Quem Você Ama?

Capítulo 02 – Uma Resposta.

Com passos rápidos, Aoi saiu do restaurante, caminhando apressadamente pela rua. Estava se sentindo perdido, completamente envolto em pensamentos caóticos. Queria sumir dali... Desaparecer daquele mundo, porque tinha certeza que não teria mais volta... Que seu relacionamento com Uruha nunca mais seria o mesmo.

"Eu estraguei tudo!", Aquela frase se repetia em sua mente sem que conseguisse evitar, remoendo-se a cada segundo, se achando o cara mais idiota do planeta.

"_ ESPERA!!!", Takashima gritou, seu tom de voz mostrando desespero...

Aoi ouviu o chamado de Uruha, já na rua, porém não parou, ignorando-o completamente, pois não estava em condições de continuar aquela conversa... De olhá-lo nos olhos e perceber que ele o rejeitaria. Sentiu o vento tocar seu rosto, vendo os carros passando, até perceber que um táxi vinha e sem pensar duas vezes, ergueu o braço, dando sinal para que o veículo parasse.

"_ Boa tarde, senhor!", Cumprimentou o taxista, quando o moreno entrou e se sentou.

"_ Boa tarde...", Sussurrou, sentindo o peito apertar.

"_ Para onde?", Indagou o homem de cabelos já grisalhos.

"_ Apenas siga em frente...", Disse, olhando uma última vez para a porta do restaurante, vendo Uruha de relance quando o veículo deu a partida.

O vento se chocava contra seus cabelos negros, enquanto Aoi olhava pela janela, apesar de nada ver do lado de fora, sua mente distante demais para captar as nuances ao seu redor. Precisava ficar sozinho e pensar em tudo o que havia acontecido. Talvez houvesse um modo de corrigir seu erro e assim impedir que Uruha se afastasse, porque sabia... Não conseguiria viver em paz tendo o loiro a ignorá-lo.

"Só espero conseguir...", Fechou os olhos, suspirando profundamente.

OOO

No toalete do restaurante, Ruki observava um cliente sair e mais uma vez ele e Reita estavam sozinhos naquele lugar. Sentiu as mãos do baixista em seus ombros, massageando o local e suspirou, tentando se acalmar, mas não estava conseguindo... O movimento incessante de sua perna mostrava claramente que estava mais do que agitado. Se ao menos pudesse se distrair com algo...

"_ Calma, chibi...", Sussurrou Reita, olhando a câmera próxima a entrada. Se não fosse por ela, conseguiria acalmá-lo e distraí-lo sem problemas.

"_ Não dá mais!", Ruki disse, revoltado, se dirigindo à porta, abrindo-a e saindo rapidamente do local. Estava cansado de ficar ali.

Reita seguiu o pequeno vocalista, rindo de sua personalidade inconstante. No fundo estava satisfeito por finalmente saírem de lá, afinal, estava com fome... E a comida já devia estar fria. Havia comido tão pouco... Olhou o relógio, vendo que as horas passaram rápido e o tempo que tinham para almoçar já terminava.

Olharam para a mesa onde estavam almoçando, vendo que Aoi não estava lá, coisa que intrigou Reita e Ruki. Perceberam que Uruha parecia discutir com o garçom e isso os preocupou mais ainda e sem demora, encaminharam-se rapidamente ao local, parando ao lado do loiro que estava vermelho... Provavelmente de raiva.

"_ O que aconteceu?", Reita indagou, preocupado, vendo o olhar furioso de Uruha.

"_ Ele me atrapalhou e agora o Aoi foi embora. Que ódio!", O loiro disse, bufando de raiva, sentando-se malcriadamente na cadeira, apoiando os cotovelos na mesa, massageando as têmporas de olhos fechados, tentando se acalmar e não voar no pescoço do maldito garçom com cara de sonso.

Ruki olhou surpreso para Uruha, vendo que o loiro estava mesmo irritado. Aproximando-se, tocou-lhe os ombros, fazendo uma massagem suave, tentando assim acalmá-lo enquanto Reita pedia desculpas ao garçom e pagava a conta, dando uma gorjeta considerável ao mesmo, afinal... Haviam desperdiçado comida também. Assim que o funcionário se afastou, o baixista voltou seu olhar para o guitarrista, percebendo como ele estava alarmado e isso o preocupava, porém não podia simplesmente exigir explicações.

"_ Uruha..." Takanori chamou baixinho, agora apenas fitando-o, mas percebeu que o loiro não parecia ter ouvido.

"Meu deus! O Aoi me ama.", Kouyou estava realmente se dando conta daquela verdade. Havia percebido tão facilmente o amor de Ruki por Reita, no entanto, com Aoi...

Um reboliço de emoções e sensações aflorava no peito de Uruha. Ao mesmo tempo em que estava feliz por saber aquilo, se sentia confuso e temeroso... Porque apesar do moreno não exigir uma resposta de sua parte, se sentia na obrigação de dá-la. Mas... O que realmente sentia pelo amigo? Gostava de ficar ao lado dele, de conversar e brincar, ficava encantado toda vez que via um sorriso sensual bailando naqueles lábios carnudos, e não podia deixar de notar quando Yuu mordia ao lado do piercing. Aquilo era tão sexy que...

"_ Uru?", O pequeno chamou mais uma vez.

"Espera um pouco. Eu acho o Aoi sexy e...", O loiro mordeu o lábio inferior.

"_ Ele alienou...", Ruki disse a Reita, vendo que Uruha não respondia.

"_ Tá na cara o que aconteceu.", O baixista falou amargamente, percebendo que Aoi se declarou para Uruha e sumiu. Passou a mão nos cabelos, ainda não acreditando naquilo... Aqueles dois eram pessoas verdadeiramente estúpidas! Kouyou por não notar o óbvio e Yuu... Pelo mesmo motivo!

"_ Será que...?", Uruha começou a pensar em todos os seus momentos com Aoi e agora ele admitia que... Sentia ciúmes do moreno. Recordou-se de como era gostoso estar ao lado dele, sentir seus toques casuais... Era tão bom quando ele o abraçava!

"_ Eles realmente se amam.", Reita sussurrou, olhando Uruha.

"_ Sim.", Ruki confirmou, levando mais uma vez sua mão ao ombro do loiro.

"Mas será que este gostar que eu sinto por ele é o mesmo que o Aoi sente por mim? Não posso simplesmente falar com ele sem saber o que eu sinto...", Takashima falava consigo mesmo em pensamento, nem sequer notando o toque de Matsumoto.

"_ Ei, Uruha. Acorda!!!", Falou o baixinho, irritado, balançando-o com força.

"_ Ai, Ruki! O que foi, droga?", Respondeu, já se estressando por ter sua linha de raciocínio interrompida.

"_ Desculpe, mas nós temos que voltar pro estúdio.", Explicou Takanori.

"_ Que coisa... Não se pode nem mais pensar em paz.", Resmungou Kouyou, começando a caminhar em direção à saída do restaurante.

Ruki se estressou com o jeito de Uruha falar, apesar de compreendê-lo, mas relaxou ao sentir os dedos de Reita entrelaçarem nos seus discretamente, enquanto saíam do restaurante agora quase vazio. Acabou sorrindo, chegando então à calçada, vendo o loiro parado com os braços cruzados e feição emburrada, esperando-os para que fossem embora de táxi, uma vez que Kai foi encontrar Miyavi.

"_ Uru é realmente lento...", Comentou o chibi, balançando a cabeça negativamente.

"_ Ele apenas tem medo de perder a amizade que tem com Aoi se der um passo a frente.", Akira disse em tom baixo. Antes de se declarar para Takanori, ele tinha esse mesmo temor e sabia... O pequeno sentia a mesma coisa.

Rapidamente Reita deu sinal para um táxi e os três entraram. Uruha ficou em silêncio por todo o caminho até a PS Company e assim que chegaram, subiram sem demora para o estúdio, já sabendo que Kai deveria estar lá, uma vez que o baterista era sempre o primeiro a chegar, tal fato sendo um costume que Yutaka não gostava de perder. Entraram na sala, vendo o moreno sentado confortavelmente no sofá de couro preto.

"_ Como sempre o primeiro... Não é, Kai?", Reita sorriu de forma provocativa.

"_ Pois é, Reita...", Yutaka sorriu, se lembrando de como foi difícil convencer o namorado de que tinha que chegar cedo ao estúdio, mas só conseguiu depois de usar táticas especiais conhecidas apenas por ele.

O baterista então fitou o guitarrista, vendo que ele foi ao fundo da sala, pegando sua guitarra, retirando-a do estojo. Ergueu uma sobrancelha ao ver a feição do mesmo, que parecia abatido... Frustrado. E isso o intrigou, fazendo-o voltar seus orbes para o baixista e o vocalista, inquirindo-os silenciosamente com o olhar.

"_ Eu vou ao banheiro.", Uruha disse repentinamente, saindo da sala, batendo a porta.

"_ O que aconteceu?", Kai perguntou, se levantando do sofá, preocupado.

"_ Pelo visto Aoi se declarou...", Reita falou resumidamente.

"_ ... E aquele lento do Uruha ainda não notou o que sente.", Completou Ruki.

"_ Por Buda...", Kai revirou os olhos... Aquilo já estava virando uma novela.

Uruha caminhou apressadamente pelos corredores da produtora, dirigindo-se ao banheiro naquele mesmo andar. Abriu a porta e entrou, indo direto ao lavatório, abrindo a torneira, recolhendo um pouco de água com as mãos juntas em concha, jogando sobre o rosto. As gotas cristalinas escorriam por seu pescoço, molhando sua blusa roxo claro, enquanto ele fitava a própria imagem no espelho.

"_ A pessoa que eu amo... É... Droga, é você!!!"

A declaração de Aoi reverberava em sua mente com todas as letras sem que pudesse evitar e um pequeno sorriso se desenhou em seus lábios, degustando a realidade de ser amado, se dando conta de que estava gostando disso, afinal, desta forma não teria que dividi-lo com ninguém e... Sua feição se amainou, o sorriso sumiu, dando lugar a uma expressão séria, porém serena. Aquela linha de raciocínio o fez perceber que gostava de Aoi mais do que se gosta de um amigo. Será que o que sentia era paixão?

"Não, não pode ser...", Mordeu o lábio inferior, mirando a própria imagem.

Não podia ser paixão, porque se o fosse, estaria simplesmente louco por ele, perdido naquele fogo que pessoas apaixonadas possuem, mas também não era mera atração. Aoi era lindo, sexy e maravilhoso, mas... Não gostava dele apenas por seu físico e sim por ser quem é, por sua personalidade, mesmo quando o moreno brincava com ele, tirando sarro e o irritando, dizendo que é lento.

"Mas eu sou mesmo! Deus, como eu não percebi? Todo mundo notou, mas eu não!", Uruha quis se bater. Havia notado como Reita olhava diferente para Ruki, em como o pequeno fitava o baixista de modo mais longo, bem como suspeitou do modo como Miyavi agia perto de Kai, mas quando se tratava dele mesmo... Era uma lástima total!

"_ Como... Como eu vou falar com o Yuu?", Se questionou, apoiando as mãos na bancada da pia, abaixando a cabeça, deixando um longo suspiro escapar. Quando será que veria o moreno de novo? Afinal... Talvez ele nem voltasse para o ensaio da tarde.

OOO

A paisagem mudava de acordo com o movimento do táxi, mas ainda assim, Aoi não via realmente o que passava diante de seus olhos, sua mente presa na questão que envolvia Uruha. Olhou então as horas, vendo que o horário de almoço já havia acabado, sabendo que teria que ir ensaiar, afinal estavam para lançar um novo single e precisavam se afinar ainda, então era preciso ser profissional e fazer as coisas conforme eram esperadas dele.

"_ Por favor, retorne à PS Company.", Disse Shiroyama, falando o endereço ao taxista.

Não podia deixar os outros membros da banda na mão, embora achasse que do modo que se encontrava no momento não seria de grande ajuda, porém, devia no mínimo sua presença lá. Sabia que não conseguiria, mas tentaria deixar de lado seus problemas pessoais e se focar no trabalho... E apenas nele.

O motorista obedeceu, logo pegando a avenida que levaria ao prédio indicado. O trânsito estava um pouco lento, mas ele seguia de modo a evitar as pistas mais 'engarrafadas'. Aoi olhou mais uma vez para o relógio, vendo que estava atrasado, mas graças à eficiência do taxista, o veículo já estava parando em frente ao edifício da produtora. Pagou ao mesmo, agradecendo e parou por um instante, olhando a grande construção.

"_ É... Hora de enfrentar a realidade.", Aoi disse para ninguém em específico.

O guitarrista mais velho do the GazettE adentrou o prédio, se direcionando ao elevador, entrando e marcando o andar desejado, cumprimentando os rapazes do Kra gentilmente, sorrindo, porém evitou fitar Yuura, respondendo brevemente quando ele perguntou sobre Uruha, o ciúme remoendo por dentro ao se lembrar de como o mesmo ficou rondando seu loiro durante a Tour da PS Company. Logo chegou ao seu destino e saiu, despedindo-se da outra banda com um aceno amigável, caminhando pelo corredor e em poucos minutos estava em frente à sala destinada a eles. Tocou a maçaneta, mas parou por um instante, decidindo ir ao banheiro primeiro.

"É melhor eu lavar o rosto...", Pensou consigo mesmo. Isso ajudaria a esfriar a cabeça.

Rapidamente se dirigiu ao local, abrindo a porta do banheiro e entrando, estagnando no mesmo lugar ao ver, lá dentro em frente ao espelho, Uruha. Engoliu em seco, sentindo o chão sumir sob seus pés... Precisava mesmo encontrar o loiro logo agora? Pensou por um segundo em sair dali, no entanto, seu corpo não obedecia, mantendo-o no mesmo lugar, apenas apreciando as belas formas do loiro inclinado para frente, lavando o rosto e enxugando-o.

"_ É uma merda mesmo!", Uruha praguejou, respirando profundamente... E ouvir aquelas palavras alarmou Aoi.

"_ Desculpa...", Murmurou, vendo que realmente havia estragado tudo.

"_ Aoi?", Uruha se sobressaltou ao ver que o moreno estava ali.

Shiroyama abaixou a cabeça, se virando de costas, no intuito de sair do banheiro.

"_ Ei! Por que você está me evitando? Você disse que não ia se afastar.", O loiro disse ao ver o moreno já abrindo a porta.

"_ ...!", Aoi sabia que ele estava falando a verdade, mas não conseguia evitar...

"_ Não vai embora!", O tom de voz de Uruha saiu mais alto, seu coração disparado.

O moreno já estava com a porta aberta quando ouviu aquelas palavras do loiro... E o pedido lhe pareceu tão suplicante que era impossível negá-lo. Seus dedos deslizaram da maçaneta e logo aquele cômodo estava novamente fechado, sua mão caindo inerte ao lado do corpo, sabendo que não podia fugir... Que não seria justo para com Kouyou, que parecia extremamente confuso.

"_ Merda!", Murmurou o moreno, apoiando a mão livre na parede. Suspirou, tentando colocar suas idéias em ordem, a cabeça ainda baixa.

Uruha sentia o coração apertado, um quase desespero se apoderava de todo o seu ser apenas por pensar que Aoi estava se afastando dele e isso fazia com que uma dor aguda se instalasse em seu peito. Os segundos pareciam horas e ao vê-lo se virar e fitá-lo, ficou ligeiramente mais calmo, pois sabia que agora ele falaria consigo e isso já era um bom começo.

"_ Uruha, eu nunca desejei te ofender...", Aoi começou a se explicar, escolhendo as palavras que diria.

"_ Mas... Eu não me ofendi.", Uruha disse, aflito, percebendo que o moreno não ouvia.

Aoi começou a se aproximar, lentamente, porém isso fez com que esquecesse exatamente o que acabara de decidir que diria. Algo em seu cérebro dizia que ele deveria parar, no entanto, não mais conseguia fazê-lo, achegando-se a Uruha cada vez mais, parando apenas quando estava quase colado a ele.

"_ Você tem que entender, isso é muito difícil pra mim.", Falou seriamente.

"_ Eu...", Aquela proximidade fez o coração de Uruha falhar uma batida e disparar.

"_ Me dói olhar pra você... E saber que nunca terei o seu amor...", Murmurou, fitando aqueles olhos lindos e, por instinto, levou a mão direita à face esquerda do amado, acariciando levemente.

"_ Aoi...", Uruha sussurrou, sentindo sua respiração acelerar ante o toque suave.

"_ É difícil ver esses lábios e ter a certeza de que não os beijarei...", Sussurrou o moreno, deixando o indicador acariciar o lábio inferior do guitarrista mais novo.

"_ ...!", Uruha corou quando aqueles olhos cor de ébano se fixaram em sua boca e ao sentir o dedo dele deslizar sobre seu lábio, acabou entreabrindo-os, tentando inutilmente controlar o ritmo de sua respiração.

"_ Eu te amo tanto, Uruha.", Afirmou docemente, colocando a mão esquerda na cintura delgada, deixando os dedos da direita deslizar até a nuca do outro, entrelaçando-os nos fios loiro-acobreados.

"_ Yuu...", Sua voz saiu falha, porém suave, seu peito se aquecendo gostosamente, enquanto era envolvido por uma aura que era puramente Aoi, se perdendo na intensidade daquele olhar.

Aoi fixou seus orbes negros nos lábios carnudos do jovem que tanto amava e, temendo ser rejeitado, puxou-o para si, tomando aquela boca linda com a sua, percebendo o choque de Uruha perante o seu ato, mas continuou, sentindo seu corpo se eletrizar quando o loiro entreabriu os lábios, permitindo maior contato... E maravilhou-se ainda mais ao sentir aquelas mãos lhe tocando os ombros. Delicadamente guiou sua língua para dentro do rapaz apenas um pouco mais alto, porém de aparência muito mais delicada, serpenteando naquele interior quente calidamente, apreciando o doce prazer que aquilo lhe proporcionava... E ele não queria parar!

OOO

No estúdio, o trio já estava ficando preocupado. Aoi ainda não havia voltado e Uruha já estava no banheiro a tempo demais. Kai olhava para a porta a cada cinco segundos e sentados no sofá negro, Reita e Ruki permaneciam em silêncio, também em expectativa, apenas aguardando que um dos guitarristas voltasse logo.

"_ Vou ver como o Uruha está.", O baterista anunciou, se erguendo de seu lugar, recebendo acenos afirmativos dos outros dois.

Logo saiu da sala, caminhando rapidamente pelo corredor, alcançando o banheiro poucos minutos depois, abrindo a porta de forma silenciosa, percorrendo o local com os olhos, se surpreendendo levemente ao ver Aoi e Uruha se beijando, sem perceber o que acontecia ao redor. Sorrindo, Kai fechou a porta, retornando calmamente à sala onde ensaiavam, entrando sem cerimônia na mesma.

"_ O que aconteceu?", Ruki estranhou a felicidade do companheiro, ficando alerta.

"_ Que sorriso é esse?", Reita quis saber ao ver as covinhas nas bochechas de Kai.

"_ Vi uma bela cena no banheiro...", Yutaka falou, rindo.

"_ Fala logo, Kai!", Exigiu Ruki, se corroendo de curiosidade.

"_ Digamos que nossos amigos se entenderam.", Explicou somente isso e o casal compreendeu perfeitamente, Ruki soltando um 'yes', feliz pelos dois.

OOO

Uruha se sentia perdido... Perdido naquele beijo que Aoi lhe dava. Suas mãos agora estavam nos ombro dele, apertando de leve, suspirando e estremecendo ao sentir a língua do moreno dentro de sua boca, acariciando e explorando-o, aumentando a sensação gostosa que gritava em cada célula de seu ser, fazendo-o desejar que aquele ato continuasse para sempre, completamente alheio ao mundo ao seu redor.

"_ Hum...", Aoi gemeu dentro do beijo sem nem perceber.

O quanto desejou aquele ato? Yuu simplesmente não sabia responder. Apenas abraçou levemente a cintura esguia, sentindo seu desejo crescer cada vez mais, porém não queria assustar Kouyou... Mas também não queria parar o beijo. O ritmo lento era torturante e o fazia ansiar por mais, por isso apertou a nuca do loiro, sugando com mais lascívia aqueles lábios deliciosos, iniciando uma carícia totalmente diferente... Mais intensa... Mais impudica.

"_ Uhhmmm...", Um gemido escapou dos lábios de Uruha ante a voluptuosidade do beijo, suas pernas ficando bambas enquanto se entregava ao prazer que aquele ato lhe proporcionava, se perdendo nas sensações... Até o ar faltar em seus pulmões, obrigando-o a findar o ósculo.

"_ ...!", Kouyou se afastou minimamente, completamente ofegante e corado.

Pela primeira vez na vida, Aoi odiou o fato de ter que respirar. Queria que aquele beijo durasse eternamente... Não queria se desgrudar de Uruha, mas isso era impossível e foi obrigado a aceitar o fim da carícia labial. Porém continuou a acariciá-lo, beijando-lhe a bochecha, descendo para o pescoço, se deliciando ao sentir como o coração dele batia aceleradamente devido à pulsação da artéria.

"_ A-Aoi, eu...", Uruha chamou, sem saber exatamente o que dizer.

"_ Shhh...", Aoi ergueu o olhar, colocando dois dedos sobre os lábios rubros do amado.

Uruha queria falar tanta coisa... Sabia que o que sentia por Aoi não era apenas amizade, mas também não era uma paixão qualquer, no entanto, não queria simplesmente dizer algo sem ter certeza absoluta do que sentia pelo moreno, porque da mesma forma que Shiroyama foi sincero, ele também queria ser.

"_ Só me responda uma coisa... Por que você me beijou e permitiu que eu o beijasse?", Aoi indagou suavemente, necessitando afoitamente daquela resposta.

"_ Bem, eu...", Como explicar corretamente o porquê de ter-se deixado beijar? Uruha pensava desesperadamente em que palavras usar para se expressar corretamente, porém não as encontrava e isso o afligia ainda mais.

"_ Se for apenas por medo de que eu me afaste de você não precisa fazer isso.", Yuu informou, sentindo o peito doer ante a essa possibilidade. Como eram amigos, Kouyou poderia aceitar seus sentimentos apenas para não perder sua amizade, no entanto, não permitiria uma coisa dessas. Por mais que desejasse tocar cada parte do loiro, não o faria se ele não quisesse... E também não esperava ouvir uma declaração de amor, mas quem sabe pudesse ter uma resposta que lhe desse esperanças de ter o coração dele para si?

"_ Não. Não é isso!", Uruha disse, aflito, sentindo o coração apertar ao ver que estava fazendo Aoi sofrer, seus dedos se fechando no tecido da blusa dele com força. Não queria que o amigo pensasse que permitiu o beijo por pena.

"_ ...?!", Aoi se surpreendeu com o leve desespero presente nas palavras do loiro, o mesmo sentimento explícito nos gestos dele, e o fitou de forma suave, querendo passar tranqüilidade a ele.

"_ Eu deixei que você me beijasse e correspondi porque... Bem... Você se aproximou e... E... Parecia tão sensual... E me beijou... E eu me senti bem, por isso correspondi. Eu gostei!", As palavras saíram corridas e emboladas, enquanto a face de Uruha ficava cada vez mais vermelha de vergonha.

Aoi sorriu ao ouvir aquelas palavras tão afobadas.

Internamente Uruha desejou se bater por parecer uma colegial em seu primeiro beijo, mas... Por que Aoi tinha que fazer perguntas tão complicadas em momentos como aquele? Como não aceitar o beijo? Como não corresponder? Só um idiota se afastaria, afinal o moreno era tão quente que o deixava com calor e... Percebeu que ainda estava abraçado a ele, seus corpos colados e sutilmente se afastou, recostando-se à bancada da pia.

"Ai que vergonha.", Pensou, desviando ligeiramente o olhar, as bochechas rubras.

Ao ver aquela face corada, Aoi mordeu o lábio inferior, suprimindo um gemido de puro tesão... Uruha era realmente muito tentador e tinha suas suspeitas de que o outro nem tinha consciência disso. Quando o loiro se afastou, pôde perceber o quão confuso ele estava, mas não queria assustá-lo, no entanto, aquela resposta lhe dava definitivamente esperanças e não poderia desistir disso. Lentamente se aproximou, quase colando os corpos novamente, erguendo a mão direita, pegando uma mecha das madeixas do amado, aspirando o perfume suave dos fios loiro-acobreados.

Uruha ergueu o olhar, percebendo a aproximação de Aoi, mas não se afastou. Nunca pensou que aquilo aconteceria e que seria tão difícil falar de seus sentimentos com ele... Estava envergonhado, porém admitia para si mesmo que sempre o achou lindo e sexy, mas como pensava nele apenas como um amigo, nunca viu nada além, só que... Aquele beijo... Aquilo foi realmente excitante e não havia como negar que o moreno estava despertando desejos nele.

"_ Parece um sonho, mas algo que me diz que você está começando a me aceitar... A aceitar meus sentimentos...", Murmurou o moreno, fechando os olhos, sendo tomado por uma sensação gostosa, um calor agradável que surgia em seu coração, sendo transmitida ao resto do corpo junto ao sangue que corria velozmente.

"_ E por que eu os rejeitaria?", Sussurrou de volta, perdido naquele olhar amoroso. Ainda não tinha certeza se o que sentia era amor, mas... Ficar com Aoi parecia tão certo!

"Se namorarmos, ninguém o tomará de mim...", E Uruha se assustou com o próprio pensamento possessivo.

"_ Não precisa ser agora, nem amanhã... Eu estarei esperando o dia em que você me amará também...", Falou baixinho, depositando um beijo suave na maçã do rosto de Uruha, repetindo a carícia até encontrar novamente os lábios carnudos e tomá-los para si.

Uruha tentou dizer que gostava dele, no entanto, sentir os beijos de Aoi o fez fechar os olhos e segundos depois a boca do moreno estava na sua... E foi incapaz de se manter impassível. Voltou a envolver os ombros do mais velho com seus braços, correspondendo ao beijo, sentindo correntes elétricas subirem por sua coluna, entreabrindo a boca, convidando a língua dele a brincar com a sua, esquecendo-se mais uma vez do resto do mundo.

OOO

No estúdio, Ruki já estava ficando impaciente com a demora dos guitarristas. Tinha consciência de que eles precisavam de um tempo, mas ainda assim estava ansioso e não conseguia mais ficar quieto no mesmo lugar, sendo observado por Reita, que permanecia em silêncio, enquanto Kai estava distraído lendo uma revista, um sorriso lindo desenhado em seus lábios delicados.

"_ Até quando eles vão ficar lá? Pensam em estrear o banheiro agora?", Ruki perguntou para ninguém em especial em tom mau criado, rindo malicioso depois, lançando um olhar a Reita, se questionando internamente sobre o porquê de nunca ter pensado nisso antes.

Reita ergueu a sobrancelha ao ouvir aquela indagação e soube exatamente o que ele pensara, agradecendo ao fato de estar usando a bendita faixa que agora encobria o seu rubor. Ruki definitivamente era muito pervertido, porém não poderia dizer que não gostava daquilo, muito pelo contrário... Mas também amava quando ele estava em 'modo Taka-chan', corando e se envergonhando todo. Sorriu... Era exatamente essa ambigüidade que o fez se apaixonar pelo vocalista.

"_ Kai!", Chamou o loirinho, fazendo o outro levantar o olhar de uma interessante matéria da revista.

"_ O que foi?", Indagou o baterista, calmamente.

"_ Você é o líder da banda. Vá chamá-los!", O pequeno falou, irritado. Se era para ensaiar, que ensaiassem... Se era para se divertirem, que fosse somente ele e Reita em outro lugar, afinal, estúdio era tão comum quanto o quarto deles.

"_ O que isso tem a ver?", Indagou o moreno sem compreender.

"_ Vai lá!!!", O chibi lançou um olhar psicótico ao baterista.

"_ Tá legal!", Falou desgostoso, se erguendo e saindo da sala, murmurando algo completamente ininteligível.

Caminhou sem pressa alguma de volta ao banheiro onde sabia que os guitarristas estavam. Não entendia o porquê do surtinho de Ruki, mas imaginava que era devido à ansiedade que o pequeno estava sentindo, mas deu de ombros, chegando ao toalete, abrindo a porta silenciosamente, entrando e fitando os dois, que permaneciam bem juntos. Sorte deles daquele horário ser calmo.

Sem perceber que era observado, Aoi se mantinha completamente envolvido no que fazia, abraçando o corpo esguio de Uruha, colando-se ainda mais a ele, apreciando o sabor daqueles lábios divinos. Serpenteava naquele interior quente e úmido, conhecendo cada detalhe da boca do loiro, descobrindo-a ainda mais deliciosa do que havia imaginado a princípio, se viciando naquele gosto.

"_ Uhmm...", Uruha gemeu baixinho dentro da boca de Aoi, se arrepiando quando sentiu o quadril dele se colando ao seu, fazendo eletricidade percorrer seu corpo, se excitando mais a cada instante.

"_ Vocês vão ficar aí a tarde toda?", A voz familiar do baterista chamou a atenção do guitarrista moreno, que parou o que fazia sem se afastar do loiro, olhando para trás.

"_ Kai...", Aoi disse, ligeiramente mal-humorado devido a interrupção.

Uruha estava levemente arfante e internamente se perguntava por que Aoi havia encerrado o beijo, quando se deu conta de que ele pronunciou um nome e, piscando, virou o rosto, vendo Kai a observá-los da porta. Imediatamente suas bochechas coraram e ele desviou o olhar, envergonhado demais por ter sido pego em flagrante.

"_ Desculpe, Aoi, mas temos um ensaio pela frente... Você sabe.", Yutaka falou sem conseguir conter o habitual sorriso.

"_ Argh...", Aoi bufou, finalmente se separando do loiro, mas isso apenas porque o argumento era válido.

Takashima ainda se sentia envergonhado. Sabia que Kai não faria piadinhas com ele, mas não conseguia deixar de ficar sem jeito. Virou-se e mirou o espelho, para então se abaixar e lavar o rosto, secando-o em seguida, sabendo que teriam mesmo que ensaiar, uma vez que logo começariam uma nova turnê. Iriam apenas gravar os PV's antes e depois começaria toda aquela correria de novo.

"_ Vamos?", Chamou baixinho, agora fitando Aoi.

Aoi foi a contragosto, mas foi. Caminharam um ao lado do outro enquanto voltavam ao estúdio, abrindo a porta, Uruha entrando na frente, tentando fingir que nada aconteceu, apesar de não ser tão eficaz assim, uma vez que tudo aconteceu rápido demais e o moreno sabia que ele ainda não teve tempo de processar tudo e criar 'máscaras'.

Uruha caminhou até sua guitarra, pegando a mesma e colocando no ombro, começando a afiná-la e Aoi facilmente notou o olhar malicioso de Ruki para ambos, porém tinha certeza que seu amado loiro nem sequer notou. Pegou seu próprio instrumento, vendo todos os outros membros da banda se posicionar e assim começaram o ensaio, tocando Hyena.

A voz de Ruki se fazia poderosa dentro da sala, interagindo harmoniosamente com os acordes das guitarras e do baixo, bem como da bateria. Uruha tentava se concentrar ao máximo para não ficar pensando em Aoi, seus dedos dançando sobre as cordas de seu instrumento muitas vezes de forma automática, mas quando olhava vez ou outra para o moreno acabava tocando a nota errada, praguejando internamente por isso.

Mais de uma hora havia se passado e logo o GazettE começou a ensaiar Chizuru, uma canção particularmente difícil para ambos os guitarristas devido aos solos. Normalmente Aoi não teria problemas, mas errou várias vezes a mesma nota. Estava por demais eufórico e não conseguia se concentrar direito, pois a todo instante o sabor de Uruha lhe vinha aos lábios, a lembrança do corpo dele junto ao seu permeava cada pedacinho de seu cérebro e... Pronto! Errava mais uma vez...

"_ Desculpa...", Murmurou Aoi sem graça, se achando um idiota... Um idiota apaixonado.

"_ Gastou todas as energias?", Espetou maliciosamente Ruki, rindo da expressão que se formou na face do guitarrista moreno.

"_ Ruki!", Reita repreendeu o pequeno, mas sem conseguir soar realmente firme, rindo baixinho. Havia sido tão engraçado o gesto de Aoi ao pedir desculpas...

"Você me paga, baixinho!", Uruha estreitou os olhos para o vocalista. Por que ele sempre tinha que ficar provocando?

"_ Tá legal! Pelo visto hoje não vai render mais nada. Acho que poderíamos parar por aqui.", Sugeriu Kai. Era mais fácil deixar aqueles dois irem conversar ou fazer sabe-se lá o quê do que ficar ali fingindo que estavam trabalhando.

Ao ouvir a declaração, Aoi sentiu ímpetos de dar um beijo estalado na bochecha de Kai, tamanha sua alegria e alívio, a mesma sensação de Uruha, que estava do outro lado da sala, com carinha de quem parecia estar prestes a soltar um 'eu te amo, Kai. Obrigado!'. Os guitarristas logo guardaram seus instrumentos, com todo o cuidado do mundo, vendo Reita fazer o mesmo, bem como Ruki, enquanto o líder se levantava de sua bateria.

"_ Valeu!", Yuu murmurou para o outro moreno, recebendo de volta aquele sorriso que apenas Uke poderia dar. Era como se ele dissesse 'tudo ficará bem', uma verdade incontestável quando se olhava para o baterista.

"_ Obrigado, Kai-chan! Prometo me esforçar no próximo ensaio.", Disse Uruha, sorrindo docemente ao amigo, para então lançar um olhar a Ruki, como quem diz 'aguarde'. Aproximou-se de Aoi, esperando-o para que fossem juntos.

"_ Bom fim de semana pra vocês... E até segunda!", Despediu-se educadamente, fitando Uruha. Aquele seria um dos raros fins de semanas em que não trabalhariam e ele estava adorando aquilo, porque poderia ficar mais tempo perto do loiro.

"_ Hum... Eu nem preciso desejar isso pra você. Pelo jeito o seu vai ser ótimo!", Ruki disse com uma pitada de malícia na voz, se achando realmente atrevido naquele dia.

"_ Reita, dê um jeito nele!", Uruha disse, fazendo cara brava para o chibi, não sabendo se ria ou batia no amigo devido às piadinhas.

"_ Pára com isso!", Repreendeu Reita com firmeza, vendo o vocalista fazer bico e ficar emburrado. Não gostava de fazer isso, mas às vezes Ruki passava dos limites.

"_ Bom fim de semana para todos!", Kai disse, já pegando o seu celular depois de ter guardado as baquetas, ligando para Miyavi.

"_ Bom descanso!", Desejou Reita, puxando seu pequeno.

"_ Tenham um bom final de semana vocês também!", Uruha disse, sorrindo para todos, mas principalmente para Kai, pois graças a ele não teriam mais que trabalhar naquele dia.

Akira e Takanori seguiram atrás de Kai, que já falava animadamente com o namorado mais a frente, rindo descontraidamente. Os dois loiros caminhavam em passos mais lentos, o pequeno com um sorriso bonito nos lábios, feliz por saber que os guitarristas tinham se entendido, sentindo o namorado se aproximar, se curvando sobre seu corpo, fazendo-o parar por um instante.

"_ Não pense que aquela brincadeira no restaurante ficará sem punição.", Sibilou Reita. A encenação havia sido tão boa que ele ficara deveras preocupado e não podia deixar aquilo passar em branco.

"_ Mas... Mas foi por uma boa causa, Rei-chan...", Ruki murmurou manhosamente, lançando seu melhor olhar de cachorrinho abandonado, engolindo em seco, pois sabia que quando Reita falava daquela maneira... Ele sofreria as piores torturas à noite.

Uruha viu Ruki resmungando algo enquanto seguia ao lado de Reita, mas deixou isso para lá, caminhando ao lado de Aoi e ambos acabaram pegando outro elevador, pois o que os amigos entraram estava cheio. Não demorou muito e logo chegaram ao estacionamento e o moreno desligou o alarme do carro para que o loiro entrasse, uma vez que nos últimos dias era ele quem trazia e levava o amigo, mas agora era diferente, bem diferente. E com isso em mente, ele apenas apertou os dedos contra o volante e deu a partida.

O carro saiu do estacionamento, ganhando as ruas rapidamente. O trânsito não estava ruim por não ser um horário de pico, por isso ambos sabiam que logo estariam em suas residências, porém havia uma ansiedade a mais... Uruha sentia o coração bater mais forte, suas mãos suando frio devido à expectativa pelo que estava por vir e Aoi sentia borboletas fazendo festa em seu estômago.

"_ Uru...", Sussurrou o moreno, em tom baixo. Queria convidar o loiro para ir a sua casa, mas talvez fosse ousadia demais, pois sabia que o parceiro estava confuso e não queria forçá-lo a nada.

"_ Sim?", Kouyou olhou para Yuu, curioso.

"_ Hum... Quer sair comigo?", Indagou o moreno. Aquele era um bom modo de harmonizar a situação.

"_ Claro, eu ia adorar! Pra onde quer me levar?", Um sorriso lindo se desenhou nos lábios de Uruha, que o fitava calidamente.

"Pra minha casa.", A resposta se formou de imediato na mente de Shiroyama, que sentia o coração bater forte e acelerado. Estava nervoso e tinha a impressão de que parecia um principiante que nunca esteve com ninguém, mas estar com Takashima era totalmente diferente. O conhecia melhor do que qualquer outro parceiro com o qual já esteve e o outro sabia mais dele do que os namorados ou namoradas que já teve, afinal, eram grandes amigos.

"_ Eu não sei...", Murmurou, prestando atenção ao trânsito enquanto refletia.

Uruha já pensava em que lugar sugerir, ficando em dúvida entre um restaurante ou um karaokê, já que não haveria nenhuma boate aberta àquela hora, apesar de que parte de si preferia ficar sozinho com o outro para poderem conversar com tranqüilidade e sem interrupções, levando o dedo a boca, mordendo a ponta da unha sem nem perceber.

"_ Quer assistir um filme... Lá em casa?", O final da indagação saiu tão baixo, que Aoi teve dúvidas se o outro seria capaz de ouvir, percebendo ao fitar o loiro de soslaio que ele ergueu uma sobrancelha, provavelmente pensando se havia entendido certo sua pergunta.

"_ Hum... Ir pra sua casa seria bom, afinal... Temos muito que conversar, né?!", E mais uma vez Uruha sorriu. Imediatamente pensou que poderia usar a ocasião para sugerir ao moreno que namorassem, já que Shiroyama o amava e ele... Bem, ele gostava de Aoi, era consciente de seu ciúme, e se era pra tentar um relacionamento que fosse algo sério, mas... Deveria dizer?

Aoi respirou fundo, se sentindo muito aliviado pela reação do amigo. Parou o carro em um sinal vermelho e olhou para Uruha, que mordia o lábio inferior, tendo os olhos perdidos em algum ponto indefinido, parecendo muitíssimo indeciso quanto a alguma coisa e temeu que pudesse ser sobre a ida ao seu apartamento. Entrou na garagem do edifício e estacionou em sua vaga como de costume, desligando o carro.

"_ Algum problema, Uruha? Se você não quiser subir, sabe que não precisa...", Disse em tom protetor e carinhoso, olhando a bela face diante de si.

"_ Não. Na verdade eu estava pensando...", Uruha sentia um frio na barriga apenas por se imaginar falando o que queria, mas se acalmou.

O guitarrista moreno encarava o outro com um olhar curioso. Uruha estava tão envergonhado que chegava a ser fofo, e isso era algo com o qual realmente não estava acostumado, já que o amigo adorava beber e não tinha pudor para se aproximar de alguém. Estava mais tranqüilo quando o ouviu começar a falar, sua curiosidade remoendo devido à pausa, as borboletas bailando mais fortemente em seu estômago.

"_ Sabe, acho que... Devíamos namorar.", O loiro falou de uma vez sem mirar os olhos negros, um tom avermelhado se tornando mais forte em suas bochechas.

O mundo simplesmente sumiu e Aoi não conseguiu mais ouvir ou perceber nada além do jovem diante de si. As palavras pronunciadas por ele se repetiam em sua mente vez após vez e não foi capaz de conter a expressão de espanto, escutando o próprio coração bater forte e acelerado, dando-lhe a impressão de que o planeta inteiro percebia aquela forte pulsação.

"_ Eu... Eu gosto de você, somos amigos, nos conhecemos há um bom tempo e eu tenho ciúmes, então não vejo problemas em sermos namorados, em... Estarmos juntos!", Uruha resolveu dizer tudo de uma vez, porém sua coragem foi diminuindo à medida que falava, seu coração batendo rápido demais.

Aoi estava completamente perdido, viajando no loiro diante de si, incrédulo.

"_ Você... Bem... Podemos namorar, você quer?", Indagou Uruha, inseguro.

Despertando com aquela indagação, Aoi piscou os olhos, mal crendo no que acabara de ouvir. Um largo sorriso se formou em seus lábios carnudos enquanto uma sensação de calor gostoso se espalhava em seu peito, aquecendo-o calidamente, e delicadamente levou a mão direita ao queixo do amado, fazendo com que Uruha lhe encarasse, seus negros brilhando de forma terna.

"_ Nada me faria mais feliz neste mundo do que te ter como meu namorado.", Disse amorosamente, aproximando as faces, depositando um beijo leve na boca do amado.

Uruha havia temido por um momento que Aoi rejeitasse seu pedido, achando talvez que fosse cedo demais para isso, no entanto, a resposta dele aqueceu seu coração, fazendo-o fechar os olhos e apreciar o doce contato entre seus lábios, beijando-o de volta calmamente, apreciando aquele carinho tão suave.

"_ Vamos subir?", Murmurou o mais velho, mordiscando o lábio inferior de Uruha, só então se afastando.

"_ Sim...", Respondeu, contendo um suspiro profundo, retirando o cinto e saindo do carro, vendo Aoi fazer o mesmo.

Andaram um ao lado do outro até chegar ao elevador, entrando no mesmo e como sempre, o guitarrista mais velho indicou a cobertura. O silêncio se fez presente de forma incômoda, nenhum deles sabendo como agir. Para Aoi tudo lhe parecia muitíssimo estranho... Desejou por tanto tempo estar ao lado do loiro e agora era difícil manter a naturalidade, considerando toda a história de ambos. Já para Uruha aquela situação era quase engraçada, pois nunca teve problemas em se aproximar ou conversar com ninguém mesmo que se sentisse de alguma forma envergonhado, mas perto do moreno estava tímido.

"_ Você deve estar me achando estranho.", Falou o loiro sem fitar o moreno, recatadamente, querendo se bater por isso.

Ao ouvir aquelas palavras, Aoi se sentiu derreter completamente, pois Uruha estava tão adoravelmente acanhado que sua vontade era abraçá-lo. Aproximou-se mais, ficando ao lado do amigo, fazendo seus braços se roçarem, entrelaçando seus dedos da mão direita nos da esquerda do loiro, apertando amorosamente.

"_ Tudo é muito novo... Para nós dois. Não precisa se envergonhar.", Aoi terminou de falar no exato momento em que a porta do elevador se abriu.

Uruha sentiu uma sensação gostosa devido à união de suas mãos. Seus dedos entrelaçados pareciam tão certos! Sabia que não precisava se envergonhar, mas com Aoi era diferente... Não era apenas desejo ou alguém para se ficar uma noite... Para ele estava mostrando quem verdadeiramente era e ao notar isso se deu conta do quanto gostava dele e pensando melhor sobre o assunto, o mais provável era que sempre o amou... Um amor casto e puro, mas agora...

Aoi sorriu para Uruha, vendo o mesmo corresponder docemente, e ainda com as mãos dadas saíram do elevador, caminhando em direção à porta, a qual foi aberta. O moreno entrou no apartamento que no momento estava muito organizado devido à visita recente da faxineira, retirando os sapatos como de costume, dando espaço para o loiro entrar, vendo-o fazer o mesmo, fechando a porta em seguida.

"_ Nossa... Que milagre! Aposto que a...", Uruha olhou ao redor, porém não conseguiu terminar a frase, pois se sentiu sendo agarrado pelo outro.

Aoi puxou a mão de Uruha e antes mesmo que pudesse racionalizar, jogou-o contra a parede ao lado da porta, imprensando o corpo esguio e mais alto usando a si mesmo, levando às mãos as laterais do pescoço do amado, unindo os lábios em um beijo quase desesperado e cheio de paixão.

Apesar do choque, que fez Uruha entreabrir os lábios, o loiro logo se deixou levar pelo beijo, envolvendo a cintura de Aoi, correspondendo, deixando-se ser atiçado por aquela língua atrevida que o explorava sem pudor e fez o mesmo, brincando com ele de volta até o ar faltar em seus pulmões obrigando-o a encerrar a carícia labial, mas isso não o impediu de mordiscar a boca carnuda do moreno e lhe dar um selinho, seus olhos brilhando em um desejo só agora desperto... E ao sentir-se envergonhado, desviou o olhar, enquanto um rubor sensual pairava em suas bochechas.

"_ Hummmm... Uru...", Aoi gemeu baixinho, ainda sentindo o sabor singular daqueles lábios tão lindos, internamente frustrado pelo ar ter se feito malditamente necessário causando o fim do beijo, no entanto, se encantou ao ver aquele brilho lânguido nos orbes chocolates, se deliciando ao notar a face alva ganhar um forte rubor, fazendo-o morder o lábio inferior para se conter.

"Ah, por Kami...", Uruha sentia o coração bater rápido, só agora se dando conta de que devido ao contato mais íntimo o desejo que carregava dentro de si despertara por completo.

"_ Você fica tão lindo assim!", Murmurou, aproximando os lábios da curva esquerda do pescoço de Uruha, começando a depositar leves beijos, subindo pela cútis clara, sentindo-a quente sob seu toque.

"_ Uhm...", O loiro suspirou, sentindo arrepios subir por sua coluna.

"_ Desculpe se te assustei... Estava louco pra te beijar.", Afirmou de modo sensual ao ouvido do parceiro.

"_ Yuu...", Uruha sussurrou o nome do moreno, sorrindo. Não estava exatamente assustado, na verdade, achou excitante ser imprensado daquela forma contra a parede.

"_ Mas a culpa é sua por ser assim... Tão tentador!", Aoi disse roucamente, mordiscando o lóbulo da orelha de Uruha, sugando-a levemente, descendo as mãos ao mesmo tempo, envolvendo a cintura esguia, puxando o loiro para si possessiva e apaixonadamente.

"_ Hum... Agora eu sou o culpado?", Indagou enrouquecidamente, os olhos fechados e os lábios entreabertos a procura de ar, mordendo o inferior para impedir um gemido de escapar devido à carícia daquela boca e das mãos fortes mantendo seus corpos colados.

"_ Que bom que você está aqui comigo...", Yuu falou, afundando o rosto na curva do pescoço de Kouyou, aspirando o perfume que ele exalava, se sentindo no mais completo paraíso, apertando o corpo bonito contra o seu.

"_ Ahhmm... Não faz isso...", Pediu Uruha em tom baixo e entregue, suas mãos se fechando na blusa de Aoi, apertando. Sentia correntes elétricas percorrerem seu corpo, a adrenalina em alta desestabilizando seus hormônios e ter o calor dos lábios de Aoi em seu pescoço... O piercing roçando, o deixava com dificuldade de pensar em qualquer outra coisa.

Com ternura Aoi depositou um beijo suave na cútis macia e perfumada. Parecia um delírio de sua mente entorpecida pela emoção, mas sentia que Uruha não o rejeitaria caso tentasse algo mais... E por todos os deuses, tudo o que mais queria era amar aquele loiro de todas as forma possíveis! Sem mais pensar, deixou os lábios fluírem pelo pescoço do amado, indo para o outro lado, passando pela garganta com toques delicados, sentindo a respiração dele descompassar. Suas mãos, que até então estavam na cintura esguia, deslizaram pelas costas do mais novo, puxando-o para si, demonstrando todo o desejo que conteve durante um longo tempo, deixando-o sentir sua excitação.

"_ Você é uma delícia!", Aoi disse languidamente, mordiscando o lóbulo de Uruha e cuidadosamente ergueu o tecido da blusa roxa apenas o suficiente para tocar a pele quente do tórax delicado, apreciando o quão macio aquela cútis era, deliciando-se com a sensação de tê-lo em seus braços.

"_ Yuuuuuuu...", Kouyou mantinha a cabeça erguida e os olhos fechados, apreciando cada toque executado pelo outro, arfando quando os dedos quentes tocaram sua pele, subindo, desencadeando vários arrepios em si, arqueando com o doce contato.

"_ Ahm... Eu não vou conseguir me conter...", Avisou roucamente, mordiscando a pele sobre a mandíbula, próximo ao ouvido do amado... Seu desejo crescendo de modo quase insano, fazendo seu coração trabalhar mais intensamente e a temperatura de seu corpo subir de forma quase assustadora.

"_ Tudo bem... Somos namorados... Não é?", Uruha sussurrou, seu hálito quente se chocando contra o ouvido de Aoi, e provocativamente o loiro lambeu o lóbulo da orelha do namorado, mordiscando-o em seguida.

"_ Huuuummmm...", Shiroyama deixou escapar um pequeno gemido devido ao ato do parceiro e, por instinto, mordeu o lábio inferior, sua mente e corpo tomando consciência do que aconteceria, já que ambos desejavam o ato.

As mãos do guitarrista mais velho subiram pelo torso do amado, começando a revelar o abdômen sem músculos, afastando-se apenas o suficiente para contemplar a face diante da sua, se perdendo nos contornos másculos, porém delicados, encantando-se com o sorriso sexy que se formou nos lábios carnudos. Uruha ergueu os braços e lentamente Aoi foi retirando a blusa dele, jogando-a em um canto qualquer da sala, expondo os mamilos róseos, parando para admirar a beleza da alvura da pele e a suavidade de cada contorno.

"_ Realmente tentador...", Aoi sussurrou mantendo o olhar fixo no corpo esguio.

"_ Aoi...", Uruha mordeu o lábio inferior, se sentindo quente.

Os orbes cor de trevas do moreno se ergueram mirando os chocolates, deixando transparecer toda a luxúria que o consumia, unindo os lábios em seguida em um beijo exigente e apaixonado, porém o contato pouco durou para a frustração do loiro. A boca delineada de Aoi deslizou para o pescoço de Uruha, beijando, mordendo e sorvendo a pele com uma intensidade até então não demonstrada, deixando marcas vermelhas na cútis alva, ouvindo sussurros e gemidos escaparem do outro que arqueava e o abraçava, instigando-o a descer um pouco mais, distribuindo toques cheios de paixão, chegando ao peito claro, finalmente alcançando o mamilo direito. Lambeu a circunferência lentamente, se deliciando ao ver aquele pedacinho de Kouyou arrepiado, mordendo-o com sensualidade e carinho e somente então o tomar completamente, sugando-o com paixão.

"_ Aahhmmmm... Aoi...", Uruha não conseguiu evitar o gemido, seus dedos se entrelaçando aos fios negros, apertando-os.

O guitarrista moreno apreciava o sabor daquela pele. Era algo ímpar e maravilhoso que o instigava e aumentava seu desejo e paixão pelo loiro, sentindo-se arder naquele sentimento, continuando o que fazia, sabendo que o estava provocando... Que o excitava com seus carinhos.

Uruha se sentia cada vez mais quente, seu baixo-ventre pulsando devido ao desejo desperto, percebendo como se derretia devido à carícia provocante, se remexendo contra o corpo de Aoi, respirando descompassadamente, até não agüentar mais... Em um gesto afoito, puxou-o para si, tomando os lábios dele em um beijo langoroso, e em um impulso mudou as posições, prensando-o contra a parede.

"_ Uru?", O moreno murmurou surpreso pela atitude do amado.

"_ Gosta de provocar... Yuu?", Indagou em um sussurro no ouvido dele.

"_ Sim, eu gosto.", Aoi afirmou em um tom sensual, seus lábios se curvando em um sorriso malicioso, segurando a cintura do amado, puxando-o para si com desejo.

O sorriso travesso que se encontrava nos lábios de Uruha findou quando ele ouviu aquelas palavras, puxando o ar com força sentindo arrepios subirem por sua coluna quando as mãos fortes fizeram com que seus quadris se colassem, suas bochechas ficando enrubescidas.

"_ Gosto de provocar... E te ver corar...", Aoi sussurrou, aproximando as faces, mordendo o lábio inferior de Uruha, puxando levemente sem desviar o olhar.

"_ Hum... Pára com isso.", Disse o loiro mais sem jeito pela declaração do que por realmente não ter gostado daquelas palavras, ficando ainda mais corado.

"_ ... Te ver com expressão sexy que só aumenta a minha vontade de te devorar!", Aoi ronronou languidamente, mais uma vez invertendo as posições, voltando a encostar o loiro na parede, vendo a surpresa nos orbes chocolates e sorriu, deixando a mão direita escorregar pela lateral do corpo esguio até chegar a região do quadril, abaixando-se apenas um pouco, segurando a parte detrás da coxa de Uruha, erguendo a perna e encaixando-a em sua cintura, apertando e jogando o quadril para frente com desejo incontido.

"_ Uhhmmmm...", Uruha gemeu, sentindo a excitação de Aoi contra a sua própria, sua respiração rápida se chocando contra a dele, a posição deixando entrever o zíper que descia verticalmente por toda a peça, bem como o trançado sobre a coxa, que se aberto, transformava a peça em um short.

Os dedos de Aoi correram por sobre o tecido negro da calça sentindo algo estranho e, mesmo sem olhar, percebeu que se tratava de um zíper vertical e um trançado horizontal. Sem demora, o moreno tratou de desfazer o laço, retirando o longo cordão, deixando cair no chão, seus dedos agora rodopiando sobre o zíper, sabendo muito bem o que aconteceria se o puxasse...

"_ Você fica bem melhor de short...", Disse, sorrindo maliciosamente, descendo os dedos, levando consigo o zíper até abri-lo por completo, ouvindo o som do tecido caindo sobre o piso de madeira, revelando a coxa alva e tentadora.

"_ Ahmmm... Yuu... Hum...", Uruha gemeu, o rubor da excitação se mesclando ao da timidez. Seus olhos continuavam mirando os dele e um ofego mais alto escapou de seus lábios já inchados de tantos beijos quando os dedos firmes tocaram sua pele próximo ao joelho que estava na altura da cintura dele, subindo, percorrendo toda a extensão de sua coxa, deixando um rastro vermelho por onde passava, indo parar sob o tecido restante, tocando até onde podia, apertando suas nádegas.

"_ Kou... Vem comigo!", Yuu sussurrou, dando um pequeno impulso no corpo maior, segurando a perna que ainda não estava em sua cintura, colocando-a lá, carregando o loiro, sentindo a excitação dele contra seu baixo-ventre, molhando os lábios, enquanto fitava aqueles olhos repletos de luxúria.

"_ Y-Yuu...", Kouyou ofegou, segurando com força nos ombros largos, apertando as pernas ao redor da cintura do moreno, gemendo devido ao contato, sua respiração mais rápida e pesada devido ao seu grau de excitação.

"_ Vou te fazer sair desse mundo...", Aoi murmurou apaixonadamente, aproximando as faces, unindo os lábios em um beijo quente enquanto apertava Uruha contra si, louco para realizar o desejo... Que ele agora sabia ser de ambos.

Continua...

OOO

E aqui está o capítulo dois! \o/

Como vocês viram, as coisas entre nossos queridos guitarristas começaram a dar certo, que estão seguindo em frente e de modo rápido... Rsrsrsrs. Mas no fim o plano de Kai deu certo, né! XDD

Eu ia publicar o capítulo ontem, mas fiquei um pouco chateada e acabei não fazendo a revisão da betagem, mas hoje consegui mexer no texto e agora estou publicando-o.

Muito obrigada por betar pra mim, Lady Anúbis! Te adoro! * abraça *

Agradeço a Maryyakut, Pachi Angel, Ana Sparrow, Baby In Wonderland, Diseree Hasting, Tuik, Niele, Vampire Kawaii, Litha-chan, Ana Paula e Natalia por comentar a fanfic. Adorei cada review e foi pensando neles que me esforcei pra publicar o segundo capítulo essa semana conforme prometido! Valeu! /o/

Espero que vocês gostem desse capítulo e expressem seus comentários! ^^

09 de Outubro de 2008.

19:59 PM.

Yume Vy