- Capítulo II –

- Amanhecer melancólico -

- Hoeeeee!!!!!

No andar debaixo da humilde casa amarela pode-se ouvir o grito desesperado da filha mais nova de Kinomoto Fujitaka. Ele preparava o café com seu filho mais velho, Touya. Este se preparava para sair para o serviço.

- Já acordou. - disse Touya fazendo um muxoxo e olhando para cima o que fez com que o pai abrisse um leve sorriso.

No andar de cima...

- Hoeeeee... Eu estou atrasada... – a bonita garota de olhos verdes esmeraldas e cabelos castanho-claros corria de um lado para o outro dentro de seu quarto e, como sempre acordando um de seus guardiões.

Kero, o guardião regido pelo sol, despertou ainda sonolento e coçando os olhos apareceu na última gaveta da escrivaninha onde era seu quartinho.

- Novamente atrasada, Sakura! – exclamou Kero bocejando. – Quando vai perder esse costume? – perguntou espremendo os olhinhos miudinhos.

Sakura fingiu não ouvir o que Kero lhe dizia e correu para seu guarda roupa escolhendo uma mini-saia verde clara com uma única flor de cerejeira bordada em verde mais escura perto da barra do lado esquerdo. A blusa que estava usando era branca com a gola verde na cor da saia e tinha uma pequena e solitária estrela nas costas.

- Aiuiui... justo hoje que não poderia me atrasar. – suspirou desanimada mirando-se no espelho. - Tomoyo e Eriol me aguardam para juntos irmos até o clube aquático. – disse Sakura prendendo o cabelo em um rabo frouxo. Analisou sua imagem no espelho, mas como estava muito melancólica achou-a muito deprimente.

- Não haveria de perder hora senão ficasse tanto tempo acordada pensando naquele moleque! – exclamou Kero que parecia estar disposto a provocar sua dona.

- Kero-chan! – replicou Sakura. Mas em seu intimo sabia que ele tinha razão. Ficara até tarde olhando as estrelas e a lua e, por pensar no namorado longe não conseguira dormir tão cedo. Recordou-se do motivo pelo qual ficara acordada a noite passada.

A lua cheia daquela noite parecia a chamar para a janela, e mesmo sabendo que teria um encontro com os amigos no outro dia, Sakura não conseguia voltar para a cama e dormir tranquilamente. Ficou na janela admirando a noite e recordando dos últimos quinze dias que passara na companhia de seu querido Shaoran.

Divertiram-se muito. Haviam se reencontrado com todos os antigos amigos de escola. Rika que estava noiva de sensei1 Terada, Naoko, Meilin que viera com o primo Shaoran, Chiharu que aceitara após muitas tentativas de Yamasaki namorar com ele, Tomoyo e Eriol. Tudo parecia perfeito. Tudo mesmo... Sempre que possível o grupo se reunia para relembrar os velhos tempos.

Divagando em seus pensamentos, uma pequena lágrima escorreu pelo bonito rosto de Sakura ao recordar-se do último dia da estadia de Shaoran. Estavam todos no clube aquático, quando o celular dele que estava na mesa junto aos de Yamasaki e de Eriol tocou. Todos olharam para o dono do celular. Shaoran parecia não querer atendê-lo, mas mesmo assim o fez. Sakura o encarava e pode ver quando o sorriso que ele tinha nos lábios morrer de repente.

... Está bem, sim, mas... Não posso ficar mais? – ele parecia estar muito contrariado e ficando em silêncio para ouvir o que estavam lhe dizendo, mas era mais para digerir tudo. – Está bem, estarei o mais breve possível no próximo vôo para Hong Kong...

A felicidade de Sakura acabara naquele dia. Shaoran se levantou largando o celular desligado sobre a mesa e, pegando sua querida flor pelas mãos saiu com ela de perto dos outros. O que não deixou que vissem Eriol e Tomoyo trocando olhares preocupados.

Shaoran tentara explicar a ela que ele teria de voltar para casa. Mas Sakura parecia muito sentida. Ele próprio sentia-se assim. Mas não podia ir contra o conselho, e se ele era chamado às pressas para resolver um possível problema, teria que ir.

... Sakura, minha flor, onegai2, você sabe que eu não iria senão fosse tão importante. – disse Shaoran. Ele estava chateado, não queria deixar sua querida por nada do mundo...

... Eu sei que você precisa ir, Shaoran. Só está sendo um pouco difícil de me acostumar a ficar sem você o resto das férias...

... Venha comigo então! Ficaremos em minha casa...

... Você sabe que não posso. Minha família não tem tanto dinheiro para que possa viajar assim sem planejar. – Sakura disse com seus olhos esmeraldas cheios de lágrimas. – E você sabe que tenho ainda meu curso de verão, a última prova é daqui a uma semana, e também não seria justo com você. Você precisa se concentrar para resolver os problemas do clã e, eu seria uma distração num momento em que você precisa estar bem concentrado...

... E você acha que conseguirei me concentrar deixando você para trás? – perguntou aborrecido, mas brincando com os agora longos cabelos dela.

... Shaoran, não quero brigar ou discutir com você. Onegai, vamos aproveitar o dia de hoje...

Ele concordou. E realmente tentaram aproveitar o dia. Ele foi até a casa dela e ficou lá a noite toda. No outro dia logo cedo ele conseguira a passagem para ele e Meilin que também precisava voltar e mais à tarde Eriol, Tomoyo e Sakura despediam-se deles no aeroporto.

Para Sakura e Shaoran parecia o fim do mundo. Ele tentava inutilmente acalentá-la e prometia a todo custo voltar antes das férias acabarem. Despediram-se com um longo e apaixonado beijo. Com lágrimas nos olhos e um aperto no coração Sakura viu seu grande amor ir para longe de si.

- Que foi, Sakura? – era Kero a chamando para a realidade. – Desse jeito vai ficar mais atrasada.

Sakura encarou Kero e olhando para o relógio digital perto de sua cama viu que ele tinha razão. Estabanada como sempre deixou a escova que tinha nas mãos cair no chão e, apressada saiu do quarto, mas não sem antes gritar para o pequeno guardião.

- VOCÊ APANHA PARA MIM?

E antes que Kero pudesse dizer-lhe alguma coisa já estava sozinho.

- Não adianta... Ela não muda. – disse Kero voando até onde repousava a escova e a pegando para depositá-la na penteadeira.

Na pequena cozinha...

O barulho de passos apressados na escada fizeram com que Touya olhasse para a porta onde sua irmã logo aparecia. Ela estava esbaforida, mas mesmo assim estava sorridente.

- Ohayo! – e olhando para o porta retrato da mãe sempre exposto no console disse sorrindo. – Ohayo!

- Ohayo, Sakura-chan! – respondeu Fujitaka encarando a filha por um minuto, mas logo voltando a preparar o desjejum.

- Está atrasada, kaijuu3! – disse Touya colocando o prato com o desjejum a frente da irmã. Ele tinha um sorriso matreiro nos lábios.

- Oohayoo! – respondeu Sakura brava. Ela ainda ficava muito brava com o irmão quando ele a chamava de kaijuu. Apertava a mão direita deixando os pequeninos nós dos dedos ficarem esbranquiçados e tinha a pior cara possível.

- Que cara feia, kaijuu! Para mim cara feia é fome. – disse Touya tomando um pouco de suco.

- Hoeeeee...

- Vamos parem com isso vocês dois. – interveio Fujitaka sentando-se ao lado de Sakura à mesa. – Vamos comer então?

Os filhos concordaram e os três juntos agradeceram pela comida.

- Escuta Sakura, o que você vai fazer hoje agora que o curso de verão terminou? – perguntou Fujitaka sorrindo.

- Marquei com Tomoyo e Eriol de irmos ao clube aquático. – respondeu Sakura entre uma garfada e outra.

Fujitaka sorriu e olhando para seu primogênito perguntou:

- E você, Touya?

- Tenho uma reunião em Tókio a tarde. O senhor sabe, Yukito e eu temos que demonstrarmos o protótipo do sistema de segurança para a empresa Seiyo. – respondeu Touya confiante. – Acreditamos que tudo vai dar certo e que acabaremos fechando o negócio.

Touya e Yukito tinham uma micro-empresa de alarmes e sistemas de segurança e, eram bem procurados. Estavam fazendo muito sucesso.

- Que bom, meu filho. – Fujitaka não escondia o orgulho que sentia de seus filhos. Touya com a micro-empresa e Sakura terminando o último ano da faculdade de educação física. – Faço votos que tudo de certo. Ficarei torcendo pelo sucesso de vocês em mais essa nova embravata.

- Arigatou. – agradeceu Touya sorrindo.

- E o senhor, papai? – quis saber Sakura o encarando. – Vai ficar bem aqui em casa sozinho?

Fujitaka sorriu e rapidamente tranqüilizou a filha.

- Não se preocupe Sakura. Tenho muito que fazer ainda. Meu trabalho sobre as escavações a que estou fazendo ainda não terminou. E creio que Kero me será uma boa companhia.

- Aquele bicho peludo companhia? – perguntou Touya incrédulo. – O senhor quer dizer que ele é ótimo ficando na frente da TV jogando vídeo-game. – e abriu um sorriso debochado.

Naquele instante a campainha é ouvida e Touya levantando-se diz:

- Deve ser o Yuki, ele ficou de passar e me pegar já que meu carro está na oficina.

- Peça para ele entrar um pouco, Touya, ainda é cedo para vocês irem.

Touya concordou com a cabeça. Quando voltou não vinha só na companhia de Yuki, mas também com Tomoyo e Eriol que haviam se encontrado a frente da casa amarela.

- Ohayo! – saudaram os três ao mesmo tempo.

- Ohayo, Yukito! – saudou Sakura que ainda não tinha reparado em Tomoyo e Eriol que estavam mais atrás. Ao vê-los assustou-se. – Tomoyo-chan! Eriol-kun!

- Ora vejam... Ohayo, Yukito. Que bela surpresa! Ohayo Eriol, Tomoyo.

Os três jovens fizeram uma pequena reverência. Enquanto que Sakura apressada levantava-se da mesa correndo a fim de pegar sua mochila para poderem ir ao clube.

- Não tenha pressa, querida Sakura! – disse Eriol vendo a agitação da amiga. Sua voz sempre calma.

- Isso mesmo, Sakura. – adiantou-se Tomoyo a tocando no braço.

- Mas é que... – quis justificar-se Sakura.

- Nós sabemos, Sakura. – disse Tomoyo sorrindo. – Você perdeu hora. – e trocou um olhar cúmplice com Eriol. – Por isso resolvemos vir buscá-la.

Yukito, Touya e Fujitaka que a tudo prestavam atenção riem da pobre garota. E enquanto eles ficam conversando um pouco, os outros três despedem-se e seguem para o clube no carro de Eriol.

Sakura ia ao banco de trás cabisbaixa e muito calada. Eriol e Tomoyo sabiam que ela estava sofrendo com a separação tão repentina de Shaoran e ela. Por isso estavam sempre a convidando para saírem juntos, exceto pelas vezes em que o jovem casal saia para encontros mais românticos. O que Sakura menos queria era atrapalhar o começo do namoro da prima com Eriol.

Enquanto Tomoyo e Eriol tentavam manter uma animada conversa, Sakura somente respondia com monossílabos. Eriol espiando pelo retrovisor encontrou os olhos esmeraldas agora tristes. Sakura desviou seus olhos dos azuis-meia-noite que a encaravam pelo retrovisor.

- Querida Sakura, por favor, não fique assim. – pediu Eriol.

Tomoyo olhou para a prima querida no banco de trás e perguntou:

- Shaoran ainda não lhe deu notícias? – ela tinha uma sobrancelha arqueada.

- Faz três dias que ele não me liga. A última notícia que tive dele foi antes dele ir até Pequim para uma reunião. – disse Sakura baixando os olhos. Ela estava morta de saudades.

- Vai ver ele está muito ocupado. – disse Tomoyo. – Lembro-me quando mamãe ia a reuniões de negócios – divagou encarando o namorado -, era sempre tão demorado e tinha vezes que eu ficava muito sozinha. Você se lembra disso, não é Sakura?

Sakura afirmou com a cabeça.

- Não se preocupe, querida Sakura! Creio que logo você terá uma grande surpresa. – disse Eriol misterioso como sempre, o que fez com que a amiga procurasse seu olhar no retrovisor. -"Ótimo! Consegui o que queria!" – pensou ele com um sorriso vitorioso nos lábios.

:: Continua ::


É isso ai, mais um capítulo no ar! E Vamos a algumas explicações:

sensei1: professor ou mestre

onegai2: por favor

kaijuu3: monstrenga

Sim, claro todos sabem, mas não custa nada relembrar! XD

Obrigado as reviews, aos amigos que me acham no msn e principalmente, obrigado pelas palavras amigas.

Bjs

Theka