Disclaimer: InuYasha não me pertence... Infelizmente a Rumiko sensei teve a idéia primeiro. (soco no ar) Droga!
Dedicatória: Para Mitz-chan, que escreve muitíssimo bem e merece muito mais do que isso por ter paciência comigo no MSN. Mitz, presente de aniversário atrasadíssimo! Feliz niver!
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Keigoku
Por Domina Gelidus
Capítulo segundo
A primeira ameaça
"Insensível! Sabia! Eu sabia!", ela correu velozmente até alcançar a porta de aço do elevador, apertando o botão ao lado dele compulsivamente. "Idéia idiota! Sabia que ele nunca aceitaria!", apertou as pálpebras quando a visão ficou embaçada pela quantidade excessiva de lágrimas que brotavam a toda hora.
- Droga! – ela praguejou, desistindo do elevador e procurando desesperadamente pela porta com acesso às escadas.
Não importava em que andar estava. Só queria sair correndo dali, pegar um táxi e ir para algum lugar que não seria sua casa. Encontrar com Sesshoumaru novamente naquela noite seria o fim para ela. "Por que ele tem que ser tão frio?!", pensou, deixando um soluço escapar de seus lábios.
Encontrou a porta que procurava um pouco mais à frente, abrindo-a de supetão e mirando os degraus abaixo de seus pés. A luz apagou-se de repente e o pânico da escuridão fez com que gemesse alto, soluçando outra vez e procurando apoio do corrimão no meio daquele escuro. O movimento ativou os sensores de luz, que acenderam as luzes outra vez. Rin desceu um lance de degraus quando ouviu um barulho atrás de si.
- Rin! – aquela voz.
- VAI EMBORA! – ela gritou, tentando descer os degraus ainda mais rapidamente – Volta pro seu escritório e me deixa em paz!
Nem ela soube explicar de onde vieram palavras tão rudes. Estava tão magoada que talvez fosse a única explicação plausível. Tudo bem que Sesshoumaru não gostaria de ser pai, mas não poderia ser algo tão ruim! Um bebê não poderia ser algo assim abominável como ele estava fazendo parecer.
- Rin, pare com isso... Volte aqui! – ele também descia rapidamente atrás dela.
A jovem não tinha coragem de olhar para trás, mas sabia que estava a uma certa distância de Sesshoumaru. Queria, contudo, aparecer no térreo como que por mágica, pular dentro de um táxi e sumir para nunca mais aparecer. Sentiu um desespero terrível tomar conta do peito, apertando mais o passo para descer ainda mais rápido.
Quase escorregou num degrau, segurando firmemente no corrimão e soltando um grito abafado.
- Rin! Pare com isso ou vai se machucar! – ouviu a voz ainda mais próxima e quis poder desaparecer ali mesmo.
- Fica longe de mim, seu insensível! – gritou, colocando as mãos na frente do corpo como que tentando se proteger de algum mal invisível.
Não conseguiu evitar uma pequena queda quando tropeçou no último degrau de um pequeno lance de escadas que levava ao décimo quinto andar. Sentiu o corpo bater de encontro à parede e uma pontada aguda no calcanhar. Mais essa agora!
- Fique longe de mim! – ela gritou entre lágrimas quando Sesshoumaru apareceu no topo do lance de escadas – Se descer mais um degrau eu juro que saio correndo de novo!
Ela sabia que era impossível. Tudo ao seu redor estava começando a ficar escuro demais.
- Você está bem? – ele indagou, com a expressão mais preocupada do que ele gostaria de transparecer.
Rin lançou-lhe um olhar de raiva.
- O que você acha?! – as lagrimas ainda corriam soltas pela face avermelhada dela – Acabei de contar pro idiota do meu marido que ele vai ser pai, e só o que ele conseguiu fazer foi... foi... NADA! Ele não fez nada a não ser mostrar raiva, sarcasmo e frieza! – ela soluçou – É isso que você é Sesshoumaru! Uma grande... enorme... pedra de gelo!
Rin voltou a chorar copiosamente ao que Sesshoumaru sentia-se ao mesmo tempo atônito e culpado. Desceu um degrau no intuito de ir até ela, mas Rin notou seus movimentos.
- Fique aí! Não se aproxime de mim! Está ouvindo? – ela gritou, encolhendo-se mais contra a parede.
Sesshoumaru ficou estático no mesmo degrau que começou a descer, apenas observando sua esposa que chorava como nunca antes havia chorado. Tudo por culpa dele. Por um momento, sentiu-se realmente um grande idiota.
Abriu a boca para começar a dizer algo, mas a luz voltou a apagar por falta de movimento.
Rin sentiu o sangue correr mais rápido nas veias. As pupilas dilataram e ela soltou outro grito abafado, levando as mãos aos ouvidos, fechando os olhos e tentando ignorar o medo crescente. Sempre tivera medo de escuro, desde pequena. Uma fobia que achava que tinha conseguido superar.
Gemeu alto e tentou encolher-se mais contra a parede, apertando as pálpebras, tentando fazer com que o terror sumisse. Então, sentiu o abraço forte que a envolveu, a sensação horrível em seu peito começando a acalmar-se. Agarrou-se ao corpo ao seu lado com desespero, enterrando a cabeça em seu peito.
- Está tudo bem, Rin. – disse entre seus cabelos – Você não está sozinha.
Ainda chorando, ela voltou seu olhar para Sesshoumaru. A luz agora acesa pelo movimento que o homem fizera para chegar até ela.
- Eu... Sinto muito, pequena... – ele disse, quase com dificuldade.
Nunca pedira desculpas a ninguém antes. Talvez nunca o fato de estar errado o tivesse incomodado tanto quanto agora. Magoara a pessoa que mais amava simplesmente por ser orgulhoso demais. A resposta certa seria por ter ficado um pouco assustado, mas admitir estar com medo já seria demais para o grande Sesshoumaru.
Rin aconchegou-se mais a ele, aos poucos parando de chorar. Queria brigar mais, correr mais, chorar mais, mas o abraço de Sesshoumaru a impedira de fazer qualquer coisa. Ele sempre tinha o poder estranho de acalmá-la.
Afagando seus cabelos num gesto carinhoso que até ele duvidara ser capaz de fazer, Sesshoumaru mantinha sua esposa entre os braços, como que temendo que ela voltasse a chorar e a fugir dele, magoada. Sabia que tinha sido estúpido com ela, e também sabia que teria que mimá-la muito para que pudesse redimir-se. Mas isso não seria problema. Não existia outra pessoa no mundo que gostasse mais de ver um sorriso de Rin do que ele próprio. Só que ninguém nunca saberia desse detalhe.
- Está se sentindo melhor? – ele indagou, ainda acariciando os cabelos dela.
- Estou... – ela afastou-se um pouco, secando o rosto com as mãos como uma criança – Não pense que você está perdoado! – ela fez biquinho – Isso tudo foi culpa sua...
De olhos fechados, ela perdeu o leve sorriso que ousou brotar no canto da boca de Sesshoumaru.
- Consegue se levantar? – ele pôs-se de pé, segurando-a pelas mãos para tentar puxá-la até ele.
- Sim, acho que já está tudo bem... – ela levantou-se, testando o pé com o qual tropeçara – Está só um pouco dolorido... Vamos sobreviver! – ela sorriu.
Sesshoumaru estranhou um pouco a colocação do verbo. Algo novo e estranho para ele. Antes que pudesse dar-se conta, estava roubando de Rin o beijo mais apaixonado que ele já lhe dera antes.
- Eu te amo. – disse simplesmente, quando se soltaram por falta de ar.
- Também amo você, Sesshy! – ela sorriu amarelo – Mas ainda não está redimido!
- Venha... – ele puxou-a para o décimo quinto andar – Preciso voltar ao escritório e pegar as chaves do carro.
Rin arqueou as sobrancelhas, seguindo o marido de mãos dadas com ele.
- Você já pode sair?
- Você disse que queria ir jantar quando entrei no escritório. – ele comentou, apertando o botão para chamar o elevador – Podemos jantar e depois tomar um sorvete.
Rin arregalou os olhos.
- SORVETE! – ela abraçou o marido pelo pescoço – Agora está totalmente perdoado! – sorriu, beijando-lhe a face.
Sesshoumaru sabia que, pela sua reação há pouco no escritório, qualquer esposa demoraria uma vida para perdoá-lo completamente. Rin, entretanto, sabia o quanto ele sentira muito apenas pelo fato de ter-lhe pedido desculpas. Aquela jovem ali ao seu lado, feliz por poder tomar um sorvete e jantar fora, era a jovem mais especial que ele poderia ter encontrado. E agora ela dar-lhe-ia um filho.
Sorriu pela segunda vez naquele dia. Ele seria pai, algo que nunca pensara que poderia ser em sua vida. E o mais intrigante, sentia o frio na boca do estômago, não conseguindo admitir a si mesmo que estava mais feliz com a idéia do que imaginara estar.
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Recostou-se mais no assento largo, relaxando a coluna e mirando o teto branco com pouco interesse. Brincou com o copo nas mãos, remexendo a bebida; não pôde evitar sorrir de canto quando ouviu a notícia do outro lado da linha.
- Ainda está aí? – a voz masculina indagou.
- Sim, sim... Fiquei um pouco, digamos, surpreso, com a sua nova informação. – ele respondeu, ainda sorrindo de modo malicioso – Afinal de contas, uma gravidez é sempre uma benção, não é mesmo?
- Benção?! Achei que fosse nos atrapalhar ainda mais, Naraku! – o outro retrucou, confuso.
- Você tem que pensar muito mais à frente, Hakudoushi... – ele soltou um riso de escárnio – O destino nos deu essa notícia de bandeja!
- Por que diz isso?
- Agora sabemos exatamente onde atingir o poderoso Sesshoumaru, para fazer com que despenque do seu precioso pedestal...
Sorriu de canto outra vez, levantando-se e caminhando na direção do escritório. Parou de frente ao quadro de avisos, repleto de fotos de Sesshoumaru e sua esposa, realizando suas atividades rotineiras sem desconfiar que estavam sendo vigiados.
- Ligue para os outros e marque a reunião... Quero isso feito o mais breve possível... – disse e desligou – Quero vê-lo desfazer essa sua inexpressão irritante...
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- O que acha deste aqui? – ela saiu de dentro de uma cabine, caminhando até a amiga que estava sentada num sofá confortável – Gostei bastante das cores!
Kagome endireitou-se no assento, os olhos brilhando de satisfação.
- Está perfeito! Rin-chan! Ficou perfeito em você! – ela deu alguns pulinhos no assento, empolgada – Sesshoumaru-sama vai adorar!
Rin abaixou a cabeça de forma envergonhada. Alisou o tecido do vestido com as mãos delicadas, observando a estampa de flores que cobria toda a saia. Caminhou até o espelho, sendo seguida por Kagome, e observou melhor a imagem refletida. Frente única, cores delicadas e sutis, pouco abaixo dos joelhos. Realmente, dentre todos os outros que provara, aquele havia sido o mais perfeito!
- Acha mesmo que ficou bonito? – ela indagou, dando algumas voltas para ver todos os lados do vestido.
- Rin-chan! Está perfeito! Você tem que levar este! – Kagome cruzou os braços, decidida.
Rin deu alguns passos para trás, analisando sua imagem outra vez. Parecia pensativa. Virou de lado novamente, depois do outro. Olhando, olhando...
- O que está esperando menina?! – Kagome interveio outra vez – Vá logo pedir para a vendedora embrulhar! Sesshoumaru e InuYasha já devem estar esperando a gente...
Rin suspirou.
- Não posso levar... – confessou, resignada.
- O QUÊ?! Experimentou quase todos os vestidos da loja para não se decidir por nenhum?! Ah não... Definitivamente, não! Você tem que levar esse, Rin!
- Mas... Kagome! Já viu o preço?! É caro demais! – ela retrucou, tentando parecer discreta.
Kagome ia abrir a boca para responder, quando foi interrompida.
- Mande embrulhar, Rin. – disse, sério – Vá trocar de roupa e mande embrulhar o vestido...
Ambas ficaram boquiabertas, apenas observando a figura que aparecera à porta. Parado, observando as duas, estava Sesshoumaru.
- Feh! Kagome, já está pronta? Estamos esperando vocês duas há horas! – InuYasha chegou, quebrando o silêncio.
- InuYasha... Rin-chan não está linda com esse vestido? – Kagome correu até o marido, enlaçando seu braço e apontando para a amiga que ainda jazia, estática, no mesmo lugar – Não está?
- Vá se trocar, Rin. Temos que ir almoçar... – Sesshoumaru mais ordenou que sugeriu, virando-se para esperá-la ao lado do balcão.
Rin nada fez senão obedece-lo. Sesshoumaru estava um pouco estranho desde a discussão que tiveram, algumas semanas atrás. Sempre fazia suas vontades e parecia tentar adivinhar aquelas que ainda não dissera.
"Será que está tentando se redimir?", ela indagou a si mesma, "Ainda?", completou. Rin sabia que ele estava mesmo arrependido do que dissera, do contrário não teria pedido desculpas. Mesmo assim, será que ele ainda queria que ela o perdoasse? Mas se já não deixara claro que o tinha feito!
- Vou falar com ele... – saiu da cabine, finalmente, decidida a conversar com o pobre marido.
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Espreguiçou-se no assento e sentiu um bocejo a caminho. Sempre que comia bastante, acabava ficando com sono e preguiçosa, como estava naquele momento. Recostou-se mais de encontro ao espaldar de madeira, pouco confortável, mas ela não pretendia dormir de qualquer forma. Dormir no meio do movimento de um shopping não seria algo muito bonito de se fazer.
- Está com sono, Rin-chan? – Kagome perguntou, sentando-se ao seu lado com um sundae nas mãos.
Rin lançou um certo olhar desejoso ao sorvete da amiga. Ah... Como adorava sorvetes!
- Nem precisa olhar! Você acabou de comer o seu! – ela virou-se, tentando proteger a própria comida – Está doente, Rin?! Desde quando come tanto assim?
A jovem de olhos chocolate lançou-lhe um olhar conclusivo.
- Ah, sim... Desde que ficou grávida... – ela sorriu, levando à boca um enorme bocado de sorvete.
- Sesshoumaru! – reclamou – Também quero sorvete! Isso é injusto!
- Outro?! – desta vez fora InuYasha quem parecera surpreso – Desde quando você come tanto quanto a Kagome?
- INUYASHA! – a esposa gritou, bastante nervosa.
Rin nem sequer ouvia mais a discussão dos dois. Apenas apanhara o sorvete que a cunhada deixara de lado e passara a saboreá-lo sem pestanejar. Sesshoumaru apenas observava à cena com um sorriso no olhar. Sua expressão jamais deixaria que ninguém notasse seus verdadeiros sentimentos, entretanto, desta vez, seus olhos pareciam denunciar-lhe discretamente.
- Por que está rindo de mim? – a esposa aproximou-se vagarosamente, ainda de posse do sorvete alheio – Está imaginando como vou ficar dentro de alguns meses?
Sesshoumaru apenas observou-a, curioso.
- Se continuar comendo assim... – disse simplesmente, vendo as bochechas da esposa ficarem levemente rosadas.
- RIN-CHAN! – ouviu outro grito – DEVOLVA O MEU SORVETE! – Kagome saiu, aos berros, atrás de Rin, que apenas escondia-se atrás de Sesshoumaru.
InuYasha ria-se do desespero da esposa, mais parecendo um garotinho de pouca idade. Ao observar-se bem, ele e Kagome tinham mesmo muito em comum.
- Aqui... – o irmão mais novo de Sesshoumaru entregou-lhe uma nota – Vá comprar outro pra você... Sesshoumaru e eu vamos comprar os ingressos do filme! Não demorem!
Rin sorriu, satisfeita, saindo de trás do marido e caminhando ao lado de uma Kagome já novamente feliz. Ambas com um sorriso estampado na face. Rin porque finalmente estava saboreando mais um sorvete, e Kagome porque compraria outro para si.
- Kagome... – começou, mexendo no sorvete com a colher.
- Sim, Rin-chan?
Pausa para um suspiro desanimado de Rin.
- Acha mesmo que vou ficar muito gorda e que Sesshoumaru não vai mais gostar de mim? – perguntou, de uma vez, enquanto caminhavam de vagar até a sorveteria.
Kagome riu com vontade, deixando a outra levemente envergonhada.
- Falo sério, Ka-chan! Ele estava me olhando de um jeito hoje... – ela ficou com ar pensativo.
- Largue de besteiras, Rin! Sesshoumaru acharia você linda ainda que pesasse o dobro da vovó Kaede e tivesse o mesmo tanto de rugas que ela! – retrucou, bastante certa do que dizia.
Rin arregalou os olhos.
- Também não precisa exagerar... Não pretendo ficar com rugas depois de ter um bebê... – ela pôs-se a pensar outra vez, ainda encabulada.
Kagome sorriu, suspirando.
- Pare de pensar essas coisas, Rin... Você sabe que ele te ama... Aproveite que está puxando seu saco por tudo o que te disse no escritório e arranque muito sorvete dele! – ela sugeriu, dando-lhe uma piscadela e cutucando-a com o cotovelo.
Rin sorriu também. Kagome bem que tinha razão, ainda precisava conversar com Sesshoumaru sobre o fato de ele estar fazendo todas as suas vontades. Isso já estava passando dos limites. Se ele não começasse a lhe negar guloseimas, dobraria de peso em poucas semanas!
- Vou entrar para pegar outro sorvete! – Kagome disse de repente, interrompendo seus pensamentos – Você fica aqui ou vai querer comprar outro!
- De acordo... – ela concluiu, sentando-se num banco de madeira próximo à fonte – Vá logo! Se chegarmos atrasadas para o filme InuYasha vai nos matar! – ela quase gritou para que Kagome a ouvisse, uma vez que a amiga já estava mais longe.
Observou o próprio reflexo na água por um instante. Sorriu. Encheu as bochechas de ar, tentando imaginar-se mais gorda e rechonchuda. Tentou puxar a blusa um pouco mais para frente, tentando ver como ficaria quando a barriga estivesse maior. "Um bebê...", acariciou o ventre carinhosamente. Tinha a absoluta certeza que, se seu marido ainda tivesse qualquer dúvida quanto a ter um filho, certamente desapareceria no momento em que visse o rostinho da criança. Seu filho! Não... Sesshoumaru nunca acharia qualquer defeito na sua condição.
Desviou os olhos para a criança que se aproximou, refletindo sua imagem nas águas, ao lado da sua. Era um menino de pouco mais de dez anos. Levantou o rosto e observou-o nos olhos. As roupas estavam um pouco sujas. Seria um menino de rua? Deixou de notar as roupas dele quando viu que lhe oferecia um envelope pardo.
- É para mim? – indagou, sorrindo.
Ele nada disse ou expressou, apenas continuou na mesma posição, esticando os braços com o envelope entre as mãos.
Delicadamente, Rin aceitou a entrega, ainda observando o estranho menino e tentando adivinhar o que ele queria com tudo aquilo.
Não mais contendo a curiosidade, rasgou uma das pontas e puxou o conteúdo de dentro do envelope. Qual a sua surpresa quando notou que apanhara uma foto de si mesma, há poucas horas, entrando na mesma loja onde comprara o vestido com Kagome. Franzindo o cenho, ela puxou outra fotografia, encontrando uma de Sesshoumaru de terno e gravata, saindo da empresa e caminhando pelo estacionamento.
Ainda mais intrigada, Rin puxou uma terceira foto, reconhecendo imediatamente o restaurante onde tinha almoçado pouco antes. A foto exibia ela e Sesshoumaru, sentados lado a lado, conversando com Kagome e InuYasha.
Alarmada, ela voltou a olhar na direção do menino. Quem teria enviado tais fotos? E por quê? Infelizmente, não mais o encontrou.
Levantou-se de supetão, caminhando aleatoriamente para tentar encontrar a criança que lhe entregara o envelope; não poderia ter fugido assim tão rapidamente. Caminhou até o gradeado, tentando observar o andar de baixo ou o de cima, também as escadas e o outro lado do mesmo andar.
- HEY! – ela gritou, observando o menino que subia pela escada rolante até o próximo andar – Espera!
Rin saiu em disparada atrás do garoto, tentando passar pelas pessoas sem esbarrar em ninguém. Chegou até a base da escada e começou a subir junto, passando pelas pessoas que apenas esperavam para que alcançassem o próximo andar com tranqüilidade. Atingiu o andar seguinte e novamente sentiu-se perdida. Olhou para os lados aleatoriamente, tentando notar os menores detalhes. Difícil encontrar um garotinho em meio à multidão de um shopping em pleno domingo.
Avistou-o próximo ao elevador e, outra vez, saiu em disparada para alcançá-lo antes que entrasse ali dentro e as portas se fechassem.
"Tarde demais", ela pensou, parada de frente para a porta de aço que exibia sua figura distorcida. Tentou normalizar a respiração enquanto observava a si mesma refletida nas portas do elevador. Elevou os olhos de encontro ao sinalizador logo acima. As pequenas luzes indicavam o próximo andar em que o elevador estava encaminhando-se.
Sorriu quando notou que estagnara no andar acima.
E novamente Rin correu em direção às escadas rolantes, apenas para encontrá-la desligada. Estranhou. Observando-a e tentando imaginar por que não estaria funcionando. Fixou seu olhar no topo, nada parecia estar pronto no andar de cima. Uma grande fita colorida de amarelo e preto impedia a entrada dos visitantes mais além do topo da escada.
Rin suspirou, frustrada. Como diabos o menino conseguira chegar até ali?
Determinada, ela lançou um olhar furtivo ao redor, subindo degrau por degrau, tentando parecer discreta, até chegar ao topo da escadaria, passando por debaixo da fita de isolamento e caminhando mais adentro do andar em construção.
- Garoto! – ela tentou sussurrar – Não vou machucar você! – disse outra vez, olhando ao redor e sempre procurando por qualquer figura clandestina.
Olhou dentro de algumas lojas que ainda não estavam prontas, procurando atrás de sacos empilhados e materiais de construção.
- Só preciso perguntar uma coisa... – tentou outra vez.
"Rin! O que acha que está fazendo?! Invadindo uma construção para procurar por um garoto que provavelmente está só tirando uma com a sua cara!", ela mesma repreendeu-se, batendo com a mão na testa enquanto a outra encontrava a cintura. Kagome deveria estar louca atrás dela.
- Idiota... – disse a si mesma, dando meia volta para sair dali e voltar para seu domingo relaxante e tão raro.
Olhou no relógio.
- Droga! – praguejou, apertando o passo – InuYasha vai me matar! – concluiu, percebendo que certamente chegaria atrasada para o filme.
Ouviu, então, o som estridente do elevador que acabara de chegar naquele andar. Estagnou os passos, atenta. Só poderia ser novamente o garoto, tentando fugir, assustado!
- Hey! Menino! – ela correu na direção do som, observando a porta do elevador fechar-se vagarosamente – ESPERA! – gritou, mais alto do que pretendia, parando de frente à porta de aço, de novo a observar sua figura distorcida.
Inspirou, irritada. "Que garoto mais espertinho!", pensou notando um brilho cálido que vinha perto de seus pés. Estranhou ainda mais ao perceber que era fogo, vindo de dentro de um vasilhame de metal. O que era afinal? Uma lata?
Chegou mais perto para olhar, sentindo seus músculos retesarem ao identificar o que é que o fogo estava queimando.
Levou uma mão à boca e outra ao ventre, apertando o tecido da blusa entre os dedos trêmulos. Sentiu seus olhos lacrimejarem e uma gota salgada que ameaçava descer por sua face já empalidecida. Os olhos, a despeito do temor, não desviavam da imagem nítida de um ultrasom já bastante queimado. A figura era bastante clara, provavelmente provinda de uma gravidez mais avançada.
Ao lado, também queimando pouco a pouco, algo que ainda chamou mais sua atenção. Um pequeno cartão avermelhado com os delicados dizeres "Parabéns Papai", exatamente idêntico ao que dera a Sesshoumaru semanas antes, era consumido pelo fogo, juntamente a imagem do bebê.
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Alou!
O que dizer?
Sei que fiquei incrivelmente honrada com a quantidade e qualidade das reviews para esta história! Quero agradecer a todas que mandaram! Não costumava mais respondê-las nas minhas outras histórias, mas vou abrir uma exceção. XD
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Mitzrael Girl: Mitz-chan! (olhinhos brilhando)
Obrigada mesmo por comentar! Adorei que você gostou! Fico muito feliz de saber que agradei você, senhora escritora mor... XDDDDDD
Te vejo próximo capítulo? (embora você já tenha lido tudo -.-)
beka taishou!: Poxa... Desculpe não ter postado antes... o.o
Mesmo que eu queria muito postar toda semana, mas daí a história perde a graça! As coisas acontecem muito rápido. Mas olha só, adiantei um dia! (sorriso maroto) Prometo que vou tentar postar bem antes mês que vem. Talvez no meu aniversário! ;D Fico feliz que esteja gostando! Espero outra review sua... Kissus!
Debs-Chan: Nha! Fico feliz que tenha gostado! E, como disse pra beka, eu adiantei um dia vai! Sou boazinha... u.u
Ok, vou tentar mais cedo mês que vem, ok? Espero mais reviews! Kissus garota!
Belle Lune's: Deuses! (chega perto e cutuca) Você está bem? O.O Morre não! Postei o segundo capítulo! XD Você tem que ler e deixar outra review! (risos histéricos) Espero que tenha gostado desse... Obrigado pelo comentário Belle! Kissus!
lykah-chan: Yo! Que bom que está gostando lykah-chan! Espero ter agradado com esse capítulo também! O que achou dele? (não me mate pelo final... XD) Espero outro comentário! Kissus!
susan: Alou garota! E então? O Sesshoumaru se redimiu dignamente? (sorriso amarelo) Infelizmente alguém entrou em cena atrás da pobre da Rin... Espero que tenha gostado desse capítulo. O outro vem chegando em breve! Espero ver você de novo aqui com outra review! Kissus...
.anny-chaan ': Ri alto com a sua review! O Sesshou foi bem mal mesmo né? Coitadinha da Rin... Mas acho que ele já se redimiu né não? XD Adorei a review! Kissus garota!
Fanzinha: Que fofa você! (olhinhos brilhando) Postei um dia antes, o que acha? (sorriso amarelo) Vou tentar encurtar mais no mês que vem! Quem sabe posto no meu niver de presente para mim mesma... o.o
Espero que tenha gostado desse capítulo também! Kissus querida!
Inoue Taisho: Poxa... Fiquei muito feliz que gostou tanto assim! (olhinhos brilhando) Obrigada pelo elogio! Espero que tenha gostado desse capítulo e vou tentar postar mais cedo mês que vem! XD Vejo você lá? Kissus!
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Então garotas (e garotos?) esse foi mais um capítulo emocionante de Keigoku que, para quem não sabe, significa punição/castigo ou vingança em japonês. O que será que vai acontecer com a Rin agora que ela foi ameaçada e está sozinha num lugar deserto do shopping?
"Descubra no próximo episódio!"
Sou má, eu sei! Mas vou tentar postar mais cedo em Outubro. De qualquer forma, deixo vocês com uma prévia do próximo episódio logo abaixo... Enjoy!
Capítulo terceiro: O telefonema
"- Mas ela estava bem ali! Eu juro!"
"- Foi você, Sesshy? – ouviu-a dizer num fio de voz – Você não quer tanto assim esse bebê?"
"- Quem é você?! – conseguiu dizer, embora a garganta estivesse seca."
"- É ele... É ele outra vez!"
Não morram ou me matem!
Meu aniversário está chegando, dentro de 2 semanas e meia creio eu. Nos vemos lá então, com outro capítulo emocionante de Keigoku!
XOXO
Domina Gelidus (mais conhecida como Samy-san)
