Elo (é) sm. 1. Argola de cadeia. 2. Junção, união.

"Mas eu estou aqui

Estou pronta pra te amar

Na hora em que você quiser chegar."

(X.M.)


Capítulo 1

ACONTECIMENTO INESPERADO

Uma tarde ensolarada se desdobrava no aconchegante quintal d' A Toca.

Lá dentro estava sendo preparada a mesa do chá que receberia uma visita há muito tempo esperada.

-Estou ansioso para rever Luna - dizia Ron, enquanto separava xícaras de louça para a ocasião. – Desde que ela se casou e foi morar na Escócia não a vemos. Finalmente resolveu aparecer por aqui.

-É verdade - respondeu Hermione, animada. – Ainda bem que o pai dela mora perto e que estamos por aqui, assim ela pôde aproveitar a ocasião para vir nos visitar também.

-Sim. Mais um pouco e ela já iria conhecer o bebê - comentou Rony, acariciando a barriga de Hermione, que esperava o primeiro filho do casal.

-Os bebês - corrigiu Ginny, entrando pela sala com Harry. Ela também esperava um bebê, o seu segundo filho. O primeiro menino do casal dormia nos braços do pai.

-Mas você deveria visitar Luna de vez em quando, Ron - disse Harry. – É o padrinho de casamento dela!

Ron revirou os olhos para o teto.

-Não é muito animador visitá-la, não é? O tal do Theodore não parece apreciar visitas.

Hermione olhou-o com reprovação.

-Não é verdade, Ron. Você nunca tentou realmente se aproximar. Só se deu o trabalho de convidar Luna para ir à nossa casa algumas vezes.

-E ela nunca foi! Por que motivo seria? Só pode ser por causa do marido esquisito.

-Não fale assim, Ron! E é melhor mudarmos de assunto. Logo Luna estará aqui.

-Hermione tem razão - disse a Sra. Weasley, passando às mãos da nora uma bandeja com vários biscoitos e bolinhos. – Já faz tanto tempo que não vemos Luna! Seria um desastre ela nos flagrar comentando essas coisas.

Assim, continuaram a arrumação, até que Harry, olhando pela janela, exclamou:

-Olhem! Acho que aí vem ela!

Todos se aglomeraram à janela, vendo se aproximar uma jovem loira, usando um vestido num tom de laranja bem forte. Caminhando com leveza, ela se aproximava sorridente da casa.

-Sem dúvida é Luna - comentou Ron, sorridente. –Quem mais usaria uma roupa daquelas?

Todos saíram para o quintal, para recebê-la. Em poucos minutos Luna chegou até o grupo.

-Olá! Quantas saudades! –Cumprimentou a loira, dirigindo-se a Ron.

-Finalmente veio nos ver, não é? –Respondeu o ruivo.

-Ah, é claro! Se eu continuasse esperando sua visita, provavelmente só nos veríamos quando eu comemorasse bodas de baobá petrificado perene!

Todos riram, sem entender nada. Depois cumprimentaram a amiga, que ficou encantada ao ver Hermione e Ginny.

-As famílias estão crescendo! Isso é muito bom. Logo terão que providenciar mesas maiores para acomodar a criançada!

-Sem dúvida, Luna! -Concordou Ron, e completou: -E a família Nott, não vai sair do número dois?

Todos olharam para Ron, constrangidos, exceto Luna, que estava distraída tateando a barriga de Ginny e não esboçou reação. Hermione deu um cutucão no marido, que percebeu o erro e não disse mais nada. Luna então comentou, serena:

-É, acho que não.

Houve um silêncio um tanto incômodo.

-E então, Luna. Fez boa viagem? –Perguntou Ginny, olhando feio para Ron e querendo mudar de assunto.

-Ah, sim! Excelente! Tive que pegar um ônibus até o Centro de Transportes Mágicos, pois a Rede de Flu da Escócia está em manutenção. Foi divertido!

-Então vamos entrar para saber as novidades - convidou a Sra. Weasley.

Já reunidos em torno da mesa, com refrescantes copos de suco de abóbora à mão, os amigos colocaram a conversa em dia.

-Hermione, você está linda com esse barrigão! –Dizia Luna, feliz, afagando o ventre da amiga.

-Ainda bem que você apareceu, não é? Senão só ia me ver depois que o bebê nascesse.

-É verdade. Ele já estaria andando-acrescentou, reflexiva. Depois, com os olhos arregalados e brilhantes, perguntou:

- Como você se sente? Como é ter uma pessoa dentro da sua barriga? Porque é pequenininho, eu sei, mas é uma pessoa! Imagine só! Um coração batendo, um fígado produzindo bile, um monte de cabelos e vinte mini unhas crescendo, tudo isso dentro de você! Como é?

Hermione sentiu pena ao ouvir Luna fazendo essas perguntas com tanta animação. Sabia o porquê do interesse da loira. Ela esposa de um lobisomem, e como tal, não podia, ou melhor, não devia ter filhos. Embora conhecessem o caso de Tonks, que teve um filho perfeito, nenhuma esposa de lobisomem se arriscava a ter filhos. Assim, Luna provavelmente nunca poderia ser mãe.

Hermione começou a responder as perguntas, enquanto Ginny se aproximava, trazendo fotos do filho para que Luna visse. Ela demonstrava admiração com tudo o que via.

-Que lindo ele tomando banho! Olhe que fofinho, brincando no parque! Passeando com o papai, não é encantador?

Então olhou para Ginny, cuja barriga também era bem notável. Colocando novamente a mão sobre a barriga, disse num tom suave, mas com inconfundível tristeza por trás:

-Vocês são tão sortudas! Ah, vocês é que são felizes.

Sem saber o que dizer, as duas gestantes procuraram mudar de assunto.

-Como vai a casa na Escócia, Luna? Está feliz morando lá?

-Sim, bastante! É um pouco longe de todos, mas a casa é bem agradável. Theodore ficou horrorizado ao ver os trouxas usando kilts, mas eu expliquei que ele não precisaria fazer o mesmo.

Os amigos caíram na gargalhada. Aproveitando o clima, Harry perguntou:

-E como ele está? Adaptou-se bem à casa nova?

-Ele está ótimo! –Respondeu Luna, satisfeita. – O único problema é que não gosta de sair. Tem poucos amigos e quase não se diverte. Mas também, deve estar cansado. Trabalha no Gringotes e a rotina, sendo um lobisomem, é bem pesada. Por isso não veio. Está trabalhando em pleno domingo. Precisa fazer muitas horas-extras para compensar os dias da lua cheia.

-Mas, Luna - interveio Ron, curioso - Theodore não precisaria fazer isso, não é? Ele não herdou um bom dinheiro da família?

-Sim, mas ele diz que é papel dele dar uma vida segura para a esposa. Por isso trabalha como um doido, para não ganhar menos do que os outros.

Ron ergueu as sobrancelhas, provavelmente pensando em como Theodore era bobo.

Depois de muito conversar e se divertir, o grupo retirou-se da mesa. Luna começou a ajudar a tirar a mesa e Ron, observando-a, comentou:

-Pelo que vejo você está apreciando a culinária escocesa, Luna. Está até mais cheinha!

-Ron! – Censurou-o Hermione. Isso não é coisa que se diga a uma mulher!

-Cheinha, eu? – Riu-se Luna. – Eu deveria estar é mais magra. Quase nem tenho me alimentado direito!

-Por quê? – Perguntou Hermione, agora observando Luna mais atentamente.

-Ah, algumas coisas não têm me feito bem. Muitas coisas que nosso elfo prepara eu não consigo comer, só o cheiro já me embrulha o estômago. Theodore anda preocupado comigo, disse que estou pálida demais e que pareço fraca, só porque tenho estado sonolenta demais.

Hermione arregalou os olhos. Ginny olhou para ela. As duas trocavam um olhar apreensivo quando a Sra. Weasley disse:

-Hermione, querida, me ajude aqui com estas xícaras.

Ao olhar para ela, Hermione percebeu que também captara a preocupação. Levantou-se e foi até a bruxa, seguida por Ginny. Na cozinha, afastada de Luna e dos rapazes, disse:

-Está pensando o mesmo que eu, não é, Molly?

-Sim. E pelo visto ela sequer imagina.

-E o que faremos? Diremos a ela? – Perguntou Ginny.

-Acho que devemos conversar com ela, filha. Quanto antes souber, melhor. Se for mesmo o que estamos pensando... Bom, não sabemos o que pode acontecer no caso dela, não é?

As outras duas balançaram a cabeça em concordância. Então dirigiram-se à sala, onde Luna conversava animadamente com Harry e Ron.

-... E Hagrid afinal tinha razão, o que os explosivins têm de feios, têm de úteis. Têm poderes mágicos realmente importantes.

-Você não fica com medo de lidar com esses bichos?

-Ah não, Ron, nem um pouco. Apesar de pavorosos, eles têm algum encanto. Se você os observar, apesar de tão feios, são até fofinhos.

Enquanto conversavam, Hermione se aproximou.

-Luna, você pode vir até aqui um instante?

Já no quarto, a Sra. Weasley convidou Luna a sentar-se. A loira percebeu o clima apreensivo.

-Está acontecendo alguma coisa? Vocês estão me deixando nervosa.

-Fique calma, querida - tranquilizou-a a Sra. Weasley. – Quero lhe perguntar algumas coisas. Você diz que tem se sentido mal? O que você anda sentindo?

-Bom - ela disse, pensativa - às vezes me sinto enjoada e sem apetite. Também ando sonolenta demais e um pouco indisposta.

-Entendo. E seus ciclos, como estão?

-Enlouqueceram completamente. Antes era sempre certinho, no período da lua cheia, por causa das poções que tenho que tomar. Agora faz mais de um mês que estou esperando, e nada. "Você está anêmica", me diz Theodore, "está anêmica e precisa se cuidar antes que fique doente de vez". Sempre preocupado comigo, meu maridinho lindo. – Suspirou.

-Você ainda não procurou um curandeiro, não é?

-Não. Mas por que tanta preocupação? – Luna ficou nervosa. - Pode ser alguma coisa séria? Alguma doença grave?

A bruxa acenou com a cabeça, negando. Então disse:

-Acho que você não está doente, Luna. Desconfio que está grávida.

Luna sorriu, descrente, e disse como quem ouve um grande absurdo:

-Eu? É impossível! Não posso estar grávida. Não existe a menor possibilidade!

-Como não? –Interveio Ginny. –Você e Theodore são jovens e saudáveis, não é? O que os impede?

-Muito simples: eu, assim como todas as esposas de lobisomens, tenho que tomar poções distribuídas pelo Ministério, justamente para que não tenhamos filhos. Não se sabe o que pode acontecer quando os lobisomens se reproduzem, então essa medida é obrigatória. Por isso eu tenho certeza, não posso estar grávida. Infelizmente. –Suspirou.

-Olhe, querida, entendo o que você está dizendo. Mas todos os indícios apontam para isso. Vamos fazer o seguinte: Tenho aqui uma poção reveladora, que pode nos dar a resposta. Você só precisa furar o dedo para tirar uma gotinha de sangue. Quer tentar?

Luna refletiu por alguns instantes, com ar de dúvida. Por fim, respondeu:

-Sim, mas acho que é perda de tempo.

Apesar da descrença da loira, a senhora pegou a poção, azulada e brilhante. Colocou-a em um pequeno frasco, explicando:

-Você coloca uma gota de sangue aqui. Se ficar roxa, não há nada. Se ficar dourada é porque você está mesmo grávida.

Luna furou o dedo, com ar ao mesmo tempo curioso e descrente. Enquanto esperava o tempo necessário para o efeito da poção, falava para si: "Não é possível, não mesmo! Eu tenho tomado aquelas poções, como poderia ser? Não, não. Não devo alimentar esperanças." Dizia isso baixinho, querendo impedir o coração de criar expectativas, mas havia um sorriso em seu rosto que deixava claro o que ela realmente desejava.

Minutos mais tarde, a Sra. Weasley falou:

-Vamos ver então o que houve com a poção.

Luna seguiu a Sra. Weasley, apertando as mãos, ansiosa. Viu-a olhar a poção por alguns momentos, e sem conseguir esperar, perguntou ansiosa: "E então? O que houve?"

A bruxa passou às mãos da loira o frasco. Luna olhou-o e abriu um sorriso que iluminou o seu rosto. Ofegou e sentou-se, completamente surpresa.

-Não acredito! Não acredito! Eu estou... Grávida!

Hermione e a Sra. Weasley sorriram para ela, embora sem muita empolgação. Ginny,no entanto, abraçou a amiga com força e disse animada:

-Parabéns, Luna! Você será uma mãe e tanto!

-Obrigada-respondeu, ainda sorrindo. – Não sei como isso foi possível, não tenho idéia. Mas é uma grande surpresa!

Então, levantou-se rapidamente:

-Preciso avisar a Theodore.

-Calma, Luna! – Disse Ginny. – Ele não está no trabalho? Espere um pouco, depois você vai pra casa e dá a notícia.

-Okay, certo. Vou contar aos rapazes, então. Vamos!

Ela saiu com Ginny, deixando a Sra. Weasley e sua nora no quarto.

-A julgar pela felicidade dela, não deve saber o quanto é difícil ser mãe do filho de um lobisomem - disse a bruxa mais jovem.

-Certamente - respondeu a outra. - Mas pensando bem, Luna nunca foi muito atenta à opinião alheia. Talvez não vá ser tão difícil.

-Não sei, Molly. O problema não é só a sociedade bruxa. Os próprios lobisomens tornam isso muito difícil. O índice de rejeição é enorme.

-Índice de rejeição?

Hermione sentou-se, preocupada.

-Muitos deles não suportam a ideia de deixarem herdeiros com suas "marcas" e têm medo de como serão os filhos. Só os aceitam depois que nascem, quando vêem que são perfeitos. As mães passam a gravidez inteira sozinhas, como se fossem mães solteiras. E sendo esposas de lobisomens, já não estão numa posição muito favorável, não é? É muito difícil para elas. E Theodore já é um homem bem controverso. Luna passará por maus bocados.

As duas trocaram um olhar preocupado. Então a Sra. Weasley disse:

-Sim, parece que as perspectivas não são nada boas. Mas vamos torcer para estarmos enganadas-encerrou, retirando-se do quarto.


N/A: Oi pessoas!

Capítulo um para vocês!

Obrigada pelas reviews! Fico feliz por estarem acompanhando mais esta história.

Queria registrar aqui minha tristeza pelo anúncio do fim do site Aliança 3 vassouras, onde comecei a publicar minhas fics e que me rendeu amigos queridos e vários leitores. Apesar de compreender, lamento profundamente a perda de mais um site Potteriano no fandom brasileiro.

Mas enfim... Vida que segue!

Bjs pra todos! Aguardo seus e-mails e reviews!!!

Ah! A definição de "Elo" foi retirada do dicionário Aurélio. ;)

Padma

No próximo capítulo de Por um elo...

-Sei que parece impossível. Não faço idéia do que possa ter havido. – E com um olhar entre feliz e suplicante, continuou: -Mas é verdade! Você devia ter visto a poção, toda douradinha, tão linda!

A cabeça de Theodore estava girando. Luna estava falando sério. Não era uma brincadeira ou um de seus pensamentos delirantes. Será então que ela estava perdendo o juízo?

Nervoso, ele disse rispidamente:

-Pare com isso! Você enlouqueceu? Olhe, sei que é decepcionante para você não poder ter filhos comigo, e para mim também é, mas se iludir assim não vai resolver nada. Encare os fatos! Isso não pode ser real!