Um anjo em minha vida.

(Naty Li.)

Capítulo 2

Wei entrou na casa com a jovem. Não sabia por que, mas sentia que aquela jovem poderia mudar aquela família. A família que considerava dele também.

Guardaram as compras e o senhor Wei foi mostrar a casa para Sakura. Que ficava encantada por cada cômodo que passava.

A mansão Li era composta por: Um lindo jardim, que localizava-se na entrada da casa, dez quartos, sendo seis suítes e quatro para os empregados, uma sala de visitas e uma de jantar, uma cozinha, um banheiro, um quintal nos fundos, com uma linda árvore de cerejeira e uma piscina, com churrasqueira. Tudo decorado com perfeição.

Sakura caminhava conversando animadamente com Wei indo à direção do quintal.

- Senhor quem é aquela pequena? –Disse Sakura olhando para a menina, que viu quando estava fora da mansão.

- É a filha do patrão.

- Mas porque ela está tão triste? Deveria estar sorrindo!

- A pequena Yume ficou assim desde que a mãe, senhora Meiling, faleceu. Há dois anos atrás... Desde este dia nunca mais foi uma menina alegre... Vem eu te apresento a ela!

Sakura acenou que sim e seguiu Wei em direção a menina. Aproximaram-se, e a menina levou um susto. Não tinha sentido a presença de ninguém, estava tão distraída, perdida em seus pensamentos. Wei chegou perto dela e apontou Sakura.

- Pequena Yume, essa é a senhorita Kinomoto. Uma amiga que conheci!

- Muito prazer Yume! Sabias que és muito linda? –Disse Sakura ajoelhando-se para ficar na altura da menina.

Yume ficou encantada com a figura daquela mulher. "Como é bonita!" Pensou. Achou lindos os olhos de Sakura, lembrava os dela. Sentiu em instantes algo muito especial por aquela estranha.

- O prazer é todo meu senhorita Kinomoto.

- Chame-me apenas de Sakura está bem! Senhorita me faz parecer muito velha e eu ainda sou uma menina. –Sakura sorriu.

Dizendo isso arrancou risadas gostosas da menina.

- Está bem Sakura.

- Vou preparar um lanche para vocês. –Disse Wei saindo em direção à cozinha.

- Não precisa senhor Wei! Eu já estou de saída. –Disse Sakura abanando as mãos na sua frente.

- Não! Fique e me faça companhia. –Disse Yume segurando as mãos dela.

Sakura olhou para a menina e não teve como negar. Aqueles olhos lhe passavam tanta tristeza e uma vontade enorme de receber carinho. Deu seu melhor sorriso e afirmou com a cabeça.

- Já, já trago o lanche de vocês. – Disse Wei saindo.

Yume puxou Sakura para a mesa do Jardim, esta sentou ao seu lado. Não sabia por que mais a sensação que tinha, era que sua mãe estava ali com ela novamente. Afastou esses pensamentos. Aquela moça a sua frente não era a sua mãe, ela nunca mais voltaria. Deu um sorriso para Sakura e essa a retribuiu.

- Deveria sorrir assim sempre pequena Yume. –Sakura olhou para a o quintal.

Yume não soube o que responder, apenas abriu ainda mais o sorriso. Sakura sentia-se bem com a menina, parecia que se conheciam há anos, sentia um carinho muito grande crescendo dentro de si. As duas ficaram conversando, se conhecendo e logo Wei chegou com o lanche.

- Sakura você falou de tudo sobre você. Sua família, amigos... mas não falou onde você trabalha.

Sakura ficou sem ação. Não queria contar a menina por que não falou do trabalho. Então achou melhor contar somente uma parte.

- Sou professora de Ed. Física, no momento, não estou trabalhando. -Sakura tentou não apresentar tristeza na voz, mas falhou terrivelmente. - Perdi meu emprego.

- Mas por quê? Aposto que era uma ótima professora!

- Obrigada pequena... São coisas de adulto você não entenderia... –Sakura passou a mão no rosto dela.

- Você é igual ao meu pai. Sempre achando que eu sou muito nova para entender as coisas. –Yume cruzou os braços revoltada com que ouviu.

- Talvez seja porque ele tem razão!

- Já que você não está trabalhando, será que pode passar o dia comigo? Sinto-me tão sozinha nesta casa imensa.

- Você não tem amigos, pequena?

- Não... Mudamos-nos há dois dias, meu pai ainda vai me colocar em uma escola.

- Não sei... Seu pai pode não gostar de encontrar-me aqui. Sou uma estranha para ele pequena Yume.

- Não se preocupe o Wei te defenderá. –Disse Yume tentando passar segurança, Sakura sorriu. –Não é Wei? –Yume piscou para ele.

- Claro pequena Yume. –Wei retribuiu.

Yume não esperou Sakura responder, a puxou para dentro da casa.

- Vamos! Venha conhecer o meu quarto!

Yume levou Sakura até o seu quarto, que era lindo. Uma suíte digna de uma princesa. Decorado em diversos tons de rosa, tinha vários brinquedos e uma varanda com uma vista espetacular do céu. Yume mostrou todos os seus brinquedos favoritos, a maioria eram ursinhos de pelúcia, que encantavam Sakura. Sakura acompanhava a pequena em tudo, pareciam duas crianças. Sakura desceu com Yume para o jardim e ficaram brincando no balanço, tão entretidas que nem perceberam a chegada de alguém.

...#...

Syaoran resolveu sair mais cedo do escritório e ir matricular a filha na escola. Agora sabia que teria que ficar um bom tempo em Tomoeda, por causa de seus negócios que 'andavam' bem, mas tinha alguns assuntos a resolver. E também não queria voltar para Hong Kong. Sentia-se culpado pela morte da sua esposa, ainda não havia superado a perda. Matriculou a filha na escola primária de Tomoeda e depois foi para casa almoçar.

Quando chegou estacionou o carro na garagem, adentrou a casa e da sala podia-se ouvir as risadas que vinham do quintal. Uma ele reconhecia de quem era, era de sua filha, que há muito tempo deixou de sorrir daquela maneira tão alegre. A outra ele não soube identificar. Caminhou em direção as risadas e encontrou uma jovem com sua filha, as duas se balançavam e riam animadas.

- Mas o que está acontecendo aqui? Quem é você? O que faz com minha filha? –Disse um Syaoran quase perdendo o controle.

As duas pararam de se balançar e ficaram estáticas. Yume para quebrar o clima, saiu correndo em direção a ele com um belo sorriso.

- Papai! Você chegou mais cedo!

- Acabei mais cedo... Resolvi vir almoçar. – Syaoran deu um beijo nela.

- Papai essa é a senhorita Sakura. –Apontou para Sakura.

Sakura que até então continuava sentada no balanço, levantou-se e encarou os olhos daquele belo homem a sua frente. Prendeu a respiração por segundos, ficou muda com o 'choque' que levou daqueles olhos. Tão bonitos e ao mesmo tempo frios e penetrantes. Recuperou-se e disse sorrindo.

- Sou Kinomoto Sakura. Muito prazer! –Esticou a mão.

Syaoran nem se importou com a apresentação dela e logo pronunciou da forma mais fria possível.

- O que faz em minha casa senhorita? Não gosto de estranhos aqui! –Sakura arregalou os olhos com a total falta de educação e frieza daquele homem.

- Desculpe-me... Com licença já estou indo. –Sakura envergonhada, abaixou a mão e se retirou. Queria sumir daquele lugar.

Yume saiu correndo em sua direção e pegou sua mão.

- Espera Sakura! Não vá, eu quero que fique!

- Desculpe-me pequena Yume, mas seu pai tem razão. Não posso ficar sem a autorização dele, jamais poderia ter entrado aqui. –Disse ajoelhada na frente da menina.

- Vou te ver de novo? – Disse com a voz estremecida, estava com vontade de chorar.

- Não sei, quem sabe? Agora já vou indo.

- Eu te levo no portão!

- Não, não precisa! Sei o caminho pequena Yume.

Deu um beijo na testa da menina e foi embora. Yume via Sakura partir com lágrimas nos olhos. Syaoran se aproximou e tocou o ombro dela fazendo ela se virar para ele.

- Quantas vezes vou ter que dizer que não quero você falando com estranhos? – Cruzou os braços.

- Sakura não é estranha papai! É minha amiga! –Disse gritando.

Após dizer isso saiu correndo chorando em direção ao quarto. Syaoran ia segui-la, para dizer umas poucas e boas para ela, mas foi impedido por Wei.

- O que deu nela Wei? Ela nunca falou assim comigo... - Syaoran estranhou o comportamento da filha. Estava confuso.

- Deixe-a jovem Syaoran! Ela só sente falta de uma presença feminina, alguém que a faça companhia. Desde que chegamos de Hong Kong ela está tão sozinha... Sakura preencheu esse vazio.

- Mas ela tinha tantas amigas lá em Hong Kong, nunca a vi tão empolgada com alguém... Não entendi esse comportamento dela.

- A pequena Yume não sente falta de amigas e sim de uma mãe.

- ... –Syaoran ficou mudo.

- A senhorita Kinomoto representa, na cabeça de Yume, essa mãe... E foi a única que conseguiu fazê-la sorrir depois de tanto tempo.

- Nisso eu tenho que concordar... Como ela chegou até aqui? –Levantou as sobrancelhas de um modo pensativo.

- Esbarrei com ela na entrada da casa... Ela me ajudou com as compras. –Saiu, deixando-o sozinho com seus pensamentos.

- Então isso tudo é obra sua senhor Wei! –Disse sussurrando.

...S&S...

Sakura chegou à casa revoltada. "Como aquele homem pode ser tão mal educado?! Não estava fazendo nada de mais, apenas brincando com a menina... grosso, ignorante... Urg!" Pensou, tirando a roupa para tomar um banho.

- Não sei como pode ter uma filha tão maravilhosa, com esse gênio tão arrogante! – Disse em voz alta no banheiro.

Tomou um banho e colocou a camisola para dormir. Na cama, seus pensamentos se voltaram para Yume. Havia se apegado tão fácil à menina que agora não conseguia parar de pensar nela. Lembrou-se da cara do pai da menina e fechou o sorriso que estampava em seu rosto. "- Arrogante!" Pensou. "-Mais muito bonito!" Apesar de não ter indo com a cara dele, não pode deixar de notar como ele era. Seus cabelos rebeldes, pele morena, corpo perfeito e uns olhos cor de âmbar lindos e tão... penetrantes.

- Mas o que eu estou pensando!

Afastou esses pensamentos, virou para o lado e tentou dormir. No dia seguinte teria que procurar emprego novamente.

Passaram-se dois dias desde que Sakura foi à mansão Li. Desde este dia nunca mais viu a menina, nunca mais havia passado perto da mansão. Estava andando novamente tentando arranjar um emprego, mas estava difícil. Havia feito uns bicos para pelo menos poder pagar as contas e se alimentar, mas não poderia viver assim por muito tempo. Se não arrumasse logo um emprego teria que voltar para casa e escutar as palavras de Touya novamente.

...Flach back...

-Você não vai saber se cuidar sozinha Sakura! –Touya estava indignado com a vontade da irmã de morar sozinha.

- Touya deixe sua irmã decidi o que é melhor para ela. –Interferiu Fujitaka.

- Mas ela é uma 'mostrenga' papai! 'Mostrengas' não sabem se cuidar sozinhas! –Disse provocante.

-Touya eu não sou mostrenga! Já não sou mais uma menina, tenho 23 anos! –Sakura gritava com o irmão.

- Pode até ter 23 anos, mas continua uma mostrenga mimada! –Irritou a irmã.

- Não vou discutir com você Touya... Papai o apartamento fica a duas ruas daqui. Pode me visitar sempre! –Disse sorrindo.

- Claro! Pode deixar minha filha! –Fuijitaka abraçou a filha.

- Não acredito Papai!

- Já está resolvido Touya! Não interfira. –Disse sério.

- O senhor é quem sabe... –E saiu.

- Não ligue para o Touya minha filha. Você sabe como ele é! –Sorriu.

- Sei sim papai... Sei sim... –Sakura não se conformava com a super-proteção do irmão e a falta de confiança que ele depositava sobre ela.

- Mas sabe que qualquer coisa pode voltar né? Esta casa também é sua.

- Claro papai! Mas vou saber me cuidar.

...Fim do flach back...

Syaoran não conseguia falar com Yume desde o dia que aquela 'estranha' apareceu em sua casa. Parecia que ela estava evitando falar com ele. Tentou, mas não conseguia arrancar uma palavra da filha e isso já estava deixando-o irritado. Nem com a notícia de que ela iria estudar, ele conseguiu algo.

Yume acordou e foi tomar um banho para mais um dia de aula. Pegou seu uniforme dentro do armário e vestiu-se. Era uma saia com pregas branca e uma blusa baby look azul com o emblema da escola.

Desde que havia começado a estudar, sentia-se mais feliz. Havia feito amigos e pesquisado sobre Sakura, pois sabia que ela havia trabalhado lá. E com ajuda de alguns amigos descobriu onde ela morava. Não foi difícil, pois os alunos gostavam muito de Sakura, alguns sentiam muita falta da professora e falavam com orgulho dela.

Yume tomou uma decisão, ia atrás dela. Desceu as escadas e sentou-se a mesa para o café. Seu pai já estava lá. Ela sabia que ele ia puxar assunto, mas estava com raiva pelo que ele fez a Sakura."Sakura sinto tanto a sua falta!" Pensou tomando o suco.

- Como acordou princesa, se sente bem? –Syaoran puxou assunto, já que ela não deu bom dia.

- ...

- Hoje sou eu que te levarei a escola está bem?

- ...

- Pare de me ignorar Yume! Ou a senhorita estará de castigo para o resto de sua vida! –Disse irritado.

Yume ia falar, mas achou melhor ficar calada. Syaoran desistiu de falar com ela e se levantou da mesa.

- Vamos... Se não vai chegar atrasada na escola.

Yume levantou-se da mesa ainda em silêncio e pegou a mochila. Entrou no carro junto com o pai. O caminho percorrido até a escola, foi feito em total silêncio. Se ela não queria falar com ele, ele não ia mais 'puxar' nenhum tipo de assunto. Syaoran parou em frente à escola.

- Bons estudos filha. –Disse sem olhá-la.

- Eu te amo papai! – Yume Virando-se para ele.

- Eu também te amo filha. –Syaoran estranhou a revelação da filha, mas não perguntou nada.

- Mais mesmo te amando, não achei certa sua atitude com Sakura. Ela não tinha feito nada além de me fazer companhia!

- Sei que agi errado, mas não gostei de ver você com ela. Saber que você gostava mais dela do que de mim... Ela até conseguiu fazer você sorrir. –Ao dizer isso, Yume sorriu novamente. – Viu? É só você escutar o nome dela que você muda!

- Eu te amo papai... O que eu sinto não vai mudar. –Deu um beijo em seu pai.

Dizendo isso desceu do carro. Syaoran ficou vendo sua filha entrar na escola. Ligou o carro e deu partida em direção a empresa.

Continua...

N.A.: Mais um capítulo repostado. E como eu disse tentarei ser rápida nas atualizações.

Acho que da forma como estou postando os capítulos, agora, está bem melhor. O que vocês acham? Podem deixar reviews OK!

Beijos e até o próximo.

Naty Li