Autora: KuriQuinn
Tradutora: Juuh Haruno
Classificação: M-Rated
Disclaimer: Naruto e nem a história me pertencem, sou apenas a tradutora autorizada.
PARTE II
Sakura poderia ter reprimido pelo menos alguns dos medos de Sasuke, mas não está tão confiante quanto fingia. A ideia de que o feto dentro dela estava ligado a um passado sombrio e trágico como Indra Ōtsutsuki era preocupante, mas ao mesmo tempo...
Sim, admitia ser muito curiosa.
Mas isso não a impediu de ficar aliviada quando os sonhos inexplicavelmente param de levá-la para a praia estranha. Suas visões noturnas tornaram-se vagas novamente, explosões de cor e emoção, ocasionalmente rostos que eram familiares para ela, mas irrelevantes. Ainda experimentava os momentos frustrantes de abuso, ataques de um pai e uma irmã sem rosto; esses encontros a paralisavam enquanto dormia e a deixavam irritada ao acordar. Mas, no geral, havia uma qualidade tão vaga e apressada neles, que suspeitou estar experimentando uma passagem de tempo.
Esse padrão continuou tempo o suficiente para que fosse quase um choque quando, ao adormecer em uma noite em, se encontrou mais uma vez em um sonho completamente lúcido e detalhado.
Estava sentada desconfortavelmente em uma mesa num quarto ricamente decorado, e as lembranças sombrias que Sakura pôde acessar sugeriam que sua presença aqui era rara, talvez até ocasionalmente necessária. Sentados em frente a ela estavam duas pessoas cuja presença não só a desanimava - uma pequena e curiosa parte dela esperava encontrar Indra de novo - mas também a enchia de uma cautela esmagadora.
"Fala-se na corte de um recém-chegado", diz o pai, enquanto os criados fazem suas refeições diante deles. "Um homem de grande talento, dito ser o filho de um valoroso sábio do Oriente. Dizem que ele pode invocar raios do céu e respirar fogo como os dragões da antiguidade. "
"Seria útil ter um homem assim servindo o senhor", observou a Irmã Mais Velha, parecendo entediada enquanto pegava sua comida.
"Sim, é melhor estar do lado de um demônio do que em seu caminho. Se as histórias desse homem forem verdadeiras, pretendo oferecer-lhe uma aliança. Disseram-me que ele é jovem e ambicioso. O comando de meus exércitos deveria influenciar sua lealdade. Ou, talvez, um casamento."
Irmã mais velha franziu o cenho. "O casamento com um estrangeiro não vai aumentar os cofres desta terra."
"Talvez não, mas há os talentos que dizem poder ensinar", diz o pai. "Estou confiante de que você cumprirá seu dever, filha." Ele então de repente se vira e late: "O que é, Shachi? Você tem algo a dizer?
Ambos estavam olhando em sua direção agora, então percebe que ela é Shachi.
Seus lábios se separam. Se se…"
" Se ... se ... se ..." Irmã mais velha zomba. Sakura rosna internamente, sabendo que se tivesse o controle de seu corpo agora, limparia o chão com a boneca pintada diante dela.
"Se a irmã mais velha não quiser se casar com ele, eu assumiria esse dever, pai. Se isso te agradar."
Ele bufa. "Desonrar um homem importante com a cria de uma concubina em vez da herdeira da terra? Eu pretendo cortejar um aliado, não dar insulto. Guarde suas opiniões ridículas para si mesma e não me faça lamentar minha generosidade em permitir que você se sente à minha mesa."
"Como você deseja, pai.", se curva.
"Que os deuses logo me encontrem um homem que possa olhar além do legado da prostituta da sua mãe e tire você de minhas mãos", resmunga para si mesmo.
Sakura - Shachi - olha para os joelhos, afundando os ombros.
A irmã mais velha ri. "Oh, não fique tão abatida. Além disso, se as histórias desse estranho são verdadeiras, ele atrai muitos seguidores. Talvez alguém da tribo se interesse por você."
Os dois riram, deixando Sakura - Shachi - cerrando os punhos.
夢
Estavam na parte de trás de um izakaya , lavando os pratos de uma corrida movimentada no jantar. Tiveram o gasto maior que o esperado na missão anterior e a recompensa pela mesma ainda não tinha sido paga, portanto, estavam com pouco dinheiro até o dia seguinte. Nessa noite, em troca de um quarto, ajudariam a anfitriã com a louças. Sasuke lavava, Sakura secava. Não houve nada além de um silêncio sociável até que ela o quebrou.
"Posso ... posso te perguntar uma coisa?"
"Hm"
"É sobre o seu irmão", continuou, hesitante, porque o assunto era difícil, e geralmente terminava com ele dando um jeito de desviar do tópico. Ela estava esperando que as mãos cheias de sabão tornassem isso um pouco mais difícil desta vez.
Pela tensão de seus ombros, soube que ele já estava planejando fugir, então continuou apressadamente.
"É sobre o seu relacionamento antes - antes de tudo. Você nunca fala sobre isso, e precisa fazer isso agora, eu só ... Eu nunca tive um irmão ou irmã mais velha, então não sei como é. Eu estava pensando ... é normal que um irmão mais velho odeie o mais novo? "
Sakura estremece pois a sentença saiu mais desajeitadamente do que planejava, poderia apostar que iria ignorá-la, porque não era exatamente o que estava pedindo, mas -
"Por um longo tempo, eu pensei assim", Sasuke responde em voz baixa. "Mas com o tempo, aprendi que é a exceção, não a regra."
Ela exala. "Oh"
"Por que você pergunta?"
"Nenhuma razão, a ideia só passou pela minha cabeça."
"Sakura"
A kunoichi franze a testa. Ele está ficando cada vez melhor na arte de ler seus gestos e tom de voz. Ou talvez sempre fosse, mas só tivesse escolhido agir sobre isso agora.
"É algo que eu notei no meu sonho -"
"Você teve outro?", interrompeu-a bruscamente, quase derrubando uma das tigelas em sua mão.
"Sim - e não, não vi ele de novo, se é isso que você quer saber. Não acha que eu te diria imediatamente?"
"Hn"
"Bem, pois eu diria. Só não… não tive que dizer nada ultimamente porque nada aconteceu. Não acho que ele esteja envolvido agora. Mas isso - a pessoa que sou em meus sonhos - o nome dela é Shachi, eu acho." Olha hesitantemente para o marido. "Isso soa familiar para você?"
Desde a conversa deles sobre uma possível vida passada ou peculiaridade da gravidez específica do Uchiha, achou mais fácil fazer a ele essas perguntas. Afinal, entre os dois, ele é o único que tem um vínculo definido com o que quer que esteja sonhando.
Sasuke fecha os olhos, franzindo a testa em concentração, depois balança a cabeça. "Sinto como se já tivesse ouvido o nome antes, mas poderia ser de qualquer lugar."
Ele está certo, encontravam muitas pessoas novas todos os dias, talvez seja um nome que encontraram em suas viagens.
"É só que a família dela – ou melhor, as pessoas que a criaram - a tratam tão mal. É como se ela estivesse abaixo deles, e eu não ... Eu não entendo como uma família pode fazer isso", exclama, frustrada. "Como alguém pode não proteger seu irmão mais novo? Como pode um pai não amar seu filho? Não consigo imaginar um mundo onde você olha para o nosso bebê como se ele - ou ela - não significasse nada."
"Isso nunca aconteceria."
Sua resposta instantânea e firme a faz sentir uma onda de pura alegria passar por seu corpo. Ela lhe oferece um sorriso amoroso. "Eu sei disso. Mas no meu sonho..."
"Você mesmo disse que sua mente pode estar apenas processando as coisas", Sasuke continua. "Você mencionou sentir-se fraca, retida. É possível que você esteja coletando experiências que realmente viveu e seu cérebro está interpretando-as de maneira mais simplificada."
Sakura lhe lança um olhar suspeito. "Você leu meus pergaminhos médicos, não foi? Os de psicologia?
"Eles oferecem a explicação mais lógica para tudo isso."
Ela suspira. "Querido, você não pode procurar pistas baseadas na resposta que deseja ter."
"Não é o que eu quero, é o que poderia ser. E tudo isso pode ser simplesmente um capricho dos seus sonhos ".
Trabalham em silêncio por mais um tempo.
"Você não acha realmente que seja, não é?", pergunta eventualmente.
Uma pausa.
"Não."
"Então, se é algo que aconteceu, qual você acha que seja a razão pela qual ela é tratada dessa forma tão cruel?"
"Naquela época, as pessoas viam as crianças de forma diferente. Um meio para um fim, um legado ".
"E o que é nosso filho?"
Sasuke segura seu olhar, sem nenhum traço de dúvida, e simplesmente diz: "Esperança".
眠 り
Por alguma razão, após essa conversa, o tom de seus sonhos muda. Sua consciência de estar em um sonho desaparece mais rápido. Memórias de uma vida inteira dispersam sua identidade durante as horas de vigília, e assim, quando o estranho chega em suas terras, sua primeira reação - a primeira reação de Shachi - é de surpresa.
Mesmo que não devesse estar. Não havia muitos homens com a habilidade de controlar os raios, afinal de contas, e ainda tinha o tal ar de liderança sobre ele que tornava a ideia dele ser o líder de quem o pai falou não muito impossível.
O dia em que ele pisou na corte de seu pai era cinza e nublado, pouco auspicioso em sua normalidade, e ainda assim seu corpo - tanto em seu sonho quanto em seu eu presente - sentiu-se tenso com a consciência. Entrou em silêncio, com pouca pompa, na câmara de audiências do pai. Se notou-a sentada no estrado pelos pés de sua irmã, não deu nenhuma indicação, toda a sua atenção concentrou-se no senhor da terra.
Ele falou muito pouco, mas antes mesmo da audiência terminar, todo mundo já sabia de quem se tratava: era Indra, o Senhor das terras Orientais, um mestre nas artes secretas. Ele era bem falado, um guerreiro renomado e - baseado na expressão da Irmã Mais Velha ao vê-lo pela primeira vez – um desejável pretendente.
Estava em busca seguidores para os quais iria transmitir seus ensinamentos, tornando-os mais fortes, pediu apenas a liberdade de recrutar quem quisesse.
"Meus métodos são difíceis", advertiu baixinho, "e somente aqueles dispostos a sacrificar suas vidas em dedicação terão sucesso. Em troca, eu instruirei os soldados em seus exércitos também."
O pai está fora de si - era exatamente isso o que queria, afinal - e o acordo foi logo resolvido. Celebraram fazendo um banquete luxuoso na honra de Lord Indra, apesar do fato óbvio de que o jovem não viu utilidade para o gesto. Na verdade, pareceu inquieto e impaciente, como se quisesse começar sua missão o mais rápido possível.
Sakura - Shachi? - observava-o com os olhos arregalados, pensando no homem indefeso que tratou até que saísse da zona da morte, aquele que poderia tê-la matado, mas não o fez. Tão assustada quanto estava dele, não pôde lutar contra o seu interesse.
Mas ele nota o olhar em sua direção, e se vira para ela, prendendo seu olhar. Seu corpo inteiro fica tenso, e Sachi se sente como se estivesse olhando nos olhos de uma cobra momentos antes de atacar. Não consegue desviar o olhar até que ele o faça, e uma vez livre, todo o seu corpo treme. Sua respiração vem em rajadas agudas e a jovem se pergunta se, talvez, o lord não tenha usado um pouco de seu estranho poder.
夢
"Parece ser um genjutsu", diz Sasuke enquanto monta uma armadilha de arame.
"Eu acho que não", Sakura reflete, encostada em uma árvore próxima. "Ele não precisaria usar isso nela. Ela já está com muito medo e é muito dócil. Você só usa genjutsu em alguém de quem espera resistência. "
Os dois trocam um olhar tenso, ambos reconhecendo uma amarga memória compartilhada.
Ele resmunga e salta da árvore. "Quando terminarmos aqui, iremos para o templo pelo qual passamos no início da viagem. Talvez haja alguém lá que possa explicar por que você está vendo isso.
"Nós também podemos parar em um hospital para que eu fale com um grupo de terapeutas", responde. "Eu não acho que algum deles terá respostas sobre isso."
Sasuke franze a testa. "Então, sua estratégia é esperar e ver o que acontece?"
"Sim."
"Eu não aceito isso."
"Isso já é um problema seu. Enquanto estiver carregando nosso minúsculo humano, eu faço as regras. E a partir de agora, sei que não estou em perigo médico real, e além de ser irritante e um pouco confuso, o que vejo quando estou dormindo não está afetando minha saúde de forma alguma."
"Ainda."
Desta vez é Sakura que franze a testa. "Preciso te lembrar de seu histórico de exagero?"
Com essa jogada final Sasuke não pode realmente discutir, então se acomodou no silêncio forçado enquanto montam o resto das armadilhas.
Suspirou em silêncio e se perguntou se realmente valia a pena mantê-lo atualizado sobre os sonhos, uma vez que sua reação era sempre a mesma. E ela definitivamente não queria admitir que quanto maior a frequência dos sonhos e quando mais longos eles eram, maior era a sensação de que estava vivendo duas vidas completamente diferentes.
"Sasuke... eu sei que não há como ter cem por cento de certeza sobre tudo isso, mas... seria tão ruim?" ele a encara, desconfiado. "Se isso realmente fosse minha vida passada, significaria apenas que eu te amo a mais tempo do que nós dois imaginávamos."
"Você sabe que isso significaria mais do que apenas isso. Você sabe que essa é uma história que não tem um final feliz."
"Nós não sabemos se isso é completamente verdade."
"Ele destruiu tudo o que tocou", continuou o marido sobriamente. "Ele tinha tudo, e apenas ..." se interrompe, fazendo um som de nojo. "Por causa dele, minha família ... por causa dele eu fiz o mesmo. Ainda posso fazer o mesmo. E se isso for um lembrete, um aviso, que eu vou destruir o que temos também?"
A pergunta foi tão suave, tão incerta, que por um momento Sakura não teve uma resposta.
Sasuke raramente mostrava qualquer tipo de vulnerabilidade, e até hoje tinha certeza de que era é a única pessoa viva que presenciou essa parte dele. O que tornava essa exibição em particular tão dolorosa é que sabia que ele não estava perguntando isso pensando em si mesmo, mas sim nos filhos que teriam.
Lágrimas enchem seus olhos, mas as segura. Chorar agora não faria nada para ajudá-lo e jurou há muito tempo que quando ele passasse por momentos assim, iria apoiá-lo. E se isso significava que iria esconder seus estranhos sonhos, que assim seja.
"Eu nunca pensei que você fosse do tipo supersticioso", provocou-o, tentando quebrar a tensão com leveza.
Sasuke franziu a testa. "É difícil não ser quando sua vida passada decide assombrar os sonhos de sua esposa."
Ela sorri. O fato dele parecer tão impetuoso era um bom sinal.
"Venha aqui", disse, e sem lhe dar oportunidade de resistir, apertou a grande mão sobre seu útero. "Me escuta: você não vai quebrar isso." Ele abre a boca, mas o interrompe antes que possa dizer uma só palavra. "Não - escute. Você não vai quebrar isso. Eu não quebro fácil, e você pode invocar um monstro de chakra gigante para se proteger. Esta criança? Será metade de cada um de nós. Definitivamente não quebrável."
Sasuke ainda não parece totalmente seguro, mas a tensão em seus ombros diminui um pouco.
眠 り
O Senhor Indra se torna um convidado em seu reino, permitido a andar entre as pessoas e buscar estudantes. Aceita qualquer um que venha a ele, homem ou mulher, e elimina os fracos. Muitos deles morrem - por incrível que pareça, geralmente são os soldados que o Pai envia que não conseguem ter sucesso - e ainda assim continuam a procurá-lo.
Ele é o único que conhece esse ensinamento mágico e estranho. Chama essa arte de ninjutsu , e quando quando diz essa palavra, um brilho quase fanático surge em seus olhos.
A menina acha isso estranho, mas o pai não se importa. Do seu ponto de vista, seu reino logo cresceria e dominaria todo o resto se puder convencer o Senhor Indra a permanecer lá em vez de seguir em frente. A irmã mais velha se enfeitava e posava, tentando atrair um sorriso do estranho mal-humorado, e descontando em Shachi sua raiva pelo fracasso.
Shachi? Não… sou… Sakura?
Esse nome parecia tão distante quando estava aqui, quando era essa outra mulher. Embora saiba que isso é apenas um sonho, sente-se ligada a isso tanto quanto se fosse real.
Assiste Lord Indra do lado de fora. Embora atraída por sua figura, ansiando por ele reconhecê-la novamente, ou pelo menos agradecê-la por salvar sua vida, sente-se mais segura nas sombras. Às vezes, ele aparentemente está sozinho, treinando ou meditando sozinho. Mas ainda assim, quando faz um movimento para se aproximar dele, tem a sensação de ouvir alguém falando com ele. Se afasta imediatamente sempre que isso acontece. Afinal, os acontecimentos de seu último encontro ainda estão frescos em sua mente, e tão compelida quanto é para procurá-lo, ainda sentia muito medo.
E assim ela se afasta, observando suas sessões de treinamento da proteção da floresta.
Às vezes é pega, recebendo uma reprimenda ou uma surra de seu pai, mas esses dias são mais uma reflexão tardia; o Pai só se preocupa com o paradeiro dela quando alguém o lembra, e Irmã Mais Velha, só quando percebe que está espreitando alguma coisa. Na maior parte, é livre para vigiar o estranho tanto quando desejar.
O senhor Indra ensina com eficiência brutal. Nunca levanta a voz acima de um murmúrio, mas mantém o perfeito controle sobre seus alunos. Podia fazer um simples aceno com a cabeça parecer como se tivesse derrubado alguém em seus joelhos, e um olhar irônico fazia um homem querer cair em sua espada para evitar a desonra.
Vários fizeram isso.
Somente quando está satisfeito com a habilidade de manter a disciplina e o controle, começa a ensinar as novas habilidades. Shachi observa enquanto os homens aprendem a dobrar a água em suas mãos, ou chamam montes de terra como presas do chão. Alguns comandam o vento e outros transformam pedaços de grama em agulhas. Com um lampejo de seus olhos vermelhos, instrui seus alunos, instruções precisas, fazendo-os repeti-las repetidas vezes, enquanto faziam movimentos com as mãos.
Ela movimenta a boca ao longo de suas palavras, tentando capturar o som de sua voz em sua mente. Quando fala normalmente - não ameaçando sua vida como fez naquele dia na praia - sua voz é agradável, convidativa. Apesar do perigo que representa, ele a faz se sentir segura, e isso é algo que não está acostumada.
De seu lugar nas sombras, também fez os gestos com as mãos, arrumando os dedos até poder fazê-lo perfeitamente. Logo pôde fazê-los instintivamente, podendo se permitir apenas ouvir o som de sua voz enquanto instruía. Um dia, suas palavras pareceram mais próximas a ela do que o normal, embora ele estivesse tão distante quanto sempre. Sachi fecha os olhos, imaginando que o senhor está observando-a, ao invés de seus alunos, e está lhe dizendo -
Vocês devem construir o chakra e parar uma vez que ele esteja entre a boca e a área do peito. Depois de concentrar o suficiente, liberem tudo de uma vez.
Ela inala profundamente, focalizando o calor em seu peito, e então respira para fora.
Para seu choque e horror absolutos, chamas se espalham entre os lábios e incineram a árvore à sua frente.
A menina tropeça para trás em choque e medo, incapaz de acreditar no que acabou de acontecer. Leva uma fração de segundo para olhar ao redor e ver se foi descoberta por alguém, e então sai correndo, puxando suas saias pesadas até os joelhos e cambaleando de volta pela floresta.
Ao longe, consegue ouvir as pessoas gritando, gritos confusos, demandas por água. Uma grande comoção quando os estudantes tentam apagar as chamas com baldes, ou talvez com seus novos talentos empunhando chakras, não pode ter certeza pois continua correndo -
Apenas para encontrar seu caminho bloqueado pelo Senhor Indra.
Seus olhos tem um brilho assustador que a fazem recuar, caindo de joelhos e curvando a testa no chão.
"Eu sinto Muito! Me desculpe, eu não quis - eu nem percebi que era - por favor não diga ao meu pai, eu - eu nunca farei isso de novo - "
"Quanto tempo você demorou?", interrompe seu discurso sem cerimônia.
Ela pisca, surpresam e olha confusa para o homem. "M-meu senhor?"
"Você está assistindo há semanas, mas nunca tentou nada antes", continua, ganhando um pequeno grito de surpresa em retorno. "Hoje você tentou. Quanto tempo demorou para até acertar?"
"Eu… não muito tempo. Eu só ... escutei o que você disse e tentei."
"Hm"
Indra lhe dá um olhar inescrutável, como se estivesse considerando algo que não tinha imaginado antes, enquanto Sachi curvava a cabeça novamente. "Eu não queria machucar ninguém ou causar problemas."
Ouve o som dos pés se movendo perto de sua orelha, e quando olha para cima, o vê se afastando e voltando para o campo de treinamento. Não tem certeza se imaginou ou não seu murmuro: "Da próxima vez, não fique ao lado de uma árvore".
夢
"Você esqueceu de novo, não esqueceu?"
Sakura faz uma careta para o corte na perna de Sasuke, o produto de um flail* e um mal entendido. Os aldeões nesta parte do país eram muito cautelosos com estranhos, eles atacaram antes de deixar Sakura se explicar. Sasuke, é claro, instintivamente a empurrou para fora do caminho, mas acabou com outro membro quase sendo cortado.
"Esqueci do quê?" resmunga, observando enquanto os dedos dela brilham verdes sobre sua pele pálida.
"Que você não tem que me proteger", o repreendeu. "Mesmo que eu não tenha uma capacidade de esquiva tão boa quanto a sua, um flail não vai me machucar."
"Talvez não, mas até onde sei, suas habilidades regenerativas não se aplicam ao bebê", a lembra. "Você não é tão invencível quanto está acostumada a ser agora."
Sakura pisca com isso, entortando os lábios com surpresa.
Ele tinha razão.
Por um minuto, havia se esquecido disso.
Era tudo tão novo - as mudanças em seu corpo, os ajustes que teve que fazer. Não podia mais usar supressores de chakra, não podia mais tomar café, ficava cansada com mais frequência – e às vezes se sentia tão fora de si mesma. Alguns dias era completamente consciente da nova vida dentro dela, incapaz de parar de pensar nisso, e outros dias, quando tudo fica tão ocupado e confuso - como hoje – se esquecia. Mesmo olhar no espelho era enganoso - não parecia nem um pouco uma mulher grávida grávida, mesmo quando não usava roupas.
Captura movimentos à esquerda com sua visão periférica e quando olha para cima encontra duas meninas carregando baldes de água. Sorri para as duas em gratidão, ganhando expressões meio assustadas e meio tímidas em retorno, antes delas correrem para longe.
Os aldeões pararam os ataques quando a kunoichi lançou um golpe esmagador no chão, forçando-os a recuar se não quisessem cair na terra quebrada. Ao vê-la se inclinar para curá-lo antes que ele sangrasse, finalmente perceberam que era uma curandeira e passaram o resto da noite se desculpando profusamente. Eles até insistiram em hospeda-la jundo de Sasuke por quanto tempo quisessem ficar, daí a pequena cabana que ocupavam atualmente.
Carregaram Sasuke até a cabana para que ela pudesse preservar seu chakra apenas para a cura. Seu marido quase teve um ataque por causa disso (ainda odiava parecer fraco de qualquer forma), mas as pessoas se sentiam tão mal sobre isso que Sakura insistiu para que ele aceitasse a ajuda.
Um pouco por deferência a isso, decidiu ceder um pouco.
"Sinto muito", respondeu, verificando a progressão do fechamento da pele. "Vou tentar ser mais cuidadosa no futuro."
"Hm"
"Eu não estou acostumada a ficar para trás. Já faz um tempo desde que tive que ficar fora da linha direta de perigo."
"Eu sei."
Ele finalmente relaxa, porém, permitindo que seus olhos se fechem e respira uniformemente. Como se não esperasse que ela fosse levar isso com tranquilidade até que lhe afirmasse com palavras claras.
Homem ridículo ...
Sakura balança a cabeça, admirando a calma imagem diante de si. Isso a lembrava dos primeiros sonhos que teve, de curar Indra naquela praia.
A antiga encarnação de Sasuke era completamente diferente do que ele é, percebe isso agora. Indra a observou - observou Shachi - com o olhar desconfiado de alguém que esperava que ela fosse incompetente ou traiçoeira. O olhar de Sasuke era atento, mas em um sentido diferente - atento e cauteloso em prol de sua saúde, não da dele.
Como se estar grávida a tornasse frágil.
Ela esqueceu o que é precisar ser protegida. Isso fez com que seus pernoites noturnos na vida e mente de Shachi ficassem ainda mais confusos.
A outra mulher era um contraste tão gritante com ela. Dócil, obediente, hesitante - todas essas eram características que nunca possuiu ou desenvolveu em sua infância. Sua natureza é totalmente oposta.
Na verdade, até mesmo a capacidade de usar o chakra é completamente diferente, a julgar pela maneira como aprenderam a usá-lo. O primeiro ato de Shachi foi tão poderoso, carregado o suficiente para destruir uma árvore inteira. Sakura se lembra que na primeira vez que usou ninjutsu, teve que tentar algumas vezes antes de conseguir fazer um clone bom o suficiente.
E esse era outro ponto. Não são apenas seus temperamentos eram diferentes. Por que Sakura tinha afinidade com água, quando Shachi era claramente mais adequado ao fogo? Esse não deveria ser o tipo de coisa que permaneceria?
"Não necessariamente."
Sakura pula, percebendo de repente que refletiu em voz alta o tempo todo. Sasuke estava franzindo a testa, pensativo.
"O objetivo da reencarnação é renascer como um eu melhor. Talvez isso signifique mais forte também. A água é superior ao fogo."
"Oh"
"Eu posso assumir que você está sonhando com ele de novo então?", pergunta, a voz com um toque exagerado de casualidade.
Sakura olha para longe, pega no flagra. Esteve tentando evitar falar sobre isso porque sabia o quanto o perturbava. "Apenas recentemente. Apenas na noite passada, na verdade. Foi um pouco confuso, então eu não disse nada até conseguir colocar meus pensamentos em ordem. "
"Eu não vou a lugar nenhum tão cedo", lembrou-a, acenando para a perna. Estava completamente curada agora, e ela lança um olhar divertido. Ele levanta uma sobrancelha, como se a desafiasse a mentir. "Diga-me o que você sonhou."
"Contanto que você não fique chateado toda vez que eu falar sobre Indra."
Sua mandíbula aperta, mas ele concorda. "Ok."
眠 り
Eventualmente o Pai se cansa de Lord Indra contornando a questão. Ele quer garantir lealdade eterna, quer alguém que treine e presida seu exército em perpetuidade.
Na frente de toda a corte, oferece um vínculo permanente e eterno entre eles.
"Minha filha, Shibasuri", declara com orgulho, apontando para a irmã mais velha. "Ela será uma excelente esposa e, através dela, seus filhos serão os herdeiros da minha terra."
Todos os outros homens no tribunal fervilham com isso, porque o Senhor Indra pode ser forte, mas é um estrangeiro. E mais do que alguns cobiçam a Irmã Mais Velha por si mesmos.
Mas o solene estranho não demonstra interesse em nenhuma das ofertas.
"Eu não tenho interesse em possuir esta terra", diz em voz baixa, suas palavras facilmente audíveis no silêncio atordoado. "E não preciso de uma mulher que se envolva tanto em sua aparência que seja ignorante em relação ao mundo. Uma criatura cujo corpo está faminto de inutilidade em busca de moda, que nunca será preenchido por uma criança."
A irmã mais velha fez um barulho nascido de fúria incandescente, e o pai ficou vermelho de raiva.
"Você se atreve - !"
Mas o Senhor Indra se afastou de ambos e, em vez disso, seu olhar cai sobre a multidão. Cai sobre ela, rodeada por seus guardiões.
"Vou tomar esta em vez disso", declara imperiosamente. "Sob esta condição, posso permanecer aqui."
A menina engasga, porque isso não faz sentido. Ele nunca, nunca deu qualquer indicação de vê-la, muito menos -
"Shachi?" Pai pergunta, confusão amortecendo sua raiva. "Por que você…? Ela é de menor status, não é importante - "
"Eu vou ouvi a resposta dela ", Indra interrompe. "E se ela não tiver nenhum desejo de casamento, eu vou me despedir com qualquer discípulo que quiser me seguir."
Houve um silêncio atordoado, uma nota perigosa de expectativa nisso, e então o sussurro começa. Os membros da corte já abanavam suas línguas, expressando surpresa e alegria com esta mudança de eventos. Eles imaginavam uma chantagem, um jogo pelo poder vindo de uma filha mais nova, um amor secreto -
Não era nenhuma dessas coisas. Depois de suas semanas observando-o, sabia que o Senhor Indra tinha sua própria mente, seus próprios planos para seguir. Se a preferia no lugar de sua bela irmã mais velha, havia uma razão para tal, e não algo básico e supérfluo como cuidar dela.
A irmã mais velha olha feio para ela, como se Shachi realmente tivesse feito algo para organizar tudo isso, e o pai franze a testa para com um olhar que promete uma vida inteira de ossos quebrados se não concordar.
Ele não precisava se incomodar, pois já sabia no instante em que o Senhor Indra falava, qual seria sua resposta.
Mesmo assim, parece que está assinando a sentença de morte de seu destino quando sussurra: "Eu aceito".
夢
Sakura estica a mão sobre a cabeça, fazendo um barulho alto e estridente no fundo da garganta, e então relaxa mais uma vez, com a cabeça apoiada na coxa interna de Sasuke. Eles se encontram de pés descalços, nus e saciados, o cheiro do sexo ainda pairando no ar.
Sasuke está de lado, o rosto pressionado contra o lado do abdômen dela, a mão curvada ao redor de sua cintura. Seus olhos estão fechados e sua boca ostenta um sorriso tranquilo. É cedo demais para qualquer tipo de chute ser sentido - para que qualquer coisa seja ouvida - mas isso não parece importar para Sasuke. O sorriso de Sakura é gentil ao estender a mão, afastando o cabelo do rosto dele. Seus olhos se abrem brevemente e transmitem aquele olhar - suave, contente e feliz – antes dele fechá-los novamente.
É um olhar que é reservado apenas para ela e, sabe disso com certeza, para o futuro filho deles, e que faz tudo valer a pena. Mesmo que o Uchiha raramente diga isso - só quando o reduz a ofêgos e gemidos reprimidos, como fez alguns minutos antes - Sakura sente o amor inquestionável que tem por ela. É uma experiência que a enche de calor por dentro, porque é algo que nunca acreditou que iria experimentar.
Isso a fez se sentir culpada por perguntar a ele, uma vez, se a única razão pela qual queria estar com ela era repovoar seu clã. Sasuke era, então, um homem mudado.
Tão diferente do homem em seus sonhos.
Se perguntava sobre ele. Seu temperamento, seus motivos, seu relacionamento com Shachi...
"Por que você acha que ele a escolheu?"
"Hm?" A voz de Sasuke é baixa e rouca de sono.
"Indra", Sakura esclarece vagamente, olhando para o teto de madeira. "Ele se coloca nessa terra estranha, tenta matá-la, desaparece e depois volta. E o pai dela oferece praticamente o mundo, qualquer coisa que um cara naquela época iria querer, mas ele declina tudo isso por Shachi. Uma garota com quem ele mal falou uma dúzia de palavras." Ela balança a cabeça em confusão. "Isso é algo que as pessoas fazem por quem amam, mas eu não… você acha que ele era capaz disso naquele momento?"
"Capaz de?"
"Amar."
Sasuke fica em silêncio por um longo momento, fazendo-a se perguntar se pretendia responder a pergunta. Depois de um tempo, diz: "Eu não acho que isso tenha sido possível do jeito que você entende."
"O que isso significa?"
"Depois de ser traído - ou melhor, depois de decidir que havia sido traído - por Hagoromo e Ashura, sua guarda devia estar maior do que nunca. Ele não teria sido capaz de sentir por ela o que..." se interrompe aqui, sua voz ficando mais quieta, mais furtiva,"O que eu sinto por você."
O sorriso suave foi o único sinal que deu em reconhecimento pela admissão – ele ficava na defensiva e irritado quando ela fazia um grande alarde em momentos como este.
Em vez disso, retornou ao tópico. "Então, por que escolher ela?"
"Ela realmente o ajudou. Ele pode ter visto isso como uma forma de pagar essa dívida."
"Mas ele também disse que ela o lembrava do que era ser fraco. E ela era fraca. A escolha mais provável não teria sido a irmã mais velha? Aquela com maior status?"
"Um homem como ele escolheria uma noiva mais adequada aos seus propósitos. Você me disse que ela tinha a habilidade de usar chakra - o que ela aprendeu apenas observando seus ensinamentos ", ressalta Sasuke. "Para os membros do meu clã, Shachi seria a candidata mais apropriada. Não precisamos nos casar por status pois já temos status, mas pessoas habilidosas são sempre vistas com bons olhos."
Sakura considera por um momento e então acena com a cabeça. "Isso faz sentido."
"Eu não acredito essa tenha sido a única razão, embora."
Isso fez surgir confusão nos olhos verdes.
"Indra pode tê-la visto como um paralelo de si mesmo", continua, pensativo. "Uma criança maltratada pela família. Na sua opinião, ele foi traído pela sua própria família. Essa garota, ela é o bode expiatório de seus próprios parentes - e por uma razão totalmente irracional, com base no que você me contou."
"Mas nesse caso, não faria mais sentido matar sua família? Por que concordar com um casamento com ela? Uma ligação real com pessoas?"
"Não tenho dúvidas de que ele tinha algum motivo a longo prazo. No entanto… suspeito que possa ter sido diferente de tudo o que ele planejou ativamente."
"O que você quer dizer?"
"É inteiramente possível que Sachi tenha fornecido algo que ele nem percebeu que estava precisando", Sasuke disse, olhando para longe. "No ponto em que chegou, ele precisava de algo para lhe dar sentido. Quando Indra despertou suas habilidades pela primeira vez, sua força foi tão grande porque estava protegendo alguém precioso. Seu irmão. E ele permaneceu forte, mesmo quando se tornou mais atraído pela escuridão, porque sempre achou que tinha o apoio de seu pai e irmão. Quando isso acabou - quando Hagoromo nomeou Ashura como seu sucessor - pela primeira vez em sua vida, ele se encontrou verdadeiramente sozinho. Quando se tem tanto poder quanto ele e tanto ódio, você precisa de algo para justificar suas ações - um objetivo que faz tudo o que você faz valer a pena. "
Sakura sabe agora que ele está falando de si mesmo e não de Indra. De como seu amor por seu irmão o levou a cometer atos horríveis.
"Então ele conhece essa garota, que é obviamente atraída por ele, e que o ajuda" sugere Sakura. "Ele continua a vê-la, e sabe que ela está em uma situação ruim, então começa a sentir o que é ter alguém que confia nele novamente."
Parece muito plausível, e Sakura estremece. Ela não gosta da ideia de Indra usando a desgraça de Shachi para si mesmo, mas ao mesmo tempo, sabe que a outra mulher - essa menina tímida – veria isso como uma oportunidade para escapar. De certa forma, os dois estão salvando um ao outro, mesmo que não saibam disso.
"Hm." Sasuke acena. "Ela é alguém que será completamente leal a ele - tanto por causa de quem é como pessoa, quanto porque, como esposa, é seu dever ser subserviente à sua vontade."
Sakura levanta a cabeça e lança-lhe um sorriso sarcástico. "Oh, então eu tenho que ser subserviente a você agora?"
"… Recuso-me a responder a essa pergunta com base em que posso me incriminar."
"Pode ter certeza", ela balança a cabeça, recuando, e então chia indignada quando ele belisca o mamilo esquerdo em retribuição. Dá um tapa em sua mão e, em seguida, aponta um dedo em sua direção. "Não comece algo se você não pretende seguir adiante."
Sasuke bufa. "Quem disse que eu não pretendia seguir adiante?"
眠 り
O casamento se aproxima e, pela primeira vez em toda a sua vida, Shachi se vê tratada de acordo com sua posição.
Ela é banhada em águas perfumadas e ungida com óleos ricos, adornada com sedas e jóias, e alimentada com os melhores alimentos que seus servos lhe oferecem para garantir que tenha filhos saudáveis.
A irmã mais velha permanece ressentida ao fundo, enquanto o pai se ocupa com os preparativos. O que quer que tenha sentido por ela no passado, o que quer que sinta por ela agora, sua ganância pelo poder que o senhor Indra pode fornecer aumentou dez vezes desde que viu o que o jovem pode fazer. Ele finge que nunca se ressentiu com ela, a chama de sua "filha amada" e a apresenta a visitantes dignitários.
O casamento deve ser opulento, uma maneira de mostrar a riqueza atual do pai e oferecer uma sugestão do que poderia ser. Nisso, ele é capaz de enfrentar a natureza mais comedida do Senhor Indra. De sua parte, o noivo em perspectiva não pode ser encontrado e não se esforça para se envolver no caso; ele continua a treinar nos pátios até o dia da cerimônia.
Naquela manhã, ela é acordada ao amanhecer e banhada. Suas servas desenham longas fitas negras de hena na testa e no rosto, cruzando o pescoço e novamente acima dos seios, passando pelos braços e pelas pernas como se estivesse cercada por uma cobra. Seu cabelo é trançado com flores de cerejeira recém colhidas, e anéis dourados são colocados em torno de seus pulsos, pescoço, dedos e até um pelo nariz. Tudo parece pesado e incomodo, mas ela sabe que não deve reclamar. O vestido de noiva é de seda vermelha, a única roupa que usou que não era uma das peças descartadas de sua irmã, e o toque final foi uma joia roxa em forma de losango no centro de sua testa.
Papai a conduz pelo corredor a passos rápidos, como se estivesse preocupado que, se demorasse muito, seu futuro genro poderia mudar de ideia. A irmã mais velha segurava seu véu para ela, e quando vai se sentar em seu lugar, zomba em voz baixa: "Não pense que sua vida será fácil."
Lorde Indra está na frente dos convidados reunidos, entediado e irritado, e nem sequer a reconhece quando está ao lado dele. O sumo sacerdote inicia a cerimônia, erguendo a taça sagrada do casamento diante deles, suas palavras girando ao seu redor ela.
A mente de Shachi está estranhamente vazia, seja por descrença ou medo pelo futuro, e Sakura se sente mais presente no momento do que em meses. O ritual do casamento é muito diferente de qualquer outro que tenha visto, de seu próprio casamento com Sasuke, e mesmo que esteja desconfortável com as circunstâncias, não pode deixar de ficar fascinada.
O sacerdote coloca uma rocha lisa de obsidiana - tirada do rio sagrado de sua terra - e deseja-lhes uma união forte e duradoura. Ele derrama vinho e mel também, desejando fertilidade e saúde, e então pega suas mãos, levemente picando as palmas das mãos sobre a borda da taça, o que significava a mistura de seu sangue agora e no futuro. Então, ele passa primeiro para Lord Indra, que será o mestre da união.
Seu noivo dá uma bebericada - mal molha os lábios - e passa de volta. Sua expressão nunca muda, e ainda não olha para ela.
Então a taça está na frente de seu rosto, e o padre a lembra de seus deveres como esposa agora. Ela começa a levantar a taça para os lábios também -
O Senhor Indra engasga de repente, e dobra o corpo.
Há um silêncio atordoante por toda parte, o sumo sacerdote olha com horror de olhos arregalados, e há suspiros do outro hóspede.
"Meu senhor?" sussurra, estendendo a mão para ele. "Você está…?"
Seus olhos estalam em direção a ela, piscando em vermelho e preto, fazendo-a ofegar. Mas não é o Sharingan que a deixa chocada. Em vez disso, rapidamente vê as feições dele - pupilas dilatadas, a boca afrouxando, um tom azulado em volta dos lábios.
"Veneno!" Sachi chora, porque não pode fazer nada sobre isso. "Ele foi envenenado!" Sua cabeça gira redor, procurando alguém que possa ajudar. "Busquem um curador!"
O pai parece em estado de choque, lento para perceber o que está acontecendo, e irmã mais velha -
Ela fica de lado, sorrindo e com um olhar em seus olhos que é muito sabido.
"Você ..." Sakura - Shachi? - percebe. "Por que você - ?"
Indra começa a convulsionar e a resposta nunca chega. Em vez disso, ela cai de joelhos, tentando segurar seus braços agitados enquanto ele convulsiona. Shachi está aterrorizada, e o medo faz com que retome todo o controle, empurrando a consciência de Sakura para baixo novamente, mas ela se recusa a permitir isso.
Você tem ficar fora disso agora, ou ele vai morrer!
Sakura focaliza sua atenção - vê a taça jogada pelo padre, o líquido se derramando. A rocha sagrada rolou alguns centímetros de distância, deixando um resíduo irregular e calcário.
Então foi isso. Veneno na taça do casamento. Indra não foi a única vítima pretendida.
Sua mente folheia um catálogo mental de venenos, calculando ao mesmo tempo a quantidade de tempo que levaria antes de morrer. Dada a rapidez com que ele reagiu, a natureza calcária, as veias azuis na boca.
"Ainu", determina. É um parente do acônito, embora muito mais potente. Não havia muitas coisas na natureza que poderiam salvá-lo, e com o tempo limitado que tinha, duvidava muito que fosse capaz de encontrar -
Então congela, lembrando de si mesma.
De jeito nenhum. De jeito nenhum poderia ser uma grande coincidência.
Suas mãos voam para o cabelo, puxando as delicadas flores de lá. As flores de cerejeira tinham algumas propriedades curativas, mas não eram usadas com muita frequência em antídotos -
Exceto em casos de intoxicação ainu .
Ela não faz uma pausa para pensar na improbabilidade de tudo isso. Em vez disso, começa a esmagar as pétalas - em seus dedos no início, em seguida, uma ideia passa em sua cabeça e as coloca na boca, mastigando-as até formar uma polpa e inclinando-se para pressionar seus lábios contra os dele. Enquanto empurra a pasta de pétala em sua boca, coloca seu chakra nele também, invocando cada centímetro de sua concentração para fazê-lo. Visualiza sua energia se movendo para ele, perseguindo o veneno através de suas veias e ultrapassando-o.
Não descobre se consegue ou não, porque é quando perde o controle de repente. Toda a sua concentração, todo o seu foco em ajudá-lo, recuam como um elástico. Ela é mais uma vez nada mais do que uma passageira, e Indra dá um último tremor violento e depois fica imóvel.
Alguém emite um gemido de tristeza.
Demora um segundo atordoado para Sakura perceber que o som veio dela. Para entender que o seu eu onírico está chorando, atirando-se sobre o peito de Indra. Este homem, que ela salvou, que, ao exigir sua mão, ofereceu-lhe um futuro longe dos abusos de seus parentes de sangue, e agora a deixou antes que houvesse uma chance.
Lágrimas escorrendo de seus olhos, ela olha para cima quando o pai exige da irmã mais velha: "O que você estava pensando? Você arruinou tudo!"
"Eu não fiz nada além de salvá-lo de um charlatão", responde alegremente. "Ele não tinha interesse em se tornar sua mão direita, pai, ele teria levado seus alunos e deixado você com facilidade. E se ele realmente pretendesse honrar seus desejos, teria aceitado a noiva que você ofereceu, não isso ." Ela joga o cabelo. "Agora, temos homens que juraram lealdade a você, que conhecem seus ensinamentos, e não serão tentados a desaparecer com seu mestre errante."
A expressão do pai torna-se pensativa, e ele balança a cabeça lentamente.
"Além disso," Irmã mais velha continua, um conjunto cruel para sua boca. "Ele me insultou em público e isso é algo que não pode ser respeitado. Como se atreve -"
Mas suas palavras são rápida e brutalmente interrompidas.
Um raio atravessa o salão cerimonial, através do ombro e do coração, deixando um buraco ensanguentado e negro em seu lugar. Shachi grita de horror, olhando para a expressão chocada no rosto da Irmã Mais Velha enquanto seu corpo cai no chão. O berro de surpresa do pai se transforma em terror, e ela entende por que, porque Indra está vivo.
Ele dá de ombros e fica em pé, movendo-se como o raio que passou pelo corpo da irmã e agarra o pai pela garganta.
"Aqueles que quebram juramentos são escória. Aqueles que traem seu próprio sangue são piores que a escória", rosna. "E aquele copo era para ela tanto quanto era para mim." É o único aviso que ele dá antes de torcer os dedos, arrancando o pescoço do homem. "Um homem que se move contra mim faz uma proclamação de que ele é meu inimigo. E não permitirei que meus inimigos vivam e aproveitem uma segunda oportunidade para me enfraquecer."
Olhos ainda ardendo em chamas vermelhas, ele se vira para os convidados atordoados.
"Seu senhor está morto. Levante-se e vingue-o ou fuja. Uma dessas escolhas levará a uma morte rápida, então escolha sabiamente."
Quando ele dá alguns passos pela procissão em direção à porta, há uma onda de movimento. Convidados e membros do tribunal se dispersam, tropeçando uns nos outros em suas roupas. Ela continua de joelhos, boquiaberta atrás dele, sem saber o que aconteceu.
Então, como fez antes, ele se volta para encará-la mais uma vez.
"Você salvou minha vida duas vezes", diz friamente. "E então, eu vou lhe oferecer uma escolham uma oportunidade. Salve-se. Esqueça essa farsa de cerimônia e laços que você concordou pelo o bem deles. Deixe este lugar e busque um futuro mais feliz, com um homem que lhe ofereça o respeito e o carinho que você deseja. Ou - "seus olhos escurecem de volta para o preto, "venha comigo."
Sua boca parte surpresa com isso.
"Se fizer isso, saiba que a partir deste momento, você será completamente minha. E eu não sou um homem paciente. Eu não sou carinhoso nem gentil, e sua vida será pelo dever. Você trará filhos a quem poderei transmitir meu legado. Contanto que você seja leal e obediente, posso fazer de você uma deusa ao meu lado, mas se você vacilar, farei com que essas mortes pareçam invejáveis."
Terror e confusão tornam difícil entender o que ele está dizendo. Por vários segundos, ela só consegue olhar de sua face intencionada para cadáveres de seu pai e irmã, revirando as palavras em sua cabeça.
E então faz sentido.
Ele está dando-lhe uma escolha.
Sachi nunca, em toda a sua vida, soube o que era tomar uma decisão que não fosse baseada na vontade ou nas necessidades de outra pessoa. Pela primeira vez em sua vida, estava livre. Ela decidiria qual seria seu destino.
O gesto trouxe lágrimas aos seus olhos, pois sabia que ele não era um homem dado a oferecer escolhas. Ou faziam sua vontade ou encontravam a morte, mas aqui estava ele, oferecendo a chance de deixar isso para trás. E com a mesma certeza de que ele poderia se opor a qualquer um dos vassalos de seu pai que o desafiasse, sabia que a deixaria ir para uma vida melhor se assim escolhesse.
Sachi se pergunta, enquanto pega a mão dele, se Indra percebe o quão terrivelmente fácil foi para ela tomar sua decisão.
つ づ く
Gente, não se se vocês repararam, mas parece que Sasuke e Sakura fizeram um 69 naquela parte após o "pedido" de casamento do Indra hhahaha danadinhos, gosto assim.
Sinto muito pelo sumiço, as eu aproveitei o recesso forense pra ir pra casa da minha tia e lá fiquei sem computador, ou seja, não pude traduzir nada. Só voltei para casa no domingo, mas só pude traduzir hoje (e só traduzi hoje pois estou doente e o médico me obrigou a ficar em casa 2 dias). Vou começar a traduzir agora o próximo capítulo de "Consequences" e vejo se posto hoje também.
Quero agradecer à todas as pessoas que comentaram. Eu fiquei muito feliz, eles definitivamente me deram um gás a mais e fiquei ainda mais ansiosa pra traduzir.
Até o próximo capítulo :3
眠り - Dormir
夢 - Um Sonho
Flail – é uma arma. A tradução é mangual, mas mangual em português também pode ser um instrumento para malhar cereais, então deixei em inglês para não causar confusão.
