Eu não sou uma má pessoa. Eu faço doações para sociedade protetora de animais, contribuo para a educação de uma criancinha na áfrica e sempre jogo os papeis de bala que encontro na rua na lixeira.

Eu tenho certeza de que eu ter dispensado o meu namorado – que me ama e é ótimo - na frente de umas 95 pessoas quando ele estava me pedindo em casamento do jeito mais romantico o possível não vai me mandar para o inferno. Tenho certeza que os seres divinos que fazem o julgamento final dos que passam dessa para melhor vão pensar: "Ah, puxa, foi uma vezinha só. E ela até que tinha razão".

Porque eu tenho. Razão. Eu tenho toda a razão do mundo, eu juro.

Eu e James havíamos tido uma briga terrível no dia anterior. Nada fora do comum, sempre temos brigas terríveis mesmo. Mas você pensa: O que uma pessoa madura faria para acalmar as coisas? Flores é uma boa pedida. Eu adoro ursinhos também. Chocolate com certeza acalmaria meus nervos. Mas o que James fez?

Ele me pediu em casamento!

Gente grande não pede pessoas em casamento para por fim em brigas, James Potter! Gente grande também não deixa a namorada louca da vida porque fica mais tempo com a sua nova vassoura do que com ela! Gente grande não tem só bolinhos e cookies na dispensa!

Okay, Lily respira. Um. Dois. Três. Reeespiração.

Muito bem. Como eu ia dizendo, eu tinha razão para dispensar o James. E não é minha culpa que ele tenha resolvido fazer esse pedido num lugar onde ele poderia ser facilmente humilhado. Se ele não fosse tão confiante (lê-se "convencido") ele não teria arriscado aquele restaurante chique e não teria acabado comendo uma lagosta inteira sozinho.

E além de tudo, James não precisa da minha ajuda para se humilhar. Ele faz isso muito bem sozinho. Hoje mesmo acordei de um jeito muitíssimo especial...

- Liiiiiiiiiiiiiily... – Seria um gato? Um cachorro atropelado? Talvez uma criança estrangulada?

- LIIIIIIIIIIIILY... – Resolvi ir até a janela ver o que era aquela coisa.

James estava parado enfrente ao meu portão, com uma garrafa na mão e encarando a janela do meu quarto. Vi atrás dele seus fiéis escudeiros – Sirius, Remus e Peter – carregando um instrumento mexicano cada e usando sombreiros.

- James, são três da manhã. Vá embora.

- Embora pra onde? – ele choramingou de seu jeito bebado – Eu não tenho casa, você me expulsou... Não tenho teto, não tenho namorada, não tenho dignidade...

- Vá pra casa da sua mãe. – eu disse sentindo algo bom aquecendo meu coração. A mãe de James sempre foi uma pedra no meu sapato. – Você não faz tudo o que a mamãezinha quer, "Jamie"? Ela vai a-do-rar te ter em casa de novo.

- Lily... – ele tentou começar outra frase do seu jeito bebado. – Lily.

- Sim, James? – apoiei meus cotovelos no parapeito da janela, reunindo toda a paciencia que conseguiria às tres da manhã.

- O que eu fiz de errado? O que eu fiz pra você não me amar mais? – Bebados são tão dramáticos.

- Sirius, por favor, leva ele embora. – olhei pro melhor amigo de James com um olhar de súplica.

- Desculpe, Lily, estamos ganhando por hora – ele sorriu divertido – E ainda ganhamos um extra por usar isso – ele apontou para o sombreiro.

Eu mereço.

- James, acabou. Eu não vou casar com você e, do jeito que as coisas vão, eu nunca vou querer. Você é muito irresponsável, não consigo imaginar meu futuro ao seu lado. – Falei de uma vez. Devo dizer, que não tinha mais calorzinho nenhum no meu coração... Isso foi terrível, eu odiei dizer isso. Mas foram as palavras mais sinceras o possível.

- Eu posso mudar, Lily, eu juro! – ele pegou a vassoura do chão (provavelmente o transporte que ele usou para chegar até minha casa, já que ele sempre ignorou que morávamos em um bairro trouxa) – Eu quebro minha vassoura!

- Não, cara! – Sirius finalmente perdeu o ar divertido que mantinha e o trocou por uma expressão de dor – Não a Katie, você ama a Katie!

- Eu vou matar a Katie. Eu vou! Eu vou matar a Katie!

- Ah, essa eu quero ver – eu revirei os olhos, sem acreditar muito.

E então, para a minha surpresa, eu presenciei o assassinato de Katie. Assim, bem enfrente à a minha casa. James simplesmente ergueu a vassoura no alto e então a bateu contra o joelho... Quebrou a sua doce Katie ao meio.

- James... – eu prendi a respiração por um segundo – Você não devia ter feito isso.

- Eu não ligo pra mais nada se não tenho você na minha vida, Lils... – e então ele fez um gesto para os amigos. E começou a cantoria...

"Ya lo sé, que corazón que no ve,
Es corazón que no siente,
El corazón que te miente amor.
Pero, sabes que en lo más profundo de mi alma,
Sigue aquel dolor por creer en ti,
¿qué fue de la ilusión y de lo bello que es vivir?

Para qué me curaste cuando estaba herido,
Si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío?

¿quién me va a entregar sus emociones?
¿quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿quién me tapará esta noche si hace frío?
¿quién me va a curar el corazón partío?
¿quién llenará de primaveras este enero,
Y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?"

Os vizinhos começaram a aparecer nas janelas para assistir – ou gritar para eles irem embora. Senti meu rosto esquentar furiosamente... Não podia acreditar que isso estava acontecendo comigo! James não tinha o direito de me fazer passar por tamanha vergonha!

- JAMES! – gritei, para sobrepor minha voz à cantoria dos marotos – JAMES, JÁ CHEGA! EU VOU TE DEIXAR ENTRAR, SÓ PARA DE CANTAR!

Para o meu alivio e o de meus vizinhos, James fez um sinal para que os rapazes interrompessem a música. Falou algo com eles que os fez ir embora e, com um sorriso no rosto, se dirigiu à porta da casa.

Suspirei e desci para abrir a porta para aquele energumeno.

- Lily! – Ele entrou sorrindo – Eu sabia que você ia desistir dessa bobagem de terminar, sabia que ia me aceitar de volta! – Ele fechou a porta atrás de si e avançou como se fosse me beijar. O impedi de o fazer com um empurrão de leve.

- Okay, James. Vamos conversar, ta bom? – Agora eles têm que me deixar ir pro céu.


N/A: !Hola, chicos! Espero que tenham gostado do capítulo e compreendido a natureza de minha Lily. Costumo fazer Lilys um tanto quanto problemáticas...

Enfim, espero que tenham gostado de tudo! Semana que vem a Lina vai postar mais um capítulo com o James (caso não tenham percebido, eu sou a "Allegra" /Ana e estamos revesando... o que significa que os personagens também estão revesando).

Mandem reviews, por obsequio.

Até mais ver (daqui a quinze dias, creio eu).

P.S. Música 'tocada' neste capítulo : Corazón Partío - Alejandro Sanz