Na pequena mesa de cozinha dos Holmes, sentavam-se meio amontoados os irmãos Sherlock e Mycroft, o caçula tinha sua filha em seu colo.
Mycroft tinha ficado na casa de seu irmão um pouco a mais contra sua vontade, mas o café de Molly o convenceu.
-Então encerramos mais um caso sigiloso do governo meu irmão-o mais velho disse já se levantando para sair-já vou indo então.
-Mycroft, sempre tão apressado-Molly comentou-tem certeza que não pode ficar mais um pouco?
-Não estrague isso Molly -Sherlock pediu a esposa-estava implorando mentalmente pra ele ir logo.
-Não seja por isso Sherlock-Mycroft lhe deu um sorriso sarcástico-obrigado pelo café Molly.
-Tio Myc!-Emily tentou-fica mais um pouco.
-Sinto muito querida mas o dever chama-ele sorriu dessa vez genuinamente-mas prometo ficar um dia com você se seu pai não vier junto.
-Quero só ver-Sherlock disse sem olhar para o irmão virando uma página de seu jornal.
-Tenham um bom dia-Mycroft disse e saiu indo para o trabalho.
-Por que você faz isso toda vez que Mycroft está aqui?-Molly exigiu de Sherlock assim que seu cunhado os deixou.
-Eu estou o testando-o detetive rebateu num tom de desdém.
-Testando exatamente o que?-a patologista o encarou com olhos estreitos.
-A paciência que o amor por alguém pode te dar-Emily respondeu com uma certeza rara para uma criança de 7 anos.
-Ai... e por que?-Molly suspirou um pouco frustrada.
-Estou tentando ensinar algo ao meu irmão-Sherlock falou agora mais amável e sério-ele cuida de tudo e todos à maneira dele, mas esquece dele mesmo.
-Sabe que está fazendo isso do jeito errado não é?-Molly revirou os olhos.
-Meu amor-Sherlock olhou pra ela todo compreensivo-ele me rotula de emotivo, se eu chegar pra ele e dizer que ele precisa demonstrar mais seus sentimentos vai desdenhar de mim. Se eu faço o oposto, ela vai começar a refletir no assunto e aí sim vai surtir o efeito que eu quero.
-Está bem-ela ergueu as mãos desistindo.
Enquanto os Holmes tentavam entender o plano de Sherlock, Mycroft desceu de seu carro particular blindado quando chegou ao prédio do MI6.
Ele notou ao olhar de soslaio uma mulher enfurecida ali perto, mas decidiu ignorá-la. Esse foi seu erro naquele momento. Um ovo cru se espatifou contra seu paletó impecável, espalhando gema clara e um odor forte sobre o governo britânico em pessoa.
-Desculpe, desculpe, desculpe-Alex Marshall correu até ele aflita-não foi minha intenção, senhor eu juro!
-Não consigo imaginar o motivo que levou uma senhora da sua idade se comportar de tal maneira-Mycroft respondeu tentando não perder a classe e tirando seu paletó-Eu... aceito suas desculpas, se puder me dar um motivo plausível pra isso.
Ele notou mais ovos respingando da parede do prédio.
-Eu joguei os ovos porque faz meses que não me atendem-Alex voltou a valentia.
Mycroft pensou rapidamente no que faria com a russa histérica enquanto ela reclamava mais ainda em russo. Ele entendeu muito pouco o que ela queria dizer.
-Venha comigo por favor-ele a cortou-se tem um problema com o governo eu posso resolve-lo. Enquanto meu paletó for levado pra ser lavado, posso tentar ajuda-la.
-Obrigada obrigada-ela suplicou em russo.
Mycroft teria que voltar ao apartamento do irmão e lá foi ele levando a louca estranha que acabara de conhecer.
