2 – Um Novo Começo
Depois do Terceiro Impacto, os únicos sobreviventes, foram, a princípio, Shinji e Asuka. Por um tempo eles permaneceram meditando na praia, até que Asuka, com o pretexto de ir procurar algo para comer, tirou Shinji de seu estado apático, e juntos os dois fizeram o caminho até os restos de Tokyo-3. Uma vez que chegaram até lá, os seus temores se tornaram realidade.
Por toda a cidade havia roupas estiradas sobre lamaçais de LCL, e aquele indício confirmava as suspeitas de ambos, de que eles eram as últimas pessoas do planeta.
Durante a viagem até Tokyo-3, Shinji e Asuka foram sinceros um com o outro, admitindo os sentimentos que um sentia pelo outro. Por isso seguiam caminhando, e, ao invés das discussões habituais, havia silêncio, e Asuka não estava batendo nele, e, ao invés disso, segurava-lhe firmemente a mão. Os dois jovens tinham encontrado o amor...
- Que silêncio, não há um murmúrio ou algo assim - disse Shinji, calmamente; Asuka soltou-lhe a mão.
- Oh, é mesmo ? - ela perguntou sarcasticamente - Você chegou à mesma conclusão, é impressionante. MAS É CLARO ! NÓS SOMOS AS ÚNICAS PESSOAS EM TODO O PLANETA, IDIOTA !
O amor... ele nunca pensara em como seria ter uma companheira como aquela... diziam que o amor é cego. Talvez fosse verdade.
- Ei, não grite comigo - disse Shinji, angustiado.
- Então não diga idiotices ! Agora vá procurar algo para comer enquanto eu procuro algum lugar para passarmos a noite - disse Asuka, e afastou-se para procurar alguma residência temporária, deixando-o.
- De todas as pessoas... - começou Shinji - Quem entende as mulheres, quando estávamos caminhando até aqui, ela me disse que me amava e inclusive chorou ao fazer isso, e agora age como uma louca - Shinji parou o seu diálogo consigo mesmo quando deu-se conta de algo - Com quem eu estou falando ? - ele olhou para o céu brilhante do meio-dia, e logo se dispôs a ir à procura de comida.
O que Shinji não viu foi uma pequena sombra que estava atrás dele, que seguiu-o, em sua procura por alimentos. Depois de ter caminhado por uns 20 minutos, ele encontrou o que há algum tempo atrás devia ter sido um supermercado, tomou um carro que encontrou, abandonado, para poder transportar o que tiraria dali, e entrou. A sombra que o seguia ficou escondida ali perto, esperando o seu retorno.
Shinji não demorou muito, pegou apenas um pouco de comida, o suficiente para alguns dias, lanternas e outros instrumentos de iluminação (pensando que seria muito difícil que houvesse eletricidade em algum lugar), cobertores e sacos de dormir; por garantia, tudo fora empilhado no carro, quando Shinji saiu do supermercado. Ele se deteve por um segundo, pensando se faltava algo, mas teve a atenção chamada ao ver algo se mover em um beco próximo dali.
"O que foi isso, um animal ou o quê ?", pensou Shinji, mas depois lhe veio à mente um pequeno detalhe. "Não, deve ser a minha imaginação, se todos os seres vivos se foram com o Terceiro Impacto, não há ninguém, com exceção de mim e de Asuka", ele disse mentalmente a si mesmo, para acalmar-se, e já estava disposto a ir, quando escutou um ruído metálico parecido com o de uma tampa caindo no chão, vindo do beco, o que o deixou nervoso novamente. "Isso não é a minha imaginação", ele pensou rapidamente, e então afastou-se do carro e começou a caminhar até o beco, disposto a ver a origem do ruído, mas se deteve a alguns passos dali. "Mas se houver algo e me atacar... Não ! Eu já fugi demais; seja valente, não fuja !", ele pensou consigo mesmo, enchendo-se de coragem para continuar.
Shinji emergiu lentamente a cabeça, e viu o que lhe parecia uma pessoa que se afastava dobrando à direita no beco, e instintivamente a seguiu pelos becos desertos, iniciando a perseguição. Depois de dobrar à direita, ele dobrou à esquerda, que era uma passagem que dava para a rua, e ali viu que a pessoa que seguia corria ladeira abaixo, e, sem perdê-la de vista, ele a seguiu até que ela entrou em outro beco. Shinji viu a quem estava perseguindo antes que ela entrasse no beco; era uma menina, de cabelos longos e loiros, que se apressou a entrar ali.
- ESPERE ! - gritou Shinji - NÃO CORRA MAIS, POR FAVOR ! - a menina parecia não ter intenção de parar, e por esse motivo Shinji apressou os passos, quando ela dobrou a esquina, em uma encruzilhada - NÃO CORRA ! EU NÃO VOU MACHUCAR VO... - ele não completou a frase, porque, ao dobrar no mesmo lugar por onde a menina tinha ido, deu-se conta de que a tinha perdido - EI ! VOCÊ ESTÁ AQUI ?... SÓ QUERO AJUDAR VOCÊ ! - ele disse, com a esperança de que a menina saísse de seu esconderijo - Por favor - disse, pela última vez.
Ele seguiu procurando-a pelas redondezas por algum tempo, mas foi em vão, e por isso logo depois ele tratou de procurar Asuka. "Eu realmente a vi", ele começou a pensar sobre o que tinha acabado de acontecer. "Ou talvez eu esteja enlouquecendo... não, estou certo de que era real... mas então como ela desapareceu assim, tão de repente ? E o que Asuka vai opinar a respeito disso ?", ele pensou nisso enquanto caminhava. Mas demorou pouco tempo para que ele se lembrasse de um detalhe que tinha ignorado. "Eu... não sei onde está Asuka ! Eu saí sem pensar nisso, e ela só me disse que iria procurar algum lugar para passar a noite, mas não aonde...", Shinji disse a si mesmo, angustiado e um pouco sufocado, pensando aonde ir.
- É melhor que eu comece a procurar - disse ele por último, e começou a caminhar primeiramente até o local em que os dois tinham se separado, e a partir dali, veria aonde ir.
Ele passou cerca de duas horas andando pela cidade em ruínas, chamando por Asuka, mas não obteve nenhuma resposta. Então, cansado de andar, sentou-se na calçada por um momento, enquanto pensava em onde mais procurá-la. Já tinha percorrido toda a área na qual tinham se separado, e não encontrara nada.
"Como é possível que isso aconteça", perguntou a si mesmo, "Se somos os dois únicos sobreviventes, nos separamos, e agora não consigo encontrá-la em lugar nenhum. Será que aconteceu algo com ela ?... Não, não pense nessas coisas agora", ele tentava não preocupar-se, pois era terrível só o fato de pensar que algo pudesse ter acontecido a Asuka, e além de que ele seria o único ser vivo em todo o mundo, e não demoraria muito para que ficasse louco. "Aonde ela pode ter ido ?... O que ela procuraria em primeiro lugar ?...", ele meditou sobre isso por algum tempo, pensando nas possibilidades, até que encontrou a resposta.
- O apartamento de Misato ! É verdade, não fica muito longe daqui, e ela pode ter ido até lá, sendo o lugar conhecido mais próximo - ele então se deteve, e começou a correr até o seu destino.
A luz do sol da tarde iluminava as ruas de Tokyo-3 quando Shinji chegou ao seu destino. Gritou, a plenos pulmões, o nome da companheira por várias vezes, mas sem obter resposta. Andou em círculos por toda a área, chamando-a, mas foi inútil. Ele desabou na entrada do edifício que já tinha sido o seu lar.
- Não está aqui. Não está em lugar nenhum - disse Shinji suavemente, com tristeza - Será que ela me abandonou ? Não ! Ela me disse que me amava, mas... e se não estivesse certa disso ? - tudo se aglomerava na cabeça de Shinji, que, incapaz de fazer algo, deixou as lágrimas escorrerem livremente pelo seu rosto, soluçando enquanto praguejava - Maldição ! Por quê... ? Por que, Asuka... ? Droga, você disse que me amava...
- Claro que sim, por que você está dizendo isso ? - ouviu-se a inconfundível voz da alemã em meio à cidade silenciosa.
- ASUKA ! - gritou Shinji, e correu até ela, abraçando-a - Pensei... pensei que você tinha ido embora - abraçou-a então com mais força, como se estivesse com medo de perdê-la.
- Baka ! Eu nunca te abandonaria. Quem iria cozinhar para mim, então ? - perguntou Asuka, e lhe sorriu docemente, para que ele soubesse que tinha sido uma brincadeira. Shinji deteve as lágrimas e beijou-a apaixonadamente; nenhum dos dois parecia querer parar com o beijo, mas Asuka o interrompeu, após um tempo - Bom, acho que é melhor nós subirmos - disse ela, apontando para o edifício.
- Sim - concordou Shinji, mas uma pergunta martelava-lhe a mente depois daquele momento de amor - Asuka... ?
- Sim ? - respondeu ela.
- Nós somos namorados ? - ele perguntou, um pouco inseguro. Olhou para a ruiva, e ela apenas lhe deu outro longo beijo.
- Para deixar bem claro, isso é um sim, baka - ela disse ternamente depois de terminar o beijo, e começaram a adentrar no edifício.
Enquanto caminhava para o interior, Asuka lembrou-se de algo.
- Ah, sim... - ela começou - Nós temos visitas - e, com esta última frase, Shinji ficou desconcertado, e pôs-se a analisar o que ela tinha lhe dito.
- Como assim, nós temos visitas ? Quem ?... Mas se somos os únicos... Como... ? - o cérebro de Shinji trabalhava a todo vapor, quando Asuka lhe respondeu.
- É uma garotinha. Como você estava demorando muito, eu comecei a te procurar. "Esse idiota provavelmente se perdeu", foi o que eu pensei - disse ela, e dirigiu a Shinji um olhar que dizia "E eu tinha razão" - , quando encontrei essa garota, ela estava dormindo em um beco. No começo ela se assustou, mas consegui trazê-la até aqui - ela suspirou por um momento e prosseguiu: - A única coisa que ela me disse foi que tinha escapado de um homem que gritava muito - Shinji corou ao ouvir o comentário.
- Mas eu apenas queria ajudá-la... e-ela correu e... - mas Asuka o interrompeu.
- De qualquer modo, parece que você a assustou, e isso não me surpreende, com essa cara de pervertido que você tem - sentenciou a ruiva.
- Ei, eu não... - começou Shinji, mas Asuka interrompeu-o outra vez.
- Não importa, a menina está bem e dormindo placidamente... - Asuka ficou pensativa por um instante e depois perguntou: - E a comida ?
- ... ? - Shinji lembrou então de que havia deixado tudo no supermercado, e levou uma das mãos à cabeça - Eu esqueci... foi quando vi a menina e a segui que... - mas não conseguiu terminar.
- IDIOTA ! ALÉM DE SE PERDER, VOCÊ AINDA ESQUECE A COMIDA ! - gritou Asuka para um Shinji que recuava alguns passos - Aff... que inútil.
- Desculpe, é que eu...- Shinji começou a se desculpar, mas a ruiva levou um dedo à sua boca para lhe calar.
- Algumas coisas não mudam... você continua se desculpando por tudo - ela suspirou - É melhor ir buscar a comida de uma vez... e lembre-se de que nós somos três ! - ela disse a Shinji, que já havia saído do edifício.
Uma hora depois, Shinji voltou do supermercado, com o carro cheio de suprimentos, até o edifício, e entrou e dirigiu-se ao lugar que agora chamaria de lar. Ao entrar, encontrou Asuka brincando com a menina que tinha encontrado. Que, ao vê-lo, ficou atrás de Asuka.
- Não tenha medo, ele não vai lhe fazer nada - disse ela, ternamente - Ele é um pouco idiota, mas não é mau - a menina sorriu um pouco e Shinji franziu o cenho - Por que você não se apresenta ? - a menina olhou para ela e depois para Shinji, e então dirigiu-se a ele.
- Olá, meu nome é Saori Ikeydo, muito prazer - disse a garotinha, timidamente.
- Oi... muito prazer, o meu nome é Shinji Ikari - disse, por sua vez, o rapaz, e estendeu a mão para cumprimentar a menina. Ela apertou-lhe a mão com desconfiança e voltou rapidamente para o lado de Asuka.
Shinji não perdeu tempo e começou a preparar a comida, antecipando-se à sua companheira ruiva e seu mau gênio quando tinha fome, já que não comiam nada há quase um dia.
Depois de algum tempo, Shinji preparou uma comida deliciosa, enquanto Asuka colocou as lâmpadas e outros instrumentos de iluminação que ele trouxera, e que foram bastante convenientes. "Você não é tão inútil, afinal", ela disse a si mesma. Quando estava começando a escurecer, ela começou a colocar as luzes provisórias, até se dar conta de um detalhe.
- BAKA SHINJI ! VOCÊ NÃO TROUXE BATERIAS ! - vociferou a ruiva. Enquanto ele terminava de preparar o jantar, ela e Saori (que não se desgrudava de Asuka) saíram à procura de baterias.
Quando tudo estava pronto, Shinji pôs a comida na mesa, e os pratos ficaram vazios quase que no mesmo instante. Depois de comerem um segundo prato, todos ficaram satisfeitos. Foi então que, ao ver a menina loira sentada à sua frente, a mente de Shinji começou a trabalhar. Quem era aquela menina, e de onde ela tinha saído ? Era isso o que ocupava os pensamentos dele, quando a voz de Asuka tirou-o do transe.
- Está satisfeita ? - ela perguntou. A menina assentiu, com um sorriso.
- Estava delicioso, obrigada - ela disse, dirigindo-se a Shinji.
- Bem... obrigado - disse ele, e depois sentiu que era hora de obter algumas respostas -Saori ? - ele começou, e a menina o olhou, esperando - Você... de onde você vem ? - perguntou ele, sem rodeios.
- Da praia - ela respondeu inocentemente - Eu já tinha dito isso para a srta. Asuka.
Shinji, então, olhou para Asuka, esperando uma resposta. Ela o olhou com uma expressão de aborrecimento.
- Você não pode esperar até amanhã ? Já é tarde - Shinji baixou a cabeça e suspirou.
- Tudo bem - disse ele, enfim. Asuka levantou-se, bem como Saori.
- Bom, Saori, é melhor você ir se deitar, olhe, esse é o seu quarto - ela apontou para o quarto que uma vez havia sido o de Misato.
- Mas esse quarto.. - Shinji começou a falar, mas foi interrompido por Asuka.
- Nós já o limpamos e o deixamos novamente habitável. Você não imagina quantas latas de cerveja havia ali... e nem em quais lugares - disse ela, lembrando os estranhos lugares. Foi com a menina para seu quarto, deixando Shinji na cozinha com seus pensamentos.
"Agora que você me disse para esperar, fiquei com mais vontade de saber". Ele omeçou a olhar em todas as direções, tentando não pensar naquilo. Estava quase indo se deitar, quando Asuka saiu de seu quarto.
- O que há ? - perguntou a ruiva, enquanto caminhava até ele.
- Nada, eu apenas pensava em Saori - respondeu ele, perdido em seus pensamentos.
- Então você não pensa nem um pouco em mim - disse Asuka, indignada.
- Não, eu... desculpe, eu penso sempre em você, mas é que... - ele deixou de balbuciar quando ela olhou-o, sorrindo.
- Ah, meu baka - ela suspirou, e deu-lhe um rápido beijo - Você tem de relaxar mais.
- Hum... sim - sussurrou ele, depois olhou para seus olhos azuis. "Que linda você é" - Você é linda - disse ele à ruiva, que ainda lhe sorria. Segurou-lhe a mão e levou-o até a janela, e ali observaram a cidade na escuridão, sem outra luz que não fosse a das estrelas e a da Lua, que agora riscava uma faixa vermelha de sangue.
- Que tranqüilidade, não tem nada a ver com a Tokyo-3 de antes - sussurrou a ruiva.
- Sim... - disse Shinji - Me diga, o que foi que Saori lhe contou ? - perguntou ele, subitamente lembrando-se do assunto.
- Ah, isso - disse Asuka com desânimo; esperava outro elogio à sua beleza ou uma frase mais romântica, mas, afinal, era Shinji, e ela o conhecia bem - Posso te contar depois ? Já é tarde - disse ela, esperançosa de encerrar aquele assunto, para poder aconchegar-se a ele.
- Você tem algo melhor para fazer ? - perguntou ele, e com isso a ruiva soube que não se safaria.
- Ah... como quiser - assentiu ela, com um tom de aborrecimento em sua voz - Se tendo uma mulher estonteante na sua frente você prefere escutar a história de uma menina ? Paciência - disse ela, desiludida.
- Não, Asuka, não é isso... é que, você sabe... apenas ela voltou e... desde que cheguei, você não me disse nada sobre ela e... - disse Shinji, um pouco envergonhado - Você sabe que é a pessoa mais importante para mim.
- Certo ! E lembre-se disso - disse Asuka, e, vendo a expressão no rosto de Shinji, lhe presenteou com um sorriso, para que ele relaxasse - Agora posso te contar a história ?
- S... sim... Asuka - respondeu Shinji, um pouco desconcertado.
- Bem, por onde começar... - a ruiva levou um dedo à boca, lembrando do que a menina tinha lhe contado, antes que ele chegasse - Ah, sim ! Saori me contou que, logo depois do Terceiro Impacto, ela, na verdade, não sabe exatamente o que aconteceu, mas eu deduzo que o que ela me descreveu foi isso. Ela disse que se encontrava em um lugar em que havia centenas de luzes e ela não sabia onde estava... - ela parou por um momento, pensando no que dizer a seguir - E me disse que havia outras pessoas, e às vezes, nenhuma - ao ver a expressão de desconcerto de Shinji, ela tentou esclarecer - Como foi que ela disse ?... Ah, ela mencionou algo sobre não saber onde ela terminava e onde começavam as outras pessoas - e Shinji então lembrou-se da explicação sobre como seria tudo caso acontecesse o Terceiro Impacto. O que a menina tinha descrito era muito similar a aquela explicação.
"É como disse Rei. Então ela deve ser uma das pessoas que saíram do mar de LCL", ele pensou, e então lembrou-se de Rei em cima dele, sem roupa, quando lhe explicou isso. O que, além de um enrubescimento do seu rosto, também provocou uma certa excitação em suas calças.
Asuka, então, olhou para baixo, e reparou naquele detalhe, e Shinji também, fazendo com que ele ficasse mais vermelho. "Sou bonita demais, para minha sorte", pensou a ruiva, com um sorriso luxurioso. Shinji olhava para ela tentando disfarçar sua ereção.
Asuka ignorou esse fato e continuou:
- Depois disso, ela não quis ficar ali e voltou. Ao voltar, ela saiu do mar de LCL, sem saber como, e sem encontrar seus pais. Depois ela veio à cidade, esperando encontrá-los, e o resto da história você já sabe.
- Ah, sim... que estranho - disse Shinji, e seu tom de voz fez Asuka ter certeza de que ele sabia de algo.
- Shinji... você sabe de algo que eu não saiba ? - perguntou a jovem. Ele suspirou e olhou para a cidade às escuras.
- Ah... é uma história um pouco longa.
- Você tem algo melhor a fazer ? - desta vez, foi a ruiva que insistiu.
- Está bem. Olhe, o que aconteceu foi... - começou Shinji, e então lhe contou tudo o que tinha acontecido dentro da Rei gigante, e tudo o que ela havia lhe contado sobre o Terceiro Impacto e suas conseqüências. Contou-lhe tudo o que lembrou, omitindo que ele e Rei estavam nus e que Rei estava sobre o seu colo.
- IDIOTA ! VOCÊ DEMOROU TODO ESSE TEMPO PARA ME CONTAR ISSO ! - gritou Asuka, com raiva.
- Desculpe, eu... não foi proposital - balbuciou Shinji, vendo como Asuka estava zangada; mas ela se acalmou logo.
- Eu já tinha me acostumado à idéia de passar o resto da minha vida com você - ao ver a tristeza no rosto dele, ela sorriu para deixar claro que era uma brincadeira - Não se desculpe por tudo, tolo, agora pelo menos há esperança de encontrar mais pessoas, ainda que leve muito tempo - ela concluiu.
- Rei disse que toda pessoa era capaz de voltar se assim o desejasse. Me daria mais esperanças se não fosse uma menina a única a ter retornado - disse Shinji - Mas... suponho que seja melhor do que nada - então olhou para a ruiva e deu-lhe um profundo e longo beijo.
Mas Asuka interrompeu o beijo logo e afastou-o dela suavemente. Shinji não entendia porque até que olhou na direção em que ela também estava olhando, e viu a razão. Era a garotinha que morava com eles, ela olhava para ambos sem entender a situação. Eles olharam-se por um longo e incômodo minuto. Então, Asuka interrompeu o silêncio.
- Saori, o que você faz acordada ? - perguntou ela, aproximando-se da menina.
- Escutei uns gritos que me acordaram, e depois vi vocês se beijando. Não quis falar nada para não aborrecer - disse ela inocentemente, e depois perguntou algo que surpreendeu a ambos: - Vocês são casados ? - disse isso, e olhou para os rostos desconcertados dos dois adolescentes.
- Hã... bem... não... s-sim... hein... Como ? - Shinji não sabia o que dizer, enquanto Asuka se mostrava mais calma, e deu-lhe uma resposta mais clara.
- Somos apenas namorados, Saori - disse ela à menina, e esta assentiu, e depois olhou para Shinji ternamente.
- Por que estavam discutindo ? Foi algo sobre mim ? - ela perguntou agora.
- Só estávamos falando sobre como você tinha chegado aqui - respondeu Shinji, já mais calmo - E que não seria esquisito se você tivesse sido a única a voltar.
- Ah... como assim, a única a voltar ? - ela perguntou a Shinji, mas desta vez Asuka foi quem respondeu.
- Que só você voltou do mar de LCL - disse Asuka, a seguir dirigindo-se a Shinji - De vez em quando, temos de ir para ver se saem mais pessoas.
- Sim, se nos juntássemos seria melhor - ele concordou - Mas quem sabe quando vai voltar outra pessoa ?
- Como ? - perguntou Saori, sem entender.
- Que pode ser que aos poucos voltem mais pessoas do mar - explicou Asuka, do modo mais simples que pôde, para que ela entendesse - Mas isso pode demorar muito.
- Como as que estavam na praia - disse Saori, deixando Shinji e Asuka boquiabertos.
- Como... ? Quando ?... - Shinji lhe perguntou.
- Enquanto eu procurava meus pais pela praia, vi que tinham saído mais pessoas do mar - respondeu a menina.
- Mas... por que você não foi com eles ? Por que veio sozinha até aqui ? - questionou Asuka, e a menina simplesmente respondeu.
- Porque minha mãe me disse que eu nunca falasse e nem fosse a nenhum lugar com estranhos, a não ser que fosse com um policial, mas só havia pessoas sem roupa que eu não conhecia - disse Saori, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Por sua vez, os dois adolescentes olharam-se desconcertados, mas depois começaram a rir freneticamente. Agora eles sabiam que não eram os únicos sobreviventes, e estavam felizes por isso. Pela manhã, iriam à procura dos sobreviventes, mas, agora, não podiam estar mais felizes pela inesperada notícia. Saori apenas olhava para seus dois companheiros, que riam, com expressão sonolenta. Então Asuka, olhando para ela, se dispôs a levá-la para seu quarto, para deitá-la na cama, e depois voltou até Shinji, que a envolveu em seus braços. Ambos olhando para a cidade, na penumbra, com um grande sorriso em seus rostos.
Apesar de o Terceiro Impacto ter acontecido, mesmo com o mundo tendo sido devastado, e ainda sendo apenas um pequeno grupo de sobreviventes os que se encontravam na Terra, não lhes importava. Eles olhavam a cidade, em meio à escuridão, esperançosos. A humanidade iria começar de novo, e com o tempo reconstruiriam tudo como antes, a humanidade renasceria. Sabiam que seria difícil, e que levaria muito tempo e sacrifícios. Mas eles enfrentariam tudo sem hesitar, não importando o que acontecesse, porque, apesar de tudo, estavam juntos.
NOTA FINAL: Minha sétima tradução, e uma que achei bem difícil.
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