Esse é o meu pedido de desculpas por não saber conciliar o meu passatempo e deixar vocês esperando por algo que eu não consegui entregar.
Aparentemente, o meu combustível para a escrita é a frustração sexual. Eu não consigo concentrar em nada além de escrever por hobbie.
Como eu fiz às pressas, ele está sem correção e os meus olhos estão cansados. Se vocês perceberem erros, podem me avisar, por favor?
Espero que vocês aproveitem :D
A Caixa
Capítulo 2: Analisável
A expressão masculina não traiu se ele acreditou ou não na desculpa. Hermione apalpou o bolso para confirmar a presença da sua varinha, antes de buscar a fita métrica. 1,15mx1,15mx2,4m. Seriam essas as medidas? Em que momento ela havia começado a sonhar?
"Você precisava da minha ajuda?"
Hermione olhou de súbito para ele, lembrando-se da mensagem que havia mandado. Sem muitos comentários, entregou o pergaminho com as anotações.
O canto da boca dele ergueu-se de uma forma similar ao seu sonho e Hermione sentiu-se corar dos pés à cabeça. "A única funcionária do Ministério a usar caneta."
"É uma forma simples de fazer uma declaração. E elas são muito mais práticas que penas", algo no olhar dele dizia que o uso de palavras dela havia sido apreciado.
"Anteros, Eros e Pothos? Por que não Himeros, Hedylogos, Hymenaios ou Hermaphroditus?"
Obviamente, ele tinha que conhecer mitologia grega.
"Essa imagem", ela disse, apontando para as duas pessoas com a balança no meio delas. "Na escala ou balança de Afrodite, Eros e Anteros costumavam estar em polos opostos".
"Desejo contra amor recíproco?", uma sobrancelha clara ergueu-se. Hermione deu de ombros. "E Pothos? Eu entendo o descarte dos outros, mas por que não Himeros?".
"A maior característica das representações do Himeros era a faixa que ele usava na cabeça, coisa que não aparece no ser alado maior. E não há muitas referências a ele ser usado na balança".
"Mas há alguma?"
Ela anuiu. Ela sempre se esquecia desse hábito que ele tinha de questionar todas as suas conclusões.
Malfoy encostou-se contra a mesa, cruzando os pés.
"Como eu posso te ajudar?".
Hermione expirou, envolvendo-se nos próprios braços. A primeira resposta que veio à sua mente foi "saindo e me deixando pensar sozinha sobre o que aconteceu", mas isso não era exatamente educado depois de ela mesma ter pedido que ele viesse, não é mesmo?
"Eu tinha esperança de que essas informações poderiam engatilhar alguma lembrança tua".
A folha foi colocada sobre a mesa e os olhos cinzas estavam, agora, completamente direcionados a ela.
"Isso talvez explique o vício do tio Armand. Algo similar ao vício em pornografia, talvez?"
Sempre a pegava desprevenida quando ele usava referências à cultura não-mágica. Aparentemente, os 5 anos de reabilitação haviam feito o seu trabalho.
"Só isso?"
Os olhos dele suavizaram, como um pedido de desculpas. "Por muitos anos eu achei que fosse uma caixa decorativa."
Ela acenou, colocando as mãos nos bolsos e dedilhando sua varinha.
"E o que aconteceu?"
Ela olhou sem saber como responder.
"Você usou a caixa."
Havia esperado que ele não trouxesse isso à tona. Qual a melhor forma de agir?
"Ela causa um sonho erótico", respondeu, com a face mais impassível que conseguia atingir.
"Nenhum efeito colateral?"
"Não que eu tenha percebido".
Ele observou-a por alguns instantes como se avaliando a veracidade das palavras dela. Então, acenou e afastou-se da mesa em um impulso, indo em direção à caixa.
"O que você está fazendo?"
"Você faz uso do objeto e nós não sabemos as consequências disso. Será mais fácil coletarmos dados se tivermos duas pessoas na amostra. Só com uma nós não temos parâmetro de nada".
A mente de pesquisador dele era, possivelmente, a coisa que mais a atraia.
"Não há o que pensar. Eu não vou deixar que você seja a única cobaia e não temos forma de tornar isso mais seguro. O tempo entre eu receber a tua carta e eu te encontrar foi de, provavelmente, uns quarenta minutos. Se eu não sair depois disso, podes abrir a porta".
Era errado ela se sentir excitada com a capacidade de planejamento em cima da hora dele?
"A tua área de atuação aqui no Ministério é o Departamento de Relações Mágicas e Não-mágicas. O teu envolvimento com essa pesquisa não é justificável."
Estar excitada não significava deixar de ser racional. Ao menos, não nesse nível de excitação.
"Eu sou a pessoa que conhece todas as tuas pesquisas até agora, a pessoa que está disponível. E nós podemos ter certeza de que as reações à manchete 'Draco Malfoy, ex-Deatheater se machuca em pesquisa' serão bem mais brandas e positivas que com a manchete 'Hermione Granger, pesquisadora extraordinária do Trio Dourado, machuca-se em pesquisa'".
"Isso não é-"
"Não é um motivo protocolar, mas nós dois sabemos que comparar observações é a melhor forma de conduzirmos isso."
Se tinha algo que ela não gostaria de fazer é comparar observações justamente com ele.
"Você pode olhar para o lado e colocar no relatório que eu entrei sem autorização."
Eles se encararam. Utilizar a caixa novamente era a melhor forma de entender o seu funcionamento. E espaçar o uso entre duas pessoas era a forma mais segura de evitar adição.
"Certo. Quarenta minutos. Assim que entrares, eu inicio o cronômetro".
Ele entrou. Ela ligou o cronômetro. Colocou o pensamento de que havia cedido tão facilmente a ideia dele apenas para fugir do convívio por alguns segundos e poder colocar sua mente em ordem.
Ela não conseguia lembrar-se do momento em que a porta havia se fechado quando estava lá dentro.
Ou a caixa funcionava sem estar fechada e ela havia entrado na ilusão e, por estar distraída, não havia percebido quando a porta fechara ou ela havia se distraído sozinha.
O segundo problema era: se ela não havia visto a porta se fechando, como ter certeza de que ela havia saído da ilusão?
O que levava à terceira questão, eram sonhos ou ilusões? Se se tratasse de um sonho, ela não sentiria dor, mas, sem saber se ela estava dentro ou fora, não havia como ter certeza.
Beliscou-se.
Ok. Ela sentia dor. Então, ou ela nunca saíra da ilusão ou se tratava de um sonho e ela estava fora dele.
Pegou o pergaminho para anotar as ideias antes de soltá-lo sobre a mesa. Não, não era hora para isso.
Precisava avaliar se algo mudava na caixa externamente enquanto ela estava agindo.
Uma circundada lenta por todos os lados da caixa e uma rápida subida na cadeira não demonstraram nada diferente. Aproximou-se e forçou o painel onde ela sabia que estava a entrada. Ele não se moveu. Aparentemente, menos depois dos quarenta minutos passados, ela não poderia fazer nada. Se acontecesse algo com Malfoy, ela provavelmente não seria capaz de tirá-lo fisicamente.
Aplicou todos os feitiços diagnósticos anteriores, todos com os mesmos resultados.
Havia tido esperanças de que as figuras com mais de uma imagem sofressem alguma alteração (que algum dos seres alados da balança subisse, que 1 das 4 figuras femininas se destacasse, que as imagens egípcias se alterassem), mas não foi o caso.
Anotou tudo na folha.
Olhou de relance para o cronômetro. 31 minutos e 13 segundos.
Qetesh não estava ligada ao amor, mas sim ao desejo, à fertilidade e ao êxtase.
Corou. Ela havia atingido o êxtase; sua calcinha era prova disso.
Se realmente aquela balança fosse Eros e Anteros, o que estaria em jogo seria desejo sexual e atração contra amor recíproco.
Ela não amava Malfoy, claramente. Mas admitia que existia uma atração.
Só... Não era o momento para agir. Precisava de algum tempo consigo mesma. Não era como se ela estivesse desperdiçando a sua vida adulta. Ela saia com as amigas. Havia os encontros das segundas sextas do mês com Ginny. Parvati e Lavander a cada dois meses. Luna nos almoços de segunda. E ela precisava de um tempo para descansar depois da quantidade de homens com os quais ela saíra imediatamente após o término. Mais do que o um ano e meio que havia pass-.
Não, agora era hora de trabalho.
Expirou e passou os olhos pelas informações que havia anotado.
Para que eles utilizassem os dados que Malfoy conseguiria, eles precisariam comparar experiências talvez.
Não tinha certeza do quanto gostaria de compartilhar com ele. Esperava que dizer apenas que era o sonho/ilusão havia sido com um colega de trabalho fosse suficiente.
Verificou o cronômetro. 44 minutos e 53 segundos.
Tentou a porta mais uma vez. Com mais força. Mais uma. Sem resposta.
"Malfoy!", gritou, os punhos batendo contra a madeira na esperança de tirá-lo do transe e fazer a porta se abrir. "Malfoy! MALFOY!".
Os contornos dos desenhos cavaram as laterais das suas mãos nos impactos. Pegou a varinha, tentou feitiços de movimentação, de vibração, de choque, de diagnóstico. Todos os que podia pensar. Nenhuma resultado.
"MALFOY!", bateu novamente na caixa. Desta vez com os pés. "Eu disse que não deverias entrar aí!". Mais socos. "MALFOY!". Puxou a porta e, desta vez, ela abriu-se com facilidade, fazendo-a cair para trás pela força que havia usado.
O loiro encontrava-se dentro da caixa, acordado, os joelhos e a mão esquerda no chão, a direita estendida, como se ele tivesse aberto a porta. Os olhos dele estavam tão abertos que, mesmo à distância, Hermione conseguia ver claramente os contornos da íris. A pele pálida havia corado fazendo-o parecer uma boneca de porcelana.
Hermione ergueu-se lentamente, sentindo o nervosismo emanando dele. Tinha medo de que sua intervenção pudesse ter alterado os efeitos da caixa de alguma forma.
"Mafoy...?", repetiu, mais suave, ajoelhando-se na frente dele. Os olhos cor de mercúrio não haviam deixado-a nem por um segundo. Os dedos dela alcançaram a mão elevada dele e a abaixaram, apoiando-a nas suas. Isso pareceu fazê-lo sair do transe em que estava. Ele piscou repetidas vezes antes de retomar o controle do próprio corpo. Os dedos dela ficaram vazios quando ele recolheu os braços, esfregando os olhos com a palma das mãos.
Na recuperação mais rápida que Hermione já vira, ele levantou-se. Atônita, ela imitou-o e abriu espaço quando ele fez menção de sair da caixa.
"Quanto tempo?"
Ela pestanejou, pensando nas palavras que ele havia dito antes de conseguir entender o significado delas. Num estalo jogou-se na direção do cronômetro.
"47 minutos".
"Sem alterações externas?"
Ela observava-o cuidadosamente, como alguém que observa uma panela de pressão prestes a estourar.
"Nenhuma. Nem mesmo quando eu lancei os feitiços".
Ele anuiu. "Deveríamos fazer uma tabela com os dados".
Em um dia qualquer, isso deixaria-a exultante. No atual momento, ela só conseguiu concordar com hesitação.
Ele pegou um pergaminho novo e a caneta dela, sentou-se à mesa e começou a rascunhar o que parecia uma tabela.
Dia de entrada, sujeito, tempo, feitiços, observações, fantasia.
Hermione o observara por alguns instantes antes de aproximar-se para olhar por cima do ombro masculino. A letra pontiaguda e pequena dele se movia rapidamente pelo papel enquanto os dados da primeira entrada, a dela, eram preenchidos. "04 ago 08", "Granger", "Aprox. 40min", "nenhum", "nsa". A atenção dos dois parou no momento em que a caneta flutuou sobre o último item. O tempo de hesitação dele deve ter sido menor que de um minuto, mas Hermione havia sentido como se tivesse se passado meia hora. Ele esperava que ela respondesse o que deveria ir ali? O quão detalhado ele imaginava que essas anotações deveriam ser para que eles pudessem extrair algum tipo de conclusão delas? Como se sentindo o nervosismo dela mesmo sem precisar olhá-la, a letra voltou a aparecer na minha de baixo, preenchendo agora os dados dele. "04 ago 08", "Malfoy", "Aprox. 47min", "Temperatus iudicium, Motus iudicium, Malum mente iudicium, Magia aestimationem", "nenhuma", "colega de trabalho, local de trabalho, BDSM".
Hermione encarou as pontas dos a's dele por alguns momentos. Ele havia resumido o que quer que havia acontecido com ele dentro da caixa de uma forma simples. Ela podia fazer isso.
"Colega de trabalho, local de trabalho, controle".
Parecia plausível o suficiente.
Ela pode ser a bochecha dele de mexer e sabia que a comissura dos lábios dele havia se levantado. "Parece que nós dois estamos tão envoltos nos nossos trabalhos que até as nossas fantasias foram dominadas por eles".
Ela sorriu levemente diante da tentativa de piada dele.
"Amanhã, no mesmo horário, para mais uma tentativa de cada um de nós?"
Ela concordou. As coisas não poderiam ficar mais constrangedoras do que estavam, certo?
