Aviso legal: I do not own Hawaii Five-O; Hawaii 5.0 e suas personagens não me pertencem.

Summary/Resumo: Realidade Alternativa – No hospital, Steven aprende de forma fantástica que a vida não acaba com a morte daqueles que amamos, ela segue até que possamos amar novamente.

Categoria: RA; McDanno; hurt/comfort; Bromance; sobrenatural; tragédia.

Realidade Alternativa: Steven não se tornou um SEAL e Danny deixou a polícia, os dois não se conhecem. John McGarrett não foi assassinado, não há qualquer envolvimento de Wo Fat ou a criação do "5.0".

Advertências: Bromance; homossexualidade.


Redenção (T)

[2ª parte]

O tempo transcorreu devagar, Steven descobriu que era diferente ficar calado quando havia mais alguém no quarto. Continuou forçando-se a ignorar a existência do outro homem que não havia perturbado a atmosfera com mais do que um eventual suspiro ou um espirro de vez em quando, mas isso estava sendo mais difícil do que qualquer treinamento de resistência que tivera na Marinha. O loiro tinha certa energia que se irradiava pelo quarto e afetava diretamente o moreno; algo que dizia, silenciosamente, "está tudo bem, você não deve nenhuma explicação... mas está agindo como uma criança!". Talvez tenha sido por isso, e pela falta de pretensão nas vibrações do loiro, que a boca de Steven moveu-se antes que ele conseguisse evitar:

― Ele vivia reclamando das minhas escolhas – declarou em um tom baixo e sem ânimo. Ouviu o outro paciente mover-se levemente e permanecer quieto, como que prestando atenção ao que o marinheiro dizia. Ainda deitado com as costas para o loiro, Steven fechou os olhos: ― Queria que eu deixasse a Marinha. Ele se espelhava, como se eu fosse cometer os mesmos erros me afastando da família. E estava certo...

― O que aconteceu não foi sua culpa – ao ouvir a simples declaração do homem, Steven virou-se, encarando-o com o olhar crítico de quem recebera conselho tamanhamente infantil. O loiro mirava o início do anoitecer pela janela, que ficava entre as duas camas: ― Você não deveria tentar mudar nada do que houve. As coisas são como tinham que ser.

O moreno virou-se totalmente para o colega, afastando o lençol: ― É uma teoria interessante, mas fui eu quem virou o volante. Tudo chegou a esse ponto por que eu não lhe dei ouvidos. Se eu tivesse pedido a dispensa e vindo na data certa, já teríamos visitado o túmulo da minha mãe e estaríamos todos bem! A culpa É minha, e não há como me redimir... Nem sei se quero – Steven lembrou-se de seus momentos sozinho no quarto, enumerando as maneiras de acabar com a sua desesperança. Encarou o outro com ressentimento estampado no rosto, e o loiro pareceu lê-lo como um livro, como se pudesse ver o seu interior antes que o marinheiro conseguisse recompor-se do momento de fraqueza.

O paciente, que o encarava, cruzou os braços sobre o peito, ainda sentado e coberto até a cintura; começou a falar serenamente: ― Quando minha filha completou sete anos, minha esposa disse que não aguentava a vida esperando por mim, pela notícia de que eu houvesse morrido em serviço. Ela chegou ao ponto de dizer que se eu não abandonasse a polícia, iria pedir o divórcio. Eu levei algum tempo, mas deixei o emprego de detetive... Então, três meses depois, Rachel se separou – Steven ouviu o desfecho da história, que ganhou o seu interesse, e aguardou. O outro voltou a falar depois de alguns segundos: ― Ela disse que não queria que eu a culpasse por ter deixado de ser um policial, que não queria ser o motivo de eu não ser feliz.

Steven continuou sério, e o loiro não pareceu triste ou zangado, apenas tranquilo. Continuou: ― Nós dois nos divorciamos. E eu não me arrependo, sabe por quê? Por eu não estar mais na polícia, pude passar mais tempo com a minha macaquinha e consegui a guarda integral de Grace. Sou feliz com minha filha, minha vida é praticamente plena. Agora eu sei que as coisas acontecem por algum motivo, mas você tem que abrir os olhos e viver para percebê-lo. Então, não se arrependa, seu pai só queria o melhor para você, e você fez o que pôde. Ele pediu que abandonasse as forças armadas para que você pudesse ter uma vida, para que pudesse ser feliz como ele não conseguiu. Ele viveu desejando uma vida boa para você, o que te faz pensar que ele tenha mudado de ideia nesses quatro dias?

O moreno piscou algumas vezes, quieto: ― Então eu devo acreditar que as coisas... horríveis... que aconteceram não foram em vão?

― Você não saberá se não viver para seguir em frente – Steven viu-se pego no olhar do colega: o azul era vivo, límpido, esperançoso e acrescentava tanta força e confiança nas palavras, que o marinheiro sentiu-se envergonhado por seus pensamentos suicidas até ali. Tentou mudar de assunto, não era agradável lembrar-se de seu pai ou reparar na pureza incomum do rosto do homem no outro leito:

― ... Macaquinha? – indagou, ainda tentando manter seu exterior neutro após a conversa certeira que o houvera atingido. Steven não estava acostumado a ter seus sentimentos desvendados assim, sem qualquer dificuldade, e não sabia se deveria estar grato pelo tato do loiro, que tentara consolá-lo, ou com raiva deste por ter adivinhado seus pensamentos. Ao ouvir a pergunta, o outro lhe sorriu de maneira estonteante:

― Grace. Vivia grudada em mim, agora tem onze anos e acha que está grande demais para um abraço em público. Mas ainda me chama de Danno – confirmando sua sensibilidade ao que se passava na mente do marinheiro, o loiro continuou o outro tópico animadamente: ― Aproveitei as férias de Grace e viemos visitar Rachel. Mas ainda não entendo como vocês pessoas conseguem viver nesta ilha. Até que há paisagens bonitas neste lugar infestado de abacaxis, mas é para isso que existem os cartões postais!

O moreno balançou a cabeça, quem poderia odiar aquele lugar paradisíaco? ― Você parece uma daquelas pessoas infelizes e ranzinzas, o que houve com a atitude motivadora de uns segundos atrás?

O loiro ergueu as sobrancelhas: ― Ei, não sou nenhum terapeuta. Na verdade, sou uma pessoa bem irritada. Só que eu não quero que o meu colega de quarto, que tem conhecimento em armas e treinamento de combate, esteja instável.

― Ah, certo, foi por puro interesse. Somente para preservar a sua vida "praticamente" plena. Obrigado pelo esclarecimento.

― Não há de quê.

Permaneceram entreolhando-se. Steven sentiu, levemente e tentando convencer-se de que fosse sua imaginação, os olhos do loiro percorrerem sua figura. ― E... por que não é "totalmente" plena? – perguntou um pouco encabulado; não era de seu feitio enrubescer assim, mas "ser checado" por outro homem tampouco!

― Quer saber o que falta na minha vida? – a pergunta foi quase provocativa, mas o paciente a respondeu de maneira séria antes de Steven reagir: ― Falta alguém ao meu lado.

O moreno fitou-o: ― Quer dizer que sente falta de sua ex-mulher – concluiu, assumindo que fora mesmo sua imaginação a impressão de que o outro lhe houvesse lançado aquele olhar significativo.

― Somos amigos e mantemos contato. Eu acho que sempre a amarei, mas Rachel não é a minha alma gêmea. Eu soube disso quando descobri que outras pessoas me interessavam. Eu sinto que, por aí, neste mundo, existe alguém para mim – e mirou o moreno nos olhos, alegremente. A intensidade do loiro fez o peito de Steven apertar: seu rosto transbordava com a certeza de que tudo daria certo. De onde ele obtinha tanta força?

Enquanto pensava nisso, Steven deu-se conta de que o loiro não estava mais lhe encarando: já havia voltado sua atenção para a porta aberta e as enfermeiras e médicos que corriam ocupadamente pelo corredor, deitado de lado e coberto até o ombro; o rosto ainda na direção do marinheiro, mas sem encará-lo.

― Eu me chamo Steven.

O outro espiou de leve: ― Danny. Danny Williams.

O moreno assentiu, com um sorriso quase imperceptível, e deitou-se novamente. Mas desta vez, ficou observando o teto enquanto pensava em sua vida e na conversa que acabara de ter com o misterioso "Danno".

[continua]


N.A.: Espero que esteja gostando da fic, Rosah! Obrigada por acompanhar minhas fics. Beijãozão pra você, sua coisa linda!

Cris... saudades megamasterpower de ti! TE amoooo!

Beijoka a todos que estão lendo, já já eu postarei a continuação de SIM, irei atualizar dois capítulos de vez, muahahahaaah!

Até mais!