Informações até o capítulo 641.
Naruto © Masashi Kishimoto
Uma fanfiction é uma fanfiction.
Capítulo 02 – O afeto sob as cerejeiras
(Naruto & Sakura)
Sakura cutucava seu obentou enquanto ouvia os lamentos incompreensíveis de seu caro amigo que bufava lendo aquela revista famosa de mangás. Que ele aguardasse ela acabar de mastigar, droga! Custava-lhe muito ler em silêncio? Aquilo a irritada, pois deveria ser a décima vez que ele relia os mesmos capítulos de Naruto com igual revolta e emoção que sentiu quando comprava o negócio toda segunda-feira¹ – bom, ao menos ela admitiria: era melhor do quando ficava segurando as lágrimas e fungando ao seu lado.
- Sakura-chan... Hm, Sakura-chan! Estamos atacando agora! Mas tudo só fica explodindo o tempo inteiro. Não tô entendendo mais nada mesmo! – declarava euforicamente. – Uma hora esse Obito tá gordo, outra está com uma capa e cajado. E o Sasuke... ! E ele... parece ter algo contra mim e também parece não ter. – "O quê? Por quê?" indagava mentalmente – Minha cara tava partida assim ó. – deu um golpe de caratê no meio da página.
- Para de chororô, Naruto! – falava com um pouco de arroz na cara. – Putz... Não dá para você ficar salvando e atacando por toda aliança todo bendito momento, deixa os outros curtirem um pouco e mantenha o foco. Temos que ganhar no trabalho em equipe. Trabalho em equipe! – frisou a última sentença. Não era só Naruto e Sasuke-kun, ai dele se transformar quase quarenta mil shinobis em bunda-moles inúteis, pensava Sakura.
Naruto apenas se limitou a sorrir, pois tudo bem, tudo bem, ele compreendia bem que sozinho não haveria vitória para se obter. Estava contente. E como se tivesse algum efeito contagiante, a garota sorriu de volta e lhe ofereceu outro pedaço de frango.
- Obrigado! 'ttebayo – abocanhou tudo de vez, mordendo até os hashis. – Sua comida caseira é realmente ótima, Sakura-chan.
Apenas deu um risinho bem alegre, a jovem de cabelos coralinos. Já era normal almoçarem juntos quando Naruto se esquecia de trazer a própria marmita. O que acontecia, de acordo com análises recentes, todos os dias. Naturalmente, seu obentou adquiriu o dobro do tamanho de modo instantâneo.
- Eu comprei numa loja de conveniência e re-embalei. – maneou a cabeça um pouco para o lado, resplandecendo no rosto um sorriso ainda maior.
"Ah..."
- A-ainda ninguém escolhe o que comprar como você! – sorria implacável, mesmo que um tantinho decepcionado por dentro.
Nesse dia em particular precisaram dividir seu almoço sob uma cerejeira, sentados numa toalha quadriculada de piquenique, pelas árvores simplesmente serem belas nessa época do ano e suas flores originarem um dos nomes mais comuns – e meigos em toda sua delicadeza – do Japão.
- Mas eu concordo... os capítulos andam estranhos. – ponderava, levando a mão ao queixo numa expressão de seriedade.
- Não é? Quando o inimigo era apenas o mascarado o único mistério era como era o rosto feio do mascarado. – Naruto cruzou os braços concentrado, quanto mais pensava no futuro mais possibilidades via. Sabia que iria ganhar, mas não sabia o que iria ganhar.
- Isso não. Você percebeu que meu cabelo anda mudando muito? Aqui na frente...
- Nah, você tá sempre igual... – respondeu decepcionado. "Era isso?"
Roubou o almoço do colo da vaidosa companheira e devorou fervorosamente tudo mais que tinha dentro da marmita. Intervalos não duravam para sempre, uma infeliz verdade.
- E você sabe, como é o selo Byakugou, será que ficarei mais velha também quando liberar? Meu... cabelo iria crescer e... – silenciou ela, pressionando os braços contra o peitoral reto. "S-seria bom, definitivamente. Um pouquinho de crescimento que seja..." se ressentiu com o próprio pensamento, não era motivo de vergonha.
- Igau – murmurou, cuspindo arroz.
Tarde demais, nenhuma tentativa de palavras a atingiria no momento, estava presa em suas próprias expectativas frívolas para com o futuro. Afinal decidira que não esperaria muito de si, pois esperanças costumavam deixá-la muito ansiosa. E ele? Nada mais que uma fugaz alegria causada pela adrenalina do último capítulo. Não poderiam condená-lo, apenas sim entender, que um ataque combinado daqueles não tinha muitas chances de acontecer – estava, inegavelmente, contente.
- Conhece o clube de mangá? – perguntou, devolvendo a caixa quase vazia com restos de "eca" vegetais.
- Hum... Sim, conheço. – aquilo foi o suficiente para recapturar sua atenção.
- Vamos entrar, Sakura-chan! – propôs com os olhos brilhando freneticamente. Era o pedido de sua vida! – Nós dois gostamos muito de man–
- Errado! – interveio quase inchando as bochechas feito um baiacu. – Eu não tenho tempo para esse tipo de coisa... de crianças...
- O q uê!? Tem uma estante enorme com vários no seu quarto... Não tem como ser de outra pessoa, essa mentira não cola em mim, Sakura-chan. – argumentou. Bem lembrava que tinha deixado vários volumes de One Piece lá.
- Nã-não, e-eu só... – mordeu a língua de tão desajeitada que estava. Ela não tinha mais escapatória, esquecera que Naruto já foi à sua casa. "Não que o tivesse convidado, ele apenas apareceu" justificou mentalmente, torcendo para que ele não tivesse visto sua coleção de doujinshi yaoi sasunaru e sasusai.
- E então... ? – ofereceu a mão como se a mesma fosse uma inscrição para o tal clube. A mão de um demônio libidinoso desejando corromper seu coração que declarava fidelidade para com os estudos. As melhores notas da sala! Sakura mordeu o dedo indecisamente até que lhe surgiu uma vontade tentadora.
- Ok, Naruto! Mas eu tenho uma condição... – segurou-lhe a mão com vontade e sorrindo com os olhos, numa tentativa de esconder seu desejo, deixou escapar inconscientemente algo de malicioso no olhar.
- Qual... é... ? – perguntou temeroso, pressentindo que não vinha coisa boa naquela doçura repentina dela.
- Me deixe te segurar no colo. – pediu num murmurinho que quase não podia ser escutado, por mais excêntrico que fosse o pedido. Soava como uma declaração profunda, porém tinha ares de brincadeira.
- Endoidou... ? – estava incrédulo "Colocaram algo na bebida da Sakura-chan, ainda bem que eu nunca gostei muito de chá."era o que passava em sua cabeça.
- Estou falando muito sério, Naruto. Espero que tenha ouvido! Não vou repetir, eu quero te segurar no colo. – desviou os olhos verdes dos azuis, mesmo que fosse capaz de ver obliquamente a expressão de espanto dele.
- NUNCA!
- Pensei que quisesse que entrássemos no clube de mangá... – refutou a objeção dando um olhar severo. Mudava rápido de temperamento.
Ah, maldição, ela sabia acertar no alvo. Embora claramente não fosse aceitar se pudesse, ele não tinha escolhas mais aprazíveis. Era ser levantado ou sim pelos braços dela. Uma vez determinado que entrariam juntos no clube, não poderia voltar atrás nas suas palavras, certo? Serrou o punho e soltando a outra mão dos dedos de Sakura, escondeu a cara.
- Tá certo... – falou como se fosse derrotado. "Não pode ser pior que enfrentar Rikudou, pode?"
- Sabia que iria aceitar! – disse animadíssima, levantando num salto. Colocou seus sapatos e puxou a toalha mesmo com o outro sobre ela. – Levanta logo, Naruto.
Suspirando, ajudou a arrumar os vestígios do almoço deles. Ainda que fosse apenas sair de cima da peça vermelha-e-branca que fora enrolada como um bolinho pela garota e colocada de qualquer jeito na mochila, junto com uma garrafa térmica vazia.
Sem fazer cerimônias, a jovem rosada se aproximou e rodeou as costas do seu amigo com um dos braços e o outro passou por suas pernas habilmente. Ora, se conseguia facilmente fazer voar rochas do chão até a altura elevadas do topo de um prédio absurdamente grande, uns 50kg seriam leve como uma pluma para ela.
- Seja gentil comigo. – zombou enquanto ria. Logo depois da sua frase, Sakura o levantou do chão e nesse mesmo instante ele olhou apreensivamente em todos os cantos esperando não ver um Sai da vida. O que pensaria o senhor das piadinhas infames?
- Ah, então essa é a sensação. – declarou compenetrada em seus pensamentos. Observava o rosto de Naruto com olhos vazios, concentrando no sentimento que era tê-lo envolto em seus braços.
A sensação a qual Sakura se referia era um ato clássico em seus mangás de batalhas que tanto gostava de ler, fossem shounens ou mahou shoujos – e outros mais, onde sempre havia um mocinho lindo para salvar heroicamente a garotinha principal que de alguma forma azarenta sempre arrumava um jeito de se por em perigo constante. A própria também havia sido salva desta forma antes. Duas vezes, em Road to Ninja, contava ela! E outra no mangá... Então ansiava descobrir o que havia de tão... seja lá o que fosse... em segurar alguém no colo.
Em outros pensamentos mais distantes Naruto vagava vergonhoso. Estava se recordando de tudo na sua vida e parou na conversa com sua mãe, quando ela lhe contou como havia se apaixonado por Minato. Segurando-lhe, falando de seu cabelo e a paixão nascendo. "Naruto, seu cabelo tem formato de narutomaki e cor de macarrão. Sempre que o vejo fico com fome de lámen!" A Kyuubi bisbilhoteira o lembraria para sempre disto! Não era nada romântico, como seu beijo com Sasuke, era sim miseravelmente engraçado. Sakura-chan não pode dizer uma coisa dessas, pensava ele convicto.
- Para de se mexer tanto, Naruto! – gritou a moça, tentando o manter sobre seus braços enquanto ele debatia como um peixe fora d'água.
Bastante irritada e mal mantendo ele, não conseguia mais nem refletir. Decidiu o jogar no chão, sobre resmungos e vê-lo massagear a própria bunda dolorida não abalava nada o seu coração austero.
- Eu só queria saber como era segurar alguém... Não precisava se debater dessa forma. – disse magoada num mal humor.
- Urgh... E não precisa me jogar no chão. – revidou ao mesmo tempo em que esfregava as costas, marca registrada da violência dum amor nada delicado.
- Mas trato é trato, entrarei nesse clube de mangá. – ofereceu a mão e um sorriso, para também lhe ajudar a levantar, numa referência de quando ele a convidou. Naruto a segurou.
Neste momento, no entanto, o sinal tocou marcando o fim do horário de almoço. Sakura pôs sua mochila ao ombro e sairia carregando o outro pela mão como se fosse parte de seu material, num movimento automático e robótico da sua rotina escolar, se este não fosse alguém que ficara imóvel.
Como se tivesse sido puxada para fora de um transe, ela apenas observou-o, questionando silenciosamente sua inércia.
- Ei, Sakura-chan, vamos cabular aula hoje. – falou feliz e relaxado.
- Nunca! – que absurdo ele dizia! – Eu tenho que manter minha presença impecável. – mesmo que estivesse adiantada na matéria, que verdadeiro absurdo! Hunf...
- Não se preocupe que eu deixo um kage bunshin transformado no seu lugar. – explicou seu plano, bem simples. – Eu sempre durmo no terraço enqua–
- Ah, "não se preocupe"? Seu clone está sempre dormindo também! Não quero que o professor atire um giz em mim. – e ao pensar um pouco mais, completou. – Em você, no caso.
- Calma, ele vai ficar acordado. Quer dizer, eu vou. – e logo que terminou a frase, acrescentou. – Eu como você vou. Vamos para a aula e vamos cabular aula. – ria da dualidade da coisa enquanto falava.
- Nã-na-ni-na-não! – respondeu convicta, virou as costas e carregou-o junto pelo braço. – Você vem.
O rapaz suspirou, imaginando ser talvez o plano b sua única possibilidade no momento.
- Você sabe que o Sasuke faz parte do clube? – virou um pouco a cabeça e se manteve atento a expressão dela enquanto davam um passo para frente. Neutra.
- De mangá? Sério? Não tem muito a cara do Sasuke-kun...
- E que o aniversário dele foi há pouco tempo... – ela pareceu fechar a cara, da perspectiva do moço.
- Eu dei uma camisa pra ele, mas o Sasuke-kun fez aquela cara de quem não gostou e só agradeceu... – relembrou muito aborrecida com o fato. – E você?
- Tadinha... – deu uma tapinha na cabeça rósea da menina. – Eu também comprei algo, mas... e se ele quiser mesmo me eliminar para adquirir poder? – amaldiçoou-se por tê-lo trazido como assunto. Sasuke era como uma bomba instável. Ninjas são armas e armas podem ser usadas contra aquilo que protegem.
- Naruto... – sentia os olhos prestes a lacrimejar. Em escondido lia os capítulos semanais e machucou-a violentamente o seiscentos e trinta e nove. Não tinha tocado no assunto até então e na menor oportunidade seus olhos encheram d'água como se estivessem acumulados há dias aquele sentir.
Tirou uma caixa pequena da mochila que tinha um embrulho laranja com fita rosa que seria até bonitinho se não estivesse tão amassado.
- Eu já comprei o presente do Sasuke, mas a loja não aceita devoluções, porra! – socou uma árvore próxima, apertando o presente com a outra mão e Sakura ainda não percebeu que os dois se encontravam parados no mesmo lugar.
- Era isso!? Você faz eu me preocupar a toa pra dizer que tá chateado com esse presente estúpido? – vociferou, incomodada com nem sabia o quê. Provavelmente Sasuke, no entanto este estava distante e Naruto próximo, como sempre. – Às vezes você age como se fosse incapaz de crescer.
- Também não precisa ser tão cruel, Sakura-chan... É difícil escolher um presente pro bastardo, sabia?
- Você deveria tomar mais cuidado com ele... Se continuar andando tão próximo pode acabar morto. – cagava lição pela boca, ignorando deliberadamente as próprias falhas que quase lhe custaram à vida.
- Não. Pense, e se o que ele quer apagar é o passado que cortou seus laços?
E às vezes Naruto também dizia algo que ela nunca pensaria. Ou que apenas ele fosse capaz de dizer, tal é a incapacidade de não acreditar no inacreditável e ver apenas o que acha possível.
- Não importa a decisão dele, eu estou encarregado de colocar o retardado do Sasuke no lugar certo. Então não se preocupe–
- Eu não estou preocupada! – fungou e apertou o rosto com os olhos fechados. – Até parece... que eu vou ficar... – chorou. – assim... co-com um mangá estúpido pra crianças. Por causa...
Em um instante ela foi envolta em um abraço que o melhor feito foi conseguir liberar ainda mais lágrimas contidas. "Naruto idiota." pensou ela enquanto limpava a bochecha em seu ombro.
- Está tudo bem, tudo bem. – dava tapinhas nas costas curtas de Sakura, como se ela fosse realmente uma pirralha que vivia chorando. – Eu estou aqui.
Fingindo não notar a provocação, preferiu aproveitar o momento. As pétalas de cerejeira estavam caindo demoradamente sobre suas cabeças, em seus uniformes, deslizando pela pele. O silêncio quase completo a absorvia agora e possuía a característica de fazer qualquer um querer respeitá-lo e apreciar aquela ausência de ruídos. Porém, com tantas palavras para serem ditas, ela sabia que em algum momento precisava quebrá-lo, romper aquele contato e...
- Mesmo que eu só possa fazer coisas pequenas... – alguém havia dito isso para ela, o que importava eram seus sentimentos para Naruto. – E inúteis... – acrescentou por contra própria. – Eu sempre estarei do seu lado. – sorria, face a face com ele agora.
- Sakura–
- Ei, o que vocês estão fazendo aí parados?! – cortou um professor ou outro empregado, da janela, que passava pelo corredor no exato instante e notou-os grudados um ao outro.
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¹ Obs: a Weekly Shonen Jump é vendida na segunda, muito embora o mangá apareça quase uma semana antes na internet. Ou seja, os japoneses leram aquela frase infeliz de apagar passado do nº 639 no dia anterior ao aniversário de Sasuke (só curiosidade mesmo).
post scriptum: O que será? O que será que tem na caixinha? Na caixinha! rsrs
