— Isto é ridículo — Resmungou Harry Potter enquanto era despido por duas mulheres seminuas. — Uma fantasia, Simas? — Fez uma careta para o mais novo dos seus quatro amigos, tentando imitar a carranca que seu falecido pai, o Visconde de Radmoor, costumava estampar. A julgar pelo sorriso largo, Simas não parecia nada impressionado. Pelo jeito, Harry ainda tinha muito que praticar.

— Mas faz parte do jogo — Simas respondeu. — Faz parte do presente que estamos lhe dando.

— Não estou certo se devo aceitar este presente. Vou falar com o irmão de Gina amanhã. — Ele não tinha intenção de seguir os caminhos da infidelidade que seu pai seguira, caminhos estes que acabaram colocando a sua família na difícil situação em que se encontrava.

— Exatamente por isso que você deve aceitar — disse Neville, Lorde Fieldgate. — Pois todos nós sabemos que, depois que o fizer você será um homem comprometido. E conhecendo-o, tenho certeza de que irá se tornar
um homem muito pior, em vários sentidos. Considere isto como a sua última farra.

Harry sorriu enquanto uma das mulheres o vestia com uma túnica e a outra calçava sandálias nos seus pés.

— Que tipo de jogo é este que preciso me fantasiar de romano?

— É o jogo do Sacrifício Pagão.

— Que heresia! — Harry balançou a cabeça. — Como puderam pensar que eu fosse gostar de algo assim?

— É uma brincadeira inofensiva e decidimos que você precisava ter uma recordação de algo raro e exótico, até mesmo um pouco chocante, antes de ser tornar um homem casado, velho e acomodado. Se não gostar, tenho certeza de que a mulher poderá fazer qualquer outra coisa que você desejar. A Sra. Dolores treina muito bem suas meninas. Sinta-se livre e solto por uma noite, Harry. Pagamos por uma noite inteira de prazer para você. Realize seus sonhos. Até mesmo você deve ter algum. Depois desta noite, só restarão Gina e os herdeiros para criar.

Não havia como negar a verdade nua e crua. Sua união iminente com Gina Wesley não era por amor, não que particularmente acreditasse em amor, de qualquer maneira. Era uma união baseada na necessidade de um
herdeiro e na quase desesperada necessidade de dinheiro. Gina vinha de uma linhagem adequada, era bela e possuía um dote muito atraente. Ela sabia transitar com muito mais desenvoltura do que ele pelas altas rodas da sociedade. Era a escolha perfeita para uma esposa.

Então por que estava sentindo como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros? Quanto mais perto de se casar com a adorável Gina, mais e mais a pergunta invadia sua mente. Era verdade que não existia uma afeição verdadeira entre eles, e bem pouca paixão, mas tais coisas eram luxos que poucos homens na sua posição podiam bancar. Mesmo assim, um pouquinho de calor por parte da esposa seria bom, ele refletiu, pois ainda não tinha detectado uma faísca sequer em Gina.

E isso, ele suspeitava, era o que o levava a continuar agindo de modo indiferente. A ideia de uma cama de casal onde só existiria frieza era profundamente arrepiante. Seu maior temor era que, com o tempo, ele acabasse
agindo contra seus princípios e começasse a sair em busca de um pouco de calor em outro lugar qualquer. Harry sabia que os amigos o consideravam um idealista ou, pior, um romântico incurável, mas ele sempre sonhou com um bom casamento. Não queria para si os arranjos que se viam na sociedade, nos quais a esposa não passava de uma anfitriã que paria os filhos do casal enquanto o marido se deliciava com uma longa lista de amantes.

Esse tipo de casamento tinha destruído sua família, dilacerado o coração de sua pobre mãe. Pelo decorrer dos acontecimentos, aparentemente este também seria seu destino. Ele foi abruptamente arrancando de seus pensamentos sombrios quando uma das mulheres começou vendá-lo.

— Isto é mesmo necessário?

— Completa o clima de mistério — respondeu Simas.

— Estou me sentindo um tolo.

— Em breve você vai se sentir muito melhor. Vamos ver o que me diz amanhã de manhã.

Enquanto era guiado pelos amigos, Harry não tinha certeza se queria passar a noite participando de jogos bobos. Não que fosse ingênuo, mas não costumava cair na farra como seus amigos, apesar dos boatos e das fofocas que corriam a seu respeito. Este era um tipo de prazer que ele nunca pôde se dar ao luxo de sustentar, uma vez que seu pai tratara de gastar toda a fortuna com isso e nas mesas de jogos, deixando os Potter quase na miséria. Foi com pesar que acabou admitindo para si mesmo que os atos de seu pai eram parte do motivo pelo qual ele lutava para se controlar em todos os sentidos. Isto e a doença que finalmente tinha posto fim à vida do homem. Harry era um sujeito contido até mesmo na hora de fazer amor. A necessidade estava lá, mas não a inclinação
para a inventividade ou a ousadia. E ele se orgulhava de ter controle sobre todos os aspectos da sua vida.

O problema era que, apesar de já ter sentido desejo por uma mulher antes, foram raras às vezes em que realmente chegou ao clímax depois dela. Nas poucas ocasiões que isso sucedera, ele até chegou a sentir um fogo ardendo por dentro, mas este se apagou assim que ele sentiu que estava perdendo o controle dos seus instintos por falta de afeto ou algo do tipo. O fato é que nunca tinha experimentado aquela loucura de sentir os membros trêmulos, as pernas bambas e o sangue fervendo nas veias de tanto desejo como os outros costumavam
descrever. A tal loucura era fugaz, de acordo com aqueles que afirmavam terem experimentado, mesmo assim Harry temia que houvesse algo de errado com ele, uma vez que nunca tinha experimentado nada parecido. Pelo menos uma vez, ele gostaria de ser tomado pela tal loucura, mas como estava prestes há completar trinta anos e logo iria se comprometer com a fria e elegante Gina, ele duvidava que um dia fosse experimentar tal prazer.

— Chegamos milorde — disse a mulher, que o conduzia, assim que abriu uma porta. — Vou deixá-lo ao lado da cama e depois vou tirar a venda para que possa ver o belo presente que seus amigos lhe deram.

Quando a mulher removeu a venda, Harry olhou para o presente e experimentou uma sensação que comparou a uma ocasião em que caíra de uma árvore e o impacto da queda chegou a tirar seu fôlego de tão forte. A mulher
amarrada pelos membros à cama era pequena e delicada. Harry se preocupou vendo os braços e pernas da moça esticados. De canto de olhos, ele viu vagamente uma mulher pousar uma bandeja com vinho e bolinhos sobre a mesa ao lado da cama enquanto outra depositava as roupas dele sobre uma cadeira.

Todas as suas atenções estavam voltadas para o seu presente. O vestido branco diáfano que ela usava pouco escondia do seu olhar atento. Enquanto ele admirava o corpo esguio, seus batimentos cardíacos aceleraram e se transformaram em palpitação. Os seios não eram particularmente grandes, mas o formato era perfeito, redondos e firmes com mamilos rosados. A cintura era delicada e acentuava a curva feminina dos quadris. À medida que seus olhos admiravam de cima abaixo a extensão do belo corpo, das pernas delgadas, suas mãos umedeciam de suor, as quais ele secou lentamente nas laterais da túnica. O corpo delicado estava deitado sobre um
manto de cabelos ondulados castanho, que quase chegavam à altura do final das costas. Seus olhos pararam então na elevação em formato de V, coberta de cachos, entre as coxas alvas. Ele estremeceu e seu
coração começou palpitar.

Assim que ouviu as mulheres saírem do quarto, ele rapidamente se sentou à beira da cama. Estava se sentindo estranho e inseguro. Quando tocou no rosto em formato de coração, ele teve de lutar contra a vontade de se atirar sobre a estranha. O nariz pequeno era pontuado por algumas sardas, mesmo assim ele queria beijar cada uma delas. Havia mais algumas espalhadas sobre os seios, as quais ele queria contar também. Com a língua, de preferência. Belas maçãs do rosto e um queixo levemente arrebitado formavam uma face que era bonita, mas
não elegante. Os olhos, porém, eram maravilhosos. Numa estranha mistura de castanhos, eles pareciam selvagens, emoldurados por cílios longos, e sob sobrancelhas castanho-escuras, levemente arqueadas. A boca era capaz de tentar um santo, ele concluiu. Era um pouco grande para a moda, não tinha o formato de um botão de rosa ou de arco de cupido, mas os lábios levemente fartos eram perfeitos. E ele queria mordiscá-los.

— Esta posição não é desconfortável? — Ele perguntou e concluiu que mereceu a careta que ela deu como resposta. — Que pergunta boba.

—Eu não teria a indelicadeza de dizer isso.

Harry contraiu as sobrancelhas e achou que ela falava muito bem para uma prostituta. Ele odiou imaginá-la como uma daquelas mocinhas bem- nascidas, que a seus olhos não passavam de tolas. Ela estava trabalhando em um
bordel e se encontrava amarrada a uma cama, pronta para fazer o papel de uma virgem oferecida ao sacrifício em algum tipo de jogo sexual idiota com um estranho. Foi um pouco embaraçoso para ele reconhecer que agora estava pronto para entrar no jogo que, na verdade, estava louco para participar dele. Ele decidiu que desamarraria os tornozelos dela e se aproximaria para tocar naquelas coxas.

O gemido suave que ela soltou e a visão da sua mão tocando aquela coxa deixaram Harry agitado. Isto era desejo, concluiu aquele tipo de desejo cego que ele tinha acabado de pensar que nunca experimentaria. De repente, o que parecia uma tolice agora se mostrava um tanto exótico. Harry descobriu que tinha sim imaginação e que esta estava enchendo sua mente com uma porção de planos devassos. Ele descalçou as sandálias e se levantou para tirar a túnica. O modo como ela arregalou os olhos excitou-o e o fez jogar a túnica para o lado.

Foi preciso se conter para não se exibir diante dela como um tolo vaidoso.

Agarre-me! Hermione pensou enquanto olhava para um homem nu. O mais surpreendente, estava olhando para Lorde Potter nu. Ela ficara cega de paixão pelo homem no primeiro momento em que colocara os olhos nele, mas
nem em seus bobos sonhos românticos chegou a imaginá-lo nu. E se tivesse — concluiu sem conseguir tirar os olhos do membro enrijecido, — nunca pensaria que aquele apêndice em particular pudesse ser tão inspirador. O pouco conhecimento que tinha sobre anatomia masculina fora adquirido na época em que cuidara de meninos menores. Sempre desconfiara que o apêndice de um homem adulto fosse bem maior do que o de um garoto, mas nunca pensou que pudesse ser tanto assim. Hermione não conseguia definir qual das emoções que sentia no momento era a mais forte, se a surpresa ou o terror de saber que ele pensava que poderia introduzir aquilo em seu corpo.

Hermione sabia que não era apenas a poção da Sra. Dolores que a impedia de gritar e pedir que a soltassem. Sua paixão pelo homem também a prendia. Até então, o espiava somente de longe ou às escondidas, atrás da casa dele como se fosse uma ladra. Tudo nele a atraía, desde sua aura de força e discrição à sua aparência bela e elegante. Ela ficara embasbacada com a beleza dele desde o começo. Vestido, ele já a fazia suspirar como uma sonhadora. Despido, deixou-a incapaz de até mesmo encontrar o ar para respirar. Finalmente ela conseguiu erguer os olhos até o rosto na vã esperança de aplacar o forte calor que aquecia seu sangue. A visão do corpo nu tinha atiçado uma febre estranha por dentro do seu corpo, e ela precisava se livrar daquela sensação. Os fartos cabelos pretos estavam soltos, descendo sobre os ombros. Uma mecha mais curta pendia sobre a testa larga. O nariz era fino e longo, os ossos da face elegantes, o queixo anguloso e a boca, com seus lábios levemente
fartos que se igualavam à perfeição dos olhos, implorava para ser beijada. Era um rosto que ela sabia que nunca se cansaria de olhar. Mas eram os olhos, no entanto, que mais fascinavam. Eles lembravam duas grandes esmeraldas. Cílios grossos, quase femininos,pretos circundavam aqueles olhos mágicos. Sobrancelhas lisas e levemente arqueadas, no mesmo tom dos cílios, adicionavam algo de exótico, realçando o formato levemente puxado dos olhos.

Mas os devaneios sobre a beleza máscula se dispersaram abruptamente assim que ele se juntou a ela na cama, encaixando-se entre suas pernas distanciadas. Em seguida, ele acariciou as coxas roliças com seus dedos longos e
elegantes, e uma onda de pura e irrestrita luxúria varreu todo o corpo de Hermione. Ela sabia que era culpa da poção, mas desconfiava que os efeitos tivessem sido potencializados por todas as emoções que o homem há muito tempo despertava no seu coração e no seu corpo. A poção maligna que a madame lhe dera tinha estraçalhado também todos os escudos protetores, aberto portas internas que ela mantinha fechadas para se proteger do distúrbio de emoções alheias e para não ser oprimida pelos espíritos que sempre a rodeavam.

Tia Olímpia costumava dizer que os descendentes dos Granger eram ardentes. Hermione não ficou nada satisfeita em constatar que a mulher tinha razão, não agora, não enquanto se sentia tão vulnerável e incapaz de controlar as próprias emoções. A menos que algum milagre acontecesse, ela, que nunca havia sido beijada, estava prestes a descobrir o verdadeiro sabor da paixão. O fato que mais intrigava do que assustava era outro sinal de que ela realmente tinha perdido todo e qualquer controle da situação.

— As suas pernas são lindas — Harry murmurou enquanto as acariciava, deleitando-se com a maciez da pele.

— Elas são muito finas — ela disse, e uma pequena parte ainda sensível da sua mente dopada a alertou de que tinha acabado de dizer uma bobagem. O sorriso com que Harry respondeu, no entanto, foi lindo e não tinha um sinal sequer de zombaria.

— São delgadas e fortes. E macias. Deliciosamente macias. — Ele beliscou de leve as partes internas das coxas e depois acariciou os pontos com beijos e suaves movimentos com a língua. — Você é muito meiga para este tipo
de vida — sussurrou ao fitá-la. A ponta dos seios enrijeceu, e ela enrubesceu levemente. — E reage bem aos meus estímulos. Desconfio que seja nova no ramo.

— Oh, sim, bem nova.

Se não fosse tão triste, Harry teria rido do leve sotaque interiorano da moça. Muitas garotas do interior vinham para a cidade em busca de trabalho honesto, mas acabavam vendendo o corpo para sobreviver. Ele queria perguntar quantos anos ela tinha, mas acabou se distraindo com o belo corpo e com o próprio desejo. E até cheirava bem, ele pensou ao pressionar o corpo contra o dela.

Hermione estava prestes a explicar toda a situação, mas hesitou ao ser tomada por uma estranha mistura de surpresa com prazer quando ele acomodou as longas pernas sobre as suas. Depois, ele apoiou o dorso sobre os cotovelos, mas isto pouco contribuiu para atenuar o toque envolvente do calor e do peso de seu corpo sobre o dela. Mais surpreendente ainda foi o modo como o corpo da moça reagiu quando ele encostou o membro rijo bem no centro pulsante entre suas pernas.

—Vou livrá-la disso — ele ofereceu, surpreendendo a si mesmo.

— Seria muita gentileza sua — ela disse com uma voz que não passou de um sussurro enquanto o observava desamarrar as fitas de seda que prendiam a parte da frente do vestido revelador. Ela deveria estar chocada, mas na verdade se preocupava mais se ele pensaria que ela não estava nem um pouquinho envergonhada.

— Eu poderia arrumar um lugar para você, uma casinha só sua. — Ele não sabia ao certo como pagaria por isso, mas estava determinado a encontrar um meio. Harry silenciou sem escrúpulos a voz que sussurrava em sua mente que ele estava agindo do mesmo modo que seu pai.

— Ah! — Hermione exclamou desapontada, mas não surpresa. — Para que assim eu possa servir a um homem apenas em vez de muitos, e este homem seria o senhor?

— Seria melhor do que isto, não?

— É possível, mas o senhor não considera a possibilidade de que eu não queira servir a ninguém? — Especialmente um homem que nem sabia quem ela era de fato e cortejava Gina, ela pensou frustrada por não encontrar forças para detê-lo ou de pelo menos agir com frieza e permanecer imune a suas carícias.

— Então por que está aqui, afinal?

— Esta me parece uma pergunta um tanto ingênua. Ou o senhor realmente imagina que uma mulher acorde um dia e pense: ―Ah, acho que vou me tornar uma prostituta!?‖

Diante da pergunta de Lorde Potter,Hermione chegou à conclusão de que ele provavelmente duvidaria da história sobre o rapto, a poção e o aprisionamento. Obviamente pensava, assim como muitos outros, que uma mulher seria capaz de escolher de livre e espontânea vontade uma profissão tão degradante. Algumas sim, ela refletiu, pois estas acreditavam que deste modo poderiam ter uma chance de encontrar um amante rico, mas a maioria das mulheres era arrastada para esse inferno por meio de embustes, à força ou por pura pobreza.

Justamente quando ela começava a recuperar a razão para dimensionar o tamanho da confusão em que estava metida, ele moveu a mão sobre seus seios e seu juízo foi sobrepujado novamente.

Harry fechou os olhos e se deleitou com o modo como o seio macio se encaixou perfeitamente na palma de sua mão.

— Acho que foi uma pergunta tola. Talvez você não tenha tido muitas oportunidades na vida. — Ele beijou a pele quente entre os seios. — Mas estou lhe oferecendo uma oportunidade agora. — Fitou-a novamente. — Como você se chama?

— Hermione — ela respondeu, fascinada com o calor que emanava dos olhos dele.

— Hermione? — Ele soltou um leve sorriso, incerto se devia acreditar. — É um nome estranho para uma menina da Sra. Dolores.

— Não sou uma das meninas dela. — De repente, Hermione imaginou se a madame era realmente casada, e caso fosse, onde estava seu marido?

Rapidamente ela enterrou o pensamento quando sussurros surgiram dentro da sua cabeça tentando lhe dar a resposta.

— Não? O que você é então?

Pelo tom de voz, deu para perceber que ele estava zombando. Apesar disso, e da mente ainda um pouco confusa por causa da poção, ela resolveu contar sua história.

Duvidava que ele fosse acreditar ou que parasse com o joguinho de sedução por um momento sequer, mas ela precisava ao menos tentar explicar sua situação. No mínimo, atenuaria a vergonha que com certeza iria sentir
depois que ele se fosse e o efeito da poção da Sra. Dolores passasse de uma vez por todas. Apesar de ter uma leve sensação contrária, ela se imaginava envergonhada caso entregasse sua pureza ao Lorde Potter.

— E se eu lhe contasse que sou filha de um marquês, que fui cruelmente raptada e vendida para a Sra. Dolores? E se dissesse que fui obrigada a tomar uma poção, vestir este traje escandaloso, e que depois fui amarrada a esta cama contra a minha vontade?

— Você realmente espera que eu acredite nisso? — Harrt não podia acreditar na falta de sorte que o atacava justamente quando ele estava prestes experimentar a sua primeira explosão de prazer por uma mulher.

— Na verdade, não. — Ela suspirou. — Se o senhor está me oferecendo opções, posso escolher ser desamarrada, agora?

— Daqui a pouco vou desamarrar seus tornozelos. — Ele começou deslizar ao longo do macio pescoço com beijinhos suaves e mordidinhas carinhosas. — Pensei que isto não passasse de um jogo bobo, mas mesmo assim
acabei permitindo que meus amigos me colocassem nesta situação.

— Isto é um jogo? Como se chama?

— É o jogo do Sacrifício Pagão. Ninguém lhe contou?

— Ninguém me falou nada. Eu nem sabia que as pessoas costumavam se aventurar em jogos extravagantes num bordel.

— Ocorrem vários jogos nos bordéis. Nunca fui disso. Nunca tive muita imaginação. Mas então eu a vi. Naquele momento me dei conta de que eu tinha sim uma imaginação muito boa. Minha mente se encheu de idéias de como eu poderia me divertir com você. E percebi que poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse. E a minha intenção é fazer com que você sinta o mesmo.

Hermione teve certeza de que estava fora de si quando imagens obscenas despertadas em sua mente pelas palavras dele se tornaram mais excitantes do que chocantes. Ela tentou se lembrar se, em algum dos muitos sonhos que tivera com esse homem, alguma vez seus pensamentos a tinham conduzido a algo além
de beijos e doces palavras de amor. Não conseguiu se lembrar de nada particularmente sensual, mas de agora em diante teria conhecimento suficiente para mudar tudo. Ou isso talvez explicasse por que ela acordara várias vezes suando e arfando por um desejo que não sabia de quê. Tais sonhos estavamagindo sobre ela agora, quase tanto quanto a poção da Sra. Dolores.

Ela sentiu um tremor de prazer intenso quase dolorido quando ele cobriu seu seio com uma mão quente e lentamente lambeu o espaço entre os seios.

— O senhor não deveria me beijar primeiro?

Quando ele ergueu os olhos, Hermione ofegou tão rapidamente que quase engasgou. Foi como se tivesse olhado dentro do coração de uma nuvem tempestuosa. O verde esmaralda dos olhos dele tinha escurecido a ponto de se tornar quase preto, e havia tanto calor no olhar que sua pele aqueceu. Havia também um brilho de alegria e curiosidade. Pelo jeito, ela acabara de dizer outra coisa que não combinava com o papel que era forçada a desempenhar.

Tais incoerências fizeram com que ele desistisse de fazer perguntas, ela concluiu, e por conta disso uma raiva intensa começou crescer dentro de seu corpo. Ela conhecia Lorde Potter o suficiente para saber que ele não era um janota tapado, por isso ficou intrigada e não podia acreditar que ele tivesse acreditado cegamente na história que uma dona de bordel tinha lhe contado.

Afinal, uma mulher que ganhava a vida vendendo outras mulheres certamente não era uma pessoa de total confiança. Mas como muitas pessoas faziam, ele simplesmente aceitou o que viu e usou isso para aplacar quaisquer dúvidas que as palavras da tal senhora pudessem ter despertado. Foi com tristeza que
Hermione imaginou com que freqüência aquilo acontecia nos bordéis, quantas meninas e mulheres inocentes eram forçadas a levar uma vida infernal simplesmente porque ninguém fazia perguntas ou dava ouvido a elas.

Harry viu a tristeza nos belos olhos de Hermione e gentilmente tomou o rostinho delicado entre a palma das mãos. Ele nunca tinha beijado cortesãs ou prostitutas, economizara seus beijos até mesmo quando tivera casos passageiros com uma viúva ou com algumas mulheres casadas que cederam aos seus encantos, no passado. Esta era uma particularidade que outros homens compartilhavam com ele, por isso nunca foi algo que o preocupou muito. Apesar da tentação da boca sensual e macia, ele achou melhor se manter firme a sua
regra, mas a tristeza que viu nos olhos dela quebrou sua determinação.

Ele roçou os lábios sobre a boca tentadora, e o calor que fluiu se espelhou pelo seu corpo.

— Você tem um gosto tão bom. — Harry esperou que ela não tivesse percebido a surpresa na sua voz, então se perguntou por que estava tão preocupado em não ofendê-la. — Você é um banquete que eu poderia saborear
por horas.

— Minhas profundas desculpas, senhor, mas acho que vai ter de se afastar deste banquete antes de se saciar. Será melhor para sua saúde.


(N/A): Sim, não consegui resistir e em vez de atualizar as minhas outras fanfic, estou atualizando essa, oq acharam?

Midnight: Ahhh primeira review! Muito muito obrigada querida, hahaha não precisa ficar com medo não! KKKKKK Cuidado com Luna uiiiiii kkkkk HAHAHA muitas perguntas, que se eu respondesse agora perderia toda a graça! Lorde Potter safadinho hein? Não sei para você, mas por mim, contando que ele seja safado com a Mione - ou comigo, não me importaria nem um poquinho se ele desse em cima de mim. - por mim tudo bem. Espero que tenha gostado, bjoos.