Reencontro
- Quem está ai? – Perguntou a mulher tranqüilamente sem mover-se em sua poltrona.
O Lord manteve-se calado, e esperando que ela pudesse levantar-se e amaldiçoá-lo bruscamente, começou a andar lentamente de lado, contornando as paredes e sempre mantendo a mulher à vista. Podia ver cada vez mais de seu corpo, até que parou. Não esperava por tamanha mudança na sorte daquela que um dia fora sua companheira.
- Por que parou? Será que o assusto? – Lucy perguntou com um leve tom de cinismo, seu rosto ainda inteiramente voltado para frente. – Sei que está há trinta e sete graus da lareira, se eu pudesse ataca-lo, já o teria feito, mas, como pode ver, não tenho uma varinha.
Era por isso que não o atacava, sequer mostrava resistência. Bruxos permanentemente cegos não tem permissão para portar varinhas devido ao risco de acidentes. Sendo assim, não havia porque manter preocupações. Aproximou-se e parou bem na frente dela, olhando-a diretamente nos olhos brancos. Ficou de joelhos para vê-la melhor, movimento este que ela acompanhou com a cabeça em um velho hábito.
- Achei que nunca mais fosse vê-lo – Lucy disse enquanto estendia a mão bem devagar para toca-lo no rosto, parando ao perceber que ele se afastara. – Então as coisas que falam por ai são verdade.
- Quem fez isso com você? – ele perguntou com frieza, ignorando totalmente o que ela dissera.
- Pergunte aos seus subordinados – recebeu uma resposta em tom igual.
De alguma forma isso despertava emoções há muito perdidas para o Lord das Trevas, o entristecia. Levantou uma das mãos trêmula, tocando um lado daquela que um dia fora uma bela face, agora estava coberta de carne queimada e retorcida. Isto era o que acontecia com mulheres lindas, estonteantes, que visivelmente não eram bruxas puro-sangue e tinham descendência de Veelas, e sabia muito bem quais os Comensais da Morte que aplicavam esta "penalidade". Era uma forma de dizer que sentiam inveja por não haverem mulheres tão perfeitas de sangue puro. Ele nunca se incomodara com o fato dela ter o sangue sujo, nos outros isso era inaceitável, mas com ela era diferente.
- Você continua linda mesmo depois de décadas – ele disse de repente, quebrando a tensão que se instalara.
- Eu não envelheço depois de uma certa idade, você sabe disso, assim como sabe que está mentindo – não importava o que fosse dito, Lucy parecia ter se tornado uma pessoa amarga. Estava muito diferente da alma alegre que ele conhecera.
- Não mentiria para você. Sempre foi a garota mais linda de Hogwarts, sempre será – estava na hora de apelar para o ego e a vaidade, coisas que não mudam em uma mulher. Esta é a arma mais poderosa de um homem que quer se dar bem.
- Bobagem – ela retrucou irritando-se, virando o rosto para o lado para que não mais fosse tocada. – Jamais serei como um dia fui, jamais! E tudo isso graças a você e os seus malditos servos!
- E se eu me redimir? Eu posso consertar o que fizeram, te devolver a visão e curar suas cicatrizes – ofereceu, a conversa estava seguindo um rumo que lhe era lucrativo.
- Isso não é possível, todos os especialistas de vários hospitais já me disseram que é irrecuperável.
- Eles não têm o meu poder.
Isto era verdade, o que fez Lucy considerar. Ele fora o responsável pelo estrago que arruinara sua vida, porém, agora vinha e lhe oferecia a salvação, consertar seus erros. Mas tudo parecia maravilhoso demais para acreditar plenamente. Inclinou a cabeça de lado, ponderando o que dizer, e como dizer, para obter a resposta que queria.
- Esqueceu-se de um pequeno detalhe: Eu não confio em você, não esqueci como terminamos, ou melhor, como você terminou comigo.
Novamente um empecilho, talvez o maior de todos. Voldemort encerrara aquele relacionamento de uma forma nem um pouco agradável. Na noite do baile de formatura da escola, quando diversos casais aproveitavam para fazer pedidos de noivado, Lucy esperava pelo mesmo. Quando foram juntos para a Sala Precisa e fizeram amor, era por isso que ela aguardava e, ao indagar sobre o futuro, recebera da forma mais direta possível que não havia ali um relacionamento sério que, na verdade, era uma despedida para sempre. Tentou consertar a situação:
- Admito que fui rude, mas precisa compreender, eu era muito jovem...
- Mas era maduro o bastante pra me chamar na Sala Precisa todas as noites e algumas vezes durante a tarde – ela estava ficando enfurecida de verdade. – Você é igual a todos os outros. Para transar falam coisas lindas, quando é para ter um compromisso, fogem na mesma hora.
- Isto é passado, nem devíamos estar falando disso – foi uma tentativa vã de desviar o assunto. Tinha que pensar em uma saída rápida.
- Oh, devíamos sim! Você desapareceu! Sumiu e eu nunca tive chance de dizer nada do que pensava!
Lucy estava tão alterada que não conseguia se manter sentada. Levantou-se e, com os braços estendidos à frente do corpo, foi tateando pela pequena sala até uma mesa na lateral do cômodo, uma simples desculpa para não ficar mais tempo perto daquele que lhe causara tanto sofrimento. Voldemort, por sua vez, entendeu que este era o momento crítico, a hora de fazer sua aposta mais alta, a proposta que ela não poderia recusar. Pôs-se de pé e andou até parar logo atrás da mulher, passando as mãos ao redor de sua cintura em um abraço, puxando-a para si. Não sentindo resistência, deu o golpe final:
- Eu fui idiota por ter te deixado partir, gostaria de me redimir e consertar todos os meus erros. Por favor, case-se comigo.
N.A.: Não deu pra esperar, quis postar logo, já que só o primeiro capítulo não faz muito sentido. Eu gosto do final desse capítulo, sei lá, acho bonitinho. Tentei ser má com Lucy, não sei se consegui, mas quero que ela sofra bastante. Não se esqueçam de deixar suas opiniões! Beijos! =**
