Capítulo 2: A Onde Você Deveria Estar.
A diva estava certa de que nunca vira a loira tão enfurecida antes. Seus olhos tinham um tom de verde escurecido e incrivelmente afiado e venenoso.
"Se você fizer qualquer coisa para fugir. Eu não terei escrúpulos em deixá-la inconsciente" ameaçou a loira tirando sua mão da boca da morena. Mas seu corpo ainda mantinha o dela sob controle.
Rachel tremia dos pés a cabeça.
"Quinn..." sussurrou trêmula.
"Cale a boca!" rosnou a loira "Vamos!"
Quinn se afastou apenas o suficiente para apanhar ambas as mochilas delas. Com um aperto firme no antebraço da morena. Quinn praticamente arrastou Rachel até o estacionamento.
Seu carro estava a menos de 10 metros. Ao chegarem, Quinn destravou o automóvel e jogou as mochilas na parte traseira. Depois tornou a pegar Rachel pelo pulso levando-a para o lado do passageiro.
Ela abriu a porta e incitou a diva a entrar. Como se não bastasse, a loira se inclinou sobre a garota menor para passar o cinto de segurança.
Rachel prendeu a respiração com a proximidade. O olhar de Quinn se demorou em seu rosto por um momento. Havia alguma coisa dura e ameaçadora naquela expressão. Algo que a assustava.
Céus... Quinn não pode querer ir em frente com isso.
Rachel desviou o olhar.
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Depois que Quinn se acomodou no banco do motorista e engatou a primeira marcha para sair foi que Rachel tentou falar novamente.
"Quinn..."
"Rachel. Eu estou avisando. Fique calada se você sabe o que é bom para o seu bem estar." disse friamente.
Contra todas as probabilidades Rachel resolveu ficar calada. Ela sentiu seu mal estar aumentar consideravelmente. E com os seus pais fora da cidade, não havia ninguém que pudesse se da conta da situação dela. Se é que chegaria a algum extremo. A morena rezou para que esse não fosse o caso.
Com o canto do olho Quinn observou à diva. Rachel estava incrivelmente pálida. A loira agarrou o volante com tanta força que o nó dos seus dedos estavam brancos.
Foda-se
Quinn queria parar no acostamento e recolher Rachel em seus braços e acalmá-la. Mas ela ainda não se sentia pronta. Apesar dos seus sentidos gritarem em contrário.
Ela dirigiu por um longo tempo, sua raiva a consumindo como uma chama visível. Rachel permaneceu silenciosa, seus olhos ardendo, imaginando se ela a estava levando a algum lugar em particular ou se estava apenas dirigindo sem rumo. Teve a resposta para sua pergunta quando Quinn estacionou na garagem de uma bonita casa de dois andares.
Rachel piscou surpresa. Ela estava tão consumida de preocupação, que se quer observou para onde estava sendo levada.
"Onde estamos?" ela arfou quando a loira saiu do carro, deu a volta e ajudou-a a descer.
Quinn não respondeu, mas a impulsionou para frente da casa. Ela abriu a porta e com uma mão imperiosamente posta na costa de Rachel ela levou a menina para dentro.
Rachel estacou no meio do corredor. Ela se recusava a dar qualquer passo. Ela ia desmaiar, ela ia desmaiar.
Mas atenta do que um falcão sobre sua presa. Quinn a abraçou firmemente por trás, efetivamente mantendo Rachel de cambalear.
Com surpreendente força, ela levou a morena nos braços até o andar de cima, no que parecia ser a suíte máster da casa.
Zelosamente ela pousou Rachel na cama. Com uma mão ela segurou um lado do rosto de Rachel e travou seu olhar com o dela.
Quinn sabia que Rachel poderia ler tudo em seus olhos. Mas talvez não compreender a maioria. Nem mesmo ela poderia se compreender.
Mas algo que ela sabia, era que o que ela teve de Rachel, com Rachel. Nunca deveria ser colocado nos confins escuros de sua memória. Jamais.
E de repente, como se o universo tivesse sacudido seus alicerces. Rachel estava se recolhendo em uma espécie de concha emocional, a qual ela parecia finalmente perceber que ela deveria se manter o mais distante possível da loira. Como se ela finalmente pegou a dica, e resolveu que Quinn realmente tinha ojeriza da sua companhia, que ela deveria desistir de querer ser amiga de uma garota que nada mais foi do que uma cadela para ela. Uma garota que se achava no direito de ser sua juíza tanto de caráter, quanto, social.
Quinn não ia permitir que essa garota, com um coração e uma confiança do tamanho do mundo, escapa-se dela. E o que ela queria, ela teria.
Era uma troca justa, pois a muito tempo, sem que ela percebe-se, Rachel tinha levado dela algo que ela não achava que seria capaz de sentir.
Com persistência conseguiu encontrá-la, encurralá-la e capturá-la.
Deveria se sentir contente, até mesmo triunfante. Sabia que agora a teria, que com um pequeno esforço conseguiria o que queria dela.
Um Fabray toma o que quer em suas mãos.
Mas emoção que a dominava não era triunfo. Era fúria, por ter se sentido tão desapontada antes. E por sentir tão grande alivio agora, ao vê-la.
Mas o que era essa necessidade visceral que ameaçava seu senso de proporção? Que a incitava com a força da pura compulsão? Rachel tinha um talento extraordinário de deixar Quinn na borda de suas emoções. Ela tinha esse talento de fazê-la um furacão com todas as suas malditas emoções.
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Rachel observou Quinn, na sua mais alta postura arrogante e ao mesmo tempo com uma graça quase felina.
Rachel se moveu ligeiramente para se acomodar melhor, Quinn também se moveu quase que instantaneamente. Rachel leu naqueles olhos esverdeados que a loira não deixaria qualquer um de seus movimentos passarem despercebidos por ela.
"Nunca achei que você fosse covarde, Rachel." A profundidade em sua voz caiu como uma pedra, rompendo o silêncio entre elas.
Rachel respirou profundamente. Não estava com medo. Era apenas cautelosa. Quem poderia culpá-la?
"Não estou com medo"
MENTIROSA, MENTIROSA, MENTIROSA.
Essa palavra ecoava como um mantra em sua cabeça.
"Ótimo."
Quinn se inclinou sobre ela até que o mundo inteiro se resumiu no brilho de seus olhos verdes, na força de sua presença poderosa, e no calor de seu corpo que se aproximava.
"Não é medo que quero de você, Rachel." Quinn sussurrou-lhe em uma voz quente, perto de seu rosto. Mas não chegou mais perto.
O poder estava exclusivamente nas mãos dela. O ar parecia estalar ao seu redor.
O olhar de Quinn era ardente enquanto fitava Rachel.
Ela debruçou-se mais, aproximou sua boca a uma fração de seus lábios, e esperou que sentisse o cheiro de sua pele, o gosto de seu hálito em seu lábios e a desejasse.
Então, seus lábios se tocaram e, neste instante, o mundo desapareceu a sua volta. De novo.
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Quinn pode sentir-lhe os lábios macios e maleáveis enquanto roçava sua boca na de Rachel. Mas ao tentar escorregar a língua em seus lábios, a morena estremeceu e recuou.
Ela se debruçou mais, tendo o cuidado de manter as mãos firmes na cama. Beijou-a de leve, como um convite para que se abrisse para ela, e ela moveu os lábios contra os dela, imitando a persuasão gentil de suas carícias.
Instantaneamente, Quinn sentiu uma onda de sangue fluir para sua cabeça. O fogo incendiou seu ventre, transformando em estilhaços seu cuidadoso controle. Esforçou-se para conter a compulsão de intensificar o beijo, de puxá-la para junto de seu corpo ansioso e de explorar as profundezas de seu corpo. De novo e de novo...
Conseguiu que ela abrisse a boca, aumentando lentamente a pressão. Seu hálito era fresco e quente, os lábios como cetim, o cheiro de sua pele estonteante e sedutor.
Quinn a beijou de modo mais exigente. Rachel se entregou, e seu suspiro foi como uma rendição silenciosa. Quinn recebeu a ordem que partia de seu corpo, de seu sangue, de conquistar, de tomar.
Mas não devia tocá-la, não desta vez. Precisava ir devagar e não apavorá-la mais do que já havia feito até agora. Não queria que ela fugisse. Se a tocasse como realmente desejava, com a palma da mão em seus seios, em suas curvas, descobrisse sua feminilidade mais íntima e sentisse o gosto de sua carne com a língua, não conseguiria parar. E ela precisava de tempo.
Quinn sentiu o bico dos seios da morena roçar os seus por um instante, enviando um tremor de erotismo diretamente ao seu centro de prazer. Um gemido de desejo reprimido ergueu-se de seu peito, mas Quinn o ignorou, fechando as mãos em punhos com tanta força que chegou a machucar seus dedos.
Ela havia começado isso e devia a Rachel, como uma dívida antiga. Não se deixar levar pelo grande frenesi, mesmo que pagasse um preço alto demais na tentativa de manter o controle.
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Quinn era pura sedução. Rachel tentou tão bravamente a resistir. Ela não queria que Quinn tomasse nada em suas mãos. Não era justo.
A dança de sua língua contra a dela, lânguida e sedutora, o gosto de seus lábios, o cheiro de sua pele quente, tudo isso era uma combinação capaz de apagar qualquer pensamento. O bombardeio de prazer físico a deixa tonta.
Ela recordava como á uma semana ela foi apresentada a esse mundo de prazer. Como a uma semana ela nunca acreditaria que a pessoa que iria iniciá-la sexualmente, seria a mesma pessoa que em incontáveis vezes, também a jogou em um mundo de dor. A mesma pessoa que foi passional e ardente no ato do sexo. A mesma que foi fria e calculista enquanto observava outras pessoas a humilharem.
Como que isso era justo?
Rachel se mexeu incomodada com a sensação de vazio em seu corpo, que ansiava ser saciado por mais. Mais de Quinn. Mais da magia que ela criara apenas com seus lábios e sua língua.
Sua boca a chamou para mais perto, mas ainda não o bastante. Rachel quase suspirou de alivio quando sentiu as almofadas macias atrás de si. De leve, Quinn ajustou a sua boca, procurando com seus lábios a melhor maneira de encontrar os dela.
Rachel estava revoltada com seu corpo traidor. Mas a essa altura, Rachel não conseguiu ignorar a urgência de seu desejo. Ergueu as mãos e escorregou-as entre os seios de Quinn, até seus ombros. Em seguida, parou, indecisa, e ouviu Quinn deixar escapar um rugido baixo e trepidar sob seus dedos.
Sem pensar, respondeu ao som primitivo do desejo dela. Subiu as mãos até sua nuca, deleitando-se com a sedutora sensação de sua pele. Abriu os dedos e mergulhou-os em seus cabelos, segurou sua cabeça e puxou para mais perto.
Mas ainda não era o bastante, nunca seria o bastante. O ritmo pulsando em seu sangue, batendo em seu âmago, exigia mais.
E então Quinn se moveu.
Não para junto de seu corpo, não como seu corpo traiçoeiro desejava, mas para trás, terminando o beijo tão subitamente que seus olhos se abriram.
O que acontecera?
Seus lábios estavam inchados, seus seios pesados, e seu corpo repleto de um langor que não reconhecia. Ela piscou tentando focalizá-la, e procurando recuperar o domínio da mente.
Ela respirou profundamente, como se sentisse falta de oxigênio. Ela sentiu seu hálito na pele sensível. Talvez por isso se sentia tonta, sua respiração era tão ofegante como se tivesse corrido uma maratona.
Suas mãos ainda a mantinham perto e podia sentir-lhe os ossos rijos e carne macia. Viu seus braços levantados, percebeu que a estava segurando, e compreendeu que deveria solta-la. Olhou-a. Seu rosto era a mais exata expressão de sensualidade, ousada e cativante.
Contra Quinn suas defesas eram cristalinas, transparentes, fracas.
Poderiam ser facilmente destruídas. E Rachel sentiu-as se quebrar e se desmanchar sob o calor daqueles olhos verdes. Mas foi a força de seu desejo que finalmente a destruiu.
A epifania foi instantânea e completa. Apesar de todo o seu medo, de sua cautela e de seu anseio por preservar seu emocional, não podia fugir da verdade.
Queria Quinn.
Estava constrangida ao emergir de sua névoa sensual e descobrir que havia sucumbido completamente a ela. Que sem levantar um dedo, a loira a subjugara, e a fizera se oferecer a ela numa pose de convite. Usando apenas sua boca, ela a levara para uma nova realidade, onde só o presente importava, e só o que havia era o insaciável apetite por prazer.
O pensamento a horrorizou. Ela havia perdido o controle, mas Quinn mantivera a dela e manteve-se apenas ao delicioso beijo que trocaram.
Seus olhos se abriram enquanto mirava o olhar impenetrável de Quinn. A líder de torcida a queria.
Quinn Fabray a queria?
Depois dos negros fantasmas que habitavam em seu passado, isso lhe parecera impossível. Ela não podia acreditar.
Quando seu cérebro percebeu todas as implicações de sua atitude, Rachel sentiu suas mãos amolecerem e deslizarem do pescoço de Quinn. Era capaz de notar, pela força com que seu coração batia, que ela estava excitada.
De súbito, ela sentiu o peito latejar, como se esmagado por círculos de metal. Sua respiração era difícil, dolorosa, parecia ferir seus pulmões. Um nó de emoção se formou em sua garganta. Tentou engolir, lutando contra a dor intensa atrás dos olhos.
"Rachel?" a voz de Quinn estava áspera.
A morena mordeu os lábios e desviou os olhos.
"Rachel" disse Quinn, agora com uma voz mais baixa, rouca e incrivelmente sedutora."Está se sentindo mal? Precisa de alguma coisa?"
"Não, estou bem"
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Quinn viu a mentira por trás da declaração. Ela ficou irritada por perceber que Rachel não lhe diria a verdade. Estava preocupada com ela. Ainda podia sentir que Rachel estava gelada e pálida, mas uma coisa era certa: Rachel Berry não estava prestes a desmaiar, a pesar da intensidade do beijo.
Quinn ainda estava abalada pelo impacto de sua boca se abrindo como uma flor sob a dela, pela sensação de abandono a qual a morena se entregou.
Havia alguma coisa, havia alguma coisa... Diferente em beijar Rachel Berry. Algo que a deixava com uma fome corrosiva e insatisfeita em suas entranhas. Com fome de seu corpo. E ainda mais... De seu sorriso e de sua confiança.
Olhou para seu perfil, na tentativa de entender por que esta garota a afetava tanto. Mas não era momento de tentar descobrir.
Quinn rolou para o lado se estabelecendo contra as almofadas macias da cabeceira trazendo Rachel com ela. A diva ficou encaixada nos braços de Quinn e sua cabeça repousada contra os ombros alvos e delicados da loira. Com movimentos lentos e persuasivos ela acariciou a costa da morena. Esse movimento pareceu ter um efeito calmante. Pois Rachel se viu lutando para permanecer acordada.
Talvez toda essa tensão acumulada finalmente cobrou seu preço. E Quinn estava mais do que satisfeita de ser ela a ampará-la. Inadvertidamente ela sorriu arrogante.
Sim, Rachel Berry estava onde deveria estar desde a maldita semana passada. Em seus braços. E ela estava muito enganada se achava que poderia fugir desta vez. Um Fabray não comete o mesmo erro duas vezes.
N/A: Obrigada a quem estiver acompanhando esta Fic. Espero que estejam gostando.
Comentários sempre são bem vindos.
E fico feliz que outros autores tenham lido. Pois eu tenho muito gosto em também ler a de vocês.
Bjus! ^^
