Capítulo 2 – Lamento: nada dura para sempre
"Sonhos. Todos os têm. Alguns bons, outros ruins. Alguns tentam realizá-los, outros, tentam esquecê-los, ou simplesmente fingem que eles não existem. Alguns de nós, têm apenas pesadelos. Mas não importa o quanto você sonhe. De manhã, os sonhos são interrompidos, a realidade insiste em interrompê-los." (Gossip Girl)
(Gina POV)
Eu não sabia por que tinha fugido na noite passada. Talvez eu tivesse medo de me decepcionar, e por isso achei melhor deixar as coisas como estavam, para que nada estragasse aquela noite. Quando eu digo me decepcionar, não quero dizer que Harry me decepcionou. Não era bem assim. Eu entendia seus motivos, ele era o sempre tão nobre herói, e isso eu respeitava.
Mas o que me magoou foi que ele não me entendia. Eu não sou a 'frágil Gina', que não sabe lidar com os problemas e não sabe resolve-los sozinha que ele e quase toda a minha família pensava que eu era. Para Harry (e não para o garoto misterioso) eu era e sempre seria a 'donzela indefesa' e eu não gostava. Eu sabia que eu era mais que isso. Não me leve a mal, eu gosto de Harry, ainda gosto. Muito. Porém o fato de ele sempre me deixar de fora me deixava mal.
E então, na insistência de sua idéia, ele havia me dispensado, resolvido me excluir de vez. E foi isso que me decepcionou, eu não esperava isso dele. No entanto, eu não o culpava, ele tinha muita coisa nos ombros. Eu só queria que ele entendesse que eu podia ajudar a aliviar o peso. Mas não foi assim, e agora, às vezes, eu fico chorando feito uma boba lembrando dos momentos que passamos juntos.
Como eu havia começado a chorar agora, sentada em pleno corredor. Idiota. Eu tinha que parar com isso. Nunca fui de chorar, por que agora? Hermione disse algo sobre mesmo nós, que não temos o emocional de uma colher de chá como certas pessoas (não entendi muito bem isso, mas ela com certeza devia estar falado do meu irmão), às vezes não sermos capazes de segurar tantas emoções, medos e pressões ao mesmo tempo, e por isso nos vermos chorando sem um motivo tão aparente. Tomara que seja só uma fase, não gosto muito disso.
Mas, voltando ao assunto... Eu nem sabia quem era ele. E provavelmente nunca saberia. Se a proposta do Baile era uma noite fora do comum, onde tudo, por apenas uma única noite, podia acontecer, por que eu queria mais? Por que eu queria que ela tivesse durado para sempre?
Era hora de acordar do sonho. Eu era de novo Gina Weasley, a 'ex-namoradinha do Potter e a irmã mais nova dos muitos Weasleys'. Sim, sempre tinha esse 'complemento'. Nunca apenas Gina, nunca. Mas eu ia encontrar uma forma de mudar isso, porque eu sabia que eu era mais. Eu havia construído minha base durante os dois últimos anos; uma das melhores artilheiras de Hogwarts e Miguel, Dino e alguns outros me vendo como alguém além da pequena Weasley; e agora era hora de começar a subir a pirâmide.
Levanto e abaixo para recolher meus livros.
BANG! Alguém tromba em mim, e eu me viro para pedir desculpa.
Draco Malfoy. Que ótimo, tudo que eu mais precisava. Começar a erguer minha pirâmide sendo insultada pela doninha metida, uau, parabéns Gina!
Espero. Lá vem o insulto em cinco, quatro, três, dois, um...
Nada.
Ele olha rapidamente e passa reto, sem dizer sequer uma palavra. Estranho, muito estranho. Ele parecia... perturbado? Confuso? Não sei. Mas eu nunca tinha visto Malfoy sem sua expressão arrogante no rosto, nunca tinha visto ele abalado. Me vi sentindo pena dele. E isso era quase tão estranho quanto ele não me chamar de 'pobretona Weasley que morre pelos olhos de sapinho do Potter' ou algo parecido. De qualquer forma, não era hora de pensar nisso, eu tinha treino de Quadribol. Eu ia ver o Harry, é verdade... Mas eu ia voar, e isso praticamente bastava.
(Draco)
Era estranho estar de volta à realidade. Eu queria tanto ter simplesmente esquecido a vida por mais algum tempo. A noite passada foi... fora de minha realidade, foi maravilhosa. Mas o fato é que essa palavra não existia no vocabulário Malfoy, a menos que você esteja falando de si mesmo. Malfoy era um nome de peso, um nome que colocava muitas coisas e nenhuma escolha nas suas costas. Com ele vinha responsabilidade e pressão. Será que não importava o fato de eu não querer ser um Comensal da Morte e seguir um homem encapuzado com cara de cobra e sem nariz, o tal Lorde das Trevas? Não, não importava.
A garota misteriosa havia sido meu refúgio, e eu queria mais. Eu queria mais daquele bendito vício. Queria poder fugir da realidade quando quisesse. Mas eu não fazia idéia de quem era ela. Eu ponho a mão em meu bolso, e envolvo o pingente com a mão. Até ele era quente. Um pequeno coração que me guiava de volta não só à noite passada, mas aos meus sonhos e verdadeiros objetivos.
Mas, eu não tinha escolha. Meu destino já estava definido...
BANG!
Trombo com alguém e, antes de erguer os olhos, deparo com uma pulseira de coraçãozinhos, o do centro faltando. Aperto ainda mais o pingente em meu bolso. Então resolver finalmente encarar quem estava lá.
Gina Weasley.
Não, não podia ser. Não a Weasley pobretona fã número um do clubinho 'Amamos o Potter'. Mas lá estavam os olhos, aqueles olhos.
Pela primeira vez não lanço nenhum insulto a ela, sinto minha voz presa em minha garganta, e apenas saio, sem acreditar naquilo. Não sei o que estava sentindo. Nojo, ódio, decepção? Mas eu conhecia todas aquelas sensações, e podia sentir uma nova dentro de mim. Era... desafio? Expectativa? Não sei. O que era?
(Gina POV)
Me despeço de Harry nas escadas do salão comunal e fecho a porta do meu quarto, que estava vazio, com um sorriso bobo nos lábios. Fico lembrando as tantas risadas que demos juntos no treino, das brincadeirinhas, do par de olhos verdes que não conseguia parar de me encarar... Foi quase como voltar no tempo.
Me repreendo alguns segundos depois. Eu não devia ficar pensando essas coisas. Isso trazia de volta todas as minhas esperanças, expectativas. Mas isso não era certo, nada voltaria a ser como era. Eu não teria Harry de volta. Eu precisava parar de me iludir.
Mas era tão difícil enquanto eu o tinha perto de mim. Eu podia pelo menos aproveitar aqueles momentos, não podia? Afinal, a vida sempre acabava surpreendendo.
(Draco POV)
Um mês havia se passado desde o Baile. Quatro semanas longas e intermináveis. O mais estranho era que com o passar dos dias eu me importava menos de que a garota misteriosa fosse a Weasley. Isso pode parecer estranho para você que já ouviu falar sobre Draco Malfoy. Mas a verdade é que eu nunca fui o que aparento ser. E já estava farto disso. Eu estava me desligando aos poucos dos meus hábitos, costumes, da forma com que fui criado. Eu queria ter o poder de escolher o rumo da minha própria vida. Eu, como todo sonserino legítimo, queria dominar e não ser dominado. Mas me faltava uma coisa: coragem.
Eu tinha medo de enfrentar as coisas, meu pai e talvez até a mim mesmo. Era isso que me fazia odiar os grifinórios. Eles tinham algo que eu invejava, que eu queria pra mim. E algo dizia pra mim que a Weasley era a chave para isso. Não sei se eram os olhos, que eu já te disse uma vez, nos prendiam ao nosso último e verdadeiro objetivo, ou se era o insistente coraçãozinho que insistia em queimar em meu bolso. Só sei que eu precisava dela, até eu conseguir o que queria.
Mas isso era impossível. Primeiro: ela me odiava tanto quanto eu a odiava, mas ela não precisava de mim para nada. Segundo: ela continuava morrendo pelos olhos de sapinho do Potter, e era nítido a mudança de comportamento entre eles. Eles estavam voltando a aquelas risadinhas e companheirismo que eles chamavam de 'apenas amizade', mas todos sabiam que havia algo mais. Sempre houve. O fim do namoro deles foi repentino e ninguém sabia o que realmente havia acontecido, e agora eles agiam como se meses de tensão entre eles não tivessem sido nada.
Sinto alguém me abraçar por trás e beijar o meu pescoço. Pansy, é claro. Beijo ela rapidamente, e me desvio tão rápido quanto. Dou uma desculpa qualquer e saio da sala comunal antes que ela me peça para subir até o dormitório com ela. Não estava com paciência para Pansy hoje, não mesmo.
Penso mais uma vez na minha situação e me vejo sem saída. O que fazer quando nada pode ser feito? Esse era o problema, e por enquanto, não havia solução.
(Gina POV)
Aquele último mês tinha sido perfeito. Eu estava tão feliz! Era incrível ter Harry perto de mim de novo. Eu não queria criar expectativas, mas era impossível. Será que as coisas iam finalmente mudar e voltar a dar certo? Com um sorriso que cobria mais da metade do meu rosto, viro o corredor que levava ao Saguão de Entrada, lotado por ser hora do jantar. No meio da multidão consigo ver Harry, e se é que era possível, sorrio mais ainda.
Por pouco tempo. Parvati pula no pescoço dele, e ele, com um sorriso, dá um beijo nela. Sinto meu mundo desmoronar, novamente. Eu sei que parece o maior drama quando digo isso, mas acontece que eu havia entendido tudo errado. O motivo de Harry voltar ao normal foi que ele já havia arrumado uma nova pessoa e com isso, me superado. Eu me sentia idiota. Segurei as lágrimas o máximo que pude e, com um soluço estrangulado, corri até a sala mais próxima. Fechei a porta, não sem antes notar um par de olhos acinzentados, que as lágrimas me impediram de ver de quem eram.
(Draco POV)
Chego ao Saguão a tempo de ver a ceninha entre o Potter e uma das Patil, a grifinória. Parvati, se não me engano. Consigo encontrar a Weasley no meio da multidão. Ela estava com uma expressão que seria engraçada pra mim em outras circunstâncias. Era a expressão de quem segurava o choro, tentando não desabar.
O que muitos chamariam de destino, eu chamo de oportunidade perfeita. Era a minha chance. Não me importa o que ela estivesse passando, desde que isso mudasse o que eu passava.
Sem pensar duas vezes e no que isso significaria e mudaria dali pra fente, me escondo atrás de uma armadura, transfiguro meus cabelos, tiro a gravata da Sonserina e oculto os símbolos que me identificariam. Colocando a minha máscara, abro a sala em que ela estava e entro sem olhar para trás.
Era o começo de um jogo e eu não sabia até quando ele iria durar.
NA: Os jogos começaram! O que irá acontecer nem eu sei ainda! E vocês, o que acham? Deixem reviews, quero muito saber o que acharam! Críticas construtivas também são aceitas. E eu sei que os caps. tão muito curtinhos, mas acho que eles vão ficando maiores com o tempo. E também sei que esse cap. foi bem sem gracinha, mas era necessário. Era pra esse vir antes, mas quem posta fics sabe que o 'Error Type 1' impediu isso.
Obrigada Laslus, Kandra (obrigada querida, de verdade! e aí está o cap. 2 :D), diana gfg (minha querida co-tradutora de Draco Veritas), uu Higurashi Potter e PaNdOrAh-ChAn pelas reviews, fiquei muito feliz (muito mesmo, com direito a pulinhos e tudo mais hihi) com todas elas! Se verificarem seus inbox eu respondi todas elas, e quero vocês acompanhando sempre :D Beijinhos!
PS: a Tati Black me perguntou sobre o link do vestido, que não deu pra abrir. Já corrigi lá, mas vou colocar aqui também, pra quem não quiser voltar: tirem os espaços e é o da esquerda, só que branco ao invés de verdinho: C:\Users\smd\Pictures\ secret. jpg
