OBS: Há muito tempo escrevo essa estoria sem grande sucesso. Quero dizer, existem quatro anos de ideia, sem um fim.
Chega!
Este capitulo não é o final.
O final ainda esta longe em uma ilha paradisica. Mas, eu estou resolvida a publica-la. Não quero deixar esse projeto de lado, é uma questao de honra.
O pior que ela está aos pedaços. Existem pequenas continuações em cada caderno em branco da minha casa. E acreditem são muitos os meus rascunhos. E, a verdade, é que sempre somem.
A estoria é ainda da primeira e segunda temporada. Para notarem o quanto ela é velha. Mas, quero termina-la assim mesmo. Do jeito que imaginei inicialmente, sem anjos ou reVELAÇÕES apocalípticas.
Assim boa estória!
Samuel via-se em sonhos num lúgrube aposento branco, sem móveis ou vida, a não ser por uma insignificante mesa branca no centro da sala, sobre ela um arranjo de rosas escarlates quando acordou com batidas na porta do dormitório.
Ainda com sono sentou-se em sua cama confuso. Tentava dissipar o cansaço esfregando as mãos nos olhos.
Observou as paredes verdes emboloradas, a cama de seu irmão, a porta do banheiro e a grande mesa.
Até o cheiro era diferente de suas ilusões. "Era só um sonho", pensou, no momento que as batidas tornaram-se mais intensas.
Ergueu-se lentamente. Caminhou em direção ao som. Antes de abri-la, no entanto, observou o quarto pela última vez pensativo.
Pendurada sobre a porta espreitava-o diabolicamente uma carranca cuja expressão não sabia se sugeria ira ou alegria.
Sam a encarou surpreso. Exausto, na noite anterior, não a percebera. Dava-se conta que só agora, depois de descansar, notava detalhes do ambiente.
Sorriu de seu desleixo. Abriu a porta.
-Advinha!?- Dean entrou furioso de cenho franzido, com uma expressão de raiva não muito diferente da escultura de pedra.
-Bom dia pra você também? Ah,... que houve?- Sammy esforçava-se para se manter sério. Um leve riso despontou de seus lábios, enquanto fechava a porta.
-O carro... não funciona! Sam, duas balas... duas balas de prata na cara gorda daquele frentista e estaria satisfeito!
-Ao menos pegou o equipamento, não é?- disse Samuel preocupado ao tirar de sua mochila uma camisa para vestir-se.- Se alguém vasculhar o carro... estaremos perdidos.
-Não sou idiota! Por que acha que dormi no carro? Não é um dos lugares mais confortáveis, sabia? Ainda mais sozinho...-murmurou ao sentar-se em uma cadeira em frente ao irmão, que o encarava um tanto cético.- Esperei amanhecer. Mas, acordei tarde.- disse ao desviar o olhar.- Achei melhor não arriscar chamar atenção.
-Tá certo... E os trinta quilos de bagagem não tem nada a ver com isso...
-Também, gênio! Mas, o que vamos fazer?
-Conseguir uma gasolina?
Samuel calçou os tênis. Abriu a porta e saiu acompanhado de seu irmão.
Lá fora, sol já se apresentava em seu ápice.
-O único posto por perto é daquele Livingstone... - bufou o mais velho ao observar o estacionamento deserto.- Não há muitos carros nessa cidade. Nem gente, acho. As ruas estavam desertas hoje de manhã. Talvez, o delegado possa nos ceder um pouco.- sorriu maliciosamente.
-Dean, não! Só... em último caso.
-Você é quem sabe... Só não vejo outra escolha.
Os Winchesters andaram até a recepção. Antes de entrarem, entretanto, na parede do lado de fora, uma bicicleta chamou atenção do mais velho.
- Bom dia!- Do balcão, Moira cumprimentou-os. Embora, tentasse sorrir, sua voz era triste. Parecia cansada.- Espero que tenham dormido bem essa noite. Acordaram tarde. Ah,... Algum problema, sr?- questionou o mais próximo a porta.
Dean, da soleira, voltou-se rumo á garota.
-Nenhum.- caminhou até o balcão ."Principalmente agora...meu amor", pensou enquanto sorria à recepcionista- É que...
-Estamos com um problema no carro?- sério, Samuel interrompeu-o.– Sabe quem pode nos ajudar?
Os olhos de Moira iluminaram-se. Com a mão sobre a boca, tentou conter um breve riso.
-Abasteceram no posto do , não é?- Mais calma, olhou-os sorridente.
De cara fechada, Dean aprumou-se abruptamente. O ódio pelo frentista revigorado.
Ela, no entanto, diante desta reação, prosseguiu satisfeita.
- Não é a primeira vez que isso acontece. Quanto à ajuda, não acho que conseguirão agora. Todos devem...-entristeceu-se- estar ocupados, no momento.
- Ocupados com o quê- Dean sarcástico riu- nesse fim de mundo?
-Com o velório de um amigo.- disse afinal. A voz embargada pela emoção. Prestes a chorar, controlou-se com dificuldade.
Desconcertado, Dean apenas fitou Samuel que sério repreendia-o com olhar.
-D-Desculpe- gaguejou á recepcionista- E-Eu... sinto muito.
-Sente!?- amarga sorriu ao encará-lo. Respirou devagar , antes de desviar o assunto para o jovem Winchester.- Se quiser, eu posso ajudá-lo com o carro.
-Nós aceitamos, se não for muito incomodo...-disse Sammy.
-Não, não é... – deu-lhe as costas, enquanto pegava as chaves da recepção.- Aonde deixaram o carro?
- Perto do bosque-disse Dean sem jeito.
Moira estancou de frente à parede. Ao voltar-se a ele, lançou-lhe um olhar fulminante.
- Acho... melhor esperar lá fora- disse desconfortável ao irmão.
Massageava a nuca ao sair.
Samuel observou-o pela janela por algum tempo. Quando, amável, dirigiu-se à recepcionista.
-Desculpe! Ele não quis...
-Eu sei. É só que... - passou a mão pelos cabelos negros, bufou.- Olha, acho que estão com sorte... Tenho um amigo que pode ajudá-los. Mora na orla da cidade perto da mata. Não deve estar...- fez uma pausa- Se o problema for a gasolina, talvez ele possa ajudar, se tiverem dinheiro é claro. Só diga pra seu amigo tomar cuidado com o que fala.
-Tem certeza que quer nos ajudar? Se não puder...
-Eu já disse- Moira saiu de trás do balcão- Sem problemas! Não há muito que se fazer agora mesmo. Além do mais,- deu um sorriso amarelado- Lorelei me mataria se os deixasse sozinhos - próxima à porta ela virou-se a Sam. - Afinal, são nossos hóspedes.
Samuel sorriu.
Com a mão na maçaneta da entrada, ela o esperava sair.
Fechou a portaria. Sobre o parapeito da janela, apenas pendurou um letreiro: "Horário de almoço".
Ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Não demoraram muito para chegarem ao carro, seguindo a orla do bosque para o aborrecimento de Dean. A péssima noite de sono e o comportamento arredio de Moira apenas contribuíam para seu mau humor.
Os Winchesters averiguaram o velho Impala, sobretudo o porta-malas, após retirarem a carranca e a depositarem no chão.
Enquanto examinavam, a garota mantinha-se distante na lateral do veículo pensativa. As mãos nos bolsos da calça, observava os subúrbios da cidade com semblante triste.
-Parece que tudo esta aqui_ -Dean sussurrou a seu irmão ao checar pela última vez o equipamento de caça.
No entanto, Sammy não se mostrava satisfeito.
-Pode ser... Mas, alguém esteve aqui. Sabe disso.
Disse ao observar o porta-malas. O fundo falso levemente fora do lugar. As engrenagens forçadas.
-É... eu sei.- Lançou um olhar fugaz à garota. Em tom mais baixo continuou.- Mas, se não levaram nada, não vejo problema.
-Talvez, porque não acharam o que procuravam...
-A colt...
Sammy assentiu com a cabeça.
Dean bufou ao desviar o olhar do irmão. Apoiava com força ambas as mãos sobre o carro.
-Se for verdade... Sabe o que isso significa, não é Sam?- inclinou a cabeça em direção à Moira.
Ele não respondeu, no entanto. Virou-se em direção a garota. De um dos bolsos se sua calça retirara um pequeno mp3. Com os fones no ouvido, distraísse com alguma música, enquanto esperava o tempo passar. Ocupada demais para notar que era observada. O jovem Winchester a mirou, por alguns segundos, antes de voltar-se ao irmão.
-Nós... não temos certeza, Dean!
-Se depender do tipo de mulher que atrai..._-murmurou_ - é melhor não arriscar.
Samuel balançou a cabeça negativamente, enquanto um riso nervoso despontou de seus lábios. Observou o ambiente inquieto.
Estava quente apesar da brisa. As árvores farfalhavam ao toque do vento. A estrada cheia de cascalho estava deserta, a não ser pelas frágeis figuras humanas e uma criatura de pedra próximos ao carro.
-Se estiver certo...- fez uma pausa- Estamos ferrados! Não podemos deixar o carro. Todo o nosso equipamento está aqui...
-Eu sei...
-Também não dá pra voltar pra pousada, sem que suspeitem de nós. E, ainda não sabemos quem está envolvido. Pode ser qualquer um... ou todos. Droga!
-Ótimo!_ Dean bufou, ao bater o capô do porta-malas com força- O que vamos fazer? Não vejo muitas opções no momento...
-Tá com a Colt?
-É claro!_- disse em tom ríspido.
-E eu o diário do pai. Tudo de que precisamos. O resto fica aqui...
-Estaremos vulneráveis sem o equipamento, Sammy! Eles, merda, podem ler mentes...
-Já estamos. Você mesmo disse: não existem muitas opções. Quanto aos demônios, ainda não temos certeza... Por enquanto, só... tente não pensar.
-É fácil pra você falar...
-Tem idéia melhor?_ disse ao dar-lhe as costas. Enquanto, Dean de cenho franzido mordia os lábios inferiores com força.
