Depois da cansativa e divertida Seleção das casas e do delicioso jantar de boas-vindas, os terceiranistas foram, cada um, para as suas casas. Hermione e Stell foram para a sala comunal da Grifinória; Remo, para a Corvinal.

Já havia várias pessoas na sala comunal quando as meninas chegaram. Elas tinham demorado um pouco para chegar, por causa do grande quantidade de comida que elas ingeriram. Stell falou "Hipogrifo" com rispidez e abriu a porta com violência, e uma menina que estava sentada numa poltrona perto da lareira que tinha cabelos curtos disse "Uaau, que delícia" (sim, todos desconfiavam que ela não era lá bem fã de meninos) e Nila, a melhor amiga das primas logo correu ao encontro delas. Karl foi junto.

- Oi, Stell. – disse ele, esperançoso - Tudo bom?

- Não.

- Ah, tá. – Karl murchou a cara de felicidade. – E aí, Mione, como tá o Kevin?

- Tem alguma coisa na minha cara dizendo que eu tou com o Kevin? Meu Santo Deus. Sim, ele está bem sim, gostoso como sempre.

- Hum. Não o acho gostoso.

- Lógico, você não é bicha. Meu irmão é que é.

- Muito obrigado. É mesmo, seu irmão é meio... Meio... Estranho.

- Você quis dizer baldinho, baitola.

- Você é bem agressiva para uma menina. – Nila fez o primeiro comentário. – Nunca vi menina nenhuma daqui dizendo "baldinho".

- Só digo a verdade com as palavras certas. Curtas e grossas, mas certas.

- Stell, o que aconteceu? Nunca te vi assim, e eu te conheço há três anos. – Nila olhou para Stell, que estava espatifada numa cadeira. A menina (que mais parecia um menino) continuava olhando-a, maliciosa.

- Eu acho que o Mean (Eu te contei dele?) me viu fazendo mágicas.

- Ah, então é isso. Que besteira. – Hermione virou os olhos. – Triste por um trouxa gordinho.

- Ele é fofinho, tá? Não se mete. Pelo menos eu não tou ficando com uma vassoura de piaçava Albina.

- Pelo menos ele não tem bucho, nem é trouxa. Tchauzão. Vou dormir. Fique com a bolinha humana, se quiser, eu não faço questão.

Hermione saiu, desanimada. Ela não era muito de papos sobre garotos, gostava mais de beijá-los do que discutir sobre o que eles acharam sobre a tomara-que-caia rosa que ela usara ontem.

- Sim, era aquele trouxa que você me falou, que estava afim de você?- Nila parecia interessada. – Realmente, pelas coisas que ele fala, ele é fofinho.

- É sim. Pois é. Mas eu acho que ele ficou desconfiado de mim.

- Aah. Deixa isso pra lá. Ano passado você não fez uma pedrinha que ele te deu ficar multicolorida na frente dele e ele nem ligou? Fica assim não, amiga.

- É, é verdade. E eu nem gosto dele de verdade.

- Sei.

- É sério!

As amigas começaram a rir. Só Nila mesmo para animar Stell. Ninguém, nem a mãe dela conseguia entendê-la do jeito que Nila entendia. Nila entendia tudo melhor do que os outros. Ela era a melhor da escola nos estudos.

- Ah, não. A coisinha ruiva chegou. Ainda tinha esperanças que você perdesse o trem, queijinho.

Uma menina morena de cabelos lisos e pretos tinha chegado a sala comunal. Os olhos dela pareciam ser um abismo, um vácuo, de tão pretos que eram.

- Me deixa em paz, tá, Ana? Eu não quero brigar contigo hoje, nem agora. Me esquece um pouquinho, só um pouquinho.

- Ah, se eu pudesse. A tua feiúra é tão marcante que eu não consigo. Fiquei traumatizada.

Ana Shacklebolt era uma garota tão linda quanto, ou ainda mais do que Sthefanie Weasley. Elas se odiavam desde que se viram da primeira vez. Stell tinha derrubado a Firebolt 2001 de Anna sem querer, e Anna começou a odiá-la daí. Stell odeia quem odeia ela, então foi mútuo. Elas mais pareciam cão e gato. Ainda bem que Anna era dois anos mais velha do que ela, e as duas não dormiam no mesmo dormitório.

- Igualmente.

- Aaah, Meu Deus, vamos, Thef, vamos pro dormitório, lá temos paz.

As duas amigas subiram as escadas com uma cara de superioridade e Ana suspirou um "Graças a Deus!" E sentou numa poltrona do lado da menina que mais parecia um menino, que começou a secá-la igual estava secando Stell. Mas Karl havia desaparecido.

Karl andava sozinho pelos corredores do colégio. Ele estava triste, agora que sabia que Stell, a menina que ele ama há três anos, ama outro. Tudo bem que ele nunca deu nenhuma bandeira para ela perceber, e ela não era nenhuma vidente, mas ele não esperava que ela gostasse do trouxa da rua dela. Para ele, aquilo era uma verdadeira humilhação (e, cá entre nós, é realmente uma humilhação perder uma garota para um menino que era gordo, baixinho, e ainda por cima, trouxa. – comentário da autora), e ele não podia fazer nada. Se fizesse, Stell ia descobrir que ele gostava dela, aí, estaria tudo perdido (não sei por quê, seria uma ótima solução! – comentário da autora), então ele não podia fazer nada, e essa sensação de impotência acabava com ele. Ele tinha vontade de chutar ele mesmo. Não podia, já que ele não era anormal. Então ele lembrou de uma velha lenda de Hogwarts, a Sala Precisa, que tinha ajudado o famoso Harry Potter a destruir o Lendário Lorde das Trevas. Dizia a história que se você fosse até o sétimo andar de Hogwarts, parasse em frente a uma tapeçaria de Trasgos dançando balé e espancando um homem e desse três voltas do mesmo lugar pensando no lugar necessário, este lugar apareceria. "Ah, é só uma lenda. Ah, não é não. A gente pode testar".Karl foi até o sétimo andar parou em frente a uma velha (velha? Velha é pouco, uma múmia! – comentário da autora) tapeçaria de trasgos e deu três voltas de olhos fechados pensando "Eu quero um lugar onde eu possa bolar um bom plano" e abriu os olhos. Na frente dele havia aparecido uma porta. Será que era a famosa Sala Precisa de Harry Potter? Ele entrou.

Era 12h da noite. Ouviam-se passos num corredor escuro do sétimo andar. Alguma coisa ali não estava no lugar.

Um rapaz alto estava alisando a parede próxima a uma tapeçaria. Ele parecia querer encontrar alguma coisa, uma porta, uma maçaneta.

- Tem que estar em algum lugar... Ele me disse... Aqui.

O garoto puxou um dos tijolos da parede. Os tijolos começaram a se afastar, como os tijolos do portal do Beco Diagonal.

- Boa noite, milorde.

O garoto entrou na sala secreta vagarosamente. Fez uma curvatura como se tivesse mais alguém ali, que ele tinha que cumprimentar. E tinha, claro, ele não era mongol.

- Não me venha com bajulações. Fez o que eu lhe pedi? – falou uma voz rouca, arrastada, num fundo o aposento. – Ah, e eu tenho que lhe apresentar seu novo amigo. Ele queria entrar na sala Precisa e sem querer entrou aqui. Dê boas-vindas a Karl, o meu novo servo.

- Eu não sou seu servo! Eu não sei nem quem é você!

- Silencio. – Foi o garoto que tinha chamado o dono da voz arrastada de milorde que fez o feitiço. – Ele não é digno, senhor.

- Não importa. Ele sabe de nós, e agora vai ter que fazer parte. Domine-o.

- Mas senhor, eu não posso...

- Domine-o agora.

- Senhor...

- Agora!

- Imperio. – o rapaz apontou a varinha novamente para a pessoa que estava deitada do chão, se contorcendo. Ela se levantou e fez uma curvatura igual a feita antes pelo outro garoto para o homem que estava escondido na escuridão.

- Sou seu, senhor Malfoy, lhe darei minha vida.

- Ótimo. E não me chame de Malfoy, não lhe dei essa intimidade. Chame-me de milorde.

- Sim, senhor, milorde.

- Sim, continuando, você cumpriu sua missão ou não? – o homem perguntou a garoto que enfeitiçou o outro – Diga-me.

- Senhor, eu tive que fazer um desvio...

- Que desvio?

- Er... Minha namorada.

- Ah, é claro, eu esqueci da Potter nojenta.

O menino fez uma expressão de ódio ao ouvir o comentário. Mas continuou calado. O outro garoto parecia mais robô, parado, do lado da escuridão.

- Eu vou completar a missão, senhor.

- Não. Você já teve sua chance. Quem vai completar a missão e ficar com todo o crédito vai ser Karl.

- Senhor!...

- Você é que não é digno de Scorpius Malfoy, Neto de Lúcio Malfoy, um dos seguidores do grande Lorde das Trevas, que inspira todo poder que se pode ter. Saia daqui.

- Se...

- Crucio. – o garoto que mais parecia um robô foi quem realizou o feitiço.

- Muito bem, Karl. Cumpra sua tarefa que você vai ser recompensado.

O garoto que tinha chegado depois estava se contorcendo no chão. Depois que o efeito passou ele saiu correndo, enquanto os outros dois riam, as risadas secas ecoando no aposento.

- Boa noite, Kevin.