir a Terra. Permaneceu pensativa por uns instantes, mas logo voltou sua atenção a procura dos pais. Se encontravam na cozinha.

Ela sorriu. Sua mãe estava secando uns pratos e guardando-os no armário. Seu pai estava encostado na parede, com um sorriso de canto, observando a esposa caminhando graciosamente pela cozinha. A garota chamou os dois. Acabara de ficar sabendo que um circo famoso se apresentaria na cidade. Queria tanto ir, e o fato de estar sem fôlego era por vir correndo da rua até em casa.

Queria ir. Pediu primeiramente ao pai, que concordou imediatamente. Esperaram a mãe terminar os serviços e a garota até ajudou. Depois foram se arrumar. A menina colocou seu melhor vestido e prendeu seus cabelos num laço. E foi logo até a sala, onde estariam esperando por ela. Seu pai pegou em sua mão e a conduziu até o , abriu a porta para a esposa e foram.

Começara a chover. Chovia forte, um temporal. Mesmo assim, a garota não perdeu o entusiasmo e a alegria. Não estavam preocupados. Dirigiam tranqüilos. O homem havia diminuído a velocidade, mesmo não havendo quase carros na estrada, a garota o chamou e ele, por um instante, olhou para trás. Ela disse alguma coisa e ele deu um riso discreto. Logo, porém, voltou suas atenções para a pista. Tudo acontecera muito rápido. O caminhão apareceu repentinamente e o homem desviou. Tudo acontecera rápido demais. O carro, agora em uma velocidade mais elevada, foi contra uma enorme árvore fora da estrada e os dois passageiros da frente morreram na hora. Instantes antes a garota viu o olhar de sua mãe, como quem dizia "Você não deveria ter chamado seu pai e desviado a atenção dele, querida" Ou então, "Não deveria ter nos convidado para ir ao circo hoje, querida" Como se a culpa fosse da garota. A menina estava apenas com um ferimento na testa. E não conseguia se mover ou gritar por ajuda.

Estava petrificada. A sua frente, seus pais mortos. E chuva caia com mais força agora. Ela podia ouvir o barulho das sirenes. Tudo acontecera rápido demais. Desmaiou por fim."

Hinata acordou assustada. Sua respiração estava descompassada e em seu rosto, estavam formadas gotículas de suor. Essas se misturavam também com as lágrimas que rolavam por sua face. Hinata sentia que nunca superaria aquilo. Que nunca seria a mesma de novo. Era isso que a garota sentia. Sentia como se com seus pais, uma grande parte dela houvesse morrido também e a culpa que carregava consigo era maior. Não era o fato de estar sozinha, mas sim o fato de se culpar, dia após dia, ano após ano. O olhar de sua mãe... ela nunca esqueceria. Nunca, nem que se passassem mil anos.

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Olhava os anjos cantando pela janela. Seu canto era alto e divino, um tipo de música que levava a calma ao seu limite e que, imediatamente, transmitia amor em seu coração. Os anjos cantando era algo celestial e mais que isso, era algo mágico. Um mistério gostoso de se ter.

Naruto, quando não estava em guarda, passava horas apenas ouvindo aquelas canções que, em sua maioria, louvavam a Deus. Estar ali era divino. Ser um arcanjo não era fácil. Cuidar de uma cidade, não era fácil. Não reclamava, nunca reclamaria do oficio que lhe foi dado. Mas uma cidade como Tóquio onde tudo era frenético, onde as coisas aconteciam num piscar de olhos era cansativa até para um anjo como ele.

Ouviu seu nome ser chamado e logo sua paz e sua concentração foram embora. Ele olhou para trás, e lá estava Kakashi. Usava a mesma túnica prateada de sempre. Uma túnica que continha mangas regatas e detalhes em preto. Seu cabelo era cinza e arrepiado para cima, em seu rosto, uma máscara negra. Seus olhos eram acinzentados.

- Naruto, quantas vezes eu vou ter de lhe dizer que cuidar de uma cidade, implica em estar nela? – Sua voz era carregada de sarcasmo.

- Não, não... Isso eu já sei, Kakashi-sen... – Iria terminar a frase quando percebeu o olhar do maior sobre si. – É que a gente acaba sentindo saudades de casa, não é? Adoro Tóquio e tal, mais ainda sim, é ótimo vir aqui.

- Me comoveria, mas ainda sim você tem que voltar para o seu oficio. Não quer ser suspenso mais uma vez, quer? Aliás, andei captando forças malignas na cidade, quero que fique mais atento. – Kakashi se virou, andou alguns passos e parou. – Naruto...

- Sim, senhor. – Ele abriu um enorme sorriso.

- Essa não deveria ser sua função? Captar forças das trevas na cidade que você está guardando e cuidando? – Ele falou sério, mais ainda sim, poderia se notar o tom de deboche. Kakashi sabia, mais do que qualquer um, o quanto Naruto era esforçado, porém, a distração do loiro lhe tirava a paciência.

- Então... Sabe como é, né... – Naruto sorriu sem graça e coçou a nuca. Como pegavam no pé dele... Ele era apenas desastrado. Que mal havia nisso?

- Preste mais atenção da próxima vez... – E o homem de cabelos prateados abriu suas asas e voou.

Naruto adorava ver os outros anjos voarem. Aquilo também acalmava como ver as andorinhas voando sobre o pôr do Sol da praia. Ele suspirou e passou as mãos por seus cabelos loiros. Teria que descer e cuidar de sua amada Tóquio. Ela dormia naquele momento, mas mesmo sobre a noite, Tóquio era agitada e magnífica. E Naruto, que por onde voasse, iluminava, sempre esperava ansiosamente pela noite em Tóquio.

Abriu suas asas albinas e levantou vôo. Não estava com pressa, portanto, voava devagar e de onde estava, tinha uma visão privilegiada do que era Paraíso. Um lugar onde, não há como descrever e só se tem idéia de como é, apenas aqueles que já estiveram ali olhando aquilo.

Por onde se passava, almas caminhavam e risos, vários risos eram ouvidos. Os risos se misturavam com os cantos e o som das harpas. Alguns anjos brincavam a margem de algum rio com águas cristalinas, outros tocavam flautas e riam. Haviam flores, das mais variadas cores, cores que não eram de conhecimento humano. Flores celestiais. As ruas continham ouro e pedras preciosas, e estas refletiam a luz... Luz que uns anjos diziam ser o calor de Deus, Sua luz. Outros, uma luz divina que não se tinha explicação.

Mas de qualquer forma, o Paraíso era esplêndido. Se prestasse mais atenção, também se podia ouvir o barulho distante de cachoeiras, em um lugar verde, lotado de flores. E, por onde se olhasse, havia anjos. O céu era lotado deles. Milhões e milhões de anjos. Voando e se esforçando para tornar aquele lugar, cada vez mais belo.

Naruto olhou para o horizonte e sorriu. Estava em paz. Olhou mais a frente e avistou a Biblioteca Elohim. Era enorme, enorme não, gigante. Toda feita de cristal e ouro. Nela, se continha bilhões de livros e pergaminhos. Suas vidraças continham desenhos de flores e pássaros. E não importava a hora, sempre havia anjos ou almas saindo de lá. A Biblioteca ficava em um enorme campo verde cheio de flores e, ao seu lado, um riacho que corria tranquilamente. Em cima dele, uma ponte feita de ouro.

Era tão belo, que mesmo para um anjo, que poderia passar por ali todo o dia, aquilo era surpreendente. E ao olhar tudo aquilo, Naruto teve vontade de chorar. E riu, ao perceber esse sentimento. Percebeu que o Sol já iria nascer em Tóquio. Droga, perdera de novo a noite na sua amada cidade. Era melhor se apressar e voar para os portões.

Os portões era a parte que Naruto mais gostava dali, pois era a ligação do Paraíso e a Terra, o universo dos mortais. Eram portas de mais de dez metros de altura. Feitas de ouro e continham uma espécie de fechadura que era um cadeado de cristal embutido. E ao seu redor, podia-se notar vários anjos que guardavam a chegada e a saída de cada ser, cada anjo. Depois dos portões, exista o Universo e os planetas como os seres humanos conheciam.

Identificou-se e logo viu as enormes portas de abrirem. Por serem extremamente pesadas, abriam-se lentamente e, lentamente, Naruto pode ver o universo. Os milhares de estrelas, o Sol, a Terra e os outros planetas do Sistema Solar. Sorriu por fim. Batendo suas asas e voando rápido, logo entrava na atmosfera terrestre. E logo voava até a sua segunda casa. Ela gentilmente o esperava. Não demorou muito e lá estava ela. O sol havia nascido em Tóquio e o movimento frenético naquela cidade já podia ser notado mesmo sendo de manhã. Aquele prometia ser um dia ensolarado.

Naruto pousou em cima de um prédio e se sentou na beirada. Algumas vezes, Tóquio lembrava o Paraíso, principalmente quando estava sol e aquela cidade cheia e brilhante, reluzia a luz, igualzinho a sua casa.

Não notou a presença que logo ficou ao seu lado. Levou um susto ao perceber. Ao olhar, sorriu e gritou:

- SASUKE! - E riu alto.

Sasuke era um dos anjos que ficavam no Paraíso e dificilmente desciam a Terra. Sua pele era branca e seus olhos negros. Possuía traços delicados e fortes em seu rosto. Seu cabelo não era curto nem longo e possuía um preto azulado que, sob a luz do sol, ficava mais azul do que preto. Usava um quimono branco amarrado a uma fita azul. Sasuke era alguém que dificilmente sorria, mas todos sabiam que isso não queria dizer que não se importava.

- Eu estou ao seu lado, não precisa gritar. – Uma veia nasceu na testa do moreno. Perdia a paciência com Naruto tão freqüentemente como anoitecia e amanhecia na Terra.

- O que veio fazer aqui, teme?

- Reforços, dobe... Vim ajudar você e a Sakura. – Sasuke recolheu suas asas e elas ficaram junto ao seu corpo. Ele olhou para um ponto qualquer e logo voltou sua atenção para Naruto. – Parece que alguém aqui não parece dar conta do recado. – E logo levantou vôo e saiu, deixando o loiro falando sozinho.

- Teme! Volte aqui, eu vou te ensinar quem é que não dá conta. SASUKE! – Logo ele também bateu suas asas e voou, atrás do moreno.

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Corria apressadamente. Mais uma vez perdera a hora, mas naquela noite, o problema foi que não conseguira dormir. Pensar naquele mistério estava deixando-a tão curiosa que até seu sono fora embora. Pelo menos, naquela manhã, conseguira arrumar seu uniforme impecavelmente, o problema agora era o horário. Olhou no relógio: 6:58 Droga. Eles fechariam o portão.

Ao virar a esquina, a garota continuou correndo, a escola ficava do outro lado da Avenida , resolveu, portanto atravessar a rua sem olhar o sinal. Não viu o caminhão que vinha na sua direção ao ouvir o barulho da buzina do caminhão, os faróis... Lembrou-se daquele dia. Encolheu-se esperando o pior. Ele, no entanto, não veio.

Hinata abriu os olhos e se viu do outro lado da Avenida. Os carros passavam tranquilamente, como antes dela atravessar. O caminhão com certeza iria atropelá-la. Ela tinha certeza disso, mas estava ali, do outro lado da rua. Viu também uma sombra ao seu lado: Itachi. Ai meu deus, ai meu deus... Fora tudo que a Hyuuga conseguia pensar. O que seu professor estava fazendo ali? Ele olhava calmo para um ponto qualquer, como se tivesse acabado de fazer algo comum. Mas da onde ele veio? Tantas perguntas que rodavam a cabeça da Hyuuga e nenhuma sequer tinha resposta.

Itachi estava com uma calça preta, uma blusa preta e um enorme sobretudo preto. Ele respirava calmamente, suas mãos estavam repousando nos bolsos de sua calça e suas pernas estavam levemente separadas. Ele parecia um modelo, ou aqueles membros de bandas de rock, aqueles caras que pareciam vampiros e eram rodeados de garotas.

- Você deveria olhar por onde anda. – Ele por fim falou. Seu tom de voz era sério, mas não apavorante. Soou mais como um pedido para tomar cuidado, um aviso carinhoso de que ela poderia se machucar.

E nesse momento a garota baixou a cabeça e corou. Ela percebera agora que ele havia salvado sua vida. Tendo aparecido de repente ou não, ele, mesmo assim havia salvado sua vida e Hinata seria grata por isso, para sempre.

- Bem... – Ela procurava o que falar. – Obrigada por ter me salvo... – Suas bochechas adquiriam o tom cor de rosa. Não sabia o que falar, na verdade. Queria dizer que, estava feliz por vê-lo. Que o motivo dela desejar muito ir para a escola sem faltar nos últimos dias era por causa dele, mas claro que ela não falaria aquilo.

Ele olhou para ela. O problema de Itachi é que ele não olhava apenas para Hinata, para seu rosto, mas sim olhava dentro de seus olhos e aquilo era equivalente a alguém desvendar todos os seus segredos. Ele olhava tão intensamente que ela sentia não apenas as maças do rosto queimarem, mas seu corpo inteiro. Como se ele estivesse arrebatando seu corpo e sua alma para um outro mundo ou plano. E não se podia desviar daquele olhar. Por mais que Hinata quisesse, e ela não queria, não conseguiria desviar daqueles olhos negros. Daquele rosto que era sereno e cativante. Ninguém conseguia. E ele olhava a todos assim, mas parecia dar uma atenção especial a Hyuuga. E ela queria pedir para ele parar, senão, iria se perder...

- Parece que hoje não vamos poder comparecer a escola. – Comentou enquanto tirava a mão do bolso e nela, estavam um maço de cigarros e um isqueiro preto com detalhes em prata.

Será que ele faria companhia a ela? Será que ele ficaria com ela até o horário de trabalho? E se isso acontecesse, o que será que eles iriam fazer? Onde eles iriam ir. Será que ela teria oportunidade de fazer todas aquelas perguntas que não paravam de rodar em sua mente? Ou será que apenas não teria coragem de fazer nada?

De qualquer forma, queria aproveitar a presença dele, pois o medo e a segurança que sentia perto dele eram grandes. Ambos a atraiam para ele.

Queria pegar na mão daquela garota e mostrar o mundo inteiro a ela. Ele tinha o poder de fazer isso, de estar em vários lugares ao mesmo tempo. De permitir que ela voasse, de mostrar uma estrela para ela de perto. Ele tinha poder para fazer que ela ficasse maravilhada, mas perto dela... Era inexplicável a vontade de apenas ficar perto dela. Itachi era atraído por ela. Isso porque ela tinha a aparência de um anjo e representava tudo que havia de mais fascinante no ser humano. A fragilidade e ao mesmo tempo, a força. Hinata era humana até demais e isso que o atraia.

Não queria assustá-la, portanto, ia devagar e com calma. Tinha medo de quebrar, mas tinha medo de que ela não quisesse se aproximar dele. Então, ia com calma, ao mesmo tempo que queria mostrá-la tudo. No dia em que a conhecera, era apenas um dia que fazia uma visita sem compromissos a Terra e ver o coração daquela menina... Pareceu um chamado para que ele ficasse. E ele, sem nenhuma relutância, atendeu aquele chamado.

Itachi não era mal. Itachi apenas procurava fazer as coisas de seu jeito. Não queria ser um demônio ou um anjo. Um humano... Se todos tinham um sonho, então o sonho dele era esse. Ser um humano. Porém, um sonho inalcançável. E ficar perto de alguém que representava tudo de mais fascinante em um ser humano, esse era o mais próximo que ele conseguiria chegar de seu "sonho".

- Quer ir a algum lugar? – Ele perguntou, temendo que a menina dissesse não. Queria levá-la aos lugares mais bonitos do mundo, só para agradar. Estava fascinado, essa era a palavra. E por causa dela, proibiu qualquer demônio de tocar na Terra, se suas ordens fossem desobedecidas, eles com certeza descobririam como Itachi tirou Lúcifer do poder.

Hinata espantou-se com o convite e a pergunta. Suas bochechas coraram ainda mais. Parecia que seu dia ainda não havia terminado. Parecia que nem tudo estava perdido. Alguma coisa a atraia para ele, e ela nem sequer relutava em ir. Era estranho, mas ao mesmo tempo, a garota estava bem com isso. Que mal podia haver?

- Eu... – Ela olhou a Avenida de novo e fixou o olhar em um ponto qualquer. Mordeu o lábio inferior. – Bem, não sei. – Falou hesitante. Não sabia mesmo, queria que ele a levasse a qualquer lugar.

Poderia aproveitar a moda e mostrar a ela lugares altos com vistas lindas. Não era isso que os mocinhos faziam para as donzelas e todas sempre ficavam surpresas e maravilhadas? Poderia também abrir suas asas e levá-la para um passeio. Mas isso a assustaria. Na verdade, ele sabia que ela estava intrigada sobre ele. É claro, seu modo de agir não era lá tão comum e ele sabia, a garota não era burra.

Ele se aproximou dela. O cigarro fora jogado no chão. Itachi sem olhá-la pegou em sua mão e Hinata sentiu como se houvessem ligado alguma coisa em seu corpo, pois era como se corresse energia por suas veias. Uma descarga de energia. Era estranho, sim, mas gostoso de se sentir. Seu coração batia agora em uma velocidade dez vezes maior que o normal. Podia sentir as maçãs do rosto queimando e ela sabia que deveriam estar escarlate. Ele havia pegado na sua mão e, mesmo parecendo coisa pequena, um sentimento diferente invadiu-a naquele momento, ela não sabia dizer o que era. Não sabia com certeza, mas sabia que era algo importante, algo que ela se lembraria para o resto da sua vida.

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O céu escarlate trovejava. De longe, já se poderiam ouvir as marchas dos exércitos, risadas maléficas. Os demônios voavam pelo céu vermelho-sangue em comemoração. Logo, a luta contra os anjos começaria e eles mal podiam esperar.

Madara, de sua janela observava tudo com um sorriso triunfante no rosto. Não faria nada e ganharia tudo. Itachi havia perdido no momento em que abandonara o inferno. E é claro que ele assumiria o lugar. Era natural, aquele lugar pertencia a ele. Lembrou-se de quando os anjos chegaram no inferno. Todos odiaram e queriam voltar para o Paraíso, mas os únicos que ficaram quietos sem reclamar foram o próprio Lúcifer, Itachi, Kisame e Madara. Ele na verdade, adorou o lugar, pela primeira vez sentira-se em casa.

No meio daquela escuridão, ele se sentiu bem, e não sentiu falta de um Deus ou de criaturas de luz. Comemorou por dentro e agradeceu a si mesmo a decisão de sair de lá. Sabia que o inferno era de Lúcifer e ele não reclamaria, mas esperaria sua vez de governar.

Pois bem, a hora era agora. Sua vez havia chegado.

Ouviu as batidas na porta e logo seus pensamentos foram interrompidos. Levantou-se. Adorava receber visitas. Gostava de companhia.

Madara vestia um quimono negro, com o símbolo do Dragão bordado nas costas. Esse era símbolo da família real no inferno. Um dragão dourado. E quem possuía esse símbolo, era respeitado, naturalmente. Estava descalço. Seus cabelos eram grandes e arrepiados atrás. Possuía a pele albina e os olhos vermelhos, assim como o céu do seu tão amado lar. Era um dos mais velhos anjos e estava presente desde o começo dos tempos. Possuía, no entanto, a aparência de um homem de 25 anos.

Qualquer um temia Madara. Ele não era mais poderoso que Itachi, apenas. E todos sabiam que ele não possuía grande afeto pelo mesmo. Sabiam que por trás do olhar sereno, havia um mal que ninguém era capaz de medir. Havia uma vontade de dominar não só o inferno, mas todos os outros mundos. O céu, a Terra. Tudo.

Ele caminhou calmamente até a grande porta. A porta era negra com desenhos cravados nela. Os desenhos eram de certa forma, perturbadores. Símbolos estranhos, palavras desconhecidas... Ninguém sabia ao certo dizer o que todos aqueles desenhos na porta de Madara significavam. Apenas ele sabia. Ele observou a porta e sorriu. Adorava aquela porta, ela significava muito. Abriu a porta com movimentos delicados e graciosos.

- Senhor... – Zetsu se prostrou perante ele. – Mandou me chamar?

- De fato. – O homem suspirou e olhou para a janela que, até a poucos instantes atrás, observava. – Quero que faça um favor para mim, meu querido. – Ele olhou o homem com duas cores prostrado em sua frente e se agachou, ficando de cara a cara com ele. – Escute. – Madara colocou suas mãos no queixo de Zetsu e suas longas unhas, roçaram na pele do demônio. – Quero que seja meus olhos e ouvidos na Terra. Quero que me diga tudo, absolutamente tudo que Itachi faz. E com quem ele faz. – Zetsu pode ver um brilho diabólico no olhar de Madara. – Quero achar uma forma de acabar de vez com aquele maldito. – Ele acariciou mais uma vez a pele de Zetsu e levantou seu rosto, de forma que seus olhos se encontrassem com os dele. – Faz isso para mim, meu querido?

Apesar do tom de voz sutil de Madara, do toque delicado na sua pele, Zetsu sabia que aquela era uma ordem. Não era um pedido, de forma alguma. Era uma ordem que deveria ser obedecida, caso contrário, ele não queria nem imaginar o fim que levaria o ser que se recusasse a atender um pedido de Madara.

- Sim, mestre. – O homem se conteve para não mostrar medo perante Madara.

- Bom garoto. – Madara se aproximou de Zetsu e encostou seus lábios sobre a testa que suava frio e depositou um beijo que, para os ingênuos e estúpidos, poderia ser gentil, para quem conhecia Madara, sabia que aquele era o beijo da morte. E até mesmo quem não podia morrer, sabia que uma vez que Madara determinava alguém, ele usaria essa pessoa até ela não ter mais utilidades e depois que sua utilidade acabava... Bem, a morte visitava até aqueles que não podiam morrer. Irônico, ou não... – Quero que vá até a Terra imediatamente. Não perca tempo, meu querido. – Levantou-se e virou as costas para Zetsu e com um gesto mandou que ele fosse embora.

Zetsu levantou-se e caminhou apressadamente para a porta. E, ao tocar a maçaneta, ouviu a voz maligna de Madara outra vez.

- Seja discreto e não me decepcione. – Um arrepio correu por sua espinha de demônio. Como ele poderia ficar com medo sendo ele também uma criatura das trevas? Era melhor não fazer hora.

Rapidamente, Zetsu se retirou e andou rapidamente pelo corredor Real. Aquela casa também dava arrepios. Nenhum demônio gostava de ir até lá. Ninguém. Até Kisame, um dos generais mais terríveis do inferno, odiava aquele lugar. Era como se o mal viesse dali. A impressão que dava era que, se um humano chegasse até ali, ele morreria, como se um veneno pairasse no ar. Como se o mal, em forma gasosa, estivesse na atmosfera do castelo. Tudo continha as cores vermelha, preta e dourada. Madara possuía um castelo só seu e todo o castelo continha símbolos desconhecidos por todo o inferno.

Ao sair do castelo, Zetsu avistou Kisame. Abriu suas asas negras e voou até o General.

Kisame usava uma armadura que parecia ser mais forte que qualquer aço terrestre. Era feito com pedras do Rio da Perdição. Havia detalhes em ouro. Claro, porque Kisame comandaria a Guerra. Particularmente, o General mesmo tendo a cara de peixe e a personalidade terrível, emanava uma leve sutileza. Daquelas que se encontra numa espada incrivelmente afiada ou até mesmo na morte.

- General... – Chamou arfante o demônio. Ainda estava impressionado e assustado e nem sabia por quê. Na verdade, Madara até que o tratara bem.

- O que aquele maldito do Madara quer? – Falou sério Kisame. – Toda vez que ele chama, lá vem merda. – Ele sorriu de canto.

- Eu só quero que me autorize a sair do inferno, General. – Zetsu rapidamente se prostrou perante o homem com cara de peixe. Sabia que Kisame era mal, mas não possuía medo dele, pois, apesar de mal, não era perverso ou injusto. – Estou cumprindo ordens de Madara-sama.

- Tá vendo, o que foi que eu disse? – Ele se aproximou de Zetsu e sorriu. – O que o velho quer? Vigiar Itachi? – Ao ver Zetsu assentir com a cabeça, Kisame logo alargou mais seu sorriso e falou em tom de segredo. – Se fizer isso, Itachi não vai ser misericordioso com você. Você ouviu o que ele falou? Sem interferências na Terra. – Kisame fez uma cara entediada e suspirou. – Não podemos colocar nossos pés na Terra. Não seja estúpido. – Ao perceber o olhar de Zetsu, como quem diz que ainda sim eram ordens de Madara, Kisame deu de ombros. – Se você quer assim, vá, mas se Itachi te pegar, eu não tenho nada a ver com isso. Você se fode sozinho.

E assim, Zetsu foi. Estava morto de medo. Estava, como dizem os humanos, entre a cruz e a espada. Se ficasse, seria desobedecer Madara e se fosse, seria desobedecer Itachi. Mas indo a Terra, ele ainda tinha uma chance, uma pequena e quase inexistente chance.

Logo chegou até os portões do inferno. Não era nada de mais, apenas continha duas estátuas gigantes de dois demônios com as asas negras abertas. Ambos seguravam uma espada nas mãos e era apenas isso. As portas eram marrons, uma cor velha, e parecia que os portões logo cairiam aos pedaços.

- Isso aqui ta precisando de uma reforma. – Zombou o homem de duas cores e lá se fora ele.

Os portões se abriram devagar e uma luz apareceu. Era a luz que dava caminho ao mundo dos humanos. E lá que morava o perigo.

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O homem andava apressado pelo aeroporto. Sua postura era imponente. Esbanjava um ar de superioridade. Possuía a pele alva e os cabelos longos estavam soltos e iam até sua cintura. Uma mecha lhe caia graciosamente sobre a face. Usava óculos escuros, um sobretudo cinza, calças e sapatos sociais. O rosto era sério e centrado.

Há muito tempo ele não pisava no Japão. Mal se lembrava de como eram as coisas por lá. Claro, havia 10 anos que não aparecia ali. Claro que não se lembraria. Mas agora que havia descoberto seu paradeiro, iria a seu encontro.

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- Ai, Sasuke-kun como é bom ter você na equipe. Ai, Sasuke-kun é tão chato só com o Naruto. Diga-me, Sasuke-kun, vai ficar conosco por quanto tempo? Espero que seja muito, Sasuke-kun. – Sakura suspirou e sorriu. – Nee, Sasuke-kun, não me diga que é para sempre dessa vez... – Ela falou, sonhadora.

- Sakura, me faz um favor? – Sasuke perguntou com uma voz calma. Ao virar para ela, no entanto, havia uma veia saltando em sua testa. – Cala a boca e não chame mais por meu nome. Por Deus, como você é irritante.

Sasuke e Sakura estavam voando juntos, vigiando a parte norte da cidade enquanto Naruto vigiaria a parte sul. O loiro sempre gostou de vigiar aquela parte da cidade sozinho.

- O Naruto sempre fica sozinho vigiando a parte sul? – Sasuke perguntou, sem jeito, visto que há instantes atrás havia mandado a rosada calar a boca, mas por sua surpresa, a mesma virou para ele com um sorriso de ponta a ponta e se pôs a tagarelar mais uma vez.

- Uhum, eu não entendo como, mas aquele baka sempre adorou aquela parte da cidade. Ele ama essa cidade, sabia? É muito importante pra ele, eu não sei por quê. – Ela olhou sonhadora para algum ponto que Sasuke não soube dizer qual era e logo depois olhou para ele. – Sabe, antes, eu era apaixonada por você e te admirava, quer dizer, ainda admiro. Mas você tem que ver, como o Naruto entra com facilidade no coração das pessoas. – Falando isso, a rosada parou de voar lado a lado com Sasuke e fora na direção contrária.

Sasuke que a observava com um sorriso de canto. Parece que Naruto enfim havia conquistado a anja. O difícil agora era ver quem daria o primeiro passo. Parece que alguma coisa o divertiria enquanto estava na Terra.

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Itachi e Hinata no final acabaram por não fazer nada. Sentaram-se num banquinho da praça e nos primeiros minutos, ninguém falou uma só palavra. Depois, a garota de olhos perolados foi surpreendida com a voz do professor.

- Você não tem medo de mim, Hinata? – A pergunta a pegara desprevenida. Era difícil dizer, porque às vezes ela tinha, às vezes não. Dependia do momento. Naquele momento a garota possuía apenas a curiosidade.

- E-eu deveria... ter medo? – A voz era hesitante, mas agradável. A pergunta poderia até soar como um desafio, mas na voz de Hinata soou apenas como uma pergunta curiosa. Sim, uma pergunta curiosa e ele entendia aquela curiosidade. Quem não teria? Mas também, quem era tão curioso a ponto de ficar na frente do senhor das trevas? – Às vezes eu tenho... – Ela virou o rosto e por fim, falou: - O senhor é estranho.

De repente, Hinata ouviu as gargalhadas de seu professor. Ele parecia querer contê-las cobrindo a boca, mas parece que fazia aquilo em vão. Ele rindo era fascinante. Seus olhos estavam fechados enquanto as gargalhadas continuavam, o rosto adquiria cor perante aquela pele alva. Seus dentes eram perfeitamente alinhados e brancos. A boca estava levemente aberta.

- Fico feliz. – Itachi rapidamente adquiriu a mesma expressão séria de sempre. No entanto, a expressão em seu rosto ao mesmo tempo também era tranqüila. – Pelo menos você não disse que eu era assustador. Você diz que eu sou estranho, mas você é uma garota muito estranha, sabia?

-P-posso saber por quê? – Ela perguntou olhando para ele, mas não nos olhos dele, mesmo sentindo o olhar de Itachi sobre si, preferiu não olhar. Caso o contrário seus olhos se encontrariam e não que Hinata tivesse medo, mas aquele olhar era profundo demais, e era tão difícil de se acostumar. Além do mais, ela era tímida e perto de qualquer um ficaria sem jeito, só que isso triplicava perto de seu professor.

- Não, mas saiba que você é fascinante. – Ele olhou para o céu e notou que já estava anoitecendo . Precisava ir, a noite, seus poderes ficavam evidentes e criaturas de luz poderiam localizá-lo. E Itachi não queria briga. Isso era a última coisa que queria. Ficar lutando contra anjos era perda de tempo, isso porque eles sempre venciam, os anjos, quer dizer. – Precisamos ir. Está na hora de crianças estarem em casa. – Disse ele em tom divertido.

- Claro. Bem, até amanhã, professor. – Ela levantou-se e saiu andando. Sua casa era um pouco longe dali, mas não estava tarde.

Bem que ele poderia acompanhá-la. Esse era o desejo da pequena Hyuuga, mas é claro que não pediria a ele, até porque, sua tarde havia sido ótima. Não iria trabalhar, e quando não trabalhava odiava ter de ficar em casa, mas teria tantas coisas para ficar pensando. Ai, meu deus, mal acreditava.

E como Itachi era legal e simpático. Apesar de sério. Era carinhoso, mas seu jeito era sutil, nada tão perceptível. Numa frase com aquele tom sério, poderia estar vários sentimentos e poucos notariam. Hinata notou alguns e se sentira feliz e empolgada, como não se sentia há muito tempo.

Ao chegar na frente de seu prédio, mal podia acreditar. Sentia como se aquilo tudo tivesse sido um sonho. Um sonho bom. Havia um sorriso cravado em sua face. E por mais que ela tentasse, aquele sorriso não ia embora. Caminhou até a porta do prédio. Deu boa noite ao porteiro e fora caminhando até as escadas. Bem, ela morava no último andar e aquele prédio 5 estrelas não possuía um elevador. Que maravilha.

Hinata lembrou-se que no começo, quase desistiu do apartamento por esse fator, mas depois se convenceu que não era possível viver no luxo e acabou ficando por ali mesmo.

Demorou alguns minutos para terminar de subir a última escada e parou um instante para descansar. Era uma subida e tanto e um ótimo exercício. Uma beleza, não precisava ir até academias. Morar em prédio de má qualidade era bom por isso, substituía uma coisa por outra. Às vezes um cano estourava e não se podia pagar um encanador, então você mesmo acabava aprendendo a consertar e é claro que acabava aprendendo um pouco de encanamento ou quando a parede sempre ficava com umidades então você aprendia a se virar. Quando a tinta desbotava você mesmo pintava. Isso é bom se você quer ser independente. Mas horrível, se você não sabe de nada, mas pelo menos, emagrecia.

Ao virar e começar a andar em seu corredor, Hinata se assustou ao ver um homem parado em frente a sua porta. Ele possuía longos cabelos negros, a pele branca e usava uma roupa social. Segurava em um dos braços um sobretudo e no outro ele alternava em tocar a campainha e bater na porta.

A garota parou e por uns instantes, ficou observando o homem em sua porta. Era bonito e parecia ter uns 20 anos, não muito. Possuía um semblante sério e autoritário. E seus olhos... Ah meu deus... Seus olhos eram iguais aos dela. A garota arregalou um pouco os olhos e colocou a mão sobre a boca demonstrando surpresa.

- Quem é você? – Ela falou de uma só vez, caso contrário, gaguejaria. Estava tão surpresa e assustada.

Rapidamente, a atenção do belo rapaz fora tomada para ela. Ele a olhou e arregalou ligeiramente os olhos, mas instantes depois voltou a expressão séria de antes. Deu um passo a frente e a garota involuntariamente deu um passo para trás.

- Hinata? É mesmo você?

- Q-quem é você? – Ela tornou a perguntar, agora estava mais que curiosa. Aquele homem sabia seu nome. Quem era ele? Será que era um parente? Será que era do governo? Será que ele estava ali para levá-la a um orfanato ou alguma coisa ruim?

- Não se lembra de mim? – Logo ele balançou a cabeça negativamente. – Claro que não se lembra. Faz anos que não nos vemos. Minha família procura por você há tanto tempo. Eu sou Neji. – Quando Hinata percebeu, ele já estava a poucos sentímetros dela. – Nossa família procura você desde o acidente. – Ele acariciou a cabeça dela. – Não vai me convidar para entrar?

Hinata estava confusa. Passou anos sem ter noticia de ninguém da sua família e agora simplesmente tinham achado-a. Quer dizer, isso era bom, mas ainda era assustador e muito confuso. Lembrava-se de Neji e sabia que, quando pequenos, foram inseparáveis, mas depois ele tornou-se distante e frio com ela, logo teve que ir embora e nunca mais tiveram noticias. Aos poucos, começara a se lembrar. Que ela e Neji quando pequenos não era apenas inseparáveis; ele jurara estar ao seu lado para sempre e ela jurara nunca deixar ele ir embora. Promessas de crianças são tolas, mas sinceras. Neji havia voltado.

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Itachi caminhava sobre a rua com as mãos no bolso. Caminhava devagar, sem pressa. Não podia voar, pois havia anjos ali, com certeza. E também, gostava de passear por Tóquio. Toda noite dormia em um lugar diferente. Não para fugir, apenas porque não gostava daquela mesmice.

Aliás, odiava rotinas, foi por isso que saíra do inferno por tempo indeterminado. Mas é claro que de vez em quando voltaria apenas para saber como as coisas estavam indo. Não podia confiar plenamente. Quer dizer, confiava em Kisame, mas quanto a Madara e os outros Anciões, não, aqueles não poderiam ficar sozinhos. Eles o odiavam e ele sabia disso. E fariam qualquer coisa para tomar o poder do Inferno. Itachi até daria de bom grado, mas até mesmo o inferno precisa de um equilíbrio. E aqueles eram velhos malucos que estavam loucos para ver morte e sangue.

Ele olhava tudo a sua volta enquanto caminhava pela rua vazia. Nenhum som, aquela era uma rua pouco movimentada. Diferente do centro que mesmo naquela hora, estava agitado e barulhento. Sentiu, porém, algo em seu encalço. Não alguém, até porque, ele sabia quem ou o que era. E porque ele estava ali.

- Zetsu, espero que me dê uma ótima explicação do motivo de você estar com os seus malditos pés na Terra. – Seu tom de voz era tranquilo, porém, havia ódio. Uma ordem sua havia sido desobedecida.

- M-m-m-mestre... – A criatura mal sabia como começar. Não sabia decidir se iria mentir ou contar a verdade. – E-e-eu s-sinto m-m-muito... É...

Nesse momento, Itachi o interrompeu. Aquela gagueira o estava irritando. Aquela procura desesperada por uma desculpa ou mentira convincente era irritante. Digna de uma vontade de destruí-lo da parte de Itachi. Ele odiava que uma ordem sua fosse desobedecida, mas sabia de tudo que acontecia em seu reino. Sabia de Madara e de sua ordem, sabia que Kisame não tinha nada a ver com isso.

- Zetsu, tenho uma oferta para você. – Quando Itachi se virou, Zetsu pôde ver novamente os olhos vermelhos e aqueles olhos o apavoravam. Já estava até começando a chamar por Deus. – Você quer ouvir o que eu tenho a dizer? – Ele observou o demônio assentir com a cabeça. – Pois bem... Volte até o inferno e diga o seguinte a Madara: O dia inteiro, ele se diverte com mulheres. Diga que eu me entupo de drogas ilícitas e passo o dia em prostibulos. Faz isso? – Itachi perguntou, num tom de voz que parecia até gentileza.

- S-sim senhor. – A criatura assentiu e sua voz era hesitante e carregada de pavor.

- Quero que me informe tudo que Madara faz ou fala. Tudo que ele diz. Sempre vai dizer a ele o que eu mando para dizer. E eu vou saber se não fizer, fui claro? – A voz de Itachi era como um trovão. Estava em tom normal, porém, estava assustadora. Seus olhos estavam cravados em Zetsu, carregados de ameaças.

- S-sim senhor. – O demônio mais uma vez assentiu.

- Ótimo e não me desobedeça nunca mais. – E nesse momento, Itachi desapareceu como mágica. Deixando o pobre demônio apavorado.


Nota da autora: Ai, essa fic ta ficando tão legal. Sabe, estou adorando escrever. Fiquei feliz que as pessoas tenham gostado, pois realmente é um pouco diferente mesmo. Mas eu pensei, por que não? Quer dizer, eu acho que não é porque é necessariamente uma criatura das trevas que talvez não possa se apaixonar. Eu sempre quis fazer um amor assim, mais impossível que Romeu e Julieta. Fico extremamente feliz que as pessoas tenham apreciado, nossa. Bem, nesse capítulo, mais personagens apareceram. Ao contrário do que as pessoas vão pensar. Não, o Neji não é apaixonado ou será apaixonado pela Hinata é um amor fraternal, ok? Tenho planos mais ousados pro Neji. O Zetsu não vai ter importância na fic, mas por causa dele, desencadeará uma série de conflitos entre o Madara e o Itachi. Bem, não vou contar a fic, né? Mas adorei escrever esse capítulo. Espero que gostem também.

Resposta aos reviews.

FranHyuuga: Ai, olha quem apareceu. Obrigada, Fran. Uhum, ele ficou perfeito. Não poderia ser outro, simplesmente tinha que ser o Itachi ali. Então, ele a notou por ela ser simplesmente humana, sabe? Ser frágil e forte ao mesmo tempo. Além de que a Hinata parece mais um anjo caído, ela é linda demais. Mas não posso ficar contando a fic, né? HHUAHUAHUAH Eu também, estou adorando a Hinata, ela está corajosa e eu sempre pensei nela assim. Fico feliz que tenha gostado. Beijos.

Hatake Pam: Obrigada, sempre quis fazer algo bem diferente. Eu também achei. Não que o Itachi seja bonzinho, ele simplesmente não se importa. Acha uma chatice ficar brigando direto. Será? Porque agora, ele apenas admira a Hinata e ela o atrai, mas amor... Será que ele é capaz de sentir isso?

Opa, espero que continue acompanhando. Beijos.

Hitsugaya Nanami: Nossa, muito obrigada, Nanami. E eu espero que continue apaixonada e continue acompanhando. Que bom, ai, fico feliz quando as pessoas elogiam assim. Espero que goste, fiquei super feliz com esse review, sabia? É, o Itachi ficou certinho. Bem, o capítulo dois já está aqui. Espero que goste. Beijos.

-Soneca-Abacate-: Eu também amo essa música do Black Sabbath. E eu pensei nessa história depois de ouvir essa música, acredita?

Sim, é um casal muito legal, porque assim, eles se encaixam perfeitamente. É verdade, será que ele se apaixonará por ela? E ela, será que não se assustará ao saber quem ele é de verdade? Tipo, ele está atraído por ela e fascinado, mas não apaixonado. Isso ainda vai demorar para acontecer, caso acontecer. HUAUHAUHA Bem, aqui está o segundo capítulo.

Mudei, mas não sei se realmente será necessário. Bem, obrigada pelo review e espero que continue acompanhando. Beijos.

Melly Hyuuga: Nossa, que bom que gostou. E essa música ficou mesmo perfeita para a história. Nossa, fico feliz por ter lido isso.

Os Uchihas são sinônimos de charme e atração. Bem, o Sasuke apareceu, será que ele tem alguma ligação com o Itachi? Sim, porque até no anime, o Itachi é meu favorito, ele conseguiu até roubar a cena do Naruto. UHAUHAUHAUHAUHAUHA

Acho que a força dela, o quão ela é humana, sabe? Quer dizer, não confunda, não é amor, ele apenas se interessou por ela. Ela apenas chamou a atenção dele, ainda falta muito para chamarmos de amor. Não sei se o termo é esse: diversão. Acho que o termo certo é: ter uma experiência, viver uma coisa nova. Não sei. UHAUHAUHAUHA Itahina é legal porque não é tão comum. Eu também gosto de Sasuhina, mas achei que o Itachi seria perfeito com a Hinata nessa fic.

Bem, aqui está o segundo capítulo. Espero que goste e obrigada pelo review. Beijos.

Ana Luíza: Obrigada e bem, aqui está a continuação. Beijos.


Bem, pessoal, espero que tenham gostado e lembrem-se: deixem um review: a autora agradece.
Deixem críticas, sugestões... Aceitarei todas. Beijos e até a próxima.