Capítulo Dois. A Parede de Pedra
"O Fortuna
velut luna
statu variabilis..."¹
Ressoava enquanto Lupin fechou a porta e se sentava.
"Quem pôs essa música?" Disse o loiro meio perturbado, meio contente, não sei. "Fui eu." Rouco e sonoro como sempre misterioso, disse James, obviamente me fazendo arrepiar; estava me abraçando por trás, com as mãos por sobre meus ombros, rodeando meu pescoço, sua voz saia solene e segura em meu ouvido direito. E isso de certa forma agoniava Remus, ou... excitava, ele estava inexplicavelmente inexpressivo, não conseguia distinguir suas reações.
"Quer dizer que você sempre fica ouvindo atrás da porta, Moony" Mais arrepios, ele precisa mesmo assoprar tão deliciosamente quando fala?
"Nem vem, não é sempre. Só às vezes." Não sabia do instinto voyeur dele, mas isso era realmente instigante.
"E sempre se masturba quando ouve mesmo?" Isso cortou fundo, Prongs. Por mais vontade que tive de comentar isso, só pensei. Lupin também.
"Não seja tão cruel assim, estamos descansando ainda" Esse meu comentário foi melhor.
"Só por que querem" Um voyeur replicante, oh Moony!
"Não queremos, você interrompeu" E mordia minha orelha, me arrepiando de novo.
"Sintam-se a vontade" E não deu mais tempo, James me puxou pra trás, me fazendo cair no seu colo e beijou-me doce, não é o meu estilo, mas foi bom até. "Se quiserem eu saio" Dessa vez eu que tomei a iniciativa, estiquei minha perna e dei um chute na cadeira, enquanto Moony se levantava. Chamei-o com a mão, e depois senti suas mãos me correndo a barriga ainda nua, um beijo, uma mordida.
James saiu de cima de mim e fez com que Moony se levantasse também. Ambos me puseram de pé e me arrastaram até a parede. Era de pedra, aquela parte, mais artesanal. Pelo resto do quarto se via uma tinta aveludada em tons de cinza, e outra parede, oposta a que eu estou agora, em carmim, linda também. A decoração do quarto era ousada, incrível.
Um me lambia às orelhas, mordiscava e me apertava na parede. Outro se ajoelhou e se arrepiava a barriga, e os pêlos perto do umbigo, além de me apertar mais.
"Hac in hora
sine mora
corde pulsum tangite;
quod per sortem
sternit fortem,
mecum omnes plangite!"²
A música acabou, mas a parede ainda estava de pé, eu também, e eles ainda estavam ali; acabamos de começar. Assim como Bach, seguindo Orff³.
Moony estava ótimo com suas unhas ainda me correndo a barriga, fugindo para as minhas costas, descendo minhas pernas. Levantou-se, subiu com sua língua me roçando o peito, e suas mãos me baixando a bermuda rasgada. Enquanto Prongs tirava minha coleira, Moony já mordia meu pescoço. E eu? Gemendo, adorando.
James se afastou, não sei por que, mas deve ter ido buscar alguma coisa.
"Vire-se." Sussurrou Moony. Era a primeira vez que ele faria isso, geralmente eu que sussurrava isso ao ouvido dele. Virei-me e o senti me apertando na parede. "A culpa é de vocês, que não deixaram com que eu me satisfizesse sozinho." Outro sussurro, outra lambida na orelha, outra mordida. Eu sorri, e fechei os olhos.
Gemia, estava bom assim. A parede me abraçando, as pedras estavam tão lindas, a música gloriosa. E eu sentindo falta do James.
O estalo soou forte, e ele veio do mesmo velho e surrado chicote. Antes rejeitado agora novamente, felizmente, sendo usado. Oh, James. As costas não eram as minhas, o estalo marcou Moony em carmim, mais vermelho que a outra parede.
Ele se assustou, mas sua boca me beijava a minha nuca na hora, e o contorno formava uma lua crescente, crescia um sorriso e eu senti, tão lindo.
Mais outro estalo, mais um sorriso para crescer e outra língua pra me tocar a nuca.
Gemeu de novo, estalou de novo, sorriu de novo, lambeu de novo, bateu de novo. Gemeu de novo, estalou de novo, sorriu de novo, lambeu de novo, bateu de novo. Gemeu de novo, estalou de novo, sorriu de novo, lambeu de novo, bateu de novo. Gemeu de novo, estalou de novo, sorriu de novo, lambeu de novo, bateu de novo.
Gemi, de novo. E ele também, mais forte, mais sonoro, mais sensual escorrendo nas minhas pernas.
O disco cessou logo depois. Bach era o último. Ecoou naquela parede de pedra o último acorde, que brincava, pulando entre a parede carmim e as paredes em tons normais e aveludados de cinza, morrendo nas pedras, sem que eu pudesse ver a cor desses acordes, meus olhos revirados, eu não via nada, mas sorria. A dor quase prazerosa, ou seria o prazer quase doloroso? Não, nenhum. O prazer estava na dor, pai, irmão, cúmplice e amante, acorrentados, complementares. Eu os quero, dor, prazer... James, Remus, não demorem tanto mais.
¹O Fortuna,
variável como a lua.
²Nesta hora,
sem mais demora,
lamentemos juntos
o destino que
esmaga o bravo!
³Carl Orff (Munique, 10 de Julho de 1895 – 29 de Março de 1982) foi um compositor alemão. Sendo um dos mais destacados compositores do século XX. Entre suas obras destaca-se a cantata Carmina Burana. Onde se encontra O Fortuna.
