Capitulo Dois

Quando Stiles acordou, já tinha passado do almoço. Suas irmãs aprenderam cedo a nunca entrar no quarto dele a não ser quando ele convidava. E apesar disso, ele se dava bem com suas irmãs e pai. Com o tempo, ele deixou de ligar por estar se vestindo como mulher, ele finalmente tinha uma boa família e ele não iria trocar isso por nada.

Suas irmãs eram as mais animadas, bonitas e elegantes mulheres do reino, todos conheciam a fama delas. Bem como a do pai. E como de praxe, eles iriam a eventos sociais e tudo mais. Porém, neste em especial, Allison e Stiles estavam animados. Era um evento de tiro ao alvo com arco e flecha.

Allison aprendeu arco e flecha com o pai, e logo que Heather(Stiles) chegou Allison o ensinou. Stiles, porém, já sabia atirar, mas teve que fingir que não. Quando era príncipe, teve aulas desde criança, assim como Allison, mas ele nunca gostou muito. Era, porém, um exercício relaxante. Como mulher, ele não podia fazer quase nada.

Assim que chegaram e foram para os assentos, Allison se animou, observando os jogadores preparando seus arcos e adornos, Lydia parecia avoada e olhava de um lado para o outro, reservando um olhar de tédio para o jogo. Stiles encarava seu pai que, animado, conversava com Allison. Stiles sorriu para eles e chamou seu pai.

Avisou a ele que precisava sair para respirar um pouco, já que o local estava cheio e Lydia o acompanhou, já que não estava nem um pouco interessada naquela exibição. No caminho, as duas acabaram se encontrando com o amor de Lydia, Jackson.

– Jackson! – disse, animada e sorrindo.

– Lydia. – disse, sem demonstrar muito interesse – Sua irmã?

– Sim, Heather. – apresentou-a – Oh, Danny veio com você? – comentou.

– Obviamente. – respondeu, virando-se para Danny – Esse é meu primo, Daniel.

– Me chame de Danny, Miss Martin-Argent.

– Então me chame de Heather. – sorriu, sendo gentil.

Lydia levantou as sobrancelhas quando Danny e Heather se envolveram em uma animada conversa, deixando Jackson e Lydia sós. Ela sorriu para o homem e os dois se afastaram, deixando Stiles sozinho com Danny. Mas quando Stiles percebeu, ela já tinha sumido.

– Não se preocupe, eles só foram caminhar...

– Sim, mas eu não acho que isso deva estar certo. Não é visto com bons olhos garotas sozinhas com homens solteiros...

– Sim, mas você também está...

– Mas eu não estava, logo, o erro está nela ter se distanciado. Eu estar aqui sozinha é consequência.

– Você tem personalidade forte, Heather... – Danny sorriu – Fico surpreso com suas ideias e o modo como fala...

– Bem, obrigado... – disse, olhando de um lado para outro.

Os dois conversaram mais um pouco e então Lydia voltou. As duas irmãs voltaram aos seus lugares e os homens se sentaram ali lado. Chris não pareceu muito feliz com a conversa animada entre Heather, Danny, Jackson e Lydia, mas deixou passar naquela vez, sua mais nova ria com prazer e parecia se divertir bastante deixando os três envergonhados.

Chris pensou que Heather havia aprendido várias coisas enquanto esteve no reino. Era uma boa falante, tinha ideias inovadoras e conseguia se adaptar a todo tipo de assunto. Seus ideais eram fortes e ela se mostrava igualmente assim. Mas algumas vezes, ela se mostrava muito a frente nas ideias e atitudes, mostrando-se muitas vezes, mesmo, mais masculina e rude.

Assim que o evento terminou, eles saíram para a confeitaria comer torta; quando chegaram lá, Matthew estava servindo uma mesa e olhou para Heather. Ambos trocaram olhares raivosos, mas o amigo de seu pai interveio, guiando-os para uma das mesas. Eles conversaram sobre o torneio, sobre o ganhador e como todos estavam extasiados. Pela noite, eles puderam então voltar para sua casa, e Stiles sentia as pernas doloridas. Depois de deitar um pouco, sentia-se um tanto renovado. Mas acabou levantando quando escutou um uivo do lado de fora da casa. Era baixo, mas parecia estar ao seu lado. Ele se levantou quando escutou a voz de um garoto cochichando, e logo depois, duas vozes mais.

Ele correu para fora, não se esquecendo de colocar a peruca e enrolou-se em uma manta. Silencioso, ele saiu pela porta de trás da casa, que dava para o jardim junto à floresta. Era escuro e denso, e ele caminhou calmamente pelo local. Mas quase gritou quando sentiu algo colidir contra si. Quando ele olhou, era um pequeno lobo de pelugem cinza e orelhas despertas. O animal tinha as presas à mostra e olhava fixamente para Stiles, como em defesa.

Fujam! Eu vou distraí-la! – a voz de antes disse. O lobo rosnava.

– Espere! É você falando? – apontou assustado.

Isaac, corra! – disse uma voz feminina. Um lobo rosnou.

– Espere, eu não vou machucá-los...! – disse, levantando os braços – Pelos deuses, estou falando com animais...! – sussurrou.

Erica, vamos! – disse outra voz. Outro rosnado.

Mas Boyd, ela vai matar Isaac! – disse a voz feminina de novo.

– Eu não vou machucá-los... – disse, ajoelhando-se perto do lobo cinzento – Eu prometo!

– Isaac! – disse a voz feminina.

– Isaac, acredite, eu não farei nada! – disse.

O lobo a sua frente lhe olhou profundamente, analisando com cautela, até que se aproximou, cheirando com cuidado. A voz feminina chamou-o de novo, e o lobo Isaac rosnou para ela, mandando-a ficar quieta. Stiles sorriu, esticando a mão, mas Isaac voltou a mostrar os dentes.

– Eu consigo entendê-lo... – disse com medo.

– Isso é verdade? – perguntou, rosnando.

– Sim, eu posso ouvir os três. – sorriu – O que vocês são?

– Somos lobos-homens, estamos enfeitiçados pela lua. – disse, olhando de um lado para outro – Uma bruxa, ela...

De repente, um uivo alto foi ouvido; um uivo poderoso. Stiles viu o lobo cinza tremer e a voz dos outros dois gritarem por Isaac. O lobo olhou para Stiles e saiu correndo, entrando na floresta. Stiles olhou para a lua cheia que estava no céu e ficou um bom tempo encarando-a, e então quando se virou para a porta da casa, ele viu que lá estavam seu pai e suas irmãs. Ele se desculpou e voltou para dentro de casa.

No dia seguinte, ele não conseguia tirar de sua cabeça o fato de ter conversado com lobos. Não podia ter sido real, ele pensava, mas ele tinha tido muito de magia em sua vida. Sua mãe era uma grande feiticeira antes de morrer, e ela sempre disse que Stiles tinha certo dom para isso, mesmo que ele descordasse veementemente. Heather sempre comentou também sobre o Reino e o Rei do Norte. Ela sempre lhe contava sobre a família e seus grandes feitos, do rei e sua rainha, seus filhos e família. Era sempre com brilho nos olhos que ela comentava, e dava certa inveja da vida dela.

Mas não era como se ele não sentisse falta de sua vida no palácio, em certos aspectos ele queria que fosse como antes. Por exemplo, ele não queria usar roupas de mulheres nem agir como uma, ele não queria estar enganando a família Martin-Argent, ele não queria estar longe se seu irmão Scott e seu pai, mesmo que eles tenham feito tantas coisas que ele não gostou. Ele também sentia muita afeição por Melissa, mesmo ela sendo um tanto repreensiva, sempre ajudou a colocar no lugar as bagunças que Scott e Stiles se metiam.

Stiles só reparou que tinha o pensamento longe porque Allison já o chamava pela terceira vez, segundo ela mesma. Stiles sorriu e se desculpou, pedindo para que ela repetisse. Ela havia lhe chamado para ir caminhar, Chris estava indo para a floresta caçar e geralmente Allison ajudava, e como Stiles havia se aproximado muito mais da morena que da loira, ele decidiu ir. Lydia estava na aula de musica e por isso, não acompanhava.

Stiles agradeceu veementemente em pensamento quando Allison lhe entregou uma roupa um tanto masculina. Ele já não se lembrava como era usar calças de tantos vestidos que ele trocava e voltava a usar. A calça que ela lhe deu era verde-escuro, entregou-lhe ainda uma túnica vermelha como sangue, que fazia como um vestido, com uma abertura de perna direita. Botas de couro iam aos pés. E em sua mão foi entregue um estranho arco, ele era composto de ossos e parecia formado por vários pedaços de madeira diferentes, mas a que segurava todos os adornos era cinzenta como madeira queimada.

– Esse é um arco muito bom, eu me lembro de ter comprado ele quando éramos bem pequenas, você ainda estava comigo... – sorriu – Você escolheu esse e eu escolhi o verde, no nosso aniversário... – disse, sorrindo.

– Uau. Isso é... – Stiles não sabia o que dizer - Mágico... – disse.

– Sim, é. – riu – Você disse isso...!

– Vamos garotas? – Chris chegou á sala onde as duas estavam.

Ele usava uma roupa masculina tradicional, com o arco indo nas costas e facas na cintura. Allison sorriu e puxou Stiles para fora de casa, seguindo o pai. Os três entraram na mata e logo os cavalos foram deixados perto do rio. Calmos, eles caminharam lentamente até Chris parar e se virar para suas filhas.

– Vocês sabem os limites da floresta, eu vou deixá-las caçar por conta própria hoje. Mas tenham cuidado.

– Isso! – Allison gritou, abraçando a irmã. – Eu vou por ali, pai. – apontou, já seguindo seu rumo. – Boa sorte para vocês!

– Para você querida! – disse Chris, sorrindo – E você Heather?

– Hn... – olhou em volta – Eu vou por ali... – apontou para o lado esquerdo.

– Se algo acontecer grite. – alertou Chris – Eu estarei por perto e irei até você.

– Certo. – disse, abraçando seu pai – Boa sorte.

– Para você, minha linda. – deu-lhe um beijo no topo da cabeça.

Stiles seguiu seu caminho até entrar na parte um pouco mais densa da floresta. Seus olhos se voltaram imediatamente a qualquer movimento suspeito até antes de chegar ao seu local de caça predileto. Sem se preocupar em se machucar, começou a escalar a árvore e quando estava em um dos galhos fortes da arvore sentiu um baque contra a árvore.

Teve que se segurar bem para não cair e quando olhou para baixo, um vulto enorme e negro correu. Não teve tempo nem de ver o que era e ficou estupefato que sequer gritou, só ficou ali olhando para baixo. Mas assim que saiu de seu estado de surpresa, desceu da árvore, e como ele ignora seu senso de perigo, ele seguiu por onde a criatura foi.

Ele não conhecia aquela parte da floresta, e estava quase desistindo de procurar aquilo quando algo lhe chamou a atenção. Havia barulhos e risos, rosnados e choros de cachorro. Stiles seguiu até a fonte para encontrar o mesmo lobo da noite passada e mais dois com ele.

Boyd é lento, só tem força bruta! – disse uma voz feminina, rosnando um lobo de pelugem branca.

Você é lenta e fraca só seu faro é bom...! – uma voz masculina disse, e um lobo maior e de pelugem marrom com preto disse.

Só Isaac corre bem e não e melhor em mais nada... – disse a voz de menina de novo, e o lobo branco começou a morder o pescoço do lobo cinza, que estava deitado.

Saia Erica! Não quero brincar... – o cinza rosnou. – Vá jogar com Boyd.

Oh, não fique triste! – a branca deitou-se em cima dele – Derek não queria machucá-lo, realmente. Você sabe...!

Erica, deixe Isaac.– o marrom e preto foi até a branca, tirando-a pelo pescoço de cima do cinza.

Vamos fazer... – de repente a branca se virou para onde estava Stiles e rosnou, uivando alto. – Humano! Derek, um humano!

Stiles deu um passo à frente, saindo de onde estava escondido e mostrando-se aos lobos. O lobo marrom e a branca entraram em estado de ataque e o lobo cinza olhou bem para o garoto, virando o focinho. Deu alguns passos a frente e Stiles sorriu, quando o lobo cinza ignorou os rosnados dos outros lobos e começou a cheirá-lo.

O que veio fazer aqui? – perguntou o lobo cinza – Não pode caçar nessa área. É proibido!

– Está tudo bem, eu só estava seguindo algo que eu vi. – disse Stiles, agachando-se e passando a mão sobre a cabeça do lobo.

O lobo cinza amuou e sentou, mas logo a loba branca rosnou.

– Boyd, corra para Derek!

– Calma Erica. Venha aqui, ele não machuca. –disse o lobo cinza –Venha Boyd.

Stiles se sentou no chão como os lobos vieram receosos para perto. Stiles estendeu a mão para encostar-se à loba branca, mas ela recuou.

Esses são Erica e Boyd. – disse o lobo cinza – Eu sou Isaac. – disse, deitando-se no colo de Stiles.

– Ei, Isaac, saia daí! – disse a Erica. – Derek não vai gostar.

– Ele não vai te escutar Erica, como sempre. – Boyd disse, amontoando-se em cima dela.

– Vocês são irmãos? – Stiles perguntou, tendo o lobo Boyd mordendo sua faixa da cintura. Erica ainda estava longe. Stiles passou a mão por Boyd e ele se aninhou mais perto.

– Algo como isso. Somos família.

– Venha cá, Erica. – Boyd chamou – Ele cheira bem, você gosta das coisas que cheiram bem, certo.

– Pare com isso. – Ela amuou, indo para perto de Boyd – Como pode nos entender?

– Eu não sei. Eu só posso. – respondeu sorrindo – Vocês são tão fofos...! – disse, deitando-se para frente, e abraçando todos.

E então um rosnado alto foi ouvido e todos pularam de surpresa. Os lobos se amuaram e correram para o lado, aonde ia um lobo de pelugem escura. Na frente estava um animal enorme e negro, de olhos vermelhos e presas afiadas, sujas de sangue. Ele rosou mais uma vêz, dando passo para frente e os lobos menores uivaram em choro. Na hora, Stiles sentiu medo, principalmente quando o lobo negro saltou para cima de suas pernas.

Ele ainda sentia medo do animal que estava na sua frente, mas a surpresa era tanta que ele sequer gritou, ele só olhava com os olhos arregalados para aquela fera. O animal não demorou a farejar o cheiro dos filhotes nas pernas de Stiles e continuou fungando pelas pernas até que foi subindo para o peito e estava com as patas dianteiras ao lado do rosto do garoto.

Que esse humano faz aqui?! – rosnou bravo.

– Ele pode entendê-lo, Derek. – sussurrou Isaac.

– Para casa, já! – rosnou alto para os quatro, e começaram a correr. Seu rosto voltou para Stiles. – Quem é você?

– E-eu...

– Heather! – escutou alguém gritar, e, de repente uma flecha acertou a arvore atrás do lobo.

Ele rosnou e saltou para longe, fugindo das vistas de Stiles. Minutos depois – os quais ele sequer se levantou do chão – ele viu Chris e Allison. Ele olhou para os dois, que estavam ofegantes. Chris levantou-o pelo braço com brutalidade, e se não fosse pela fita prendendo a peruca, ela teria caído.

– O que diabos está fazendo aqui?

– E – eu s – só... – disse, encolhendo-se – Segui um coelho... - mentiu.

– Aqui não pode caçar irmã. – disse, com receio nos olhos.

– Alguém te viu? – ele acenou negativamente – Certeza? – perguntou, apertando mais forte o braço de Stiles – Se tiver você tem que me dizer Heather!

– Não pai, ninguém me viu. – Stiles puxou o braço.

– Desculpe querida, eu só...

– Vamos para casa...! – disse Stiles, já saindo pesado da floresta, pelo caminho que vieram.

Chris se sentiu culpado por ter ficado bravo com sua filha, ela não sabia de nada sobre a família deles e a Família Real. Ela não sabia sobre a maldição da bruxa e ninguém ousava tocar no assunto, mesmo que todos soubessem. Allison até insistiu ao seu pai para contar, mais tarde naquele dia, mas ele negou veementemente. Ele não queria envolvê-la nisso.

Assim que chegaram a casa, Stiles foi para o seu quarto e se trancou lá para o resto do dia. Lydia até perguntou o que aconteceu, mas ninguém lhe disse. Irritada, ela foi até a irmã mais nova, mas quem disse que Stiles abriu a porta. Ele passou o restante da tarde em seu quarto, escrevendo e desenhando em seu caderno. Ele gostava de desenhar e escrever, e estava contando sobre sua recente aventura na mata.

Mas lá pela tarde, quando a fome lhe abateu, ele saiu do quarto. A casa parecia vazia pelo silencio, mas ele viu Chris lendo alguma carta na sala e Allison no jardim, cuidando das flores. Indo até a cozinha, ele pegou um pedaço de pão e comeu. Voltando para sala, Chris tinha a testa franzida e suava preocupado.

– Tudo bem, pai?

– Ah, sim querida. Só negócios... – disse, sorrindo amarelo.

– Onde esta Lydia?

– Comprar vestidos com uma amiga. – disse, voltando sua atenção para a carta.

Stiles assentiu e voltou para o quarto. Seus olhos correram pela estante de livros que ficava no seu quarto (por que era onde Chris os guardava antes de Stiles viver ali e o garoto pediu para não mudar) e uma parte deles ele já havia lido. Principalmente no castelo. Mas outros ele jamais havia visto. Muitos eram de histórias infantis, e alguns poucos (como três) sobre as estrelas.

Stiles encontrou um que falava sobre os períodos de lua e a função delas na terra, e automaticamente um lampejo de ideias brotou em sua cabeça. Ele pegou os livros sobre estrelas e luas, e juntou um punhado de folhas no chão. Procurou com rapidez, pelos livros infantis, alguns que falavam sobre bruxas, feiticeiros, curandeiros, algo do tipo. Encontrou três.

Colocou o conjunto de livros na mesa e colocou uma vela ao lado, junto com o bico de pena e a tinta. À medida que começava a ler os livros infantis, ele ia anotando as informações sobre maldiçoes de bruxas e como eles ficavam almadiçoados. Depois de terminar de ler os livros infantis, ele colocou as folhas escritas de lado e se voltou para os livros das estrelas. Ele anotou algumas coisas interessantes e se voltou para o livro das luas. Ele anotou cada uma delas numa folha, e os mitos que rondavam por trás delas.

Depois de lido e anotado tudo, que deu várias folhas ele começou a pegá-las e raciocinar. No Reino do Norte não havia períodos lunares, apenas a lua cheia. Existem histórias de humanos aprisionados em corpos de monstros por bruxas. O animal da floresta era com certeza um monstro, e apenas algumas pessoas podiam entender esses monstros (as princesas nos livros, mas Stiles não queria pensar nisso).

Stiles começou a desenhar um ciclo, onde estavam os cinco lobos-monstro e acima deles os períodos normais das luas, e em baixo, os períodos onde deveria haver a mudança, mas há só lua cheia. Faltava alguma coisa, ele sentia, mas não sabia o que. Ele pensou quem poderiam ser aqueles cinco lobos, por que eles estavam enfeitiçados, e no por que de o seu pai ser tão preocupado e agressivo quanto à entrada na parte não caça da floresta.

Stiles juntou alguns dos papeis e foi para a sala, encontrando suas irmãs e pai lá.

– Pai, eu queria ver os livros da cidade.

Os três lhe olharam com olhos desconfiados, principalmente Chris.

– Por quê?

– Eu estive pensando que talvez eu pudesse conhecer mais a cidade, afinal, eu não sei nada dela.

– Eu não acho que...

– Para que, não há nada de interessante sobre a cidade. – Lydia comentou – Tudo que eles contam são apenas historias para as crianças dormirem...

– Que histórias? – Stiles perguntou.

– Sobre bruxas, monstros e palácios. Nosso rei sequer aparece em público, mas mantém tudo nos eixos. Eu não preciso saber mais do que isso.

– Mas eu gostaria. É parte de mim agora. – disse, pegando com força nos papeis.

Chris suspirou e concordou, desde que Allison a acompanhasse até a livraria. Stiles concordou e depois de Allison conversar rapidamente com seu pai, elas saíram. Automaticamente, Allison perguntou o que eram os papeis na mão de Stiles e ele respondeu que não era nada demais.

Quando chegaram a livraria, Stiles começou a bisbilhotar nos livros, ganhando um olhar desconfiado do velho que cuidava da loja. Ele começou a andar entre as estantes, e já tinha três exemplares nas mãos. Encontrou um sobre bruxas e pegou, tendo um ao lado escrito como "A Historia da Família Real vl.4", ele pegou sem muito interesse, indo ao índice. Mas seus olhos se alargaram ao perceber o título do livro: "O Reinado de Derek Hale – Parte 1".

– Derek era o nome do lobo negro, certo? – Stiles pensava – Talvez seja por isso que eles não aparecem em público...

– Senhor – Stiles pronunciou ao velho – Onde estão as outras edições deste livro?

– Hn... Traga aqui, senhorita. – o velho disse, colocando os óculos – Hun... Entendo... – os olhos negros do velho frisaram e ele começou a andar pelas prateleiras, com Stiles em seu encalço – Aqui estão... – disse, retirando as três edições anteriores.

– Obrigado, eu vou levá-los... Mais aqueles... – disse apontando para a mesa.

O homem deu um olhar desconfiado, mas sorriu ao vender os livros por um preço bem caro, eles estavam na prateleira já há algum tempo e o homem sabia que aquela nova filha de Chris não sabia nada da cidade, não faria mal ganhar com a ingenuidade dela. Mas sem pestanejar, Stiles pagou o homem e as duas dividiram os pesos dos livros.

Quando chegaram a casa, Allison deixou os livros no quarto da irmã e saiu a procura de Lydia. Stiles abriu o primeiro volume de "A História da Família Real", cujo titulo era "O Reinado de Talia e Charles Hale". Ele olhou para os outros volumes que continham os nomes de Laura Hale, Peter Hele e Derek Hale. Eles eram toda família, mas ele bem sabia que o Reino do Norte existia há cerca de 500 anos.

– Talvez não fossem datados os anteriores... – pensou.

Mas essa ideia caiu por terra quando na primeira pagina do livro contava sobre a batalha dos Ohlone contra a dominação dos Hale, tornando a terra conhecida como New Albion, que vivia agora sobre o poder dos Hale e a governança de Tália e Charles. A batalha durou por 80 anos, quando as tribos dos Ohlone foram dizimadas pela família Hale e começou a ser povoava pelos espanhóis e ingleses da família. Logo a cultura foi se espalhando e os moradores começaram a formar principados na região, mas todos ainda respeitavam a família Hale. Charles era os mais novos dos sete príncipes e tinha apenas doze anos de idade quando ele e Talia se casaram e começaram a governar Reino do Norte. A morte do avô fez com que eles assumissem, e como os outros netos cuidavam dos demais principados, coube as duas crianças governar.

O povo não foi contra, um conjunto de conselheiros foi escolhido para auxiliá-los e foi então formado o governo do Reino do Norte. A bandeira de três espirais havia sido erguida na cidade e continuava até hoje a rodando, mesmo que as do castelo no alto da colina parecessem tão desgastadas e velhas. A historia contava sobre absolutamente tudo, o narrador era um dos escritores reais, cujos textos eram escritos com algumas notas adicionais dos próprios Tália e Charles, como ia a escrita redonda e charmosa dela e a letra deitada e fina de dele.

Em algumas páginas, iam retratos desenhados dos dois Reis jovens. Iam retratos da casa e dos jantares. Stiles só terminou de ler na hora do jantar. E estava quase no fim do livro quando Chris entrou em seu quarto. Stiles endireitou-se e seu pai se aproximou, tomando o livro de sua mão e sorriu, colocando-o na mesa ao lado.

– Jantar, Heather...

– Sim, papai... – disse sorrindo e indo em direção à sala.

Chris ficou um pouco no quarto, observando o titulo dos livros. Seus olhos tornaram-se obscuro quando ele encontrou a pagina dos ciclos com os lobos. Chris olhou para aquilo, com as mãos tremendo e os olhos abertos em surpresa. Ele começou a vasculhar os papéis, encontrando varias anotações sobre bruxas, animais, transmorfismo e magia.

Seus olhos se voltaram para os desenhos de Stiles e o nome sobre o mostro sem forma, somente de olhos vermelhos e uma mancha negra de rabiscos dizia: sourwolf. Seus olhos se tornaram duros e raivosos.