[1 de setembro de 1971]

James Fleamont Potter tinha tudo o que um garoto de 11 anos poderia querer, mas, se havia uma coisa que sempre desejara, era estudar em Hogwarts. Não tanto a parte de estudar, mas de estar lá, poder explorar o castelo e viver por si próprio as aventuras que sempre ouvia do pai. "Os Potters são bravos e aventureiros natos, mas o segredo do nosso sucesso está nesta relíquia de família" contara-lhe na noite anterior a partida para a escola quando lhe confiara a Capa da Invisibilidade da Família Potter. O tecido prateado parecia vibrar no bolso de suas vestes, ansiando por novos anos de glória. Mal podia esperar, já estava tudo planejado em sua mente. Chegar em Hogwarts, ser selecionado para a Grifinória, ser o melhor da sua turma, herói do Quadribol e, nas horas vagas, conhecer todos os segredos do castelo. É claro que ele conhecia tudo o que poderia ser contado sobre a escola, mas viver tudo e investigar mais a fundo, onde ninguém mais viu, essa era a vibração que o movia.

James Fleamont Potter era com certeza o garoto mais confiante, seguro e aventureiro que Hogwarts um dia conheceu e é claro que o destino tratou de juntá-lo com o mais rebelde dos garotinhos de 11 anos. Sirius Oreon Black tinha o desejo de se provar diferente, mas aquela altura não sabia disso, ali andando no corredor do vagão do trem que os levava para a escola, ele via Hogwarts apenas como uma oportunidade de se libertar e fazer só aquilo que realmente queria. Nada de mãe maluca e das tradições da Família Black. Nada de elfos domésticos correndo atrás dele dizendo "A sra. Black não irá aprovar isso, Sr. Black". Não. Ali ele poderia ser o que quiser, muito bem, obrigado.

- Hey, esse lugar está ocupado? – perguntou despreocupado o garoto de cabelos negros na altura do pescoço e olhos cinzentos.

- Não.– respondeu relaxado na poltrona - Sou James Potter e você?

- Black. Sirus Black – disse ele se jogando no assento a frente do garoto de cabelo atrapalhado e óculos de aros redondos.

- Primeiro ano também? Gostei da camisa – disse James apontando para a camiseta, - Chudley Cannons, não é?

- Gostou? Comprei para irritar a minha mãe, ela vivia resmungando algo sobre eles aceitarem mestiços no time, mas eles até que jogaram bem na ultima temporada, então peguei gosto.

O carrinho de doces logo passou e eles evoluíram a conversa para coleções de figurinhas de sapos de chocolate, minutos mais tarde já discutiam sobre os monstros que eles acreditavam estar escondidos no castelo e sobre histórias com lobisomens correndo pela Floresta Proibida. James Potter e Sirius Black eram como almas irmãs se encontrando e estavam tão empolgados que mal prestaram atenção nas outras duas crianças que pediram para entrar no compartimento, até que...

- É melhor você ficar na Sonserina, - disse o garoto de pele pálida e cabelo negro ensebado para a menina ruiva de olhos verdes ao seu lado.

- Sonserina? Quem quer ficar na Sonserina? Eu acho que eu iria embora se isso acontecesse, você também? - James perguntou acenando para Sirius a sua frente.

- Minha família inteira esteve na Sonserina. – disse ele sério.

- Nossa, - disse James, - e eu achei que você parecia normal!

Sirius sorriu.

- Talvez eu quebre a tradição. Onde você quer ficar, caso possa escolher?

James brandiu uma espada invisível.

- "Grifinória, onde estão os bravos de coração!" Como o meu pai.

Severus Snape fez um pequeno barulho depreciativo. James voltou a olhá-lo.

- Algum problema com isso?

- Não, - disse Snape, embora seu leve sorriso dissesse o contrário. - Se você prefere ser musculoso ao invés de inteligente...

- E para onde você espera ir, uma vez que você não parece ser nenhum dos dois? - interpelou Sirius.

James caiu na risada. Lily Evans endireitou-se, bastante vermelha, e olhou de James para Sirius com desgosto.

- Vamos, Severus, vamos procurar um outro compartimento.

- Oooooo...

James e Sirius imitaram sua voz arrogante; James tentou passar uma rasteira em Snape quando este passou.

- Vejo você por aí, Ranhoso! - uma voz chamou, assim que a porta do compartimento bateu.

Lily Marie Evans de 11 anos estava com o coração dividido até avistar o castelo. Fora bastante difícil para a garota sair de casa para passar o ano longe da família, ainda mais deixando a irmã mais velha, Petúnia Evans, tão chateada. Queria mesmo que Tuney dividisse aquilo com ela, afinal, até o dia que em recebera a notícia de ser uma bruxa, elas haviam compartilhado tudo. Mas, no segundo em que os botes que levavam os alunos do primeiro ano avançaram no Lago Negro e a menina avistara o castelo pela primeira vez, banhado pela luz do luar, Lily Evans soube que aquele era o seu lugar. É claro que ela conhecia tudo o que poderia ser lido sobre a escola, havia devorado Hogwarts: uma história em poucos dias, mas uma imagem vale mais que mil palavras e nenhum livro poderia descrever aquela visão. As torres imponentes, as janelas como estrelas no céu, ao entrar pela primeira vez no grande saguão, sentia como se seu coração saltasse em reconhecimento. Aquele era seu lugar. Ela era uma bruxa. Lily Evans percebeu ali que o anormal podia ser maravilhoso.

Os alunos do primeiro ano esperavam o retorno da Professora McGonagall para iniciarem a Seleção das Casas. Severus havia explicado tudo a ela. As casas de Hogwarts eram como uma família, com quem iam passar a maior parte do tempo na escola. A seleção era simples, feita por um Chapéu falante, ele lia seus pensamentos e decidia. Lily fizera o amigo repassar com ela diversas vezes o processo: vão chamar seu nome na frente, você senta no banquinho e espera, o chapéu decide e você pode sentar em sua mesa. Nada complicado. Ela poderia fazer isso. Naqueles minutos de espera, o coração de Lily Evans batia tão forte que a garota tinha medo que os demais pudessem escutar. "E se o Chapéu não me selecionar para nenhuma casa?", "Se ele disser que tudo fora um engano e mandassem ela de volta?", "E se ela e Severus forem para casas diferentes, será que ele ficaria muito chateado?".

Sua cabeça clareou e o seu coração se aqueceu quando as portas se abriram e ela pode observar pela primeira vez o teto enfeitiçado do salão. Era o que o livro dizia, mas, ao vivo, parecia tão real. As velas salpicadas por todos os lados lhe davam a sensação de lareira no frio de Natal. Lily Evans ficara tão encantada que tomara um susto quando o Chapéu Seletor começou a cantar e logo depois os nomes foram sendo chamados:

- Avery, Herbus ... "Sonserina"

Ouviu-se aplausos vindo da mesa na extrema direita.

- Black, Sirius ... "Grifinória"

Murmúrios ecoram no Salão sobre os aplausos da Mesa na extrema esquerda. "Um Black na Grifinória? Não são todos sonserinos?". Mas Sirius seguiu confiante e sorridente para o seu lugar.

- Diggory, Amos ... "Lufa-Lufa" e o menino de cabelos loiros correu para a mesa do centro-esquerda.

E então a Professora McGonagall disse, - Evans, Lily! A garota enxugou as mãos suadas nas vestes e seguiu para o banquinho com as pernas tremendo, ao sentar encontrou o olhar encorajador de Severus e tudo pareceu desaparecer sob o Chapéu.

- Hmm.. difícil, muito difícil. Com certeza uma mente com qualidade para todas as casas. Há muita vontade de se provar, mas não acho que ficaria bem em Sonserina – Lily sentiu o estômago embrulhar – Inteligente, muito inteligente, com certeza será um dos destaques desta turma, seria Corvinal o seu lugar? Poderia ser, poderia ser. Mas há tanta coragem e bravura que não vejo outro lugar se não GRIFINÓRIA!

O coração da garota saltitou junto com os aplausos dos novos colegas de casa, tirou o chapéu, devolveu-o a Professora McGonagall, e se dirigiu a mesa alegre da Grifinória, mas assim que chegou, olhou para Snape, e sorriu tristemente para o amigo que murchara em um gemido de frustração. O garoto Black, que Lily recordara da discussão do trem, levantara do banco para dar lugar a ela na mesa, mas, orgulhosa, a menina cruzou os braços e seguiu mais a frente sentando ao lado de uma garota de cabelos de um tom loiro-escuro na altura do ombro que só parecia ser um ou dois anos mais velha que Lily.

- Alice Griffin. Parabéns pela seleção e seja bem-vinda a Hogwarts – disse a garota sorrindo e a ruiva agradeceu retribuindo o sorriso.
A chamada continuou e Lily assistiu Remus Lupin e Peter Pettigrew serem selecionados para Grifinória, o último demorara uma eternidade no banquinho, dando lugar ao outro garoto do trem, James Potter, que não demorou um segundo para ser selecionado para a casa que queria, infelizmente, a mesma da sua, pensou a menina. Finalmente, quando apenas uma dúzia de estudantes esperava para ser sorteada, a Professora McGonagall chamou Severus. Em partes Lily queria que ficassem na mesma casa, mas sabia que Sevrus queria ir para Sonserina, então ficou contente pelo amigo quando o chapéu gritou:

- Sonserina! E Severus Snape seguiu para o outro lado do Salão, longe de Lily, onde os estudantes da Sonserina o recebiam felizes. Um garoto mais velho, de cabelos loiros platinados com um distintivo brilhando em seu peito, deu palmadinhas nas costas de Snape quando este se sentou ao seu lado.

Logo todos os alunos foram selecionados e o Diretor Dumbledore tomara a palavra liberando o banquete. Lily ficara maravilhada com todas as comidas que apareceram, tudo parecia tão incrivelmente delicioso. A noite seguiu tranquila, como um bom banquete de boas vindas deveria ser. A recém selecionada conversara durante todo o jantar com Alice e seu amigo, Frank Longbottom. Os dois estavam no terceiro ano e deram muitas dicas para a novata sobre as aulas, a biblioteca, os melhores livros, as peculiaridades dos professores. No final do jantar, o monitor da Grifinória, Robert McGonagall Jr., conduziu os primeiranistas até a Torre da Grifinória.

Lily dividiria o dormitório com outras quatro garotas. Marlene Mckinnon, uma menina baixinha de cabelo castanho claro e franjinha que era muito engraçada e durona. Mary Mcdolnalds, era nascida trouxa também, com cabelo cor de margarina e parecia ser uma menina muito doce. Emmeline Vance era muito bonita, tinha cabelos negros compridos que contrastavam com a sua pele pálida e parecia ser o tipo de garota que todos iriam querer ser amigos. Abby Thomas, que tinha pele morena brilhante, cabelos castanhos armados e olhos amendoados, fora muito gentil com todas. A ruiva, e quinta moradora do quarto, estava muito feliz e satisfeita com as novas amigas que mal lembrara de ficar chateada por não estar na mesma casa que Severus. Pelo menos até a manhã seguinte.

[2 de setembro de 1971]

- Eu não acredito que você ficou na Grifinória e não Sonserina.

- O Chapéu disse que eu não me daria bem na Sonserina, Sev. Ele chegou a considerar Corvinal. Para você também, não é? Quem sabe se falarmos com o Professor Dumbledore, ele nos deixe ir para lá – tentou a garota em tom carinhoso enquanto os dois se apressavam pelas masmorras para a aula de Poções que teriam juntos.

- Já falei que as coisas não funcionam assim. Agora vai ter que ser desse jeito.

- Ainda teremos aula juntos, e a biblioteca. Além do mais, Grifinória não é tão ruim, minhas colegas de quarto são ótimas e ontem no jantar conheci dois terceiranistas que foram muito gentis – defendeu a ruiva, mas nesse momento a dupla de encrenqueiros do trem passou pelos dois derrubando o material de Severus.

- E aí, Ranhoso? Já borrou as calças de felicidade por ter entrado na Sonserina? – perguntou o garoto de óculos, Potter, arrancando risadas do garoto de cabelos compridos, Sirius Black, e do gordinho baixinho que corria atrás deles para a sala, Peter Pettigrew, lembrara Lily.

- É, estou vendo, não é de todo mal – reclamou emburrado Severus.

- Não ligue para eles. Garotos assim são uns idiotas, não importa a casa.

O drama da seleção e dos valentões logo fora esquecido pelos amigos que se mostraram ser muito bons em Poções. O Professor Slugorn ficara muito contente com a dupla e os dois conseguiram dez pontos para as suas respectivas casas. Com o passar dos dias, a amizade conseguia superar as limitações. Eles tinham Poções e Defesa contra a Arte das Trevas juntos, estavam sempre adiantados para refeições para colocar as novidades em dia e sempre se encontravam na biblioteca no fim das aulas para fazer as tarefas. Lily e Severus eram amigos a muito tempo, nada poderia separá-los. Pelo menos era o que ela pensava no auge de seus 11 anos.

[20 de setembro de 1971]

Já passara da meia-noite e os ânimos estavam exaltados no Salão Comunal da Grifinória. Na tarde seguinte os primeiranistas teriam sua primeira aula de voo, junto com os alunos da Sonserina. A primeira aula de voo já era motivo o suficiente para burburinho, dividi-la com a Sonserina, então. Some isso ao aviso de que no sábado haveriam testes para o time de Quadribol e que alunos novatos não seriam aceitos até completarem o curso de voo.

- Não acredito que não poderemos fazer os testes. Isso é tão injusto! Eu aprendi a voar antes mesmo de andar e a Grifinória está mesmo precisando renovar esse time! – exclamou James Potter para o amigo – me falaram que não ganhamos a anos!

- Relaxe, James. Ano que vem poderemos tentar. Pense positivo, se você não tivesse que fazer aula de voo, não teria a oportunidade de ver o Ranhoso ensebar as vassouras da escola. Isso se ele conseguir montar em uma. Aposto um galeão que a pobre da vassoura foge daquelas mãos gordurosas – disse Sirius Black.

- Aposto que ela vai bater naquele narigão – riu junto o amigo.

- Vocês têm que parar de implicar com Severus! O que ele fez para vocês? – falou Lily Evans, finalmente dando atenção aos garotos por trás de um exemplar de "Voos para iniciantes".

- É mais pelo fato de ele existir – disse James se apoiando no braço da poltrona onde ela estava para espiar o livro – Sabe, Evans, voar não é algo que se possa aprender nos livros, é mais sobre talento natural.

- Fico surpresa de saber que uma vassoura consiga suportar o peso dessa sua cabeça cheia de titica, Potter – respondeu ela fechando o livro bruscamente e seguindo para o dormitório.

- "Fico surpresa de saber que uma vassoura consiga suportar o peso dessa sua cabeça cheia de titica, Potter" – imitou ele para Sirius quando a ruiva se afastou – qual o problema dessa garota?

- São garotas. Elas não entendem a coisa toda por trás do Quadribol – respondeu ele despreocupado para o amigo.

- Pois fique sabendo, Black, que as Holyhead Harpies estão acabando com o seu Chudley Cannons no campeonato, nada mal para um time só de garotas, hã? – afrontou Marlene Mckinnon. Isso acontecia bastante, porque Marlene tinha de baixinha o que tinha de espevitada e sempre deixava Sirius Black sem resposta.

- O fato de você torcer para esse time já diz muito o que garotas sabem sobre Quadribol. Estão fadadas ao fracasso! – disse ele com desdém.

- Pois eu aposto que elas vão se sair melhor do que o seu time, tanto quanto eu, na aula de voo amanhã, em relação a você! – disse ela estreitando os olhos e apontando os dedos no peito do garoto.

- Você que pensa, Mckinnon.

- Eu te garanto, Black!

- Qual o problema dessa garota? – exclamou ele para James quando ela subiu para o dormitório feminino.

- Não sei não, eu apostaria nela, Black, a Mckinnon me dá medo – respondeu o outro colega de quarto deles, Trevor Pike.

- Ah, não seja um maricas, Pike. O que você acha, Lupin? - perguntou ele para o menino de cabelo loiro cor de palha que também era do dormitório deles e até então não tinha dado grande atenção para o alvoroço.

- Hã? Eu?

- Mas é claro, venha aqui, você precisa socializar mais com a gente, cara. Você é muito quieto, vou lhe ensinar a viver – falou Sirius colocando o braço sobre os ombros do garoto.

- Bom, a Mckinnon é mesmo um pouco assustadora, mas já vi como você fica insano quando coloca algo na cabeça, tipo na semana passada quando vocês estavam planejando sequestrar a gata do Filch – falou Lupin e um sorriso apareceu imediatamente nos rostos de James e Sirius relembrando o dia.

- Aquele dia foi mágico mesmo, vocês lembram a cara dele quando recebeu o bilhete pedindo o resgate? – riu James – Você definitivamente tem que participar da nossa próxima empreitada, Lupin, aposto que tem uma mente maligna por trás desse garoto certinho. Estamos planejando fugir na noite de Lua Cheia para a Torre de Astronomia...

- N-Na noite de Lua Che-e-ia? V-v-vocês não p-podem! – exclamou o garoto loiro exasperado, seus olhos se arregalaram e ele de repente aparentou ser mais pálido.

- Qual o problema? Tem medo de lobisomens? Sirius jura que ouviu um uivo vindo da Floresta Proibida na última aula de Astronomia...

- V-vocês não podem se meter com essas coisas, é perigoso, para isso que tem toque de recolher – falou o garoto se afastando do braço do colega de quarto – agora preciso dormir.

- E-eu iria c-com vocês se quisessem – falou o garoto gordinho Pettigrew sentado a lareira com olhos esperançosos.

Naquele dia Sirius Black perdera dois galeões, um por que Marlene Mckinnon realmente arrasara na aula de voo, quase tão boa quanto Potter; e o outro, por que na primeira tentativa de dizer "suba" a vassoura subiu batendo no nariz anormalmente grande de Severus Snape. Lily Evans olhou feio para eles, ajudando o amigo com o nariz sangrando, enquanto Sirius pagava a aposta a James que gargalhava. ela mesma não conseguira fazer a vassoura mover mais do que uns centímetros para um lado e para o outro, o que aumentou a sua zanga para cima dos dois.

Fora os olhares tortos da ruiva, a semana seguira tranquila e sem novos acontecimentos na vida de James e Sirius, até que Remus Lupin teve que voltar para casa na outra quarta-feira por que a mãe estava doente, fazendo com que teorias fervilhassem no dormitório.

- Será que ele ficou com tanto medo assim de sair na Lua Cheia e inventou essa desculpa para não ir com a gente? – perguntou Sirius para o amigo na cama ao lado.

- Nã, ele está na Grifinória, somos todos corajosos – respondeu James.

- Mas Pettigrew bem que borrou as calças para aqueles Sonserinos ontem à tarde.

- Não pode falar dele assim, Sirius. Temos que ser leais a nossa casa, vamos defende-lo da próxima vez, está bem?

- Tudo bem, tudo bem. Pregar peças só te graça quando é o Ranhoso mesmo e ele pelo menos é da Sonserina. Temos passe livre.

[4 de outubro de 1971]

- Hey, Lupin, que bom que está de volta, como está a sua mãe? – gritou James enquanto corria acompanhado do amigo para alcançar o garoto.

- OOOOuuooo! Que cicatriz irada! – exclamou Sirius quando se aproximaram e puderam ver a cicatriz que cortava o lado direito do rosto de Remus – quem diria que você seria selvagem assim, hein Lupin? Foi em uma briga?

- Sim, com o gato que eu tentava expulsar de casa. Patético! – exclamou o menino loiro com desculpa que ensaiara para contar aos colegas na ponta da língua.

- Que pena, a Madame Norra sempre me ataca também – deu de ombros Sirius.

- Não sem motivos, você não pode vê-la que já quer praticar feitiços de levitação – gargalhou James.

- O que? São por motivos acadêmicos! – disse ele solene para os colegas.

- Vocês não têm jeito mesmo - riu Remus fracamente.

Mas, no fundo, o garoto estava realmente contente por não ter que dar maiores explicações ou por finalmente ter algo quase como amigos. Com o passar das semanas James e Sirius passaram a incluir ele em praticamente tudo. James até lhe contara da sua relíquia de família, uma capa da invisibilidade. Remus Lupin estava tendo o que mais desejara na vida: uma infância quase que comum. Todos os primeiranistas da Grifinória pareciam gostar dele, Lily Evans o ajudara com as matérias que perdera durante a sua ausência e mesmo o garotinho gorducho, Peter Pettigrew, dividira com ele uma barra de chocolate como consolo pela doença de sua mãe. Foi então que ele teve a ideia de retribuir, defendendo a entrada do menino no grupo o qual ele vivia seguindo.

- Vamos, ele não é de todo mal. Ele tem um estoque de doces bem legal, inclusive – defendeu Lupin para os amigos.

- Eu aposto que ele nos ajudaria a achar as cozinhas durante a noite, seria muito útil – pensou James.

- Tudo bem, tudo bem – se entregou Sirius Black – vamos chamar o Pettigrew para a equipe.

Então, foi assim que os três se meteram em sua prima briga em Hogwarts, pois quando viraram o corredor, lá estava Peter sendo acuado pelos Sonserinos novamente. Avery e Mulciber eram dois garotos carrancudos e mais altos do que todos da turma e viviam implicando com o mais fraco dos grifinórios daquele ano. Eles pareciam querer descontar no garoto sempre que perdiam para James e Sirius. Ranhoso normalmente andava com eles, mas não estava no momento, que pena.

- Hey, Mulciber, que tal achar alguém do seu tamanho para brigar? – gritou Sirius.

- Você não passa de um frangote, Black!

- Mas sou melhor em feitiços do que você.

E realmente era. James Potter e Sirius Black poderiam ser rebeldes e encrenqueiros, mas eram ótimos alunos. Quando os convinha, é claro. Feitiços, Transfiguração e Defesa contra a arte das Trevas, eram realmente uteis aos garotos, então sempre se adiantavam nas matérias e sabiam mais azarações do que qualquer garoto do primeiro ano em tão pouco tempo de escola. Por isso, Mulciber mal teve chance quando suas pernas ficaram presas e Avery mal conseguia se equilibrar ao puxar o amigo para longe quando seus dentes começaram a crescer absurdamente. Os quatro garotos ficaram para trás gargalhando com a cena.

- Adorei a azaração, Black, onde encontrou? – perguntou James rindo e se apoiando no ombro do amigo.

- Em um livro que a Evans estava lendo outro dia no Salão Comunal. Adorei que você aperfeiçoou a transfiguração dos dentes, acha que já podemos passar para o capítulo 10 de "Transfiguração pregando peças"?

- Vocês são uns gênios do mal – riu Lupin.

- Você tem muito a aprender com a gente, meu caro amigo. E você – falou James virando para Peter que olhava para os outros com admiração – não precisa mais se preocupar, vai andar com a gente agora e vamos te defender. Em pouco tempo vai conseguir se livrar deles sozinho.

E foi assim que a amizade entre os quatro começou. Logo, Hogwarts seria pequena para aquele grupo de marotos.

[31 de outubro de 1971]

Enquanto a amizade dos marotos crescia, a amizade de Lily e Severus ficava estremecida. Suas amigas não gostavam dele e ela tão pouco gostava dos garotos com quem ele andava. Avery, Mulciber eram asquerosos.

- Eles vivem importunando o pobre Peter, Sev, só por que são maiores.

- Peter não é santo. Ele anda com o Potter, Black e o outro garoto estranho.

- Não estou dizendo que Potter e Black são melhores, mas isso não justifica as atitudes dos seus amigos também.

- Podemos por favor para de brigar – gemeu o garoto – somos amigos, não? Melhores amigos?

- Tudo bem, tudo bem – rendeu-se Lily – só por que estou ansiosa para a Festa de Halloween do Clube do Slug.

O Clube do Slug era o nome dado as reuniões que o Professor Slughorn oferecia aos seus melhores alunos, seja pelo talento ou pela influência da família em questão. Havia quem criticasse o clube, intitulando-os como um bando de bajuladores, mas com certeza a Festa de Halloween era um sucesso entre os alunos. Afinal, quem iria reclamar de comida, bebida e música boa no meio do período escolar? Lily e Severus eram os melhores alunos de Poções, portanto tinham seus lugares reservados na festa; outros alunos daquele ano tinham famílias grandes o suficiente para garantir ao menos o primeiro convite, até que Slughorn decidisse se eles eram bons o suficiente para o seu Hall da Fama. Logo, Sirius Black, James Potter, Marlene Mckinnon, Emmeline Vance também adquiriram seu lugar.

Lily Evans descera com as amigas para a sua primeira festa no mundo bruxo e no dia das bruxas! A sala do professor havia sido expandida por magia, havia mesas imensas com doces e salgados de todos os tipos, uma música que ela nunca havia ouvido na vida ecoava alto pelo salão. Os alunos mais velhos tomavam conta da pista e o Professor Slughorn exibia os seus convidados influentes para todos. A garota conversava animada Alice e Frank, contavam-lhe todo tipo de histórias que já ocorreram nas festas do professor. Do outro lado do salão, Lily avistou Severus e os amigos, e reuniu toda a boa vontade do mundo para dar uma chance a eles.

- Prazer, sou Lily Evans, acho que nunca fomos devidamente apresentados por Severus – disse a ruiva com o seu melhor sorriso estendendo a mão para os garotos.

- Evans? Não conheço o nome, seus pais faze o quê? – perguntou Mulciber com um olhar superior, ignorando a mão estendida da garota.

- Hmm.. Meu pai é professor em...

- Em outra escola de magia? – completou Avery.

- Não, não, em uma escola trouxa..

- Então você é mestiça? Sua mãe faz o quê? – falou o garoto, analisando-a da cabeça aos pés.

Snape parecia afundar em seu lugar a cada pergunta, tentando não olhar para o rosto de Lily.

- Não, ela é dona de casa, trouxa também, s-sou nascida-trouxa...

- Hm. Interessante. Temos que falar com outras pessoas. Você vem, Snape?

- U-um minuto...- mas os garotos não esperaram a resposta.

- O que foi isso, Sev?

- N-nada, Lily. Escute, eu tenho que ir com eles e ...

- Você havia me dito que não havia problema eu ser nascida-trouxa...

- Mas n-não tem!

- Não sou boba, Sev. Seus amigos pareceram se importar...

-Besteira, é só o jeito deles, confie em mim. Você confia, não é? – a garota assentiu ainda desconfiada – ótimo, nos vemos mais tarde, então?

O garoto se afastara para junto dos amigos. Ele usava roupas maiores do que eles, mas já estava em um estado melhor do que quando o conhecera dois anos atrás. O coração de Lily apertou, mas ela não sabia o porquê.

- Alice, tem algum problema ter nascidos trouxas na escola? – perguntou a garota se aproximando do grupo novamente.

- É complicado, Lily. Para as nossas leis, não há problema nenhum, as há bruxos "sangue-puro" que sustentam esse tipo de preconceito. Uma grande besteira, sabe? Como os trouxas são quanto ao racismo e ao nazismo. Você não deve ligar para esse tipo de coisa, ok?

Essa fora a primeira vez que Lily entrara em contato com esse tipo de ideologia. Naquele dia, Lily Evans se sentira inferior, mal ela sabia que, anos à frente, iria lutar com todas as suas forças contra esse tipo de ideal.

Do outro lado do salão, James Potter e Sirius Black aprendiam sobre lealdade. Naquele dia, ser leal significava não deixar que os outros inferiorizassem seus amigos. Ser leal significava não concordar com privilégios que lhe eram dados sem que eles tivessem feito nada de especial. James Potter e Sirius Black poderiam ser um tanto arrogantes e autoconfiantes, mas eram leais. Nenhum velho caduco iria dizer que seus amigos não eram dignos o suficiente para ir a uma festa idiota.

- Sr. Black, Sr. Potter, que bom que puderam vir. E senhores... – a empolgação do Prof. Slughorn diminuiu ao avistar os companheiros dos dois. "Quem são mesmo esses garotos?" pensou ele.

- Peter Pettigrew e Remus Lupin. Sabe, o convite dizia para trazer um acompanhante, não poderíamos ter escolhido melhor, certo Professor? – provocou Sirius.

- Claro, Claro, divirtam-se, Pettigrin e Lupew – disse ele e os garotos reviraram os olhos entrando na sala.

- Então, todos sabem os seus postos? – perguntou James – Vamos começar a festa!

Não os pergunte como, mas a meia-noite, durante o discurso do Professor Slughorn, bombas de bosta estouraram por todo o salão. Os alunos gritavam e corriam cegos pelo fedor, então uma chuva de tinta começou a cair por todos os lados, banhando o professor de gosma verde. Ao fim, uma faixa apareceu no teto com os dizeres "Feliz dia das bruxas, Slugs". E foi assim que aos 11 anos os Marotos declararam guerra ao Clube do Slug. Sem provas evidentes, é claro.

A guerra desse ano era combatida bombas de bosta sendo atiradas por todo o salão, mas mal eles sabiam que, anos mais tarde, todos dariam suas vidas por essa mesma lealdade.

Bem, quase todos.

[7 de novembro de 1971]

Novembro trouxera o frio e a temporada de quadribol. Os boatos da festa de Halloween ainda corriam pela escola quando os ânimos se exaltaram pelo primeiro jogo, Grifinória versus Sonserina. Os primeiranistas da Grifinória corriam para assistir seu primeiro jogo em Hogwarts, todos trajando vermelho e dourado. Sirius Black fizera questão de, inclusive, pintar o rosto com as cores da casa. Porém, o jogo logo tratara de acabar com a animação.

A Grifinória perdia de 100 a 0.

- Aaah esse time é um fiasco! – gritou James frustrado - Daqui a pouco nem o pomo nos salva!

- Não pode ser tão ruim assim – falou Mary Mcdonalds esperançosa a frente dele.

- Como não? O nosso batedor foi levado para a Ala Hospitalar após ser atingido por um balaço! – exclamou Sirius indignado.

- Eu não consigo nem olhar, é muito terrível, nossa reputação vai parar onde? – reclamou Marlene Mckinnon.

- Me recuso a ficar aqui parado – disse James determinado.

Os outros ficaram sem entender quando ele sumiu, mas os marotos se olharam preocupados. O que ele iria fazer?

"Malfoy, capitão do time da Sonserina, avança mais uma vez para os aros da Grifinória. Oh, que surpresa, mais 10 pontos para a Sonserina. O QUE O NOSSO CAPITÃO TINHA NA CABEÇA AO ESCOLHER ESSE GOLEIRO?!" Exasperou-se o narrador fazendo com que a professora Mcgonagall gritasse com ele de volta "Desculpa, desculpa Professora é que... espere um minuto. O que é aquilo? Uma décima sexta vassoura sobrevoa o gramado. Está perseguindo alguma coisa... É o pomo-de ouro! Os apanhadores dos times perseguem o garoto e o pomo, mas não há nenhuma chance. O garoto misterioso captura o pomo. Espere um instante, eu me lembro dele! É o Potter, novato irritante da Grifinória! Grifinória captura o pomo! Espere um instante, nós ganhamos?!"

A transmissão é cortada e as arquibancadas vão a loucura. Isso nunca havia acontecido em Hogwarts.

- O QUE VOCÊ ESTAVA PENSANDO, POTTER? – gritou a prof. Mcgonagall e o garoto se encolheu no banquinho da sala da diretora de sua casa – O jogo estava terrível, eu sei. Eu mesma quis invadir o campo e acabar com aquilo. Mas o que estava pensando?! Você vai ter sorte se conseguir assistir algum jogo durante os seus anos em Hogwarts.

- Mas professora, eles precisam de mim no time! A senhora viu! Todo mundo viu!

- Exatamente! Todo mundo viu! A Madame Hooch deu a vitória para a Sonserina, o Professor Slughorn exige que você seja afastado do quadribol permanentemente! Cento-e-cinquenta pontos foram retirados da Grifinória!

Ninguém sabia quem estava mais exasperado com a ideia de James Potter jamais jogar Quadribol em Hogwarts, a Professora Minerva ou ele mesmo. Por sorte, sua família tinha influencia, seu pai doara vassouras novas para a escola e ele conseguira sair com apenas a punição de cumprir detenções durante todos os jogos e treinos do ano, mas ele fora recebido como herói na Torre da Grifinória. Um futuro brilhante se aproximava para o time.

[20 de dezembro de 1971]

Após o episódio do Quadribol, o ano seguiu sem novos acontecimentos. É bem verdade que, a esta altura, James, Sirius e Peter já estavam desconfiados das viagens mensais de Remus, mas até os professores sustentavam as desculpas do garoto. Severus também não engolia a história e sempre que podia colocava o assunto em questão para Lily. Qualquer coisa que fizesse alguém ver que os marotos não eram tudo isso.

- Sev, Férias de NATAL! Vamos passar quinze dias sem ter que nos preocupar com Potter e os outros, podemos por favor falar de outra coisa?

Muitos podem se questionar sobre o que fazia esses dois serem amigos. Mas amizades são feitas de conversas e momentos, e Lily Evans e Severus Snape dividiam tudo. Fora ele quem mostrara o mundo bruxo para ela, contara-lhe aquilo que mudara a sua vida. Era ela quem o acolhia quando as coisas estavam ruins em casa. Quando tudo estava desabando, ele sempre podia contar com Lily Evans, os dois cuidavam um do outro. A garota dera a Snape algo que ele nunca havia tido na vida: empatia.

- Como estão as coisas na sua casa? - Lily perguntou.

Uma pequena sombra apareceu nos olhos dele.

- Bem, - ele disse.

- Eles não estão discutindo mais?

- Ah, sim, eles estão discutindo, - disse Snape – Às vezes eu gostaria de fugir, ficar em Hogwarts para sempre. Talvez eu não volte nos próximos feriados.

- Você poderia ficar na minha casa no verão.

- Duvido que sua irmã aceitaria.

- Eu poderia falar com meus pais.

- Você sabe o que eles pensam de mim. Tenho que aguentar sozinho.

- Você não está sozinho, Sev. Sempre terá a mim!

O coração do garoto se confortou. Sempre teria Lily Evans.

Na noite de Natal, no parapeito da janela do quarto da garota, estava um globo de neve, havia um castelo no vidrinho e os pontinhos brilhantes caiam ao seu redor. Lily sorriu e, para Severus, esse era o melhor presente.

[14 de fevereiro de 1972]

Se você algum dia estudou em uma escola mista, sabe que o dia de São Valetim costuma ser bem agitado. Em Hogwarts, isso não era diferente.

Os alunos mais velhos borbulhavam em hormônios, conseguindo, inclusive, fazer com que a visita ao povoado de Hogsmeade fosse exatamente naquela data. Era um sábado de clima ameno, o inverno começara a dar lugar a primavera, e os casais se dispersavam por todo o jardim, partindo para os seus encontros na Casa de Chá da Madame Puddifoot. Até Frank Longbottom tomara coragem de finalmente convidar Alice Griffin para sair, deixando as garotas do primeiro ano anestesiadas.

- Foi tããão romântico! Ele estava tão nervoso e ela ficou tão bonita corada – falou uma sonhadora Mary Mcdonals a beira do Lago com as amigas.

- Eles com certeza são perfeitos um para o outro – disse Lily avaliando se colocava os pés no lago que já estava quase todo descongelado.

- Mal posso esperar para quando formos nós! Andando de mãos dados com um garoto pelo povoado – suspirou a romântica Emmeline Vance.

- Ah, por favor, Emme, os garotos do nosso ano são uns completos tontos, jamais teriam o requinte e cavalheirismo de Frank – disse Marlene Mckinnon.

- Ah vamos, Lene, confesse para nós: você é uma garota James ou uma garota Sirius? – perguntou a morena com os olhos brilhando.

- Uhhhg, nenhum dos dois! Black é um completo idiota...

- E o Potter, então? Não passa de um boboca arrogante – concordou Lily com a amiga.

- Não seja, boba, Lene, todos sabem que opostos se atraem, meu palpite é que você vai acabar namorando Sirius Black – respondeu Emmeline arrumando a postura, falando como se fosse muito mais madura que as outras e arrancando uma careta de Marlene Mckinnon – E o James pode ser bem educado também, Lily, outro dia ele me ajudou em Transfiguração, acho que posso imaginar um futuro para gente, "Emme e James", seriamos o casal mais bonito do nosso ano.

- Lily só tem olhos para o Snaaape, eu vi você dando um cartão de dia dos namorados para ele mais cedo – brincou Mary fazendo o rosto de Lily ficar da cor dos cabelos dela.

- Somos amigos! É um costume trouxa entregar aos amigos cartões de dia dos namorados, você sabe disso Mary. Eu fiz um para todas vocês!

- Nem Potter, nem Black. Remus é tão mais maduro, eu acho até as cicatrizes dele adoráveis – confessou Abby arrancando risadas das amigas.

Garotas realmente amadurecem mais cedo, por que do outro lado do castelo, os garotos do primeiro ano da Grifinória só conseguiam pensar em...

- Essas regras excludentes da escola são ridículas! Primeiro o quadribol e agora não podemos ir ao povoado! – reclamou James.

- Que foi, Potter? Queria chamar Emmeline para sair? "James e Emmeline sentados em uma árvore, se bei-jan-do" – cantou Sirius apertando as bochechas do amigo e arrancando gargalhadas dos outros dois marotos - Essa garota está louca por você, garanhão.

- Não sejam ridículos! Garotas são irritantes, veja só a Evans e a Mckinnon, sempre no nosso pé! Vance não é tão diferente, além do mais, eu estava mais interessado em ir na Zonko's, seus bestas – falou o garoto mal-humorado.

- E a Dedos de Mel, imagine só os doces que tem por lá – sonhou Peter.

- Ouvi dizer que há uma casa mal-assombrada no povoado, chamam de Casa dos Gritos, aposto que vocês não teriam bolas de ir lá – no momento que Sirius terminou a frase, o rosto de Remus já estava em pânico.

- M-mas o próprio Dumbledore disse que lá é p-perigoso – gaguejou o garoto loiro, mas os outros não pareceram ligar.

- Eu aposto que devem ter passagens secretas que nos levariam ao povoado... – James começou e imediatamente os olhos de Sirius brilharam em reconhecimento.

- Vamos, Remus, não seja tão certinho e medroso – exclamou Sirius quando os quatro já corriam para fora do dormitório confabulando sobre corredores ocultos do castelo.

Os Marotos já tinham uma missão para o resto do ano.

[15 de abril de 1972]

Os primeiranistas achavam que teriam paz com a chegada da Páscoa, mas logo descobriram que as Férias de Primavera não eram tão legais quanto as de inverno. Os professores aproveitavam a folga para encher os alunos de tarefas preparatórias para os exames finais, então, mesmo que não tivessem aulas aquela semana, ninguém voltara para casa e o Salão Comunal da Grifinória fervilhava em uma pilha de nervos.

Havia livros da biblioteca espalhados por todos os lados, os alunos do quinto ano estavam prestes a assassinar uns aos outros antes que alguém pudesse explicar aos novatos o que significava N.O.M.'S. Estes mesmos não estavam em um humor melhor, Professor Slughorn passara uma tarefa tão complicada, que todos tiveram que engolir o orgulho e pedir ajuda para a única aluna que parecia minimamente preparada para aquilo.

- Sinceramente, meninas, vocês deveriam ter me escutado e começado a revisar um mês atrás – disse Lily para as colegas de quarto reunidas ao redor da lareira tentando absorver tudo o que ela explicava sobre a poção morto-vivo, quando Remus Lupin e Peter Pettigrew arrastaram os amigos para junto do grupo.

- Eles são cabeça-dura demais para pedir, Lily, mas você poderia por favor salvar nossas peles de virarem parte do estoque de Poções do Professor Slug? – perguntou um Remus suplicante, James e Sirius olhavam para o lado emburrados – Tenho certeza que James ajudaria em Transfiguração e eu me coloco ao dispor de vocês em tudo o que precisarem em Defesa Contra a Arte das Trevas.

- Só se o Potter admitir que precisa de mim – disse a ruiva de braços cruzados sobre o peito e olhos brilhando de satisfação.

- Eu disse a você! Ela se acha! A senhora Sabe-tudo-perfeitinha-demais – falou James mal-humorado.

Remus dera um tapa na cabeça dele – Pare de ser orgulhoso, nós precisamos!

- Não queria ser eu a concordar, cara, mas Slug está uma fera desde que transbordamos o armário dele de lesmas, ele vai nos reprovar se esse trabalho não estiver menos que perfeito – sussurrou Sirius para James.

- Tudo bem, tudo bem – resmungou ele virando de novo para Lily – Nosprecisamosdevoce,evans..

- O que? Não entendi.

- Eu disse: Nós precisamos de você, Evans! – disse ele pausadamente entre dentes.

Talvez fosse pelas caras de súplica dos outros marotos ou pelo fato de que Lily Evans gostava de ter o seu trabalho reconhecido, mas uma trégua foi firmada entre os primeiranistas naquele final de ano. Eles formaram um bom time e todos acabaram com ótimas notas nos exames, até Peter Pettigrew conseguiu ser mais que satisfatório.

- Não acredito que passamos mesmo em Poções, ainda bem que acabou – falou Remus aliviado.

- Não seja tão modesto, Remmy-boy, você foi o melhor aluno do ano em Defesa Contra a Arte das Trevas, mas, claro, superado por mim em feitiços – disse Sirius com uma piscadinha.

- Não se gabe tanto, Marlene ficou na sua frente – lembrou Peter.

- E você conseguiu passar de ano, Pete! – exclamou Sirius se jogando em cima do baixinho, atrapalhando o cabelo dele.

É claro que a paz só durou até os exames, por que Lily Evans e James Potter logo voltaram a discutir.

- Você só está furiosa por que eu fui o melhor da turma em Transfiguração, Evans! Por que não admite que eu te ajudei também? – perguntou ele seguindo a garota pelos jardins.

- Não faça eu me arrepender de ter salvo a sua cabeça, Potter! – disse ela furiosa.

É. Realmente tinha sido um bom ano.