Capitulo 1

A turma veio abaixo a gargalhadas. Jensen sentiu seu rosto esquentar de vergonha. Queria um buraco para se enfiar. Por que aquele gigante com cara de criança estava jogado à seus pés fazendo aquela cena? Porque sismou logo com ele, que era tão tímido...?

O professor se aproximou, e, segurando os ombros de Jared, pediu silêncio a turma. Saiu de sala e mandou que o menino o acompanhasse. O moreno estava pouco se importando se havia agido como um maluco. Finalmente tinha dito a Jensen que o amava, e apenas isso importava. E seu lourinho estava lá, vivo, lindo, olhando para ele. Pobrezinho... Ficou visivelmente envergonhado, sem entender nada... Jared sorriu lembrando da cara assustada que Jensen fez. Depois se conheceriam de novo, e dessa vez Jared não deixaria que nada de mal acontecesse ao seu amado, de jeito nenhum.

O professor levou o menino até a sala da psicóloga, Dra. Holly. Pediu que o garoto esperasse um pouco enquanto ele mesmo, aparentemente, explicava à moça o motivo que o levara a encaminhar Jared a ela.

– Jared, essa é a Dra. Holly, ela vai conversar com você. - Disse o professor, antes de se retirar.

– O que aconteceu, Jared? Perguntou a moça, amavelmente.

– Ah, foi só um sonho... - mentiu ele. Não queria que a mulher achasse que era doido.

Como ele poderia dizer a verdade? Ninguém iria acreditar... Mas o que vivenciara não havia sido apenas um sonho... Fora intenso demais, verdadeiro demais... O sofrimento dele em ver seu amor morto em seus braços fizera com que alguma coisa o fizesse voltar no tempo. Ele não sabia o que exatamente. Um milagre de Deus? Seu anjo da guarda? Sua fada madrinha? Tudo o que sabia é que havia recebido uma segunda chance, e dessa vez ele não deixaria que nada de ruim acontecesse com Jensen.

Dra. Holly foi amável. Entendeu que Jared estava estressado com o fato de ter deixado a família pela primeira vez para estudar em uma escola interna. Recomendou que o menino descansasse aquele dia e fosse dormir cedo para que acordasse bem disposto no dia seguinte.

Jared agradeceu a psicóloga e foi para o seu quarto. Talvez não fosse má ideia ele dormir um pouco e tentar relaxar depois de tudo o que vivenciara. Há muito pouco tempo havia presenciado a morte do amor de sua vida, e logo em seguida o vira ressuscitar. Ainda estava abalado, é claro. Agora era hora de colocar a cabeça no lugar e pensar em um plano de ação. Teria que desvendar a futura doença de Jensen depressa e se precaver das consequencias dela. Ainda tinha dúvidas se o seu amado teria contraído a famigerada doença de sua família ou se haveria sofrido de uma pneumonia qualquer, morrendo por falta de cuidados médicos.


Jensen sentou-se em sua carteira assim que o professor se retirou levando Jared consigo. Todos os colegas riram da cara dele. Após sentir-se terrivelmente envergonhado, Jensen só conseguiu pensar na cena: Jared ajoelhado a seus pés, dizendo que o amava. Nunca ninguém havia dito que o amava, pelo menos não que ele se lembrasse. Mas o que mais o intrigava era a emoção que vira estampada naqueles olhos verdes. Jared estava até chorando... O que quer que o moreno tivesse sentido quando se declarou a ele, devia ter sido bastante intenso. Aquilo tocou Jensen de alguma forma que ele não pôde entender, deixando-o angustiado.

Jensen sentiu-se aliviado quando o professor voltou para a sala sozinho, sem Jared. Não estava muito a fim de encarar o moreno, ficava sem graça só de pensar. Durante todo o dia Jensen prestou atenção por onde andava, temendo topar com Jared por aí. Não encontrar com ele em momento algum foi motivo de comemoração.


Jared, que estava emocionalmente exausto, conseguiu dormir bastante durante o dia e também a noite. Decidiu que procuraria Misha no dia seguinte e contaria tudo o que se passara com ele. Misha era cabeça aberta, haveria de acreditar nele e ajudá-lo, mesmo que naquele momento eles ainda nem fossem amigos. Não sabia exatamente como deveria falar com Jensen, mas Misha sempre tinha bons conselhos para dar.

Assim que se levantou, o menino se trocou e foi tomar o café-da-manhã. Estava preparado para encontrar Misha e contar-lhe tudo. Quem ele avistou logo de cara, entretanto, foi Tom. Jared assustou-se ao cruzar seu olhar com o dele e estremeceu. Lembrou-se com infelicidade que teria de aturar o "mala", que naquela época ainda era amigo de Misha e Justin.

Tom usava uma calça de couro preta justa que fez Jared rir. O menino nunca havia visto o valentão vestido de forma tão afeminada. Talvez o babaca fosse mesmo um gay enrustido. Jared teve vontade de gozar da cara dele mas se conteve, afinal Tom não fazia ideia de quem ele era. Ele apenas se manteve por perto de Tom, que estava sozinho, esperando que seus amigos chegassem.

Ninguém veio se sentar com ele, entretanto, e tanto Jared quanto Tom tomaram o café-da-manhã sozinhos.

"Que droga!" – pensou Jared. "Onde será que Misha e Justin se meteram?" Sem opção, Jared se encaminhou até a sala de aula. Os dois também não estavam lá. O menino sorriu ao avistar Jensen, que logo se encolheu na carteira quando avistou o moreno. "Que bonitinho, está com vergonha de mim..." – Jared pensou, e nem se intimidou. Acenou para Jensen, que quase teve um piripaque. Alguns colegas repararam, riram e gozaram.

Jared almoçou sozinho e passou o dia todo procurando por Justin e especialmente Misha, sem sucesso. No fim do dia já estava sem paciência. Resolveu que iria contar a verdade para Jensen, pois queria que o louro entendesse o que se passava com ele. Jensen devia estar pensando que ele era louco, e que as palavras que dissera não significavam nada. Isso não podia ficar assim. Por sorte Jensen também era uma pessoa bastante crédula, afinal acreditava em coisas tão doidas quanto tratamentos com sanguessugas. Não haveria porque não acreditar que Jared estivera no futuro. Bastava ele mostrar a Jensen que sabia tudo a seu respeito.

A noite, Jared foi até o quarto de Jensen a bateu na porta. Jensen abriu e se espantou ao ver o moreno.

– Oi... – Disse Jensen envergonhado. Esperou que Jared dissesse alguma coisa.

– Jensen, eu preciso falar com você.

– Pode dizer... – respondeu o louro apreensivo.

– Me desculpa... Eu não queria te assustar... – Jared disse ainda muito sério.

Jensen sorriu meio sem graça

– Não tem problema, esquece. Eu sei que você teve um sonho... – respondeu cordialmente.

– Não Jensen, por favor, me escuta. Eu te amo. Te amo demais... Por favor, nunca duvide disso.

Jared olhava para Jensen com tanta emoção e intensidade que o fez estremecer.

– Você nem me conhece... – Jensen então respondeu com um fio de voz. Não sabia o que pensar. Com certeza Jared era doido, não podia de fato amá-lo como dizia.

– Não, por favor, me escuta – o moreno disse. O louro ficou calado olhando para ele, e Jared prosseguiu.

– Jensen, eu vou te contar uma coisa, e você precisa acreditar em mim...

Jensen continuou apreensivo, apenas esperando que Jared soltasse a "bomba".

– Eu convivi com você durante vários meses, mas alguma coisa fez com que eu voltasse ao passado...

Jensen olhou para Jared arregalado. Cada vez o moreno lhe parecia mais maluco.

– Hmm, é mesmo? Legal... – disse Jensen sem muita convicção.

Jared conhecia seu amado muito bem. Viu que ele estava dizendo aquilo apenas para se livrar dele. Muito típico do louro aquela reação...

– Não, Jensen, é sério, e eu posso te provar!

– Provar como? – Jensen ficou um pouco curioso. Como aquele doido pretendia provar a maluquice que dissera?

– Eu te conheço como a palma da minha mão!

Jared pensou em dizer a Jensen sobre a morte de sua mãe e irmão, e o comportamento covarde do pai, mas não queria aborrecer o seu amor com lembranças tristes. Poderia ter mencionado o fato de Jensen tocar piano ou pintar quadros na praia. Sua primeira escolha, entretanto, foi bastante inusitada.

– Eu te conheço tão bem que até sei que nome você daria a um ratinho de estimação.

Jensen teria rido se não estivesse tão chocado. A cada palavra do moreno o menino se convencia mais que seu lugar era internado em um hospício.

– E que nome é esse? – perguntou o louro.

– Ben – respondeu Jared orgulhoso. Jensen com certeza ficaria espantado em ver como Jared o conhecia bem.

– Ben? Como naquela música do Michael Jackson? – Jensen perguntou incrédulo.

Sim, Michael Jackson tinha uma música com esse nome. Jared conhecia...

– É, como na música do Michael Jackson...

– Eu acho que nunca seria tão óbvio... – Jensen respondeu quase indignado.

– Óbvio por que?

– Porque Ben é o nome do ratinho do menino na música, não é? Eu acho que eu escolheria um nome mais original, como Greg ou Bob... – Jensen então disse pensativo – Nunca Ben, Mickey ou Jerry...

– Eu não sabia que o Ben nessa música era um rato... – Disse Jared com sinceridade.

Jensen balançou a cabeça sem acreditar. Por que estava conversando sobre o nome que haveria de dar a um rato? A ideia em si era completamente louca.

– Me dá licença, Jared, está tarde e eu vou dormir. E eu acho que estou ouvindo os passos do inspetor. Se ele te pegar aqui no corredor vai nos dar uma bronca!

"Mais uma vez querendo se livrar de mim...", pensou Jared. Jensen nunca se preocupara com inspetor antes. Estava prestes a reclamar quando o homem apareceu e foi logo dando uma bronca. Jared, contrariado, teve que voltar para o seu quarto. Que hora péssima para esse inspetor aparecer... Teria que deixar a sua conversa com o louro para o dia seguinte.

Jensen fechou a porta aliviado.


E então, gostaram do primeiro capitulo Espero que sim!

Quem sabia que Ben era o nome de uma música do Michael Jackson? Imagino que muita gente, né? E quem sabia que Ben era um ratinho no filme? Talvez quase ninguém... A Naty disse que tinha só 16 aninhos (a idade dos meus Js!), então imagino que ela, e a maioria dos outros leitores, também não tenha associado o nome ao rato (rss).

Então, aqui vai para vocês o final do filme (lá do inicio da década de 70), com a tradução da música (que fala sobre a amizade de um menino solitário e um rato). Achei esse video no youtube, não é meu.

|www| . |youtube| . |com| \ watch?v=lWaXs8X8Tkc (tirem os espaços e os | para consertar o link)