POV. Edward

Entre em casa ouvindo as gostosas e altas gargalhadas de Carlie. Sua felicidade quase que palpável. Podia apostar que ela estava fazendo a pobre da Sra. Biers brincar com ela de bonecas e chá, de novo.

Caminhei pelo pequeno e estreito corredor de minha casa, a que eu havia comprado e pago com muito sacrifício, mas que me orgulhava toda vez que estava nela. Os barulhos vinham do quarto de Carlie, a porta estava entreaberta e eu podia ver as duas sentadas, uma de cada lado da pequena mesinha de plástico que eu havia dado a Carlie em seu aniversário de quatro anos. Cada uma com uma coroa de brinquedo na cabeça, bebericando um chá imaginário.

Fiz barulho quando ri, chamando a atenção de ambas para mim. Carlie sorriu quando me viu e pulou para o meu colo.

– Você demorou. – me acusou.

– Estou só meia hora atrasado, mocinha. – ela fez uma careta.

– Parece muito tempo. – ri.

Larguei-a no chão, dizendo-lhe para i guardar seus brinquedos enquanto conversava com a Sra. Biers.

– Obrigado por ter ficado com ela, Sra.

– Não foi nada querido, você nem demorou.

– Mesmo assim, eu ficaria maluco se ela tivesse que ficar sozinha, a senhora sabe como é aqui. – ela assentiu, suspirando.

– Sempre que precisar é só pedir, querido. – agradeci mais uma vez, oferecendo-me para levá-la até sua casa, eu conhecia muito bem o bairro onde morava e mesmo a Sra. Biers sendo nossa vizinha, eu sentia medo dela sozinha na rua, mesmo sendo cedo. – Não precisa. É aqui ao lado. – lancei a ela um olhar que lhe dizia o quanto eu temia aquilo, então ela apenas assentiu.

– Espere um segundo que vou pedir a Carlie para por um casaco. – andei rapidamente até o quarto, achando minha menina sentada no chão, colocando seus brinquedos dentro da caixa onde ela os guardava. – Hey, vamos levar a Sra. Biers em casa. – ela assentiu. – Pegue seu casaco, esta frio lá fora. – com rapidez, Carlie foi até seu pequeno guarda-roupas, tirando de lá um grosso casaco rosa.

Ela correu até mim, e segurou em minha mão.

Em poucos minutos já estávamos voltando para casa. Sra. Biers se despediu de Carlie, fazendo eu prometer que deixaria a menina visitá-la as vezes. Depois que eu disse que sim, partimos.

– Ed. – Carlie sussurrou, assustada, segurando firme em minha mão. Já estava noite e muito, muito frio.

– Sim, linda?

– Tem dois homens perto da nossa casa, e eles estão abaixados. Parecem maus.– olhei pra onde elas olhava. Notando que aqueles dois homens que ela falava estavam fumando, dava pra ver a fumaça saindo de suas bocas. Num ato protetor, peguei Carlie no colo. Eu sabia quem eram aqueles.

– Tudo bem, princesa, eles não vão te machucar. – ela encostou a cabeça em meu ombro, totalmente agarrada a mim, continuei caminhando normalmente, como se não os tivesse notado ali. Mas aquilo não fora o suficiente.

– Hey, Edward. – chamou um deles. Não consegui os identificar, apenas vi o cabelo comprido. Aquele, eu apostava, era Paul. – Vai um ai? – e levantou um cigarro. Carlie se encolheu em meus braços.

– Não, obrigado.

– Qual é cara, deixa a pirralha em casa e se junte aos amigos.– meu sangue ferveu, mas logo tratei de respirar fundo, eu já estava parando na porta de casa.

– Obrigado, cara. Mas eu não quero. Agora se puderem, saiam de perto da minha casa. Tem criança que precisa dormir e com cheiro de maconha é impossível. – eles riram totalmente chapados. Levantaram as mãos.

– Tudo bem. Outro dia você sai com a gente. – não me dei ao trabalho de responder, apenas os vi atravessando a rua e entrando num beco escuro. Abri a porta de casa e larguei Carlie.

Ela estava bem assustada. Beijei sua testa e suas bochechas.

– Tudo bem, princesa. Tudo bem. – ela me abraçou forte. Carlie tinha um medo danado de estranhos, e mesmo sendo pequena, eu havia lhe dito que aquele bairro não era muito bom, e que pessoas más viviam ali, eu não esperava que ela fosse desenvolver um medo tão grande, mas eu precisava avisar-lhe que, jamais poderia sair sozinha ou falar com estranho. E ela estava naquela fase de criança que não tem medo de nada e ninguém.

Seu abraço afrouxou um pouco o aperto.

– Não gosto daqueles caras. Eles olham pra gente e da medo. – ri um pouco do bico que ela fez.

– Mas ta tudo bem, ok? Eu to aqui com você. Nada vai acontecer. Confia em mim? – automaticamente ela assentiu. – Então vai colocar um pijama que eu vou fazer uma comida bem gostosa pra nós dois. – dei mais um beijo em sua testa e a deixei ir.

Paul e Jared eram dois drogados aqui do bairro, quando Carlie tinha três anos eles me perguntaram se eu não a emprestava pra eles poderem brincarcom ela por algumas horas, alegando que criança não entende nada.

Bati tanto neles naquele dia que fomos parar na delegacia, expliquei ao delegado o que tinha acontecido mas o máximo que aconteceu a eles foi ficarem presos por seis meses, a policia não se importava tanto quanto deveria. Por isso foi que eu os avisei, que se chegassem perto da minha irmã, que se preparassem porque não teriam apenas narizes e dedos quebrado como da primeira vez.

Desde aquele dia, nunca mais nos incomodaram, o único problema eram esses convites para fumar ou sair com prostitutas. Era por isso que eu odiava esse bairro. Não queria odiar minha mãe, mas a culpava por estarmos ali. Se ela fosse mais... mãe,se preocuparia com Carlie, onde a menina morava, mas não, preocupou-se apenas com ela, com seus problemas. Mas não importava, eu voltaria a fazer faculdade, concluiria meu curso e daria a minha irmã tudo o que ela merecia.

Fui pra cozinha e comecei o jantar, um arroz, carne com molho e salada. Preparei um suco e pus a mesa, Carlie me ajudou nessa parte, ela gostava disso. Pediu pra eu a ensinar a fazer um bolo, mas lhe disse que primeiro teria de aprender para ensiná-la. Carlie riu naquele dia, e me lambuzou com o glacê que tinha sobrado de seu bolo de aniversário. E falando em aniversário...

– Conheço uma gatinha que vai fazer seis anos daqui dois meses. – sussurrei em seu ouvido. Ela riu.

– Faz cócegas sua barba. – riu mais ainda. – Que gatinha? – se fez de desentendida.

– Uma que é chata, mandona e birrenta. Você não conhece? Ela se parece com você. Tem o mesmo cabelo, os mesmo olhos, o mesmo nariz – toquei seu nariz – os mesmos dedinhos – coloquei suas mãos na boca e fiz uma pequena pressão com os dentes. Carlie gritou rindo.

– Você me babou. – acusou.

– Eu não. É que eu pensei que você fosse essa garota que eu falei.

– E eu não sou? – se fingiu de magoada.

– Eu não sei. Ah, essa garotinha que eu te falei, vai pra primeira série depois das férias de natal. – nessa parte ela fez careta.

– Não quero ir pra escola. – fez bico. – As pessoas de lá são chatas.

– Não são não. É bem legal. Você vai fazer amigos e brincar com outras crianças da sua idade.

– Mas eu vou pra escola daqui do bairro? – torceu o nariz exatamente como eu.

– Não, querida. Vou te colocar numa escola perto do meu trabalho. Não centro da cidade.

– Mas não é caro lá? – suspirei, tocando seu cabelo liso e longo (quase na cintura), cor de areia.

– Não, não é.

– Hum... Ta bom então. – ela se encostou no meu peito e esfregou os olhos. – To com sono, Ed. – declarou.

– Vamos dormir então.

– Uhum. – deixei a louça ali, eu lavaria no outro dia. Ajudei Carlie a escovar os dentes e a coloquei em sua cama. Observando como ela organizada, mas ao mesmo tempo bagunceira, seu pequeno quarto tinham as roupas todas guardadas, mas os brinquedos estavam espalhados pelos cantos.

Dei-lhe um beijo de boa noite e estava indo para o meu quarto quando ela me chamou.

– Fica comigo aqui, Ed? – afagou o lado da cama que estava vago.

Andei até sua cama e tirei os sapatos.

Sorri.

Sempre, princesa!

Oi gente linda! Se eu contar uma coisa ninguém acredita. Bom, digamos que eu esqueci que tinha postado Por Amor aqui. Eu não costumo usar o FF, então não sei quase nada do site, acabo me complicando toda.

Mas enfim trouxe o segundo capitulo, o terceiro já está pronto e quarto em andamento. Comentem bastante, kk.

Beijo!