Disclaimer: Os personagens de Naruto pertencem à Masashi Kishimoto.
Capítulo 2:
Os dias seguintes se arrastaram lentamente, aumentando cada vez mais a angústia que Sakura sentia. Nesse meio tempo que passou ela se isolou do mundo, e saia do refúgio de seu quarto apenas para as refeições, e por uma ou duas vezes ela se sentou em um dos bancos do imenso jardim dos fundos da casa, mas logo se levantou e voltou para seu quarto. Era torturante ficar olhando para o local onde viveu tantas alegrias com seus pais e suas amigas.
Mesmo sabendo que não tinha culpa, Sakura se sentia suja e indigna de partilhar a felicidade das pessoas ao seu redor. Chegou a pensar em dar fim a tamanho sofrimento, mas logo tirou essa idéia imbecil da cabeça, seus pais não haviam criado ela para tomar atitudes como essa. E por mais que doesse seguir em frente, ela ainda tinha seu pai, a quem amava muito, e ele não suportaria perder outra pessoa, já bastava sua mãe.
Mantendo essa idéia em mente, Sakura se manteve firme em sua decisão de voltar a viver como antes. Ela sabia que não seria nem um pouco fácil, mas por seu pai ela faria isso, e no fundo ela sabia que essa atitude também seria boa para ela, afinal não poderia viver pelo resto de sua vida em um quarto, escondida do mundo.
Shizune, a governanta da família que ajudou a criar Sakura quando sua mãe morreu, já se mostrava preocupada com as atitudes da jovem que sempre foi agitada, não parava quieta por um minuto se quer, sempre tagarelando pela casa, e que de uma hora para outra se fechou do mundo em seu quarto, respondendo tudo o que lhe era perguntando apenas com monossílabas. Quando essa atitude chegou ao limite, Shizune ligou para o pai de Sakura, Mizuho, que estava viajando a negócios.
- Sakura? – perguntou Mizuho do outro lado da linha.
- Não senhor, sou eu, Shizune – respondeu a governanta.
- Ah sim – respondeu o homem com um pouco de desapontamento na voz – achei que era a Sakura, tem algum tempo que não nos falamos, e geralmente ela me liga quase todo dia, ela está bem? Aconteceu alguma coisa? – perguntou com certa preocupação na voz.
- Bom, esses dias a Sakura esteve bastante apática senhor, quase nunca sai do quarto, desce apenas para as refeições e come muito pouco. Eu estou preocupada com ela! – disse a mulher nervosamente – ela não conversa com mais ninguém, nem mesmo responde com mais de três palavras as perguntas que lhe são feitas!
- Oh, eu ando tão ocupado Shizune, que não estou encontrando nenhum tempo vago para poder ligar para ai – disse Mizuho com um culpa na voz. Era sempre Sakura que ligava para ele, e nunca o contrário. Sabia o quão ausente era da vida da filha, e após as palavras de Shizune ele não exitou em tomar uma atitute um tanto quanto drástica, mas que a muito vinha pensado em fazer – por favor, tome conta da Sakura por mais alguns dias Shizune, em breve estarei em casa e vou resolver esse problema.
- Sim senhor, mas o que está pensando em fazer?
- Há muito tempo venho pensando em voltar para o Japão Shizune, voltar ás origens de nossa família. Acho que faria bem para Sakura mudar um pouco de vida, voltar para seu país – respondeu Mizuho.
- O senhor tem certeza disso? Não acha que será uma mudança muito drástica para Sakura? Ela vive aqui desde os seus dois anos! Praticamente não se lembra de nada do Japão! – disse a mulher aflita.
- Sim, será uma grande mudança, mas eu acho que estamos precisando disso, entende? Eu já estou adiando isso a um bom tempo, mas agora com a Sakura assim, apática e infeliz, eu não vejo outra solução, acho que será bom para ela. E Shizune?
- Sim?
- Não diga nada Sakura ainda. Eu quero conversar com ela pessoalmente sobre esse assunto.
- Claro, o senhor pode ficar despreocupado! Eu não direi nada a ela – disse a governanta.
- Bom, então eu acho que é isso. No máximo em uma semana eu estarei em casa – Mizuho pensava como iria se livrar dos negócios e voltar para casa em uma semana, mas se fosse necessário jogaria tudo para o alto, não impotava o quão importante fosse, nada estaria acima de Sakura.
- Sim senhor, enquanto isso eu irei vigiar a Sakura de perto!
- Ótimo, eu lhe agradeço mais uma vez Shizune – de fato ele seria eternamente grato a governanta, não sabia se teria conseguido criar sua filha sem o auxílio que teve dela após a morte de sua esposa.
- Oh, só faço o meu trabalho – responde encabulada pelo agradecimento – estou te aguardo em uma semana senhor.
- Sim, em uma semana estarei ai, até lá – se despediu o homem desligando o telefone logo em seguida e se recostando na grande cadeira de couro em seu escritório no alto de um grande prédio em Nova York.
Mizuho Haruno era dono da Haruno's Company, uma gigante no ramo da construção civil. Estava cheio de reuiniões e o trabalho parecia que nunca acabava, mas já estava certo de sua decisão. Pensando nisso ele pegou o telefone e discou o número da secretária.
- Sim senhor? – perguntou a secretária.
- Venha em minha sala imediatamente, por favor – disse desligando o telefone.
Em pouco tempo sua eficiente secretária estava sentada em frente a sua grande mesa de mogno com uma agenda e uma caneta em mãos, pronta para tomar nota do que Mizuho dissese.
- Bom, em primeiro lugar eu gostaria que você providenciase a mudança da sede da empressa para a filial em Tókio o mais rápido possível.
- Sim senhor – respondeu a secretária enquanto fazia as anotações necessárias – o senhor irá se mudar para Tókio? – perguntou.
- Sim, creio eu que em no máximo dois messes eu me mudarei com Sakura para o Japão. Portanto, providencie também a nossa mudança. Verifique a residência que possuo lá, quero que ela esteja totalmente apta para nos receber.
- Entendido senhor, vou verificar e providenciar isso o mais rápido possível, para que esteja tudo pronto quando o senhor e Sakura se mudarem – disse a secretária se levantando e caminhando para a porta.
- Obrigado – agradeçeu Mizuho.
Com um balançar de cabeça a secretária saiu da sala.
Mizuho permaneceu por alguns minutos pensando em como tudo seria diferente dali para frente, ele e Sakura teriam uma vida nova, completamente diferente, e mentalmente ele se forçava a prometer que seria mais presente na vida de sua filha, era o mínimo que poderia fazer por ela, que mesmo com a perda da mãe, nunca reclamou da sua ausência no seu dia-a-dia. Com um sorriso no rosto ele se recordou do Japão. Ah, como amava aquele país, o seu país! Há quinze anos atrás, com a expansão da empresa, ele foi forçado a se mudar para os E.U.A. juntamente com sua família, sua amada esposa e a jovem Sakura. Ifelizmente cinco anos depois da mudança Koeni, sua esposa, os deixou para sempre, vítima de uma infecção que generalizou por todo seu corpo, causando o seu óbito.
Suspirando ele lamentou a falta que Koeni fazia na sua vida, mas ele não permitia se abater, tinha que ser forte por Sakura, a razão de sua vida agora. Sorrindo mais uma vez ele lembrou de seu grande amigo Fugaku Uchiha. Fora ele quem o apresentou a Koeni. Já havia certo tempo que não entrava em contato com Fugaku, dono de uma empresa automotiva atualmente. Até onde ele sabia, o Uchiha continuava residindo em Tókio e com a mudança poderia voltar ter contato com o amigo de longa data. Pelo o que se lembrava, o Uchiha havia se casado com a doce Mikoto e teve dois filhos, Itachi e Sasuke. Qundo ele mudou-se para a os . os meinos contavam com 12 e 9 anos respectivamente. Atualmente deveriam trabalhar na empresa do pai, preparamdo-se para assumirem o lugar do mesmo futuramente. Finalizando suas lembrançar, Mizuho concluiu que o melhor a ser feito seria realmente voltar para sua terra. Suspirando ele levantou-se e foi para mais uma reunião, decidido a se livrar de todo o trabalho em uma semana.
Passadas duas semanas desde o fatídico dia, Sakura já estava melhor. É claro que ela ainda não saia pulando de felicidade pela cidade, mas já estava socializando melhor com o mundo exterior. Ela estava em seu quarto em frente ao espelho, analisando-se. Ela via uma jovem de 17 anos, de pele branca como a neve, cabelos róseos como nenhum outro e belos olhos verde esmeralda. Era magra, mas não esquelética, possuía um belo corpo, com pernas bem torneadas e uma cintura fina, seus seios não eram nem grandes nem pequenos, eram proporcionais ao seu corpo e possuía uma estatura mediana.
Um barulho de carro a tirou de seus devaneios, e curiosa ela caminhou para a varanda de seu quarto, a fim de ver quem chegava. Surpresa ela notou com prazer que a pessoa que chegava era seu pai. Saiu de seu quarto, correndo escada abaixo, e pela primeira vez em dias ela estava com um sorriso verdadeiro enfeitando o rosto.
Chegando à porta de casa, ela viu que seu pai conversava com Shizune, e dando um gritou correu e se atirou em seus braços.
- PAI! – disse enquanto era abraçada por ele – senti a sua falta – murmurou.
Ao ouvir a voz de Sakura, Mizuho se virou e foi surpreendido por uma Sakura sorridente pulando em seus braços. Sorriu com aquilo, ela sempre seria a sua menininha frágil e encantadora. Retribuindo o abraço ele disse:
- Também senti sua falta meu amor, você nem imagina o quanto – beijou o topo da cabeça da filha, e notou que seu ombro estava ficando molhado. Preocupado ele tentou afastar Sakura de si para ver se ela estava chorando como ele desconfiava. Quando notou a intenção do pai ela o abraçou mais apertado ainda e afundou a cabeça em seu peito – meu Deus, o que houve Sakura, por que você está chorando?
Sakura ficou tentada a desabafar com o pai e contar o que havia acontecido, mas tinha decidido que não ira contar para ninguém. Não precisava que as pessoas a olhassem com pena pelo resto de sua vida, e se ela realmente quisesse superar o que aconteceu, seria necessário que enterrasse as lembranças, e não revelá-las para ninguém, nem mesmo para seu pai, a pessoa que mais amava no mundo.
Então soluçando Sakura disse ao pai:
- Não aconteceu nada pai, eu apenas senti a sua falta, é tão ruim ficar sem você do meu lado, eu me sinto sozinha – disse ela se separando do pai e sorrindo para ele.
Contemplando o belo rosto da filha, Mizuho sentiu-se culpado por suas lágrimas, mal imaginando o real motivo delas.
- Venha Sakura, vamos ao meu escritório conversar melhor – pegando a mão da filha ele atravessou o jardim, entrou em casa e subiu as escadas, indo em direção ao seu escritório. Chegando lá ele sentou-se em sua cadeira e Sakura sentou-se a sua frente na mesa.
- Então minha filha, como tem passado todo esse tempo? – perguntou juntando as mãos sobre a mesa e se inclinando para frente.
- Oh papai, fiquei bem, o brigada. É claro que senti sua falta, mas tudo esteve normal – disse dando um sorriso nervoso, que não passou despercebido por Mizuho.
- É mesmo? Não foi o Shizune me disse – disse olhando profundamente nas duas esferas esmeralda no rosto da filha – ela me disse que a senhorita se isolou do mundo, só saia do quarto para as refeições, mal comia e não falava com ninguém direito! O que está acontecendo Sakura, você não é assim! Seja sincera e me conte o que está havendo minha filha! – praticamente implorou ele.
Decidida a não contar a verdade, ela pensou rápido e disse outra coisa que também a atormentava. Odiava mentir para seu pai, mas naquela situação ela não podia fazer nada.
- Pai, não aconteceu nada de errado, eu juro! É só que esses dias eu senti muito a sua falta e da mamãe! Eu queria tanto que ela estivesse aqui, ai o senhor ia ficar mais em casa com a gente! Eu me sinto tão só aqui, é claro que tem a Shizune, mas não é a mesma coisa pai! – a essa altura ela já se derrubava em lágrimas.
Sentindo-se o pior dos homens sobre a terra, Mizuho levantou-se e deu a volta na mesa, puxando Sakura para um longo abraço. Depois a puxou para o sofá e colocou-a em seu colo, a ninando como uma criança.
- Você nem imagina o quanto eu também sofro com isso minha filha! Sinto falta da sua mãe todos os dias, e a única coisa que me conforta e me mantém aqui é você, nunca se esqueça disso! – disse olhando nos olhos dela – foi por isso que eu tomei essa decisão! – murmurou baixinho para si, mas Sakura ouviu.
- Hã? Decisão? Que decisão pai? – perguntou confusa.
Suspirando ele a tirou de seu colo, levantou e começou a andar de um lado para o outro do escritório. Sakura aguardava sentada no sofá que ele falasse alguma coisa.
- Sabe, a muito eu venho querendo tomar essa atitude, mas sempre me pergunto se é a melhor solução ou não. Semana passada quando Shizune me ligou preocupada com o seu estado, eu decidi que era hora de mudar de ares minha filha.
- Mudar de ares? Mas como assim pai? Você está querendo dizer mudar de casa? – perguntou confusa.
- Sim Sakura, mudar de casa – respondeu distante, pensando quando havia falado isso para sua esposa 15 anos atrás, quando se mudaram para os E.U.A. – mas não só de casa, de ambiente. Eu acho que será bom para nos dois Sakura, sair um pouco dessa atmosfera de estresse daqui, voltar as nossas origens, resgatar a nossa cultura.
- Calma ai – ela o interrompeu – o senhor está pensando em se mudar de país? Em voltar pro... – as palavras ficaram no ar.
- Exatamente, vamos voltar para o Japão – ele completou.
- Mas pai, tão repentino assim? E por que o senhor não me consultou? Eu não sou mais uma criança, você sabe disso! – ela se levantou do sofá e encarou o pai.
Mizuho suspirou e massageou as têmporas. Sabia que não seria uma decisão fácil, mas estava convencido de que era o melhor a ser feito naquele momento.
- Veja bem Sakura, já faz alguns anos que moramos aqui, e sejamos sinceros, eu pelo menos nunca me senti em casa. Eu sei que você foi praticamente criada aqui, mas também percebo que pode ser uma boa oportunidade para você meu amor. Acabei de comprovar com meus próprios olhos o que Shizune me descreveu por telefone, você não está bem aqui, não está feliz, e eu sei muito bem que não é somente por conta da minha ausência – argumentou ele – e pense bem, no Japão eu terei muito mais tempo para você, será menos estressante e desgastante para nos dois!
Sakura se sentou novamente e passou a analisar a situação. Se ela realmente queria esquecer o estava acontecendo, mudar de ares, como disse seu pai, serio ótimo! Ela teria uma nova vida, um novo lar, além de estar mais próxima de seu pai. Ela pensou mais um pouco e finalmente expôs para seu pai a decisão final:
- Certo pai, então eu concordo com o senhor – disse com um sorriso nos lábios – eu concordo em ir pro Japão! Acho que realmente será o melhor!
Ele estava surpreso com a rapidez que Sakura concordou, mas não pode deixar de agradecer internamente aos céus. Tudo seria muito mais fácil com ela de acordo com os planos. Sorrindo largamente ele abraçou a filha, beijou o topo de sua cabeça e logo exclamou:
- Então vamos mocinha, se quisermos estar do outro lado do globo em dois messes temos que começar a nos organizar a partir de agora!
- Dois meses? Oh meu Deus pai! É muito pouco tempo! – exclamou exasperada.
Rindo ele concordou com a cabeça.
- Eu sei minha filha, mas eu não estou agüentando mais de tanta ansiedade! Ainda não acredito que vamos voltar para o Japão! – disse sincero. Nada seria melhor do que voltar a seu país com o seu maior tesouro, Sakura. Sabia que Koeni ira aprovar essa atitude.
Esquecendo momentaneamente do que havia passado há duas semanas, Sakura se entregou a atmosfera de felicidade do momento. Algo lhe dizia que essa mudança seria muito bem vinda, e que sua vida iria mudar drasticamente.
'Espero que mude para melhor' ela pensava.
Está ai o segundo capítulo amores mios!
As coisas estão começando a tomar forma, não é mesmo? hahahaha
Espero que vocês tenham gostado! :)
Aguardo ansiosamente por Reviews, comentando o que vocês acharam da fic, se gostaram ou se odiaram, critícas, sugestões e ideias!
Pricililica: Muito obrigada pela review meu bem! E eu concordo totalmente com você, ninguém mereçe passar por isso né, é muito difícil! =/ Mas pode ficar tranquila que as coisas tendem a melhorar! hahahaha Beijinhos flor! ;)
Beijinhos e até a próxima! :)
Nath Bittencourt.
