Disclaimeravisolegal1: Os personagens da história não me pertencem, eu não lucro nada com essa longfic. Somente me divirto com os reviews que recebo.
Disclaimer aviso legal 2: Estou repostando esse capítulo, junto a o que era, antes, outra história, por considerar que o capítulo postado agora "O anjo sem fé", tem uma ligação com o capítulo anterior "Após a retirada". Espero que gostem!
Disclaimer aviso legal 3: Importante: há, neste segundo capítulo, alguns spoilers da 6ª temporada, para melhor contextualizar as sensações e os pensamentos de Castiel. Apenas modificarei algumas coisas na fic.
Disclaimer aviso legal 4: Longfic slash/lemon, ou seja, relação homossexual. Se não gostar é só fechar a página.
Título: Castiel, the angel of lord.
Autora: Vanessa W. Mutuca
Beta: CassBoy (o beta dos betas!)
Classificação: NC-17. Cenas de violência, de tortura e de sexo.
Sinopse: Desde o resgate de Dean até o momento no qual não se veem mais, Castiel continua sendo leal a Deus. Algo, porém, o faz se perguntar se tudo isso é válido, se não é melhor ir ter com seu protegido.
PS: Mostra o resgate de Dean e alguns fatos da 6ª Temporada (spoiler's).
(... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...).
Capítulo 2 – O anjo sem fé
Pouco mais de dez meses se passaram desde a misteriosa e inexplicável visita de Castiel a Dean, indo até a residência da jovem Lisa para falar ao caçador algo que nem mesmo sabia como começar e, de maneira mais confusa ainda, sequer sabia o que era exatamente. E, ao verificar quão desesperado o loiro se sentia por saber que Sam continuava preso em uma jaula, o ser alado decidiu agir para retirar o mais novo dos Winchester's do lúgubre local, ao mesmo tempo em que se atinha a duas tarefas relevantes e exaustivas: resistir às propostas tentadoras de Crowley para vencer a guerra no céu e, também, encontrar forças suficientes para combater a tirania do arcanjo Raphael.
Mas, ainda assim, com todos esses problemas a perturbá-lo, conseguiu parte de seu objetivo inicial: resgatou o jovem caçador do abismo de fogo e de sangue, tirando-o da perdição, poucas semanas após ter dialogado com o primogênito de John Winchester na moradia de Lisa.
Porém nem tudo foi como planejara. No esforço supremo de não trazer nem Lúcifer e nem Michael à superfície terrena – o que significaria o inevitável apocalipse –, o moreno de olhos azuis acabou por cometer uma falha imprudente, a qual nenhum humano – como Bobby, por exemplo – descobriria o que ocorrera de errado, embora pudesse vir a estranhar o comportamento de Sam. E foi essa situação incômoda, e um tanto frustrante, que trouxe o anjo ao planeta dos homens novamente.
Foi em uma noite de ventos fortes e de uma chuva torrencial, por volta das quatro horas da manhã, que Castiel retornou ao globo chamado Terra, ciente de que devia relatar tais fatos a Dean o mais breve possível, antes que um demônio o fizesse.
A madrugada – em uma cidade próxima ao local em que a família de Lisa residia – se mostrava triste, chuvosa, fria. Nada aplacaria a dor no peito do corajoso ser celestial, embora ele tivesse a consciência de que, por se tratar de um servo de Deus, talvez não devesse senti-la tão intensamente assim.
– De que me adianta, porém, servir-Lhe, se não consigo fazê-los parar? – balbuciava, enquanto se esforçava para conter o choro, tamanho era o abatimento e a frustração, após um longo combate que o deixara exausto. – Meus irmãos disputam o poder do Paraíso de maneira incontrolável... Apóiam-se em Raphael e em sua mentalidade destrutiva para me caçar, como se eu fosse um inimigo a ser derrotado... Exatamente do jeito que Lúcifer me dissera que ocorreria... – pausou a fala, de maneira melancólica, deixando os pingos de chuva enxarcarem o fiel sobretudo de seu receptáculo e olhou para o céu carregado e para a torrente de raios, em busca de uma resposta qualquer, do auxílio tão aguardado. – E se o Senhor acreditou, ao me ressuscitar, que eu conteria a guerra que ocorre no Céu, se enganou redondamente... Eu sei agora... Não sou capaz de ajudá-los, até porque nenhum deles me escuta... Minhas tentativas são infrutíferas – admitiu, o tom carregado de desânimo, enquanto pensava em aceitar as propostas e os argumentos expostos por Crowley dias antes.
Então Castiel decidiu que era melhor retornar à cidade onde Dean se encontrava, já que não obteria nenhuma resposta divina, como de hábito. Dessa forma poderia verificar se seu amigo estava bem, pois não o via há pouco menos de um ano, devido, principalmente, ao constrangimento que sentia por ter tentado trazer Sam de volta e não tê-lo feito como gostaria.
Percebeu, logo ao chegar lá, no dia seguinte, que o Winchester continuava a se sentir feliz ao lado de Lisa e de Ben, o que o alegrou e o confortou um pouco. Mas o moreno pensou, por um breve momento, que o rapaz mal sabia do irmão... Sequer tinha conhecimento de que Sam regressara do horrendo buraco. Ninguém – nem mesmo Bobby –, contou ao primogênito de John Winchester que o mais novo voltara... E isso doía tanto nele, que, por sua vez, não seria capaz de enganá-lo, por mais que talvez houvesse motivos plausíveis, por mais que tivesse falhado no resgate.
Imbuído da missão de não ocultar-lhe a verdade, optou por permanecer no local em vigília até o dia seguinte, para, desse modo, obter a certeza necessária de que não seria achado ali, tanto pelos inimigos quanto por Crowley, que insistia em persegui-lo onde quer que fosse.
Aproveitaria o tempo livre para imaginar como relatar ao amigo todo esforço que fizera com o objetivo claro de auxiliar Sam, temendo que o loiro o desaprovasse. Quando, enfim, tomou a firme decisão de que o procuraria para lhe transmitir a relevante notícia, Um fato mudou os seus planos.
Fazia algumas horas que Castiel não se atinha a observá-lo mais. Sabia que, quando estava em casa, Dean costumava se mostrar atento a tudo ao redor, em um instinto de bom caçador que fora. Por isso o anjo se afastou ao cair da tarde em que lhe relataria o que precisava – para que a família do humano que tanto amava, e para que principalmente seu protegido – não corressem perigo, pois uma ameaçadora energia rondava o ambiente que circulava.
O moreno resolveu, então, esperar que a madrugada viesse e se dirigiu a um bar da cidade após horas infindáveis, nas quais mirou as estrelas sem obter qualquer orientação do Pai.
A sensação de derrota era forte o bastante para ser ignorada ou simplesmente jogada para qualquer canto do receptáculo que se habituara a usar. Agir como se nada tivesse acontecido estava fora de questão. E a frustração só aumentava ao se lembrar quão difícil tinha sido retirar Sam do abismo flamejante... E, para piorar, o que fizera, com boas intenções, poderia ser imperdoável para quem tanto amava.
O anjo sentou em uma cadeira, próximo ao balcão, e pediu à atendente uma garrafa de cerveja. A bebida lhe foi trazida com rapidez. E com maior agilidade ainda ele sorveu o gélido líquido em apenas dois grandes goles. Solicitou, em seguida, outra bebida, o que a levou a encará-lo, incrédula.
– Ei, quero mais uma, por favor... Será que você não me ouviu antes? – disse, o tom impaciente, como se cuspice as palavras. O moreno teve um sobressalto ao perceber que, diferentemente de outras ocasiões, quando a serenidade se tornava algo marcante em sua personalidade, foi um tanto agressivo.
Quando Castiel, entretanto, quis retomar o diálogo com ela a fim de se desculpar, infelizmente não a viu mais por perto e se xingou por ter sido tão estúpido.
O ser celeste notou, então, a demora da atendente. Decidiu, porém, esperar. E para sua surpresa total, quem veio lhe trazer a bebida não era a garota, mas sim alguém muito conhecido: Dean. Levantou-se em um sobressalto, sem saber direito o que falar ou como agir, pois não imaginava encontrá-lo ali.
– Eu sei, Cas... Esse mundão de Deus é pequeno o bastante, não é? – comentou. Entregou-lhe a garrafa e perguntou: – O que faz aqui?
– Não fale de... De meu Pai... Ao menos por hoje, por favor... É só o que eu peço – o loiro o olhou com atenção e surpresa, ao sentir tamanha mágoa naquela voz tão rouca e grave.
– Por que, o que diabos aconteceu? – o moreno baixou o olhar; não conseguia encará-lo por muito tempo. E sentiu, atônito, que seu amigo não quebrava o contato visual.
– Estou sem fé, Dean. Pensei que as coisas seriam diferentes, mas vejo que fracassei – respondeu por fim. Suspirou profundamente e deu um longo gole na cerveja. O anjo desejava que o líquido amargo aliviasse seu desespero; não pretendia chorar ali. – Não cumpri com o que Deus queria e isso é demais para suportar... Não há por que, então, eu não me afogar em bebidas e em qualquer porcaria que vier – o menor notou que o Winchester o observava, visivelmente incrédulo. E ele podia jurar que havia uma ponta de preocupação nos verdes olhos do homem à sua frente.
– Eu tenho mais duas horas de trabalho – iniciou, como se a vontade de sair correndo do lugar o consumisse por inteiro. – Depois vamos procurar um motel para nos hospedar e conversaremos com calma, ok? Fique aqui, ta bem? Nada de sumir dessa vez, como fez lá na casa da Lisa... Entendeu? – o moreno fez um gesto positivo com a mão.
– Desculpe por incomodá-lo... Não sabia que tinha um emprego à noite também – o ser celeste mantinha os olhos baixos enquanto falava. A vergonha de não ter trazido Sam inteiro o fazia se sentir ainda mais derrotado.
– É. Três vezes por semana eu atendo por aqui. Humanos têm que se desdobrar pra ganhar a vida – comentou, com um sorriso nos lábios. – Não saia dessa cadeira por nada nesse mundo... Nem mesmo se o apocalipse voltar, ok? – brincou, um sorriso divertido nos lábios. Virou-se de costas para o anjo e prosseguiu com as recomendações: – Ah! E nada de beber mais, certo? – sem alternativas, o moreno dos olhos azuis concordou, com um aceno de cabeça.
O tempo passava devagar. Porém, como prometido, Castiel esperou, sempre sentado. Faltava somente meia hora para que o Winchester mais velho saísse do trabalho.
Mas o ser alado, outrora tão correto e inocente, ssentia um desejo enorme de se embriagar, de se deixar conduzir por sensações terrenas, de aceitar às propostas incessantes de Crowley... Já não acreditava mais em nada, porque não lhe era permitido estar com seu protegido do modo que objetivava e que, seja por obediência a Deus ou por inexperiência nos assuntos sentimentais, negara por diversas vezes... Resolveu, entretanto, atender ao pedido dele, que não queria que o menor bebesse uma gota amais de álcool.
Castiel estava distraído com o movimento no bar, quando vislumbrou uma densa sombra. Notou, após examiná-la cuidadosamente, que se tratavam de asas. Deduziu, então, que vieram atrás de si, para tentar fazer com que se submetece às ordens de Raphael. Apressado, se dirijiu à rua sem que Dean percebesse.
– Ora ora! Voltou para o ponto de partida, é, soldadinho do Papai?
– O que quer Haniel? – procurou manter o tom firme, pois a conversa seria tensa. – Apenas desdenhar?
– Hum... Vejo que se torna valente quando está próximo ao rapaz – debochou, em um sorriso malicioso. – Mas não. Você sabe bem o que vim buscar...
– A maldita adaga e a minha obediência irrestrita – completou, dando um passo à frente.
Retirou-a, em um movimento vagaroso, de dentro da camisa que estava por baixo do sobretudo bege.
– Exatamente! Esperto você, hein? Resolveu pegar uma das armas mais importantes do Céu e achava mesmo que passaria sem punição?
– Eu realmente não estou muito interessado nas punições futuras... Apenas faço o possível para garantir a segurança dos homens, coisa que Raphael jamais se preocupará – após uma curta pausa, retomou a fala: – Mas se a quer tanto, venha pegá-la!
– É, vejo que terei de dar uma lição em você, infelizmente... – o moreno partiu, então, com toda fúria, para uma violenta luta contra seu oponente.
Assustados, os freqüentadores do bar saíam em disparada. Dean, por sua vez, foi à rua para verificar o que havia, e se deparou com seu amigo anjo a duelar ferozmente. O loiro foi seguido pelo chefe dele, que não entendia o que ocorria ali.
– Acredite, é melhor o senhor Ficar longe disso, ok? – ainda que não tivesse compreendido tal comentário, o homem se afastou, acompanhado pelos funcionários.
Embora a sangrenta batalha tendesse para o lado do menor, ele sabia que o Winchester mais velho faria algo para o auxiliar. Observou-o, então, se cortar com uma faca. Em seguida, o caçador fez um símbolo atrás de Haniel, que desapareceu no ar.
Quanto ao ser celestial, caiu exaurido, devido à intensidade da luta. Aflito, o maior correu até ele, se abaixou, passou os braços pelo seu corpo e disse:
– Ei, eu me lembro como se faz o símbolo, isso significa que prestei a atenção na aula – Castiel sorriu com esforço ao tê-lo tão junto de si, os olhos azuis brilharam por alguns instantes. A dor no peito, porém, era violenta e o corte também era enorme. – Você não consegue se curar?
– Não ainda. Como minhas energias foram despendidas no combate, preciso de ajuda, por favor – explicou. O tom dele era baixo, quase suplicante, além do contato visual entre os dois, que deixava o anjo nervoso o suficiente.
– Ta bem, Cas, vamos nessa! – ignorando os dez minutos restantes de trabalho que teria, Dean correu com o menor em seus braços, sem se dar ao luxo de parar com a finalidade de tomar fôlego.
Chegou à garagem da casa de Lisa – onde o Impala estava estacionado desde que parara de caçar –, deitou-o no banco de trás do carro, buscou no porta-malas – sempre às pressas –, uma toalha para estancar o sangue do receptáculo dele: Jimmy Novak; depois de pô-la sobre o ferimento e de lhe pedir que a segurasse, entrou e passou a guiar o veículo. Após um tempo, comentou, em um tom tranqüilizador:
– Fique firme. Logo estaremos em um motel... De preferência o primeiro que eu avistar. Assim poderemos conversar melhor.
– Desculpe por tudo, Dean. Eu não queria que você... – interrompeu-se para tossir e continuou: –... Passasse por isso.
– Ta tudo bem, Cas, talvez você e eu possamos formar uma boa dupla.
– Como assim? – o anjo não compreendeu bem o que lhe era dito. O caçador, por outro lado, o olhou e riu.
– Só acho que podemos ser bons caçadores e que talvez as coisas mudem. Estou feliz com Lisa e com Ben, mas sinto falta da minha antiga vida, por mais louco que isso possa soar. Entende? – o moreno assentiu silenciosamente, respeitando as sensações de quem tanto admirava.
Minutos mais tarde, o Winchester mais velho estacionou o Chevy Impala próximo a um motel qualquer e lhe pediu que permanecesse deitado. Saiu, em seguida, para reservar o quarto e para pagar a diária, porque sabia que o amigo precisava de descanso. Voltou rápido, abriu a porta do carro, carregou-o ao confortável cômodo – 448 – que lhes destinaram e o deitou em uma das camas. Dirigiu-se até a porta do quarto e a trancou; Castiel acreditava que, com essa atitude, o loiro não queria ser incomodado. Depois, se aproximou do ser alado e falou:
– Ta legal, vamos ver esse corte, ok? – tocou no ferimento com cautela. E pegou, na mochila que sempre levava consigo, utensílios para fazer um curativo.
Assim que o machucado foi fechado, o caçador sentou na outra cama – que ficava ao lado da do moreno –, e passou a observá-lo minuciosamente. Era como se fizesse uma profunda análise de cada pedaço do corpo dele, o que trazia sensações nunca antes experimentadas pelo menor. Embora se esforçasse, o anjo não conseguia conter a emoção de tê-lo tão perto de si. Lágrimas caíam de seus olhos azuis, pois achava que não poderia ter seu amado como gostaria.
– O que foi, não está bem, Cas? – aproximou-se dele e tocou em seus cabelos escuros. De início, o menor estranhou a atitude do caçador; Dean nunca esteve tão calmo e carinhoso assim.
– Hum... Sim, claro. Ta tudo em ordem, não se preocupe – respondeu, em uma tentativa de manter o foco.
– Então por que está chorando? E por que me disse, lá no bar, que não tem mais fé... Que história é essa... Logo você?
– É verdade – o encarou sem qualquer expressão no olhar, bem como costumava fazer logo que se conheceram. – Fracassei na missão de controlar as coisas no Céu, por isso eu resolvi parar pra beber um pouco. Só que não contava que...
– Que eu fosse tão trabalhador a ponto de conseguir emprego em um local desses à noite, não é? – o tom do loiro soava brincalhão.
–... Não contava que encontraria você por ali – admitiu, nervoso por tê-lo tão próximo de si.
– Ta tudo tão difícil assim, é? Por isso não ficou um pouco mais, quando foi me visitar na casa da Lisa meses atrás?
– É, eles estavam por perto, não seria justo colocar as vidas de vocês em perigo dessa forma irresponsável.
– Obrigado, Cas – sussurrou, tanto que, pelo fato de que o anjo estava de olhos fechados no momento, teve a nítida impressão de que ele estava a centímetros de distância.
– De nada, Dean... – o moreno abriu os olhos e se surpreendeu... O rapaz realmente estava a milímetros dele, o encarando de um modo diferente do costumeiro. – Mas pelo que você me agradece? – perguntou, confuso.
– Por ter voltado e por ter protegido Ben e Lisa, eles são tão importantes para mim... Valeu mesmo... E principalmente por ter retornado, nem que seja um pouquinho só – seus verdes olhos o miravam perigosamente.
– Não entendo... Aonde quer chegar, De...Dean...? – o anjjo não terminou de completar a questão, porque a boca do caçador o tomou em um beijo urgente.
Por mais assustado que estivesse, Castiel procurava corresponder à altura; porque, afinal de contas, sempre quisera estar com o humano desse modo. Em um movimento ágil, o caçador se deitou ao lado dele e comentou:
– Vai ficar tudo bem, Cas, confie em mim. Vamos pegar a estrada; você me conta tudo que os anjos têm planejado e nós podemos impedi-los.
– Mas... E quanto a sua vida? E quanto a... Nós... As coisas não irão se complicar? – tentou não parecer ridículo, ainda que achasse que soaria desse jeito, ao perguntar sobre o relacionamento entre os dois.
– Quer saber como tudo ficará após o nosso primeiro beijo, não é? – indicou-lhe que sim, em um gesto positivo com a cabeça. – Hum... Vai ficar assim... – carinhosamente, Dean selou os lábios de seu protetor em outro quente beijo, embora fosse mais longo e calmo do que o anterior. – Eu não vou cometer os mesmos erros, Cas, não mesmo – iniciou, interrompendo o contato. – Já esperei muito para estar assim com você, então não vou deixar nada nem ninguém levar você embora de novo – ao notar o olhar interrogativo do moreno, lhe explicou: – Lisa e eu somos amigos. Não a nada de muito íntimo entre a gente. Nós criamos Ben juntos, mas ela sabe que sou um caçador, e que minha vida é na estrada. Inclusive sabe quem é você, e tem conhecimento de tudo que eu sinto... É. A garota sabe que gosto de você, que sempre gostei...
– De-Dean... Eu... – o menor não conseguia articular uma frase sequer. Jamais imaginaria que o rapaz pudesse sentir algo semelhante ao que sempre sentira por ele.
– Está surpreso, não é? Pois eu também. Há muito que lido com isso sozinho, só que não dá mais, Cas, é visível o bastante, e eu não acho certo com você e nem comigo. Se esses anjos querem pegar você, que arranjem outra distração, porque eu não vou permitir.
– Obrigado – foi a única palavra que se sentiu capaz de lhe dizer. – Foram inúmeras batalhas, passei por dias de luta sem cessar... E pensava, a cada hora, minuto, segundo, em descer para ver se você estava bem, se precisava de ajuda, se queria companhia... Quando observei você junto a Lisa e ao menino, e notei que se sentia feliz, não quis atrapalhar esse momento e pô-los em risco, por isso fui embora.
– Não se atreva a sumir novamente, ok? – o maior o abraçou forte e comentou: – Já esperei tanto para estar assim com você...
– Eu também, Dean – retribuíu o abraço, mesmo que um tanto tímido. – Mas se vamos pegar a estrada, deve saber de uma notícia importante.
– Qual, o que aconteceu? – os olhos dele brilharam em expectativa.
– Sam escapou – surpreso, encarou o ser celestial com um olhar incrédulo.
– Como... Não creio que... Mas quem o tirou de lá, foi você? E por que diabos ele não me procurou até agora?
– Infelizmente não fui eu. Não tenho idéia de quem o tenha retirado de lá – A vergonha pelo insucesso era tamanha, que o ser alado não considerava prudente lhe contar toda a verdade. – E o porquê de ele não ter procurado você... Disso eu não sei também, Dean, me desculpe.
– Ta tudo bem, Cas, não precisa se desculpar, eu acredito. Como você soube disso?
– Visitei Bobby; foi ele quem me contou. Mas como Sam pediu segredo a ele, nada foi dito a você, o que não concordei.
– Por isso decidiu me pôr a par do assunto? – perguntou, com um ar triste.
– Sim. Eu não acho certo esconder as coisas de você, ao menos não isso. Claro... Eu sei que não apareci como devia, que não expliquei por que eu fugia, mas é que...
– A sua situação é bem delicada, não tem a ver com o fato de que eles não me disseram coisa alguma. E, além do mais, você veio até a cidade para me contar sobre Sammy, não é? – o moreno afirmou que sim, em um gesto com a mão. – Então isso prova o quão você se importa com o fato de que ainda acredito que tenho uma família.
– É porque nós não somos muito diferentes, Dean. Eu acho que não tenho mais a mesma fé de antes, só que quando vejo você, ela cresce, e tantos outros sentimentos que não entendo...
– Posso ajudar você a entendê-los em um instante, o que me diz? – Castiel ficou vermelho de vergonha com a observação feita pelo loiro, que em resposta lhe deu um beijo na testa. – Relaxe, ok, nós temos tempo.
– Ta, então vamos pegar a estrada – concluíu, com um sorriso de prazer nos lábios.
– Ótimo! Vamos dormir um pouquinho, mesmo que eu saiba que você não costuma pegar no sono, descanse, ta? Até porque, você se desgastou no duelo com aquele anjo lá... – comentou, enquanto o abraçava forte. – Amanhã bem cedo vamos à casa da Lisa; vou explicar a ela que preciso sair com você. E, no caminho, quero que me diga o que esses malditos anjos pretendem ao atacar você assim, ok?
– Certo, obrigado por tudo. Eu jamais pensei que fosse me aceitar assim, porque sou tão inexpressivo...
– Shhhh, não fale dessa forma. Gosto de você desse jeitinho mesmo – e, ao puxá-lo para mais perto, Castiel se rendeu ao calor do corpo dele.
Devido à exaustão sentida, o moreno dos olhos azuis logo entrou em meditação. Mas não lhe era possível tirar os olhos do belo rapaz ao seu lado. Observava-o dormir, cuidando para que não tivesse pesadelos, bem como fizera por inúmeras vezes, depois de resgatá-lo do inferno. Por fim, o menor suspirou aliviado por sentir e por saber que, mesmo depois de lhe contar parte do que pretendia, os dois estavam juntos.
– É... Dessa maneira as coisas começam a fazer sentido para mim – refletiu, seguro de si. – Não importa o que vai me acontecer, com Dean ao meu lado eu sou mais forte, porque tenho a ele para proteger, e para ser protegido – concluiu, fechando os olhos para retomar a meditação, que duraria até o momento em que o primeiro raio de sol surgisse lá fora.
(... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...).
Nota da autora: E então, povo que leu a história, gostaram? Esses tinham sido dois capítulos separados e bem menores. Eu decidi, então, juntá-los e fazer uma fic só, que terá mais capítulos no desenrolar da história, claro. Embora a continuação seja com capítulos menores, obviamente. Comentem, me digam o que acham, ok? A opinião de vocês é bem-vinda!
