Capítulo Dois
Eu estou andando lentamente na direção da casa do Chuck, rindo interiormente; isso vai ser engraçado. Eu, de repente, senti uma vibração no meu bolso – é meu celular, eu sei disso, mas eu o deixo tocando. Hey, meu namorado não está por perto e um cara precisa de um pouco de estimulo de vez em quando! Ótimo, eu tiro o celular do meu bolso e é David; eu sorrio tolamente, e atendo o aparelho.
"O que foi, baby?" eu falo de modo amoroso e estapeio minha própria cabeça. Por que ele me transforma nesse monte de sentimentalismo?
"Você tem certeza de que podemos fazer isso?" ele parece nervoso e eu franzo as sobrancelhas. David Desrosiers nunca fica nervoso.
"David, meu bem, você está duvidando da suas habilidades de sedução? O que aconteceu com você ser o único cara atraente na banda, amor?" Eu tenho que alimentar o ego dele de algum modo. Isso tem que acontecer; Seb e Chuck não podem, em hipótese nenhuma, saírem ilesos com as semanas, não!, meses de piadas gays que eles infligiram na gente quando ficamos juntos! Eles devem ser punidos e eu mal posso esperar para ver o aborrecimento de Chuck. Eles não podem se safar de tirar sarro da gente e, então, ir e foder um ao outro.
Então, eu acho que eu devia te informar o plano, certo? É um plano bem simples, de fato. Oh, Deus, eu sou tão idiota. Certo, então, nós saímos para beber noite passada e David e eu tivemos um "rompimento" bastante público. (Em uma nota diferente, sexo de reconciliação é maravilhoso!) Eu sai apressadamente e, é claro, Chuck, sendo meu melhor amigo, me seguiu. Eu disse a ele que David tinha ciúmes, por que eu disse a David que eu tinha sentimentos por Chuck, que, por sua vez, é lógico, ficou tão pálido quanto à bunda branca de Patrick. Sério, você nunca pensaria que aquele cara esteve na Jamaica o tanto que ele esteve! Por que eu sou tão facilmente distraído?
Enquanto isso, David tinha se virado para seu respectivo melhor amigo, Sebastien, para um pouco de 'consolo'. Nós planejamos fazê-los se sentirem tão inconfortáveis quanto fisicamente possível, até que eles guinchem como os porcos que são e sejam forçados a sair do armário, de preferência, publicamente... Então, e apenas então, piadas gays serão jogadas neles. Haha!
Okay, então esse é o melhor plano que eu consegui bolar, mas se você tivesse visto o olhar no rosto de Chuck noite passada, quando eu disse a ele que tinha sentimentos por ele, você teria se molhado. Os olhos deles estavam tão grandes e o maxilar estava bem aberto e toda vez que eu acariciava o braço dele, ele se afastaria mais e mais de mim, como se eu estivesse o queimando. Se isso não fosse tão engraçado, eu ficaria ofendido!
Então, aqui estou eu, parado do lado de fora da casa do meu melhor amigo de mais de dez anos, e uma parte de mim se sente mal pelo que eu estou prestes a fazer, mas a outra parte de mim está rindo tanto perante a perspectiva de ver a expressão "eu acabei de chupar um limão" (é o nome oficial, agora), que eu tinha que ir em diante com isso até que ele admita que ele é tão gay quanto um arco-íris na Union Square. Ver como ele gosta!
Eu andei até a porta da frente e bati gentilmente, antes de esconder minhas mãos tremulas nas minhas costas.
Chuck atende a porta com um sorriso largo, que some quando ele me vê. E lá está aquela expressão novamente!
"Hey, Chuck." Eu ronrono na minha voz mais sedutiva. Bem, David parece gostar, de todo modo.
"Uh... Yeah... Hey..." ele parece nervoso! Ótimo.
"Eu posso entrar?" eu pergunto e me inclino na direção do batente. Ele dá um passo para trás; se não o tivesse feito, nossos rostos estariam separados por centímetros. Pena.
"Eu estou meio que ocupado..." eu passo por ele, de todo modo. Eu tenho vindo a essa casa por anos agora. Eu nunca esperei por um convite antes, então eu não vou fazer isso agora.
"Pierre!" Chuck choraminga e me segue para a sala de estar; os pais dele devem estar no trabalho. Perfeito.
Eu me joguei no sofá e observei Chuck entrar na sala. Quando ele faz contato visual comigo, eu lambo meus lábios, lentamente correndo minha língua ao longo do meu lábio inferior. A sala está tão silenciosa e tensa, que eu posso, de verdade, ouvi-lo engolir.
"Então, Chucky..." o nome apenas me ocorreu, certo? Sempre tão crítico! "O que você estava fazendo?" eu ronrono mais uma vez.
"Nada. Na verdade, eu vou ver uma pessoa daqui a pouco..." ele olha seu relógio e eu olho o meu. Se eu conheço David – e eu acho que conheço –, Seb vai estar se sentindo dez vezes mais inconfortável do que Chuck está nesse momento e encontrar-se com Chuck vai ser a última coisa na mente de Seb. Ele vai pensar em polícia.
"Oh, Chuck, você está sempre tão tenso." Eu estou de pé atrás dele agora, ele está olhando pela janela, mas – engraçado o bastante – sentir a respiração do seu melhor amigo na sua nuca e as mãos dele no seu ombro, é o bastante para quebrar a linha de pensamentos de qualquer um. Eu começo a, lentamente, esfregar os ombros dele e ele dá um passo para longe do meu toque.
"Pierre, o que você está fazendo?" ele ofega.
"Bem, dando a você uma massagem, é claro. Nós somos duas pessoas solteiras, duas jovens e atrativas pessoas solteiras." Eu murmuro, enquanto o empurro contra a parede e corro meus dedos ao longo do seu peito. Ele olha para mim como se eu estivesse louco.
"Pierre, eu não sou... Eu não sou..."
"Não é o que, Chucky?" sim, a admissão final e culposa... "Bla, bla, bla, eu tenho mentido para você há semanas, bla, bla, bla, eu tenho dormido com o Seb quando eu disse que não era gay, bla, bla, bla...". Eu sorri pronto para isso, quando o telefone começou a tocar. Eu posso ver que Chuck relaxa visivelmente, enquanto se livra dos meus braços e corre para o telefone. Ótimo, eu estava tão perto!
Eu sento no sofá e planejo minha próxima linha de ataque, enquanto Chucky (eu acho que vou aderir a esse nome no futuro) está falando no telefone.
"Era... Uh... Minha mãe..." Chuck sorri para mim e anda até o sofá onde eu estou sentado. Ele tem esse olhar estranho no rosto. "Então, onde estávamos?" Chuck ronrona. Sim, ele acabou de ronronar para mim! Eu não gosto disso, nem um pouco. Que porra eu devo fazer agora? Isso não era para acontecer!
"Uh… Eu estava te dando uma massagem…" eu digo quietamente. Por que ele está correspondendo ao flerte? Pobre Seb! Chuck é um bastardo! E o Seb? Chuck não se importa mais?
"O que me diz de eu te dar uma?" de repente, ele está atrás de mim, suas pernas uma de cada lado meu corpo, enquanto ele se senta atrás de mim no sofá. Porra! Ele está esfregando levemente meus ombros e está respirando na minha nuca! Isso era para ser ao contrário! Eu choramingo repetidas vezes para mim mesmo.
"Chuck, o que você estava... Uh... Falando antes?" eu sussurro.
"Sobre o quê?" ele pergunta sedutoramente e há a súbita sensação dos lábios dele no meu pescoço e eu pulo para fora do sofá.
"Que porra foi essa?" Porra, Pierre, seu idiota, o plano está saindo pela culatra!
"Eu estava beijando você, não era o que você queria?" eu olho dentro dos olhos dele e há um brilho de maldade ali. Ele sabe que nós sabemos! Porra, porra, porra! Não era a mãe dele no telefone, era Seb! O que David tinha feito?
"Eu não sei! Por que você está me olhando assim? O que você sabe?"
"Eu não sei; o que você sabe, Pierre?" ele cruza os braços e parece bastante desafiador.
"Eu preciso ir ao banheiro!" eu saio da sala e corro pelo corredor e me tranco no banheiro. Eu pego o celular e pressiono o número um na discagem rápida. David. Ele atende depois de um toque.
"Porra, Pierre, ele sabe!" Duh! Ele não é mais loiro, mas ele com certeza age como um quando é sobre afirmar o óbvio!
"Como?" eu rosno.
"Eu comecei a flertar com ele e a me insinuar, e ele apenas olhou estranho para mim, como se ele não conseguisse acreditar que eu me insinuaria para ele e, então, ele disse que tinha que ir ligar para a mãe dele, ou algo assim e, quando ele voltou, ele me atacou!" David soa genuinamente assustado.
"Eu tenho um plano..."
"Não, Pierre, você não entende. Sebastien acabou de tentar me dar um chupão. Eu estou cheio dos seus planos!" David choraminga.
"Onde você está, baby?"
"Escondido no banheiro..." ele admite suavemente.
"David Desrosiers! Esse não é o homem que eu conheço. Eles estão apenas tentando nos assustar; eles acham que, se flertarem de volta, eles vão nos assustar. Agora, não podemos deixar isso acontecer, podemos?" eu falo de forma suave com ele no telefone.
"Não." Ele admite, irritado.
"Nós temos que seguir o plano. Seb já admitiu alguma coisa?" eu me olho no espelho do armário do banheiro e um sorriso aparece no meu rosto; abro o armário rapidamente. Ponto. Loção; eu apenas precisava disso para minha massagem, não é? Porra, Chuck não vai ganhar dessa vez!
"Não."
"Aqui vamos nós, baby, volte e mostre a ele quem é o melhor em flerte."
"Pierre..." David choraminga e eu rolo meus olhos.
"Baby, qual o problema?"
"Eu não gosto de flertar com qualquer pessoa que não seja você..." David admite timidamente e eu quase desejo que eu estivesse com ele, ao invés de fazendo isso, mas eu já tinha começado, então eu devia terminar, também.
"Eu vou te recompensar..."
"Eu não tenho que beijá-lo nem nada, né?" David encolhe-se de medo e eu posso ouvir isso.
"O que for preciso!"
"Pierre!"
"O quê?"
"Eu não vou beijar o Seb e você, definitivamente, não vai beijar o Chuck! Eu vou até aí com o Seb."
"Não, você não vai!"
"Eu não quero beijar o Seb! Por que você se importa tanto se eles estão transando?"
"Eu não sei, só me importo!" eu lamento.
"Você está com ciúmes?"
"Você é insano?" eu franzo as sobrancelhas e me sento do lado da banheira. Eu não queria que isso chateasse David, isso era apenas um pouco de diversão.
"Não, mas você ficou tão bravo quando eu te disse e, agora, você está agindo como um louco."
"Não estou, não."
"Pierre, você está flertando com o Chuck; isso te classifica como louco." Eu faço uma careta. Eu acho que ele está certo, isso é quase incestuoso.
"Acho que sim…"
"Me diz, por que você está agindo desse modo?" a voz de David não está mais brava ou estressada. Ele parece preocupado e eu me mudo para o vaso sanitário, me deixando mais confortável.
"Eu estou machucado." Eu admito isso; eu não me importo se eles estão transando. Eu só estou machucado que eles tenham sentido a necessidade de esconder de mim!
"Machucado? Amor, por que você está machucado?" eu amo quando ele me chama desse modo. Argh, ele me transformou numa pilha de sentimentalismo novamente.
"Ele é meu melhor amigo e nem sequer pode me contar que está com alguém!"
"Eu sabia!" Ótimo, eu sou tão transparente quanto patético. "Pierre, vá falar com seu amigo. Seb e eu devemos chegar aí logo. Apertar Chuck até ele contar, não vai mudar o fato de que ele não te contou sobre o relacionamento dele com Seb. Amor, você não vai se sentir melhor." Eu sei que ele está certo e eu odeio quando ele está. Eu quase consigo ouvir o sorriso presunçoso em seu rosto agora.
"Certo." Concordei, derrotado.
"Tchau, amor, te vejo daqui a pouco."
"Tchau." Eu rosno e chuto a lateral da banheira. Eu destranco a porta do banheiro e ando até a sala de estar; Chuck não está aqui. Ótimo, ele está, provavelmente, me esperando no quarto com uma jarra de chocolate para pintura corporal.
"Chuck?" eu chamo.
"Na cozinha!" ele responde e eu rolo meus olhos, andando até a cozinha. Ele está sentado num banquinho em frente ao balcão, bebericando de uma xícara de café. Há outra xícara na frente dele e ele gesticula para que eu me sente de frente para ele e eu faço isso em silêncio. "Acabou de tentar me molestar?" ele pergunta calmamente e sem nenhum traço de sorriso em seu rosto.
"Sim." Eu olho para dentro da minha xícara de café.
"Eu sinto muito que eu não tenha te contado, Pierre. Seb e eu..."
"Então, você admite?"
"Por que eu não admitiria?"
"Bem, você vem escondendo isso há tanto tempo..." eu olho para meu café; eu não sei por que estou tão bravo.
"Nós não estávamos prontos para contar ainda. Só faz um mês." Ele sorri timidamente e, pela primeira vez no dia, eu o olho apropriadamente. Ele parece feliz.
"Um mês?"
"Yup, apenas um mês."
"Você está feliz?"
"Mais feliz do que nunca... Eu o amo." Eu sorrio levemente. E eu achando que era apenas sexo.
"Eu achei..."
"Era, no começo. Mas chegou no ponto em que eu não queria que ele voltasse para a beliche dele, quando nós... Bem, você sabe como é..." ele cora; ele cora tanto, que está combinando com sua camiseta vermelha da Role Model.
"Yeah, eu sei." Eu sorrio.
"Eu sinto muito. Eu quis te contar tantas vezes, eu realmente quis! Nós dois queríamos, nós odiamos mentir para todos vocês. Eu também me sentia meio que um hipócrita." Ele sabia que as piadas de gay machucavam.
"Oh, mesmo?" eu ergui uma sobrancelha.
"Me desculpe por todas as piadas. Eu apenas nunca achei que..."
"Que você viraria gay?" ele cora ainda mais.
"Acho que sim..." a campainha toca e Chuck franze as sobrancelhas, enquanto ele escorrega do seu banquinho e caminha até a porta da frente, abrindo-a para David e Seb.
David entra na cozinha primeiro e se senta perto de mim. "Você está bem, baby?" ele corre sua mão lentamente pela minha coluna, enquanto eu olho para minha xícara de café.
"Yup." Eu olho para ele e sorrio. Ele está lindo com o cabelo negro todo desengonçado e o delineador; eu lambo meu lábio apenas com a visão dele. Eu o puxo para meu colo e aninho meu rosto no seu pescoço.
"Eu amo você. Sinto muito." Eu sussurro.
"Eu sei, está tudo bem. Você é o meu louco e eu amo você." Ele se senta, enquanto nos equilibramos no banco, ele no meu colo, e ele beija meu nariz.
"Você falou com o Seb?"
"Yeah, nós estamos bem." Ele dá risadinhas e roça seu nariz no meu. "Você?"
"Yeah, nós estamos bem. Podemos ir para casa agora? Eu quero voltar para a cama… Com você!" eu ronrono e o seguro mais próximo. Eu, subitamente, me sinto cansado e mal comigo mesmo. O que eu ia fazer com Chuck? Bater nele até que ele contasse? Chuck e Seb entram na cozinha; David e eu olhamos para cima. Eu sorrio timidamente para Seb.
"Eu sinto muito, caras, isso tudo foi apenas uma das minhas brincadeiras estúpidas..." eu escondo meu rosto no pescoço de David e ele me abraça, correndo os dedos por entre meu cabelo.
"Não se preocupe com isso, Pie. Já estava na hora de nós contarmos, de todo modo." Seb sorri, enquanto ele e Chuck sentam na nossa frente, de mãos dadas.
"Yeah, é bom poder fazer isso na frente de vocês." Chuck levanta a mão de Seb e corre seu dedão, amorosamente, pelos nós dos dedos de Seb. Chuck leva a mão do outro até sua boca, beijando as costas, fazendo Seb corar. Seb dá risadinhas suaves e se inclina contra seu namorado, escondendo o rosto no pescoço de Chuck, como eu estou fazendo com David. Há silêncio, enquanto nós olhamos um para o outro e começamos a rir.
Dez minutos e outra xícara de café depois, Seb e Chuck estão vendo David e eu sairmos, seus braços dados e aparência feliz. Eu sorrio timidamente, enquanto David e eu começamos a andar de volta para minha casa.
"Você é um idiota." David sussurra, enquanto andamos de mãos dadas para minha casa.
"Eu sei." ele descansa sua cabeça no meu ombro e isso é tão bom.
"Eu amo você." David sussurra.
"Amo você também." Eu passo meu braço ao redor do ombro dele e nós perambulamos para minha casa, onde nós vamos rastejar para cima da cama, na qual eu pretendo passar o resto das minhas duas semanas. Com David.
