Saga corou. Camus não sabia mais o que dizer e estava com muita fome, então resolveu interrogar o geminiano depois. Pra quem não sabia nem fritar um ovo, Saga cozinha muito bem. Ficaram em silêncio até o final da refeição. Saga terminou primeiro e ficou observando o aquariano comer, o que o fez corar. O francês terminou de comer e se levantou.
-Terminou?
-Sim - O geminiano respondeu sorridente.
Camus então pegou os utensílios e colocou na pia, começando a lavá-los.
-Ainda ta valendo? - Camus perguntou com a mesma frieza de sempre.
-Valendo o que? - Saga o encarou confuso.
-Eu te pedi em namoro e você aceitou - Disse como se fosse algo banal - Ainda ta valendo?
Saga se levantou e caminhou vagarosamente até o aquariano. Camus não deixava transparecer, mas estava ansioso pela resposta. O geminiano o envolveu com seus musculosos braços e apoiou o queixo no ombro direito do ruivo.
-Se quiser me dar a chance de te fazer feliz... - Saga disse manhoso.
-Hum - Camus sorriu de canto - Terá sua chance, Bob Esponja das Panquecas - Virou um pouco o rosto de lhe deu um beijo na bochecha.
-E não vou desperdiçá-la - Saga riu e soltou o ruivo, começando a ajudá-lo com a louça - O que quer fazer depois?
-Preciso falar com o meu pai - Camus respirou fundo - Eu morava junto com meu ex namorado, e como nós terminamos, vou ter que ir morar com o meu pai de novo - Ele voltou a suspirar - E eu nunca me dei muito bem com a minha mãe. Ela nunca aceitou a minha sexualidade.
-Não precisa fazer isso - Saga disse prontamente - Fica aqui em casa - Percebeu que o outro ficou tenso - Pelo menos até arrumar outra pra você.
-Mas nós nos nos conhecemos há menos de um dia
-E já namoramos há mais de oito horas e oficiais dois minutos e meio - Ele disse sério, mas foi um tanto quanto engraçado, fazendo o aquariano sorrir de canto.
-Tá bom, se não for incomodar...
-Claro que não vai incomodar! Me deixa muito feliz! - Saga sorriu abertamente.
-Obrigado por me ajudar tanto, Saga - Camus o olhou agradecido - Você é uma ótima pessoa.
-Eu não sei dizer ao certo, mas acho que me apaixonei por você - Ele disse com um sorriso bobo.
-Não vou mentir, tudo o que sinto por você nesse exato momento é atração e muita gratidão. Eu realmente quero aprender a te amar, Saga. Está disposto a me ensinar? - Saga olhou bem no fundo dos olhos escarlates do ruivo e percebeu que eles faiscavam.
-Mesmo que custe a minha vida, eu não vou desistir de você, nunca! Te dou a minha palavra! - Saga retribuiu o olhar com confiança.
-Obrigado - A resposta foi um sorriso.
Terminaram de lavar a louça. Camus o seguiu até a sala. Saga se jogou no sofá com os braços abertos. O ruivo então apenas se sentou ao lado do outro, passou uma mão atrás das costas dele, rodeando sua cintura e encostou a cabeça no ombro do geminiano. Saga, um tanto surpreso, aproveitou a oportunidade e colocou uma mão no ombro de Camus, puxando-o para mais perto.
-Você é muito quente - Camus disse normalmente.
-E você tem cheiro de morango - Saga riu.
-Eu gosto de morango - O ruivo disse fazendo bico.
-Também.
-E você tem cheiro de baunilha.
-Você gosta de baunilha? - Saga perguntou arqueando a sobrancelha.
-Muito.
-Ótimo - Ele riu.
-Você não vai perguntar nada sobre o meu ex, minha família ou algo do tipo? - Camus perguntou arqueando a sobrancelha.
-Achei que se você quisesse que eu ficasse sabendo, você mesmo me contaria - Saga disse sincero - Quero sim saber da sua vida, mas só o que você estiver disposto a me contar.
-Bom, meu nome completo é Albert Camus Verseau Grive. Não se assuste caso alguém me chame de Albert, sou o carrancudo filho do chefe da empresa onde trabalho, então os que trabalham lá desde que meu pai a fundou me tratam como um filho, já os novatos e estagiários me veem como uma versão mais jovem do meu pai. Então meu apelido varia de Albert, Abertinho, Al, Sr. Albert, Chefinho Cuzão, que é como a maioria dos novatos me chamam, e o único que eu gosto, Camus.
-E quem te chama de Camus? - Saga perguntou curioso.
-Meu pai, minha mãe, meu avô e o Thierry - Camus suspirou - Meu avô faleceu, minha mãe me odeia e eu terminei com o Thierry, então só sobra o meu pai.
-Agora você tem a mim, e se você quiser, tem mais uma pessoa - Ele sorriu.
-Quem?
-Meu irmão, Kanon - Saga riu um pouco - Ele é meio maluco, pirado, doido, psicótico, impulsivo, idiota, retardado, deixa qualquer um louco, irritante e... - Percebeu que Camus o encarava arqueando a sobrancelhas - Mas tem um bom coração e sabe ser muito compreensível, legal, amoroso, companheiro, fiel, não, ele não é meio homem meio cachorro, ele é só diferente das pessoas comuns. Como se eu fosse normal né, cabelo azul e tal... Nunca pintei o cabelo, nasci assim, então culpe o meu pai.
-Confesso que a cor do seu cabelo me deixa fixado em você - Camus olhou no fundo dos olhos do geminiano.
-Muito obrigado, meu querido pai - Saga agradeceu - Nunca mais reclamo de ser chamado de Smurf.
-Voltando ao seu irmão - Ele disse calmamente - Adoraria conhecê-lo.
-Vou marcar alguma coisa com ele assim que possível. Quero que conheça o meu pai também, ele é incrível!
-Seria uma honra. Não posso dizer o mesmo sobre a minha família. Meu pai é um homem sério demais, mas tem o coração bom. Já a minha mãe, não posso dizer o mesmo. Embora ela seja extremamente católica, praticamente me expulsou de casa por causa da minha sexualidade. Meu pai brigou com ela e me pediu que ficasse, mas eu não queria viver naquele ambiente pesado, então eu sai de casa. Eu já namorava o Thierry, então me mudei pra casa dele. O pai dele, Joseph Montiev, trabalha para o meu pai, então nós nos conhecíamos desde pequenos. Meu pai sempre me apoiou de todas as formas que pôde, mas ele é um mistério pra mim. Ele não é feliz, eu sei disso.
-Já tentou conversar com ele sobre tudo isso? Falar o que você sente, o que você pensa e acredita, sem ser muito direto, deixando a conversa fluir.
-Ele não toca em nenhum assunto relacionado ao passado amoroso dele, nem ele nem a minha mãe. Então, ontem, quando eu cheguei em casa mais cedo pra fazer uma surpresa para o filho da puta do Thierry, você não vai acreditar, mas eu tinha comprado um anel e pretendia pedi-lo em casamento. Eu escutei uns barulhos estranhos e logo percebi que essa noite não iria acabar bem. Subi lentamente as escadas pra não fazer barulho. A porta estava aberta e eu fiquei paralisado com a cena que eu vi. Um rapaz alto, forte e loiro estava eh... penetrando - Ele disse com vergonha da palavra - o Thierry, que estava de quatro em cima da cama, gemendo muito. O cara mordia, arranhava, beliscava, dava tapas, e muitas outras coisas. Estavam tão entretidos que não notaram a minha presença ali. Resolvi descer e sai de casa, voltando para dentro do carro. Sentei e esperei, sem emoção nenhuma. Depois de um tempo, o rapaz saiu. Olhei para o relógio e vi que faltavam exatamente quinze minutos para as oito horas, que era o horário em que eu geralmente chegava em casa. Esperei o horário e sai, deixando a tristeza de lado e colocando uma máscara de frieza. Quando eu cheguei, aí sim, senti meu coração despedaçar...
FLSASHBACK ON:
-Camus! Até que enfim! - Thierry o recebeu sorridente.
-Cheguei - Ele jogou a maleta no sofá.
-O que foi? Parece desanimado...
-Não é nada - Ele apenas passou pelo moreno.
-Como assim nada? Vem, uma rapidinha vai melhorar o seu astral - Disse tirando a jaqueta do ruivo.
Camus não disse nada, apenas o empurrou contra a parede e o despiu com brutalidade. Abriu a calça e retirou o membro. Inseriu-se nele com força, querendo machucá-lo. O membro de Camus era médio em tamanho, mas era extremamente grosso. Mordeu com força as costas do moreno e o arranhou. Deixou vários chupões e hematomas.
-PAA-AAA-RAA CAMUS - Thierry gemia - Vai mais devagar!
O ruivo não dizia nada. Nem prazer estava sentindo. Era apenas um sentimento de vingança. Gozou, sem saber como, mas gozou, depois de Thierry ter se derramado no chão três vezes. Levantou e fechou a calça, deixando o outro no chão.
-O que que deu em você hoje? Está mais bruto e frio que o normal - Thierry reclamava virando-se e sentando no chão - E ainda me deixou aceso - Apontou para o membro ereto.
-Eu dou um jeito pra você - Disse com um tom ameaçador e colocou a jaqueta de volta, o que assustou o outro.
-O que está acontecendo, Camus? - Perguntou assustado.
-Nada - Camus pisou no membro ereto do outro com suas botas negras - Apenas estou te tratando como você merece, como a puta barata que você é.
-Do que está falando? - Ele perguntou apavorado e dolorido enquanto tentava tirar o pé do ruivo de seu membro.
-Pensa que eu não vi? Você estava dando descaradamente para aquele loiro agora há pouco! Não sei quantas vezes você deve ter feito isso sem que eu soubesse, mas como hoje é um dia especial, eu vou te fazer uma surpresa - O ruivo o encarou com nojo e retirou uma caixinha do bolso.
-Não me diga que... - Os olhos de Thierry se encheram de lágrimas de arrependimento.
-Hoje, no nosso quinto aniversário de namoro, eu iria te pedir em casamento - Camus abriu a caixinha, pegou o anel e a atirou do outro lado da sala - Achei que você ficaria feliz - Começou a brincar com o anel de diamante - Eu fiquei ansioso o dia todo, afinal, hoje seria um dos dias mais especiais da minha vida. Adiantei todo o trabalho do dia pra chegar mais cedo em casa. E eu cheguei mais cedo em casa. Só que ao invés de encontrar o meu namorado assistindo televisão, lendo um livro, vendo um vindo ou o que diabos fosse, eu o encontrei dando o cu para um brutamontes na mesma cama em que dormimos juntos. Na mesma cama que ele dizia que me amava - Camus apertou o anel entre os dedos.
-Eu posso explicar...! - Thierry ainda tentava.
-Pro inferno as suas explicações! - Camus bradou com ódio - Sua puta, vadia, biscate, viado, desgraçado, filho de uma cadela - Ele recitava todo o seu arsenal de insultos - Eu te amei! Saí de casa por você! Briguei com a minha mãe por você! E como você me retribui isso? Servindo de cadela pra alguém enquanto eu trabalho!
-Vamos conversar, Camus! Isso jamais vai se repetir! - O moreno implorou segurando o pé do ruivo, que ainda estava fortemente pressionando seu membro.
-Não vai se repetir mesmo. Eu não vou ser corno, seu filho da puta! - Jogou o anel com toda a força que tinha no outro francês, deu um forte pisão no membro do outro e saiu.
-CAMUS! CAMUS! - Escutou Thierry gritar, mas ele não voltaria atrás.
Não se preocupou em pegar um carro. Camus adorava dirigir, mas não queria fazer isso naquele estado. Foi para a boate mais próxima de táxi e começou a beber...
FLASHBACK OFF:
-E o resto da história você conhece melhor que eu - Camus suspirou.
-Não precisa se lembrar mais disso - Saga disse calmamente - Leve do relacionamento de vocês tudo que foi bom e esqueça o que foi ruim. Hora de seguir em frente. Saiba que eu não vou fazer isso com você. Jamais. Quero te conhecer melhor e quero que me conheça melhor. Quero que confie em mim da mesma forma que já confio em você - Olhou bem no fundo dos olhos escarlates do ruivo e disse completamente perdido no infinito daqueles olhos expressivos - Roubou o meu coração, sabia?
A resposta de Camus foi apenas um selinho. Ele nunca fora muito bom com as palavras, então na maioria das vezes usava o silêncio como resposta. Mas Saga não merecia um simples vazio. Merecia algo quente, assim como ele.
-A minha vida não é nada interessante - Saga disse separando-se do ruivo - Ainda não consigo falar muito sobre o meu passado, mas te prometo que assim que eu conseguir, te contarei tudo a meu respeito. Mas o básico é que hoje eu só tenho o meu pai, meu irmão, meu tio e meus primos. Minha mãe e minha tia morreram em um acidente de carro quando eu tinha apenas oito anos. Meus primos, Abel e Kain tinham apenas sete anos. Minha infância foi sofrida, mas conseguimos vencer esses tempos e estamos muito felizes hoje.
-Entendo... - Camus acariciava as costas do geminiano.
-Kanon e eu somos gêmeos, assim como o Abel e o Kain - Ele sorriu - Meu nome completo é Alexander Saga Dalaras Tiropoulos, mas meu irmão tem o nome mais esquisito do mundo - Saga riu muito - Mikail Kanon Dalaras Tiropoulos. Ele detesta que o chamem de Mikail, ele acha que é nome de russo. Já o nosso pai se chama Heitor Aspros Tiropoulos e meu tio se chama Pétros Defteros Tiropoulos. Meu tio e minha tia foram gentis com os meus primos e não colocaram esses nomes de pomada pra coceira neles, então é só Abel Savalas Tiropoulos e Kain Savalas Tiropoulos.
-Seu nome não é feio, Alexander - Camus sorriu de canto.
-Nem o seu, Albert - Ele sorriu de volta.
-Haha, engraçadinho - Camus disse irônico - Bom, meu pai se chama Henry Dégel Grive, mas ele não usa o segundo nome. Em todos os lugares ele é conhecido como Henry Grive. Minha mãe se chama Julia Bodelier Verseau e ela me odeia. Ah, detalhe importante, eu tenho 19 anos.
-Eu tenho 20 - Saga sorriu - Com corpinho de 19 e sete meses.
-Haha - Camus revirou os olhos - Preciso voltar pra pegar algumas coisas na casa daquele puto - Camus disse calmamente - Iria comigo?
-Claro que sim.
-Sabe que eu vou te um pouco pra me vingar dele, não sabe? - Ele disse arqueando a sobrancelha.
-Sei - Disse sem se importar.
-E você ainda sim vai comigo?
-Se isso vai fazer você se sentir melhor, eu deixaria que me usasse de saco de pancadas - Saga disse sorridente.
-Eu nunca te machucaria, idiota - Camus deu outro beijo na bochecha do grego, pegou sua mão e foram juntos até a garagem de Saga.
Entraram no Bugatti Veyron negro do geminiano e foram até a casa do traidor. Chegando lá, Camus tocou a campainha. Thierry veio correndo abrir e ficou radiante ao ver Camus. O ruivo percebeu que o moreno estava usando o anel que atirara nele.
-Camus! Eu sabia que você ia voltar! - Thierry estava pronto para pular nos braços de Camus quando percebeu que ele estava de mãos dadas com o rapaz de cabelos azuis ao seu lado.
-Vim buscar as minhas coisas, se não se importa - Disse empurrando o moreno e indo em direção ao quarto, ainda segurando a mão de Saga.
-Quem é esse brutamontes azul? - Thierry perguntou indignado.
-Ele é o meu namorado, Saga - Continuou subindo as escadas sem dar importância ao outro.
-Como assim "namorado"? E nós dois, Camus? - Thierry gritou seguindo-os - Somos noivos agora, não é?
Camus entrou no quarto e começou a pegar suas roupas. Saga ficou na porta, e quando Thierry foi passar, o grego bloqueou o caminho.
-Sai da minha frente agora, gorila azul! - O moreno bradou.
-Não vai se aproximar do Camus nunca mais - Saga disse encarando-o por cima - Panaca.
-Quem é você pra mim impedir?
-Alguém que não trai o namorado depois de cinco anos de namoro.
-Você não sabe de nada! - Ele gritou - Não sabe o porquê de eu ter feito isso e me julga como se soubesse! Camus sempre voltava do trabalho tarde e cansado, nunca tinha tempo pra mim... Eu fiquei carente e encontrei o Ryan no mercado... e ele me chamou pra sair... tomar um vinho... eu simplesmente aconteceu! Foi só uma aventura! Camus, eu te amo com todo o meu coração. É impossível que você tenha deixado de me amar em uma noite. Foram cinco anos juntos! Você ainda me ama e eu vou fazer você enxergar isso!
-Thierry - Camus disse friamente - Todo o amor que eu um dia tive por você se transformou em nojo e indiferença. Tudo isso em uma noite.
-E o gorila azul aqui? Vai falar que o ama?
-Não, não o amo. Mas sinto por ele um carinho muito grande, me sinto protegido perto dele... me sinto feliz, como há muito tempo eu não sentia. Estou aprendendo a amá-lo como um dia eu te amei. Na verdade, quero amá-lo mais. Quero mais que uma galáxia, quero todas que eu puder contar. Nosso pequeno infinito é bem maior que o infinito que eu tive com você um dia. Ainda não o amo, mas um dia, nosso amor será muito maior que qualquer infinito.
