Notas do Autor: Olá pessoal, tudo certo por aí? Então, esse capitulo é da Glimmer, ok? Não me aprofundei muito na morte dela, porque é uma morte não muito relatada no livro, mas enfim, aproveitem!
Estou tossindo demais, e por algum tempo penso que meus pulmões irão saltar pela boca. Era claro como água que aquele fogaréu fora obra dos Idealizadores, já que não houve nada de muito interessante nos Jogos no último dia.
Já está caindo a noite e consigo sentir que há um tributo por perto. É claro que estou literalmente cercada por outros tributos, mas esses são os meus aliados. Por enquanto, pelo menos. Nós só nos aliamos porque precisamos uns dos outros, mas em breve teríamos que romper a aliança e matar-nos nessa carnificina. Continuamos a procura, não desejamos outro paredão de fogo.
"Cato?" Ouço Clove chamando, rouca de tanto inalar fumaça. Tínhamos nos afastado um pouco, está realmente muito difícil enxergar com toda essa fumaça.
"Bem aqui." A voz dele está ao meu lado, também rouca. Não confio nele.
Depois de mais um tempo procurando alguém para matar (e prestes a decidir voltar para a Cornucópia), ouço alguns movimentos próximos a mim e meu grupo. Com ruídos de movimentos na água, percebemos um vulto muito difuso correndo bem na nossa frente. Não estou certa do que vi, mas sei o que ouvi. Alguém nos detectou e está fugindo.
- Ouviram? - pergunto.
- Sim - responde Marvel, meu companheiro de distrito. Nada mais é dito. Estamos correndo, caçando, seguindo o som dos passos. Pelo visto, a nossa presa também teve problemas com o fogo. Finalmente a alcançamos. Tenho tempo de ver seu pé deixando o chão. Vejo, finalmente, a garota do Conquistador. Sim, lá está ela, subindo a árvore. Astuta como um macaco, ela já está há uns 6 metros acima de nós, porém é perceptível que está machucada. Nós paramos e encaramos a garota. Ela nos encara de volta e nos lança um forte sorriso, irônico e superior ao mesmo tempo.
- E aí, como é que vocês estão? - Ela pergunta sarcasticamente e cheia de entusiasmo.
Isso nos pega de surpresa. Percebo que a odeio. Odeio por ter estado tão bela na apresentação dos tributos, odeio por ter conseguido um onze na seção de treinamento, odeio por ter usado outro belo vestido na entrevista com Caezar, roubando todo o meu brilho. Odeio, e só.
Vendo-a ali, cercada, machucada e indefesa, fico grata aos idealizadores pelo incêndio.
- Estamos bem - diz Cato. - E você? -
- Está um pouco quente pro meu gosto. - Ela responde. Então a pequena Katniss gosta de jogar. - O ar é bom aqui em cima. - Ela continua. - Por que vocês não sobem?
O mundo parece um pouco mais vermelho, tamanho era meu ódio por ela. Como ela poderia estar tão irônica, na beira da morte?
- Acho que eu vou - diz Cato.
O que ele está fazendo?
- Aqui, Cato, pega isso - digo, e lhe entrego o arco. Ele simplesmente me ignora.
- Não – diz Cato, empurrando o arco em minhas mãos. – Farei melhor com a minha espada. – Então ele tira a sua espada, curta e pesada. Ele parece dez vezes mais assustador com aquela espada, então recuo um passo.
Cato sobe na árvore, enquanto a garota continua a subir. Ela é boa, não há como negar. É evidente que ela está machucada, e ainda assim continua a escalar com talento. O conquistador não tira o olho dela. Ainda tenho dúvidas se ele realmente gosta da garota.
Escuto um estalo e de repente Cato está caído no chão. Tento não rir e consigo.
- Tenta você, Glimmer – diz Cato.
Eu subo até uma altura de dez metros, mas ouço alguns estalos fracos e tenho o bom senso de descer antes que quebre.
...
Sentamos e começamos a discutir.
- Ela tem que morrer – digo, sem conter minha raiva.
- É claro, sua palerma – responde Clove. Tão nojenta. O máximo que posso fazer por hora é desejar que Clove morra dolorosamente.
- Temos que fazer alguma coisa – diz Marvel. Ele é meio inseguro, apesar do tamanho. Imagino quanto tempo vai durar quando nossa aliança for rompida. Isso se ele sobreviver até lá.
- Ah, deixe que ela fique lá em cima. Não é como se ela fosse a algum lugar. Nós lidaremos com ela de manhã! – Diz o conquistador.
A julgar pelo silêncio de Cato, deve ser o certo a fazer.
Sou escolhida para montar a vigia, o que não é bom porque estou totalmente exausta. Fico pensando nos Jogos. Estamos no inicio ainda. Restaram 12 tributos. Estou tão cansada... Tenho que manter meus olhos abertos em busca de inimigos... Meus olhos caem lentamente... Aquele gigante do distrito 11, caladão é assustador, tenho que ficar acordada... Não controlo minhas pálpebras. Durmo.
Ouço leves zumbidos e imagino o quão encrencada estou por ter adormecido na minha patrulha. Pela temperatura fresca, percebo que ainda está amanhecendo e posso fingir que fiquei a noite toda vigiando a garota. Claro, só que terei que atuar para parecer bem cansada, mas nada que eu não possa resolver.
Os zumbidos estão mais altos. Estranho.
Alguma coisa cai da árvore em que estou apoiada e o zumbido se intensifica. Abro os olhos assustada e só tenho tempo de sentir dor. A dor me atinge em vários pontos. Meu pescoço, meu braço, minha perna, meu tórax, meu outro braço, meu joelho esquerdo, a perna direita, abaixo do olho, no lábio inferior, abaixo da orelha, minha mão direita e várias outras partes do meu corpo. A dor é imensa. Quero a morte. Matem-me! Clamo por socorro, quero morrer logo. Por favor, matem-me. Essa dor... Só podem ser teleguiadas. Ouço um grito terrivel, e percebo tardiamente que é o meu. As ilusões chegam e eu me vejo no meio do fogo novamente. Ouço mais um grito agudo e alto. Alguém mais foi atacado. Sofro. Grito. Há quanto tempo estou queimando? Vejo as chamas me engolfando, e já não consigo decidir se o que estou vendo é ilusão ou se os Idealizadores criaram outro incêndio. Minhas pernas e braços estão livres da dor, e livres de outras coisas também, pois não há nada que eu possa sentir neles novamente. Ainda quero morrer e sei que logo vou. O fogo se concentra em meu rosto e de repente não há mais nada.
Então... mereço reviews? Beeijos galero.
