Showtime
O dia estava começando a ficar agitado no centro da cidade.
O sol estava secando as poças de água que ainda restavam e a chuva da noite passada começava a ser apenas uma lembrança ruim. Jess não gostava de chuvas, o assustava desde que era menor, quando seu pai ainda sentava-se a seu lado na varanda e contava histórias para afastar o temor... Antes do velho menestrel adoecer e definhar até que bons ventos o levaram acabando com a agonia afinal.
Parecia que fora há tantos anos.
Uma vida tão distante e tão diferente, uma vida que era dele realmente. Aonde não precisava ser outro e era simplesmente questão de ser ela...
Maldição.
Já nem sabia quantos anos estava nessa vida e nem tinha esperanças de um dia sair.
Quantos anos se passaram desde que Luigi se fora?
O contador de histórias construíra sua infância em mundos de sonhos e fantasias, aonde os castelos eram feitos de nuvens e presenciavam-se batalhas épicas todos os dias, em campos abertos cheios de nobres guerreiros e dentro de navios grandiosos na imensidão azul do mar. Batalhas que iam desde sagas de cavaleiros com as armaduras mais brilhantes e portadores de brasões da nobreza até os grandes navegadores desbravando um novo mundo repleto de perigos, monstros do mar, piratas e mistérios.
E é claro, tesouros. Muitos tesouros...
O ronco da barriga chamou sua atenção para o presente.
Precisava arrumar alguma coisa para comer logo, estava sentindo o corpo fraquejar já e a vista vez ou outra embaçava por alguns segundos.
Levou a mão até a lateral da cintura aonde sentiu um cilindro de madeira cumprido encoberto por um pano sujo entre os dedos, mas logo afastou a idéia de arrumar dinheiro desta forma.
Teria que ser do jeito mais difícil.
Mais difícil e mais divertido. Bem mais divertido.
Um sorriso malicioso começou a se formar no canto de seus lábios. Um brilho ardente acendendo nos olhos verdes com a procura pela vítima perfeita para lhe pagar um delicioso e bem merecido almoço no Flecha... Não que essa pessoa precisasse saber do bom feito executado... e essa era a parte divertida.
Parou em frente a uma banca que vendia frutos e pegou uma laranja entre as mãos como se estivesse analisando para compra, mas com o canto dos olhos procurava algum perdido andando distraído pela praça central.
Trocou de fruta, pegou uma maça vermelha de aparência apetitosa sentindo o estomago implorar por uma dentada...
Mas não ainda. Era só questão de tempo até passar algum idio...
Sorriu mais intensamente agora, deixando a maçã entre a pilha de frutas e dando uns passos lentos inicialmente, se virou e apertou o passo na direção contrária a que o achado caminhava.
Era um homem de nem sabia-se quantos anos. Cabelos desgrenhados, aparência suja, roupas velhas e um lenço vermelho na cabeça sobreposto por um chapéu de 3 pontas. Tinha um andar que poderia ser definido na melhor das hipóteses como sendo estranho. Devia ser o tripulante perdido de algum navio que atracara para comprar mantimentos e parecia tão bêbado que nem deveria saber aonde estava.
Seria fácil demais.
Por um momento quase lamentou tanta facilidade, perdia um pouco da graça.
Foi um momento que passou rápido demais quando se lembrou da fome que sentia e aquele cara ia adquirindo uma imagem de salvador. Lembraria de agradecer a ele em suas preces mais tarde, mas por enquanto, era hora do show.
-
O mercado estava começando a encher quando ele finalmente chegou lá.
A praça estava abarrotada de bancas e mercadorias. Gaiolas de animais empilhadas, tablados com todo o tipo de coisa... San Martin era quase um paraíso para negociar produtos adquiridos da forma diferenciada.
Mas Jack Sparrow não estava atrás de negócios, estava atrás de rum.
Ele teimava em acabar sempre.
Parou em um ou outro local, pegando qualquer coisa que chamasse sua atenção na mão e a colocando de volta na bancada logo depois.
Nada que realmente quisesse.
Olhou de um lado para outro, procurando algum estabelecimento não-ortodoxo aonde pudesse conseguir um pouco de rum e talvez um pouco de companhia.
Com seu andar extravagante – e chamando um pouco de atenção por conta dele – encaminhou para uma taberna que avistou ali próxima.
O olhar meio vago não prestava muita atenção no cenário que o cercava, estava distante dali, no local que sempre estava ultimamente...
Poft.
- Desculpe senhor...
Um garoto que batia na altura do seu peito e andava com a cabeça tão baixa olhando para o chão esbarrara com ele de frente e em cheio.
- Mais atenção da próxima vez garoto. – Jack sorriu de forma um pouco debochada para o garoto que o olhou muito rapidamente, o que permitiu um breve vislumbre dos olhos verdes do garoto de pele clara.
Havia algo estranho no moleque, algo brilhante demais e aquele breve segundo de visão foi o suficiente para reparar isso.
O guri balbucionou alguma coisa em resposta, abaixou a cabeça novamente e apertou um pouco o passo de forma tímida, e Jack acompanhou-o se embrenhar no meio das pessoas que a cada minuto apareciam com mais freqüência na praça do mercado.
Tentou pensar no que estranhara tanto no olhar do rapazinho, mas não encontrou nenhuma resposta. Meneou a cabeça para os dois lados um pouco e voltou a se dirigir para a taberna e de uma forma meio perdida nem se lembrava no que pensava antes do encontrão.
Aquele brilho no olhar... não era normal. De fato que não o era.
Num lapso de consciência levou a mão até a lateral de seu cinto e sentiu falta de um saquinho de couro que deveria estar ali.
- Maldição...
Jack Sparrow virou nos calcanhares e correu na direção que vira o garoto da última vez. Quem era louco, ousado ou esperto o suficiente para roubar o grande Capitão Jack Sparrow? Malditos fossem aqueles que levam dos outros o dinheiro para o rum!
Pronto,
segundo capítulo on line e terceiro quase pronto para ficar
também
Obrigada à Rose
B. Sparrow que comentou o primeiro
capítulo!
Eu juro que caso soubesse comentaria no seu
também, mas definitivamente não consegui rs. Mas aqui
vão os elogios: Sua fic está ótima, estou
curiosíssima em saber o que vai acontecer e estou esperando –
ansiosamente – a continuação!
Bjão e até
mais!
K
