Autora: Blanxe
Revisora: Andréia Kennen
Casal Principal: Sasuke + Naruto
Gênero: Yaoi, Angst, Romance, Drama
Aviso1: Esse capítulo será uma breve retrospectiva de acontecimentos, onde de alguma maneira tentarei passar os sentimentos dos personagens entre um evento e outro, mas servirá também para retratar um pouco da relação de Naruto com Kyuubi.
Aviso 2: As partes em negrito e itálico indicam conversas internas entre Naruto e Kyuubi.
Aviso 3: Essa fic é MPREG ( male pregnancy - gravidez masculina), não gosta, não leia. Se mesmo assim ainda não entendeu, se informe antes de ler o resto da história e não venha com comentário pregando o que é ou não impossível de ocorrer, ou expressar seu nojo pelo gênero. Eu tenho plena consciência de que MPREG é piração e não existe, assim como Naruto e todo seu universo de super ninjas também não existe e é piração de outra pessoa, então, é meu direito usar de licença poética pra criar o que eu bem entender, ok?
Aviso 4: Alguns fatos e cenários serão "sutilmente" distorcidos para adaptação da trama.
Um desastre que não pode ser mudado embaça seus olhos
E, mesmo assim, você fala sobre sonhos tolos,
Sobre coisas que jamais conseguirá alcançar…
(Howling – Tsukiko Amano)
-
Vale do Fim
Da mesma maneira que o tempo se fechara, de forma contraditória seus sentimentos despertaram. No mesmo momento em que as gotas de chuva caíam do céu e olhava a figura inconsciente estirada no chão, descobria algo que até então, não queria admitir, apesar de parecer sempre ter estado lá, em seu peito.
Ao hesitar, ao não concluir seu intuito para conseguir o mangekyou, colocava de lado o que se tornara mais importante para si: a vingança.
Pensou que seria capaz, mas se o preço a pagar fosse aquele, não teria como concluir seu intuito.
E, com essa constatação, ajoelhado no chão, com seu rosto tão próximo ao dele, teve a certeza que, por mais que fosse necessário, por mais que seu lado obscuro desejasse, não poderia matá-lo… Não ele.
Aquilo o irritava ao mesmo tempo em que o confundia. Ele sempre fora um mistério para si, sempre sorrindo quando não existiam motivos para tal; sempre perseverante quando o caminho mais fácil seria perecer… Era completamente seu oposto, sua antítese.
E ainda assim… aquele sentimento…
Por um momento questionou-se quando e em que momento aquele garoto se tornara tão importante assim para si?
Não queria pensar, não queria ter a certeza definitiva e certamente, não ganharia nada perdendo mais tempo ali.
Tinha feito uma escolha e não pretendia voltar à trás.
Quase que penosamente se levantou, deixando para trás apenas a sua bandana danificada como prova de sua deserção. Esperava com aquilo, deixar claro que tentativas seriam em vão, que não retornaria, nem seria o garoto exemplar que todos admiravam.
Iria atrás de poder, de quem poderia proporcionar-lhe o que precisava para concluir seu plano e tinha certeza que conseguiria. Sobrepujaria a capacidade de qualquer um e, principalmente, de seu irmão.
Vingaria sua família, seu clã; à sua maneira.
oOo
Sentiu que estava sendo carregado. Os movimentos rápidos indicavam que havia pressa de chegar a algum lugar. Seus olhos estavam extremamente cansados e seu corpo não respondia a qualquer comando seu, dando ênfase apenas a dor que sentia. Tentava se lembrar do que havia acontecido e conforme as lembranças afloravam em sua mente, seus olhos lentamente conseguiam forças para se abrirem, mesmo que muito pouco.
A primeira coisa que percebeu foi que sua visão oscilava, não mantendo foco suficiente para firmar-se com nitidez, mesmo assim, notou que era Kakashi quem o carregava, e a primeira pergunta que despontou de seus lábios foi para saber sobre o amigo.
A resposta que recebeu não foi a que gostaria ou esperava ouvir. Sasuke havia conseguido escapar, ido embora definitivamente e ele, Naruto, nunca se sentira tão derrotado como naquele momento.
Era uma missão, no fundo uma quase que pessoal, mas ainda assim uma missão, e simplesmente falhara. Prometera que o levaria de volta, que faria o impossível, mas retornaria com Sasuke, porém, ao final, o que conseguira fora somente a vergonha de ter sido vencido, além de ter perdido a chance de recuperá-lo.
Se pudesse, voltaria no tempo. Se fosse capaz, tentaria mudar as coisas, saber o ponto certo em que o tinha perdido e fazê-lo realmente acreditar que nada daquilo que pretendia fazer valia a pena, que sua partida seria sentida de forma dolorosa.
Voltou a fechar os olhos, tomado pela exaustão, afundando na inconsciência.
oOo
Hospital de Konoha
Ficara olhando para aquela bandana riscada por tanto tempo que sequer saberia dizer o quanto. Contudo, ela seria a prova, sua lembrança constante de sua falha e também de sua nova meta na vida: Sasuke.
Ainda era apenas um menino tolo, mas ficaria forte, muito forte, o suficiente para trazê-lo de volta. Não se tratava mais de uma promessa feita a Sakura, ou uma birra infantil que açoitava seu ego. Tratava-se de… algo que por enquanto, não sabia explicar o que era, mas tinha ciência de sua intensidade. Desde que Sasuke o salvara, se colocando à frente do ataque de Haku – no país das Ondas – que algo havia se alterado em sua forma de ver o outro garoto.
Quando soubera que Sasuke estava fugindo, abandonando Konoha atrás do poder oferecido por Orochimaru, a angústia fora tão intensa quanto a tristeza de ver Sakura desesperando-se - por amar tanto o descendente do clã Uchiha - a ponto de suplicar-lhe que o trouxesse de volta. E não sabia mais dizer com certeza, se o que o incomodava eram as lágrimas dela por outro garoto, ou se o vazio que assolava seu coração ao pensar em perder o companheiro.
Da luta que travara com o melhor amigo, ficaram as palavras, ressoando em sua mente de maneira sádica... Ele o acusara de não compreendê-lo, mas… como gostaria de tê-lo entendido. Assim o teria impedido, ou quem sabe, o convencido a ficar.
Mas o tempo de lamúria se esgotara. Ele não se deixaria abater tão fácil. Sasuke não teria alternativa, a não ser voltar consigo para Konoha!
Era uma promessa!
A sua promessa!
oOo
Esconderijo de Orochimaru
Escutara uma conversa entre Kabuto e Orochimaru onde diziam que Naruto havia partido para um treinamento de três anos com o Sannin de nome Jiraya. De alguma maneira, por mais que tentasse deixar de se preocupar com aquele idiota, não conseguia. Itachi – a mando da Akatsuki - estava atrás dele e isso era mais do que motivo para se resguardar. O irmão era a razão de estar se submetendo ao treinamento com Orochimaru: pela vingança, para honrar o nome do clã que ele destruíra e impedir que ele machucasse a única pessoa com quem ainda se importava.
O que o mantinha tranquilo era que, enquanto estivesse com o Sannin Jiraya, o loiro pateta estaria bem.
Ainda não sabia nomear o que era aquela emoção que o revoltava e, ao mesmo tempo, acalentava seu coração toda vez em que pensava em Naruto. Lembrava-se que este sentimento mostrara suas garras na luta contra Haku. No momento em que a vida do loiro fora ameaçada de forma perigosa, Sasuke abandonara qualquer objetivo anterior apenas para salvá-lo. Colocara sua própria vida em risco, disposto a morrer para evitar que Naruto se machucasse, sequer se importando com sua meta primordial: viver para torna-se forte e assim um dia, destruir Itachi.
Mesmo sem saber exatamente o que era aquilo que fazia com que priorizasse o loiro invés de sua vingança, descobrira que Naruto também era seu grande ponto fraco e Sasuke não poderia admitir fraquezas. Ele precisava superar e matar o que quer que fosse aquele sentimento que se enraizava em seu ser. Mas, este parecia como uma erva daninha: difícil de livrar-se.
Porém, estava determinado a ultrapassar seus limites, concentrar-se em seus treinos e esquecer que um dia conhecera o garoto sorridente e idiota de nome Naruto Uzumaki.
oOo
Ponte do Céu e da Terra…
Tanto tempo treinando, tanto esforço, e para quê? Para virem e enfiarem um bastardo qualquer no lugar de seu companheiro?
Naruto estava mais do que ultrajado com essa nova condição.
Para adensar mais o seu inconformismo, o novo integrante era simplesmente irritante!
Como poderia conviver com alguém tão pedante como Sai?
O que aqueles malditos estavam pensando para substituir Sasuke?
Ele era insubstituível. Quando o trouxesse de volta para Konoha, ia chutar aquele Sai desgraçado para bem longe!
O Time Sete estaria com sua formação original em breve, tinha certeza disso.
Além do mais, algo em Sai não lhe inspirava confiança. O adolescente exibia sempre aquele sorriso falso e, por mais que negasse, Naruto via a semelhança física que o moreno tinha com o amigo.
Isso o perturbava.
Nunca pensou que um dia sentiria tantas saudades de seu rival, porém, era quase angustiante a ausência dele – Sasuke. Até mesmo, de suas feições emburradas, da arrogância, da maneira que às vezes - quando ele pensava que ninguém estava reparando - a expressão de seu rosto se suavizava; mas, acima de tudo, fazia falta a companhia do Uchiha.
A presença de Sasuke por perto sempre fora o suficiente para fazê-lo mais capaz, mais desafiador. Toda a sua perseverança atual devia-se a ele também: sua missão de recuperá-lo era o que impulsionava a se superar sempre.
Estava perto, muito perto de reencontrá-lo e essa ciência gerava um frio que ia se instalando em seu âmago.
Se conseguissem aquele contato com o informante da Akatsuki, logo saberiam aonde Orochimaru se escondia e, obviamente, chegariam a Sasuke.
Entretanto, nada ocorrera como o planejado. Tudo o que não esperavam era que Kabuto fosse o espião e, principalmente, que tivesse se aliado a Orochimaru definitivamente.
Com o plano inicial de Yamato sendo desmascarado, o ódio incandescente que dominou Naruto, o cegou totalmente a partir da aparição do Sannin desertor, principalmente quando este proferiu, com deboche, sua posse sobre Sasuke.
Meu Sasuke-kun – ele disse.
Sasuke poderia ser tudo, menos dele.
Nunca!
Jamais!
Ainda assim, aquele ofídio miserável fora o responsável por Sasuke tê-los abandonado. Sua repulsa e raiva por Orochimaru eram infinitos. Foi a primeira vez que, de forma consciente, cedera o domínio de seu corpo ao poder oferecido por Kyuubi, desencadeando em si mesmo um descontrole furioso.
Mesmo que sua índole, no fundo, não fosse aquela, viu que poderia destruir Orochimaru, esmagá-lo como um inseto e puni-lo por ter aliciado uma de suas pessoas mais queridas. O poder devastador da raposa vendou seus olhos, mas lhe trouxe um prazer indescritível: o deleite de sentir-se invencível.
Porém, quando tudo terminou, a sensação que ficou foi a pior de todas. Orochimaru escapara e as consequências de ter sido domado pela força de Kyuubi, para ele, eram devastadoras e foram sentidas em seu corpo e em sua alma.
Não queria nunca mais ter que depender daquele poder novamente.
oOo
Esconderijo de Orochimaru - Sasuke
Sasuke estava mal-humorado. Orochimaru faltara com o compromisso de treiná-lo no horário combinado e agora retornava trazendo um ninja usando a bandana de Konoha na testa.
O que aquela cobra estava armando?
Naqueles três anos, tomara com afinco seu treinamento com Orochimaru. Dera tudo de si e continuava a buscar superação. Seu poder evoluíra consideravelmente, tanto que sabia que em breve, deveria começar a sua caçada pelo irmão mais velho.
Mal podia conter-se em si somente em cogitar o dia em que o reencontraria e tiraria a vida dele com as próprias mãos. Seu desejo por ver o sangue do traidor era mais intenso do que qualquer outro que possivelmente surgira em si.
Mas, por enquanto, tinha que jogar conforme as regras do Sannin. Deixá-lo pensar que tomaria seu corpo quando o momento certo chegasse. Sabia que o erro de todos ao seu redor, sempre fora subestimar Sasuke Uchiha e isso, sem dúvidas, se tornara uma vantagem valorosa.
- Olá, me chamo Sai. – o rapaz de pele extremamente alva se apresentou. - Você deve ser Sasuke Uchiha.
Aquele sorriso o enervou. Era tão falso quanto toda a postura amistosa que o outro adolescente forçava-se a interpretar. Orochimaru tinha outra cobra nas mãos. Não era irônico? Aquele local não poderia ter outro nome a não ser covil, pois ele mesmo – Sasuke – não negava que fazia parte daquela corja.
- Cale-se. – ordenou.
Não se importava nem um pouco com as intenções daquele ninja de Konoha ali, mas aquele sorriso… era intolerável.
- Mesmo que eu me esforce para sorrir, acho que sou mesmo uma pessoa fácil de se odiar. – Sai comentou, sem inibições ou mágoas. - Naruto-kun me odiou desde o início também.
Seus olhos tomaram curiosidade no que Sai havia dito. O nome… A simples menção daquele nome fora o suficiente para que erguesse um pouco mais o rosto e o sentimento há muito enterrado, suavemente afirmasse que permanecia vivo, esperando apenas uma pequena faísca para incandescer.
- Se bem que, de vocês dois, acho que me darei melhor com você.
O que aquele verme pretendia com aquilo? Por algum motivo, desconfiava que suas palavras tinham um propósito, mas não iria ouvi-las. Com um único olhar, fez o jovem shinobi sentir uma pequena parcela de seu poder e, por conseguinte, cair sentado no chão, atordoado por sua intensidade.
- Eu não tenho nada a dizer a esse perdedor. – Sasuke atestou, levantando-se. - Me treine agora, Orochimaru.
- Ouvi falar muito a seu respeito através do Naruto-kun. – Sai insistiu, colocando-se de pé mais uma vez. - Ele vem tentando encontrá-lo esse tempo todo, durante esses três anos inteiros.
Ficou por um momento encarando aquele ninja, enquanto o que fora dito por ele, repetia o processo de emergir o passado, atingindo diretamente o seu peito. Naruto não desistira? O loiro ainda procurava por si?
Continuava o mesmo ser patético de que se recordava, então.
- É, eu me lembro dele. – replicou, indiferente. - Vamos, Orochimaru.
Virando-se e começando a caminhar para abandonar o recinto, foi impedido pela voz de Sai, que rapidamente falou:
- Sakura-san me disse que o Naruto-kun realmente te considera um irmão.
Seus olhos vermelhos pelo Sharingan se voltaram para encarar o outro rapaz.
Irmão?
Naruto sequer sabia o significado de se ter verdadeiramente um irmão para considerá-lo um. Rememorava que o loiro havia insinuado algo desse porte no Vale do Fim, mas não queria a fraternidade de Naruto. Repudiava somente a possibilidade de vê-lo como tal.
- Eu só tenho um irmão e tudo o que me importa é matá-lo. – afirmou, antes de desaparecer por completo.
oOo
Esconderijo de Orochimaru – Naruto
Finalmente estavam perto. Depois de tanto tempo, iria rever Sasuke. Tinham encontrado o esconderijo de Orochimaru. Correra como um desesperado, seguindo por aqueles corredores que mais pareciam um labirinto. No peito o coração batia forte, a ansiedade e emoção eram tantas que, sem que percebesse, algumas lágrimas escorriam por seu rosto e ficavam pelo caminho percorrido.
Onde ele estava? Onde?
Gritou pelo nome do amigo, no intuito de expulsar a frustração de dentro de si.
Nada o deteria, destruiria tudo que se interpusesse em seu caminho.
Acabou achando Sai antes de seu verdadeiro objetivo. O ninja os havia traído, não era à toa que algo sobre ele não inspirava confiança, porém, acabou por compreender suas atitudes e foi a única testemunha do primeiro sorriso sincero que emoldurara os lábios dele desde que haviam se conhecido; segundo o próprio moreno, sorriso este, que há muito não vinha de seu coração.
Apesar de feliz por começar a enxergar o verdadeiro Sai, precisava continuar.
O corredor, então, finalmente chegou ao fim e a luz que dele emanou quase ofuscou sua visão de seu objetivo. Parados, estáticos, estavam Sakura e Sai. Sua amiga, certamente tão abalada quanto ele.
Mas no semblante de Sakura também havia uma preocupação a qual ele não percebeu, pois nada via além do jovem que se exibia de pé, imponentemente, acima daquele aclive.
Era Sasuke.
Não o garoto prepotente que conhecera na escola ninja, não o moleque com que vivera uma rivalidade saudável e se integrara como uma parte importante de sua vida.
Lá em cima estava o adolescente de expressão indiferente e olhos acurados que sequer vacilara diante do reencontro com o passado.
Sua garganta ficou seca, seus pensamentos desapareceram e suas intenções se perderam, congeladas em sua falta de saber como reagir. Naruto sabia o que queria, tinha o objetivo de, mesmo usando a força, levar Sasuke de volta para Konoha, mas no momento, não conseguia impulsionar o próprio corpo a se mover, ficando preso ao olhar daquele por quem ansiara rever por exatos três anos.
Palavras acabaram sendo ditas, coisas que dificilmente entenderia, mas que o magoaram mesmo assim. Entretanto, não seriam meras ofensas que o fariam desistir de seu intuito.
Quando Sai intercedeu em seu auxílio, aproveitou o momento para tentar agir, mas Sasuke os neutralizou, e o que menos esperava, aconteceu.
A raposa, mais uma vez, veio lhe tentar, oferecer o que acreditava tanto precisar.
Havia determinado para si, não aceitar mais ser dominado por aquele poder. Aprender a vencer com sua própria força era necessário e qualquer atalho poderia ser desastroso.
Quando ergueu a mão e firmemente negou a ajuda de Kyuubi, aparvalhou-se com a súbita presença de ninguém menos que Sasuke ali consigo.
Aquela era sua mente - seu interior -, então, como o moreno havia conseguido se infiltrar ali?
- Agora estou entendendo. – Sasuke falou, concentrado na forma alaranjada a sua frente. – Então, esta é a fonte dos seus poderes ocultos. Nunca imaginaria que teria uma coisa dessas dentro de você.
Como anteriormente, Naruto ficou sem saber como reagir, e foi apenas um espectador da interação de seu melhor amigo com o demônio de nove caudas. Por poucos instantes, mesmo aturdido, descobriu que fora o Sharingan o responsável pela presença de Sasuke em sua mente e foi com surpresa que testemunhou ele suprimir o poder de Kyuubi, mas antes de dissipar-se completamente, a raposa deu um alerta a Sasuke:
- Este pode ser o nosso último encontro, então, permita-me dizer uma coisa: não mate o Naruto. Você viverá no arrependimento.
Depois de tanto esforço, tanta correria para encontrar o moreno, este acabara escapando e deixando para trás Naruto com a sensação de ter, novamente, falhado.
oOo
Esconderijo de Orochimaru - Sasuke
Naruto havia mudado.
Muito.
Em momento algum se dera ao trabalho de imaginar como o loiro estaria nos dias atuais e, para si mesmo, confessava que baqueara ao ver a pessoa que o Jinchuuriki se tornara. Em sua mente, sempre mantivera a imagem do garoto de rosto arredondado e hiperativo, mas Naruto agora com quase dezesseis anos ganhara traços mais finos e crescera uns bons centímetros, mesmo assim permanecia mais baixo que ele - Sasuke.
Porém, o moreno tinha consciência do motivo pelo qual não se preparara - nem um segundo sequer – para o reencontro com um Naruto mais maduro: simplesmente, não esperava vê-lo nunca mais.
Passou um bom tempo, logo que ingressou na árdua empreitada de ser pupilo de Orochimaru, lutando contra as lembranças que remetiam ao menino loiro. Fora extremamente fácil esquecer-se de Sakura e sua obsessão infantil, de Kakashi e seu treinamento fraco, de Konoha e todos os seus cegos seguidores, mas o sorriso – aquele sorriso escancarado – e a quem este pertencia, foi preciso muita determinação para colocá-lo de lado.
Perguntava-se para quê? Afinal, bastou somente um olhar para que toda a torrente de sentimentos que sufocara e pensara ter matado, viesse à tona com uma intensidade descomunal.
Mas, deveria esperar por isso, já que o mero pronunciar do nome do loiro - quando Sai tentara ingressar aos serviços de Orochimaru - atiçara-lhe os sentidos.
Já sabia muito bem como definir aquele sentimento.
No instante que vira Naruto, descobrira o que era aquela emoção que, quando mais novo, somente o confundia. Por isso, tivera toda a intenção de assassinar o amigo de infância no confronto. Não hesitara em desembainhar a espada e ferir o outro mortalmente.
Se não fosse pela intromissão de Sai, teria concluído sua meta, mas, no fundo, tinha dúvidas se deveria agradecê-lo ou amaldiçoá-lo.
Uma parte de si urgia para que o obstáculo fosse eliminado, a outra parte angustiava-se pela mera pretensão de ferir Naruto.
Mas as palavras da raposa de nove caudas, no final, fora o que detivera de cometer o atentado. O demônio parecia ter enxergado o fundo de sua alma, assim como Sasuke havia feito ao adentrar a mente do Jinchuuriki.
Aquele ser asqueroso sabia mais do que deveria, mas Sasuke provaria que sua vontade – sua sede por vingança – o tornaria forte o bastante para sobrepujar aquele sentimento desnecessário.
Entretanto, primeiro, precisava arrumar um meio de afastar a imagem do semblante belo do adolescente de olhos azuis, que se fixara em seu pensamento e persistia em atormentá-lo.
oOo
Treinamento com Kakashi e Yamato
Estivera treinando três anos com Jiraya e não fora suficiente. O velho pervertido o ajudara a aumentar seu poder e, de certa forma, a amadurecer mentalmente. Mas, ainda, era pouco. Muito pouco. Principalmente, por não ter conseguido trazer Sasuke de volta. Agora, continuava a ampliar suas forças juntamente com Kakashi e Yamato. Ambos estavam depositando toda a confiança e conhecimento que tinham em ensiná-lo a manejar o elemento vento, que era algo de sua própria natureza.
Entretanto, ficar sabendo que seu Elemental era facilmente combatível pelo do Uchiha, o desanimara um pouco. Mas não ia desistir, afinal, a coincidência que o poder de fogo de Sasuke se complementava com o vento, trazia uma nova perspectiva para si. Sasuke e ele se completavam, como se fosse destinado a ser assim, até mesmo no campo de batalha.
Naquela noite, estava realmente cansado de tanto seguir as instruções do mentor para aprimorar suas técnicas e a única coisa que o impedia de adormecer ali mesmo, naquela clareira da floresta, sob a luz da lua e das estrelas, eram seus pensamentos sobre o ex-companheiro de time.
Um sorriso adornou seus lábios, enquanto focava suas lembranças naquele mesmo céu, só que há três anos atrás, quando Sasuke e ele treinavam.
- No que está pensando, fedelho?
Naruto franziu o cenho, mas não estranhou. Desde o encontro com Sasuke, o demônio vinha se comunicando mentalmente consigo. Não sabia dizer se fora o evento que desencadeara tal reação, ou se era o selo do Yondaime que se deteriorava que dava mais liberdade a Kyuubi para interagir.
- Eu não sei por que você ficou tão falante de repente.
A voz imperiosa chegou a sua percepção de maneira trocista.
- Porque eu fiquei entediado e sua burrice às vezes me irrita.
- Pra que quer falar com um burro então, 'ttebayo? – Naruto rebateu, no mesmo timbre irreverente.
A raposa riu, irritantemente, e atestou:
- Está ficando com a língua afiada, moleque. Gosto disso.
Um silêncio pairou momentaneamente entre ambos. Naruto desconfiava que seria tudo o que Kyuubi lhe diria aquela noite, mas, sem saber porque, desta vez, foi ele quem decidiu puxar assunto.
- Você acha que estou ficando forte? – perguntou pelo elo mental que havia se formado entre eles.
Realmente não tinha noção do motivo de estar buscando interagir com o demônio. Talvez, fosse por ele sempre estar lá, o cutucando de vez em quando, ou por simplesmente vir se sentindo muito sozinho, ultimamente.
Depois de quase um minuto sem obter resposta, Naruto pensou que seria ignorado, mas se surpreendeu ao ouvir Kyuubi replicar.
- Está treinando, não está?
- Não, quero dizer, forte-forte, dattebayo! – Naruto explicou e mais suavemente concluiu: - Forte o suficiente pra trazer o teme de volta.
- É só no que pensa, humano? – Kyuubi grunhiu, enfadado.- Naquele garoto inábil?
Naruto ignorou o modo ofensivo como o nove caudas se referira a Sasuke, mesmo que o tivesse incomodado. O ponto ali não era aquele. Queria mesmo ter certeza que estava evoluindo e por isso confirmou:
- É pra isso que estou treinando tanto.
Kyuubi, após emitir um muxoxo, ironizou:
- Pensei ter ouvido, tempos atrás, um garoto escandaloso bradando sobre um dia ser Hokage.
- Isso pode esperar, 'ttebayo! – Naruto retorquiu, irritadiço por não receber uma resposta da raposa, mas no segundo seguinte se arrependeu por ter pedido a opinião.
- Você continua um fracote, a escória da escória. – o demônio atestou calmo e maliciosamente ofereceu: - Mas eu posso te ajudar, é só libertar o meu poder.
- Vá sonhando, raposa! – o loiro esbravejou. - Eu não sou idiota, não!
- Pois poderia me enganar… - Kyuubi rechaçou indiferente.
- Já chega, Daaaattebayo! Volte pro seu buraco e me deixe em paz.
Ao som da risada sádica do demônio, Naruto bloqueou qualquer contato, mas ficou a ponderar sobre o que o ser havia dito. Continuava fraco, aquilo tudo ainda não era o suficiente para superar Sasuke e trazê-lo de volta.
oOo
Kizuna - Sasuke
Havia encontrado com Naruto, mais uma vez. Na missão dada por Orochimaru teria que reaver e levar Shinou para o Sannin e retornar, mas falhara e sabia bem o motivo: Naruto.
Ele o distraíra de seu objetivo. Mesmo mostrando-se concentrado em sua tarefa, o loiro acabara, sem perceber, desviando-o de sua obrigação.
Não ficara satisfeito ao ter sua ajuda esnobada pelo loiro, quando este, explodindo parte da plataforma onde se encontrava, o mandou embora. Na verdade, sabia que Naruto só queria protegê-lo, porém, ele era o único ali que não precisava de proteção.
Mesmo assim, fez a vontade de Naruto e partiu para um lugar mais seguro. O jeito confiante e presunçoso dele reafirmar que o levaria de volta para Konoha, o ajudara a tomar essa decisão. Não retornaria, muito menos sem antes cumprir com sua vingança.
De longe, esperou. Observou, atentamente, como sozinho Naruto destruiu a fortaleza voadora em pouco tempo. Sasuke sorriu levemente ao ver que os amigos dele estavam por perto para salvá-lo de uma queda-livre que findaria no espelho do oceano.
Naruto continuava o mesmo dobe de sempre. Otimista, altruísta e cativando a todos que se aproximavam dele.
Deixando o Jinchuuriki em boas mãos, Sasuke retornou para Orochimaru. Entregou-lhe o pergaminho com a técnica para reviver corpos, sem se importar se o Sannin estava satisfeito ou não.
Todavia, escutar o comentário do homem que descansava naquela cama, o fez perceber que seus sentimentos estava rompendo a indiferença que buscava sustentar.
- Aconteceu algo de bom, Sasuke-kun? Eu tenho a impressão que sim.
Nada respondeu, deixando o local sob a mira dos olhos desconfiados de seu mentor.
Algo de bom…
Contente ficara durante o mínimo de tempo que passara ao lado de Naruto. Foi como se não tivessem se separado, como se ainda lutassem pelo mesmo objetivo e mantivessem uma imensa afinidade. Mas, a fraqueza emergindo a ponto de terceiros notarem era inconcebível. Isolado, dispersou a sua ira por tal sentimento naquela cachoeira.
Precisava destruir o que sentia por Naruto de uma vez por todas. Nunca permitiria que ele se interpusesse em seu caminho. Naruto precisava se tornar tão dispensável quanto qualquer outro.
oOo
Kizuna - Naruto
Caíra em uma queda que poderia ser fatal, sequer se preocupara com as consequências, mas estava esgotado até mesmo para amenizar o impacto que teria com as águas do oceano. Sasuke ainda estava em sua mente naquele momento, mesmo quando Amaru o abraçou, disposta a se sacrificar por si, Naruto só conseguida pensar no moreno.
Fora tão pouco, mas ainda assim o suficiente para sua determinação crescer muito mais. Sua vontade de conseguir retornar com Sasuke para Konoha parecia triplicar de tamanho a cada novo encontro.
- Está apaixonado, Naruto. – Kyuubi afirmou, em sua mente.
- Apaixonado? – indagou, confuso, para em seguida replicar irritado com a implicação do que o demônio lhe dizia: - Pare de falar besteiras!
- Humano tolo. – Kyuubi riu alto. – Seus sentimentos são patéticos. Está obcecado; quer a qualquer custo trazer o fedelho Uchiha de volta, só pensa nele. A cada nova tentativa frustrada de encontrá-lo, você afunda mais e mais nessa sua busca desesperada por recuperá-lo. Os outros podem não notar, mas não esqueça que eu vivo dentro de você.
Naruto pensava no quão insanas pareciam as palavras da raposa de nove caudas naquele momento. O indignava que o demônio estivesse querendo macular o sentimento de forte amizade que nutria por Sasuke com aquela ideia descabida de paixão. Como Kyuubi tinha o descaramento de ser maldoso àquele ponto?
- Isso é ridículo, 'ttebayo! – rechaçou, frustrado. - Eu amo a Sakura-chan!
- Não… - Kyuubi bocejou, com desinteresse. - Você ama aquele Uchiha muito mais do que deveria.
Se tivesse condições físicas de socar a raposa, naquele instante, Naruto o teria feito. Para si continuava sendo um impropério o que Kyuubi o acusava. Mas, estava tão cansado, que ainda que tentasse contradizer, não foi muito efetivo em seus argumentos
- Eu não… eu amo a…
- Quando sair da fase de negação, você me avisa, moleque. – Kyuubi findou o assunto, abraçando, juntamente com seu hospedeiro, a inconsciência momentânea.
oOo
Esconderijo de Orochimaru – Sasuke
A noite imperava do lado de fora e todos pareciam entregues ao sono como deveria ser. Todos, menos o detentor do Sharingan. Em seu quarto, aonde a única iluminação vinha da chama de uma vela, Sasuke arfava enquanto o loiro acima de si se movimentava sobre seu sexo rijo.
A visão era mais do que hipnotizante, por isso, em momento algum, seus orbes negros se fecharam durante o ato. Os olhos azuis o fitavam ,vez por outra, inundados de prazer; os lábios avermelhados depois de tanto beijos, entreabriam-se emitindo gemidos de deleite, mantendo o moreno cativo.
- Naruto… - murmurou roucamente o nome do amante, tocando uma das faces do loiro, traçando as marcas da raposa que se destacavam na bochecha dele.
O loiro respondeu ao som de sua voz e movimentou-se com mais sensualidade sobre si, mordendo o lábio inferior e pedindo arrastadamente:
- Me toque, Sasuke…
Sem precisar de mais súplica alguma, o moreno tomou a ereção intumescida do outro adolescente e, languidamente, passou a masturbá-lo. Com olhos fascinados, observou cada mudança no rosto do amante: a tensão de seus músculos, o leve arquejar de cabeça para trás e o gemido mudo que emoldurou a boca perfeita.
Exatamente isso: perfeito.
Num movimento repentino, Sasuke ergueu o corpo e atacou, lascivamente, aqueles lábios, apertando o corpo menor contra o seu. Foi abraçado tanto pelos braços, como pelas pernas de Naruto, que emitia pequenos gemidos enquanto suas línguas se enroscavam com avidez.
Era tão bom e quase insuportável sentir seu sexo confinado por aquelas paredes apertadas do interior do loiro.
Mas não era o bastante.
Tomado pelo desejo enlouquecedor, Sasuke empurrou o corpo do amante de encontro à cama, sem nunca perder a conexão entre seu sexo e a passagem a qual este consumia. Com o menor submisso abaixo de si, começou a investir, fortemente, dentro dele.
Não… Ainda não era o bastante.
Não era suficiente.
Os gemidos de prazer se transformaram em um choramingo de dor, mas Sasuke estava perdido demais em sua própria frustração, para se importar realmente.
Estocava com violência dentro do ânus do belo loiro, estreitando os olhos ao notar as lágrimas que escorriam dos orbes azuis que demonstravam sofrimento.
- Sasuke, está machucando…
Grunhindo irritado, ele não se deteve, continuou com suas investidas bruscas até despejar-se num último movimento, forte e profundo, dentro do loiro.
A sensação de êxtase durou poucos segundos e quando tornou a abrir as esferas escuras, seu desgosto foi mais do que intenso.
Abandonando o interior morno abaixo de si, empurrou o garoto para fora de sua cama.
O jutsu havia se quebrado, mas antes mesmo do rapaz voltar a ser quem era - um belo jovem de cabelos e olhos castanhos –, a mente e o corpo de Sasuke já o haviam rejeitado. A ilusão era perfeita, mas não era o suficiente.
Não era o bastante.
- Sasuke… - a voz do rapaz chamou, incerta.
- Suma daqui. – ordenou, sentado sobre o colchão e afundando a cabeça entre as mãos.
- Mas…
- Suma! – vociferou, olhando para o rapaz com o Sharingan ativado.
O adolescente catou suas roupas pelo chão e deixou o quarto do discípulo de Orochimaru, sabendo que deveria fugir para o mais longe que pudesse. Sasuke havia dado a ele a liberdade, em troca de uma noite em sua cama. Sua parte na barganha fora concluída. Sendo assim, agora estava livre, mas mesmo tendo sido machucado, sentiu pena do moreno, pois ele estava preso a algo do qual dificilmente conseguiria as chaves para se libertar.
oOo
Continua...
Notas:
Quero agradecer a todos que comentaram no prelúdio e espero que tenham gostado desse capítulo...
Resposta das reviews sem email:
I'м. ̽ Λмα'αн - Aqui está a continuação! O que o Sasuke vai fazer só daqui há uns dois capítulos, eu acho. Naruto está gravido sim! E você vai poder ler sobre ele cuidando do filho sim... tee-hee! Obrigada por comentar!
