Acordei novamente com aquela música irritante do meu celular e de alguma forma, não fiquei tão irritado quanto da última vez. O que aconteceu na verdade, é que me lembrei do sonho que tive. Com Atsushi. Como assim ele manda uma mensagem dizendo pra sonhar com ele, e eu sonho? Estou com problema? Ou será que não...?
Como sempre, me arrumei rapidamente, apenas demorando mais enquanto tomava o café e saindo de casa logo em seguida. Cheguei na escola em menos tempo que o normal, mas, ainda sim em cima da hora, o sinal tinha acabado de tocar.
A aula passou tranquila, exceto quando Atsushi decidia ficar me encarando com um sorriso lascivo que deixava-me desconfortável mesmo quando não estava o olhando, pois sabia que ele continuava a me encarar.
No intervalo, encontrei com Kenichi Okamura, Kensuke Fukui e com Wei Liu para discutir algumas coisas sobre o time de basquete. Não vi o Atsushi até o inicio da aula novamente. É bem provável que estivesse sentado em um lugar qualquer comendo doces e salgadinhos, planejando a próxima estratégia para irritar-me.
Eu estava certo. Durante toda a aula, ele simplesmente me ignorou. Não olhou em minha direção em momento algum! Não fazia questão nenhuma de ser observado por ele, mas... Mas nada! Já agi o suficiente como uma garota, ele vai ver uma coisa.
Ao tocar o sinal anunciando o fim da última aula, saí da sala rapidamente, ouvindo o Atsushi me chamar. Fingi nem ouvi e fui direto para casa. Recebi varias mensagens dele.
" Murocchin, você não me ouviu quando te chamei no final da aula? "
" Voce está me ignorando? "
" Não seja chato, me responda "
" Preciso falar com você... "
" Murocchin, sabe de uma coisa? Eu quero te beijar de novo..."
O-o quê?
" Tudo bem, depois do treino você não vai escapar de mim... () "
O quê aquele idiota estava pensando em fazer? Impossível ser algo bom. Parecia mesmo uma ameaça mas não adiantaria ficar pensando nisso. Era sexta-feira e bastava apenas ir embora depressa e não o veria durante todo o final de semana.
Como eu estava errado.
Uma boa parte do treino serviu para ser encarado pelo Atsushi. Ele me olhava descaradamente! Parecia que iria me devorar a qualquer momento e a situação estava ficando mais e mais constrangedora. Quando o olhava, ele sorria de volta, como um predador prestes a atacar sua presa. Aquele seu sorriso estava me matando, eu seria capaz de resistir?
O treino acabou e aos poucos, todos foram embora. Adivinha quem foi o palerma que ficou por último? Exatamente. Eu. Antes que pudesse pensar em sair do vestiário, Atsushi aparece em minha frente, sem camisa.
Hmm Murocchin, estava me esperando é? — disse, aproximando-se de mim.
É obvio que não, estava apenas terminando de arrumar minhas coisas para ir embora. — recuei de acordo com que ele me alcançava.
Sabe, eu não acredito em você... Tenho certeza que estava me esperando.
Senti minhas costas contra a parede e ele cobriu a distância que nos separava com poucos passos. Suas mãos foram para os dois lados de minha cabeça, evitando uma possível fuga. Novamente fiquei sem ação, seus olhos fixos aos meus. Ele aproximou seu corpo do meu, seu rosto foi em direção ao meu pescoço, sentindo meu cheiro e deixando seus lábios em contato com minha pele. Meu corpo arrepiou completamente.
Não percebi quando minhas mãos foram em direção ao seu peito exposto, seu ombro, seus cabelos. Nossas respirações estavam descompassadas e arfei quando senti minha cintura ser segurada por ele, aconchegando cada vez mais nossos corpos. Seus beijos trilhavam uma linha em meu maxilar e quando se aproximava mais de minha boca, ele voltava em direção ao lóbulo da orelha me deixando cada vez mais alucinado.
A-Atsushi, por favor — murmurei.
Você tem que dizer o que quer, não consigo adivinhar. — respondeu com um sorriso nada inocente.
Me beije.
Seu sorriso se alargou ainda mais e prontamente meu pedido foi atendido. Sua boca depositou em leve selinho na minha, seguido por outro que durou mais tempo. Logo sua língua acariciou meu lábio inferior pedindo passagem que foi imediatamente concedida. Senti como se estivesse flutuando. O beijo antes tão suave passava a ser tão possessivo, tão devasso. Nossa línguas dançavam uma eterna valsa em busca de dominância, em uma disputa da qual não haveria perdedor.
Meu corpo era afagado constantemente por Atsushi. Nenhum de nós queria que aquele momento acabasse. Minha camiseta foi invadida por uma mão indecente, intensificando ainda mais o contato de nossos corpos.
Repentinamente a porta do vestiário foi aberta e nos separamos depressa. Meu coração quase parou naquele momento e quando dei por mim, já havia pegado minha mochila indo em direção à saída. Nem preciso dizer que meu rosto estava tão vermelho quanto um tomate. Felizmente não era ninguém do time mas não arriscaria em voltar lá ou até mesmo em esperar pelo Atsushi.
Cheguei em casa ainda sentindo os efeitos daquela sensação extasiante. Nunca havia sentindo tão bem em nenhum outro momento de minha vida. Seus beijos, seus toques eram inegavelmente viciantes. Como uma pessoa pode ser tão cabeça de vento e ao mesmo tempo, tão sedutor?
Decidi tomar um banho, precisava me acalmar um pouco. Ficava embaraçado toda vez que lembrava do quão rápido me entreguei a suas caricias. Pela segunda vez fiquei sem reação nenhuma. Meu Deus! O que aconteceria se ninguém entrasse no banheiro naquela hora? Deixaria ele fazer o que bem quisesse?
Pela primeira vez na vida, me toquei pensando em outro garoto. Atsushi. Ele não saia de minha cabeça, não importava o quanto tentasse. Estava enlouquecendo. Era apenas atração, ou havia algo mais? Talvez eu estivesse gostando dele mais do que um amigo.
Havia acabo de deitar em minha cama quando recebi uma mensagem.
"Vamos nos encontrar amanhã? Deixo você escolher o lugar ω"
"Tudo bem, que tal assistirmos um filme?"
"Hmm boa ideia... Por mim, está perfeito. Passo na sua casa as quatro em ponto Murocchin. Ah, dessa vez sou eu quem vai sonhar com você..."
Nem dei o trabalho de responder mas estava ansioso... Queria me encontrar com ele. Fazia menos de duas horas que estávamos juntos só que sentia a necessidade de ficar do lado dele. Era muito estranho sentir isso, mas gostoso ao mesmo tempo. Uma dúvida surgiu em minha mente. Atsushi sentia o mesmo ou não...?
Tinha tantas perguntas para fazer, que nem saberia por onde começar. Se o sentimento era recíproco. Por que andava tirando tantas fotos. O que estava fazendo com elas. O motivo de ter me beijado tão repentinamente.
Pensando bem, acho que cinema foi uma escolha bem precipitada. O que ele quis dizer com "por mim, está perfeito"? Ele não poderia estar pensando que eu vou... Ah, é óbvio que ele estava. Onde estava a minha cabeça quando decidi ir ao cinema com aquele pervertido? Se bem que eu também não posso falar nada dele. O estado que estou desde aquele... Acontecimento no vestiário.
Mais uma vez, fiquei horas e mais horas pensando coisas que não me levaria a lugar algum. Fiz tudo o que normalmente faço à noite, jantei, lavei a louça e me deitei, esperando o sono chegar. Por mais cansado que estivesse, tinha certeza de que não iria dormir com tanta facilidade.
Tateei meus lábios recordando do sabor e da textura dos de Atsushi. Relembrei da sensação de ter as mãos dele sobre meu corpo. Foi tudo tão surreal que parecia um sonho.
Não dava para negar o poder que ele tinha sobre mim. Nunca havia percebido, mas há muito tempo eu estava submisso a ele, sempre satisfazendo seus desejos, mesmo que de forma indireta. Ele conseguia tudo de mim. Quando finalmente percebi isso, fiquei um pouco revoltado. Como poderia ser tão dependente?
Depois de um tempo, consegui dormir por mais impaciente que estivesse.
Esperava unicamente que Atsushi não ficasse tirando fotos. Era extremamente irritante mas de qualquer forma, iria em um encontro com ele. Amigo, namorado, amante... Não sabia definir.
