"Still I can't let you be

Most nights I hardly sleep

Don't take what you

Don't need from me"


Os dias seguintes da festa foram difíceis, eu não sabia muito bem como encarar Adrian e o mesmo também. Os motivos ditos para Lissa naquele dia, do por que não contar a ele, não eram os principais e sim sua não correspondência, e acabar por ficarmos assim.

Havia sido uma semana cheia, a rainha Tatiana estava querendo fazer algumas mudanças nas leis, na verdade acrescentar uma. O decreto era que os guardiões com dezesseis anos já podiam lutar contra os strigois. Quando esse assunto repercutiu e me usando como um exemplo positivo para esse absurdo, protestei com toda "influência" que pude e no último caso pedi para que Adrian intercedesse apoiando minha causa.

Eu estava formalmente no canto do salão com meus trajes escuros de guardiã me contorcendo de raiva a cada palavra daquela mulher egoísta. Adrian, assim como a tia de Christian, Natasha Ozera e Lissa eram os poucos morois que iam contra, o que no fim não valeu de nada e então o decreto foi aceito.

Cerrei meus punhos, tentando de todas as maneiras, controlar minha impulsividade de proferir a rainha palavras desagradáveis.

- Não faça o que esta pensando, Rose. – A voz grossa e carregada de sotaque de Dimitri soou ao meu lado.

Eu olhei não entendo onde queria chegar.

- Não cause um escândalo. – Ele esclareceu – Isso me irrita na mesma quantidade, mas somos meros peões.

Soltei uma risada pelo nariz e dei um sorriso triste.

- Você tem razão, Camarada.

Tão espontâneo falei, ele riu auditivamente.

- Velhos hábitos não mudam.

- Rose? Temos que ir – Adrian me assustou surgindo repentinamente – Despeça-se do Belikov, por favor.

Acenei para Dimitri e fui andando atrás de Adrian, que pisava fundo e bufava um pouco irritado. Permaneci em minha postura rígida. Atravessei toda corte em alerta e sempre passos atrás dele, morávamos em um apartamento nada sutil, típico, e quando chegamos pude ouvir a porta de seu quarto batendo.

Frustrada com seu comportamento, fui até a cozinha e preparei algo para comer, estava faminta. Christian sempre me perguntava como ainda tinha um corpo em forma se comia de forma tão exagerada e nada saudável.

Depois de saciar momentaneamente meu estomago fui para meu quarto, botei uma roupa confortável, fiz minha higiene e recolhi-me para dormir. Estava lendo um livro que Lissa havia me dado de aniversário e logo meus olhos começaram fechar sozinhos, meu corpo estava quase se rendendo ao sono quando minha porta tremeu com batidas violentas.

Saquei minha estaca de baixo do meu travesseiro e caminhei lentamente, analisando tudo a minha volta, bolando um ataque de um modo que pudesse sair rapidamente, olhei pela fresta da porta e reconheci os cabelos castanhos desemaranhados.

Abri a porta sentindo meu ombro ceder de alivio e o que aconteceu depois foi muito rápido, que nem sei como explicar corretamente. Senti um peso sobre meus lábios e quando abri os olhos assustada vi que eram os lábios de Adrian fazendo isso.

A estaca escorregou da minha mão fazendo um som agudo quando bateu no chão, ele envolveu-me pela cintura, colando nossos corpos e instantaneamente passei meus braços pelo pescoço dele.

Mordeu meu lábio inferior dando passagem para sua língua invadir minha boca. O beijo começou de um modo urgente, mas nunca grosseiro. Seus toques eram firmes e gentis. Fiquei perdida no mar de sensações que agora sentia e assustada com o seu poder sobre meu corpo.

Não sei como, mas já estávamos imprensados em uma das paredes do meu quarto. Na verdade, eu estava sendo imprensada. Nossas bocas exigiam o máximo uma da outra, nossos suspiros eram altos e bem pesados.

Do mesmo modo repentino que me "atacou" se afastou. Manteve nossas testas coladas como na noite do baile.

- Não posso suportar a ideia de que ainda sinta alguma coisa por ele. – Sussurrou, sua respiração era dificultosa.

- Não sinto – Respondi automaticamente.

Trouxe meu rosto em suas mãos para si e selou novamente nossos lábios, agora brandamente. Seus lábios massageavam os meus vagarosamente com breves mordidas e quando aprofundou o beijo, nossas línguas se encontravam em uma dança sensual e em perfeita sincronia.

Quando o ar nos faltou, eu tinha certeza que tinha um sorriso estampado em meu rosto. Seus olhos brilhavam intensamente, entretanto, esse brilho foi se esvaindo aos poucos.

- Você me enlouquece, Rose.

E saiu sem deixar nenhuma explicativa.

Era uma tarde de outono, o sol brilhava, mas ainda sim ventava bastante. Meus trajes de guardião nessa época eram confortáveis, por que no calor era insuportável. Eddie, Dimitri, Caleb e eu fazíamos a guarda dos quatro morois ali presente. Apesar de estarmos igualados, foi quase como uma exigência vinda deles, era apenas um café da tarde no centro de uma pequena cidade.

As coisas ficaram ainda mais confusas e difíceis para mim depois dos beijos de Adrian. Havia horas que ele falava comigo normalmente, outras não, mas sempre fingindo que nada havia acontecido e isso era o que mais me machucava.

Observei todos os morois esguios sentados a nossa frente, para não chamarmos tanta atenção, sentamos em outra mesa, com uma distancia regular. Apesar de saber que o casamento era por pura conveniência real, eu não poderia deixar de me incomodar ao ver Adrian e Mia interagindo, mesmo que amigavelmente.

Meu estomago começou a embrulhar e eu pensei ser fome, aproveitando que estávamos em cafeteria, pedi algo para comer. Satisfiz-me e mesmo assim o incomodo continuou. Tornou-se uma conversa tão animada que já estava noitecendo, poucas flechas de luz solar restava no céu.

Agora o embrulho era cada vez mais forte e foi então que tomei consciência do que se tratava. Caleb, o guardião de Mia, com altura natural de nossa raça, pele morena e cabelo castanho escuro relativamente curto, tinha sua atenção em mim.

- O que houve guardiã Hathway? – Com sua pergunta os olhos de Eddie e Dimitri vieram sobre mim.

O embrulho agora era insuportável e saltei da cadeira.

- Strigois!

Os fatos consequentes do meu grito aconteceram muito rápido, uma linha a frente dos nossos morois foi montada. Eram cinco e estávamos em desvantagem por apenas um. Dimitri sempre habilidoso chamou atenção por sua veloz velocidade em empalar um strigoi.

O monstro com quem lutava era um homem, além de ser forte por consequência de sua raça, tinha vantagem física entre macho e fêmea. Sua pele era pálida como a da maioria, seu cabelo loiro era preso em um rabo de cavalo, seus olhos vermelhos eram moldados por sua sobrancelha igualmente loira, que estava inclinada, dando uma expressão irônica.

Nós lutávamos numa dança letal, por ser incrivelmente maior me dava vantagens de ser mais ágil. Seus ataques eram um pouco retardados por causa de seu peso. Em um descuido meu, deu-me um chute nas costelas e correu em direção a Christian, este o manteve distraído com seu fogo e aproveitei para empalar seu peito.

Mas em um movimento brusco, se debatendo das chamas, desviou o alvo da minha estaca, acertando seu braço. Voltei a tomar posse da estaca prata e investir contra ele de novo, agora contando com a ajuda de Christian. Nós havíamos treinado algumas vezes juntos e ele desenvolveu habilidades muito uteis.

O Strigoi era insistente, mas assim que Eddie havia se livrado do seu, veio ao meu encontro, ajudando-me também e o imobilizou, empalei-o rapidamente acabando com aquela cansativa batalha.

Caleb se prestou a ajudar Dimitri que tinha um pouco de dificuldade com o segundo monstro que enfrentava naquela noite. Christian havia criado uma roda de fogo em volta de Adrian, Mia e Lissa, nos dando um pouco mais de segurança, se é essa palavra que posso usar.

Meu estomago deu sinal mais uma vez e o elemento surpresa apareceu, um sexto strigoi, nos pegando de guarda baixa. Quando Christian em um momento impulsivo desfez a roda e concentrou sua potencia de fogo no strigoi, deu a brecha para que agilmente fosse de encontro a eles.

Sem calcular nenhum movimento, me pus entre eles e como se pegasse um palito de dente, segurou-me pelo pescoço e ergueu-me a altura de seu rosto.

- Que tal usar você como um exemplo para o que vai acontecer com eles, Dhampir? – Sua voz me causou calafrios.

Uma dor repentina invadiu meu pescoço e logo veio à morfina, fazendo meus olhos revirarem de prazer, enfraqueci em seus braços enquanto me sugava. Fiquei instantaneamente extasiada, mas ainda sim pude distinguir os sons a minha volta, eram gritos.

Senti meu sangue parar de ser drenado e logo cai no chão como uma boneca. Olhei para minha frente e vi Dimitri empalando o strigoi que havia me sugado. Com o restante de forças que ainda tinha virei meu olhar para o lado e vi os olhos verdes cintilantes que eu tanto amava em estupor.

Já acabada minhas forças, rendi-me ao breu.