N/A: Aqui estou eu com mais um capítulo! Espero que gostem!


Capítulo II: Um novo mundo

Tudo ao seu redor girava como num redemoinho, a sensação era mais ou menos a mesma de aparatar.

Quando seus pés finalmente tocaram o chão, eles se viram num lugar totalmente diferente. Estavam parados no meio de uma rua apinhada de gente e também cheia de animais, que circulavam em meio às pessoas. Era uma rua estreita, barulhenta, suja e com um mau cheiro insuportável. Era ladeada dos dois lados por edifícios altos e muito juntos, todos com galerias no andar térreo onde as pessoas deixavam mercadorias à mostra: havia quiosques de vendas, toldos e tabuletas dos que anunciavam seus serviços.

As pessoas caminhavam apressadas ao seu redor, acotovelando-os ao passar. Vendedores anunciavam seus preços a brados e compradores barganhavam com eles. Mais ao longe, podia-se visualizar uma imponente igreja e uma praça defronte ela, onde alguns cavalos estavam amarrados a um palanque à espera de seus donos.

Definitivamente, eles não estavam mais em Hogwarts.

Draco e Gina entreolharam-se confusos. Estavam a ponto de começar uma nova discussão sobre quem era o culpado por tudo aquilo acontecer quando uma carruagem parou ao seu lado.

A porta da carruagem abriu-se, revelando uma senhora de cabelos negros presos em um coque, um tanto gordinha e de roupas simples, de um tom desbotado de marrom. A senhora olhou para Draco e Gina com cara de espanto.

– Julieta Capuleto, o que está fazendo parada no meio da rua e ainda por cima com um Montéquio? – ela disse, lançando um olhar de censura à Gina.

Gina não estava entendo nada. Onde eles estavam? Quem era aquela senhora? E o que era Montéquio? Parado ao seu lado, Draco parecia tão confuso quanto ela. Gina ia abrir a boca para explicar à senhora que não fazia ideia do que ela estava falando, quando a senhora puxou-a com violência para dentro da carruagem.

– Venha logo, Julieta, não podemos nos atrasar – ela falou, fazendo Gina sentar-se ao seu lado e batendo a porta da carruagem com força.

Quando se deu conta, Gina estava sentada dentro da carruagem, que se movimentava rápido pelas ruas, fazendo seu estômago embrulhar-se a cada solavanco.

– Julieta, você ficou louca, menina? Desde quando sai por aí com um Montéquio? Os Montéquio são nossos inimigos – a senhora disse, encarando-a com um olhar sério.

– Deve ter havido algum engano – Gina falou. – Eu não sou Julieta, eu me chamo Gina. Estava em Hogwarts cumprindo detenção com o Malfoy, aquela doninha albina que estava ao meu lado, quando deixei um livro cair no chão e então viemos parar aqui – ela explicou.

A senhora olhou para Gina como se ela fosse louca.

– Julieta, meu amor, você está bem? – ela disse em tom carinhoso, pondo a mão na testa de Gina. – Não está dizendo coisa com coisa, coitadinha – ela disse mais para si mesma do que para Gina. – Deve ser por causa do nervosismo para o baile.

– Baile? – Gina perguntou curiosa, deixando as preocupações de lado por um momento.

– Sim, Julieta, baile – ela disse indiferente ao tom de surpresa na voz de Gina. – Aliás, acabo de pegar o seu vestido na costureira – ela continuou animada. – Você estará deslumbrante para conhecer seu futuro noivo.

– Noivo? –Gina perguntou, dessa vez assustada.

– O Conde Páris, primo do Príncipe de Verona! – a senhora exclamou. – Não há melhor partido nesta cidade.

– Mas eu sou muito nova para ficar noiva! – Gina rebelou-se. – Só tenho 14 anos!

– Muitas moças de 14 anos já são senhoras e mães, Julieta – a senhora disse.

Gina olhava para ela estarrecida. Aquilo não podia estar acontecendo. Além de estar perdida naquele mundo, ela ainda ia ser obrigada a se casar?

– Veja bem, eu não me chamo Julieta e não vivo nesta cidade; na verdade, eu nem sei direito como vim parar aqui. Eu sou Gina, vim de Hogwarts, estava cumprindo detenção com o Malfoy e ainda por cima tenho prova de Poções amanhã – ela disse, na esperança de que a senhora lhe compreendesse. Mas ela nem lhe deu ouvidos.

– Verona inteira estará neste baile, Julieta, será uma festa memorável – dizia ela, sonhadora. – Verona interia, é claro, sem contar com os Montéquio. Eles obviamente não foram convidados...

Gina fez de tudo para tentar acordar daquele pesadelo. Piscou os olhos com o máximo de força que conseguiu, beliscou-se, implorou com cada célula do seu corpo para voltar para a escola, mas nada fazia efeito; ela continuava ali, parada ao lado daquela senhora que parecia incapaz de parar de falar.

"Se eu ao menos tivesse uma varinha" – Gina pensou com raiva de Filch, que tomara a sua varinha – "talvez pudesse arranjar um jeito de voltar para Hogwarts".

Ela nunca pensou que algum dia fosse desejar isso, mas, naquele momento, queria estar com Draco. Pelo menos, ele estava na mesma situação que ela e, além do mais, era a única pessoa que ela conhecia naquele mundo.

Draco permaneceu parado no meio da rua observando a carruagem afastar-se gradualmente de si, deixando um rastro de poeira para trás. Ele não sabia onde estava, muito menos como tinha ido parar ali. Não sabia o que fazer ou para onde ir. Só sabia que tinha de encontrar um jeito de voltar para Hogwarts, com ou sem a Weasley.

As opções eram poucas e, definitivamente, nem um pouco animadoras. Ele podia seguir o rastro da carruagem, encontrar Gina e, talvez, eles conseguissem encontrar uma maneira de voltar para Hogwarts. Ou ele podia simplesmente deixá-la lá e tentar descobrir sozinho como voltar para o mundo real.

A segunda opção certamente lhe parecia mais atraente, porém a lembrança de que Gina tinha seis irmãos mais velhos que o enterrariam vivo ao descobrir que ele a deixara sozinha naquele mundo fez Draco repensar sua escolha. Além disso, o que ele diria aos professores quando notassem o sumiço de Gina?

Após algum tempo estudando suas alternativas, Draco decidiu procurar por ela. Deu meia-volta e já ia começar a seguir o rastro da carruagem quando viu um rapaz, que aparentava ter mais ou menos a mesma idade que ele, vir ao seu encontro. Era um rapaz alto, de ombros largos, pele clara, olhos esverdeados e cabelo preto encaracolado, que sorria em sua direção como se fossem velhos amigos. "Talvez ele possa me ajudar a encontrar aquela maldita Weasley e voltar para Hogwarts" – Draco pensou esperançoso.

– Romeu, meu primo, que faz aqui no mercado de Verona? – o jovem perguntou assim que parou ao lado de Draco.

Draco encarou-o sem entender. Aquele rapaz devia estar confundindo-o com alguém. Afinal, ele não se chamava Romeu e com certeza não era seu primo.

– E que roupas são essas, Romeu? – o rapaz perguntou, olhando com estranheza para as vestes de Hogwarts que Draco usava.

E foi então que Draco reparou nas roupas do rapaz. Ele usava uma túnica curta, com as mangas e os ombros acolchoados. Por baixo da túnica, vestia uma espécie de meia-calça e, nos pés, usava sapatos de couro pontiagudos. Draco não conseguia pensar em outra palavra para descrevê-lo senão a palavra "ridículo".

O rapaz pareceu cansado de esperar por uma resposta, posto que continuou a falar, ignorando a expressão de Draco, que mesclava confusão e uma súbita vontade de rir dos trajes daquele rapaz que dizia-se seu primo.

– Pensei que estivesse em casa se arrumando para o baile – ele disse. – É melhor não se atrasar ou vai perder a oportunidade de encontrar Rosalina.

"Baile? Rosalina? Pelas barbas de Merlin, do que esse louco está falando?" – Draco pensou, porém preferiu não interrompê-lo.

– Não precisa me olhar com essa cara – o rapaz continuou. – Sei que você não gosta que falemos dela, mas não é ela o motivo pelo qual invadiremos o baile dos Capuleto?

Draco não sabia o que pensar, muito menos o que dizer. A cada palavra dita pelo seu suposto primo ele ficava mais confuso.

– Ora, Romeu, você não pode desistir do plano agora – o rapaz falou, sério. – Essa será a sua grande chance. Além do mais, veja o que consegui – ele disse, erguendo três máscaras na altura de seus olhos. – Acabei de comprar essas máscaras para irmos ao baile. Seremos irreconhecíveis – ele completou, com um sorriso satisfeito.

Pelo visto, aquele rapaz pensava que eram primos. Além disso, planejava invadir um baile, o baile dos Capuleto. "Não era esse o nome que aquela senhora usou para chamar a Weasley?" – Draco pensou. Ele lembrava-se muito bem de que a senhora chamara Gina de Julieta Capuleto. Se o baile era dos Capuleto, Gina deveria estar lá. Para confirmar suas suspeitas, Draco dirigiu-se ao seu suposto primo:

– Julieta Capuleto estará nesse baile? – ele perguntou.

– É claro que estará, Romeu! Ela é a herdeira dos Capuleto! – o outro respondeu, como se aquilo fosse tão óbvio quanto dois mais dois são quatro.

– Ótimo – Draco falou. – Então o que estamos esperando? Vamos logo para esse baile.

O rapaz sorriu, satisfeito com a expressão determinada no rosto de Draco. E então eles seguiram pelas ruas empoeiradas de Verona, rumo à mansão dos Montéquio.


N/A: Espero que tenham gostado do capítulo. O capítulo 3 também já está quase pronto e devo postá-lo em mais ou menos 1 semana. Muitas coisas ainda vão acontecer e muitas surpresas estão por vir! Portanto, não deixem de acompanhar a história!

N/A (2): Para comentários, sugestões, elogios e/ou reclamações, já sabem: deixem reviews!

Bjocas, Avenna