Capítulo 01 –

Os olhos de Percy.

Era simplesmente um dia qualquer outro, sendo mais específico, era 02 de setembro de 2006.

O sol raiava do lado de fora nas ruas de Nova York, os passarinhos cantavam, o trânsito continuava normal como sempre fora, porém não era um dia qualquer para Annabeth Chase e os seus amigos de escola.

Annabeth era uma garota no auge de seus 16 anos, estava matriculada para o segundo colegial em uma escola de Elite na cidade de Nova York, Yancy. No entanto, ela não estava pensando nas aulas que estavam por vir ou nem mesmo no final das férias de verão, ela estava preocupada com o estado de saúde de sua companheira, melhor amiga – sua mãe, Atena Chase.

Há poucos meses, Annabeth tinha abandonado toda a sua vida em Los Angeles. Trocara a vida de praia, de vôlei com as amigas nos finais de semana por Nova York, para ficar ao lado de sua mãe e participar tacitamente de sua vida. No entanto, o drama a englobou catastroficamente. Annabeth fora sugada para uma realidade completamente diferente do que estava acostumada.

Apaixonara-se de verdade em Nova York. E mais do que isso, sofrera. Aliás, ainda sofria por Percy Jackson, o rapaz de sua mesma sala, cujo coração batia mais forte toda vez, só de pensar em seus olhos, seu cheiro, seu suspiro. Era doloroso demais. Evitava trazer esses pensamentos de volta. O que ela mais queria agora era odiar Percy. Odiar com todas as suas forças. E se pudesse, pegar a força dos outros emprestada para odiá-lo um pouco mais.

E ainda, em sua nova realidade, ela fizera uma nova amiga, uma intercambista Hermione Jane Granger. De melhor amiga, as duas praticamente viraram irmãs. Andavam sempre juntas, abraçadas, rindo. Só que ultimamente estavam meio afastadas por conta de algumas brigas que vinham tendo. Coisa que Annabeth superaria mais tarde.

E, para piorar todo esse drama, a sua madrasta tinha falecido durante uma cirurgia em Los Angeles. Ela também estava grávida, assim como Atena, e do mesmo marido: Frederick Chase. A diferença é que Giullia, atual esposa dele, estava grávida de apenas seis meses e o bebê sobrevivera. O que era difícil de prever no caso de Atena, que estava na UTI, em péssimas condições.

Annabeth queria o mais simples de tudo: ter a sua vida de volta. Acordar em sua casa, queria tudo isso fosse um pesadelo, mas não era, não era mesmo. E estava enfrentando isso sozinha. Por vezes, ela tinha que se o suporte, o apoio na vida de seu pai, que estava sofrendo dos dois lados.

Falando em Frederick Chase, este vinha caminhando em sua direção, todo desarrumado, com uma jaqueta velha por cima de uma roupa mal-lavada. Ficou de frente a sua filha na sala de espera daquele hospital infernal.

- Eu estou voltando para Los Angeles, filha – disse ele baixinho. Annabeth ficou em pé, era tão alta que os dois quase tinham o mesmo tamanho. Os cabelos loiros de Annabeth vinham do pai – Você promete que ficará bem?

- É a pergunta que eu deveria fazer a você, papai – disse ela meigamente olhando no fundo de seus olhos claros – Você está precisando da minha ajuda, não acho que seja recomendável voltar a Los Angeles com tantas coisas acontecendo.

- A morte de Giullia me pegou de surpresa – disse, triste – Eu não fazia ideia de que ela estava passando por essa cirurgia. Ela... Ela escondeu isso de mim o tempo todo – ele limpou a lágrima que estava prestes a cair – Eu preciso buscar o meu filho. Ele não está muito bem.

Annabeth, tentando ser solidária, abraçou o seu pai com muita força. Querendo transmitir o máximo de segurança possível, porém era o mínimo que sentia, ou ainda passar qualquer outro sentimento que pudesse fazer com que ele se acalmasse.

- Cedo ou tarde essa nuvem negra que está sobre a nossa família irá passar – murmurou Annabeth em seu ouvido desejando que após tudo ficasse mais calmo e tranqüilo, porém Frederick estava muito frágil para aceitar tudo numa boa, os seus olhos marejaram ainda mais em lágrimas. Estava assim desde o velório de Giullia – Nós ficaremos bem, papai. Nós seremos uma família outra vez, isso é o mais importante!

Frederick beijou-a na altura da cabeça.

- Fique bem, meu anjo.

- Eu ficarei, papai! – disse ela baixinho encarando os olhos dele, transmitindo força, coragem de alguma forma. Ela deu um sorriso encorajador, e eles soltaram-se do abraço de pai e filha.

Frederick se afastou, cabisbaixo. Annabeth deixou-se cair no sofá da sala de espera. Pegou uma caneta e um papel para escrever, resolveu desabafar em uma espécie de diário.

- Querido diário – começou ela lendo em voz alta tudo o que escrevia – O meu nome é Annabeth Chase...

E continuou a escrever.

- 02 de setembro de 2006 –

O barulho de ambulância nem incomodava mais quem estava no hospital. As duas portas do mesmo tamanho foram abertas com um empurrão, uma maca trazia um paciente sangrando. Os médicos estavam em volta gritando e ressaltando atitudes a serem tomadas em relação ao paciente que estava correndo risco de vida. Eram vários médicos com os seus equipamentos, respiratórios, de pressão, medindo pulso, entre outros. E logo atrás, vinha outra maca acompanhada por outro grupo de médicos, fazendo o mesmo percurso do paciente anterior. Ambos estavam gravemente feridos, vermelhos, sangrando, cobertos por toalhas até na altura do peito. As pessoas olhavam curiosas perguntando se eles não estavam mortos.

- Acidente de carro! – gritou uma das médicas enquanto ajudava o garoto de cabelos lisos a respirar, uma vez que estava com sérias dificuldades provavelmente por conta do ocorrido – Sala de cirurgia agora mesmo!

- O segundo paciente está muito mal também, irá precisar de avaliação médica urgente – eles andavam sem parar com as macas deslizando pelos corredores amontoados. As pessoas abriram espaços para as camas de rodinhas – Iremos tirar radiografia para ver se não aconteceu nada mais grave com eles.

Uma terceira pessoa abria as portas bambas do hospital, trazendo alguns objetos materiais localizados no local do acidente.

- Eles estavam alcoolizados – disse o rapaz segurando além de uma garrafa de vodka, alguns documentos – Acredito que ambos!

- Ainda bem que eles sobreviveram, meu Deus – disse uma quarta pessoa ao seu lado – Foi uma tragédia. Eles caíram de um barranco, achei que estivessem mortos!

O rapaz olhou para o outro, preocupado, como se ainda não estivessem completamente seguros.

- Vamos ligar e avisar as famílias.

O cirurgião perguntou.

- Eles tem nomes?

Lendo os documentos, o primeiro médico respondeu.

- Percy Jackson e Grover Underwood – ele leu normalmente em uma prancheta – Ao menos é o que dizem os seus respectivos documentos!

- 02 de setembro de 2006 -

Por sorte, a garota Annabeth não estava no mesmo corredor do hospital de que seus amigos Percy e Grover, que ainda por serem enormes, podiam ter cruzado com ela em algum momento. Ela teria se sentido definitivamente pior se visse a pessoa que mais amava no mundo naquele estado, sangrando, machucado. Foi melhor que tivesse passado grande parte da tarde trancada na capela, com as mãos unidas, as lágrimas escorrendo, rezando para que tudo desse certo e sua mãe saísse daquela situação sem seqüelas.

A aparência de Annabeth era algo deplorável; os seus olhos estavam inchados de insônia, roxos na parte debaixo, também de tanto chorar. Ao mesmo tempo que queria dormir, tentava se manter acordada. Os seus cabelos estavam embaraçados, a sua expressão era de cansaço físico e mental. Estava ali fazia mais de 36 horas e o tempo parecia cada vez mais lento. Estava curvada, com as mãos juntas em volta de um terço, murmurando palavras de salvação, a espera de um milagre.

Sentada, distraída com as próprias orações, ela nem notou a presença de uma garota familiar atrás. Hermione ainda mantinha o penteado do casamento do dia anterior, estavam apenas alguns cachos soltos. Tinha acabado de subir no altar com o seu melhor amigo Ronald Weasley. Apenas para ganhar o visto americano e permanecer permanentemente no país, uma vez que era britânica. Era somente um pacto de amigos – que, na verdade, tinha toda uma história enrolada de amor por trás disso. Mas era tão difícil tocar nesse assunto, a história dos dois era tão complicada que talvez fosse nem melhor tocar no assunto.

- Oi Annabeth – disse Hermione bem baixinho ao se aproximar, ela quase que tomou um susto ao vê-la ali, porém os seus olhos estavam tão vagos e perdidos, que ela limitou-se a olhar para a amiga.

- Oi Hermione – disse a voz vencida pelo cansaço.

Hermione sentou-se ao seu lado sabendo que pelo menos a amizade entre as duas estava a salvo. As duas tinham brigado na semana anterior, Hermione escondera uma informação muito importante na vida de Annabeth, ocultara a traição de Percy com Thalia. Annabeth ficara arrasada ao descobrir que era a única que não sabia da traição, brigou até mesmo com Hermione e a expulsou da própria casa.

Aproveitando o espaço, a liberdade que tinha readquirido, Hermione passou o braço em volta dos ombros de Annabeth, puxou-a para o seu lado, abraçando. Ela deixou a cabeça cansada cair no ombro de sua melhor amiga, as lágrimas ainda escorriam.

- O que está acontecendo exatamente? – perguntou Hermione mordendo o lábio, na dúvida se deveria tê-la feito.

- A minha mãe perdeu o bebê, ela está passando por uma cirurgia nesse momento – Annabeth enxugou as lágrimas com os nós dos dedos – Ela terá o útero retirado – ela ficou em silêncio por meros segundos – A minha madrasta veio a falecer, tudo isso no mesmo dia!

- Eu te amo, Anna – disse ela baixinho como se ajudasse – Não sei se falei isso para você algum dia, mas eu te amo.

- Eu também te amo, Hermione – resmungou Annabeth no mesmo tom – Desculpa ter brigado com você, ter falado todas aquelas coisas e não ter aparecido no seu casamento – Annabeth apertou a mão esquerda de sua melhor amiga, viu a aliança dourada reluzindo em seu dedo – Espero que tenha dado tudo certo.

- Foi tudo ótimo, deu tudo certo – disse Hermione um pouco mais animada – Harry estava lá. Ele era o padrinho!

Annabeth ficou em silêncio por alguns segundos que pareceram eternidade. Hermione respeitou os seus pensamentos entrarem em ritmo de trabalho. Achou que ela fosse perguntar alguma coisa de seu ex-namorado, levando em consideração que Harry e Annabeth tiveram um pequeno caso no verão passado, rápido, de poucas semanas, mas tiveram. No entanto, Annabeth disse outra coisa, completamente fora do assunto.

- Eu não vou me matricular na escola esse ano, não vou me matricular em Yancy esse ano – ela disse baixinho – Eu quero cuidar da minha mãe, ela precisa de mim!

Hermione a olhou de lado, sem entender.

- Annabeth, você não pode deixar a escola. Eu sei que a saúde da sua mãe é importante, vem em primeiro lugar, mas você terá que conciliar as duas coisas ao mesmo tempo – Hermione tomou fôlego – É difícil? Sabemos que é, eu estarei lá para te ajudar se for preciso.

- Você está casada, tem a sua família agora – murmurou Annabeth baixinho, levemente chateada – Eu preciso da minha mãe, preciso disso, são grandes responsabilidades nas minhas costas agora.

Hermione a abraçou de lado com mais força, numa espécie de sacudida. Ela olhou para o perfil de sua amiga.

- Escuta, eu sei que é difícil, mas eu estou do seu lado agora, quero que você durma bem, pense bem e não desista dos seus sonhos, ok? Você precisa se formar, Deus, isso é tão importante o quanto! – Hermione a encorajava – Logo, logo, a sua mãe estará bem, estará saudável e você não pode simplesmente jogar o ano inteiro fora!

- É difícil, Hermione. É difícil encarar certas coisas, voltar para a escola, certas realidades.

Hermione sabia que ela estava pensando em Percy Jackson e o término de seu namoro, embora não falasse explicitamente, ela estava sofrendo muito com tudo isso.

- Escuta, você é mais forte do que isso. Ou pelo menos costumava ser! – Hermione a encorajava com as palavras. Annabeth apenas escutou-as, sem dizer mais nada, sem dar opinião, mantendo-se decidida quanto ao assunto de não voltar à escola – Qualquer coisa, estarei lá por você. Vamos superar isso juntas como sempre fizemos!

E abraçou com mais força, beijando a sua testa.

- E você e a polícia do governo? Estão amigas?

Hermione deu uma risadinha abafada.

- Quase, quase, agora sou a Sra. Weasley, eles não podem me deter tão facilmente!

Annabeth aconchegou-se em seus braços, um pouco mais animada por saber que alguma coisa estava dando certo no mundo lá fora. Alguma coisa, pelo menos. E a amizade das duas estava a salvo!

Música: Carolyne Neuman – All The Way

Youtube: /watch?v=_jjU0dChD-E

- 03 de setembro de 2006 -

Thalia estava deitada, como quem dormia profundamente, Rachel segurava o braço de Hermione ao entrar no quarto, as duas esperavam uma cena mais catastrófica, uma espécie de mutilação ou qualquer outra coisa pior, porém a situação era bem menos grave do que imaginavam, exceto por Thalia estava tão branca como um fantasma, branca e algumas veias verdes e roxas pelo rosto.

- É bom que Thalia receba uma pouco de companhia – disse sua mãe passando a mão nos cabelos da filha – Ela inalou toda a droga que havia comprado, não sei como fez para adquirir – ela olhou com um certo medo para filha, medo de mãe. Aquele medo de perder a filha para morte – Eu a criei tão bem, tão perfeitamente, não sei porque aconteceu isso, não sei se foi influencia das amizades ou sei lá o que.

Rachel e Hermione trocaram um olhar como quem soubessem todas as circunstâncias, era claro que não era culpa da Sra. Grace. A personalidade de Thalia que sempre demonstrava um certo costume para o mundo das brigas, drogas e encrencas do tipo. Também não ousaram falar nada, a Sra. Grace não merecia ouvir nenhuma verdade enquanto a filha estivesse naquele estado tão delicado. E aos poucos, as duas repararam que Thalia foi recuperando as forças, mexendo-se na cama lentamente.

- Ela está melhorando – observou Rachel transformando os seus pensamentos em voz, bem baixinho.

- Já posso sair da cama e dançar Spice Girls? – perguntou Thalia brincalhona para as amigas. As duas sorriram e se aproximaram. Embora Hermione não fosse muito próxima de Thalia, estava sendo bastante amiga de Rachel nos últimos meses, e as duas tinham combinado de visitar Thalia no hospital, dar uma força.

- Ainda não – disse Rachel se aproximando – Mas já pode voltar a ser uma cheerleader, com certeza! – Rachel apertou a sua mão em cima das cobertas – E venceremos qualquer outro tipo fracassado de Forks. Quem aquela Bella Swan acha que é para vencer a gente? Tão fraquinha que tenho dó!

Thalia deu um sorrisinho, a cabeça afundada no travesseiro, ela olhou de relance para Hermione.

- Annabeth está furiosa comigo, não está? – perguntou meio chateada.

Hermione abriu a boca para responder, embora não fosse dizer a verdade, fechou a boca várias vezes, engolindo o ar, porém foi poupada de inventar qualquer mentira com a batida na porta, em seguida, sendo aberta por ninguém menos que Rony, que trazia flores nas mãos.

- Tem alguém pelada por aí? – perguntou ele enfiando os olhos mais do que depressa para dentro do quarto, esperançoso.

- Claro! Estou com os seios de fora! – respondeu Hermione serenamente, sendo irônica – Estamos nos trocando para o desfile da Vogue!

Ele fez uma cara de sem graça para ela, mexeu a cabeça e entrou trazendo um pote com uma margarida. Logo que ele entrou no quarto, Hermione se arrependeu de ter incumbido a ele a diligência de escolher uma flor para dar a um paciente de hospital.

- Margarida? Sério?

- Essa veio do Brasil – disse como quem justificava e entendia tudo de flores, provavelmente fora esse argumento que o florista tinha usado para vender uma flor daquelas para o rapaz mais entendido do assunto, Rony.

Hermione pegou de suas mãos o mais depressa possível, colocou ao lado da penteadeira para Thalia, nesse momento ela viu as alianças douradas reluzindo em seus respectivos dedos.

- Quantos meses eu fiquei em coma? – ela perguntou sorrindo.

- Quase dois dias – disse a sua mãe séria passando a mão em seus cabelos – Foi muito grave tudo o que aconteceu, filha!

- Eu sequer fui convidada para esse casamento – disse ela indicando com o queixo para as mãos de Rony e Hermione. Eles trocaram um olhar gracioso, abraçaram-se de lados como se fossem um verdadeiro casal.

- É... Achamos melhor dar um passo em nossas vidas! – Rony beijou-a na altura da testa. Ela sorriu, meiga.

- Parabéns – disse Thalia – Parabéns mesmo, fico feliz em saber que as coisas estão indo bem. Podemos comemorar assim que eu sair do hospital.

Hermione assentiu, o sentimento de traição gritava bem alto em sua cabeça. Afinal de contas, o que estava fazendo ali, conversando com Thalia normalmente enquanto pensava que por aquele mesmo motivo Annabeth estava sofrendo, triste sem Percy Jackson? Thalia era a culpada, ela havia dormido com Percy, ela havia intrometido, estragado o casal. Não queria pensar nisso agora, ela estava ali mais para fazer companhia para Rachel, nem tanto para Thalia. Ela apenas continuou a assentir, enquanto sorria para Rony, de lado. Os dois pareciam mesmo um casal de verdade.

- 04 de setembro de 2006 –

O senhor Gabe estava em casa, a arma estava ao seu lado, caída na cama, sem nenhuma bala, porque ele havia disparado todas elas.

Todas contra a parede do quarto de Atena Chase.

Ele podia ter matado Frederick, poderia ter matado até mesmo Atena, mas não o fez. O seu amor por ela era maior do que qualquer outra coisa nesse mundo, mas não a ponto de matá-la. Tudo o que fez foi apontar a arma para a parede e disparar. Atena ficou assustada, deu alguns suspiros com a respiração falhando, com medo de ser atingida, e o mais bonito foi que Frederick em momento algum fraquejou. Ele segurou a ex-esposa nos braços com força, coragem, esperançoso de que ia salvá-la de todas as formas. Ainda que custasse a sua própria vida, porém os seus olhos denunciavam medo. Medo. Ele precisava salvar Atena.

Gabe estava deitado na cama, não estava arrependido de sua decisão, era um homem livre, consciente de seus atos, não precisaria fugir da polícia e nem de ninguém. A sua consciência estava limpa.

Só não podia negar que ainda amava Atena.

- 05 de setembro de 2006 –

- fim de música -

Frederick Chase observava atentamente as seis balas na parede do quarto de Atena, não soubera muito bem o que se passava na cabeça do Sr. Gabe, ficara bastante assustado ao ver a arma apontada em sua direção, mas por algum motivo maior, ela fora apontada para a parede. Seis tiros seguidos. Achou que um deles fosse ser guardado para acertá-lo ou talvez Atena, mas não perdeu as esperanças de salvá-la.

Por outro lado, naquele mesmo dia, a sua atual esposa Giullia estava em uma sala de cirurgia, tendo o bebê prematuramente. E, pior de tudo, foi não ter contado para ninguém.

Annabeth estava com os ombros apoiados no batente da porta, com os braços cruzados, ela encarava as costas de seu pai. Ele observava atentamente os buracos.

- Sério que até a sua filha precisa ser revistada pelo porteiro toda vez que ela precisa entrar nesse prédio? – perguntou com um tom irônico, Fred tomou um susto de leve – Não estou com nenhuma arma, eu juro!

- São medidas de segurança, filha, sinto muito – ele sacudiu os ombros e caiu na cama, meio brochado.

- Eu sou a filha! – murmurou indignada, desencostando-se da porta. Ela caminhou até ele, sentou ao seu lado, abraçou-o de lado dando forças – Não preciso ser revistada!

O seu pai ficou encarando o carpete do quarto, em silêncio. Annabeth respeitou o silêncio, era bem difícil enterrar a esposa, imaginou. Por mais que ela tivesse criado Annabeth dos 11 aos 15 anos, ela já sentia uma grande perda, imagina então Frederick, que a amava, casou-se com ela.

- É um momento difícil, mas vai passar – disse ela consolando-o.

- O meu filho está na incubadora, eu não posso abandoná-lo dessa forma – o seu olhar estava disperso – Eu preciso ir para Los Angeles, filha, desfazer das coisas de Giullia, desfazer de algumas coisas nossas!

Annabeth assentiu, dando apoio.

- Gostaria que pudesse ir com você, mas preciso ficar de olho na mamãe – disse ela ao seu lado.

- Será bom que alguém tome conta dela – Frederick a olhou – Peço a gentileza de me ligar, qualquer coisa que houver, qualquer probleminha que surgir. Eu virei correndo de Los Angeles.

Annabeth assentiu e o beijou na bochecha, a barba roçou de leve em seus lábios. Ela o olhou, carinhosa.

- Somos uma família e vamos superar isso juntos, papai!

Ele apertou a mão de sua filha, sentindo o coração apertar no peito de dor.

- 05 de setembro de 2006 –

Thalia estava sentada nos pés da cama de Grover, no mesmo hospital. O garoto acordou assustado ao vê-la em seus pés.

- Não, você não está no inferno – disse ela mordendo uma maçã – Não ainda – e sorriu.

Grover esfregou os olhos.

- Como eu sobrevivi?

Thalia sacudiu os ombros, como se não se importasse.

- Vaso ruim não quebra, é um ditado corriqueiro – resmungou entre as mordidas da maçã – Mas fico feliz que você esteja bem, sério, ter alguém para eu zoar – ela o olhou – Falando nisso, poderia estacionar o meu carro no meio desse seu cabelo ein?

Grover passou a mão nos cabelos, estavam bem grandes e bagunçados.

- Eu... – ele sentou na cama, dolorido, tentando se lembrar de todos os acontecimentos. E tudo veio devagar, em flashes. Ele bebendo com Percy, de repente os dois estavam dirigindo. Ouviu uma buzina que ainda doía em sua cabeça por tocar tanto em seus pesadelos. Ele caindo, sangrando, de ponta cabeça. E olhou para os braços arranhados, cheio de curativos – Eu... Sofri um acidente!

- Jura? Achei que estivesse aqui para aprender a dançar tango! – resmungou Thalia.

- Quer fazer o favor de ser educada enquanto eu estou sofrendo? Quero dizer, acabei de acordar de uma coisa que eu não lembro o que está acontecendo – ele parou assustado, viu Percy do outro lado, branco, inconsciente, respirando através de aparelhos. O seu coração paralisou ao ver a sua cabeça enfaixada no lugar dos cabelos lisos e loiros do rapaz – O que diabos aconteceu?

Thalia terminou de começar a maçã, arremessou no lixo como se fosse uma bola de basquete, acertou em cheio, comemorou erguendo os braços.

- Ora, vocês não sabem beber, acabaram caindo do barranco!

- Ninguém bebe e cai do... Ah, agora eu me lembro – disse ele abrindo os olhos e fechando várias vezes – Que puta dor de cabeça do inferno!

Thalia o olhou.

- Já disse que não está no inferno, eu estou viva!

Ele a ignorou, rastejou até o espelho do banheiro para se olhar no espelho, estava cheio de hematomas, o rosto inchado em vários lugares.

- Como está o Percy?

- Razoavelmente bem! – Thalia estava com as pernas cruzadas – Conversei com ele ontem à tarde, as suas únicas palavras foram Annabeth – ela estava avaliando se as unhas estavam bem feitas – Na real, o que aquela vaca tem o que eu não tenho?

- Peitos? Ops, quero dizer, além de uma bunda incrível?

- Achei que estivesse doente. Aff, garotos nerds do colegial – Thalia revirou os olhos, saltou da cama de Grover para o chão – Vou para o meu quarto, se bobear, eu recebo alta hoje, enquanto isso espero que não se divirtam sem mim. E se forem fazer uma balada no quarto do hospital, me liguem para que eu traga a vodka!

- Não quero nem ouvir falar em vodka – resmungou ele esfregando os olhos, com muita dor de cabeça.

- Certo, então eu trago e bebo sozinha. Tchau! – ela acenou e deu o fora do quarto aos pulinhos excitados. Ela não parecia nem um pouco preocupada com a saúde dos demais.

Grover se aproximou da cama de Percy, preocupado. Olhou o amigo, parecia em uma situação bem pior, o seu rosto tinha um corte que ia da testa até a orelha, passando pelas pálpebras dos olhos. Grover se perguntou se estava tudo bem mesmo com Percy. O seu peito subia e descia lentamente enquanto dormia um sono profundo.

Grover deitou-se desejando que Percy estivesse, no mínimo, bem.

- 06 de setembro de 2006 –

Frederick Chase estava em uma ala do hospital, olhando o seu filho através do vidro, o corredor estava cheio, pessoas vinham de um lado para o outro, caminhando com pranchetas, médicos, visitantes. Por vezes, pais de outras crianças passavam para observar os seus filhos saudáveis, Frederick invejou-os por estarem bem, felizes, tudo sob controle. Seria ótimo poder aguardar dois ou três dias na certeza de que o seu filho voltaria em seus braços.

Quando já era de madrugada, ele ainda com os braços apoiados, vestia uma camisa branca há quase dois dias, sem sair dali. Apenas para tomar café, comer alguma coisa, ir ao banheiro, ou quem sabe dormir em uma das poltronas desconfortáveis.

Ele estava encostou a cabeça no vidro, fechou os olhos e as lágrimas começaram a descer, desciam várias lágrimas, ele chorou sem vergonha, apenas chorou, desejando que tudo ficasse bem com o seu filho, que ainda era um pequeno bebê prematuro.

- 08 de setembro de 2006 -

Glee – Imagine

Favor usar o endereço do Youtube, caso a música parar, volte-a desde o começo. A intenção é que ela toque até a última palavra deste capítulo. Saberão o porquê no final.

Youtube: /watch?v=LZNXSe8njzc

Atena estava deitada em sua cama, semi-consciente, Annabeth estava sentada em uma cadeira estofada ao lado, ela segurava a mão de sua mãe com força, conversava com ela bem baixinho.

- E papai teve que viajar às pressas para Los Angeles – murmurou Annabeth contando para sua mãe toda a história como se ela estivesse em perfeita consciência, ou conversando com alguém normalmente – Eu dei todo o meu apoio, eu disse que tomaria conta de você. Eu gosto de passar um tempo com você, sabe, mamãe? Eu me lembro das vezes em que viajamos juntos, você e o papai ainda eram casados, nós fomos para a Itália e tiramos um monte de fotos no Coliseu – ela sorriu enquanto a lágrima deslizava pela sua bochecha – Foi legal, sabe? Foi muito legal quando eu me perdi de vocês, eu sei que só tinha quatro anos de idade, mas vocês ficaram o dia todo me procurando e eu me senti importante. Eu senti que vocês gostavam mesmo de mim, e depois disso, eu não precisava de mais nada, porque eu sabia que vocês me amariam para sempre, mesmo que eu pudesse estar longe de vocês.

Annabeth abaixou a cabeça.

- Sabe, também estou pensando em não me matricular no colégio esse ano – ela parou quieta – Eu quero ficar ao seu lado.

Annabeth pensativa, apertou a mão de sua mãe.

- Não quero falar sobre isso agora, quero falar sobre o papai. Achei tão bonito o jeito que ele ficou o tempo todo ao seu lado. Ainda que tenha gostado da Giullia, ele apoiou você, ficou ao seu lado cada segundo de sua cirurgia – Annabeth estava chateada – Foi bem triste ter que ir no velório da Giullia, vou sentir saudades dela, era uma pessoa muito especial para mim!

Annabeth achou egoísta pensar isso, odiou-se por pensar assim, mas agora havia a possibilidade de seus pais reconciliarem e serem felizes novamente. Tudo voltaria a ser como antigamente, talvez, exceto por uma coisa. Frederick voltaria para a casa com o filho nos braços, um filho que não era de Atena, e sim de Giullia.

Será que as coisas voltariam mesmo a ser como eram antes? Ou ficaria ainda pior o convívio entre os seus pais?

- 08 de setembro de 2006 –

Rony estava usando um calção de dormir, uma camiseta regata realçando os seus músculos. Hermione estava vestida em uma camisola de flanelinha, terminou de escovar os dentes e enrolar os cabelos parar dormir.

Ele a esperava no corredor, só esperava para desejar...

- Boa noite – disse suavemente, beijando-a no rosto. Ela corou de leve.

- Boa noite – respondeu ela envolvendo-o em um abraço apertado e inesperado – Marido – complementou ela sorrindo.

Após o abraço, eles se afastaram, Hermione fechou a porta de seu quarto, virado à esquerda. Rony virou à direita, fechando também a porta de seu dormitório.

- 08 de setembro de 2006 –

Thalia estava segurando um espelho em suas mãos, olhando para o seu próprio rosto. Como havia chegado naquele ponto? Cheirar drogas? Por quê?

Ela se encarou novamente no espelho. E ajeitou o cabelo. Resolveu deixar o espelho em cima da penteadeira, abriu a gaveta, esperando que ela fosse pegar um pente para pentear os cabelos, ela puxou um potinho cheio de pó. Ela colocou tudo no espelho em que tinha visto a sua imagem. Ela remexeu no nariz, como quem queria inalar.

Ela encarou a sua imagem aonde não havia pó branco, pensou em inalar, mas de repente, algo a surpreendeu até mesmo a si própria. Ela assoprou o pó para o ar, de modo que ela nunca inalaria, e o pó caindo pelo ar foi parar todo em seu carpete.

Ela não se importaria, não mais. Seria forte o suficiente!

- 08 de setembro de 2006 -

Annabeth estava dormindo ao lado da mão de Atena estendida pela cama do hospital. O livro estava aberto ao lado de Atena, o título era: Romeu e Julieta – William Shakespeare. A paciente abriu os olhos lentamente, piscou várias vezes, remexeu-se inquieta de modo que fez com que Annabeth despertasse de seu cochilo.

- Mamãe? – murmurou esperançosa – Mamãe? Está tudo bem? – estava preocupada.

Atena a olhou, os seus olhos arregalados.

- Cadê o meu filho? Eu... Eu não sinto ele! – disse ela tateando a própria barriga, os seus olhos estavam morrendo de medo – Aconteceu alguma coisa com o meu filho? Ele morreu?

Annabeth congelou, ao seu lado, sem saber o que responder.

- 08 de setembro de 2006 –

Percy remexeu na cama, não que fosse barulhento, mas o silêncio no hospital era tão profundo e tão centrado, que mesmo o barulho do roçar das pernas no lençol da cama fazia qualquer um acordar naquele cômodo. Grover olhou para o lado, despertando de seus sonhos, esfregou os olhos.

- Percy?

Ele abriu os olhos na penumbra, os raios lunares invadiam as persianas do quarto. O amigo estava bem, acordado, ao seu lado. Os olhos azuis de Percy estavam voltados para o teto, indo de um lado para o outro em desespero.

- Está tudo bem? Você está bem, cara? – perguntou Grover chutando os lençóis para longe dos pés, pulou da cama em um salto e correu ao lado de Percy. Este, de repente, ficou sentado na cama, os olhos vagos, perdidos em qualquer direção.

- Grover... – murmurou com a voz rouca de quem não havia falado nada durante alguns dias – Grover...

- Você está bem – disse Grover aliviado com uma vontade enorme de abraçá-lo. Eles tinham sobrevivido ao acidente, Graças a Deus!

- Não, não estou bem – os olhos vagos de Percy andaram de um lado para o outro sem focar no rosto direto de Grover. O seu estômago se contorceu – Eu não consigo enxergar. Eu estou cego!

Grover congelou no lugar.

Continua...

Nota do Autor: Alguém aqui já assistiu Glee? Pois é, essa música, eles cantam com um coral de deficientes visuais. A cena foi linda e emocionante, por isso que eu quis colocar essa música para o momento em que vocês descobrissem isso: Percy Jackson está cego após o acidente. E entenderam o nome da fanfic agora? Pois é, dêem uma olhadinha novamente. Rs. Então, falando nele, pode ser que ele volte a enxergar algum dia, passar por algumas cirurgias, porém, até lá, ele vai sofrer um pouquinho. Será que Annabeth o ajudará? No entanto, ela está morrendo de raiva dele, como ficarão as coisas? Vixi, será que ela ficará balanceada? E quando Frederick voltar com o bebê nos braços, qual será a reação de Atena? Gente, só tenho uma coisa a dizer: a história só está começando...

Nota do Autor (dois): Como muitos perceberam, há uma história antiga por trás de todo esse texto já escrito, sim, existe. Essa história é a primeira temporada desse seriado chamada Your Love is a Song. No entanto, não é preciso lê-la para entender todos os acontecimentos dessa nova temporada My Heart Still Beats for You. Estou fazendo de tudo para deixar as situações mais claras do que nunca, de modo que quem quiser acompanhar a fanfic daqui em diante, pode, não atrapalhará em nada. O que eu quero de verdade é ganhar leitores!

Nota do Autor (três): Sei que o capítulo está pesado, muito pesado, by the way. Mas no próximo eu vou amenizar, vai ser engraçado ver a Hermione ajudando as cheerleaders sendo que ela não sabe NADA de ser cheerleader, por que ela é o que? Nerd! Lógico que teremos o reencontro tão esperado entre Percy e Annabeth, mais lágrimas vão rolar, porém a tendência é ir melhorando, eu prometo, ir ficando mais leve, descontraído, etc.

Gostaria de agradecer todas as reviews e dizer que vocês me deram uma ótima ideia, fazer alguns capítulos na espécie de diário. Bom, isto é, se vocês curtirem.

E saibam que eu não ia postar o capítulo hoje, mas é que vocês foram tão bonzinhos comigo que eu não consigo ser maldoso com vocês. Eu tenho os próximos 02 capítulos prontos, corrigidos e editados. Prometo atualizar em breve. Aguardem!

E para quem gosta de Shakespeare, AGUARDEM, tem um capítulo especial sobre Shakespeare, curiosidades sobre a vida dele, muito interessante e muita cultura para vocês. To pesquisando um monte sobre a vida dele. Aguardem!

Gosto de reviews, tá? Um beijo!

Trilha Sonora do Próximo Capítulo:

Goo Goo Dolls – Sympathy

Airplanes – (Feat. Hayley Williams of Paramore)

Prévia do Próximo Capítulo:

Na pressa, um garoto loiro saiu correndo da sala ao lado, agachou para pegar o livro e leu a capa.

- Romeu e Julieta – ele apertou os olhos – Annabeth, ei, você esqueceu isso! – disse meio alto no corredor, mas era tarde demais, ela havia sumido.

O garoto ficou encarando o livro por um bom tempo, até que alguém deu uma palmadinha em suas costas, era uma garota da sua turma.

- Então, Luke, lendo essa porcaria? – perguntou ela rindo dele, numa espécie cômica.

Ele ficou dividido entre o sim e o não, abriu a boca várias vezes antes de dizer a resposta.

- Quero dizer... Estou sim! – disse ele colocando o livro na mochila – Parece interessante.

A garota o olhou com estranheza.

- Achei que fosse hétero – zombou ela.

Ele riu.

- Eu também! – os dois saíram caminhando em direção à saída.