Nossa, que reviews lindas! Então, eu não vou postar The It Girl hoje porque o combinado de reviews e tal não aconteceu. Mas, em compensação, aqui aconteceu; então novo capítulo aqui.

Muito obrigado a todo mundo que leu o prólogo! Principalmente a Mimsy Porpington (I keep my promise...), Bia, Dany, Thaty, Bia Backes, Lil's Black, Dark Fairy Seven, Flora, Karen Pads, Ninah Black, Madame Baggio, Tahh Halliwell, Marcelaa Black (é short, não te estressa. Cinco capítulos mais prólogo e epílogo), Náh, e Paolla R. O próximo vem... em breve. No meu profile tem as atualizações e tal, podem acompanhar por ali. Enfim. Espero que gostem e, please, reviews para me deixar feliz! Gween Black.

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Capítulo Um

Novos Vizinhos e Antigas Paixões

Estava tudo bem quando eu acordei essa manhã, tudo ótimo mesmo. Não me perguntem por que eu não fiquei na cama, porque é de se pensar que eu ficaria. Mas é claro que não: eu tinha que me levantar cedo, em pleno sábado de manhã, para pegar o jornal e ler as notícias. O que é extremamente idiota, se você quer saber, visto que eu trabalho na redação do The Times e praticamente sabia tudo o que estaria escrito naquela manhã. Mas é como uma obrigação: eu simplesmente preciso me levantar e ler tudo, só para ter certeza que está exatamente como deveria.

E quando eu abri a porta eu deparei com uma visão surpreendente. Uma loira muito bonita e extremamente bem vestida estava entrando no corredor, falando com um lindo moreno logo atrás.

- Então, hmm, Sirius, é aqui? – ela perguntou.

- Ah, sim, claro. – ele respondeu, parando na porta em frente à minha e abrindo-a.

E eu fiquei lá, agachada na frente do jornal, olhando embasbacada para eles por uns dez minutos. Até que eles me notaram, e eu pude ver a expressão surpresa de Sirius ou seja lá qual nome estranho o cara tenha. Ele é bem bonito, se querem saber. Daquele tipo de beleza perigosa, sabe, com os cabelos pretos caindo displicentemente pelos olhos de um azul profundo e malicioso.

- Ah, oi. – ele disse, numa voz rouca e sensual. – Você deve ser nossa vizinha.

- Hmm. É. – muito espero, Lily Evans! E eu nem me levantei.

- Eu sou Gween. – a loira deslumbrante deu um sorriso simpático, mas eu não pude ver seus olhos porque eles estavam cobertos por enormes óculos Dolce & Gabbana. Eu não sei por que exatamente, mas eu não gostei dela. Ela faz aquele tipo de pessoa que se veste bem demais e está linda demais para ser... sei lá, humana. Talvez seja um robô. Mais provavelmente é uma dessas modelos descerebradas que dão gritinhos histéricos quando estão tendo um orgasmo. Mas pelo menos ela tem uma vida sexual bem ativa com um gostosão. Eu não tenho nem isso. E, no auge dos meus vinte e cinco aninhos, era de se suspeitar que eu teria. Mas enfim. Eu devo ter ficado uns bons minutos ali, parada, agachada com aquela expressão idiota, porque ela voltou a falar. E ela não tinha aquela voz irritante da maioria das modelos-que-dão-gritinhos-histéricos, mas, bem, isso não é uma regra tipo assim. Ela muito bem pode continuar sendo uma delas. – Você é...?

- Evans. Lily Evans. – eu falei. Finalmente peguei o jornal e decidi me levantar, mas provavelmente isso só foi porque meus joelhos estavam doendo.

- Eu sou Sirius. – ele deu um sorriso simpático. – Se precisar de alguma coisa, estaremos aqui.

- Ok. – eu respondi, me perguntando por que eu precisaria de alguma coisa. Mas tudo bem. Deixa eles pensarem que eu precisaria.

Estava feliz e relaxada, pronta para fechar a porta, quando eu ouvi.

- James está vindo para cá, tudo bem? – ele perguntou, naquela voz maravilhosa.

- Potter? James Potter? – ela falou, completamente animada. – Céus, estou morrendo de saudades dele! Faz o quê, um mês que eu não o vejo!

- Ele vai passar uma semana com a gente, porque... – mas eu não ouvi o resto. Simplesmente fechei a porta. Porque eu conheço James Potter.

Ok, vocês querem saber quem é James Potter? Não se enganem, vocês não querem, mas eu vou falar mesmo assim. James Potter era do time de futebol na minha época de colégio. Sabe como é. Alto, atlético, maravilhosamente lindo, o time inteiro das líderes de torcida caindo no colo dele. Literalmente e em qualquer oportunidade, se é que me entendem. James Potter também é o garoto que foi orador da turma na formatura e ganhou rei do baile. Foi aceito em Oxford antes da maioria de nós e era o aluno preferido de tipo assim cem por cento dos professores. Mas isso não tem nada a ver com o meu problema com James Potter.

Oh, porque, sim, tem de haver um problema. James Potter é, também, o garoto por quem eu fui secretamente apaixonada durante toda a high school, e que não fazia absolutamente nenhuma idéia da minha existência.

E também é o cara que vai ser meu vizinho. Por uma semana. Uma semana, vocês sabem o que é isso? Tempo suficiente para eu morrer. Com vinte cinco anos. O que só comprova que eu estive o tempo inteiro completamente certa sobre minhas teorias.

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Oh, Deus, o destino é tão cruel! (Eu tenho que parar de me direcionar com essa freqüência a Deus, é tão hipócrita!). Nem me deu qualquer tempo para me preparar. Não que eu realmente fosse me preparar ou tipo fazer qualquer produção, mas eu podia estar, sei lá, psicologicamente normal, o que quer que isso signifique.

Bom, eu tenho que dizer que eu sempre almoço no mesmo restaurante. Menos aos sábados, que eu costumo almoçar em casa, mas naquele sábado em especial a geladeira estava um tanto quanto vazia. O que quer dizer que antes da uma da tarde eu estava entrando no restaurante, bem bela e feliz e saltitante (não literalmente, é claro, afinal a visão de uma criatura ruiva saltitante no meio de um ambiente alimentar não deve ser exatamente agradável), sem fazer a mínima idéia do que me esperava.

- LILY! – eu ouvi uma voz chamar meu nome. Mas não podia ser o meu nome. Quer dizer, eu não conhecia ninguém ali. – Lily! Lily Evans! – peraí. Esse definitivamente era o meu nome. E foi aí que eu cometi o erradíssimo erro de me virar.

A loira deslumbrante estava sentada numa mesa a um canto, acenando enlouquecidamente para mim. Escandaloso, se quer saber minha opinião. Definitivamente modelo histérica.

- Hmm, oi. – eu me aproximei da mesa. Quer dizer, que outra opção eu tinha? Ignorá-la completamente? Por mais tentador que fosse, não era exatamente uma alternativa, se é que você me entende.

- Nossa, que legal encontrar você aqui! – ela exclamou. Oh. Super excitante. Estou entusiasmadíssima. – Por que você não senta com a gente?

- Eu? – eu sei que foi idiota. Mas quer dizer, eu estava chocada.

- Sim, para almoçar. – ela sorriu. – Sirius está vindo para cá, e como seremos vizinhos, eu acho que seria legal se...

- Ah, não, não, eu não quero atrapalhar vocês dois. – por que ela simplesmente não me deixava ir?

Foi aí que ela ergueu os óculos escuros e eu pude ver os olhos por baixo da franja da moda. Eram cor-de-mel, de um tom curioso, quase verde. Eram muito bonitos, e não eram estúpidos como o da maioria das modelos histéricas.

- JAMES! – ela falou, a voz alta demais. É. Eu sei.

E se levantou, atirando-se nos braços de um lindo moreno que acabava de chegar. Peraí, até onde eu tinha entendido ela era a namorada daquele tal de Sirius, não era isso?

É. Não sei. Porque a maneira como James a abraçou e rodou foi bem... er... íntima.

- Que saudade! – ela sorriu. – James, essa é Lily, nossa nova vizinha. Lily, esse é James, nosso hóspede.

E eu olhei para ele, depois de quase dez anos livre daquela aflição. Eu devo dizer que ele não estava bonito como na época do colégio. Oh, não, estava pelo menos cem vezes mais maravilhoso.

Ele tem os cabelos num tom escuro, mas não preto, sabe como é. E os olhos são meio caju, daquele tom que parece brincar com o castanho e o verde, absolutamente encantador. E aí ele sorriu, e eu pensei que fosse derreter. James Potter tem o sorriso mais lindo do mundo, com os dentes todos bem brancos e um incisivo superior meio torto. Eu não sei, mas eu me lembro dele desde os tempos do colégio. Do dente, quero dizer. Sempre achei tão, mas tão charmoso!

- Oi, Lily. – ai-meu-Deus-que-voz!

- Oi. – e eu senti. Ok, uma das piores partes de ser ruiva é que você fica vermelha em noventa por cento do tempo. E eu sabia, eu simplesmente pude sentir minhas bochechas esquentando sob o peso daqueles olhos tão lindos e misteriosos.

- Lily vai almoçar com a gente. – a modelo anunciou. Ok, o que ela está pensando? Quer dizer, eu nem ao menos havia dito qualquer coisa sobre ficar!

- Não, eu vou – eu comecei. Eu juro que tentei, porque eu definitivamente não pretendia passar a próxima hora na frente de James Potter.

- Ah, Lily. – ele me interrompeu. – Fique aqui com a gente. – e indicou para eu me sentar ao lado da modelo loira, no exato instante em que Sirius apareceu.

- Hei, James! – ele sorriu, dando um abraço apertado no amigo e sentando na frente da modelo. E vocês sabem o que aconteceu, não é? Quer dizer, é absolutamente deduzível: James sentou na minha frente. – Lily! – ele pareceu surpreso, e eu não o culparia. Quer dizer, eu estava sentada na mesa onde supostamente só eles deveriam estar.

Oh, tudo bem, o almoço transcorreu normalmente, e eu pude reparar em algumas coisas. Por exemplo:

a) O nome da modelo é Gween, e na verdade ela não é modelo. Ela trabalha na Vogue British, sabe, a sede britânica daquela revista de moda superfamosa. O que explica o absoluta impecavelmente vestida. E ela não comeu só uma folha de alface. Na verdade, ela comeu carne. É sério, estou dizendo! E não pareceu morrer de fome, se quer saber minha opinião.

b) Sirius é filho daqueles magnatas donos de uma revendedora de carros autorizados da Mercedes. Os Black. Mas aparentemente ele foi deserdado pela família, mas ganhou uma herança enorme de um tio distante. O trabalho? Gastar o dinheiro e ter uma vida maravilhosa.

c) James está terminando medicina. Uhum. Medicina. Eu já disse a vocês que eu tenho tipo um certo fetiche por médicos? Pois é, eu tenho. Se quer saber minha opinião, existe alguma coisa em aventais brancos e estetoscópios que está além da compreensão feminina. E eu tive que passar o resto do almoço me impedindo de criar imagens mentais de James de avental.

- Hmm, Lily, eu estou indo na Saks agora. – Gween falou, enquanto pegava sua bolsa. Eu percebi que as unhas dela eram perfeitamente bem-feitas, pintadas num tom de vermelho escuro muito bonito. E fatal. – Que tal você ir junto?

- Não sei, eu tenho algumas coisas para fazer... – e provavelmente meu salário anual não pagaria uma parcela de qualquer roupa daquela loja, mas é claro que eu não poderia dizer isso.

- Ah, qual é! – ela sorriu. – Nós podemos nos conhecer e tal.

E, sem saber como, eu acabei aceitando.

Os dez motivos pelos quais você não deve ir às compras com uma modelo histérica em potencial:

10. Ela sabe tudo sobre moda, e provavelmente vai irritar seus ouvidos com informações sobre as novas coleções dos melhores estilistas e exclamações de adoração. Sim. Para roupas. E bolsas. E sapatos.

9. Ela é fútil e irritante e parece simplesmente conhecer todo mundo que é importante no ramo.

8. A gerente da loja vai dizer que tem um Manolo Blahnik de salto stiletto reservado, caso você esteja interessado. Sim, porque o fato de você estar com Gween é praticamente tíquete de acesso total a qualquer coisa. E é nessa hora que você vai olhar e falar "ãhn? Salto o quê?" e ela vai devolver o olhar como se você fosse uma completa idiota.

7. Todo mundo ao seu redor vai ser mais magro, mais bem vestido e mais bonito que você. E isso definitivamente não é bom para auto-estima, e nem para a sua conta bancária, já que você promete marcar consulta no cabeleireiro e manicure e pedicure e depiladora e tudo o mais que conseguir no exato instante em que chegar a casa.

6. Vão perguntar para você: "O que você acha decashmere?", e você vai ser idealista o suficiente para entender Caxemira e responder: "Na minha opinião, é deplorável. Quer dizer, os conflitos na região ocorrem desde 1947, quando houve o fim da colonização britânica. Não dá para acreditar que Índia e Paquistão tiraram a cidadezinha para área de conflitos e até mesmo realizaram testes nucleares em 1998! Quer dizer, dá para acreditar nisso?". Essa é a hora onde a vendedora vai parar, lançar um olhar de pura pena e responder: "Cashmere. O tecido."

5. Quando perguntarem se você viu a maravilhosa bolsa que Valentino que Claire Danes estava usando no Total Request Live nos estúdios da MTV de New York, você vai optar por um leve "hmm".

4. Você vê um rebuliço numa parte da loja e pergunta "Hmm, quem chegou?". E então a vendedora olha para você e responde: "Alessandra Ambrósio", como se fosse a coisa mais óbvio do mundo. E nessa hora, quando você não faz a mínima idéia de quem seja a criatura, você decide que ficar quieta é bem mais seguro.

3. Vão te oferecer coquetéis e champagne. E você não vai resistir. E vai tomar. E você sabe o que acontece quando se toma bebida alcoólica demais, não é?

2. Ela vai dizer que tem a exclusivíssima bolsa de pele de jacaré da Calvin Klein estilo Lexington, e você vai olhar e se apaixonar. E aí, quando você perguntar o preço e ouvir absurdos $6700, você vai cuspir toda a champagne que recém tinha posto na boca em cima do terninho da atendente (que provavelmente também tinha essa faixa de preço).

Mas o motivo principal pelo qual você não deve ceder sobre sair como uma modelo histérica em potencial é:

1. O assunto definitivamente vai recair sobre sua vida sexual. Ou melhor, sobre a falta dela.

- Você vai comer isso? – eu perguntei. Ok, eu deveria ser mais discreta, mas foi tipo assim impossível. Quer dizer, quem imaginaria que ela simplesmente pegaria um cookie hiper calórico com gotas de chocolate? Essa era supostamente para ser a minha escolha!

Uma vez, quando eu tinha uns vinte e poucos anos, nenhum namorado e uns três quilos a mais do que cada uma das minhas colegas de trabalho, eu decidi ir a um nutricionista. Aliás, não só nutricionista: era um "Conselheiro Alimentar", que prometia, além de criar uma nova dieta super saudável, terminar com todos os seus problemas com a comida.

Não que eu tivesse exatamente algum. Além da falta de namorado, claro.

Enfim, assim que eu cheguei lá ele me indicou uma cadeirinha bem desconfortável para sentar e me perguntou, na lata:

- Por que você come? – o que, se você for pensar, não foi uma pergunta muito inteligente.

- Porque eu tenho fome? – arrisquei a resposta, e ele me lançou um típico olhar entediado. E foi aí que um pensamento diferente cruzou minha cabeça: e se meu problema com namorados não tivesse absolutamente nada a ver com a comida, e sim com o meu tédio crônico? Será que eu era entediante?

- Além disso. – ele bufou.

- Porque é bom, é claro. – eu respondi prontamente, e dessa vez sem possibilidade para erro. Afinal, por que outros motivos além de fome e prazer as pessoas comem?

- Não, mocinha! – ele retrucou, e eu não gostei nem um pouco do tom que ele estava usando. – Eu quero saber se você utiliza a alimentação como meio de abastecer suas frustrações emocionais. – ei, peraí, eu pensei que essa era a parte do trabalho dele. Quer dizer, se eu soubesse, para começo de conversa, eu nem teria ido ali! – Você utiliza a comida para suprir algum vazio interior?

Sorri triunfante: essa eu sabia a resposta.

- Claro. – peguei minha bolsa e dei um sorriso falso. – O vazio se chama "fome" e o cheio "saciedade". Obrigada. – e esse o fim da minha primeira e única consulta sobre aconselhamento alimentar.

- O que você esperava? – a voz de Gween me tirou dos devaneios. – Meia folha de alface com água sem gás light? – ela perguntou, um tanto irônica. E eu senti minhas bochechas esquentarem. Quer dizer, era isso que eu estava pensando, mas eu não poderia dizer, poderia? – É, eu sei, a maioria pensa isso. Mas eu passei tipo assim seis meses da minha adolescência ingerindo menos de quinhentas calorias diárias e não emagreci praticamente nada onde eu queria. – ela falou, e eu fiquei chocada. Isso é, mais do que antes. Quer dizer, quinhentas calorias? O meu almoço deve ter o triplo disso! – E foi aí que eu descobri que não havia nada de errado com o que eu comia, contando que fizesse exercícios físicos depois. – ela deu um sorriso vitorioso. – Então, chérie, eu nunca mais rejeitei qualquer coisa que tivesse chocolate dentro.

- E você fica assim? – Ok, não era minha intenção perguntar isso, mas quando eu vi já o havia feito. Isso é outra coisa sobre mim, sabe. Eu absolutamente não tenho a mínima noção de conveniência.

- É claro que eu tenho que manter a forma, senão o pessoal da Vogue me comeria viva. – eu não duvido. – Mas não é aquele difícil, sabe? Eu realmente gosto de academia, e nunca freqüento menos de três vezes por semana. Talvez nas épocas dos desfiles de Milão, Paris e New York eu dê uma relaxada, mas basicamente nunca. – e aí ela parou por um instante antes de continuar. – Mas é claro que academia não é nada comparada ao sexo.

E foi nessa hora que eu engasguei.

- O quê?! – ela perguntou, divertida. – Você não sabia? Uma hora de sexo pode queimar até oitocentas calorias, o dobro que você queima na academia. E é muito melhor, se quer saber minha opinião. – oh, Céus. Eu estava tendo uma conversa sobre sexo com uma modelo que possivelmente dá gritinhos histéricos quando está tendo um orgasmo. Você faz idéia do quão doentio isso poderia ser? – E eu realmente quero agora.

- Minha opinião? – eu sei que foi idiota. Mas o que você queria, que eu simplesmente adivinhasse sobre o que ela estava falando?

- Hmm, não. – ela murmurou, super tranqüila, aparentemente sem se importar com o fato de eu poder me sentir ofendida por ela rejeitar tão displicentemente minha opinião. – Sexo.

- Ah. – eu respondi.

- Quer dizer, faz tipo assim umas cinco que eu não tenho. – ela continuou. Cinco o quê, semanas? Bom, se fosse assim, para mim fariam umas... deixa eu contar. Quem foi o último mesmo? Ah, foi o Amos. Faz doze semanas.

- Doze para mim. – eu murmurei.

- Sério? – ela parecia chocada. – Mas não tinha ninguém no seu apartamento. – ela observou.

- E deveria ter? – eu perguntei. Não estava entendendo aonde ela queria chegar. – Quer dizer, faz doze semanas que eu tive sexo com o cara, ele não deveria viver comigo... – e dessa vez eu vi que eu realmente a deixei chocada. Porque ela largou o cookie que tinha na mão, soltou a xícara de capuccino com um estrépito e arregalou os olhos.

- Doze semanas? – é, eu realmente a assustei.

- Hmm. É. – de repente eu não estava mais tão confortável. – Não era disso que você estava falando? Cinco semanas?

- Oh, céus, é claro que não! – ela exclamou. – Eu estava falando de cinco horas.

E agora, sabe, é a hora que eu me sinto mais idiota do dia inteiro, o que representa realmente uma quantidade ENORME de idiotice se você quer saber.

- Você está falando sério? – ela perguntou. Qual era o problema em acreditar, hein?! Isso não estava legal. – Nós temos que dar um jeito nisso. – ela falou, preocupada. Alôô, minha vida sexual, deixa que eu cuido! – James é bom. – ela falou. E foi aí que eu engasguei. De novo.

- Você já transou com ele? – ah, não, por favor, diz que James não é do tipo admirador de modelos que dão gritinhos histéricos!

- Ai, óbvio que não! – ela retrucou, como fosse a coisa mais transparente do mundo. Talvez eu tenha desenvolvido miopia durante os anos em que li milhões de livros com letrinhas cujo computador provavelmente nem tinha numeração de tão pequenas, porque, para mim, não há outra explicação. Simplesmente não há. – Tipo assim, ele é o melhor amigo de Sirius, e meu melhor amigo também. Não seria legal, se é que você me entende.

- Então... hmm... bem... como você sabe? – eu perguntei. Eu precisava saber. – Quer dizer, que ele é bom?

- Ah, olha só para ele. Ele simplesmente tem de ser! – ela exclamou. - Sabe? – hmm, er... sei. – E depois, é o que todo mundo fala, não é? – ela comentou, mordendo um cookie mais uma vez. – É, eu acho que é isso. Se eu fosse você, eu arrumaria um jeito de ter sexo com James Potter.

Engraçado, porque é exatamente isso que eu vinha tentando fazer há dez anos.