Isabela, 30 anos, é formada em Jornalismo, e pós graduada em Comunicação e Marketing. Trabalha para uma das revistas mais conhecidas do país, chamada "Up Girls Magazine" há 2 anos, e tinha acabado de ser promovida para editora principal da revista. A magazine, como seu nome já diz, discute assuntos femininos, e é planejada especialmente para garotas, com a faixa etária entre 18 à 25 anos.
Obcecada por trabalho, Isa aproveitara um dia de folga planejando qual seria o próximo assunto para a capa da revista no mês de outubro. Ela folheava páginas de livros há umas 2 horas, mais ou menos, e não se cansava. No fundo, gostava do que fazia.
Avistara de repente um livro sobre poder feminino no século XXII. Lhe interessara. Foi até ele, folheou-o e logo escolheu por ele, e decidiu levá-lo.
Caminhando até o caixa, percebeu que alguém vinha correndo e não teve como desviar de uma colisão. "Alguém extremamente desastrado, provavelmente", pensou, teria esbarrado nela. De costume, Isa não se preocupou em olhar a mulher, apenas se abaixou para pegar seu livro, aborrecida, deixando em pé alguém que a encarava, agora pálida, ao ver a mulher de olhos pretos ajoelhada no chão.
A pessoa balbuciou um "Desculpe-me", envergonhada. Aparentava cada vez mais pálida.
Isa, apressada, levantou-se com o livro em punho, enquanto respondia friamente um "Tudo bem, ..."
Ao mesmo tempo em que continuara sua frase "... Acontece", seus olhos finalmente cruzaram com os da outra. Isso resultou em um corte abrupto na voz de Isa, que parou a frase no meio, emudecida.
As duas se encararam, meio sérias, por alguns segundos. Pareciam até assustadas.
Não se viam há muitos anos.
Naquele momento era como ver um fantasma bem na sua frente. Não que imaginassem que a outra estivesse morta, mas, sabe quando sabemos que alguém está vivo, mas fazemos questão de manter distância em algum momento de sua vida, e a vida toma um rumo diferente, de modo que você perde notícias da pessoa totalmente, chegando a esquecer em algum momento?
Parecia ser esse o sentimento que pairava ali, e o silêncio se fez presente por mais alguns segundos.
Segundos que pareceram eternos.
