Capítulo 2 - Noite número um
Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
(Só Hoje – Jota Quest)
Booth sabia que Brennan estava tentando esconder algo dele, então, agora à sua porta, não era surpreendente observá-la tão frágil.
[Flashback]
-Ela não quer falar, diz que 'está tudo bem' – Angela comentou urgentemente com Booth, tentando acompanhar seus passos enquanto ele seguia em direção ao limbo. – Está lá há horas, não comeu nada. Eu estou preocupada - Booth assentia, sem sequer lançar um segundo olhar para a artista.
- x -
Booth se aproximou sem hesitação. – Bones?
A mulher ergueu a vista, franzindo o cenho. – Angela não disse que eu estava ocupada?
-Angela me disse que você está aqui, enfurnada, há mais horas que o aconselhável.
Brennan virou os olhos. – Booth, eu estou bem. Só preciso identificar a causa da morte desse-
-Não, você precisa comer e dormir - Brennan o ignorou, voltando-se para a mesa a sua frente. – Bones...
-Você não é meu pai, Booth. E nem mesmo meu pai tem autoridade sobre mim. Então, se você me der licença.
-Bones, você parece uma morta viva, eu não acho que tenha dormido o suficiente.
-Pare de se preocupar comigo, Booth! Eu estou bem! – rezingou, irritada.
–Angela disse que não comeu nada até agora.
-Está bem – Brennan exclamou retirando as luvas e descartando-as no lixo. – Você se sentirá melhor e me deixará em paz se eu comer algo? Ótimo, vamos comer.
[Fim do flashback]
-Bones? – sussurrou delicadamente, preocupado com o olhar ausente dela. Dando um passo para dentro do apartamento imediatamente para abraçá-la, a mulher o impediu.
Silenciosamente, Brennan o levou consigo, puxando-o pela mão até o quarto. Ela não conseguiria pedir, Booth também não lhe indagou ou resistiu ao seu toque, a seguiu, como sempre o fazia, obviamente.
Estava tão cansada e não podia esquecer a sensação de conforto que o abraço de Booth lhe dava. Talvez, apenas talvez, se por algumas horas o tivesse ao seu lado, conseguiria dormir com tranquilidade. Era irracional pensar que uma pessoa pudesse levar para longe os pesadelos de outra, mas ela desejava intimamente que Booth apagasse os dela.
Brennan só libertou sua mão para retirar o robe e então, mecanicamente, se voltou para ele. Ela retirou seu terno e sua gravata com precisão e, empurrando-o ligeiramente para se mover, o pôs sentado na cama. Ela retirou seus sapatos e observou as meias coloridas dele por um momento com o que pareceu a Booth um pequeno sorriso. Ela subiu na cama e, tomando outra vez sua mão, o puxou para deitar.
Brennan se voltou para ele e descansou a cabeça em seu peito, sua mão não deixou mais a dele. Como se tivesse medo que Booth fosse sair dali.
Ele não ia.
Ficaram em silêncio por um longo tempo. Booth sabia instintivamente que Brennan falaria quando estivesse pronta.
-Eu não tenho dormido – retrucou simplesmente, sem fitá-lo.
-Eu sinto muito, Bones... Há qualquer outra coisa que eu possa fazer por você?
Ela riu sem emoção. Outra coisa. Como ele podia entendê-la dessa forma? – Não, Booth... Obrigada.
O moreno a apertou ligeiramente. – É o que os parceiros fazem, Bones. Lutam contra sonhos maus.
Brennan escondeu o rosto no peito dele, gemendo uma reclamação do quanto tudo aquilo não fazia sentido, e ria ligeiramente. Ela tinha certeza que parceiros não seguravam o outro no meio da noite por conta de estúpidos sonhos ruins, mas enquanto estivesse no abraço de Booth, não iria replicar.
N.a: Obrigada meninas outra vez, pelos comentários! *-*
