O RESGATE DE LIEBE – INÍCIO
Cena 01 – OLIMPO:
Ares, senhor da guerra, está sentado, olhando pra Terra, ruminando idéias sinistras. Lá embaixo está tudo tão tranqüilo, um tédio. Tava na hora, mais que na hora dele agitar as coisas um pouco...
Afrodite, deusa da beleza, passou, bela e perfumada e não resistiu à vontade de mexer com ele (tem gente que não tem noção do perigo...):
_ Parece entediado, querido...
_ Hunf!
_ Grosso!
_ Hunf!
_ Você é um mal-amado, Ares. Precisa se divertir mais.
_ Minha idéia de diversão é diferente da sua, bibelô.
_ Sei... no fundo, no fundo, o problema é o mesmo. Você não tem aonde descarregar a tensão, então quer fuder com o mundo todo. – E Afrodite riu da própria piada indecente.
Ares não pôde deixar de sorrir com o canto da boca...
_ Quer dizer que meu problema é sexo?
_ Oras, se você amasse alguém, seus pensamentos seriam só para ela, seus esforços seriam para satisfaze-la e não teria tempo para a guerra. Vê só a terra sossegada... meus filhos Eros e Liebe tem trabalhado muito e... Ares! Ares, seu grosso, você me deixou falando sozinha? Grosso! Mal educado! Mal amado!- e Afrodite bateu os pés no chão, irritada.
Mas o deus da guerra já estava longe, alcançando seus aposentos e convocando seus assessores: Deimos e Phobos.
_ Sim, mestre. – os dois se inclinaram – Quais são seus desejos e suas ordens?
_ Se lembram de Brutal?
_ Quem consegue se esquecer dele? É um maníaco psicótico – Deimos arregalou os olhos – Só pensa em foder e comer, muitas vezes devorando depois de transar, como uma maldita aranha.
_ Por onde ele anda?
_ Preso em algum lugar ermo. Mas a gente pode descobrir se essa for a sua vontade. – respondeu Phobos.
_ Sim, essa é a minha vontade. Tenho uma missão em duas partes pra vocês: encontrar Brutal e traze-lo. Depois raptar Liebe e coloca-la sob a custódia dele.
_ Uau! Mas se raptarmos Liebe, acaba o tesão no mundo.
_ Exatamente. E sem tesão, as pessoas vão ficar entediadas, depois irritadas, vão acabar brigando e poderemos controlar o ódio delas pra começar uma guerra das boas... ou várias...
Os olhos de Phobos e Deimos brilharam de satisfação. Curvaram-se novamente e foram disfarçadamente cumprir as ordens de Ares. Ele voltou para onde estava, vendo Afrodite beijar seus filhos. A mera presença de Liebe já fazia o ambiente ficar elétrico e nem mesmo os deuses eram imunes ao seu efeito. Quando eles saíram, Ares abraçou Afrodite por trás, acariciando um seio com uma das mãos, enquanto a outra puxava seu quadril e encontrava um lugar por dentro da túnica.
_ Oh, o grande deus da guerra consegue pensar em outras coisas às vezes...
_ Quem resiste muito tempo à deusa da beleza, bibelô? – disse ele, meio irônico. – Aquele seu marido está por perto?
_ E se estivesse? Faria diferença pra você, querido Ares? Não me faça rir...
_ Claro que faz diferença... o perigo me excita muito mais... venha.. vou lhe mostrar a arte da guerra em fazer amor...
CENA 02: BRUTAL E LIEBE:
Não foi fácil para Deimos e Phobos encontrarem o local de exílio de Brutal. O simples mencionar de seu nome arrepiava até os seres mais malignos. Brutal era um filhote de ciclope que sofria de priapismo e compulsão. Tinha que se satisfazer constantemente. Afinal o encontraram nas planícies geladas da Groenlândia e o doparam, pra poder traze-lo. Escolheram uma ilha afastada onde o jogaram, com comida suficiente até trazerem Liebe._ Essa mudança brusca de temperatura vai enlouquece-lo mais um pouco...
_ Oras, o frio deixava ele amortecido. O calor vai "aquecê-lo"...
Riram malignos. Depois, Phobos fez um bico:
_ Como vamos pegar a deusa Liebe?
_ Qual o problema?
_ O tesão irradia pelos poros dela. Vai nos distrair se chegarmos perto.
_ Do mesmo modo que pegamos Brutal. Só que desta vez, não vamos usar sua mira excelente. Vamos dopa-la em seus próprios aposentos. Desacordada, estaremos imunes aos seus efeitos.
_ E prende-la na jaula de cristal. Já testou a indestrutibilidade do negócio?
_ Já. Nenhum golpe, nem daqueles cavaleiros gays de Atena pode rompe-la. Só por dentro. E a deusa Liebe é sensível. Mais de 24 horas sem sexo já começa a enfraquece-la.
CENA 03: SHAKAO cavaleiro de Virgem estava em posição de lótus, altamente concentrado, até levitando.
Todos ao seu redor sentiam e sabiam que ele não deveria ser incomodado em hipótese alguma...
Mas a "hipótese alguma" não incluía quando se ouvia o baque do corpo dele caindo no chão e um berro de "NÃÃÃOOO!" cruzava todo o santuário. Milo, que estava na casa de Escorpião correu e arriscou uma espiada. Ao ver Shaka estendido no chão, desacordado, entrou para ajuda-lo. Camus e Mu vieram atrás para ver o que tinha acontecido. Carregaram Shaka para a cama, colocando uma bolsa de gelo no galo de sua cabeça.
_ O que pode ter acontecido?
_ Algo suficientemente grande para transtornar a meditação de nosso amigo...
Depois de alguns minutos, Shaka gemeu, abriu os olhos (coisa incrível!) e tentou se sentar na cama. Teve uma tontura e se deitou novamente.
_ O que houve, Shaka? – perguntaram três cabeças inclinadas sobre o loiro.
_ Algo terrível, que quebrou o equilíbrio delicado do universo.
_ O que, exatamente? – quis saber Milo.
_ Eu... eu não sei o "exatamente". Mas é uma ameaça... Sinto a falta de algo no ar...
_ Ameaça a nossa pequena deusa? – perguntou Mu
_ A todos nós que respiramos nesse mundo...
_ Ta feia a coisa... – resmungou Milo
"Tem cheiro de Ares... mas ele não se atreveria... ou se atreveria?" pensou Camus, balançando a cabeça para o pensamento ir embora.
_ Precisam de ajuda? – Afrodite de Peixes colocou a cabeça pra dentro.
_ Agora, Frô? Onde você estava?
_ Na praia. Mas o mar não estava pra peixe... – riu ele, depois mordeu o canto da boca.- Foi sério? Shaka parece mais desbotado que de costume.
Milo deu uma risadinha, enquanto todos sentiam o cosmos do cavaleiro de Virgem aumentar...
_ Xii, ele já melhorou... Vamos, antes que ele nos mande ver o paraíso antes do dia marcado... – e Mu foi empurrando todos pra fora.
