ColdPlay – The Scientist
Come up to meet you, tell you I'm sorry, you don't know how lovely you are. I had to find you, tell you I need you, and tell you I set you apart. Tell me your secrets, and ask me your questions. Oh let's go back to the start. Running in circles, coming up tails, heads on a silence apart.
Nobody said it was easy, it's such a shame for us to part. Nobody said it was easy, no one ever said it would be this so hard, oh take me back to the start.
I was just guessing at numbers and figures, pulling the puzzles apart. Questions of science, science and progress, don't speak as loud as my heart. So tell me you love me, come back and haunt me, when I rush to the start. Running in circles, chasing in tails, coming back as we are.
Nobody said it was easy, it's such a shame for us to part. Nobody said it was easy, no one ever said it would be so hard…
...I'm going back to the start.
Capitulo II – O Imperador das Trevas (Parte 1)
Após acalmarem Miyako do choque, os digiescolhidos presentes não poderiam adiar uma batalha que haveria de acontecer, e decidiram por irem apenas um grupo de reconhecimento formado por Taichi, Daisuke, Hikari e Miyako, que na realidade forçou sua entrada no grupo alegando que se o Imperador era seu namorado, ela é que o enfrentaria, mesmo não tendo a certeza se conseguiria encará-lo. Sora, Yamato e Koushirou ficaram no mundo real monitorado a área do digimundo e tentando entrar em contato com digiescolhidos desavisados.
O grupo de reconhecimento entrou no Digimundo, na parte Leste, em uma densa floresta escura, apesar de ainda ser dia. Taichi e Daisuke caminhavam um pouco mais à frente, atentos a algum perigo, pois não estavam acompanhados de seus digimons ainda, e Hikari estava um pouco mais atrás junto de Miyako, segurando-a como se esta fosse acabar por desmaiar. A mente de Miyako estava em plena guerra de lembranças e da tentativa de se convencer da atual realidade. Em sua mente sempre vinha à lembrança de Ken lhe prometendo nunca mais tornar a ser o perverso Imperador, logo antes de dizer a si mesma que ele havia mentido a ela, já que a mãe de Ken a alertara do comportamento do filho.
Daisuke também não se sentia muito bem com aquela situação. Seu melhor amigo e companheiro, ser agora novamente seu inimigo o deixava confuso quanto ao momento de encará-lo novamente. Em sua mente, lembrava-se do antigo Imperador Digimon com voz agressiva e sua longa capa negra, e ao mesmo tempo, via também um outro Ken, que estava sorrindo ternamente e chamando por ele. "Como poderia fazer isto agora, tantos anos depois?", se perguntava constantemente olhando o chão coberto de folhas secas caídas das arvores; Em sua distração, Daisuke acabou por se chocar com Taichi e levantou sua cabeça, notando que o jovem havia parado, e estava totalmente imóvel, olhando para algo um pouco mais adiante.
- Davis... - sussurrou -...olhe ali na frente, bem embaixo daquela árvore! – apontou para uma arvore mais à frente, que parecia ter sido golpeada, e estava meio inclinada, como se não tivesse desabado por ter longas raízes.
Davis olhou atentamente, e viu um corpo meio coberto pela sombra da árvore, que parecia ser humano. Ele se aproximou devagar, com todo o cuidado. Seu coração começou a bater mais forte e rápido, e ao se aproximar do corpo, ele se assustou...
- Meu Deus, é o Ken.
Miyako, ao ouvir essas palavras, levantou a cabeça, e com os olhos ainda brilhantes por suas lágrimas correu em direção a Ken, que estava desmaiado. O rosto do rapaz estava com alguns ferimentos e sujo de terra, onde seu semblante o fazia parecer com quem havia participado de uma batalha recentemente.
- Cuidado Miyako, eu sei que ele é seu namorado, mas é suspeito também. – informou Taichi que se aproximava ao lado de Hikari.
- Não vê que ele está inconsciente? – retrucou a garota em tom de censura.
- Miyako, não sabemos o que houve para ele ficar assim, mas sabemos que o Imperador digimon está agindo novamente! – disse Hikari apreensiva.
- Não quero fazer isso, mas... – Daisuke para por um momento, que é suficiente para Miyako o fitar descrente de suas palavras. -...mas, Hikari e Taichi tem razão. Não sabemos o que houve, então não podemos ficar tranqüilos perto dele.
Miyako olhou-o com amargura, e logo retornou seu olhar para Ken, ainda desacordado. Ela elevou uma de suas mãos, e acariciou o rosto do rapaz, limpando-o, e deu um forte suspiro.
- Vocês têm razão. Não posso deixar meus sentimentos enganarem minha mente. Mas, não podemos deixá-lo aqui.
- Ela tem razão, temos de levá-lo de volta ao mundo real. – Takeru apareceu, trazendo uma vasilha com água cristalina e um pano bem limpo que era carregado por Patamon.
- TK, como nos encontrou? – Perguntou Daisuke.
- Não encontrei vocês, o encontrei. – respondeu apontando para Ken. – Ele já estava desacordado quando o achei aqui, e fui buscar um pouco de água, para tentar reanimá-lo.
- Falou com o Izzy? – Perguntou Taichi um pouco desconfiado.
- Não. Acabei esquecendo de comunicá-lo. Aqui no Digimundo estamos tendo muitos problemas de comunicação, mas acabei esquecendo de comunicar porque estava preocupado com Ken. – Takeru, estava respondendo as perguntas enquanto acompanhava Miyako na limpeza dos ferimentos leves no rosto de Ken. – E vocês, o que estão fazendo aqui?
Taichi ia começar a falar, quando recebeu um olhar de censura de Miyako, e acabou por desistir de contar a verdade, resolvendo contar uma outra versão.
- Ãhn...estávamos te procurando. Izzy disse que você veio ao digimundo, mas não falou com ele, então viemos procurá-lo. – Taichi sentiu um desconforto em ter de mentir sobre a situação atual, mas não poderia arriscar uma briga com Miyako na frente de todos numa situação tão delicada. – Vamos levá-lo de volta ao nosso mundo, lá cuidamos do Ken.
Os jovens levaram Ken de volta ao mundo real, e cuidaram de seus ferimentos enquanto informavam a verdade para Takeru, que ao ouvir a noticia, se espantou mais que os outros.
- Então por que você não me contou no digimundo? Por que ficou enrolando? – perguntou virando-se intrigado para Taichi.
- Bem, acho que a Miyako estava com medo de você não querer ajudar mais o Ken, caso soubesse da verdade! – respondeu um pouco constrangido. Takeru entrou em seus pensamentos passados, recordando as longas e duras batalhas que havia travado desde muito novo.
- Isso explica toda essa agitação entre a luz e as trevas recentemente. – Disse Koushirou para Takeru que ainda estava surpreso.
- É...- respondeu saindo de sua recente viajem aos próprios pensamentos. -...isso explica.
Ken já estava acordando, chamando a atenção de todos os presentes, principalmente de Miyako que lhe deu um grande abraço, como se ele estivesse levantando dos mortos onde tivesse adormecido por séculos. Os outros digiescolhidos se olharam sem saber como começar, e todos olharam em seguida para Daisuke, indicando que ele é que deveria ser o juiz do caso, já que fora o líder do grupo de digiescolhidos onde Ken fez parte. Daisuke percebendo que precisava tomar a iniciativa começou muito sem jeito, e pesar no coração.
- Onde você estava, e o que estava fazendo no Digimundo? – perguntou muito lentamente e com ênfase em todas as palavras. – E..., caso não saiba, nós já sabemos de suas viagens ao digimundo durantes as madrugadas. Então por favor, diga-nos a verdade. Por que você está atuando novamente como...- Daisuke engasgou, a palavra ficara travada em sua garganta, era muito doloroso ter de falar. -...como, o Imperador Digimon?
Os olhos de Ken arregalaram-se e o jovem sentiu um calafrio vindo de sua espinha com a própria imagem vindo em sua mente. Ken também se engasgara com suas palavras, mas sabia que não estava entendendo aquela situação. "Como sabem que eu vou durantes as madrugadas para o digimundo?", pensou. Lembrando-se então que sua namorada, a quem confiara por anos, o teria denunciado para os outros, olhou com vivacidade para Miyako, que não conseguiu agüentar os olhos do garoto sobre si, e abaixou a própria cabeça como pedido de desculpas. Ken deixou o jeito assustado, e ficou passivo quanto aquela situação, tornando a olhar com frieza para Daisuke.
- Talvez eu não tenha escutado direito, mas...- parou para se recordar bem -...você disse que eu estou agindo como Imperador Digimon novamente? – Seus olhos estavam frios, e assustara agora a todos os presentes, menos Miyako, que insistia em não encará-lo.
- Foi o que ficamos sabendo por Gennai, e como estamos sabendo também que você tem sumido durante a noite, acreditamos...- Daisuke não pode terminar de completar a frase, pois fora interrompido por Ken.
- Que eu sou o Imperador Digimon. – Ken não parecia mais o rapaz de sempre. Poucas pessoas o viram tão frio e agressivo, porem de voz calma, nos últimos anos. Ken parou por um tempo, e tornou a falar, mas dessa vez sua voz não estava tão calma, e começou a falar quase que gritando. – E vocês presumiram a partir disso, que eu é que sou o Imperador Digimon?
- Amor, se acalme.- Miyako falando pela primeira vez, olhou Ken muito temerosa, e recebeu o pior olhar que já havia recebido desde que o conheceu.
- Amor?? Como você tem coragem de me chamar de amor depois que me apunhalou sem amor? – Ken enfatizou muito a ultima palavra, como se tivesse algo de errado naquela palavra. Ken se levantou da cama e olhou de um para o outro com ódio nos olhos.
- Ken, se acalma. É só nos contar o que você anda fazendo no digimundo! – Disse Yamato, que voltou a ficar calmo, tentando acalmar Ken, e os outros também.
- É Ken, conte-nos, e aí saberemos o que você tem feito. Isso talvez explique muita coisa. – Concordou Sora, que decidira falar também.
- NÃO IMPORTA MAIS O QUE EU ESTAVA FAZENDO NO DIGIMUNDO. EU SOU O IMPERADOR DIGIMON, NÃO SOU? – Ken estava gritando ao máximo de sua garganta, e a cada palavra de alguém o fazia colocar mais combustível na chama de sua ira e indignação.
- Ken, você não está sendo racional! – Tentou Taichi, mas sem sucesso.
- RACIONAL? RACIONAL? – Ken repetia, como se tentasse saber o significado da palavra. – E VOCES SÃO UM BANDO DE OBTUSOS!
Ninguém mais tinha coragem de dizer algo para Ken, principalmente Miyako, que desejava ardentemente falar algo, mas não conseguia emitir voz alguma. Ken continuou seu discurso um pouco mais calmo.
- Querem saber de uma coisa! – recomeçou – eu não sou o Imperador Digimon e estou fora, não contem mais comigo para nada! – Ken deixou o quarto ignorando todos, mas antes de sair cruzou seu olhar com os de Miyako por um segundo, que para ambos duraram anos de sofrimento.
Ken, agora bem mais calmo foi para o parque Takao, o mesmo onde Hikari e Miyako estiveram horas antes. Ken ainda muito inconformado com as acusações feitas minutos antes, estava mais decepcionado com Daisuke e Miyako. "Meu parceiro, e minha própria namorada não acreditam em mim. Como puderam fazer isso comigo? Só porque alguém decidiu usar o nome de Imperador, já acham que sou eu!". A aflição de Ken era muita, e a única coisa que podia fazer era provar para todos que estavam enganados, e decidiu ir para casa.
O garoto fez o mesmo que havia fazendo durante vários dias logo após o jantar, indo para seu quarto e fechando a porta. O relógio marcava onze horas da noite, e Ken estava em frente ao computador, quando por algum motivo se levantou e apontou seu digivice na direção a tela do computador, mas antes que fosse para o digimundo, a porta abriu e uma voz feminina invadiu o quarto.
- Ken, quero falar com... – Miyako sem avisar, já foi entrando no quarto escuro do garoto, e já percebeu pela sombra na parede que estava em frente ao computador. Quando viu Ken com o digivice estendido, e que estava de partida, esqueceu o que ia dizendo e abordou uma postura mais severa.- Parece que está dando uma escapada novamente!
- Veio derrotar o Imperador Digimon pessoalmente? – perguntou sem paciência abaixando seu digivice.
- Não...- Miyako foi sólida e não se deixou intimidar desta vez. Estava decidida a resolver este impasse. -...vim dizer que acredito em você! – Miyako parecia uma pessoa diferente da que horas atrás não conseguia olhar nos olhos do garoto, mas desta vez, não hesitava em dizer tudo que esteve entalado em sua garganta.
Ken se espantou com as palavras calmas, porem sólidas de Miyako, e não tendo mais defesas, acabou por baixar a guarda.
- Já que você não vai mais dar surto, pode me contar o que está acontecendo? – Miyako também não resistiu e mostrou seu belo sorriso, andou em direção a Ken e lhe deu um abraço apertado, que foi retribuído com muita vontade. Após se soltarem, Miyako começou, a saber, sobre o sumiço de Ken.
Ken começou a explicar para Miyako, que Takeru e ele tinham missões especiais no digimundo, analisando sempre alguma alteração no equilíbrio entre a luz e as trevas, e toda vez que ele entrava no digimundo, era pelo motivo de haver algum desequilíbrio, e precisava entrar no digimundo para verificar pessoalmente, pois as trevas costumavam aumentar durante as madrugadas. Ken mostrou a Miyako um gráfico de duas barras no seu monitor, uma branca e outra preta, que representavam o nível da luz e das trevas a cada momento no digimundo.
- O normal é cinqüenta por cento para ambos, ou porcentagem maior da luz. – Ken explicava todos os detalhes que eram secretos aos digiescolhidos, exceto Koushirou, Takeru e ele.
- Então, naquele dia que eu vi você saindo do digimundo no meio da madrugada...
- Sim, a barra das trevas estava maior que a da luz. Na verdade, eu já sabia que algo estranho vem acontecendo no digimundo pelo menos há três meses, e eu acho que tem algo relacionado com este tal imperador. – Ken estava inabalável nas suas palavras, fazendo Miyako ter certeza de que não poderia ser mentira. – Hoje mais cedo, eu entrei no digimundo justamente para descobrir o que anda acontecendo, e sempre que chego perto a causa escapa por um fio, e desta vez, eu estava perto da raiz do problema, então acho que levei um golpe e acabei desmaiando.
- Então o TK te encontrou antes de nós, e foi buscar água para te ajudar! – Miyako se lembrou então que Gennai havia informado o retorno do Imperador Digimon, e veio uma questão em sua mente – Mas...- ela levou seu indicador direito ao lábio inferior e pensou alto -...se você não sabia sobre o Imperador, e o TK ficou sabendo na casa do Izzy, como Gennai soube dele? Pelo que sei Gennai só sai de casa para vir até o mundo real!
Ken se perguntou a mesma coisa depois do raciocínio de Miyako, então Miyako tocou em seu ombro e mostrou a tela do computador a Ken, a garota parecia meio incrédula com sua visão. Ken olhou então o computador também, e viu a barra das trevas subir até noventa por cento.
- Meu Deus, eu nunca vi nada assim antes, preciso ir ao digimundo. Durma aqui, pois acho que vou demorar um pouco! – Ken passou a ter um ar de preocupação.
- O que? Você ir se aventurar e eu ficar aqui plantada como a garota indefesa? – Miyako parecia descrente – Eu vou com você! – disse decidida.
- Mas, Miya é muito perigoso! – respondeu se apressando em comunicar Wormon onde devia encontrá-lo.
- Já são dois motivos para eu ir! - continuava decidida.
- Você não está entendendo... – desta vez, Ken é quem estava descrente. -...eu posso acabar morrendo lá!
- Três motivos! Vamos logo ao digimundo ou você vai me dizer um quarto motivo para te acompanhar? – respondeu severa.
Ken desistiu de discutir e aceitou ser acompanhado por Miyako, quando recebeu uma mensagem, e se apressou em lê-la.
Urgente
Ken, eu percebi o aumento das trevas, acho que é o verdadeiro Imperador agindo, já estou seguindo o rastro da origem. Parece que vem do lado Oeste, no ponto 51b.
Venha acompanhado de Wormon, acho que poderemos ter batalha, estou te esperando.
TK.
Ken após ler a mensagem tornou a discutir durante alguns minutos com Miyako, mas sem sucesso, e acabou por desistir de vez de ir só ao digimundo. Mandaram nova mensagem a Wormon informando o local do recado e, apressaram-se em entrar no digimundo, e ao passarem pelo portal, estavam na saída de uma floresta defronte a uma grande campina iluminada pelo brilho da lua cheia acompanhada por milhões de estrelas. Wormon estava esperando por eles, e se espantou ao ver Miyako junto de Ken.
Miyako contemplou o luar por instantes e reparou um castelo de aparência aterrorizadora logo à frente com duas grandes torres intactas, porem com uma desabada; Alguns digimons que pareciam Airdramons sobrevoavam o castelo e sua muralha também estava em ruínas de um dos lados. O castelo parecia muito antigo e embora estivesse bem iluminado pelo luar, ainda dava calafrios fitá-lo, Miyako então teve sua atenção chamada por Ken.
- Houve batalha aqui! – estava sério olhando as arvores na saída da floresta, enquanto falava com Miyako. – Estas árvores estão danificadas por golpes de algum digimon muito forte, e parece que Angemon lutou também. – Ken se abaixou e recolheu uma pena branca que aparentemente era de Angemon. – Parece que teremos de entrar nesse castelo. Wormon, você pode digivolver?
Wormon não hesitou e logo digivolveu para Stingmon, levando Ken e Miyako para o castelo. Quanto mais se aproximavam do castelo, Ken olhava mais concentrado seu digivice e o castelo mais assustador. Stingmon pousou dentro dos muros do castelo, e logo tiveram a certeza de algo muito ruim por perto, pois, não muito distante de onde pousaram, havia uma poça de sangue iluminada pela lua que se estendia por um metro originando-se do cadáver de um Darkrizamon quase irreconhecível pelo estado físico em que se encontrava.
- Ai meu Deus, quem fez isso? – Miyako se impressionou com o corpo caído no chão, e tapou os olhos com as mãos.
- Acho que é o primeiro que você vê assim. – Ken estava indiferente, embora sentisse dor pela cena – Imagine como me sinto. Eu vejo um assim a cada duas semanas.
Miyako não falou mais, agora se perguntava se não teria sido melhor ter ficado na casa de Ken ao ter vindo, mas decidira vir, então teria de encarar o que viesse.
Ken avançou com Stingmon adentro do castelo, seguidos logo atrás por Miyako, e ao lembrar da vista assustadora do exterior do castelo, percebeu que não tinha nada de horripilante se comparado com o interior, que não contava com a luz do luar por inteiro, mas apenas com a luz que atravessava as vidraças despedaçadas, deixando o interior do castelo à meia-luz muito mais assustador; Havia vários panos longos rasgados sendo balançados pela leve brisa da noite, e formavam longas sombras moventes no hall, onde se encontravam.
- Assustador, não acha? – Ken perguntou para Miyako, vendo que a garota virara um bloco de gelo – Ainda mais para você, que tem medo de castelos! – disse de modo provocativo.
- Eu não estou com medo! – Miyako descongelou com a provocação de Ken – Este castelo é muito grande, melhor nos separarmos, assim podemos achar o TK mais fácil.
Ken não gostou muito da idéia, mas aceitou, pedindo para Stingmon acompanhá-la pela direita, enquanto ele seguia para a esquerda, sumindo na escuridão do castelo.
Miyako andava pelos corredores escuros no encalço de Stingmon a procura de Takeru, mas sem resultado. Repentinamente Stingmon parou ao termino de uma escada no inicio de outro longo corredor um pouco mais iluminado pela luz exterior que vinha da vidraça atrás deles, e Miyako acabou por se chocar com o digimon.
- Tem uma luz no fim deste corredor! – Stingmon apontou para o final do corredor que parecia não ter fim. Miyako passou para o lado de Stingmon, vendo uma pequena luz branca, que repentinamente se tornou amarela e ficava maior. A luz foi ficando maior e mais intensa muito rápido, e quando se deram conta, a luz atingiu o peito de stingmon em cheio, fazendo o digimon estourar a janela atrás e cair do alto de uma das torres, enquanto Miyako se agachou tapando ou ouvidos.
O barulho ensurdeceu Miyako por um momento, e quando voltou ao normal, um brilho divino refletiu em seus óculos a imagem de Angemon, um digimon de físico mais humano com longos cabelos louros e rosto exceto a boca, coberto por um capacete. Angemon que tinha quatro longas asas e duas menores e algumas faixas azuis presas em seu corpo estava parado flutuando a sua frente segurando seu bastão dourado. Miyako se levantou e perguntou o motivo do ataque de Angemon, porém, o digimon permaneceu calado. Após um tempo olhando Angemon intrigada, o digimon pegou um objeto que Miyako percebeu ser um tipo de seringa contendo um liquido roxo luminoso.
- O que pretende com isso? – perguntou temerosa olhando da face de angemon para a o objeto em sua mão, então Angemon olhou o rosto da garota, e o silencio que predominava sobre o local foi quebrado pelo grito de Miyako.
Ken descera varias escadas, e chegara a uma grande sala escura, apenas iluminada por algumas tochas. O garoto notou um pequeno pilar perto de uma enorme porta de ferro dourado, e ao aproximar-se do pilar notou formas estranhas. Havia nove retângulos divididos em três linhas, e havia estrelas nos retângulos, uma no da esquerda, dois no do meio e três no da direita. Ken percebeu que ali era encaixado algo, mas não imaginava o que seria, e nunca ouviu sobre este lugar antes, e quando tocou na pilastra, uma voz fria veio de suas costas.
- Ora, a que prazer tenho sua visita,... – o dono da voz parou por um tempo e continuou logo em seguida -...Ken Ichijouji, o antigo Imperador Digimon.
- E parece que você é o atual,... – Ken também se calou por um instante, virou-se e sem se admirar com a voz familiar, encarou a pessoa atrás dele notou um longo sobretudo negro com um bolso de cada lado, colado em seu tronco preso por quatro grandes botões vinho e se alongava bem mais folgado a partir de sua cintura até seus sapatos pretos reluzentes. A pessoa estava com seus cabelos bem arrumados e louros dourados, mas não se podia ver seus olhos devido aos pequenos óculos que este usava. Ken então respondeu no mesmo tom frio -...Takeru Takaishi.
- Não, não. Não mancho meu precioso governo com uma referencia tão... – Takeru olhou o chão com expressão de nojo, procurando uma palavra que descrevesse o que sentia enquanto andava até o pequeno pilar, retirando nove cartas de seu bolso direito -...Reles como Imperador Digimon!
- E qual seria seu magnífico nome? – Ken também mostrava nojo enquanto acompanhava Takeru encaixar as cartas nas marcas do pilar, deixando apenas uma marca sem carta, que continuava em sua mão.
- Bem, não escolhi um nome ainda. – Takeru olhou o teto da grande sala tentando achar as palavras certas. – Não existe um nome que alcance a minha grandiosidade, mas acho que Imperador das Trevas seria algo mais perto de mim, não acha? – Takeru fixou seus olhos e viu Ken fraquejar ao ouvir a palavra 'trevas'.
- Imperador das Trevas? Acha mesmo que conseguirá controlar as trevas?
- Por que não? Só porque você não conseguiu, não significa que eu também não consiga! – Takeru parecia estar falando de algo muito simples enquanto Ken fazia disso uma tarefa impossível de ser cumprida. – Este castelo, foi do único digimon inteligente que andou pelos dois mundos. Lembra dele? Costumou dar muito trabalho enquanto estava ativo, e quando pensamos que ele tinha sido derrotado, ele voltou mais forte...
"Miyotismon", Ken reconheceu na hora o dono do antigo castelo, mas ainda se perguntava o objetivo do pilar e das nove cartas.
-...então, quando finalmente o derrotamos, ele conseguiu se salvar novamente se hospedando no corpo do Oikawa. Tenho que admitir, Miyotismon foi o adversário mais magnífico que eu enfrentei.
- Miyotismon era um assassino! Assassinou vários digimons! – Ken falava com muita repugnância.
- E nós, os digiescolhidos, não matamos vários digimons ao longo de todos estes anos? – Takeru continuava falando de algo que lhe parecia extremamente simples enquanto Ken não acreditava no que ouvia. – Miyotismon e eu somos muitos parecidos. Ele era um digimon muito poderoso, e eu tenho o digimon mais poderoso. Ele foi muito inteligente que tinha as trevas em sua mão, controlando um grande exercito, e eu, serei maior que ele, terei um gigantesco exercito digimon ao meu lado, e terei as trevas na palma da minha mão direita. – Takeru ergueu sua mão direita fechando seus dedos pela metade como se as trevas estivessem em sua mão, e ele tentava segurar com toda a força.
- Ninguém contro...- mas suas palavras foram interrompidas pelo eco baixo do grito de Miyako. Ken esqueceu sua conversa com Takeru e lembrou-se que Miyako não estava junto dele.
- Parece que Angemon encontrou alguém! Talvez Miyako? – Takeru sorriu ao pronunciar o nome da garota, e colocou a ultima carta na marca restante do pilar, fazendo o grande portão se abrir emanando uma luz negra intensa.
- O que ele fez com ela? – Ken começou a se enfurecer olhando do grande portão para Takeru.
- Bom, eu esperava que Angemon o encontrasse, mas me enganei. Eu pretendia torná-lo um dos meus fieis aliados, mas talvez ela seja melhor que você, afinal, você teve sua chance e conquistou apenas parte do digimundo. – Takeru zombava de Ken, então ficou mais sério novamente retirando as nove cartas do pilar, fazendo o grande portão começar a se fechar – Mas eu não, eu não vou conquistar apenas o digimundo, eu quero o Apocalipse.
- Apocalipse? Mas que diabos está falando? – Ken não entendia nada do que Takeru falava. E não ficou sabendo, pois Angemon surgiu da escuridão com o corpo de Miyako.
- Bom isso fica para outra hora, agora tenho que continuar meus plano. – Takeru subiu nas costas de Angemon, que levantou vôo e atravessou o portão quase fechado logo após Takeru acenar para Ken.
- TAKERU, VOLTE AQUI! – Ken corria em direção ao portão, mas este já havia fechado, e Ken prorrompeu-se em socar a porta como se esta fosse se quebrar, e ele pudesse resgatar Miyako.
Ken cansou-se depois de vários golpes, e suas mãos estavam muito vermelhas e ardidas. O garoto levantou-se e correu em toda sua velocidade para fora do castelo, onde encontrou o corpo de Wormon desmaiado no chão perto do lugar onde viu o corpo do Darkrizamon, que já havia se desintegrado em dados. Ken pegou-o o mais rápido possível e tornou a correr o máximo que podia dizendo que precisava avisar alguém.
"Apocalipse, o que significa isso? E onde ele levou Miyako?", pensava Ken, que tinha vários pensamentos enquanto corria pela campina iluminada pelo luar.
- Preciso salvar Miyako, custe o que custar!
