Retratação: Gundam Wing e seus personagens não me pertencem, infelizmente.

Aviso: Esse fic contém yaoi. Se alguém estiver incomodado, ofendido, etc e tal, é só fechar, não vou me importar.

Recadinho: Boa leitura!


No capítulo passado...

-Eu aceito o convite...

Duo fechou os olhos momentaneamente, respirou fundo e olhou novamente para Heero. Sorriu suavemente, estava contente pelo moreno ter aceito o convite, mas sentia que aquela noite poderia significar algo a mais. Algo que ele não tinha certeza se estaria preparado.

Entraram na casa em silêncio. O lugar tirou o fôlego de Heero. Era minimalista aos extremos, poltronas e pufes nos lugares de convencionais sofás, uma TV simples no canto da sala, dividindo espaço com um aparelho de som e livros. Aliás, os livros ocupavam a maior parte do lugar, todo amadeirado, alguns deles até iluminados separadamente. Outra coisa que chamou a atenção o moreno eram as infinitas miniaturas de prédios, casas e condomínios. À ele, parecia que Duo não se contentava apenas com as maquetes.

-Sua casa é... –ele começou.

-É o que? –Duo perguntou, vindo da cozinha com duas garrafas de cerveja. Estendeu uma à Heero, que aceitou prontamente.

-Exatamente você. –ele concluiu, sentindo-se estúpido por falar aquilo.

Duo sorriu, magnificamente. Sentiu o coração apertar ao ver-se preso naqueles profundos olhos cobalto, mas conseguiu controlar-se, ele nem bem sabia como. A verdade era que Heero era extremamente atraente, naquela maneira contida, na dele.

-Quer ouvir música? –Duo perguntou, quebrando o contato visual com Heero. Subitamente sentiu-se vazio. "Droga, isso está indo longe demais...", ele pensou.

Heero deu de ombros. Na verdade não sabia o que mais poderia responder. Sentia-se íntimo daquele rapaz que mal conhecia, como se pudesse contar a ele coisas que apenas Trowa tinha conhecimento. Acompanhou-o atentamente caminhar até o aparelho de som e colocar uma música suave de um cantor conhecido.

-Sinatra? –Heero perguntou, levantando uma das sobrancelhas. Duo repetiu os movimentos do moreno, dando de ombros e sorrindo.

-Eu o adoro. Você não?

-Como a minha vida. –Heero disse, pensativo. –Sabe...eu dancei uma música de Sinatra no dia do meu casamento...

-Ah...você é casado? –Duo perguntou, não conseguindo disfarçar o descontentamento.

-...e outra no dia do meu divórcio. –ele completou, sorrindo, não reparando no tom de voz do rapaz ao seu lado, muito menos no discreto sorriso que ele abriu no instante seguinte.

-Então você não é mais casado?

-Dois anos que me desliguei do clã Peacecraft.

Duo engasgou com a cerveja ao ouvir aquelas palavras. Foi preciso que Heero lhe desse palmadinhas nas costas para que ele voltasse ao normal, alguns segundos depois.

-Você...você é parente dos Peacecraft? –ele perguntou, ainda se recuperando.

-Ex-marido de Relena. Por que? –Heero estava estranhamente curioso.

-Eu...eu estava para ser contratado para projetar um escritório para um publicitário da família, mas me disseram que ele não precisava de gente inexperiente. –Duo respondeu, displicente, não percebendo que Heero ficara vermelho. Alguns segundos depois, ele percebeu a expressão envergonhada do moreno. –O que foi?

Heero nada disse, mas conseguia-se ler claramente que ele estava se acusando. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Sentia-se um tolo por saber que haviam dito as coisas erradas para Duo. Não era que ele não quisesse alguém inexperiente, era apenas que ele não queria e não precisava de um novo escritório, como Relena queria presente�-lo.

-Oh, meu Deus... –Duo disse, notando a mudança no rosto de Heero.

-Desculpa.

-Era você?

-Sim...mas não foi exatamente...

Heero não completou o que queria dizer porque Duo caía na gargalhada. Ficou por alguns segundo apenas admirando a risada cristalina do outro, deixando-se contagiar por aquela alegria tão fácil e raramente presente em sua vida.

-Não foi nada... –Duo disse, secando as lágrimas. –Só acho irônico que a gente tenha se conhecido dessa maneira. –ele disse, colocando displicentemente uma das mãos sobre a perna do moreno.

Heero sentiu a respiração prender ao sentir o toque de Duo. O coração logo acelerou e ele ficou com a boca seca. Podia jurar que estava corando. E o rapaz à sua frente, também notou isso.

-Me desculpe, eu não deveria... –ele disse, passando as mãos pelos cabelos cor de mel, ainda presos à trança. Levantou-se do sofá e caminhou até o aparelho de som novamente.

-Não, eu é que reagi... –Heero começou.

-Não, de forma alguma. Eu não devia ter feito isso. É que você...bom, deixa pra lá...

-Eu o que?

Duo voltou a olhar para Heero, encostando-se no móvel que estava mais perto dele. Como começar aquilo sem assustar o moreno?

-Você...bom, eu...eu me sinto atraído por você, mas é claro que você não sente o mesmo, então seria uma boa se você fosse embora. E nós esquecêssemos tudo o que aconteceu...

Duo ia atropelando as palavras e não percebeu quando Heero levantou-se e caminhou em sua direção. Foi preciso que o moreno o tocasse ligeiramente em um dos braços para que ele reparasse na proximidade dos dois.

-Eu percebi. –Heero disse, esperando que Duo entendesse o que ele estava querendo dizer.

-Mas... –Duo via-se sem palavras. Era pedir demais. Tinha um homem maravilhoso em sua casa e ele parecia sentir a mesma atração que ele. Pelo menos seus instintos não estavam enganados.

Heero era um poço de emoções contidas, reações que não sabia como aceitar e principalmente ações que não sabia como pôr em prática. Nunca havia sentido aquele turbilhão de sentimentos antes, nem quando conhecera Relena pela primeira vez. Estava com as mãos nos bolsos, numa evidente proteção, esperando, quem sabe, que Duo tomasse alguma atitude.

Aparentemente, o rapaz em questão parecia ter lido os pensamentos de Heero. Ele encurtou a distância entre ambos, colocando as mãos na cintura do moreno. Sentiu que o outro estremeceu ligeiramente e isso trouxe um doce sorriso aos seus lábios. O gesto seguinte, definitivamente, foi uma surpresa.

Duo aproximou os lábios dos de Heero, que fechara os olhos antes que ele os tocasse. Isso o deixou ainda mais contente. Provava que, apesar de notar a inexperiência do moreno, ele queria aquilo.

O beijo havia sido um mero toque de lábios, uma carícia, mas trouxera à Heero uma sensação de plenitude nunca antes sentida. Relaxou no mesmo instante, tirando as mãos dos bolsos e deslizando-as pelas costas do rapaz à sua frente, sentindo a maciez dos cabelos presos, uma súbita vontade de soltar aquela trança.

Duo beijou-o novamente, dessa vez mostrando que sabia ser vigoroso também. A língua estava determinada a buscar passagem pelos lábios vistosos de Heero e o moreno não parecia disposto a lhe negar aquilo. Perderam-se na busca do reconhecimento de um lugar desconhecido, ambos ansiosos pelo que poderia vir.

Heero foi o primeiro a separar-se, o coração batendo violentamente e ele podia jurar que Duo conseguiria ouvi-lo claramente, mesmo àquela distância. Olhou o rapaz mais uma vez, os lábios dele estavam inchados e mais vermelhos do que ele havia presenciado anteriormente, e aquilo lhe deu vontade de toma-lo novamente para si. Não estava se reconhecendo. Não era o tipo de pessoa que se envolvia tão intensamente, mas bastou conhecer Duo e seu senso de controle era inexistente e ele deixava-se contagiar por toda aquela alegria fácil.

-Eu...nunca...

-Eu sei. Nunca fez isso antes.

-Você não entenderia... –Heero disse, desviando o olhar de Duo, que o questionava através daquelas orbes violeta.

-Vem comigo... –Duo falou, calmamente, segurando Heero pela mão. Alcançaram um corredor estreito, com paredes que tinham inúmeros quadros, alguns com fotos do rapaz, outros retratando algumas das maravilhas arquitetônicas do mundo. Seguia-o, tendo a ligeira impressão de onde estava sendo levado e aquilo o assustava imensamente. Duo não tinha a mínima noção do que ele estava passando.

Mas, diferente do que Heero imaginava, Duo estava na mesma situação. Nunca havia sido tão voraz e atirado com qualquer pessoa, homem ou mulher, mas o moreno era estranhamente diferente. Tentador. Irresistível. Tinha medo de deixar aquele homem escapar e não encontra-lo mais, mesmo com todas as pessoas que ambos conheciam.

Heero tinha razão. Estava mesmo no território de Duo Maxwell. Seu quarto refletia exatamente sua personalidade e profissão. Ao invés de paredes pintadas em tons tradicionais, o ambiente tinha uma enorme Torre Eiffel pintada e em cada uma das outras paredes, a continuação da paisagem. Obviamente, Paris era uma cidade importante para ele. Curiosamente, a capital francesa havia sido a escolha de Relena para a lua de mel deles. O restante da decoração seguia o mesmo estilo da casa: móveis simples e de muito bom gosto.

Duo soltou a mão de Heero, caminhando displicente te a enorme cama de casal. Sentou-se e só então olhou na direção do moreno, que continuava parado à porta do quarto, um convite mudo para que ele fizesse o mesmo, estampado nos belos olhos.

Heero sentou-se ao lado de Duo e mal pôde respirar, quando sentiu seus lábios serem beijados novamente com a mesma intensidade de antes. Ele correspondeu, sentindo Duo aproximar-se ainda mais, deitando por cima dele, visivelmente excitado. Deixou-se manipular por um tempo, o rapaz acima de si agora beijava-lhe o pescoço, desabotoando a camisa que usava lentamente.

-Espere um minuto. –Heero pediu, conseguindo, por fim, desgrudar-se do rapaz. Preferia não tê-lo feito. Os olhos de Duo refletiam um puro desejo e ele perdeu-se novamente neles. Flagrou-se retirando os fios de cabelo do rosto do rapaz, sorrindo quando este fechou os olhos, visivelmente feliz pelo toque.

-Eu sei que você está com medo, Heero...mas eu posso lhe prometer...

-Não é isso, Duo. Você não entenderia.

Duo percebeu pela seriedade da voz de Heero, que era algo importante, não apenas medo por estar deitando-se com um homem pela primeira vez. Ele levantou-se do colo do moreno, constatando que este estava tão excitado quanto ele mesmo. Tirou as colchas da cama, jogando tudo no chão. Heero achou graça, nunca imaginara que o rapaz fosse capaz de ser desordenado.

Despiu-se logo em seguida, ficando apenas com a cueca branca, sabendo que era observado por Heero, o olhar dele queimava em sua pele e aquilo era intoxicante. E ele adorava cada segundo daquilo. Deitou-se na cama, ajeitando os travesseiros de maneira confortável.

-Deita aqui do meu lado e me explica o que eu não entendo, Heero. –ele disse, suavemente, mostrando o lugar onde o moreno deveria deitar-se.

Lentamente, Heero tirou a blusa e os sapatos, mas preferiu ficar com a calça. Duo deu um sorrisinho discreto, que não passou despercebido por ele e então deitou-se ao lado do rapaz. Prontamente, braços lhe envolveram e um beijo carinhoso foi depositado em sua bochecha.

-Fale...

-Hn. –Heero murmurou, incompreensível.

-Ah, por favor... –Duo fez uma voz manhosa.

-Sabe, Duo... –ele começou, limpando a garganta. –Quando disse que nunca havia feito isso... –e ele apontou para ambos. –Não estava apenas querendo dizer do lance entre homens.

-Não? –Duo estava curioso. Se Heero não se referia aquilo, ao que poderia ser então?

-Não. Eu quis dizer em relação à toda essa história de sentimentos.

-Como assim?

-Isso é novo pra mim, Duo. –ele suspirou. –Eu nunca fui muito familiarizado com amor e desejar alguém.

-Mas você foi casado...

-Eu sei. –ele interrompeu-o. –Mas nunca amei Relena. Achei que poderia, ela sempre me amou, mas eu nunca a amei. Era... –ele tentou achar a palavra certa. -...incompleto demais. Diferente do que... –e ele freou, por um instante.

-Diferente do que?

-Do que eu estou sentindo essa noite. –ele admitiu, olhando nos olhos de Duo. Ficaram se encarando por longos segundos, até que o rapaz tocou-lhe os lábios com os seus suavemente.

-E isso é bom? –Duo perguntou e o sorriso cristalino de Heero era a confirmação da sua pergunta.

-Posso dizer, sem sombra de dúvida, que nunca senti o que estou sentindo aqui, com você, nessa noite. Não sei o que é, mas eu gosto. Tenho medo sim, mas é um medo diferente.

-Eu entendo. Eu...eu também não estou acostumado a fazer isso com todo mundo que eu conheço, quero que você me entenda bem, mas você é diferente, Heero. É como se eu não conseguisse soltar você.

-Eu sinto a mesma coisa. E o que fazemos agora? –Heero perguntou, voltando a alisar a trança de Duo, que estava recostado em seu peito. Sentiu-se um tolo por perguntar aquilo. Em sua cabeça, a resposta àquela pergunta seria óbvia demais para Duo. Por mais que quisesse a mesma coisa, sentia-se apavorado.

-Podemos ficar aqui a noite toda, se você quiser. –Duo disse, sabendo que aquela frase acalmaria o moreno.

Suas suspeitas estavam certas. Heero ajeitou-se ainda mais na cama, abraçando o rapaz ligeiramente. Ambos trocaram olhares cheios de desejo, mas com algo a mais: contentamento. Beijaram-se brevemente, as mãos de Heero viajando até a fita preta que prendia a trança de Duo, os fios finalmente caindo como uma cascata pelos ombros do rapaz, tornando-o ainda mais bonito, se é que aquilo era possível.

Duo soltou-se dele, balançando o cabelo, fazendo um sorriso aparecer no rosto de Heero. Em seguida, o moreno tirou a calça jeans que usava e voltou a deitar-se ao lado de Duo.

As luzes foram apagadas e os dois ficaram ali, apenas contemplando a respiração um do outro, deliciando-se com uma nova leva de sentimentos, especialmente da parte de Heero, que pela primeira vez parecia estar no caminho certo de um sentimento que há muito lhe faltara.

-Sabe, Duo...eu realmente não sei o que é isso que eu estou sentindo. Mas enquanto estiver aqui, não me importo em saber o que seria.

-Eu também não, Heero. Mas eu devo dizer-lhe que esse é um passo importante para o amor.

-Amor?

-Sim, querido. Amor.

-Amor, então. –ele disse, bocejando, abraçando Duo com mais força. –Amor, enfim.


Bom, gente...eu sei que no início desse fic eu disse que ele possivelmente teria lemon e até comentei com algumas pessoas pelo MSN e pelo AIM que estava realmente a ponto de escrevê-lo. Mas a fic tomou um rumo diferente do que eu esperava conforme eu fui escrevendo, então, resolvi apenas colocar o Heero aceitando o novo sentimento que ele descobriu. E cá pra nós, não é sempre comsexo que a gente encontra o amor. No caso do casalzinho, o que aconteceu depois dessa noite, fica a cargo de vocês. Não me matem!

Ah, claro...um super obrigado a todas que revisaram a primeira parte! Vocês são demais!