#Capítulo II#

"Nunca vou te abandonar#

- Eu me recuso a acreditar em tais palavras. Meus Dementadores nunca deixariam Lucius escapar de Azkaban! É impossível!

Cornélio não aceitava a ideia de que Lucius havia fugido e, muito menos, que ele havia feito isso com a ajuda do Lorde das Trevas. Ele estava bravo e olhava feio para Harry que ainda se encontrava na sala de Snape.

- E que o senhor sugere que ele fez? _ Harry desafiou.

- Olha aqui seu moleque _ lhe apontou o dedo _ a história toda deve ser invenção da cabeça desse moleque também. Desde que as aulas começaram ele deu sinais de não estar bem emocionalmente. Deve ter tido algum tipo de surto e passou a acreditar nessa maluquice que ele mesmo inventou.

- Cornélio, não creio que seja invenção dele. Malfoy nunca foi...

A professora não completou sua frase, pois Cornélio no instante em que ele começara falar, a interrompeu. Disse que cuidaria pessoalmente do caso e que se fosse paranóia de Malfoy, o que ele tinha certeza que era, o mandaria para um sanatório.

- Sanatório? O senhor é quem deveria ir para um!

- Harry se controle.

- Não me peça para me controlar Ron. Esse cara é quem está louco! _ olhou para o Ministro _ Será que o senhor não vê que isto está acontecendo porque nós não estamos fazendo nada para combater as Trevas? O tempo que todos vocês do Ministério estão perdendo com a inútil tentativa de abafar o caso perante os outros bruxos, é o tempo que Voldemort está usando para reunir seus Comensais e destruir tudo!

Harry estava vermelho de tanta raiva. Cornélio simplesmente não podia mais fingir que nada estava acontecendo, não podia mais atribuir à loucura os fatos que os garotos contavam.

- Não vou discutir esses assuntos com você Potter! McGonagall _ chamou _ Você ficará á frente da diretoria esta semana. Hoje mesmo partirei para o Ministério para saber se o que esse moleque anda dizendo é verdade. Snape, por favor, controle seu afilhado e tome conta para que ele não se porte mais desta maneira.

Os professores apenas concordaram enquanto viam um furioso Cornélio passar pela porta da sala em direção a diretoria. O novo diretor pegou alguns papéis, vestiu o paletó e colocou o chapéu, aparatando para o Ministério logo em seguida.

Ainda na sala, McGonagall, Snape e o trio de ouro, não disfarçavam o alívio de terem uma semana de paz longe do irresponsável Cornélio. Precisavam agir rápido e aproveitar a semana de ausência do Ministro, caso quisessem de alguma forma se prepararem para a última batalha com Voldemort. O que estava ficando cada vez mais próxima já que Lucius havia escapado de Azkaban.

Na enfermaria, Pansy, Goyle e Crabble estavam sentados nas cadeiras a espera de notícias sobre o Sonserino. Pansy quase não se aguentava mais. Estava com os olhos vermelhos e inchados, o que deixava claro que estivera chorando pelo loiro.

Goyle e Crabble pareciam indiferentes ao que estava acontecendo, mas, no fundo sabiam que estavam preocupados, talvez até mais que Pansy. Queriam saber logo como ele estava, quando sairia dali.

Ao contrário do que toda Hogwarts pensava sobre os Sonserinos, eles tinham sim, um senso de lealdade, cumplicidade e fidelidade imensos e isso se provava com o fato de que Draco fazia parte da Ordem agora e nenhum deles se importavam. Ele sempre fora, era e sempre seria um Sonserino aos olhos dos amigos.

Eles sabiam o que passavam em suas casas e perante a sociedade com os fatos e boatos de seus pais serem Comensais da Morte. Sabiam qual era o preço de se viver sempre em perigo, com medo de qualquer coisa der errado e o Lorde vir e acabar com tudo.

Muitos estavam predestinados a continuar o caminho começado pelos pais: tornar-se Comensal, receber a Marca e lutar pelo lado das Trevas. Muitos não queriam esse caminho e buscavam, ás escondidas, formas e alternativas de se livrar de tal profecia e partirem a lutar pelo lado da Luz, pelo lado do bem. Isso os deixava confusos e eles precisavam do apoio um do outro. Por isso eram tão unidos.

O que acontecera com Draco na aula de poções só servira para que eles se vissem mais desorientados do que nunca. Saber que Lucius, o próprio pai de Draco poderia estar ameaçando a vida do filho e estar espalhando o medo novamente fora de Azkaban os deixavam em alerta. Os faziam pensar em como as coisas seriam dali para frente, se os seus pais agiriam da mesma forma, se estavam seguros... O medo era um sentimento permanente.

Pansy, que era uma garota meiga e inteligente que apenas usava uma máscara para sobreviver em Hogwarts, meses atrás havia conversado com Dumbledore, antes de ele morrer. Queria sair de sua Casa, ir para qualquer uma, mas não mais residir em Sonserina. Não estava mais aguentando a pressão que se fazia insuportável graças à última batalha que estava chegando, queria se ver livre de tudo aquilo.

Acatando os conselhos do antigo diretor, Pansy continuou na Casa. Seus pais eram Comensais e queriam que ele se tornasse uma. Dumbledore sugeriu que ela suportasse mais um pouco e que mudasse de lado quando as coisas realmente saíssem controle, quando tudo realmente estivesse chegando ao fim.

Agora ela entendia bem o porquê. Draco havia se rebelado contra o Lorde, falhara em sua missão de matar Dumbledore, não recebera a Marca e, ainda por cima, se juntara a Ordem. Tudo estava indo de mal a pior para ele. Tinha ataques se fúria, como o que tivera horas antes, era alvo declarado do Lorde das Trevas e agora tinha até seu pai contra si.

O melhor era realmente esperar o momento certo e não dizer nada a ninguém.

Draco abriu os olhos com dificuldade e viu que estava deitado em um dos leitos da ala hospitalar. Tentou forçar a mente a se lembrar do que havia acontecido, do motivo o que o levara a acabar ali, mas, a única coisa que se lembrou foi de Potter lhe prometendo que Lucius não lhe faria nada.

Queria se lembrar do porquê de Potter ter lhe dito aquilo, mas qualquer esforço era em vão. Não se recordava de nada além disso.

- Draco! _ Pansy, que tinha os olhos mais alegres por vê-lo 'bem', correu para perto da cama do Sonserino e lhe abraçou de leve. Só para mostrar que estava ali e que ele não estava sozinho como, certamente, pensara.

- Pansy... O que aconteceu?

Draco falava com dificuldade. O feitiço sedativo que Cornélio havia conjurado nele não havia perdido seu efeito totalmente e ele se sentia flutuar.

- Não se lembra de nada?

- Goyle... Você aqui? _ esboçou um sorriso ao ouvir a voz do amigo.

- Sim. Crabble também está. Ficamos muito preocupados Draco, você nos deu um grande susto.

- Eu estou bem agora. Só quero saber o que aconteceu comigo.

- Primeiro você surtou, começou a gritar, expulsou todo mundo da sala e ficou sozinho com o Potter...

Pansy contava para Draco o que havia se passado, tendo deste uma atenção extrema. Gesticulava com os braços enquanto contava e seus olhos iam se enchendo de lágrimas de novo. Madame Pomfrey entrou na sala e interrompeu o que, para Draco, estava sendo uma interessante estória.

- Chega de informações sim, Srta. Parkinson? Vejo que já recobrou a consciência Sr. Malfoy, isso é muito bom!

Madame Pomfrey estava animada em ver Malfoy, de certa forma, bem. O Sonserino estava inconsciente há mais de cinco horas e ela pensava que o 'descanso' demoraria mais.

- Sei que querem ficar com o Sr. Malfoy, mas devo pedir que se retirem. _ ela olhou para os três com bondade _ Preciso fazer alguns exames nele, ver se está realmente tudo bem... Se tudo estiver em ordem hoje mesmo ele deixa o hospital.

Mesmo contrariados, os três deixaram a enfermaria. Passando pelo corredor que os levariam para as masmorras, encontraram-se com uma expressão de pura preocupação e cansaço. Era Harry Potter.

O Grifinório, desde a discussão com o Ministro, ficara ocupado em resolver com os amigos e os professores como as coisas deveriam andar dali para frente com a ausência de Cornélio e não tivera tempo para ir a ala hospitalar saber de Malfoy.

Quando as coisas se resolveram ele saiu correndo da sala de Snape e correu para as masmorras, imaginando que o Sonserino já estivesse por lá.

- Potter?

- Parkinson... _ Harry parou, se curvou para frente e apoiou as mãos no joelho. Precisava respirar.

- O que quer? _ perguntou um Crabble desconfiado.

- Quero saber como Malfoy está. Ele já voltou para seu quarto? Quero vê-lo, quero saber se está bem, quero conversar com ele...

- Calma Potter, fale devagar _ Pansy pediu _ Draco ainda não foi liberado do hospital...

- Como não? _ ele gritou.

Harry sentiu o coração parar. Já fazia tempo que o loiro estava lá e ainda não havia sido liberado. Pensando que algo de muito ruim havia acontecido, encostou-se à parede e se deixou cair ao chão.

Aquela crise que o loiro tivera fora a pior que Harry já presenciara, com certeza ele estava mal. Harry não queria nem pensar no que faria se algo acontecesse com Malfoy. Durante o tempo em que passara na companhia dele havia aprendido a entendê-lo, a suportá-lo... Não queria perdê-lo. Não agora que tinha quase certeza que doara seu coração. Não agora que precisava de uma razão para continuar lutando.

- Potter? Potter? _ Pansy se abaixou a seu lado.

- Por quê? Por quê? Eu disse para ele lá na Toca que ele não deveria vir para a escola esse ano, que ele deveria ficar lá escondido, que coisas horrorosas iriam acontecer... Eu disse! Mas ele não me ouviu... Ele não me ouviu.

- Potter, deixe de ser patético. Draco está bem. _ Crabbe sentenciou. Não gostava de ver demonstrações de sentimentos daquele tipo.

- Onde ele está?

- Na enfermaria ainda... Talvez saia de lá hoje.

- Oh, obrigada!

Harry correu o máximo que pôde, mas, quando chegou à ala hospitalar, não teve permissão para ver o loiro. Frustrado, ele voltou para a Torre da Grifinória. Precisava pensar e descansar... Amanhã resolveria o que fazer.

Na enfermaria, Draco recebera a informação de que Harry havia ido lhe ver e deixou-se ficar feliz com isso. Muitos acontecimentos tortuosos o estavam deixando louco, mas o fato de que Potter mostrava preocupação com ele desde que chegara á Toca, o deixava com uma ponta de esperança, uma sensação de que nem tudo estava perdido.

Há muito Harry deixara de ser seu inimigo. Não eram amigos, mas não compartilhavam mais o sentimento do ódio, do rancor ou da inveja, apenas se ocultavam um para o outro como se tivessem medo de perceber o que a sua relação se tornara de verdade.

Draco tinha ciência de que, quando tinha seus ataques de fúria, era uma ameaça a quem estivesse por perto e sempre que isso acontecia era Potter quem estava lá. Era Potter que suportava sua ira, quem ele queria matar, onde ele queria descontar toda a raiva e frustração que vinha se aglomerando dentro de seu peito e ele tinha medo de que, por essa tremenda falta de sorte, Potter pensasse que tudo continuava como antes. Draco tinha medo de que Harry pensasse que ele ainda o odiava. Isso era mentira. Draco não sabia o que sentia exatamente, só tinha a plena certeza de que era algo bom e bonito.

Queria passar mais tempo ao lado do Grifinório, como faziam quando estavam na Toca, quando ele estava bem mentalmente, mas esse era um luxo que ele não teria mais, ainda mais agora, com Lucius á solta atrás de si e com o Lorde das Trevas em ação.

#Flash Back On#

Sentado em uma cadeira na varanda, Draco lia um livro com muito pouco interesse. Mais uma vez havia ficado sozinho com Harry e, como estava acostumado, não se importava mais. Olhando para um ponto qualquer a sua frente, reparou um vulto seguido de um perfume que ele muito gostava e que reconheceria em qualquer parte do mundo. Era Harry que, trazendo consigo um travesseiro de penas de ganso e se deitando no chão, vinha lhe fazer companhia.

Harry, como se fingisse que o loiro não estava ali, olhava para o céu e se maravilhava com azul imenso a cima de sua cabeça. Era tudo tão lindo que, por meros e felizes momentos, ele se esquecia de tudo de ruim que estava acontecendo.

- O que está fazendo Potter?

- Estou pensando.

- Pensando em quê?

- Hmm... Vejo que estamos progredindo Malfoy. Você não está mais sendo grosseiro e está conversando civilizadamente comigo... Isso é bom _sorriu o dos olhos verdes.

- Não comece com suas gracinhas Potter! Eu só estou intediado e você é o único aqui, então...

- Certo, certo...

- Então?

- Então o quê?

- No que está pensando?

- Ah! Estou pensando em como vai ser minha vida quando tudo isso acabar. Se vou me tornar auror, se vou encontrar alguém legal, se vou me casar... Essas coisas...

Ao ouvir aquelas palavras, Draco sentiu-se triste. Queria pensar no futuro e fazer planos, assim com Potter, mas sabia que seu futuro era incerto e que, mesmo que saísse ileso de tudo isso, ninguém iria querê-lo.

- Por que se calou de repente?

- Nada.

- Como assim nada? Conta pra mim. O que você está pensando?

- Estou pensando em como você fica patético fazendo esse tipo de coisa. Ficar pensando no futuro não vai te levar a nada Potter, o presente é o que realmente importa.

- Você não está pensando isso... Eu tenho certeza!

- Está lendo mentes agora Potter?

- Não. Deixo essa tarefa para o 'morcegão'. Seus olhos não mentem... Eles perdem o brilho quando o assunto é o que acontecerá no dia em que tudo voltar a ser como era: Feliz.

Draco hesitou. Não sabia o que responder e sentia-se despido quando tinha esse tipo de conversa com Harry, não entendia como o Grifinório metido a herói podia conhecê-lo tão bem. Pensou por um momento e resolveu abrir o jogo com o Garoto-Que-Sobreviveu.

- Está certo Potter. Tenho um medo mortal desse assunto. _ abaixou a cabeça. Por instantes achou que uma pequena formiga, que caminhava abaixo de seu corpo, era mais interessante do que encarar aquelas orbes esmeraldas.

- Por que motivo?

- Potter, você está me dizendo que está pensando em encontrar alguém legal, se casar e todas essas coisas... Meu pai está preso, minha mãe é escrava do Lorde, eu não sou ninguém mais... Você tem chance de reconstruir sua vida, agora eu, eu não tenho mais nada. Não tenho a mínima ideia do que irá acontecer comigo... Morro de medo do futuro.

Harry encarou Malfoy e percebeu que este ainda estava de cabeça baixa. Apoiando-se nos joelhos e ficando de frente para o loiro, Harry pegou em seu queixo e fez com que ele levantasse o rosto, encarou profundamente aqueles olhos acinzentados e por segundos viu-se perdido neles.

- Não precisa ter medo do futuro.

- Você diz isso porque é o Harry-Sou-Santo-Potter. Se estivesse no meu lugar saberia do que estou falando.

Draco tentou baixar a cabeça novamente, mas Harry impediu. Queria que o Sonserino ouvisse bem as palavras que ele iria proferir agora.

- Não precisa ter medo de ficar sozinho, se é isso que está te afligindo. Nunca vou te abandonar.

Aquela palavras adentraram os ouvidos do Sonserino e bailaram felizes por todo seu corpo. Por algum motivo, ele confiava nas palavras de Potter.

#Flash Back Off#

Longe dali, precisamente onde Cedric Digory fora morto por Voldemort, Lucius Malfoy esperava a vinda do Lorde das Trevas.

A noite estava escura e fria, o orvalho que cobriam a pouca vida verde que continha ali estava congelado, apesar da estação quente que fazia no momento. Lucius estava impaciente, nervoso e com certo receio de que sua atuação com Draco não agradasse ao Lorde, mas não demonstraria fraqueza.

Ele havia trocado a vida de seu filho pela sua própria e não voltaria atrás com o Lorde, iria até o fim. Ajudaria o Lorde a acabar com a Ordem, tomar conta do que era seu por 'direito' e assim ter sua ascensão junto ao Mestre.

- Mi Lorde. _ Lucius fez uma larga reverencia á Voldemort depois de ter lhe beijado uma das mãos.

- Bom vê-lo livre novamente Lucius.

Voldemort estava com a mesma aparência que estava quando atacara da última vez, mas sua expressão era de alguém confiante, alguém que ganhou, alguém que reinaria para sempre.

- Sim mestre. Tudo graças a sua nobre bondade.

- Sabes que ao há bondade em meus atos Lucius. Sabes também que me deve algo agora.

- Sim mestre. Não falharei com minha promessa.

- Assim espero Lucius, pois se isso não acontecer terei o maior prazer em acabar com sua vida.

- Não será necessário. Potter e _ pigarreou _ meu deserdado filho, estarão em suas mãos o mais depressa possível. Já comecei a providenciar tudo.

- Certo, certo... Snape? Já sabe que está livre? _ os olhos do Lorde brilharam ao mencionar o nome do professor de poções. Ele confiava muito em Snape.

- Com certeza, sim mestre.

- Então faça uma visita, mostre que está bem e peça ajuda.

- Claro mestre.

- Bem, agora eu já vou. Tenho assuntos pendentes. Quero acabar com tudo antes das próximas férias.

- Claro mestre.

Assim como apareceu, Voldemort desapareceu do nada, deixando Lucius para trás, a sua própria sorte.

Lucius estava crente de que reinaria al lado do Lorde, quando este viesse a reinar, e isso o enchia de coragem e vontade apesar do medo. Não via a hora de colocar seu plano em ação contra Draco e Harry, não via a hora de ser totalmente livre novamente.

Ele acreditava em tudo isso, o que ele só não sabia era que o Lorde também tinha planos específicos para ele.