Olívia, o pai e o avô aparataram no Beco Diagonal, Olívia estava encantada com o lugar lotado de pessoas. Bruxos. Vestidos em túnicas coloridas e fazendo todo o tipo de feitiço, não importava onde ou quando, Olívia adorava ver pessoas executando feitiços, ainda mais porque ela não podia fazer isso fora da Escola. Seu pai e seu avô foram caminhando em meio à multidão entraram de loja em loja fazendo as compras necessárias com Olívia sempre seguindo e prestando a atenção em tudo. Comentando tudo. Compraram o uniforme. Bonito, mas faltava cor. Caldeirões e ingredientes para poções, seu avô ficou um bom tempo admirando e enchendo a cestinha de compras, o idoso saiu da loja com um sorriso que poderia rivalizar com o brilho do sol. Já sabia o que dar a ele de presente no futuro. Estavam se encaminhando para o que seria a última parada: a livraria. Era uma livraria grande e com um número desconfortável de gente dentro, o cheiro agradável de livro exalava junto com o ar quente de várias pessoas respirando no mesmo local, existiam pilhas e pilhas de livro diversos espalhados pelos quatro cantos dando um ar, apesar de tudo, de conforto. Achar os livro que ela precisaria foi difícil e até um pouco competitivo, ao final os dois adultos foram pagar enquanto a jovem preferiu rondar para ver se algo mais a agradava. Em vista o tamanho da fila, sobrava um tempo de escolher um ou dois livros.

A morena parou em frente a uma estante com livros de feitiços avançados ao lado de um garoto alto e moreno lendo um livro sobre maldições. Ele chamou a atenção dela, não só por aparentar ser bonito, porque ela ainda não havia visto o rosto dele, mas por parecer um pouco deslocado com suas roupas escuras, bem cuidadas, porém de segunda mão e com a áurea que parecia manter todos em volta discretamente afastados.

— Deseja se vingar de alguém? – Ela perguntou em um tom de humor. O garoto levantou os olhos do livro e a mirou de cima a baixo sem nem mesmo piscar uma vez. Os olhos eram incríveis tons de verde. Muito verde. Como ela não recebeu resposta ela continuou. – O livro. Sobre maldições. Deseja se vingar ou se preparar?

— Saber. – Tipo monossílabo. Hum?! Ele continuava analisando ou simplesmente olhando como se quisesse que ela se sentisse desconfortável e fosse embora.

— Bom... Justo. A vontade de saber muitas vezes é induzida por uma vontade maior oculta. – Ela não estava desconfortável. É preciso muito mais que um par de olhos bonitos, e frios, te encarando para deixar um brasileiro desconfortável.Qual seu nome?

— Por que quer saber? – O olhar dele passou a exalar desconfiança. Não mostram muito. Que eufemismo idiota! Não dá pra ver quase nada nele.

— Só perguntei o nome, não tem problema algum nisso. – Olívia virou de frente para ele e sustentou o olhar. – Meu nome é Olívia Fawley, estarei começando em Hogwarts amanhã. Estuda lá?

— Começando? – Uma pontinha de curiosidade lampejou no olhar dele e se Olívia não fosse tão boa em ler as pessoas ela não teria percebido, porém tão rápido quando veio ela foi e o garoto pareceu perder todo o interesse. – hum. – E com isso ele virou as costas e foi embora sem levar o livro que estava segurando.

— Tchau pra você também. – A garota sussurrou mal humorada enquanto pegava um livro escrito na capa: Melhores feitiços contra cada espécie: aprenda a se defender dos elfos a dementadores. Humm... Dementadores? Parece interessante.

Quando voltou à fila havia uma pessoa na frente de seu pai, seu avô estava "respirando um ar fresco e relaxando as juntas velhas". Juntou o livro extra aos existentes.

— Vou levar esse também. – Viu seu pai pegar o livro e dar uma olhada na capa.

— Duendes, heim?!

— Dementadores, pai. – Ele sorriu e colocou o livro de volta a cesta.

— Ok. Não acho que vá precisar se defender deles tão cedo. – Ele voltou a olhar pra frente.

Encontraram avô de Olívia quando estavam saindo da livraria, sentado em um banco e a menos que "descansar as juntas velhas" fosse um codinome para sentar e ler um livro sobre "Poções e feitiços para se livrar de pragas domésticas" em paz, ele parecia estar muito bem. Todos os três tinha entrado em um acordo de que um sorvete na Florean Fortescue seria uma ótima chave de ouro para finalizar o dia quando uma sirene foi ouvida. Os dois adultos se olharam e seu avô rapidamente desaparatou. Uma correria começou e o pai de Olívia puxou ela de encontro a uma vitrine espremendo ela contra o vidro.

— Se prepare, vamos desaparatar agora. – Sua voz saiu abafada pelo som alto das pessoas correndo e desaparantando. O puxão no estomago veio e quando ela piscou, estava em frente a mansão com seus pais e avós lançando feitiços em direção a casa.

— O que foi? O que está acontecendo? – A mansão era relativamente isolada, então não havia muita preocupação com quatro bruxos lançando feitiço atrás de feitiço.

— Foi um alarme. De uma bomba. – Foi sua mãe quem respondeu ao lançar o que parecia ser o último feitiço. – Já para dentro. Agora!

— O que? – Confusa seu olhar foi de um para o outro, só por um segundo. – Droga. – Entendendo a gravidade ela entrou e foi logo seguida pelos quatro.

— Alguma máquina voadora trouxa foi identificada a caminho da Inglaterra. – Foi o tom sério ao qual seu avô falou que chamou a atenção de todos

— Aviões. – Sua mãe corrigiu enquanto sentava na poltrona. – As bombas são jogadas de aviões. Provavelmente algum não identificado foi detectado se aproximando. Soaram as sirenes para que as pessoas possam correr para um abrigo.

— Como sabe de tudo isso? – Olívia estava surpresa com o conhecimento que a mãe demonstrava da situação a mais velha levantou os olhos escuros.

— Trabalhava no controle de magia e coordenava a ligação com os Ré pajés. Acredito que vocês aqui chamem de trouxas – Ela comentou séria após ver as expressões confusas dos idosos. – É um termo em Tupi, língua dos nossos ancestrais, que significa: diferente de um pajé. Pajé era como os indígenas chamavam os bruxos ou Xãmas. Enfim... Aprendi algumas coisas enquanto trabalhava por lá, além do mais, minha família tem um pé bem fincado no governo, eles falam sobre isso.

— A casa já está protegida contra essas bombas trouxas. – Anthony comentou parecendo tenso. – Irei ao ministério para saber da situação. Olívia, sei que está cedo, mas vá para seu quarto e tente dormir, levantaremos cedo amanhã, este incidente mudará um pouco nossa programação.

— Não vou embarcar mais para Hogwarts?

— Você irá, já comentei com você, a guerra trouxa não muda muito nossa programação. – Suspirou alto. – Eu iria te levar a estação em um transporte trouxa, para conseguir ver a cidade antes de ir, porém... com essa situação não será possível. Vamos aparatar lá. – Ele se virou para falar com os pais e a esposa. Por fim virou novamente para Olívia, se aproximou e deu um beijo em sua testa. – Vá querida.

Antes de subir, Olívia desejou boa noite aos avós e à mãe ganhando, desta última, um rápido abraço. As compras efetuadas durante o dia já estavam no quarto prontas para serem arrumadas em um malão. Levou mais tempo que imaginava para finalizar, muito das suas coisas ainda estavam dentro da outra mala e Olívia teve que ver com cuidado o que ficaria para trás. O sono já estava batendo quando finalizou, ela deitou na cama e bocejou. Acordar cedo... Acho que nunca vou me acostumar. Virou para o lado e ficou até dormir.