Capítulo Dois
Draco Malfoy moveu-se muito rapidamente. Em menos de duas semanas, assinaram os contratos e combinaram que as sessões fotográficas começassem a princípios de Outubro. A primeira imagem que tinham que conseguir era a da inocência juvenil e a simplicidade imaculada.
Ginny reuniu-se com Colin num parque que Draco tinha seleccionado. Embora a manhã fosse fresca e luminosa e o sol se infiltrasse calidamente através das árvores, o parque estava deserto. Ginny não pôde evitar perguntar-se se o todo poderoso senhor Malfoy seria o responsável por aquela solidão.
Uns jeans arregaçados até a metade da perna e pulôver de cor branca era a roupa que tinha escolhido para a sessão. Ginny tinha prendido o seu brilhante cabelo com duas tranças seguras por presilhas brancas. Aplicou uma leve maquilhagem, apoiando-se simplesmente na beleza natural da sua pele. Era a essência da juventude sincera e vibrante e os seus olhos caramelo brilhavam de antecipação.
—Perfeito —lhe disse Colin—. Jovem e inocente. Como conseguiste?
—Eu sou jovem e inocente —replicou ela enrugando o nariz.
—Muito bem. Vês isso? —perguntou-lhe Colin enquanto mostrava um parque infantil no qual havia baloiços, barras e um escorrega — Vai brincar, menina, e deixa que este senhor tire umas fotos.
Ginny pôs-se a correr para o baloiço. Ali, rendeu-se a uma total liberdade de movimentos. Esticou-se por completo e inclinou a cabeça para trás enquanto sorria para o brilhante céu. Continuando, subiu o escorrega e levantou os braços. Então, depois de soltar um grito de desinibida alegria, deslizou-se até o chão para acabar com o traseiro sobre a terra. Colin não deixava de tirar fotografias de vários ângulos, deixando que fosse ela a dirigir a sessão.
—Parece que tens seis anos — disse ele, com uma risada depois da foto.
—Tenho seis anos — afirmou Ginny. Então, subiu às barras—. Aposto que não podes fazer isto — acrescentou. Pendurou-se de barriga para baixo numa das barras, de maneira que as tranças varreram o chão.
—Surpreendente...
Aquela afirmação não veio de Colin. Quando Ginny girou a cabeça, encontrou-se directamente com um par de calças negras feitas à medida de corte italiano. Ao subir um pouco mais, encontrou um casaco de fato e, um pouco mais acima, com uma sorridente boca e zombadores olhos cinzas.
—Olá menina, sabes onde está a tua mãe?
—O que está fazendo aqui? —replicou Ginny. De barriga para baixo sentia se em franca desvantagem.
—Fiscalizando o meu projecto. Quanto tempo vais ficar pendurada nesta barra? O sangue deve estar te subindo à cabeça.
Ginny agarrou a barra com as mãos e lançou as pernas numa cambalhota que a deixou cara a cara com Malfoy. Ele deu-lhe um suave golpe na cabeça, disse-lhe que era uma boa menina e voltou-se para falar com o Colin.
-Como foi, Colin? Parece que conseguiste boas fotos.
Os dois homens começaram a falar dos aspectos técnicos da sessão enquanto Ginny se balançava brandamente. Tinha visto Draco em várias ocasiões durante as duas últimas semanas e, cada vez, havia se sentido muito inquieta na sua presença. Era um homem intenso e perturbador, com um potente poder masculino, por isso ela não estava de todo segura de querer ver-se associada a ele. A sua vida era organizada e corria pelos caminhos que ela tinha esboçado, por isso não queria complicação alguma.
Entretanto, havia algo em Draco Malfoy que sugeria complicações com letras maiúsculas.
—Muito bem —disse a voz de Draco—. Organizaremos tudo no clube à uma em ponto. Já está tudo preparado —acrescentou. Ginny levantou-se do baloiço e dirigiu-se para Colin
—Não tens que ir agora, pequena. Tens mais ou menos uma hora livre. – Draco comentou.
—Já não quero mais brincar nos baloiços, papá — replicou ela muito tensa. Então, agarrou sua mochila e a pendurou no ombro. Conseguiu dar alguns de passos antes que Draco agarrasse o seu braço.
—Vejo que és uma menina mimada, não é? —murmurou—. Talvez deveria te deitar no meu colo de dar-te umas palmadas.
—Isso seria mais difícil do que acredita, senhor Malfoy — replicou ela com toda a dignidade que pôde reunir—. Tenho vinte e quatro anos, não seis, e sou bastante forte.
— Verdade? —replicou ele. Então, inspecionou o esbelto corpo de Ginny como se o duvidasse—. Suponho que é possível. Vamos tomar um café.
Soltou-lhe a mão, mas entrelaçou seus dedos com os dela. Ginny afastou a mão, surpreendida e desconcertada pela calidez encontrada
—Ginny —disse ele, com a voz marcada por uma tensa paciência —. Eu gostaria de te convidar para tomar um café — acrescentou. Mais que um convite, era uma ordem.
Malfoy avançou pela relva a grandes passadas, arrastando-a atrás dele. Colin observou os movimentos de ambos e, automaticamente, tirou uma fotografia. Decidiu que compunham um estilo muito interessante. Um homem alto e loiro, vestido com um fato muito caro agarrado a uma esbelta mulher-menina.
Quando ela se sentou de frente para Draco no pequeno café, tinha o rosto avermelhado de indignação e do esforço que tinha tido para manter o passo. Draco observou atentamente as rosadas bochechas e os brilhantes olhos e sorriu um pouco.
—Talvez devesse te comprar um gelado para que te refresques —disse. A empregada de mesa apareceu então, o que evitou Ginny ter que responder. Imediatamente, Draco pediu dois cafés.
—Chá para mim — afirmou Ginny secamente. Agradava-lhe contradizê-lo em algo.
— Desculpa? —perguntou ele friamente.
-Eu disse que tomarei chá, se não se importar. Não bebo café. Deixa-me muito nervosa.
—Nesse caso, um café e um chá —informou Draco a empregada antes que ela partisse — Como és capaz de despertar de manhã sem a inevitável chávena de café?
—Sou uma mulher de hábitos saudáveis.
—Efectivamente, neste momento pareces um anúncio da vida saudável —replicou ele.
Então, recostou-se no seu assento e tirou um pacote de cigarros. Depois de oferecer um a ela, que não aceitou, acendeu o seu antes de prosseguir falando.
-Temo que nunca aparentarias vinte e quatro anos com essas tranças. Não se vê freqüentemente um cabelo tão ruivo... e muito menos com olhos dessa cor... São fabulosos —acrescentou, depois de olhar um instante—.Às vezes são tão escuros que ficam quase chocolate. Tão doces e misterioso... Além disso, a tua estrutura óssea é elegante e exótica. Diz-me, onde conseguiste esse rosto tão maravilhoso? Desculpa a ofensa, mas não foi do teu irmão Ronald de certeza.
Ginny já se acreditava imune a comentários e elogios sobre o seu físico, mas, de algum jeito, as palavras de Draco a sobressaltaram. Deu graças a Merlin ao ver que a empregada se aproximava com o que tinham pedido, porque assim teve tempo de recuperar a compostura.
—Conforme dizem, sou a viva imagem da minha avó materna -disse, depois de tomar um gole de chá — Era Irlandesa.
—Devia ter imaginado. As maçãs do rosto, a estrutura óssea... Sim, dá para notar as feições dos Prewett, mas os olhos despistam. Não herdaste os olhos azuis da tua avó.
-Não -respondeu ela. Custou-lhe muito enfrentar o penetrante olhar de
Malfoy com frieza - Estes pertencem-me a mim.
—A ti —repetiu ele—, e, durante os próximos seis meses, a mim. Acredito que gostarei de ter a propriedade conjunta. Nunca te esperei ver em Nova Iorque, muito menos no mundo da Moda. Sempre te imaginei saindo de Hogwarts, casando com Harry Potter, tendo uma ninhada de miúdos e fazendo a lida de casa.
-Mas tu também nunca realmente me conheceste. –disse ela friamente
—É muito fácil ver-te, tanto como uma mulher domestica, simples, carinhosa ou como uma sofisticada modelo. Tens uma notável habilidade para te adaptar ao que te rodeia.
-Isso me faz parecer como se não tivesse personalidade alguma, como se fosse... Quase invisível.
— Invisível? —repetiu Draco. Então, deu uma gargalhada que fez que várias pessoas se voltassem para olhar—. Não, não acredito que sejas invisível, mas sim uma mulher muito complexa com uma notável afinidade com o mundo que a rodeia. Não acredito que seja um talento adquirido, mas sim uma habilidade nata.
Aquelas palavras agradaram a Ginny. Teve que ficar mexendo o seu chá para não mostrar o quanto estava envergonhada. Porque um simples comentário daquele homem era capaz de deixá-la completamente muda? Talvez porque nunca na sua vida esperou receber um elogio de um Malfoy.
—Jogas Quidditch?
Uma vez mais, a rápida mudança de assunto a deixou completamente confusa. Olhou-o fixamente, sem compreender, até que recordou que a sessão daquela tarde teria lugar no campo de Quidditch de um elegante clube de feiticeiros. Os poucos lugares em Nova Iorque reservado apenas á comunidade mágica.
—Consigo arremessar a bola para que, as vezes, passe pelos postes —replicou ela.
—Bem. As fotografias serão melhores se fores capaz de realizar correctamente os movimentos —disse. Então, olhou o relógio de ouro que levava no pulso e tirou a carteira—. Tenho algumas coisas para resolver no meu escritório.
Draco ficou de pé e ajudou-a a levantar-se. Uma vez mais, deu-lhe a mão sem prestar atenção alguma aos esforços que Ginny fazia para soltar-se.
—Conseguirei um táxi. Levará algum tempo para te transformares de menina pequena em atleta. O equipamento de Quidditch já está no clube e suponho que tens tudo o que necessitas nessa pequena mala, verdade? -disse, indicando a bolsa que Ginny tinha pendurada no ombro.
—Não há por que se preocupar, senhor Malfoy.
—Chama-me Draco —repôs ele. De repente, começou a lhe acariciar brandamente a trança esquerda—. Eu não tenho intenção alguma de deixar de te chamar pelo primeiro nome.
—Não há por que preocupar-se —repetiu ela, evitando fazer uso do primeiro nome — Mudar de imagem faz parte da minha profissão.
—Vai ser muito interessante observar-te —murmurou ele, ainda com a trança na mão. Então, adquiriu um tom mais profissional— O campo está reservado para a uma. Até então.
-Também vai? —perguntou Ginny. Não pôde evitar franzir a testa. Incomodava-a o facto de ter que voltar a vê-lo.
-É o meu projecto, lembras-te? —afirmou. Então, meteu-a num táxi, sem dar-se por aludido ou sem dar-se conta da testa franzida de Ginny—. Tenho a intenção de fiscalizá-la muito cuidadosamente.
Enquanto o táxi se misturava com o tráfico, Ginny sentiu que os seus sentimentos estavam completamente revolucionados. Draco Malfoy era um homem incrivelmente atraente que poderia distrai-la muito facilmente. Além disso, havia algo nele que a turvava. A idéia de ter um contacto profissional com ele a enervava profundamente.
«Eu não gosto», decidiu com uma firme inclinação de cabeça. «É muito seguro de si mesmo, muito arrogante, muito...».Tratou de procurar desesperadamente uma palavra… Físico.
Embora a contra gosto, admitiu que Draco Malfoy era um homem muito sensual e que esse facto a punha nervosa. Não sentia desejo algum de que ele a incomodasse.
Havia algo no modo como ele a olhava, algo no modo como seu corpo reagia quando estava perto dele.
Encolheu os ombros e começou a olhar pela janela. Não queria pensar nele. Melhor dizendo, pensaria em Draco Malfoy só como a pessoa que a tinha contratado, não como um homem. Ainda sentia na mão o calor dele e, depois de olhar-se suspirou. Era necessário, para sua tranquilidade mental, realizar seu trabalho evitando mais contactos pessoais com ele. A relação que teria com ele seria exclusivamente profissional. Isso mesmo, exclusivamente profissional.
A menina transformou-se numa atleta muito na moda. O equipamento de Quidditch azul escuro e prateado faziam um óptimo contraste com a sua pele pálida e o seu cabelo ruivo.
Enquanto esperava no campo, cobriu-se com um casaco, dado que aquela tarde de Outubro estava agradável embora um pouco fria. Usava o cabelo preso com um lenço azul, o que deixava seu delicado pescoço completamente descoberto.
Maquilhou os olhos, acentuando-os com lápis de olhos negro, e os lábios, com um rosa muito subtil. Agarrava a vassoura nas mãos enquanto esperava impacientemente.
Junto aos postes, começou a aquecer um pouco e a atirar bolas para um companheiro inexistente enquanto Colin ocupava-se de encontrar os ângulos e as medidas correctas.
—Acredito que seria melhor que alguém te devolvesse a bola.
Quando Ginny se voltou, viu que Draco a estava observando com um brilho jocoso nos olhos. Ele também estava vestido para jogar, mas usava um equipamento negro e verde.
Acostumada a vê-lo de fato, Ginny surpreendeu-se ao ver a atlética aparência do corpo, esbelto, ombros largos, com braços firmes e musculosos... Naquele momento, a sua masculinidade era muito dominante. Dava para perceber que Draco era um atleta nato enquanto caminhava pela relva com a vassoura na mão..
— Não estou bem? —perguntou ele com um sorriso. Ao escutar aquelas palavras Ginny corou ao dar-se conta de que o tinha estado olhando fixamente.
—Surpreende-me vê-lo vestido desse modo.
—É o mais adequado para jogar Quidditch, não achas?
— Sabes ao menos jogar? —perguntou ela com tom sarcástico.
-Eu gosto bastante da ideia da fotografia de acção. Prometo que não serei muito duro contigo. Deixar-te-ei marcar de vez em quando– ele respondeu.
Ginny precisou de toda a sua força de vontade para não lhe mostrar a língua.
Ela jogava Quidditch frequentemente e fazia-o bem, era das poucas coisas que a lembrava a casa, era a maneira de matar saudades da sua vida em Londres. O Malfoy ia ter uma boa surpresa.
—Tentarei não acertar com a bola na tua cara, sou muito desajeitada —prometeu, com o rosto tão ingénuo como o de uma menina—, para assim poder dar realismo às fotografias.
—Muito bem —respondeu Draco. Então, dirigiu-se para os postes de marcação enquanto Ginny pegava na quaffle— Vamos ver como te sais?
—Vou tentar —respondeu ela. Depois de olhar para Colin para ver se estava preparado, lançou a bola brandamente no ar. Ao ver que o rosto de Colin já estava oculto pela câmara, elevou-se no ar e lançou um olhar desaficador a Draco.
Daquela vez, atirou a quaffle com força e quase acertou num dos postes. Draco no entanto foi mais rápido e defendeu. Ele devolveu-a com suavidade, mas ela atirou-a novamente com força e determinação e a quaffle acabou entrando na argola mais longe de Draco.
-Acredito que também me lembro como se ganha —acrescentou a ruiva, franzindo a testa—. Dez a zero, senhor Malfoy.
—Bom golpe, Ginny. Jogas frequentemente?
-De vez em quando -replicou ela-. Preparado?
Draco assentiu e voaram para o lado oposto do campo onde Ginny seria o Keeper e Draco o Chaser. A quaffle viajou com rapidez de um lado para o outro do campo. Ginny deu-se conta de que ele estava se contendo para que Colin tirasse as fotografias, mas ela também o estava fazendo. Carregava a quaffle e atirava-a sem estilo ou técnica nenhuma.
Permitiu alguns golpes mais antes de lançar a quaffle para muito longe dele.
—Oh —sussurrou ela. Colocou um dedo sobre os lábios, fingindo inocência -. Isso é setenta a vinte, verdade?
Draco semicerrou os olhos enquanto se aproximava dela.
— Por que tenho a sensação que estás a brincar com a minha cara?
-Brincar? -repetiu ela, com os olhos muito abertos —. Sinto muito, senhor Malfoy, não me pude resistir —acrescentou. Então, pôs-se a rir – Estava se comportando de um modo tão condescendente... –ela continuou com um tom superior.
-Muito bem -replicou ele, também com um sorriso para alívio de Ginny—. Já não há condescendência que valha. Agora, quero sangue.
—Muito bem, soltemos as bludger e a snitch e comecemos do zero. -disse ela enquanto voltava para ele—. Não quero que diga que eu tinha uma vantagem injusta.
Draco deu uma volta ao campo exibindo as suas habilidades em cima da vassoura. Os dois moveram-se com rapidez pela pista. Batalhavam com esforço pelos pontos. Ginny esqueceu se por completo da câmara, dado que o clique da mesma ficava completamente mascarado pelo som do vento no seu cabelo e os sussurros das vassouras contra o ar.
Ginny amaldiçoou se quando não conseguiu agarrar a Snitch ao vê-la e acabou perdendo a quaffle para Draco. Era muito excitante ser todos os jogadores num só jogo. Rapidamente apanhou-o e conseguiu defender a quaffle.
—Isso foi muito bom —disse Colin, rompendo assim a concentração da jovem— Tenho fotos fantásticas. Pareces uma verdadeira profissional, Ginny. Já podemos deixar por hoje.
— Deixar? —replicou ela olhando-o com incredulidade—. Perdeste a cabeça? Estamos jogando.
Depois de olhá-lo durante uns instantes como se estivesse louco, retomou o jogo rapidamente. Durante os seguintes minutos, os dois jogaram para recuperar a vantagem até que Draco ao agarrar a Snitch mesmo atrás da ruiva.
Ginny colocou as mãos nos quadris e respirou profundamente depois de chegar ao chão.
—Bom, essa é a agonia da derrota -disse com um sorriso.—. Parabéns —acrescentou enquanto estendia a mão a Draco—. Joga de um modo muito competitivo, senhor Malfoy, tal como em Hogwarts.
Draco aceitou a mão que lhe oferecia, mas, em vez de apertar limitou-se a agarrá-la suavemente.
—Asseguro-te que me obrigaste a ganhar, Ginny. Acredito que eu gostaria de ter a sorte em dobro, mas contigo a jogar ao meu lado -disse. Olhou-a durante um instante antes de olhar a mão que ainda tinha cativa entre as suas—. Que mão tão pequena! — acrescentou enquanto as levantava para examiná-las cuidadosamente -. Surpreende-me que possas manipular uma quaffle desse modo...
Então, a girou e depois de colocar a palma para cima, a levou-a aos lábios. Ao sentir aquele beijo, Ginny experimentou sensações estranhas correndo pelas costas. Olhou para a mão como que hipnotizada, incapaz de falar ou de retirá-la.
—Vamos —disse Draco, consciente da reacção que ela tinha tido-. Vamos comer algo. Tu também, Colin.
—Obrigado, Draco —respondeu Colin enquanto recolhia o seu equipamento—, mas quero ir para o meu estúdio revelar este filme. Comerei uma sanduíche.
—Bem, Ginny —murmurou Draco voltando-se para ela—. Sozinhos tu e eu...
—Agradeço muito, senhor Malfoy— replicou ela. Sentia-se em pânico ante a perspectiva de almoçar com ele—, mas não é necessário que me convide para almoçar.
—Ginny, Ginny... É tão difícil aceitares um convite ou só quando sou eu a convidar?
—Não seja ridículo —respondeu ela. Tentou manter um tom casual, mas cada vez mais notava a calidez da mão dele sobre a sua. Olhou fixamente para as mãos unidas e sentiu se completamente indefesa—. Senhor Malfoy, pode me devolver a mão, por favor?
—Draco, Ginny — pediu lhe ele sem prestar atenção alguma á reclamação que ela lhe tinha feito—. É muito fácil. Tem somente duas sílabas. Vamos.
—Está bem —disse ela. Sabia que, quanto antes aceitasse, mais rápido se veria livre dele—. Draco, poderias me devolver a mão, por favor?
—Agora sim. Superamos o primeiro obstáculo. Não foi tão difícil, verdade? —repôs ele, com um ligeiro sorriso nos lábios. Assim que a soltou, Ginny sentiu se imediatamente mais segura.
—Não muito.
—Agora, ao almoço —afirmou. Ao ver que Ginny abria a boca para protestar, levantou uma mão para impedir - Tu comes, não?
—Claro, mas...
—Não há Mas. Quase nunca presto atenção alguma a mas ou a porém.
Em pouco tempo, Ginny encontrava se sentada em frente a Draco numa pequena mesa do clube. As coisas não foram tal e como ela tinha planeado. Era muito difícil manter uma relação profissional e impessoal quando estava tão frequentemente na companhia dele. Era inútil negar que o achava muito interessante, que a sua vitalidade a estimulava e que Draco era um homem tremendamente atraente e muito mudado desde Hogwarts. Entretanto, recordou- se que ele não era o seu tipo. Além disso, não tinha tempo para relações sentimentais naquele momento da sua vida. Não obstante, os sinais de alerta que recebia o seu cérebro diziam lhe que tomasse cuidado, que aquele homem era capaz de mudar os seus cuidadosos planos.
— Alguém já te disse que tens uma óptima conversa?
Ginny levantou os olhos para encontrar-se com o olhar zombador de Draco.
—Sinto muito. Estava pensando em outras coisas — desculpou se. Uma vez mais, o rubor tinha lhe tingido as bochechas.
—Já me dei conta. O que vais beber?
-Chá.
-Só?
—Sim —afirmou. Então, disse-se que devia relaxar—. Não bebo muito. Temo-me que não me sinta muito bem. Com mais de dois copos de alcool transformo me no Mr. Hyde. Deve ser o metabolismo...
—Eu adoraria ser testemunha dessa transformação —comentou ele, depois de soltar uma gargalhada — Teremos que combinar isso mais tarde.
Para surpresa de Ginny, o almoço foi uma experiência muito agradável, apesar de Draco reagir com certo desgosto e puro desdém masculino pelo facto de ela escolher uma salada. Assegurou-lhe que era uma comida mais que adequada e fez um comentário sobre a brevidade da carreira das modelos com peso no limite.
Quando relaxou por completo, a jovem divertiu se muito e esqueceu se de manter distância entre Draco e ela. Enquanto comiam, falou lhe dos planos que tinha para a sessão do dia seguinte. Tinha escolhido o Central Park para mais fotos externas em que se ressaltasse uma imagem atlética.
—Amanhã tenho reuniões durante todo o dia e não poderei ir supervisionar a sessão. Como podes sobreviver com isso? —perguntou-lhe mudando abruptamente de conversa. Estava indicando a salada de Ginny—. Não queres um pouco de comida de verdade? Vais desaparecer um dia destes.
Ela negou com a cabeça e sorriu enquanto tomava um gole de chá. Draco, por sua vez, murmurou algo sobre as modelos meio mortas de fome antes de retomar o fio da conversa.
-Se tudo der certo, começaremos o próximo segmento na segunda-feira. Colin quer começar cedo amanhã.
—Como sempre —afirmou ela, com um suspiro—. Se o tempo o permitir.
—O sol vai brilhar -comentou Draco, com absoluta segurança em si mesmo—. Já tratei disso com ele.
Ginny recostou se no assento e contemplou Draco com uma desinibida curiosidade.
—Sim —afirmou—. Acredito que poderias tê-lo feito. A chuva não se atreveria a cair e enfrentar o poderoso Draco Malfoy.
Sorriram e, enquanto se olhavam nos olhos, Ginny experimentou uma estranha sensação correndo pelas suas veias, algo rápido, vital e inominável.
— Sobremesa?
—Estás decidido a me fazer engordar, não é? —comentou ela, com um sorriso—. És uma má influência para mim, mas mostrarei uma determinação de ferro.
— Bolo de queijo, bolo de abóbora, mousse de chocolate? —perguntou ele com um malicioso sorriso. Entretanto, ela negou com a cabeça e levantou o queixo.
—Não adianta, não me rendo.
—Tenho certeza que tens uma fraqueza. Com um pouco mais de tempo, eu encontro-a.
—Draco, querido, que surpresa ver-te aqui!
Ginny deu a volta e observou a mulher que acabava de saudar Draco com tanto entusiasmo.
—Olá, Cassondra -disse ele, referindo-se a elegante loura com um encantador sorriso— Cassondra Agrippa, Ginny Weasley.
-Senhorita Weasley —repôs Cassondra com uma inclinação de cabeça como saudação. Então, entreabriu os olhos verdes—. Nos conhecemos?
—Não acredito —respondeu Ginny.
—O rosto de Ginny aparece na capa de muitas revistas —explicou Draco—. É uma das melhores modelos de Nova Iorque.
—É obvio —comentou Cassondra. Ginny observou como a mulher semicerrava ainda mais os olhos, examinava-a e a catalogava como mercadoria inferior—. Draco, devias ter dito que estarias aqui hoje. Poderíamos ter passado algum tempo juntos...
—Sinto muito —respondeu ele— De todos os modos, não vou estar aqui muito tempo. Além disso, vim por negócios.
Sem que pudesse evitar, Ginny sentiu se um pouco desiludida por aquela afirmação. Apesar de saber que era uma reacção ridícula, ergueu imediatamente as costas. «Não te adverti disso?», disse-se. «Ele tem razão. Só estamos aqui por negócios». Então, recolheu as suas coisas e ficou de pé.
-Por favor, senhorita Agrippa, tome o meu lugar. Eu já estava de saída.
Voltou-se para olhar para Draco sentiu uma ligeira alegria ao ver que ele mostrava se um pouco zangado pela sua apressada saída.
—Obrigado pelo almoço, senhor Malfoy — disse. Ao ver que ele franzia a testa ao escutar o seu sobrenome, sorriu—. Foi um prazer conhecê-la, senhorita Agrippa.
Depois de dedicar à loura um cortês sorriso, Ginny dispôs se a partir.
—Não sabia que convidar as tuas empregadas para almoçar era algo tão corrente, Draco...
Enquanto se afastava da mesa, Ginny escutou o comentário de Cassondra. Sentiu o desejo de dar a volta e lhe dizer que se ocupasse dos seus próprios assuntos, mas controlou se e partiu sem ouvir a resposta de Draco.
N/A: Espero que gostem deste capítulo. Estou ainda a trabalhar no último da fic Porque Casei Com Draco Malfoy mas estou mesmo quase a acaba-lo. beijo* e não esqueçam de deixar review!! =)
