Tive mais views do que eu esperava nessa fic... Bom, espero que gostem. Agora sim, um capitulo "decente".
Capitulo 1
As três irmãs estavam sentadas no refeitório, cada uma com uma travessa de comida intocada a frente. O primeiro mês de aulas já tinha passado, o que, para elas, significava que fazia pouco mais de um mês desde que sua mãe tinha chegado com as "novidades". Novidades estas que ainda lhes tiravam o apetite, como agora.
Nenhuma delas falava nada, embora soubessem o que as outras deviam estar pensando. Era assim que a Kankers lidavam com os seus problemas – em silêncio e individualmente.
Marie levantou os olhos da sua travessa, escaneando o refeitório, sem muito interesse. Não aguentava mais aquele silêncio mas não queria tocar no assunto.
Franziu a testa reparando como as mesas ao redor estavam vazias. Uma grande aglomeração se juntava, indo em direção a saída do lugar.
- O que que tá acontecendo? - Perguntou indicando a multidão.
May e Lee pararam de encarar a comida e também olharam naquela direção. Um sorriso cruzou o rosto da mais velha.
- Algo me diz que vamos poder nos divertir hoje. - Lee se levantou.
As outras duas se entreolharam e sorriram maliciosamente, imitando a irmã e saindo do local.
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- Venham, venham comprar enquanto ainda estão quentes! Apenas 50 centavos! - Edu anunciava na barraca improvisada, enquanto Dudu servia os clientes.
O esquema do momento era vender bolinhos de chocolate. Estava rendendo uma grana, o pessoal fazia qualquer coisa para evitar a comida sem gosto da escola. O plano tinha começado por acaso, mas Edu não podia estar mais satisfeito.
- Obrigado, volte sempre! - Dudu se despediu de um dos clientes, sorrindo.
- Dudu! Saca só o barulho da grana! - O mais baixo sacudiu o vidro quase lotado.
- Tenho que admitir, esse plano está indo muito bem. - Sorriu, enquanto se abaixava para pegar mais bolinhos. - Olha só o tamanho dessa fila!
- Bando de otários... - Edu murmurou com um sorriso e se aproximou de Du, que estava deitado no chão atrás da barraca, lendo um de seus gibis. - Aí, cabeça oca, mandou bem com esses bolinhos! Seja lá como você faz eles!
- Eu vou abrir um restaurante, o que você acha, Edu? - Du sorriu, feliz por ser útil.
- Eu sei é que eu é que não vou comer nada do que você fizer.
- Edu, temos problemas! - Dudu o chamou aflito e Edu virou-se no mesmo instante, localizando o problema vindo lá do final da fila.
- Kankers. - Murmurou, perdendo a cor só de pensar que elas poderiam arruinar todo o esquema.
- Saiam da frente, vazando! - Lee anunciou, expulsando todo mundo da fila.
- Não tem mais nada para vocês aqui. - Completou Marie, de uma forma que era impossível não obedecer.
Logo, o lugar estava deserto, exceto pelas três irmãs e os Dus.
- E aí, meninos? - May se debruçou na mesa, fazendo os três recuarem.
- É... Parece que vocês fizeram mesmo uma boa grana. - Lee pegou o pote com as moedas de cima da mesa.
- Larga isso, Lee! - Edu avançou para arrancar o pote das mãos dela.
- Então pega. - Lee ergueu o pote, onde Edu não conseguiria alcançar. - Tampinha.
Edu já estava explodindo de raiva e já ia avançar de qualquer maneira quando Dudu o segurou.
- Calma, Edu! Você sabe que não pode contra elas.
- Isso aí, melhor escutar o que ele diz. - Marie se debruçou na mesa também e as três riram.
- Bruxas malvadas, deixem a gente em paz! - Pediu Du.
As três riram ainda mais.
- O que acham meninas? - Lee perguntou.
- Ah, eu acho que a gente devia ganhar algo em troca, não acham? - May respondeu, se inclinado mais na direção deles.
- Algo muito bom em troca. - Marie completou, com um sorriso largo.
- P-Por favor sejam razoáveis com o quer que forem pedir. - Dudu se manifestou.
- Razoáveis, hm? Deixa eu ver... - Lee fez cara de pensativa, enrolando um cacho no dedo. - Queremos uma sociedade.
- O que?! - Edu e Dudu perguntaram juntos (Enquanto Du tinha se distraído com alguma outra coisa, como sempre.)
- Nem vem! - Edu foi logo dizendo. - O trabalho foi todo nosso, não quero vocês no meio!
- Bom, se não quiser, nós podemos vir aqui todo dia e espantar sua clientela. - A ruiva retrucou. - Afinal, vocês estão no nosso corredor.
- Er, receio que o corredor seja parte integrante da propriedade escolar da qual tenho certeza que... - Dudu começou, mas foi cortado por Lee.
- Então é hora de aprender outra lição, geniosinho, TUDO é propriedade das Kankers.
- Acho melhor pensarem bem antes de recusarem nossa oferta. - Marie completa.
Dudu, ao ver como Edu estava ficando vermelho de raiva, achou melhor intervir.
- Nos deem um minuto para conversar, sim?
Os três viram de costas e se reúnem num circulo, conversando em tom baixo.
- Elas vão botar germes de garota em tudo! - Du expressou sua preocupação.
- Eu não acho isso uma boa ideia, é melhor desistir do plano e...
- Mas e a grana? Você viu quanta grana estávamos conseguindo?
- Deixa pra lá, já temos o bastante.
- Daria para comprar entradas pro alien vs godzilla III: a volta dos que não foram! - Du concordou. - E uma galinha.
- Mas-
- Vão demorar o dia todo, aí? - Marie os apressou e eles voltaram a se virar para elas.
- E então? - Lee pergunta.
Edu grunhi algo ininteligível em resposta.
- Como é que é, bonitão?
- Tá. A gente aceita. - Ele responde, surpreendendo os outros dois.
As três riem.
- Foi um prazer fazer negócios com vocês. - Marie fala com tom de provocação.
- Vamos embora, meninas. Pra mim já tá bom de escola por hoje. - Lee dá a meia volta.
- Tchauzinho, meninos, nos vemos amanha! - May se despede acenando e segue as outras, rindo.
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No dia seguinte, os três Dus estavam no mesmo corredor, preparando tudo para mais um dia de vendas.
- Por que você concordou com a ideia das Kankers? A gente nem sabe o que elas vão querer em troca! - Dudu fala indignado, seguindo o líder.
- Eu já disse, eu não tinha escolha. - Respondeu irritado por estar sendo questionado de novo.
- Sem escolhas?! Sem escolhas?! Você podia simplesmente ter desistido desse seu plano! Francamente!
- Olha, Dudu, faz tempo que a gente não consegue um plano que dá tão certo! Não vou deixar as Kankers arruinarem tudo. E depois, quem sabe elas não esquecem da tal "sociedade". - Edu colocou o pote de vidro para receber o dinheiro sobre a mesa. - Estamos prontos.
Dudu suspirou, certo de que aquilo não daria certo. Virou-se para Du, que estava entretido observando uma formiga andando no chão. As vezes, Dudu queria ser como o amigo e viver sem preocupações, apenas deixar-se levar pelos acontecimentos.
Du nota que Dudu estava o observando e vai até ele com um sorriso largo.
- Ei, Dudu! Acha que a gente consegue dinheiro suficiente para comprar um estoque ilimitado de molho?
- Ilimitado eu não diria, mas quem sabe.
- Sabe, eu queria muito encher uma piscina de molho dessa vez!
Dudu tenta esconder a cara de nojo. Só de lembrar da banheira cheia de molho que o ruivo mantinha no quarto, ficava nauseado.
- Eu não acho isso uma boa ideia, Du...
- Ah, esqueci de falar! - Du fala num sobressalto. - Hoje não tinha chocolate em pó para fazer os bolinhos.
- Não tinha? - Dudu olhou de relance os bolinhos em cima da mesa.
- Não! - Se aproximou de Dudu. - Aí eu tive que usar...
Enquanto isso, Edu esfregava as mãos, já pensando no dinheiro que iam ganhar hoje. Olhou o relógio. Um minuto para que o sinal do intervalo tocasse. Tudo estava indo conforme o plano...
- Edu! Edu! - Dudu gritou, correndo até ele.
- O que foi agora, cabeça de meia? - O líder perguntou num suspiro, já imaginando que o mais novo tivesse vindo só para encher mais o saco.
- Nós não podemos vender esses bolinhos! As pessoas vão passar mal! - Tomou Edu pelos ombros, e o sacudiu, tentando faze-lo entender a gravidade da situação.
- Se não passaram até agora, não vai ser hoje que isso vai acontecer. - Edu revirou os olhos.
- Mas você não entende, o Du...
O sinal tocou e logo os estudantes saíram de suas salas, muitos deles vindo em direção a barraca.
- Aí, Dudu, se não quer ajudar, não atrapalha. - Edu empurrou o garoto e foi atender os clientes.
Dudu puxou a toca nervosamente, enquanto assistia aquelas atrocidades culinárias sendo vendidas.
- Nada bom, nada bom...
Logo, a primeira bandeja tinha acabado. E a segunda. E a terceira...
- Ei! - Um loiro grandalhão do time de futebol apareceu gritando no fim da fila. - Ei, vocês! - Empurrou as pessoas de sua frente e bateu as mãos na mesa. - O que foi que vocês colocaram nesses bolinhos, ehm?
- Eu te disse que isso não ia dar certo... - Dudu murmurou para Edu, que olhava assustado para o loiro.
- Seus panacas! Eu vou acabar com vocês, essa droga me fez passar mal e... - Ele fez uma careta, o rosto ficando esverdeado, e correu para o banheiro mais próximo.
As pessoas que restavam na fila começaram a murmurar entre si, comentado o ocorrido. Logo outros alunos que também tinham comprado os bolinhos apareceram relatando que estavam vomitando e se sentindo muito mal.
- Queremos nosso dinheiro de volta! - Uma garota gritou na multidão e logo outros se juntaram a ela.
- … Droga. - Foi a única coisa que Edu conseguiu falar ao se ver cercado por aquela multidão indignada.
- Dá licença, estamos passando. - A voz de Marie ressuou pela fila, enquanto ela e as irmas abriam caminho na multidão.
- Que que tá pegando aí? - Lee perguntou para um dos garotos que ameaçava bater nos Dus.
- A-Ah, bem, eles venderam pra gente uns... - O garoto começou, suando frio com a presença intimidadora das Kankers.
- Pois é, eles venderam e vocês compraram. O problema é todo de vocês.
- M-Mas... - O garoto tentou argumentar mas foi silenciado quando May e Marie deram um passo em sua direção.
- Ninguém obrigou vocês a comprarem, logo, se estão insatisfeitos, a culpa é toda de vocês. Fui clara? - Continuou Lee.
- Mas e o nosso dinheiro? - Alguém lá de trás gritou.
- Vocês trocaram eles por bolinhos e receberam bolinhos. Se estão vendo algo de errado aqui me digam, por que eu não estou. - Lee declarou incisiva.
A multidão se entreolhou, sabendo que ninguém ali conseguiria enfrentar as Kankers, e vagarosamente começaram a se dispersar, deixando os Dus e as irmãs sozinhos mais uma vez.
Os garotos estavam boquiabertos.
- Nós ficamos com o dinheiro... - Começou Edu.
- Mesmo depois de ter dado tudo errado... - Continuou Dudu.
- Galinha com quiabo teria feito mais sucesso... - Completou Du.
- Conseguimos, galera! A gente se deu bem uma vez na vida! - Edu comemorou.
- E só foram necessários mais de dez anos! - Concordou o da touca.
- Abraço em grupo! - Du gritou puxando os amigos e forçando um abraço.
- Não estão esquecendo de nada? - Perguntou Marie, se sentando na mesa.
Os três pararam a comemoração imediatamente, lembrando da presença das garotas.
- A-Ah, bom... O-Obrigado pela ajuda, m-meninas. - Dudu gaguejou.
- Awn, meu homem não é uma gracinha? - Marie comentou para as outras, fazendo elas rirem.
- Agora vamos dividir os lucros. - Lee pegou o pote com o dinheiro.
- Ei, que divisão o quê? Vocês não falaram nada disso! - Edu se manifestou.
- Dissemos que queríamos uma sociedade e nós temos que receber algo pela nossa ajuda, não acham? - Perguntou Marie.
- Sem falar que nós fizemos todo o trabalho sujo! - Declarou May.
Edu ia retrucar mas Dudu colocou uma mão no ombro dele, em sinal para que ele se acalmasse antes que as coisas ficassem piores ainda. Edu, ainda vermelho de raiva, trincou os dentes, tentando engolir os xingamentos que queria dizer.
- Deixe me ver... - Lee analisava o vidro, fingindo estar pensativa. - Se contarmos com o tamanho da multidão... Ah, sim, isso deve ser o suficiente.
- O pote inteiro?! - Edu não conseguiu mais se segurar.
- Ah não, claro que não, isso seria errado. - A ruiva abriu o pote e jogou uma moeda para eles. - Pronto, aí está a parte de vocês.
As três ficaram as gargalhadas enquanto os três encaravam a moeda incrédulos.
- Isso não é justo! - Edu gritou.
- Claro que é! - Falou May.
- Estava escrito nas letras pequenas. - Debochou Marie.
As três gargalharam mais uma vez e saíram com o pote em mãos.
- Aaaah, isso não vai ficar assim! - Edu gritou avançando na direção em que elas foram.
- Du, segura ele! - Dudu gritou.
- Estou indo! - Sem dificuldades, Du correu atras do líder e o agarrou. - Vamos voltando, estressadinho!
- Me solta! Me soltaaa! Minha grana!
- Vamos para sala, Du. - Dudu chamou, num suspiro.
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Mais tarde, no trailer das Kankers, May e Marie estavam sentadas na única cama da casa. Marie penteava os longos cabelos de May, enquanto esta lia uma revista.
- May. - Marie chamou a irmã, aproveitando a ausência da mais velha. - Qual você acha que é a intenção da Lee?
- Com o que? - May levantou os olhos da revista que estava lendo.
- Você sabe. Esse lance com os Dus.
- Ah, não sei. Talvez ela só queira ajudar?
Marie revirou os olhos com a simplicidade da irmã.
- Por favor, Lee não ajuda ninguém. Não sem motivos.
May deu de ombros.
- Eu achei divertido.
- Eu sei, mas... Tem algo de errado nessa história. Ela nunca propôs algo assim antes... Você bem que podia perguntar pra ela.
- Eu? Porque você não pergunta?
- Ora, se for eu a perguntar ela pode ficar zangada, mas se for você...
- Tá achando que eu sou burra? Ela vai é me bater!
- E?
- Pois eu acho que você é quem devia ir lá perguntar! Não é você quem quer tanto saber! - May retruca, cruzando os braços.
Marie dá de ombros, mesmo sabendo que May não vai ver naquela posição.
- … Acha que isso tem a ver com... - Marie começou novamente, mas Lee apareceu na porta e elas se calaram.
- Matei uma ratazana do tamanho de um gato. - Lee declarou, satisfeita consigo mesma. - Essas pragas não param de aparecer.
- É verdade. - Marie disfarçou e jogou o pente pra lá. - Pronto, May. Você me deve uma.
- Mas você nem desembaraçou as pontas direito! - May reclamou pegando no cabelo.
- A gente vai dormir agora, quem se importa?
- Eu! - A loira encarou a irmã com raiva e Marie sustentou o olhar.
- Calem a boca e vamos dormir. - Lee apagou a luz. - Vocês sabem que se eu não dormir bastante fico de mal humor.
- Como se não estivesse sempre. - A loira não se aguentou e ganhou uma tapa da do meio.
- Cala a boca! - Marie murmurou entre dentes, não querendo problemas a essa hora da noite.
As três se ajeitaram na cama e logo caíram no sono.
Continua...
Eu disse que ia postar sexta, mas fiquei ansiosa para postar logo... O próximo sai sexta (se eu não ficar ansiosa de novo).
Comentário são muito bem vindos, viu? E o anonimo tá habilitado... Vamos lá, não custa nada dar uma opinião. o3o
