Capítulo Um.

"Isabella roubou o meu fôlego em uma fotografia ao lado do idiota do meu irmão, pessoalmente me deixou tonto. Ela parecia uma menina ousada com suas curvas chamativas, apesar de baixinha. Mesmo suja, provavelmente dançando para espalhar calor nas uvas, era a mulher mais linda que vi".

Vinte anos depois...

Balancei os braços e corri feliz, dançando pelos corredores, espalhando a fumaça e espantando a geada. Jacob, meu melhor amigo, corria atrás de mim e Leah, sua namorada e agora minha amiga também, estava me puxando. Ela aprendeu a dançar para espantar a geada mais rápido que o meu amigo que vem me visitar a anos e nunca deixa de ser tão desengonçado. Estou feliz que eles vieram até aqui. Estou muito feliz em comemorar meu aniversário com um dos meus amigos mais fieis e de infância. Estudamos juntos no mesmo colégio interno e católico em Veneza por quase toda nossa vida. Ele voltou para a América quando se formou e eu voltei para o meu lar, o lugar que eu me sentia feliz e triste.

Chegamos à ponta da casa e rimos sem fôlego. Leah me abraçou, agradecendo pela experiência única e olhamos as luzes de todo campo. Sempre era uma beleza ver o campo das uvas iluminado pelas tochas enquanto as agrícolas colhiam as frutas maduras para o começo da produção do nosso vinho, que era um dos melhores da região. Meu vestido branco estava muito sujo e eu podia imaginar que meu rosto estava coberto de folhagem negra. Observei Leah abraçar Jacob e senti um aperto no meu coração, sabendo que talvez eu nunca tivesse um momento de afeto com alguém que eu pudesse vir a me apaixonar e amar. Sou prometida ao casamento, que acontecerá ainda esse ano, antes do natal e faz anos que não vejo meu futuro marido.

A última vez que o vi foi em meu aniversário de dez anos e ele era um garoto terrível e mal humorado com as outras crianças, mas nunca foi ruim comigo. Ele segurou a minha mão quando caí durante uma brincadeira e me ajudou a limpar os joelhos. Também não trocou nenhuma palavra comigo. Desde então, nunca mais o vi, mas ouvi falar dos seus feitos. Ele é oito anos mais velho que eu e é formado em Direito, trabalha nas empresas da família. Sei que após a morte do meu pai, assumiu o comando da minha vinícola, que será dele também após o nosso casamento.

Minha mãe faleceu no nascimento do meu irmão, Jasper. Foi uma gravidez difícil e ela não resistiu ao parto prematuro. E dois anos atrás, meu pai sofreu um infarto e não resistiu. Encontrei-o horas depois e para mim foi muito difícil perceber que Jasper e eu estávamos sozinhos no mundo... Mas Esme foi gentil o suficiente de passar uma temporada comigo. Ela e sua filha Alice foram amáveis e me ajudaram muito. Foi doloroso, e havia dias que eu não queria sair da cama... E o Vovô Aro... Ah, o homem sobreviveu a tanta coisa e mesmo na idade avançada, ainda está de pé e passou uns dias me dizendo que eu não deveria ficar preocupada, que o casamento aconteceria quando eu me sentisse pronta. Meses atrás eu informei que nunca ficaria pronta para casar com alguém que eu não sei descrever o rosto de um homem adulto.

Recostei na grama e olhei para o céu. Meu casamento está marcado para o dia 20 de outubro e posso sentir a ansiedade me dominando aos poucos. Conheço o meu destino desde criança. Não lembro ao certo como ou quando a noticia chegou até mim, mas sempre soube que ele seria o meu marido quando atingisse a idade adulta. Edward namorou outras pessoas e pouco mais de um ano atrás terminou seu relacionamento com uma modelo e ao mesmo tempo em que senti ciúme do seu comportamento, afinal, ele pode namorar alguém e eu fiquei reclusa em um colégio interno, socializando com meninos sobre os olhares atentos das feiras, nunca beijei um homem, também senti que se ele rompesse o acordo, eu estaria livre para viver conforme as minhas escolhas.

Através do seu avô, Edward informou que eu deveria escolher a data. Rumores espalharam-se nos jornais e rodas da alta sociedade que o neto mais velho de Aro Volturi estava em um relacionamento comigo, mas isso foi deixado de lado pela falta de provas. Sempre fui vista sozinha e ele também. Sua ex-namorada, a modelo Tanya Denali, disse aos tabloides que era questão de tempo até que eles reatassem e que foi apenas uma pausa porque a carreira de ambos era sufocante. Fico me perguntando se Edward planeja se casar comigo e manter um relacionamento com ela. O nosso casamento seria real? Noite de núpcias aconteceria? Teríamos filhos? Melhor dizendo, faríamos um filho? Não é segredo para ninguém que hoje em dia não é preciso fazer sexo para ter filhos.

Eu faria sexo um dia na minha vida? Quero fazer sexo com meu marido? Nós teremos alguns encontros antes de casar?

- Bella! Bella! – Zafrina estava me chamando desesperada e levantei de onde estava deitada. – Venha menina! Ande! Ande!

- Não tem mais incêndio, Zá. Nós dançamos para geada. – respondi não entendendo seu desespero.

Ergui meu vestido e andei até ela, sendo abatida por braços finos e fortes. Alice! Agarrei-a apertado também, sem esconder minha felicidade em vê-la, mas ao olhar para frente, afastei-me.

Esme estava de braços dados com Carlisle, que vi poucas vezes na minha vida. Ambos sorriram pra mim e observei que atrás deles estava Emmett. Encontrei-o um ano atrás, no meu aniversário, e ele me deu um bonito relógio de presente. Ao seu lado estava uma mulher, com cara de poucos amigos, evitando olhar pra mim. Ela era muito bonita, com os cabelos loiros bem arrumados e um vestido preto com os cortes da moda.

Alice estava falando comigo e eu só conseguia prestar atenção no homem parado pouco depois de Emmett. Era Edward. Os inconfundíveis e lindos olhos verdes brilhantes me fitavam com interesse. Eu estava parada diante do meu noivo com uma coroa de flores aos pedaços, um vestido rasgado, cabelo molhado e toda suja de terra e folhagem. Balancei a cabeça para o que Alice estava falando e não prestei atenção, dando as costas e entrando em casa pela cozinha. Ver Edward me deixou muda. Ele era tão bonito pessoalmente que fiquei estática e completamente sem reação. Como iria manter um casamento com aquele homem?

Tirei a minha roupa assim que entrei no meu quarto, entrei no chuveiro e me esfreguei bruscamente, lavando meus cabelos longos duas vezes e quando saí, estava vermelha. Passei um pouco de creme hidrante no rosto e segui para o quarto com meu creme hidratante corporal, dizendo para mim mesma que era injusto eles simplesmente aparecerem sem avisar, sem me dar a chance de me preparar para vê-lo. E pelo que ainda sei, é indelicado ser uma visita surpresa. Arrumei-me com aprumo. Vesti o meu vestido mais novo, comprado em Milão na minha última viagem de compras quando fui buscar Jacob e Leah. Azul escuro, abraçando minhas curvas que sei que não são suaves.

Escolhi meu perfume favorito e do dia-a-dia. Opium, apesar de não ser tão caro e com um cheiro particularmente conhecido, era o meu cheiro preferido e que combinava comigo. Meu cabelo acabou secando a maior parte naturalmente e ele ficou volumoso, com meus grandes cachos bem abertos e brilhando como não estavam antes. Delineei meus olhos e caprichei na máscara, pintando um pouco a minha sobrancelha para tirar a palidez que a base e o pó causavam. Gostava do meu olhar com o efeito fatal. Nos lábios, passei um batom roxo claro, não era muito forte, mas tirava o tom de rosa natural e também não era puxado para o vermelho. Olhei-me por completo no espelho do meu closet e saí do quarto, dando de cara com Jacob no corredor. Ele sabia da minha história e estava com aquele ar pesaroso que assumia sempre que falávamos do meu possível casamento.

- Eles parecem legais. – disse me dando o braço. – Assim que ficamos prontos, descemos e Zafrina nos apresentou. Leah ficou conversando com a garota chamada Alice e eu vim aqui ver se precisava de alguma coisa, se estava tentando se jogar pela janela... Coisas do tipo.

- Estou apenas irritada que eles sentiram-se no direito de simplesmente vir sem me avisar e logo no dia do meu aniversário.

- Em algum momento vocês precisariam ficar oficialmente noivos, certo? Ou era simplesmente casar?

- Eu não sei, Jacob. Minha vida não é comandada por mim mesma e não guardo rancor do Vovô Aro, muito menos dos meus pais por tudo isso. Só fico irritada quando coisas como essas acontecem.

- É o seu sangue quente falando. – brincou e me ajudou no último degrau.

- Bella? – Zafrina apareceu com um sorriso doce. – Edward está lhe esperando na antessala, para que conversem sozinhos antes de ir para sala encontrar com sua futura família. O jantar será servido em breve e seu bolo está maravilhoso. – completou e mostrei um sorriso sem dentes, nenhum pouco animada. Toda minha alegria de comemorar meu vigésimo aniversário desapareceu. – Sorria, menina.

Revirei os olhos e segui sozinha para a pequena sala que ficava antes do salão social. Edward ainda não estava lá. Fechei a porta atrás de mim, seguindo para o pequeno bar e virando no cálice um pouco de vinho do porto que comprei em uma viagem ao norte de Portugal, fiquei realmente encantada com o sabor rico e único. Dei um pequeno gole e me deixei dominar pelo gosto potente. Ouvi a porta abrir e fechar. Não virei de imediato, tomando uma respiração profunda e girei. Edward estava parado na porta, olhando-me da cabeça aos pés e eu identifiquei todo tipo de sentimento em seu olhar. De admiração, desejo, luxuria e até mesmo surpresa.

E ainda assim, ele era assustador. Desconhecido. Também havia algo terrivelmente feroz em seus olhos. Se eu o encontrasse em uma rua deserta, sairia correndo.

- Bella.

- Oi Edward. – sorri um pouco aquecida pelo vinho. – Porto?

Ele arqueou a sobrancelha e aceitou a minha pequena taça, deu um pequeno gole como o meu e saboreou.

- Muito bom. – disse e bebeu o restante. – É bom revê-la.

- Faz muito tempo.

- Eu sei...

Fiquei em silêncio.

- E então casaremos em pouco mais de um mês. – anunciou e eu quase revirei os olhos, mas ainda existia parte de mim com um pouco de medo dele.

- Sim. – encolhi os ombros. - Precisamos conversar e muito.

- Entendo... – apontou para um sofá e sentei, cruzando as pernas e Edward acompanhou com o olhar, tomando um assento ao meu lado. – Nosso casamento não será um contrato além de todos os contratos pré-nupciais que já foram acordados há muito tempo. Casamento em nossas famílias é para sempre e creio que devemos aprender a conviver com outro, em paz, pelo menos...

- Entendo e desejo viver em paz. Na verdade, eu desejo viver bem e ser feliz.

Edward não disse nada.

- Será real? Digo... Nós teremos relações intimas?

Edward riu, parecendo deliciado.

- Ah o sangue italiano que corre que em suas veias... – disse com um sorriso que me deixou tonta. – Sim... Eu não sou infiel e nem planejo ser. Acho que podemos ser amigos... Sei que casamentos são baseados no amor e podemos casar na amizade e dividir a cama como amantes caso contrário iremos realmente nos matar.

Eu ri. Ele riu com a minha risada.

Edward enfiou a mão no bolso e tirou uma caixinha de veludo e ao abrir, revelou um lindo anel com diamante negro e alguns brilhantes ao redor. Toquei-o gentilmente sentindo a textura das pedras e olhei para a grande janela a minha frente com toda a minha vinícola se espalhando e crescendo, perdendo-se até o horizonte. Na parede da sala, a foto do meu avô segurando a nossa primeira raiz, que se perdeu há muito tempo e se não fosse por Aro Volturi, não estaríamos mais aqui, com toda riqueza, mesmo vivendo em nossa simplicidade.

Ele segurou a minha mão e deslizou a aliança com cuidado. Senti um peso nos meus ombros e a responsabilidade que meus pais carregaram por toda a vida. Não era o só o meu futuro que estaria em risco como também o do meu irmão e de todas as famílias que trabalhavam e dependiam da venda do nosso vinho. Unir as nossas famílias era a salvação do nosso nome. Respirei fundo, tentando não chorar. Olhei para minha aliança e fechei minha mão.

- Está feito. – Edward disse provavelmente sem saber o que dizer.

- Vamos comemorar o que pudermos comemorar deste dia.

Ele beijou minha mão e esse simples ato fez a minha boca formigar. Sorri e colocando meu cabelo atrás da orelha, beijou a minha bochecha. Nesse momento, alguém bateu na porta e soltei a respiração. Zafrina abriu e informou que todos nos aguardavam na mesa de jantar. Edward levantou e me estendeu a mão e entrelaçamos nossos dedos. Saímos juntos e seguimos para sala de jantar, ganhando olhares curiosos em nossa direção. A expressão de Emmett foi a que mais me chamou atenção. Ele parecia completamente aborrecido a me ver junto do seu irmão, o que era bem ilógico considerando que todos sabiam do nosso noivado.

Jacob me deu um sorriso de lado e uma piscadinha.

- Bom te ver, Bella. – Emmett me abraçou apertado. A mão de Edward ficou dura e ele me puxou para trás. – Você está linda.

- Obrigada, Emmett. É bom te ver novamente. – afastei-me estranhando a forma meio brusca que Edward me puxou para trás, mas ele disfarçou colocando a mão no meu ombro. Olhei para mulher loira atrás dela. – Olá.

- Ah, essa é Kate, uma amiga que está me acompanhando na viagem. – Emmett apresentou e eu sorri, mantendo a distância quando ela claramente fez uma cara de nojo.

- Edward, esse é Jacob Black, meu melhor amigo e sua namorada e também amiga querida Leah. – apresentei aos demais.

Esme me abraçou apertado e Carlisle me deu um beijo afetuoso na testa. Ele era contra o comportamento de Edward antes, porque ele respeita completamente a tradição das nossas famílias e é bastante conservador como todo italiano católico. Esme era tão doce comigo que eu sabia que vinha do fato que me conhece desde ao nascer... Ela não é muito simpática com outras pessoas. Alice me deu um abraço apertado novamente e eu confesso que senti saudades do seu jeitinho de menina tão alegre. Ela é bem mais nova que eu, mas sempre me diverte.

- Espero que tenha mais um lugar na mesa!

- Jas! – gritei largando Alice e enchi meu irmão de beijos e abraços. Ele gemeu quando apertei seu braço e levantei sua blusa para ver a sua nova tatuagem. – Ah, que saudade!

- Pensou que eu não viria, irmãzinha? Espera! Ele não esperou para pedir para o homem da sua vida? – segurou a minha mão, olhando para Edward com seu jeito brincalhão e tentando soar sério. – Bom revê-lo, Chefe. – esticou a mão para o meu noivo.

Chefe? Ah sim, Edward é novo chefe da nossa família.

- Igualmente. – Edward disse sem sorrir de volta.

- E quem é essa gata? – perguntou olhando para alguém acima do meu ombro e vi que Kate abriu um sorriso. – Não estou falando de você. – disse bruscamente e tapei minha boca para não rir. Jasper tirou uma rosa do arranjo e foi até Alice. – Olá você, linda. Permita-me ser seu acompanhante neste jantar de aniversário e noivado?

- Ah, é claro! – Alice sorriu de forma tão brilhante que todos nós sorrimos também. Jasper deu a ela o seu braço, conduziu até a mesa e puxou a cadeira. Eu sorri sabendo que a minha mãe estaria derretida nesse momento.

Edward puxou a minha cadeira e todos procuraram seus lugares. O jantar foi bem íntimo, tirando a presença irritante da modelo silicone. Zafrina preparou todos os tipos de massas e comi bem, bebendo bastante vinho, sentindo-me mais relaxada pela primeira vez desde que eles chegaram. De sobremesa, um delicioso bolo de chocolate com recheio de creme belga foi cortado.

- Esme, eu precisarei de ajuda com os preparativos do casamento. Espero que todos concordem que devido às circunstâncias, desejo um casamento apenas com a família e nenhum convidado de fora. – olhei de forma cortante para Kate. – E penso que a distância é desconfortável para o Vovô Aro, devemos casar em Volterra.

- Estou de acordo. – Edward disse.

- Conversaremos melhor após o café da manhã. – Esme disse com um sorriso animado. – Ah, estive tanto tempo sonhando com esse casamento.

- Não penso em nada muito elaborado, devemos celebrar a união na igreja e ter uma festa, talvez um almoço.

Ouvi uma agitação vinda da cozinha e vi pela janela que estava chovendo. Levantei bruscamente e corri para cozinha, percebendo que a temperatura subiu e estava quente. Tirei meus sapatos e calcei as botas de chuva, pegando uma capa no armário, correndo para a plantação. A temperatura subindo repentinamente após uma geada poderia estragar uma leva inteira de uvas maduras.

Junto com outros agrícolas, cheguei à primeira fileira, tirando um pequeno canivete do bolso do meu casaco e cortei um cacho, desfazendo a casca da uva em minhas mãos. Ainda não estava derretendo.

- Qual a temperatura? – perguntei alto diante ao barulho ensurdecedor da chuva.

- Bella? – alguém me gritou.

- Oi? – respondi e era Edward. Ele usava uma capa também e parecia confuso. – Eu precisava ver as uvas.

- Volte para dentro. Há milhares de funcionários aqui para isso. – gritou de volta e colocou mais uma capa em cima de mim. – Vem, anda.

- Qual a temperatura? – ignorei Edward e esperei a aferição. Olhei o termômetro. – Teste a umidade das uvas, caso a temperatura suba muito rápido, toque a sineta e façam a colheita.

Edward me puxou para dentro de casa e Zafrina estava com algumas toalhas. Fui envolvida em uma grande e ela secou meu cabelo, que pingava por todo chão da cozinha. Tirei as botas e dei mais algumas ordens ao meu chefe agrícola que saiu pronto para continuar verificando as nossas uvas. Soltei alguns espirros e Zafrina não quis saber de mais nada, empurrando-me para o quarto. Tomei um banho quente, tendo o cuidado de pedir que ela acomodasse a todos e sequei meus cabelos. Um pouco mais tarde, ela me trouxe um chá e saiu. Uma batida na porta e pedi que entrasse achando que era ela, mas era Edward.

- Você está bem?

- Apenas uma chuva. – respondi desligando o secador e enrolei meu cabelo em um coque. Não passou despercebido que Edward olhou diretamente para os meus seios. – Talvez você esteja acostumado em lidar com a burocracia e com os números, mas eu cresci aqui, com o contato direto com a terra.

- Eu sei... E eu não entendo nada além do quanto devemos lucrar com a próxima safra.

- Depende das boas uvas, o que nós não temos tido devido às ultimas alterações climáticas.

Edward encolheu os ombros e eu percebi que ele não conhecia muito. Ah, garoto americano.

- Por incrível que pareça, as atuais condições climáticas muito confusas estão prejudicando nosso vinho e nossos enólogos e agrícolas estão sofrendo a cada temporada para manter a safra do mesmo jeito. Em algumas temporadas, precisamos misturar nossos vinhos para manter as vendas.

- A primeira coisa que farei quando casarmos será unificar as marcas.

Sentei na ponta da minha cama e percebi que Edward havia trocado de roupa. Fiquei tão focada em seu bonito rosto que não percebi que ele usava uma calça de linho fino e uma blusa branca. As tatuagens em seus braços me chamaram a atenção e evitei ficar olhando muito. Não queria ser indelicada. Ele sentou ao meu lado. Como posso casar com um homem tão bonito? Apesar do meu rosto delicado, todo restante do meu corpo é bem italiano. Salvei-me de não puxar o nariz imenso da família de meu pai e herdei o milagroso jeito delicado de minha mãe, que apesar de italiana, tem sua origem inglesa.

- Entendo a sua ligação com a terra, mas não desejo que fique constantemente executando o trabalho que pagamos para alguém fazer.

- Entendo. Aqui é minha casa e nós vivemos delas...

- Não desejo que se preocupe. Estamos bem financeiramente e não é preciso que se gaste ou coloque sua saúde em risco.

- Todo processo após o vinho sair daqui eu não entendo, sinto muito. – encolhi os ombros.

- Eu vou te ensinar.

- Aonde viveremos?

- Na América, é claro.

Um pânico cresceu dentro de mim e minha boca ficou seca. Deixar a Itália? Eu nunca fui à América. O único país que visitei foi Portugal e não posso dizer que fiz um passeio turístico.

- O que? Não viveremos aqui? – perguntei sem esconder a minha angustia.

- Bella... Precisamos estar no centro do mundo. – disse lentamente e pegou minha mão, querendo trazer conforto. – E acredito que podemos passar as temporadas de colheita aqui, vamos organizar o nosso ano, para que não fique longe da sua casa por tanto tempo.

- Obrigada. – sorri acariciando sua mão.

- Eu vou te deixar descansar agora. – murmurou e beijou minha bochecha.

Observei Edward sair e me joguei na cama, olhando para o teto e pensando no quanto a minha cabeça estava girando com tantas novas informações. Não consegui dormir a maior parte da noite, cochilando e acordando diversas vezes e pouco antes do amanhecer, desisti de tentar dormir e pensei em ir até Jacob, mas agora ele tem uma namorada e não podemos fugir pela madrugada para ficarmos escondidos no telhado observando o dia nascer. Vesti meu robe e fui sozinha para o telhado, fotografando o amanhecer no horizonte da vinícola. Quando alguns funcionários começaram a circular, desci para minha varanda, tomei um banho porque me sujei de barro seco e me preparei para o dia. A casa estava silenciosa, mas eu sabia que a cozinha estava a pleno vapor para o café da manhã. Refugiei-me no escritório e abri o diário do meu pai. Não era algo secreto, porque sempre que ele dizia que devia ler sobre a história da nossa família, era ali que buscava informações.

Fiquei perdida por horas nos detalhes do começo da paixão de meu pai por minha mãe. Era tão doce a maneira que ele se referia a ela, a forma que se encantaram, o primeiro encontro, o primeiro beijo e eu sempre relia a mesma parte me perguntando por que tenho que carregar o peso de me sentir sozinha, mesmo noiva de um homem bonito, ainda sinto como se estivesse só, sem uma paixão ardente no peito ou desejo alucinando a minha cabeça. Eu vou casar em um mês e meu corpo sequer foi tocado pelo meu noivo. Não compartilhamos ardentes noites de luxuria ou noites românticas ao luar.

Guardei o diário de meu pai e alisei a minha roupa. Coloquei um short de sarja branco, com a cintura alta, ele era um pouco curto, mas não me incomodava. Escolhi sandálias plataformas porque não gosto de usar chinelos, prefiro andar descalço e com visitas em casa não era uma boa ideia. Minha blusa era verde escura e tive que admitir para mim mesma que meus seios estavam chamando atenção com o decote singelo. Joguei o cabelo para o lado e abri mão da maquiagem.

- Bom dia querida. – Carlisle foi a primeira pessoa que me viu.

- Bom dia, como vai? Dormiu bem?

- Nada melhor que a tranquilidade de casa. Quando estou na minha casa em Nova Iorque ouço o barulho do tráfego intenso e lembro a minha criação aqui nesses campos.

Volterra fica a uns bons hectares da minha vinícola, apesar de sermos vizinhos. Sorri para Esme que entrou na sala de jantar e deu um beijo na minha bochecha. Ela ocupou um lugar ao lado de Carlisle e sentei do outro lado da mesa, ignorando a cabeceira que agora pertencia a Edward. Logo Jacob e Leah apareceram assim como Alice. Cortei um pedaço de bolo e Emmett surgiu com a loira esquisita usando uma roupa tão decotada que era melhor ficar com os seios de fora de uma vez. Jasper parecia de ressaca e eu o conhecia muito para ter a certeza de que esvaziou muitas garrafas de vinho antes de dormir.

- Bom dia, família. – Edward entrou e eu corei. Ele realmente era do tipo que roubava o fôlego quando passava. – Bom dia, amore. – beijou a minha testa e sentou.

- O dia está lindo hoje. – Esme suspirou e me olhou. – Espero que não se incomode, mas pedi a Zafrina que preparasse a varanda para conversarmos sobre o casamento agora pela manhã.

- Creio que não iremos demorar, começando que a lista de convidados será bem reduzida. E eu já tenho um vestido escolhido, basta buscá-lo em Milão.

- Perfeito.

Após o café da manhã, Jacob fotografou algumas poses minha com Edward. As fotos seriam enviadas à imprensa para anunciar o noivado e a data do casamento.

- Uma foto beijando. – Jake pediu e olhei para ele nervosa. – Vocês vão se beijar no casamento, certo? – perguntou e eu sabia que ele estava me provocando. Ele sabe que eu nunca beijei alguém.

- Claro que haverá muitos beijos. – Edward respondeu e segurou meu queixo.

- Já temos fotos o suficiente. – respondi olhando diretamente para Jacob.

Meu melhor amigo sorriu e disse que editaria as fotos para que a assessoria de imprensa do Edward pudesse enviar para as mídias. Zafrina entrou com uma bandeja com chá gelado e deixou na mesa. Sentei na grande cadeira e peguei uma revista, mostrando onde havia escolhido a vestimenta de Edward para o casamento. Ele estava com o celular no ouvido, falando algo em inglês e ele falava tão rápido e fluente que algumas coisas eu não consegui compreender. Apontei a roupa toda e ele parou, olhando atentamente e balançou a cabeça concordando.

- Desculpe a demora. – Esme entrou e logo puxou uma cadeira. – Meu filho ficará tão lindo com essa roupa. – disse e virou para o mesmo que não parava de falar. – Edward, querido. Se não irá ajudar, vá para outro lugar.

- Desculpe, mãe. Estou dando as últimas coordenadas para meus homens cheguem aqui. – respondeu parecendo envergonhado com a repreensão.

- Quem chegará? – perguntei curiosa.

- Alguns homens da família e minha assistente e sua secretária. Ficarei aqui até o casamento. Há muito o que fazer para unificar as marcar, muitos documentos pré-nupciais que iremos assinar e não dá para fazer de tão longe.

- Entendo. – murmurei e voltei a folhear a revista.

- Todos nós ficaremos.

- Que bom que ficará para me ajudar. – disse a Esme apenas para ser simpática, eu não tinha planos de fazer nada muito elaborado.

Escolhemos o cardápio enquanto Edward ainda parecia disposto a nos dar atenção. Toda comida seria tipicamente italiana e Zafrina comandaria a cozinha. Não teria mais de trinta pessoas em nosso casamento e mesmo que Edward tivesse muito amigos, concordamos em fazer uma reunião ou um jantar quando retornássemos a América para comemorar o casamento com quem ele acha que deve. Não tenho muitos amigos, para falar a verdade, Jacob é meu único amigo de infância e algumas meninas da vila, mas todas já são casadas e nós fomos nos afastando aos poucos, porque aqui há tradição de que moças virgens não podem andar com mulheres casadas.

É muito diferente de Florença e Milão, mas é aqui onde vivo e respeito os mais velhos.

- Existe algum lugar que minha equipe possa trabalhar? – Edward perguntou e digitava algo em seu celular.

- Podem ocupar o escritório principal. O que meu pai usava é muito pequeno. – respondi sem deixar de folear as revistas. – Teremos que ter uma banda. O pessoal no vilarejo adora uma festa com boa música.

- Convidaremos quem mora no vilarejo? – Edward perguntou parecendo espantado.

- É claro que sim. Eles trabalham pra mim e fui criada com todos eles.

- Está certo. Então o nosso casamento terá as pessoas que trabalham para nós e não os meus amigos de infância? A minha própria família?

- Eu não quero casar com pessoas desconhecidas. – rebati.

- Lamento que sejam desconhecidos para você, mas são os meus amigos.

- Oh, quem é a noiva?

- Não tenho culpa que não tem grandes amigos, sinceramente, qual a graça de fazer uma festa de casamento se eu não posso convidar quem sempre participou da minha vida?

- Se é para manter esse critério acho que não serei convidada, afinal, nós não nos vemos há dez anos.

Edward esfregou o rosto em obvia frustração e continuei olhando as revistas, marcando algumas coisas fáceis de decoração que poderia encontrar no centro de Florença.

- Aproveite que está com seu computador ligado e pesquise uma boa floricultura. – disse a Esme, que fingia não prestar atenção na minha discussão com Edward.

- Já que a minha opinião pouco importa... Vou me retirar.

- Contanto que apareça no dia do casamento, fique a vontade. Ou só porque seus amigos não vem, você não vai vir também?

- Qual a porra do seu problema? – Edward literalmente rosnou e eu não me intimidei mesmo que ele parecesse assustador como o próprio diabo.

- O meu problema é que você quer encher o nosso casamento de pessoas que não conheço e não sabem da minha existência, eu não quero ter que enfrentar os olhares questionadores de como casamos tão rápido já que eu enviei a data do nosso casamento há meses e você apareceu somente agora. E talvez eu deva fazer uma dieta já que podem especular que estou grávida. Graças a Deus eu não sou pobre, caso contrário eu poderia estar dando o golpe da barriga!

Ele respirou fundo algumas vezes e me deu um olhar duro.

- Tudo bem, vamos fazer o casamento apenas para nossas famílias e os nossos funcionários. – resmungou empurrando a cadeira para trás e levantou. – Nos encontramos daqui a pouco.

- Okay, baby.

Meu rosto estava quente de raiva pela forma insensível que Edward não considerava o quanto ficaríamos em evidência com o casamento tão rápido e até pensei em adiar, mas, eu duvido que o Vovô Aro simplesmente permita uma alteração dos seus planos e também é muito arriscado. Eu não quero um casamento com pessoas fingindo felicidade e que não me conhecem. Elas até podem ficar felizes por ele, mas sei que a curiosidade será maior. Também não quero que nenhuma foto vaze. E ele nem me deixou explicar que a festa do vilarejo não é a mesma que a nossa.

- Edward é muito perdido das tradições matrimoniais italianas e confesso que a culpa é minha. Criei meus filhos no ritmo americano, para ser mais precisa, nova-iorquino. Carlisle ensinou aos dois as tradições da família, mas não deve ter atentado aos detalhes de um matrimônio.

- Até pensei em explicar que o povo só participa da cerimônia e do cortejo até a festa, mas depois que ele ficou irritadinho decidi que não iria falar nada.

- Ele escolherá seu buquê?

- Ele tem um mês e oito dias para me conhecer o suficiente para escolher minhas flores favoritas. – murmurei marcando o tipo de cetim que gostei para marcar os carros do cortejo do casamento. – Conto com a sua ajuda em não contar absolutamente nada.

- É claro que não. Edward precisa tirar a cabeça dos negócios da família e perceber que agora tem mais para pensar no dia-a-dia.

Abri um sorriso amarelo para Esme tendo o pressentimento que eu serei a esposa que fica em casa, bonita, arrumada e com um sorriso engessado no rosto.