Desculpem pela demora.
E desculpem pelo pequeno capitulo que vem a seguir.
Mas prometo que o próximo será maior.
Capitulo 2
É complicado relembrar de certas coisas do passado e não se sentir uma merda por culpa disso. Quando era mais jovem, diga-se de passagem: apenas 2 anos mais novo, eu fiz uma besteira. Uma besteira tão grande que me arrependo até hoje. E como me arrependo.
Ela era a aluna nova, aparentemente seus pais viajavam muito e eles tinham que se mudar em seis e seis meses. Ela era bonita fisicamente, mas nada alem do normal. O que chamava a atenção para quem olhasse mais de uma vez ao menos, seria seus olhos quando ela sorria. A sinceridade de um sorriso é algo raro de se encontrar. E muito apreciado por vários.
De uma maneira até estranha, nós viramos amigos. Brigávamos bastante, mas isso parecia divertir os outros que faziam parte de nosso grupo naquele ano. Ela era interessante, normal, e diferente em relação a certas coisas. Dávamos-nos bem, se querem saber.
Eu já tinha uma fama de playboy na época, mas nada muito serio ainda. Então, três meses após sua chegada, Kagome se confessou para mim. Ela não pedia nada em troca, nem sentimentos ou palavras, apenas queria ser ouvida. Ela queria que eu soubesse o que ela sentia por mim. E aquilo de alguma maneira me atraiu. Sem pressão, apenas sentidos. Selamos nosso relacionamento com um beijo. Um casto beijo. Beijo este, que fui descobrir algumas semanas depois ter sido o seu primeiro.
Nosso relacionamento parecia ser apenas uma extensão do antigo, só que agora nos beijávamos de vez em quando, e alguns toques aqui ou ali. Os hormônios começavam já a surgir em mim na idade de 14 anos.
O problema todo foi quando eu comecei a perceber que ela começava gostar muito de mim. Aquilo me assustou de alguma maneira. E inconscientemente, comecei a me afastar. A me afastar. E quando fui ver, me sentia sufocado. E então fiz a única coisa em que pude pensar. Forjei uma traição. Nunca havia feito nada do tipo. Muito ao menos alguém com quem eu me importava. Mas foi necessário.
Os olhos dela mais uma vez chamaram minha atenção. Porque agora eles mostravam uma tristeza mesclada com raiva tão intensa que me sentir encolher. Ela simplesmente ficou observando a garota, que nem era muito importante, nem agora nem na época, e quando esta foi embora, e eu tentei me explicar para ela, ela me parou.
E falou então com uma voz fria e seca que ela teria que se mudar mais uma vez. E então entendi porque seu rosto estava molhado mesmo que ela não estivesse chorando. E pensar que ela estava chorando, me procurando para consolá-la, para acalmá-la, e então me encontra fazendo o que eu estava fazendo, fez meu coração se contrair. Me machucou.
E dizendo mais alguma coisa que não mais consigo me relembrar, ela disse adeus, deu as costas para mim, e se foi. Queria ir atrás dela, queria puxa-la para mim, e pedir perdão. Mas não tinha coragem, por que como eu podia pedir perdão para ela se nem eu me perdoava por meus atos?
Daquele dia em diante, virei um playboy cem por cento do tempo. E a fama cresceu, a lista se multiplicou. E os anos passaram. Eu procurava. Procurava por alguma coisa que eu havia perdido. Procurava por algo que tinha deixado de ter desde aquele dia.
Estava com 16 anos agora. Meu penultimo ano de colégio. Tudo andava normal, notas normais, festas constantes, garotas diferentes, dias sem fim, sem propósito. E foi então que ela reapareceu em minha vida. Aparentemente nossos caminhos apenas não se cruzavam, pois ela estudava ali desde o começo do ano e eu nunca havia a visto. Talvez ela simplesmente me ignorasse ou fugisse de mim.
Observei-a por um tempo antes de abordá-la. Ela não havia mudado muito. Os cabelos apenas estavam maiores e seus olhos mais maduros. Para ser sincero, ela estava linda. Ainda sorria daquele jeito. E aquilo me encantou mais uma vez, mas com mais força dessa vez. Talvez tivesse sido a saudade da amiga que uma vez eu tive. Talvez fosse saudade dos beijos que uma vez trocamos. Mas alguma havia acontecido, e eu agora precisava ter certeza. Eu precisava falar com ela, confirmar aquilo tudo que agora ia se acumulando a cada instante.
Inútil. Ela nem ao menos me concedeu um olhar. Apenas umas poucas palavras de reconhecimento, um 'tenha um bom dia', e adeus com uma das mãos. E suas costas estavam viradas para mim mais vez.
Quem poderia culpá-la? Eu não. Até compreendia. Resolvi então deixar para lá, tentar ignorar o que estava acontecendo. E voltei a rotina. Voltei a velha e acolhedora rotina. Não deu certo. Nem por um misero minuto. Foi por os pés numa boate, escutar o barulho, ver os olhares cobiçosos de algumas garotas conhecedoras de minha fama, ou simplesmente apenas gostassem do que viam, e eu cansava. Sem vontade, sem forças para agüentar aquilo tudo de novo. E senti então que havia me perdido em algum ponto do caminho. Não tinha um propósito, não tinha nada.
E após passar dias, e mais dias pensando no que faltava. O que eu precisava. Descobri então. Precisava do perdão dela. Tentar explicar que eu nunca cheguei a trai-la. Que tudo foi fingimento. Tudo.
Mas ela não deixava eu me aproximar. E eu não conseguia para de olhar para ela. Não conseguia. O que estava acontecendo comigo? O que ESTÁ acontecendo comigo? Preciso de uma razão. Me expliquem por que meu coração dói quando lembro daquele dia em que eu a machuquei? E por que eu pareço aquecer por dentro quando a vejo? Quem é o culpado? Os hormônios? O tempo? Ninguém? Eu? Ela? QUEM?
Percebi então que o culpado era meu coração por ter se apaixonado. Na verdade, o culpado por toda a dor era eu por não ter percebido esse sentimento antes. Ter percebido que eu amava quando fiz aquilo com ela. Perceber que a sensação de sufoco era nada menos do que medo. Medo que eu estava começando a sentir por ela.
Por isso dessa vez será diferente. Vou fazer com que ela volte. Vou fazer com que ela olhe para mim novamente. Sorria para mim. Seja minha amiga de novo. E então...
Vou fazer com que ela me ame novamente.
***
Espero que tenham gostado, mesmo tendo sido pequeno. E pouco promissor.
Mas o próximo terá mais ação.
Beijoos
Mk-chan160
